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	Comentários sobre: São Paulo: a capital do pixo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Enir S Mendes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-984387</link>

		<dc:creator><![CDATA[Enir S Mendes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Nov 2024 18:10:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Visão equivocada deste texto. O PIXO é expressão artística - muitas vezes sem qualidade - mas que refletem a força criativa da periferia em contraposição ao poder aquisitivo da cidade central. Muito melhor que muitas fachadas de prédios pintadas com uma arte precária, de mau gosto e agressiva ao bom olhar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Visão equivocada deste texto. O PIXO é expressão artística &#8211; muitas vezes sem qualidade &#8211; mas que refletem a força criativa da periferia em contraposição ao poder aquisitivo da cidade central. Muito melhor que muitas fachadas de prédios pintadas com uma arte precária, de mau gosto e agressiva ao bom olhar.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: G.O.R		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712793</link>

		<dc:creator><![CDATA[G.O.R]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2021 13:21:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Curto e grosso: quem faz, de onde vem, e quanto custa, a tinta, matéria prima dos pichadores? Como diria João Bernardo...  &quot;A arqueologia do saber faz-se olhando para a parte de baixo das páginas, para as notas de rodapé, e também entre as linhas, destacando o que é afirmado no corpo do texto e esquecido nas conclusões&quot;...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Curto e grosso: quem faz, de onde vem, e quanto custa, a tinta, matéria prima dos pichadores? Como diria João Bernardo&#8230;  &#8220;A arqueologia do saber faz-se olhando para a parte de baixo das páginas, para as notas de rodapé, e também entre as linhas, destacando o que é afirmado no corpo do texto e esquecido nas conclusões&#8221;&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Vim para incomodar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712658</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vim para incomodar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 22:15:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Jan Cenek,
Quando digo soluções de força me refiro ao direito dos trabalhadores recusarem as pichações nas suas casas e confrontarem os pichadores. Não faz nenhum sentido pensar que o direito à recusa seja espantoso, mas a pichação que mesmo reconhecida como “violenta e invasiva”, muitas vezes com confrontos mortais entre pichadores rivais, não. É como disse, por essa lógica deveríamos todos nos submeter à estética dos pichadores nos bairros. Eu me posiciono contra isso e sei que muitos outros também. A esquerda não reconhecendo que determinadas “manifestações estéticas e culturais” são nocivas à classe trabalhadora abre caminho para que a insatisfação popular seja totalmente canalizada para a direita com um viés conservador, e isso sim dá brechas para aumento da repressão sobre todos os trabalhadores. Deixo aqui um exemplo drástico, mas bem real, da covardia e barbárie que certa esquerda defende: https://outline.com/pEukDq]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jan Cenek,<br />
Quando digo soluções de força me refiro ao direito dos trabalhadores recusarem as pichações nas suas casas e confrontarem os pichadores. Não faz nenhum sentido pensar que o direito à recusa seja espantoso, mas a pichação que mesmo reconhecida como “violenta e invasiva”, muitas vezes com confrontos mortais entre pichadores rivais, não. É como disse, por essa lógica deveríamos todos nos submeter à estética dos pichadores nos bairros. Eu me posiciono contra isso e sei que muitos outros também. A esquerda não reconhecendo que determinadas “manifestações estéticas e culturais” são nocivas à classe trabalhadora abre caminho para que a insatisfação popular seja totalmente canalizada para a direita com um viés conservador, e isso sim dá brechas para aumento da repressão sobre todos os trabalhadores. Deixo aqui um exemplo drástico, mas bem real, da covardia e barbárie que certa esquerda defende: <a href="https://outline.com/pEukDq" rel="nofollow ugc">https://outline.com/pEukDq</a></p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Jan Cenek		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712650</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jan Cenek]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 21:17:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vim para incomodar, o pixo de São Paulo, como o conhecemos, tem quase 40 anos, a história do movimento ensina com fartura que quanto mais repressão, mais pixações. Jânio Quadros aprendeu a lição na marra. Ninguém vai “superar” o pixo com “soluções de força”. É a estética da barbárie. Para ser sincero, me espanta que se fale com tanta tranqüilidade “soluções de força” em ambientes progressistas, porque sabemos, ou devíamos saber, que as tais “soluções” começam reprimindo um setor da classe trabalhadora e depois se ampliam para toda a classe. Quer acabar com o pixo, transforme a realidade que o determina. No mais, pixo é arte. Pode ser invasivo, violento, feio... Mas é arte, porque arte é representação. Se muitos não gostam, ponto para o pixo, porque o objetivo é incomodar.

Caio, boa sacada: “Não, não: pixo é outra coisa, não é exatamente arte”. Sim. Porque também é esporte radical (“rapel, parkour, escalada”) e é contestação, se não seria legalizado. Mas o pixo também é arte, porque arte é representação. Além disso, como você bem pontuou, é possível pensar numa arte do pixo: “regras de espaçamento, proporcionalidade, linearidade, obediência aos traços da superfície arquitetônica e caligrafia retilínea quase gótica da técnica praticada na Capital do Pixo.”  

João Bernardo, espero que não tenha parecido que fiz defesa estética e/ou política do pixo. Seria elogiar a “miséria cultural”, como você pontuou. Quero ver a juventude discutindo Dom Quixote, Madame Bovary, Dom Casmurro... Luto por isso. O dia que acontecer, o pixo como o conhecemos só existirá nos museus, dentro deles e não no lado de fora dos muros. Importante a sua intervenção para reforçar e lembrar que uma revolução só merece esse nome se a classe trabalhadora herdar e desenvolver as grandes conquistas humanas, como o romance, a música, o cinema e por aí vai. Se a esquerda desistir da grande arte, melhor confessar a derrota e tirar o time de campo. Acredito que divergimos quando digo que o  pixo é arte, mas creio que é. É feio, violento, invasivo, expressa a decadência do tempo presente, mas é arte, é a estética da barbárie. O que não significa que a esquerda deva fazer a defesa cega do fenômeno, quis apenas lembrar que ele existe e tem muito a ver com a São Paulo atual. Por fim, escrevi o texto porque sairia no aniversário da cidade, a discussão caminhou para o pixo, mas seria interessante debater também a relação entre o fenômeno e a cidade, esta panela de pressão que pode explodir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vim para incomodar, o pixo de São Paulo, como o conhecemos, tem quase 40 anos, a história do movimento ensina com fartura que quanto mais repressão, mais pixações. Jânio Quadros aprendeu a lição na marra. Ninguém vai “superar” o pixo com “soluções de força”. É a estética da barbárie. Para ser sincero, me espanta que se fale com tanta tranqüilidade “soluções de força” em ambientes progressistas, porque sabemos, ou devíamos saber, que as tais “soluções” começam reprimindo um setor da classe trabalhadora e depois se ampliam para toda a classe. Quer acabar com o pixo, transforme a realidade que o determina. No mais, pixo é arte. Pode ser invasivo, violento, feio&#8230; Mas é arte, porque arte é representação. Se muitos não gostam, ponto para o pixo, porque o objetivo é incomodar.</p>
<p>Caio, boa sacada: “Não, não: pixo é outra coisa, não é exatamente arte”. Sim. Porque também é esporte radical (“rapel, parkour, escalada”) e é contestação, se não seria legalizado. Mas o pixo também é arte, porque arte é representação. Além disso, como você bem pontuou, é possível pensar numa arte do pixo: “regras de espaçamento, proporcionalidade, linearidade, obediência aos traços da superfície arquitetônica e caligrafia retilínea quase gótica da técnica praticada na Capital do Pixo.”  </p>
<p>João Bernardo, espero que não tenha parecido que fiz defesa estética e/ou política do pixo. Seria elogiar a “miséria cultural”, como você pontuou. Quero ver a juventude discutindo Dom Quixote, Madame Bovary, Dom Casmurro&#8230; Luto por isso. O dia que acontecer, o pixo como o conhecemos só existirá nos museus, dentro deles e não no lado de fora dos muros. Importante a sua intervenção para reforçar e lembrar que uma revolução só merece esse nome se a classe trabalhadora herdar e desenvolver as grandes conquistas humanas, como o romance, a música, o cinema e por aí vai. Se a esquerda desistir da grande arte, melhor confessar a derrota e tirar o time de campo. Acredito que divergimos quando digo que o  pixo é arte, mas creio que é. É feio, violento, invasivo, expressa a decadência do tempo presente, mas é arte, é a estética da barbárie. O que não significa que a esquerda deva fazer a defesa cega do fenômeno, quis apenas lembrar que ele existe e tem muito a ver com a São Paulo atual. Por fim, escrevi o texto porque sairia no aniversário da cidade, a discussão caminhou para o pixo, mas seria interessante debater também a relação entre o fenômeno e a cidade, esta panela de pressão que pode explodir.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Primo Jonas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712625</link>

		<dc:creator><![CDATA[Primo Jonas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 18:39:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Isso já está parecendo um típico debate trosko universitário: se você não está de acordo com a minha linha, você é pequeno-burguês, reformista, faz o jogo da direita, etc, etc, etc. Como se o problema fosse apreciar alguns rabiscos coloridos em prédios abandonados... o problema é essa forma de &quot;debate&quot; agressivo. Será ressentimento por algo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isso já está parecendo um típico debate trosko universitário: se você não está de acordo com a minha linha, você é pequeno-burguês, reformista, faz o jogo da direita, etc, etc, etc. Como se o problema fosse apreciar alguns rabiscos coloridos em prédios abandonados&#8230; o problema é essa forma de &#8220;debate&#8221; agressivo. Será ressentimento por algo?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Vim para incomodar		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712608</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vim para incomodar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 17:17:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Jan Cenek,
É evidente que os trabalhadores não se incomodam apenas com as pichações, qualquer um que não vive numa ilha entende isso. Você acha que por causa disso eles desejam enfear mais seus bairros e casas? 

Aos que preferem as pichações ao invés de murais, proponho um desafio prático. Visitem a comunidade do Parque do Gato no centro de São Paulo, que recebeu um projeto de muralismo das fachadas de seus prédios há alguns anos, e tentem achar alguém que prefira que os murais sejam substituídos por uma obra de pichadores. Talvez nessa experiência até sintam um pouco do “carinho” popular que os praticantes recebem quando são pegos em flagrante, além de poderem perceber que há sim bons murais na cidade ao contrário do que pensa o senso comum da “malandragem” que louva rabiscos e acha que grafite e muralismo são formas de gentrificação. Ainda sobre isso, é realmente cômico o comentário de Primo Jonas, pois para ele as obras de Jean-Michel Basquiat são parte da barbárie por terem sido absorvidas pelo mercado, enquanto os rabiscos impostos nos portões de trabalhadores precarizados são arte. 

Outro comentarista diz que a pichação não pode ser reproduzida por qualquer mané pois exige “técnica”. Peço desculpas por esquecer que as pichações passam pela fiscalização e controle de qualidade dos pichadores, posicionados em cada esquina para averiguar se os indivíduos estão reproduzindo fielmente o estilo do município. Além disso, de fato a técnica de boa parte das pichações é muito elaborada, deve levar anos de treinamento para reproduzir uma obra dessas: https://i.ytimg.com/vi/CjlihmlYpsM/maxresdefault.jpg

No fim das contas a posição de defesa da pichação está ligada ao conceito de “punk democracia” que João Bernardo comenta na quarta parte de A esquerda e as esquerdas. O que propõe os defensores da prática não é nem que as pessoas comuns possam gerir seus próprios bairros e casas, mas que os pichadores e suas gangues sejam encarregados disso. Sem dúvida é um belo projeto de sociedade, espelhado nessas pessoas tão bem-intencionadas.

Como disse, a pichação não é arte, mas uma imposição de poluição visual, e como tal é uma relação de força e dominação. Por isso para superá-la e defender os bairros das pichações jamais bastariam argumentos, somente funcionam soluções de força. Este fato coloca em desvantagem especialmente as trabalhadoras e donas de casa no confronto com marmanjos acostumados a pular muros e brigar nas ruas. É essa covardia que a esquerda está a defender.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jan Cenek,<br />
É evidente que os trabalhadores não se incomodam apenas com as pichações, qualquer um que não vive numa ilha entende isso. Você acha que por causa disso eles desejam enfear mais seus bairros e casas? </p>
<p>Aos que preferem as pichações ao invés de murais, proponho um desafio prático. Visitem a comunidade do Parque do Gato no centro de São Paulo, que recebeu um projeto de muralismo das fachadas de seus prédios há alguns anos, e tentem achar alguém que prefira que os murais sejam substituídos por uma obra de pichadores. Talvez nessa experiência até sintam um pouco do “carinho” popular que os praticantes recebem quando são pegos em flagrante, além de poderem perceber que há sim bons murais na cidade ao contrário do que pensa o senso comum da “malandragem” que louva rabiscos e acha que grafite e muralismo são formas de gentrificação. Ainda sobre isso, é realmente cômico o comentário de Primo Jonas, pois para ele as obras de Jean-Michel Basquiat são parte da barbárie por terem sido absorvidas pelo mercado, enquanto os rabiscos impostos nos portões de trabalhadores precarizados são arte. </p>
<p>Outro comentarista diz que a pichação não pode ser reproduzida por qualquer mané pois exige “técnica”. Peço desculpas por esquecer que as pichações passam pela fiscalização e controle de qualidade dos pichadores, posicionados em cada esquina para averiguar se os indivíduos estão reproduzindo fielmente o estilo do município. Além disso, de fato a técnica de boa parte das pichações é muito elaborada, deve levar anos de treinamento para reproduzir uma obra dessas: <a href="https://i.ytimg.com/vi/CjlihmlYpsM/maxresdefault.jpg" rel="nofollow ugc">https://i.ytimg.com/vi/CjlihmlYpsM/maxresdefault.jpg</a></p>
<p>No fim das contas a posição de defesa da pichação está ligada ao conceito de “punk democracia” que João Bernardo comenta na quarta parte de A esquerda e as esquerdas. O que propõe os defensores da prática não é nem que as pessoas comuns possam gerir seus próprios bairros e casas, mas que os pichadores e suas gangues sejam encarregados disso. Sem dúvida é um belo projeto de sociedade, espelhado nessas pessoas tão bem-intencionadas.</p>
<p>Como disse, a pichação não é arte, mas uma imposição de poluição visual, e como tal é uma relação de força e dominação. Por isso para superá-la e defender os bairros das pichações jamais bastariam argumentos, somente funcionam soluções de força. Este fato coloca em desvantagem especialmente as trabalhadoras e donas de casa no confronto com marmanjos acostumados a pular muros e brigar nas ruas. É essa covardia que a esquerda está a defender.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pedro Irio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712588</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pedro Irio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 13:41:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Lendo o seu comentário me lembrou tristemente duas coisas: 1) Sempre soube que o velho Lenin disse uma vez que &quot;duas coisas a burguesia nos legou e não podemos dispensá-las: bom gosto e boas maneiras&quot; (cito de memória e nunca li se Lenin realmente escreveu isso), 2) uma velha premissa que os velhos revolucionários defendiam - e tão sintetizado por Che Guevara - que deve-se desenvolver o Homem Novo. 

Seu comentário percebe-se que o quão a esquerda e extrema-esquerda está impotente diante do mundo.

Tristes tempos

Abraços fraternos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Lendo o seu comentário me lembrou tristemente duas coisas: 1) Sempre soube que o velho Lenin disse uma vez que &#8220;duas coisas a burguesia nos legou e não podemos dispensá-las: bom gosto e boas maneiras&#8221; (cito de memória e nunca li se Lenin realmente escreveu isso), 2) uma velha premissa que os velhos revolucionários defendiam &#8211; e tão sintetizado por Che Guevara &#8211; que deve-se desenvolver o Homem Novo. </p>
<p>Seu comentário percebe-se que o quão a esquerda e extrema-esquerda está impotente diante do mundo.</p>
<p>Tristes tempos</p>
<p>Abraços fraternos&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712584</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 11:45:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=135840#comment-712584</guid>

					<description><![CDATA[Para empregar os velhos conceitos marxistas, a pichagem faz parte da superestrutura do socialismo da miséria. No plano económico, o socialismo da miséria representa a rendição da extrema-esquerda ao capitalismo, a confissão de que não conseguirá superá-lo economicamente. É a ecologia de esquerda. No plano social, representa a rendição da extrema-esquerda ao analfabetismo funcional. É o triunfo da tuitada sobre o textão. No plano artístico, representa a rendição da extrema-esquerda à indústria cultural de massas, que tem o seu ornamento na pichagem, a cereja no pudim.

Deve distinguir-se a pobreza, que se resolve com dinheiro, e a miséria, que o dinheiro não resolve. A pobreza nem sequer diz respeito à distribuição dos rendimentos, e mesmo que uma percentagem cada vez menor de pessoas detenha uma percentagem cada vez maior de rendimentos, a pobreza pode ser eliminada se aumentarem as disponibilidades das camadas sociais inferiores. Dito por outras palavras, não há nenhuma incompatibilidade entre a diminuição em percentagem e o aumento em volume, e as reformas capitalistas assentam precisamente neste facto estatístico. Assim, para uma parte crescente da população mundial a pobreza está a ser resolvida com dinheiro, enquanto a miséria não só fica por resolver, mas agrava-se. Defino a miséria como a incapacidade de beneficiar do fim da pobreza. O actual socialismo da miséria, que se opõe ao socialismo da abundância defendido pela esquerda de outros tempos, enaltece idealmente a pobreza como uma espécie de ascetismo, o que significa na realidade mais-valia absoluta, mas defende além disso a miséria, ou seja, a miséria cultural. Um dos seus aspectos é a negação da arte e o elogio da pichagem. Enaltecem a pichagem não porque a carreguem de algum valor artístico, mas precisamente porque lhe apreciam o carácter poluidor e destrutivo.

Outra questão é o elogio da pichagem por pessoas que não são pichadores e que, pelo contrário, apreciam muita coisa que os pichadores são incapazes sequer de saber que existe. Essa é a linhagem do dandismo &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt; do século XIX e que ao longo do século XX navegou por águas muito impuras. A sedução da lama, num travesti de pretextos sociais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para empregar os velhos conceitos marxistas, a pichagem faz parte da superestrutura do socialismo da miséria. No plano económico, o socialismo da miséria representa a rendição da extrema-esquerda ao capitalismo, a confissão de que não conseguirá superá-lo economicamente. É a ecologia de esquerda. No plano social, representa a rendição da extrema-esquerda ao analfabetismo funcional. É o triunfo da tuitada sobre o textão. No plano artístico, representa a rendição da extrema-esquerda à indústria cultural de massas, que tem o seu ornamento na pichagem, a cereja no pudim.</p>
<p>Deve distinguir-se a pobreza, que se resolve com dinheiro, e a miséria, que o dinheiro não resolve. A pobreza nem sequer diz respeito à distribuição dos rendimentos, e mesmo que uma percentagem cada vez menor de pessoas detenha uma percentagem cada vez maior de rendimentos, a pobreza pode ser eliminada se aumentarem as disponibilidades das camadas sociais inferiores. Dito por outras palavras, não há nenhuma incompatibilidade entre a diminuição em percentagem e o aumento em volume, e as reformas capitalistas assentam precisamente neste facto estatístico. Assim, para uma parte crescente da população mundial a pobreza está a ser resolvida com dinheiro, enquanto a miséria não só fica por resolver, mas agrava-se. Defino a miséria como a incapacidade de beneficiar do fim da pobreza. O actual socialismo da miséria, que se opõe ao socialismo da abundância defendido pela esquerda de outros tempos, enaltece idealmente a pobreza como uma espécie de ascetismo, o que significa na realidade mais-valia absoluta, mas defende além disso a miséria, ou seja, a miséria cultural. Um dos seus aspectos é a negação da arte e o elogio da pichagem. Enaltecem a pichagem não porque a carreguem de algum valor artístico, mas precisamente porque lhe apreciam o carácter poluidor e destrutivo.</p>
<p>Outra questão é o elogio da pichagem por pessoas que não são pichadores e que, pelo contrário, apreciam muita coisa que os pichadores são incapazes sequer de saber que existe. Essa é a linhagem do dandismo <em>blasé</em> do século XIX e que ao longo do século XX navegou por águas muito impuras. A sedução da lama, num travesti de pretextos sociais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712576</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 04:16:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=135840#comment-712576</guid>

					<description><![CDATA[&quot;Não, não: pixo é outra coisa, não é exatamente arte&quot;, retomando o poeta que perseguia São Paulo. E se rabiscar besteira nos muros é uma prática tão antiga quanto a civilização (não eram afinal os bárbaros iletrados que gastavam o latim nas paredes de Pompeia), o pixo distingue-se como uma forma específica surgida numa certa época e lugar. O x de lixo pode causar uma impressão precipitada: se &quot;qualquer mané com uma lata de spray na mão pode sair rubricando assinaturas nas paredes&quot;, obtemos não uma pixação, mas o «deboche» de fazê-la sem a técnica correcta. A comparação com o esporte é absolutamente válida, pois encontra no pixo uma ligação literal — haja rapel, parkour, escalada, para chegar ao topo da Ponte Estaiada ou às fachadas dos prédios do Centro. E basta uma volta pelo Rio de Janeiro para perceber que as assinaturas dispersas, cursivas, acidentais, quase toscas, que sujam aleatoriamente as paredes ignoram completamente as regras de espaçamento, proporcionalidade, linearidade, obediência aos traços da superfície arquitetônica e caligrafia retilínea quase gótica da técnica praticada na Capital do Pixo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Não, não: pixo é outra coisa, não é exatamente arte&#8221;, retomando o poeta que perseguia São Paulo. E se rabiscar besteira nos muros é uma prática tão antiga quanto a civilização (não eram afinal os bárbaros iletrados que gastavam o latim nas paredes de Pompeia), o pixo distingue-se como uma forma específica surgida numa certa época e lugar. O x de lixo pode causar uma impressão precipitada: se &#8220;qualquer mané com uma lata de spray na mão pode sair rubricando assinaturas nas paredes&#8221;, obtemos não uma pixação, mas o «deboche» de fazê-la sem a técnica correcta. A comparação com o esporte é absolutamente válida, pois encontra no pixo uma ligação literal — haja rapel, parkour, escalada, para chegar ao topo da Ponte Estaiada ou às fachadas dos prédios do Centro. E basta uma volta pelo Rio de Janeiro para perceber que as assinaturas dispersas, cursivas, acidentais, quase toscas, que sujam aleatoriamente as paredes ignoram completamente as regras de espaçamento, proporcionalidade, linearidade, obediência aos traços da superfície arquitetônica e caligrafia retilínea quase gótica da técnica praticada na Capital do Pixo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/01/135840/#comment-712568</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 03:22:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=135840#comment-712568</guid>

					<description><![CDATA[Sobre graffiti e hipóteses, acho indispensável a leitura do capítulo Kool Killer ou a Insurreição pelos Signos, do livro A Troca Simbólica e a Morte, de Jean Baudrillard, originalmente publicado em 1976.

Um pequeno trecho: 
&quot;Uma coisa é certa: uns e outros nasceram depois da repressão as grandes manifestações urbanas de 1966/1970. Ofensiva selvagem como as manifestações, mas de um outro tipo e que mudou de conteúdo e de terreno. Tipo novo de intervenção na cidade, não mais como lugar de poder econômico e politico mas como espaço/tempo do poder terrorista da midia, dos signos e da cultura dominante&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre graffiti e hipóteses, acho indispensável a leitura do capítulo Kool Killer ou a Insurreição pelos Signos, do livro A Troca Simbólica e a Morte, de Jean Baudrillard, originalmente publicado em 1976.</p>
<p>Um pequeno trecho:<br />
&#8220;Uma coisa é certa: uns e outros nasceram depois da repressão as grandes manifestações urbanas de 1966/1970. Ofensiva selvagem como as manifestações, mas de um outro tipo e que mudou de conteúdo e de terreno. Tipo novo de intervenção na cidade, não mais como lugar de poder econômico e politico mas como espaço/tempo do poder terrorista da midia, dos signos e da cultura dominante&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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</rss>
