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	Comentários sobre: Da &#8220;questão feminina&#8221; a algumas encruzilhadas da diferença nos corpos	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Homem de Melo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/11/135291/#comment-691353</link>

		<dc:creator><![CDATA[Homem de Melo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 18:59:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[é interessante todo o interesse que foi dedicado à entender as mulheres, suas pulsões, suas loucuras, suas diversas máscaras, mas até hoje reina no sentido comum uma ideia bastante rígida sobre a masculinidade. De fato, me assombro em perceber que a outra cara do movimento internacional de mulheres é a existência de uma masculinidade também internacional, que ao ser mencionada desperta estranhos ânimos nas almas habitadas por outros tantos lugares comuns.
Se estamos diante do ocaso da sociedade tipicamente burguesa, e no entanto muitos traços de nossas relações humanas continuam respondendo a lógicas nascidas em épocas pré-capitalistas, como a inferioridade feminina, a divisão sexual do trabalho, a violência contra as desviações da norma... não seria por isso mesmo necessário ao &quot;comunismo do aqui-e-agora&quot; prefigurar estas relações igualitárias, ao invés de esperar que isto ocorra apenas na grande luta final? O que estamos esperando?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>é interessante todo o interesse que foi dedicado à entender as mulheres, suas pulsões, suas loucuras, suas diversas máscaras, mas até hoje reina no sentido comum uma ideia bastante rígida sobre a masculinidade. De fato, me assombro em perceber que a outra cara do movimento internacional de mulheres é a existência de uma masculinidade também internacional, que ao ser mencionada desperta estranhos ânimos nas almas habitadas por outros tantos lugares comuns.<br />
Se estamos diante do ocaso da sociedade tipicamente burguesa, e no entanto muitos traços de nossas relações humanas continuam respondendo a lógicas nascidas em épocas pré-capitalistas, como a inferioridade feminina, a divisão sexual do trabalho, a violência contra as desviações da norma&#8230; não seria por isso mesmo necessário ao &#8220;comunismo do aqui-e-agora&#8221; prefigurar estas relações igualitárias, ao invés de esperar que isto ocorra apenas na grande luta final? O que estamos esperando?</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/11/135291/#comment-691158</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Nov 2020 13:24:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Miguel,

Ao ler esta tua coluna lembrei-me de alguns problemas com que deparei quando estava a pesquisar e escrever o &lt;em&gt;Poder e Dinheiro&lt;/em&gt;, onde analisei o regime senhorial naquele espaço a que depois se chamou Europa. Apercebi-me então de que no regime senhorial todos os sistemas de poder e, portanto, as formas de Estado, e igualmente, na base, os sistemas sócio-económicos, eram modalidades de sistemas familiares. Para isso é necessário considerar a existência de famílias amplas, por oposição a famílias conjugais abarcando duas ou três gerações; e de famílias artificiais, por oposição a... a quê?

É aqui que surge a questão mais interessante. Por um lado, a família artificial podia ser, e em muitos casos sem dúvida que era, sentida como muito mais real do que a família biológica. Se não entendermos isto, nunca conseguiremos entender nada das sociedades pré-capitalistas, porque a questão não se coloca apenas para o regime senhorial, mas para todas as formas económicas, sociais e políticas anteriores ao capitalismo. Não foi por acaso que Balzac considerou a &lt;em&gt;família burguesa&lt;/em&gt;, aquela que nós conhecemos hoje, como indispensável à ficção dramática, e que nas épocas e nas classes sociais em que esse tipo de família não existia, não podia haver romance.

Mas, se assim foi, então a noção de família artificial, se é hoje necessária para entendermos o problema, não é adequada à vivência das épocas anteriores ao conhecimento do DNA. Nessas épocas, como alguns historiadores observaram, se quisermos pensar uma família natural, biológica, por oposição às famílias artificiais, então só em sistemas de descendência ou ascendência matrilineares poderia haver famílias biológicas. Tinha-se a certeza de quem era a mãe, mas a paternidade era uma ficção assumida como certeza, o que significa que, em termos biológicos, qualquer família patrilinear era obrigatoriamente artificial. Era-o naturalmente, mesmo que ideologicamente não fosse assumida como tal.

Estes problemas desdobram-se, limitei-me aqui a erguer um pouco a cortina, e fi-lo só para sublinhar a complexidade da questão, a mesma complexidade que tu desvendaste sob outras perspectivas. Mas é claro que de pouco vale lutar contra o simplismo dos lugares-comuns quando eles sustentam o fanatismo, porque o próprio fanatismo impede que se ponham em causa os lugares-comuns.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Miguel,</p>
<p>Ao ler esta tua coluna lembrei-me de alguns problemas com que deparei quando estava a pesquisar e escrever o <em>Poder e Dinheiro</em>, onde analisei o regime senhorial naquele espaço a que depois se chamou Europa. Apercebi-me então de que no regime senhorial todos os sistemas de poder e, portanto, as formas de Estado, e igualmente, na base, os sistemas sócio-económicos, eram modalidades de sistemas familiares. Para isso é necessário considerar a existência de famílias amplas, por oposição a famílias conjugais abarcando duas ou três gerações; e de famílias artificiais, por oposição a&#8230; a quê?</p>
<p>É aqui que surge a questão mais interessante. Por um lado, a família artificial podia ser, e em muitos casos sem dúvida que era, sentida como muito mais real do que a família biológica. Se não entendermos isto, nunca conseguiremos entender nada das sociedades pré-capitalistas, porque a questão não se coloca apenas para o regime senhorial, mas para todas as formas económicas, sociais e políticas anteriores ao capitalismo. Não foi por acaso que Balzac considerou a <em>família burguesa</em>, aquela que nós conhecemos hoje, como indispensável à ficção dramática, e que nas épocas e nas classes sociais em que esse tipo de família não existia, não podia haver romance.</p>
<p>Mas, se assim foi, então a noção de família artificial, se é hoje necessária para entendermos o problema, não é adequada à vivência das épocas anteriores ao conhecimento do DNA. Nessas épocas, como alguns historiadores observaram, se quisermos pensar uma família natural, biológica, por oposição às famílias artificiais, então só em sistemas de descendência ou ascendência matrilineares poderia haver famílias biológicas. Tinha-se a certeza de quem era a mãe, mas a paternidade era uma ficção assumida como certeza, o que significa que, em termos biológicos, qualquer família patrilinear era obrigatoriamente artificial. Era-o naturalmente, mesmo que ideologicamente não fosse assumida como tal.</p>
<p>Estes problemas desdobram-se, limitei-me aqui a erguer um pouco a cortina, e fi-lo só para sublinhar a complexidade da questão, a mesma complexidade que tu desvendaste sob outras perspectivas. Mas é claro que de pouco vale lutar contra o simplismo dos lugares-comuns quando eles sustentam o fanatismo, porque o próprio fanatismo impede que se ponham em causa os lugares-comuns.</p>
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