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	Comentários sobre: Sobre gatinhos e cupcakes	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Leo V		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 01:39:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Eu acho que o Romero não usou as cores e corações no quadro do Bolsonaro de forma a destacar o batom que ele colocou na boca do presidente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu acho que o Romero não usou as cores e corações no quadro do Bolsonaro de forma a destacar o batom que ele colocou na boca do presidente.</p>
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		<title>
		Por: Gisil Beraht O. R.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/11/135251/#comment-691169</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gisil Beraht O. R.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Nov 2020 14:32:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O autor chama a atenção para um relevante, mas pouco debatido tema, a estética: O pacto da conciliação, forjado ideologicamente como componente estruturante da farsa da “Nova República”, encontrava, nessas operações visuais, a sua linguagem.

João Bernardo afirma que : &quot;Todo o movimento político que se situe acima das classes e pretenda conciliá-las tem de recorrer a símbolos. No seu célebre quadro sobre a revolução parisiense de 1830, La Liberté guidant le peuple, logo atrás de um primeiro plano de cadáveres, emancipados deste vale de lágrimas e das suas divisões sociais, e que por isso aparecem rotos, seminus, quase desprovidos de representações vestimentárias já inúteis, Delacroix figurou um burguês e um proletário, irmanados pela força da multidão que os impele, e da qual nos apercebemos como isso mesmo, uma massa humana gesticulante, confundida no mesmo tom sombrio, envolta nas nuvens dos incêndios e da pólvora. Contra este fundo homogéneo de um movimento colectivo, mais acentuado se torna o contraste entre a blusa branca do operário, aberta no peito, as suas calças de trabalho, a boina, e a casaca e o colete negros do burguês, a gravata que lhe cinge a camisa no pescoço, o chapéu alto, que não sei como não cai no meio de tanta agitação. O que
une aqueles dois homens, que tudo separa na vida? Nada de real, um símbolo apenas, a liberdade, que cada um entende à sua maneira, e que amanhã, se não hoje mesmo, os oporá em vez de os juntar. Para fundir as classes num mito comum não bastaram ao pintor os recursos exclusivamente formais, o turbilhão de movimentos e luz que envolve os personagens numa espiral e confere ao quadro uma indubitável unidade. A consciência das clivagens sociais era já demasiado profunda para que pudesse encontrar resposta no campo das formas apenas. Foi necessária a introdução de um elemento narrativo, explicitamente ideológico, dando corpo à abstracção. É uma operação que decorre na esfera da magia, inventar uma personagem, ao mesmo tempo ideal e com traços humanos, e encarregá-la, mediante a sua mera invocação, de resolver uma contradição insolúvel. Ei-la então, essa Liberdade, com o corpo projectado para adiante e banhada já por uma nova claridade, um amanhã que a ilumina, mas que mal atinge ainda a criança armada de duas pistolas, a nova geração que caminha a seu lado. A Liberdade incita o povo ao ataque e ergue-se acima dos mortos, que para ela não constituem obstáculo, enquanto o burguês e o proletário se protegem com a pilha de cadáveres e, como que recuando um pouco naquele minuto decisivo, parecem mais impulsionados pela multidão informe do que
capazes de a conduzir. Na cabeça o barrete frígio, sinal de emancipação, na mão a bandeira, as cores representando a nova dinastia, o peito nu, tão nu como o corpo do combatente morto que a prolonga esteticamente no ângulo estruturante do quadro, um já fora das classes sociais, a outra sempre acima delas, esta fantasmal liberdade demonstra, pelo seu próprio aparecimento, que sem o artista, e a sua arte, nada poderia ocultar os antagonismos sociais e ultrapassá-los. Os símbolos da conciliação de classes são obrigatoriamente estéticos.&quot; (João Bernardo, Labirintos do Fascismo,Na encruzilhada da ordem e da revolta - segunda versão remodelada e muito ampliada, p. 1108 e seguintes).

E os identitarismos de todos os tipos - embora aparentem o avesso da conciliação, ao fundamentarem-se, basicamente, na estética (do gênero, da raça, da cultura, etc), revelada explicitamente no markenting das pequenas ou grandes empresas, como, implicitamente, na moda ou culturalismos mil - que não buscam a abolição  do fim da exploração do homem pelo homem (&quot;homem&quot; ser genérico...), mas reivindicam que a exploração se realize a partir do negro pelo próprio negro, da mulher pela própria mulher, etc, são a cabal &quot;sublimação&quot;da amálgama de conciliação de classes legada pela estética fascista e com materializações perversas na classe trabalhadora. Assim, parafraseando ao autor,   &quot;O pacto da conciliação&quot; na aparência de um &quot;distrato&quot; identitário e multiculturalista, &quot;forjado ideologicamente como componente estruturante da farsa&quot; não  da “Nova República”, mas dos &quot;empoderamentos&quot; encontram, nessas operações visuais, a sua linguagem...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O autor chama a atenção para um relevante, mas pouco debatido tema, a estética: O pacto da conciliação, forjado ideologicamente como componente estruturante da farsa da “Nova República”, encontrava, nessas operações visuais, a sua linguagem.</p>
<p>João Bernardo afirma que : &#8220;Todo o movimento político que se situe acima das classes e pretenda conciliá-las tem de recorrer a símbolos. No seu célebre quadro sobre a revolução parisiense de 1830, La Liberté guidant le peuple, logo atrás de um primeiro plano de cadáveres, emancipados deste vale de lágrimas e das suas divisões sociais, e que por isso aparecem rotos, seminus, quase desprovidos de representações vestimentárias já inúteis, Delacroix figurou um burguês e um proletário, irmanados pela força da multidão que os impele, e da qual nos apercebemos como isso mesmo, uma massa humana gesticulante, confundida no mesmo tom sombrio, envolta nas nuvens dos incêndios e da pólvora. Contra este fundo homogéneo de um movimento colectivo, mais acentuado se torna o contraste entre a blusa branca do operário, aberta no peito, as suas calças de trabalho, a boina, e a casaca e o colete negros do burguês, a gravata que lhe cinge a camisa no pescoço, o chapéu alto, que não sei como não cai no meio de tanta agitação. O que<br />
une aqueles dois homens, que tudo separa na vida? Nada de real, um símbolo apenas, a liberdade, que cada um entende à sua maneira, e que amanhã, se não hoje mesmo, os oporá em vez de os juntar. Para fundir as classes num mito comum não bastaram ao pintor os recursos exclusivamente formais, o turbilhão de movimentos e luz que envolve os personagens numa espiral e confere ao quadro uma indubitável unidade. A consciência das clivagens sociais era já demasiado profunda para que pudesse encontrar resposta no campo das formas apenas. Foi necessária a introdução de um elemento narrativo, explicitamente ideológico, dando corpo à abstracção. É uma operação que decorre na esfera da magia, inventar uma personagem, ao mesmo tempo ideal e com traços humanos, e encarregá-la, mediante a sua mera invocação, de resolver uma contradição insolúvel. Ei-la então, essa Liberdade, com o corpo projectado para adiante e banhada já por uma nova claridade, um amanhã que a ilumina, mas que mal atinge ainda a criança armada de duas pistolas, a nova geração que caminha a seu lado. A Liberdade incita o povo ao ataque e ergue-se acima dos mortos, que para ela não constituem obstáculo, enquanto o burguês e o proletário se protegem com a pilha de cadáveres e, como que recuando um pouco naquele minuto decisivo, parecem mais impulsionados pela multidão informe do que<br />
capazes de a conduzir. Na cabeça o barrete frígio, sinal de emancipação, na mão a bandeira, as cores representando a nova dinastia, o peito nu, tão nu como o corpo do combatente morto que a prolonga esteticamente no ângulo estruturante do quadro, um já fora das classes sociais, a outra sempre acima delas, esta fantasmal liberdade demonstra, pelo seu próprio aparecimento, que sem o artista, e a sua arte, nada poderia ocultar os antagonismos sociais e ultrapassá-los. Os símbolos da conciliação de classes são obrigatoriamente estéticos.&#8221; (João Bernardo, Labirintos do Fascismo,Na encruzilhada da ordem e da revolta &#8211; segunda versão remodelada e muito ampliada, p. 1108 e seguintes).</p>
<p>E os identitarismos de todos os tipos &#8211; embora aparentem o avesso da conciliação, ao fundamentarem-se, basicamente, na estética (do gênero, da raça, da cultura, etc), revelada explicitamente no markenting das pequenas ou grandes empresas, como, implicitamente, na moda ou culturalismos mil &#8211; que não buscam a abolição  do fim da exploração do homem pelo homem (&#8220;homem&#8221; ser genérico&#8230;), mas reivindicam que a exploração se realize a partir do negro pelo próprio negro, da mulher pela própria mulher, etc, são a cabal &#8220;sublimação&#8221;da amálgama de conciliação de classes legada pela estética fascista e com materializações perversas na classe trabalhadora. Assim, parafraseando ao autor,   &#8220;O pacto da conciliação&#8221; na aparência de um &#8220;distrato&#8221; identitário e multiculturalista, &#8220;forjado ideologicamente como componente estruturante da farsa&#8221; não  da “Nova República”, mas dos &#8220;empoderamentos&#8221; encontram, nessas operações visuais, a sua linguagem&#8230;</p>
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