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	Comentários sobre: Insistir no erro?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Sem nome, mas com endereço		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/10/134871/#comment-682435</link>

		<dc:creator><![CDATA[Sem nome, mas com endereço]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2020 04:30:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um grande e lindo artigo, mas tenho um adendo importantíssimo a se fazer. Em certo momento, o autor deste texto linkou um artigo de opinião do blog &#039;Jornalistas Livres&#039; sobre o caso do professor Samuel Paty e lá naquele texto há informações bastante distorcidas, infelizmente isto é a cara da &quot;mídia alternativa&quot; brasileira, vejam só o que DCM anda fazendo com Green Gleenwald, por exemplo.
O artigo de &#039;Jornalista Livres&#039; afirma e também dá a entender que mulheres muçulmanas não podem assumir cargos públicos na França e que em vários ambientes não podem professar sua fé por serem proibidas pelo Estado francês, o que é uma calúnia sem dimensões. Mulheres muçulmanas, cristãs, judias, ateias, budistas ou de qualquer credo podem assumir cargos públicos na França, o que não podem, na verdade, é usar dentro de repartições públicas, seja trabalhando ou utilizando seus serviços, trajar artigos religiosos que sejam bastante expostos.
Professores judeus, por exemplo, não podem dar aulas em escolas francesas usando quipá. Padres não podem dar aulas em universidades francesas vestindo batinas. Funcionários públicos católicos não podem usar crucifixos em seus trabalhos. O mesmo se aplica a mulheres muçulmanas ou homem muçulmanos que queiram trabalhar no setor público ou usar seus serviços. Alunos judeus na França, por exemplo, não podem usar o quipá. O veu ainda é uma exceção, mas burca ou outras vestimentas também são proibidas.
Esta proibição de burca, quipá, crucifixo ou outros artigos religiosos serem usados em repartições públicas não são de hoje, mas sim de quase um século, afinal, a França moderna e laica só existe porque lá atrás, no contexto iluminista, brigou-se ferozmente por uma separação da Igreja e do Estado e buscou-se mecanismos de garantir que isto fosse realmente praticado. Portanto, as mulheres muçulmanas não são proibidas a nada no que diz respeito a trabalhar na França, elas só não podem, como qualquer outro grupo religioso, usar adereços ou materiais religiosos que sejam bastante expostos.
É necessário elencar isto porque a matéria de Jornalistas Livres aparenta querer de fato que vejamos o Estado francês como um perseguidor da fé islâmica, o que não é verdade, até porque o Islã já é parte da França há pelo menos três ou quatro décadas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um grande e lindo artigo, mas tenho um adendo importantíssimo a se fazer. Em certo momento, o autor deste texto linkou um artigo de opinião do blog &#8216;Jornalistas Livres&#8217; sobre o caso do professor Samuel Paty e lá naquele texto há informações bastante distorcidas, infelizmente isto é a cara da &#8220;mídia alternativa&#8221; brasileira, vejam só o que DCM anda fazendo com Green Gleenwald, por exemplo.<br />
O artigo de &#8216;Jornalista Livres&#8217; afirma e também dá a entender que mulheres muçulmanas não podem assumir cargos públicos na França e que em vários ambientes não podem professar sua fé por serem proibidas pelo Estado francês, o que é uma calúnia sem dimensões. Mulheres muçulmanas, cristãs, judias, ateias, budistas ou de qualquer credo podem assumir cargos públicos na França, o que não podem, na verdade, é usar dentro de repartições públicas, seja trabalhando ou utilizando seus serviços, trajar artigos religiosos que sejam bastante expostos.<br />
Professores judeus, por exemplo, não podem dar aulas em escolas francesas usando quipá. Padres não podem dar aulas em universidades francesas vestindo batinas. Funcionários públicos católicos não podem usar crucifixos em seus trabalhos. O mesmo se aplica a mulheres muçulmanas ou homem muçulmanos que queiram trabalhar no setor público ou usar seus serviços. Alunos judeus na França, por exemplo, não podem usar o quipá. O veu ainda é uma exceção, mas burca ou outras vestimentas também são proibidas.<br />
Esta proibição de burca, quipá, crucifixo ou outros artigos religiosos serem usados em repartições públicas não são de hoje, mas sim de quase um século, afinal, a França moderna e laica só existe porque lá atrás, no contexto iluminista, brigou-se ferozmente por uma separação da Igreja e do Estado e buscou-se mecanismos de garantir que isto fosse realmente praticado. Portanto, as mulheres muçulmanas não são proibidas a nada no que diz respeito a trabalhar na França, elas só não podem, como qualquer outro grupo religioso, usar adereços ou materiais religiosos que sejam bastante expostos.<br />
É necessário elencar isto porque a matéria de Jornalistas Livres aparenta querer de fato que vejamos o Estado francês como um perseguidor da fé islâmica, o que não é verdade, até porque o Islã já é parte da França há pelo menos três ou quatro décadas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/10/134871/#comment-681677</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2020 15:06:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ALGARAVIA DA EPIFENOMENOLOGIA ou SOPA DE TAMANCO
O mais preocupante é que:
a) um amigo francês escreveu;
b) a esquerda da esquerda apoia a direita da direita;
c) o Charlie Hebdo se aproxima &quot;de posições bastante neoconservadoras (ainda que de esquerda)&quot;;
d) «Uma certa esquerda considera que Charlie é responsável pela islamofobia&quot;;
e) É contra tudo isto [moinhos de vento futebol clube] que devemos combater.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ALGARAVIA DA EPIFENOMENOLOGIA ou SOPA DE TAMANCO<br />
O mais preocupante é que:<br />
a) um amigo francês escreveu;<br />
b) a esquerda da esquerda apoia a direita da direita;<br />
c) o Charlie Hebdo se aproxima &#8220;de posições bastante neoconservadoras (ainda que de esquerda)&#8221;;<br />
d) «Uma certa esquerda considera que Charlie é responsável pela islamofobia&#8221;;<br />
e) É contra tudo isto [moinhos de vento futebol clube] que devemos combater.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Elie		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/10/134871/#comment-681650</link>

		<dc:creator><![CDATA[Elie]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2020 14:02:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=134871#comment-681650</guid>

					<description><![CDATA[[&lt;strong&gt;Ver abaixo a tradução.&lt;/strong&gt;]

Un autre exemple d’absurdité de l’extrême-gauche française, sur le site Paris-Luttes Info : 

« Conflans : horreur, tristesse et révolte
Réflexion d’une enseignante à propos des évènements de Conflans et des réactions qui s’en suivent.
La décapitation… je suis tout de suite sidérée par ce mot et j’essaie de me représenter ce qu’il recouvre. Il reste étranger à ma vie. C’est ce mode opératoire qui m’alerte sur la distance qui me sépare de cet homme qui a décapité un prof.
Tout de suite, j’apprends que le prof a montré les caricatures de Mahomet qui ont valu la vie de la rédaction de Charlie Hebdo. Tout de suite je perçois l’acte de mon collègue comme une provocation ou une inconscience. Les mots tuent. La psychanalyse nous l’a appris. Nous sommes des êtres de langage et l’école fait mine de ne pas voir les rapports de domination qu’elle instaure à travers les mots, le langage, sur les corps des jeunes enfants, des élèves. Un rapport de domination violent, qui s’inscrit pour la vie. Pierre Bourdieu, Jean Foucambert disent cette peine qui s’abat pour longtemps sur nos vies. L’Ecole contre les populations laborieuses, dangereuses.
Méconnaître cette violence institutionnelle, rien d’étonnant à cela car on ne peut connaître ce que l’on ignore et qui s’apprend. L’Education nationale cache cette violence pourtant fondatrice, revendiquée par Jules Ferry pour ses hussards noirs de la République : il faut en finir avec le siècle des révolutions.
L’abîme de haine et de violence qui s’ouvre sous nos pieds avec cette décapitation, c’est le fascisme qui s’avance. La pauvreté, la misère organisée par les dirigeants jettent les bases de cette marée noire. Les fanatismes fleurissent et provoquent des chaos que la répression et les lois liberticides font mine de vouloir juguler.
Nos dirigeants sont des pompiers pyromanes. Nous leur devons les injustices de classe, les pillages planétaires, les guerres coloniales qui continuent – meurtres, tortures, viols, pillages, massacres légalisés. Pour que les riches se gavent.
Une plaie ouverte que je garde au cœur. C’est à hurler.
Samuel P. et Abdoullakh A. n’arrêteront jamais de s’entretuer tant que cette violence de classe et de race ne sera pas reconnue. Une violence que la police a rétablie dans l’instant en abattant l’assaillant. Ce qui est important c’est de rétablir immédiatement le monopole de l’État sur nos vies.
Devant tant d’horreur, nous ne nous tairons pas. Nous ne tairons pas les crimes coloniaux, les violences policières, la relégation des quartiers populaires, les réfugié.e.s mort.e.s dans la Méditerranée , les camps de rétention, la prostitution des enfants, les tortures en prison, les vies de labeur sous le joug capitaliste.
Nous ne renoncerons jamais à nous-mêmes, au combat et à l’amour pour que puissent dialoguer à jamais Samuel et Abdoullakh.

Une enseignante »

&lt;strong&gt;Tradução do Passa Palavra:&lt;/strong&gt;

Outro exemplo de absurdo da extrema-esquerda francesa, no site &lt;em&gt;Paris-Luttes Info&lt;/em&gt;:

«Conflans: horror, tristeza e revolta.
«Reflexões de uma professora a propósito dos acontecimentos de Conflans e das reacções que se seguiram.
«A decapitação... fico imediatamente siderada por esta palavra e tento imaginar o que ela designa. Ela é exterior à minha vida. É essa maneira de proceder que me chama a atenção para a distância que me separa daquele homem que decapitou um professor.
«Fico imediatamente a saber que o professor mostrou as caricaturas de Maomé que custaram a vida à redacção de &lt;em&gt;Charlie Hebdo&lt;/em&gt;. Considero imediatamente a acção do meu colega como uma provocação ou uma inconsciência. As palavras matam. Foi o que a psicanálise nos ensinou. Somos seres que usam a linguagem, e a escola finge não se aperceber das relações de dominação que instaura através das palavras, da linguagem, no corpo dos jovens, dos alunos. Uma relação de dominação violenta, que marca a vida inteira. Pierre Bourdieu ou Jean Foucambert mostram essa cicatriz que estigmatiza ao longo da vida. A Escola contra a população trabalhadora, perigosa.
«Não há nada de extraordinário no desconhecimento dessa violência institucional, porque não se pode conhecer aquilo que se ignora e que tem de ser aprendido. A Educação Nacional esconde essa violência, que, no entanto, constitui o seu fundamento, reivindicado por Jules Ferry para os seus hussardos negros da República: tem de se pôr fim ao século das revoluções.
«O abismo de ódio e violência que essa decapitação rasga a nossos pés é o fascismo a avançar. A pobreza, a miséria organizada pelos governantes lançam as bases dessa maré negra. Florescem os fanatismos e provocam um caos que a repressão e as leis liberticidas fingem querer debelar.
«Os nossos governantes são bombeiros pirómanos. Devemos-lhes as injustiças de classe, as pilhagens planetárias, as guerras coloniais que continuam — assassinatos, torturas, violações, pilhagens, massacres legalizados. Tudo para que os ricos engordem.
«Uma ferida aberta que não me abandona. Um horror.
«Samuel P. e Abdoullakh A. nunca deixarão de se matar um ao outro enquanto essa violência de classe e de raça não for reconhecida. Uma violência que a polícia restabeleceu no a partir do momento em que abateu o atacante. O importante é que o monopólio do Estado sobre as nossas vidas seja imediatamente restabelecido.
«Não nos calaremos perante todos estes horrores. Não nos calaremos perante os crimes coloniais, as violências policiais, a marginalização dos bairros populares, o(a)s refugiado(a)s morto(a)s no Mediterrâneo, os campos de detenção, a prostituição das crianças, as torturas nas prisões, as vidas de trabalho sob o jugo capitalista.
«Nunca renunciaremos a nós próprios, ao combate e ao amor para que Samuel e Abdoullakh possam sempre dialogar.
«Uma professora».
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[<strong>Ver abaixo a tradução.</strong>]</p>
<p>Un autre exemple d’absurdité de l’extrême-gauche française, sur le site Paris-Luttes Info : </p>
<p>« Conflans : horreur, tristesse et révolte<br />
Réflexion d’une enseignante à propos des évènements de Conflans et des réactions qui s’en suivent.<br />
La décapitation… je suis tout de suite sidérée par ce mot et j’essaie de me représenter ce qu’il recouvre. Il reste étranger à ma vie. C’est ce mode opératoire qui m’alerte sur la distance qui me sépare de cet homme qui a décapité un prof.<br />
Tout de suite, j’apprends que le prof a montré les caricatures de Mahomet qui ont valu la vie de la rédaction de Charlie Hebdo. Tout de suite je perçois l’acte de mon collègue comme une provocation ou une inconscience. Les mots tuent. La psychanalyse nous l’a appris. Nous sommes des êtres de langage et l’école fait mine de ne pas voir les rapports de domination qu’elle instaure à travers les mots, le langage, sur les corps des jeunes enfants, des élèves. Un rapport de domination violent, qui s’inscrit pour la vie. Pierre Bourdieu, Jean Foucambert disent cette peine qui s’abat pour longtemps sur nos vies. L’Ecole contre les populations laborieuses, dangereuses.<br />
Méconnaître cette violence institutionnelle, rien d’étonnant à cela car on ne peut connaître ce que l’on ignore et qui s’apprend. L’Education nationale cache cette violence pourtant fondatrice, revendiquée par Jules Ferry pour ses hussards noirs de la République : il faut en finir avec le siècle des révolutions.<br />
L’abîme de haine et de violence qui s’ouvre sous nos pieds avec cette décapitation, c’est le fascisme qui s’avance. La pauvreté, la misère organisée par les dirigeants jettent les bases de cette marée noire. Les fanatismes fleurissent et provoquent des chaos que la répression et les lois liberticides font mine de vouloir juguler.<br />
Nos dirigeants sont des pompiers pyromanes. Nous leur devons les injustices de classe, les pillages planétaires, les guerres coloniales qui continuent – meurtres, tortures, viols, pillages, massacres légalisés. Pour que les riches se gavent.<br />
Une plaie ouverte que je garde au cœur. C’est à hurler.<br />
Samuel P. et Abdoullakh A. n’arrêteront jamais de s’entretuer tant que cette violence de classe et de race ne sera pas reconnue. Une violence que la police a rétablie dans l’instant en abattant l’assaillant. Ce qui est important c’est de rétablir immédiatement le monopole de l’État sur nos vies.<br />
Devant tant d’horreur, nous ne nous tairons pas. Nous ne tairons pas les crimes coloniaux, les violences policières, la relégation des quartiers populaires, les réfugié.e.s mort.e.s dans la Méditerranée , les camps de rétention, la prostitution des enfants, les tortures en prison, les vies de labeur sous le joug capitaliste.<br />
Nous ne renoncerons jamais à nous-mêmes, au combat et à l’amour pour que puissent dialoguer à jamais Samuel et Abdoullakh.</p>
<p>Une enseignante »</p>
<p><strong>Tradução do Passa Palavra:</strong></p>
<p>Outro exemplo de absurdo da extrema-esquerda francesa, no site <em>Paris-Luttes Info</em>:</p>
<p>«Conflans: horror, tristeza e revolta.<br />
«Reflexões de uma professora a propósito dos acontecimentos de Conflans e das reacções que se seguiram.<br />
«A decapitação&#8230; fico imediatamente siderada por esta palavra e tento imaginar o que ela designa. Ela é exterior à minha vida. É essa maneira de proceder que me chama a atenção para a distância que me separa daquele homem que decapitou um professor.<br />
«Fico imediatamente a saber que o professor mostrou as caricaturas de Maomé que custaram a vida à redacção de <em>Charlie Hebdo</em>. Considero imediatamente a acção do meu colega como uma provocação ou uma inconsciência. As palavras matam. Foi o que a psicanálise nos ensinou. Somos seres que usam a linguagem, e a escola finge não se aperceber das relações de dominação que instaura através das palavras, da linguagem, no corpo dos jovens, dos alunos. Uma relação de dominação violenta, que marca a vida inteira. Pierre Bourdieu ou Jean Foucambert mostram essa cicatriz que estigmatiza ao longo da vida. A Escola contra a população trabalhadora, perigosa.<br />
«Não há nada de extraordinário no desconhecimento dessa violência institucional, porque não se pode conhecer aquilo que se ignora e que tem de ser aprendido. A Educação Nacional esconde essa violência, que, no entanto, constitui o seu fundamento, reivindicado por Jules Ferry para os seus hussardos negros da República: tem de se pôr fim ao século das revoluções.<br />
«O abismo de ódio e violência que essa decapitação rasga a nossos pés é o fascismo a avançar. A pobreza, a miséria organizada pelos governantes lançam as bases dessa maré negra. Florescem os fanatismos e provocam um caos que a repressão e as leis liberticidas fingem querer debelar.<br />
«Os nossos governantes são bombeiros pirómanos. Devemos-lhes as injustiças de classe, as pilhagens planetárias, as guerras coloniais que continuam — assassinatos, torturas, violações, pilhagens, massacres legalizados. Tudo para que os ricos engordem.<br />
«Uma ferida aberta que não me abandona. Um horror.<br />
«Samuel P. e Abdoullakh A. nunca deixarão de se matar um ao outro enquanto essa violência de classe e de raça não for reconhecida. Uma violência que a polícia restabeleceu no a partir do momento em que abateu o atacante. O importante é que o monopólio do Estado sobre as nossas vidas seja imediatamente restabelecido.<br />
«Não nos calaremos perante todos estes horrores. Não nos calaremos perante os crimes coloniais, as violências policiais, a marginalização dos bairros populares, o(a)s refugiado(a)s morto(a)s no Mediterrâneo, os campos de detenção, a prostituição das crianças, as torturas nas prisões, as vidas de trabalho sob o jugo capitalista.<br />
«Nunca renunciaremos a nós próprios, ao combate e ao amor para que Samuel e Abdoullakh possam sempre dialogar.<br />
«Uma professora».</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/10/134871/#comment-681607</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2020 12:03:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O preocupante é que não se trata só de Latuff, e as suas declarações reproduzem posições divulgadas entre os esquerdistas franceses. No dia 19 de Outubro, pouco depois do assassinato do professor Samuel Paty, um amigo francês escrevia-me, e traduzo aqui a mensagem:

«A situação está péssima.
«Existe uma certa esquerda da esquerda (não comunistas, incluindo anarquistas) que apoia associações próximas das correntes mais radicais do Islão. Apoia, por exemplo, uma associação ameaçada agora de dissolução, o &lt;a href=&quot;https://fr.wikipedia.org/wiki/Collectif_contre_l%27islamophobie_en_France&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;CCIF&lt;/a&gt;, que é uma agência com ligações explícitas à &lt;a href=&quot;https://pt.wikipedia.org/wiki/Irmandade_Mu%C3%A7ulmana&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener noreferrer nofollow ugc&quot;&gt;Irmandade Muçulmana&lt;/a&gt;. 
«Mélenchon apresentou-se com uma posição “pró-russa”, declarando que o problema residia igualmente na comunidade tchetchena, ou seja, uma afirmação essencializante [identitária], ao mesmo tempo que condenava o assassinato do professor e reafirmava posições republicanas e laicas.
«De modo geral, existe uma esquerda favorável ao &lt;em&gt;Charlie Hebdo&lt;/em&gt; e outra que fala de “islamofobia” e apoia a “religião dos oprimidos”.
«Convém saber que o &lt;em&gt;Charlie Hebdo&lt;/em&gt; se aproximou de posições bastante neoconservadoras (ainda que de esquerda), ao mesmo tempo que mantém a sua faceta anti-religiosa.
«Uma certa esquerda considera que &lt;em&gt;Charlie&lt;/em&gt; é responsável pela islamofobia. E começa a admitir que já não se deve “blasfemar” contra a religião... quer dizer, contra o Islão».

É contra tudo isto que devemos combater. Não é simples nem fácil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O preocupante é que não se trata só de Latuff, e as suas declarações reproduzem posições divulgadas entre os esquerdistas franceses. No dia 19 de Outubro, pouco depois do assassinato do professor Samuel Paty, um amigo francês escrevia-me, e traduzo aqui a mensagem:</p>
<p>«A situação está péssima.<br />
«Existe uma certa esquerda da esquerda (não comunistas, incluindo anarquistas) que apoia associações próximas das correntes mais radicais do Islão. Apoia, por exemplo, uma associação ameaçada agora de dissolução, o <a href="https://fr.wikipedia.org/wiki/Collectif_contre_l%27islamophobie_en_France" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">CCIF</a>, que é uma agência com ligações explícitas à <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Irmandade_Mu%C3%A7ulmana" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc">Irmandade Muçulmana</a>.<br />
«Mélenchon apresentou-se com uma posição “pró-russa”, declarando que o problema residia igualmente na comunidade tchetchena, ou seja, uma afirmação essencializante [identitária], ao mesmo tempo que condenava o assassinato do professor e reafirmava posições republicanas e laicas.<br />
«De modo geral, existe uma esquerda favorável ao <em>Charlie Hebdo</em> e outra que fala de “islamofobia” e apoia a “religião dos oprimidos”.<br />
«Convém saber que o <em>Charlie Hebdo</em> se aproximou de posições bastante neoconservadoras (ainda que de esquerda), ao mesmo tempo que mantém a sua faceta anti-religiosa.<br />
«Uma certa esquerda considera que <em>Charlie</em> é responsável pela islamofobia. E começa a admitir que já não se deve “blasfemar” contra a religião&#8230; quer dizer, contra o Islão».</p>
<p>É contra tudo isto que devemos combater. Não é simples nem fácil.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/10/134871/#comment-681160</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2020 19:53:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Latuff abjeto. Está no mesmo nível de quem diz que estupros ocorrem pela forma como as mulheres se vestem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Latuff abjeto. Está no mesmo nível de quem diz que estupros ocorrem pela forma como as mulheres se vestem.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/10/134871/#comment-681104</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2020 18:20:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=134871#comment-681104</guid>

					<description><![CDATA[É de estarrecer a declaração acima do Latuff, ele mesmo um cartunista que vira e mexe é ameaçado por causa de seus cartuns, por vezes chamado de antissemita.
É uma canalhice tremenda apontar discurso de ódio nas charges do Charlie, quando se trata exatamente do oposto, satirizar os intolerantes. Essas declarações do Latuff mostram bem a confusão total em que se encontra a esquerda, defendendo fundamentalistas neofascistas e condenando aqueles que se colocam contra essas práticas de ódio. Bem, algo que já ficou claro desde o assassinato dos cartunistas do Charlie.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É de estarrecer a declaração acima do Latuff, ele mesmo um cartunista que vira e mexe é ameaçado por causa de seus cartuns, por vezes chamado de antissemita.<br />
É uma canalhice tremenda apontar discurso de ódio nas charges do Charlie, quando se trata exatamente do oposto, satirizar os intolerantes. Essas declarações do Latuff mostram bem a confusão total em que se encontra a esquerda, defendendo fundamentalistas neofascistas e condenando aqueles que se colocam contra essas práticas de ódio. Bem, algo que já ficou claro desde o assassinato dos cartunistas do Charlie.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/10/134871/#comment-680970</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2020 12:22:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=134871#comment-680970</guid>

					<description><![CDATA[“Os assassinatos em Nice são resultado da provocação do Charlie Hebdo”, diz Latuff
https://www.brasil247.com/midia/os-assassinatos-em-nice-sao-resultado-da-provocacao-do-charlie-hebdo-diz-latuff?amp&#038;fbclid=IwAR3_tZMIB0z3l0uDNUPObYzxXrTjCOoQNSAq_uxA-TdD3AOvzJq-iMTGAUw#.X5r5PIu0_z4.twitter]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Os assassinatos em Nice são resultado da provocação do Charlie Hebdo”, diz Latuff<br />
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]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/10/134871/#comment-680734</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2020 05:09:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Acho que a questão já foi bem pontuada pela argelina Marieme Hélie-Lucas aqui: &quot;Os ataques machistas coordenados em Colônia e os erros eurocêntricos de uma esquerda europeia pós-laica&quot; https://passapalavra.info/2016/01/107395/

&quot;A cega defesa que a esquerda radical faz dos reacionários “muçulmanos” abraça implicitamente a crença de que, para não europeus, uma resposta de extrema-direita é uma resposta normal a uma situação de opressão.&quot;

A esquerda que sente alguma simpatia por essas ações fascistas é a que é verdadeiramente eurocêntrica.

Esses fundamentalistas que atacam na Europa são os mesmos que nos países africanos e asiáticos impedem qualquer progresso no sentido da igualdade de gênero e classe e das liberdades individuais e coletivas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que a questão já foi bem pontuada pela argelina Marieme Hélie-Lucas aqui: &#8220;Os ataques machistas coordenados em Colônia e os erros eurocêntricos de uma esquerda europeia pós-laica&#8221; <a href="https://passapalavra.info/2016/01/107395/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2016/01/107395/</a></p>
<p>&#8220;A cega defesa que a esquerda radical faz dos reacionários “muçulmanos” abraça implicitamente a crença de que, para não europeus, uma resposta de extrema-direita é uma resposta normal a uma situação de opressão.&#8221;</p>
<p>A esquerda que sente alguma simpatia por essas ações fascistas é a que é verdadeiramente eurocêntrica.</p>
<p>Esses fundamentalistas que atacam na Europa são os mesmos que nos países africanos e asiáticos impedem qualquer progresso no sentido da igualdade de gênero e classe e das liberdades individuais e coletivas.</p>
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