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	Comentários sobre: Lula: um estadista	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Éz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-734780</link>

		<dc:creator><![CDATA[Éz]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Apr 2021 22:17:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Zé. como um leitor constante do Passa Palavra, posso dizer que semanalmente estou vendo muitos debates sendo feitos. Alguns deles, sim, sobre o Lula. Mas repare que não são textos (com exceção deste) defendendo o voto ou não em Lula, mas o que é ou o que representa para as lutas sociais. Não há polêmica entre nós. A questão é que o Passa Palavra não está debatendo muitas coisas, o que não justifica interromper os debates já existentes. É por isso que encorajo você a escrever sobre o contraponto à ação direta dos comerciantes. Porque aí será responsabilidade sua de escrever, e do Passa Palavra em publicar. Mais justo, não? Além disso, concordo com você de que para a conjuntura é o debate mais urgente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Zé. como um leitor constante do Passa Palavra, posso dizer que semanalmente estou vendo muitos debates sendo feitos. Alguns deles, sim, sobre o Lula. Mas repare que não são textos (com exceção deste) defendendo o voto ou não em Lula, mas o que é ou o que representa para as lutas sociais. Não há polêmica entre nós. A questão é que o Passa Palavra não está debatendo muitas coisas, o que não justifica interromper os debates já existentes. É por isso que encorajo você a escrever sobre o contraponto à ação direta dos comerciantes. Porque aí será responsabilidade sua de escrever, e do Passa Palavra em publicar. Mais justo, não? Além disso, concordo com você de que para a conjuntura é o debate mais urgente.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Zé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-734779</link>

		<dc:creator><![CDATA[Zé]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Apr 2021 22:02:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Meu caro Éz:
te devo um pedido de desculpas e um agradecimento. Desculpas pela demora na resposta, pois ando &quot;apertado de costura&quot; (aos portugueses: expressão que significa &quot;sem tempo&quot;), mas acabou tendo seu lado bom, pois permitiu-nos enxergar os textos que viriam depois e reforçar certas impressões . Agradecimento por me estimular a &quot;propor um contraponto à ação direta dos comerciantes&quot;. Antes porém, esclareço que você está correto ao afirmar que &quot;o Zé nem se propõe a debater o assunto&quot;. De fato, não debato Lula/PT como alternativa de voto, nem mesmo contra Bolsonaro em um eventual segundo turno. Tenho toneladas de argumentos, mas para não me alongar muito, basta relembrar a síntese de Pannekoek quando afirmou que - mutatis mutandis - &quot;a diferença entre a direita e a esquerda do capital é que enquanto a primeira nos dá uma paulada sorrindo, a segunda nos dá a mesma paulada chorando&quot;. Quanto ao contraponto, penso que tomar medidas concretas para romper com a dispersão daquele campo que começou a se desenhar no Primeiro Junho de 2013 seria o mais importante que o Passa Palavra poderia fazer. Nesse sentido porque não preparar um encontro de apoiadores escolhidos pelo Coletivo Editorial - note bem: não me refiro a leitores e nem a colaboradores - para debater e dar forma prática ao tão necessário contraponto? Fica a sugestão. Na próxima janela de tempo, comentando em outro texto dessa série, desenvolverei melhor essa ideia, mas sempre evitando comentários longos, que considero inadequados. Se o comentário precisa ser longo, porque não transforma-lo em texto?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu caro Éz:<br />
te devo um pedido de desculpas e um agradecimento. Desculpas pela demora na resposta, pois ando &#8220;apertado de costura&#8221; (aos portugueses: expressão que significa &#8220;sem tempo&#8221;), mas acabou tendo seu lado bom, pois permitiu-nos enxergar os textos que viriam depois e reforçar certas impressões . Agradecimento por me estimular a &#8220;propor um contraponto à ação direta dos comerciantes&#8221;. Antes porém, esclareço que você está correto ao afirmar que &#8220;o Zé nem se propõe a debater o assunto&#8221;. De fato, não debato Lula/PT como alternativa de voto, nem mesmo contra Bolsonaro em um eventual segundo turno. Tenho toneladas de argumentos, mas para não me alongar muito, basta relembrar a síntese de Pannekoek quando afirmou que &#8211; mutatis mutandis &#8211; &#8220;a diferença entre a direita e a esquerda do capital é que enquanto a primeira nos dá uma paulada sorrindo, a segunda nos dá a mesma paulada chorando&#8221;. Quanto ao contraponto, penso que tomar medidas concretas para romper com a dispersão daquele campo que começou a se desenhar no Primeiro Junho de 2013 seria o mais importante que o Passa Palavra poderia fazer. Nesse sentido porque não preparar um encontro de apoiadores escolhidos pelo Coletivo Editorial &#8211; note bem: não me refiro a leitores e nem a colaboradores &#8211; para debater e dar forma prática ao tão necessário contraponto? Fica a sugestão. Na próxima janela de tempo, comentando em outro texto dessa série, desenvolverei melhor essa ideia, mas sempre evitando comentários longos, que considero inadequados. Se o comentário precisa ser longo, porque não transforma-lo em texto?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Grogue		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-734168</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grogue]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 14:42:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aproveitando a abertura do debate amplo, o PP não pode perder a oportunidade de republicar o texto do Washington Siqueira ( o Quaquá) intitulado &quot;Por um partido lulista, burguês e reformista!&quot;. A contribuição seria valorosa demais pro debate, ainda mais se tratando  de um grande expoente do &quot;Comunismo em um só município&quot;. Dizem as más línguas, inclusive, que Maricá - a cidade mais petista do Brasil - está em processo de mudança de nome para Mariquaquá. Há, no entanto, aqueles que lutam para que se chame Quaqualingrado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aproveitando a abertura do debate amplo, o PP não pode perder a oportunidade de republicar o texto do Washington Siqueira ( o Quaquá) intitulado &#8220;Por um partido lulista, burguês e reformista!&#8221;. A contribuição seria valorosa demais pro debate, ainda mais se tratando  de um grande expoente do &#8220;Comunismo em um só município&#8221;. Dizem as más línguas, inclusive, que Maricá &#8211; a cidade mais petista do Brasil &#8211; está em processo de mudança de nome para Mariquaquá. Há, no entanto, aqueles que lutam para que se chame Quaqualingrado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Vade retro, Satanás		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-733167</link>

		<dc:creator><![CDATA[Vade retro, Satanás]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Apr 2021 15:24:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vade retro, Satanás!
Juntastes-vos, Passa Palavra, aos idólatras do Espírito Maligno, e inscrevestes-vos no caudaloso cortejo dos apóstatas. Oh! Três vezes amaldiçoado Passa Palavra! Maculastes o alvo linho dos altares do proletariado. Como ousastes inscrever nas tuas páginas o nome desse íncubo enviado pela burguesia, cujas duas sílabas jamais devem ser pronunciadas entre nós, os fiéis? Confundistes um debate, que só deve efectuar-se no meio de castos e puros, com a fornicação demoníaca dos poluídos de Sodoma e Gomorra. Não sabeis que basta uma nódoa caída uma vez para destruir até ao fim dos tempos a pureza da alma revolucionária? Que doravante o vosso nome, Passa Palavra, faça corar de pejo todos aqueles que em tempos idos procuraram nas vossas páginas a mensagem salvadora que agora lhes sonegais! Renego-vos, Passa Palavra, sacudo sobre vós a poeira das minhas sandálias, que me conduzirão às terras virtuais onde impera o dicionário das palavras admissíveis. Oh! Três vezes amaldiçoado Passa Palavra!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vade retro, Satanás!<br />
Juntastes-vos, Passa Palavra, aos idólatras do Espírito Maligno, e inscrevestes-vos no caudaloso cortejo dos apóstatas. Oh! Três vezes amaldiçoado Passa Palavra! Maculastes o alvo linho dos altares do proletariado. Como ousastes inscrever nas tuas páginas o nome desse íncubo enviado pela burguesia, cujas duas sílabas jamais devem ser pronunciadas entre nós, os fiéis? Confundistes um debate, que só deve efectuar-se no meio de castos e puros, com a fornicação demoníaca dos poluídos de Sodoma e Gomorra. Não sabeis que basta uma nódoa caída uma vez para destruir até ao fim dos tempos a pureza da alma revolucionária? Que doravante o vosso nome, Passa Palavra, faça corar de pejo todos aqueles que em tempos idos procuraram nas vossas páginas a mensagem salvadora que agora lhes sonegais! Renego-vos, Passa Palavra, sacudo sobre vós a poeira das minhas sandálias, que me conduzirão às terras virtuais onde impera o dicionário das palavras admissíveis. Oh! Três vezes amaldiçoado Passa Palavra!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bruno AP		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-733163</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bruno AP]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Apr 2021 15:10:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo,

Obrigado pela resposta com tantas referências. Irei pesquisá-las. Aliás, ler o seu ensaio Arte e espelho e pesquisar as referências e citações tem sido a mais prazerosa atividade do meu sábado.
É que ao ler no artigo a ideia da necessidade de um estadista em tempos de crise, com as ilustrações futuristas, veio-me à mente a associação, de ambas as coisas, com o fascismo. Fui pesquisar sobre as obras e o autor e, ao ver que ele dá nome a um prêmio, imaginei que de alguma forma sua reputação se salvou. Daí a minha pergunta.
Mas como você bem desenvolveu na parte 5 do ensaio, &quot;A arte que não for susceptível de ser tornada independente do criador não é arte&quot;. Fascistas ou não, as obras dos futuristas são notáveis, ajudam a compreender a agitação daquele período e podem fomentar reflexões e sensações sobre este estado contínuo de urgência e aflição em que vivemos atualmente.
Um abraço de um leitor seu que segue com afinco as suas lições sobre arte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo,</p>
<p>Obrigado pela resposta com tantas referências. Irei pesquisá-las. Aliás, ler o seu ensaio Arte e espelho e pesquisar as referências e citações tem sido a mais prazerosa atividade do meu sábado.<br />
É que ao ler no artigo a ideia da necessidade de um estadista em tempos de crise, com as ilustrações futuristas, veio-me à mente a associação, de ambas as coisas, com o fascismo. Fui pesquisar sobre as obras e o autor e, ao ver que ele dá nome a um prêmio, imaginei que de alguma forma sua reputação se salvou. Daí a minha pergunta.<br />
Mas como você bem desenvolveu na parte 5 do ensaio, &#8220;A arte que não for susceptível de ser tornada independente do criador não é arte&#8221;. Fascistas ou não, as obras dos futuristas são notáveis, ajudam a compreender a agitação daquele período e podem fomentar reflexões e sensações sobre este estado contínuo de urgência e aflição em que vivemos atualmente.<br />
Um abraço de um leitor seu que segue com afinco as suas lições sobre arte.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Troca entre iguais		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-732962</link>

		<dc:creator><![CDATA[Troca entre iguais]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Apr 2021 00:03:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ora, curioso o ataque aqueles que defendem a tomada de posição do PP, com um singelo &quot;não há troca entre iguais&quot;. Como não, JB? O princípio constitutivo da mercadoria é fazer com que toda particularidade naufrague na geleia do valor, a forma dinheiro é dependente de uma troca entre iguais. Ainda que abstrato, o critério de igualdade está posto e produz a máquina tenebrosa a qual estamos submetidos: a igualdade jurídica, ou o direito do diferente, está pautado na lógica da mercadoria, coisa que a Infopédia talvez não saiba, mas o marxismo já tratou de decifrar. Isto dito, não se pode crer muito na defesa da diferença, essa mera convocação de posições &quot;distoantes&quot; que possibilitam o debate é falsa, pois não se trata de um debate, mas de convicções políticas que o site em questão se diz contrário. Lula é um problema político, não uma solução. Essa defesa semi inocente ou &quot;delicada&quot; das diferenças pode, sim, ser um termômetro de capitulação. O Brasil não precisa de um estadista, tampouco a esquerda precisa voltar a esse ponto do debate para construir alguma crítica, poderia, como foi dito em algum comentário anterior, apenas analisar o bolsonarismo a sério, ou dar margem para que um deles fale. Aliás, seria mais coerente com a proposta do PP dar voz ao problema, não forjar uma saída com carinha de panfleto pró-Lula 2022. O problema é esse, chega a ser inaceitável, depois de anos de construção teórica, ver entre nós alguém que soma com posições que combatemos no interior da esquerda.
 
E ainda faço coro com a Liv: por favor, guarde o martelo e a foice com a modernização que o originou e hoje declina. Cheira a naftalina a comparação, cheira a dogmatismo e semiótica, estamos também cansados desse ícone pop do socialismo, tanto quanto do populismo estatal de Lula, ambos convergentes no declínio da crítica materialista à capitulação do imediato. Realpolitik! A gente vê por aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ora, curioso o ataque aqueles que defendem a tomada de posição do PP, com um singelo &#8220;não há troca entre iguais&#8221;. Como não, JB? O princípio constitutivo da mercadoria é fazer com que toda particularidade naufrague na geleia do valor, a forma dinheiro é dependente de uma troca entre iguais. Ainda que abstrato, o critério de igualdade está posto e produz a máquina tenebrosa a qual estamos submetidos: a igualdade jurídica, ou o direito do diferente, está pautado na lógica da mercadoria, coisa que a Infopédia talvez não saiba, mas o marxismo já tratou de decifrar. Isto dito, não se pode crer muito na defesa da diferença, essa mera convocação de posições &#8220;distoantes&#8221; que possibilitam o debate é falsa, pois não se trata de um debate, mas de convicções políticas que o site em questão se diz contrário. Lula é um problema político, não uma solução. Essa defesa semi inocente ou &#8220;delicada&#8221; das diferenças pode, sim, ser um termômetro de capitulação. O Brasil não precisa de um estadista, tampouco a esquerda precisa voltar a esse ponto do debate para construir alguma crítica, poderia, como foi dito em algum comentário anterior, apenas analisar o bolsonarismo a sério, ou dar margem para que um deles fale. Aliás, seria mais coerente com a proposta do PP dar voz ao problema, não forjar uma saída com carinha de panfleto pró-Lula 2022. O problema é esse, chega a ser inaceitável, depois de anos de construção teórica, ver entre nós alguém que soma com posições que combatemos no interior da esquerda.</p>
<p>E ainda faço coro com a Liv: por favor, guarde o martelo e a foice com a modernização que o originou e hoje declina. Cheira a naftalina a comparação, cheira a dogmatismo e semiótica, estamos também cansados desse ícone pop do socialismo, tanto quanto do populismo estatal de Lula, ambos convergentes no declínio da crítica materialista à capitulação do imediato. Realpolitik! A gente vê por aqui.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-732913</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Apr 2021 20:56:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Bruno AP,

Com efeito, os futuristas foram uma das três correntes constitutivas do fascismo italiano, e até ao fim se mantiveram como promotores de um fascismo radical. Não é difícil ver a relação entre a estética do dinamismo, que os futuristas foram os primeiros a aplicar, e a táctica fascista da política enquanto agressão. Contudo, nenhuma arte que seja arte fica confinada a uma corrente política, e a arte contemporânea não seria o que é sem as múltiplas inovações dos futuristas. A política nunca limita a arte, a não ser para quem não saiba ver ou ouvir a arte.

Aliás, a importância do fascismo italiano no meio artístico não se limitou aos futuristas. Basta pensar em Chirico, por exemplo, ou em Mario Sironi. É que uma das amantes mais duráveis de Mussolini, Margherita Sarfatti, teve um papel central no meio artístico italiano, não como artista, mas como crítica de arte e como organizadora. Depois, em 1938, quando Mussolini promulgou a legislação anti-semita, Margherita Sarfatti, que era judia, teve de sair do país, mas, entretanto, começou a guerra e a arte passou para terceiro ou quarto plano.

Quanto a Luigi Russolo enquanto precursor da introdução do ruído na música, conheço um livro interessante organizado por Giovanni Lista, &lt;em&gt;Luigi Russolo. L’Art des Bruits&lt;/em&gt;. Mas neste âmbito o valor de Russolo foi só o de precursor, o primeiro a anunciar um caminho que em seguida outros percorreram com génio. Basta citar Edgard Varèse para uma música do ruído e Pierre Henry como pioneiro da música electroacústica. São dois grandes pilares da música contemporânea. Mas convém lembrar que já em 1918, na Rússia soviética, em São Petersburgo e em Nizhny Novgorod, Aleksei Gastev e Mayakovsky organizaram «sinfonias industriais» à escala urbana, mobilizando para isso sirenes de fábrica e ruído de motores. Tanto quanto sei, não existem registos sonoros dessas experiências, mas é possível hoje escutar uma reconstituição sonora da &lt;em&gt;Sinfonia de Sirenes de Fábrica&lt;/em&gt;, de Arseny Avraamov, executada pela primeira vez em Baku em 1922, em homenagem ao quinto aniversário da tomada do poder pelos bolchevistas, e em que participaram sirenes de fábrica, sirenes de navios, baterias de artilharia, regimentos de infantaria com armas automáticas, motores de hidroavião, buzinas de automóveis e coros formados pelos espectadores.

Com frequência, naquela época, as vanguardas artísticas estiveram estreitamente relacionadas com as movimentações políticas extremistas, sem que, no entanto, umas se limitassem às outras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bruno AP,</p>
<p>Com efeito, os futuristas foram uma das três correntes constitutivas do fascismo italiano, e até ao fim se mantiveram como promotores de um fascismo radical. Não é difícil ver a relação entre a estética do dinamismo, que os futuristas foram os primeiros a aplicar, e a táctica fascista da política enquanto agressão. Contudo, nenhuma arte que seja arte fica confinada a uma corrente política, e a arte contemporânea não seria o que é sem as múltiplas inovações dos futuristas. A política nunca limita a arte, a não ser para quem não saiba ver ou ouvir a arte.</p>
<p>Aliás, a importância do fascismo italiano no meio artístico não se limitou aos futuristas. Basta pensar em Chirico, por exemplo, ou em Mario Sironi. É que uma das amantes mais duráveis de Mussolini, Margherita Sarfatti, teve um papel central no meio artístico italiano, não como artista, mas como crítica de arte e como organizadora. Depois, em 1938, quando Mussolini promulgou a legislação anti-semita, Margherita Sarfatti, que era judia, teve de sair do país, mas, entretanto, começou a guerra e a arte passou para terceiro ou quarto plano.</p>
<p>Quanto a Luigi Russolo enquanto precursor da introdução do ruído na música, conheço um livro interessante organizado por Giovanni Lista, <em>Luigi Russolo. L’Art des Bruits</em>. Mas neste âmbito o valor de Russolo foi só o de precursor, o primeiro a anunciar um caminho que em seguida outros percorreram com génio. Basta citar Edgard Varèse para uma música do ruído e Pierre Henry como pioneiro da música electroacústica. São dois grandes pilares da música contemporânea. Mas convém lembrar que já em 1918, na Rússia soviética, em São Petersburgo e em Nizhny Novgorod, Aleksei Gastev e Mayakovsky organizaram «sinfonias industriais» à escala urbana, mobilizando para isso sirenes de fábrica e ruído de motores. Tanto quanto sei, não existem registos sonoros dessas experiências, mas é possível hoje escutar uma reconstituição sonora da <em>Sinfonia de Sirenes de Fábrica</em>, de Arseny Avraamov, executada pela primeira vez em Baku em 1922, em homenagem ao quinto aniversário da tomada do poder pelos bolchevistas, e em que participaram sirenes de fábrica, sirenes de navios, baterias de artilharia, regimentos de infantaria com armas automáticas, motores de hidroavião, buzinas de automóveis e coros formados pelos espectadores.</p>
<p>Com frequência, naquela época, as vanguardas artísticas estiveram estreitamente relacionadas com as movimentações políticas extremistas, sem que, no entanto, umas se limitassem às outras.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bruno AP		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-732634</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bruno AP]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Apr 2021 02:55:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=137223#comment-732634</guid>

					<description><![CDATA[Por falar em Estadistas - natos, que precisamos ou merecemos -, uma dúvida: Luigi Russolo, o autor das belas obras que ilustram o texto, como Futurista, também aderiu ao Fascismo? Numa pesquisa rápida, vi que há um prêmio de música eletrônica que leva seu nome atualmente, por ele ser uma espécie de precursor desta, e achei curioso. Confesso, não sem algum incômodo, que as obras futuristas me agradam.
Parabéns ao Passa Palavra pela iniciativa, os textos estão rendendo bons debates.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por falar em Estadistas &#8211; natos, que precisamos ou merecemos -, uma dúvida: Luigi Russolo, o autor das belas obras que ilustram o texto, como Futurista, também aderiu ao Fascismo? Numa pesquisa rápida, vi que há um prêmio de música eletrônica que leva seu nome atualmente, por ele ser uma espécie de precursor desta, e achei curioso. Confesso, não sem algum incômodo, que as obras futuristas me agradam.<br />
Parabéns ao Passa Palavra pela iniciativa, os textos estão rendendo bons debates.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Araújo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-732435</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2021 11:42:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=137223#comment-732435</guid>

					<description><![CDATA[O texto é ruim, eu concordo. Mas só desse pessoal que vive entre seitas e cultos &#039;anticapitalistas&#039; terem ficado pererecas da vida, de terem sido incomodados com uma imagem diferente da refletida nos próprios espelhos, só isso já fez valer a publicação. Poderiam apontar perspectivas de luta com a eventualidade do novo contexto (cenário ótimo), poderiam focar nos aspectos criticáveis do texto (cenário medíocre mas ainda útil). Mas isso aí? É sintomático que os outros textos que estão sendo publicados quase não tenham comentários. Meu palpite é que o coração dessa gente pura leia aquilo como quem escuta a homilia das missas dominicais e ao término do exercício sintam o peso no coração diminuir (quem sabe não escape um breve sorriso de regozijo)? Amém irmão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto é ruim, eu concordo. Mas só desse pessoal que vive entre seitas e cultos &#8216;anticapitalistas&#8217; terem ficado pererecas da vida, de terem sido incomodados com uma imagem diferente da refletida nos próprios espelhos, só isso já fez valer a publicação. Poderiam apontar perspectivas de luta com a eventualidade do novo contexto (cenário ótimo), poderiam focar nos aspectos criticáveis do texto (cenário medíocre mas ainda útil). Mas isso aí? É sintomático que os outros textos que estão sendo publicados quase não tenham comentários. Meu palpite é que o coração dessa gente pura leia aquilo como quem escuta a homilia das missas dominicais e ao término do exercício sintam o peso no coração diminuir (quem sabe não escape um breve sorriso de regozijo)? Amém irmão.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Bela linha de argumentação		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/03/137223/#comment-732252</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bela linha de argumentação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Apr 2021 20:00:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=137223#comment-732252</guid>

					<description><![CDATA[Bela linha de raciocínio (ou não tão bela): então, se você não falava do PP, que publicou os comentários, falava dos outros comentadores, mas como poderiam censurar alguma coisa? Pelo contrário, debateram, apresentando argumentos em defesa da publicação do texto (não do texto) e da necessidade do debate, enquanto você argumentou contra a publicação do texto e contra o debate. Então foi você que, intervindo no debate, confundiu debate (os comentários dos outros comentadores) com censura, ao mesmo tempo em que você defendeu que o PP devia ter censurado (não publicar) o texto. A única conclusão possível é: ninguém censurou nada (nem o PP, nem os outros comentadores), mas alguns (incluindo você) defenderam isso.  Aprenda a raciocinar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bela linha de raciocínio (ou não tão bela): então, se você não falava do PP, que publicou os comentários, falava dos outros comentadores, mas como poderiam censurar alguma coisa? Pelo contrário, debateram, apresentando argumentos em defesa da publicação do texto (não do texto) e da necessidade do debate, enquanto você argumentou contra a publicação do texto e contra o debate. Então foi você que, intervindo no debate, confundiu debate (os comentários dos outros comentadores) com censura, ao mesmo tempo em que você defendeu que o PP devia ter censurado (não publicar) o texto. A única conclusão possível é: ninguém censurou nada (nem o PP, nem os outros comentadores), mas alguns (incluindo você) defenderam isso.  Aprenda a raciocinar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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