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	Comentários sobre: John le Carré, o último dos orwellianos	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Leamas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/12/135450/#comment-705270</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leamas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2020 01:24:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Belo artigo.

O Democracy Now republicou uma entrevista de 2010 ao programa: 
https://youtu.be/d-Tq7xeSwRE

Para quem não teve contato com a sua obra, recentemente houve algumas adaptações para o cinema:
- O gerente noturno, 
- A garota do tambor,
- O homem mais procurado,
- O espião que sabia demais,
- Nosso fiel traidor,
- O jardineiro fiel 

Ha muitas outras adaptações, mas essas você poderá encontrar mais facilmente e quem sabe possa motivar a ler a sua obra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Belo artigo.</p>
<p>O Democracy Now republicou uma entrevista de 2010 ao programa:<br />
<a href="https://youtu.be/d-Tq7xeSwRE" rel="nofollow ugc">https://youtu.be/d-Tq7xeSwRE</a></p>
<p>Para quem não teve contato com a sua obra, recentemente houve algumas adaptações para o cinema:<br />
&#8211; O gerente noturno,<br />
&#8211; A garota do tambor,<br />
&#8211; O homem mais procurado,<br />
&#8211; O espião que sabia demais,<br />
&#8211; Nosso fiel traidor,<br />
&#8211; O jardineiro fiel </p>
<p>Ha muitas outras adaptações, mas essas você poderá encontrar mais facilmente e quem sabe possa motivar a ler a sua obra.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/12/135450/#comment-699806</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Dec 2020 18:07:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Proleta,

Há vários anos alguém me escreveu a perguntar o que eu lhe aconselhava para conhecer pintura e história da pintura. Eu respondi que no Brasil é difícil, porque não existem bons museus, e mesmo assim não os há fora de três ou quatro cidades. Inhotim é a excepção única, mas é exclusivamente dedicado à arte contemporânea. Então, eu disse ao meu interlocutor que ele podia ver imagens de obras na internet e que as edições da Taschen e da Thames and Hudson, que não são caras, têm reproduções razoáveis e textos factualmente correctos. Uma reprodução é uma reprodução, nada substitui o original, e aliás basta a mudança de dimensão para a obra ficar alterada. Mas não havendo outra solução... Ao mesmo tempo, aconselhei-o a ler alguma história geral de arte, qualquer que fosse, desde que publicada por uma editora séria, mais uma vez a Thames and Hudson, por exemplo, para que as referências sejam factualmente correctas. Mas o essencial é ver, comparar, ver, estar sempre a ver.

O meu interlocutor ficou perplexo, porque me respondeu que os professores geralmente indicam listas de bibliografia e eu fizera o contrário. Pois é. Para pintura, é ver. Para literatura, é ler romances. Para ver não basta ter dois olhos. Ver é uma arte que se aprende, e aprende-se precisamente vendo obras de arte. Oscar Wilde, num dos seus célebres paradoxos, disse que a natureza imita a arte. Ele não se referia à natureza na acepção química, física ou biológica, mas à natureza como paisagem. É que, quando se aprende a ver, nós próprios escolhemos com o olhar um enquadramento, uma perspectiva. O essencial é não pensar que existem objectos neutros, que não precisam de ser vistos. Tudo precisa de ser visto, porque ver é criar o objecto que vemos. Quero dizer que, da maneira como nós o vemos, o objecto ressalta, adquire relevo. Os grandes pintores ensinam-nos a ver as coisas de outra maneira, que nunca ninguém tinha visto antes deles. Por isso a arte é uma acumulação de riqueza, de novas visões. A arte não está só na arte, mas também nas ruas e campos que vemos com os olhos que viram a arte.

Dou um único exemplo. Até ao século XIX as paisagens pintadas pelos artistas requeriam dramatismo, montanhas ou mesmo precipícios, rios amplos, ou estreitos mas caudalosos, em suma, contrastes flagrantes. Vem daí a palavra &lt;em&gt;pitoresco&lt;/em&gt;, do italiano &lt;em&gt;pittoresco&lt;/em&gt;, que significa digno de ser pintado, e que hoje se emprega para designar algo que chama a atenção. Mas no século XIX os pintores da chamada escola de Barbizon e depois os impressionistas, que continuaram e ampliaram a sua lição estética, interessaram-se precisamente por aquela paisagem que não chama a atenção, onde não há grandes relevos e nada existe de tumultuoso. Ensinaram-nos a ver aquilo que antes passara despercebido, e passámos então a ver outra natureza. É esta natureza que, para empregar as palavras de Oscar Wilde, imita a arte.

E se para a pintura é ver, para a literatura é ler romances. É que os grandes ficcionistas conseguem fazer o leitor entrar nos cérebros alheios, o que nós não podemos fazer com pessoas de carne e osso, nem sequer com aquelas que de mais perto julgamos conhecer. Os grandes ficcionistas não inventam enredos, criam personagens e depois deixam os personagens viver, e são os personagens quem cria os enredos, que o ficcionista se limita a registar. Por isso o enredo é secundário, por vezes tão ténue que quase não existe, o que significa que não se conhece um livro vendo um filme baseado nesse livro. Um romance tem uma forma própria de narrativa, cujo ritmo é marcado pela sonoridade das palavras e pela sua sequência e os seus cortes. A narrativa de um filme baseia-se em imagens, aquilo que eram os sons das palavras são no filme a luz e as cores, e a sintaxe é de outro tipo, com outras sequências e outros cortes. Um romance é uma coisa e um filme é outra completamente diferente, e um romance genial só pode ser eficazmente transposto por um cineasta genial também. Mas então é outra coisa, adquire uma existência independente do romance.

A única maneira é ver e ler.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Proleta,</p>
<p>Há vários anos alguém me escreveu a perguntar o que eu lhe aconselhava para conhecer pintura e história da pintura. Eu respondi que no Brasil é difícil, porque não existem bons museus, e mesmo assim não os há fora de três ou quatro cidades. Inhotim é a excepção única, mas é exclusivamente dedicado à arte contemporânea. Então, eu disse ao meu interlocutor que ele podia ver imagens de obras na internet e que as edições da Taschen e da Thames and Hudson, que não são caras, têm reproduções razoáveis e textos factualmente correctos. Uma reprodução é uma reprodução, nada substitui o original, e aliás basta a mudança de dimensão para a obra ficar alterada. Mas não havendo outra solução&#8230; Ao mesmo tempo, aconselhei-o a ler alguma história geral de arte, qualquer que fosse, desde que publicada por uma editora séria, mais uma vez a Thames and Hudson, por exemplo, para que as referências sejam factualmente correctas. Mas o essencial é ver, comparar, ver, estar sempre a ver.</p>
<p>O meu interlocutor ficou perplexo, porque me respondeu que os professores geralmente indicam listas de bibliografia e eu fizera o contrário. Pois é. Para pintura, é ver. Para literatura, é ler romances. Para ver não basta ter dois olhos. Ver é uma arte que se aprende, e aprende-se precisamente vendo obras de arte. Oscar Wilde, num dos seus célebres paradoxos, disse que a natureza imita a arte. Ele não se referia à natureza na acepção química, física ou biológica, mas à natureza como paisagem. É que, quando se aprende a ver, nós próprios escolhemos com o olhar um enquadramento, uma perspectiva. O essencial é não pensar que existem objectos neutros, que não precisam de ser vistos. Tudo precisa de ser visto, porque ver é criar o objecto que vemos. Quero dizer que, da maneira como nós o vemos, o objecto ressalta, adquire relevo. Os grandes pintores ensinam-nos a ver as coisas de outra maneira, que nunca ninguém tinha visto antes deles. Por isso a arte é uma acumulação de riqueza, de novas visões. A arte não está só na arte, mas também nas ruas e campos que vemos com os olhos que viram a arte.</p>
<p>Dou um único exemplo. Até ao século XIX as paisagens pintadas pelos artistas requeriam dramatismo, montanhas ou mesmo precipícios, rios amplos, ou estreitos mas caudalosos, em suma, contrastes flagrantes. Vem daí a palavra <em>pitoresco</em>, do italiano <em>pittoresco</em>, que significa digno de ser pintado, e que hoje se emprega para designar algo que chama a atenção. Mas no século XIX os pintores da chamada escola de Barbizon e depois os impressionistas, que continuaram e ampliaram a sua lição estética, interessaram-se precisamente por aquela paisagem que não chama a atenção, onde não há grandes relevos e nada existe de tumultuoso. Ensinaram-nos a ver aquilo que antes passara despercebido, e passámos então a ver outra natureza. É esta natureza que, para empregar as palavras de Oscar Wilde, imita a arte.</p>
<p>E se para a pintura é ver, para a literatura é ler romances. É que os grandes ficcionistas conseguem fazer o leitor entrar nos cérebros alheios, o que nós não podemos fazer com pessoas de carne e osso, nem sequer com aquelas que de mais perto julgamos conhecer. Os grandes ficcionistas não inventam enredos, criam personagens e depois deixam os personagens viver, e são os personagens quem cria os enredos, que o ficcionista se limita a registar. Por isso o enredo é secundário, por vezes tão ténue que quase não existe, o que significa que não se conhece um livro vendo um filme baseado nesse livro. Um romance tem uma forma própria de narrativa, cujo ritmo é marcado pela sonoridade das palavras e pela sua sequência e os seus cortes. A narrativa de um filme baseia-se em imagens, aquilo que eram os sons das palavras são no filme a luz e as cores, e a sintaxe é de outro tipo, com outras sequências e outros cortes. Um romance é uma coisa e um filme é outra completamente diferente, e um romance genial só pode ser eficazmente transposto por um cineasta genial também. Mas então é outra coisa, adquire uma existência independente do romance.</p>
<p>A única maneira é ver e ler.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Proleta		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2020/12/135450/#comment-699768</link>

		<dc:creator><![CDATA[Proleta]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Dec 2020 16:11:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom, João Bernardo. Nunca li nada dele. Vi apenas 3 filmes adaptados de sua obra. Tenho que ler. Recentemente peguei um Chester Himes e estou gostando bastante. Além disso, queria pedir/sugerir algo que não é relacionado diretamente à literatura, porém está no campo geral das artes. Já li vários textos seus aqui sobre arte aqui nesse site (sítio). Peço que você indique alguns livros básicos sobre arte em geral, história da arte e teoria da arte para quem quiser dar os primeiros passos e aprender sobre o tema. Saudações dum proletário!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom, João Bernardo. Nunca li nada dele. Vi apenas 3 filmes adaptados de sua obra. Tenho que ler. Recentemente peguei um Chester Himes e estou gostando bastante. Além disso, queria pedir/sugerir algo que não é relacionado diretamente à literatura, porém está no campo geral das artes. Já li vários textos seus aqui sobre arte aqui nesse site (sítio). Peço que você indique alguns livros básicos sobre arte em geral, história da arte e teoria da arte para quem quiser dar os primeiros passos e aprender sobre o tema. Saudações dum proletário!</p>
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