<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Ecológicos &#038; antivacinas	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2021/09/139745/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Fri, 17 Dec 2021 23:59:48 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Juliana		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-823927</link>

		<dc:creator><![CDATA[Juliana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Dec 2021 23:59:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-823927</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo, seu texto apresenta uma contradição séria. Você critica os ecologistas por reinvidicarem um arcaismo nos meios de produção, ao mesmo tempo que condena novas tecnologias que melhoram a qualidade do ar. E que para além de serem produtos melhores, promovem a produçao e crescimento da economia, como você ja apontou tantas vezes como fundamental. Então você tem críticas sérias à ecologia ou só está criando bravatas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo, seu texto apresenta uma contradição séria. Você critica os ecologistas por reinvidicarem um arcaismo nos meios de produção, ao mesmo tempo que condena novas tecnologias que melhoram a qualidade do ar. E que para além de serem produtos melhores, promovem a produçao e crescimento da economia, como você ja apontou tantas vezes como fundamental. Então você tem críticas sérias à ecologia ou só está criando bravatas?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-823486</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 18:14:46 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-823486</guid>

					<description><![CDATA[Obrigado pela resposta!

De fato, não fiquei satisfeito. É claro que a histeria climática é real, mas a mudança climática também é. Figuras como Greta, que mobilizam crianças e adolescentes com um discurso fortemente emotivo e difuso, são um perigo real. Mas isso não invalida a ciência do clima, que afinal não é feita por ativistas da ecologia, abraçadores de árvores e sommeliers de ayahuasca. Do mesmo modo, o fato de que pacotes do tipo Green New Deal sejam providenciais para o capital não invalida as informações de que dispomos sobre o aumento da temperatura global média.

A relação entre industrialização e mudança climática é um fato observável, não uma teoria. Acho que nossa tarefa é combater as teorias que se formam ou se fortalecem a partir desses fatos, como as que se baseiam em críticas à húbris da indústria em nome da harmonia com a natureza supostamente presente no campo etc. 

Concordo com a caracterização do vegetarianismo como religião laica. Me referia ao fato de que em um futuro próximo é possível que as dietas passem a ser administradas mais diretamente pelos Estados, que vão precisar fazer a conta da relação entre proteína e carbono fechar. Para isso não vai ser preciso se curvar à sacralidade das vacas - muito pelo contrário, vai ser preciso reduzi-las ainda mais a um conjunto dados computados em tabelas, somando novos fatores ao cálculo econômico (água embutida, carbono embutido, energia embutida etc.). Claro que a sacralização pode entrar como doutrina e se impôr na cultura, o que seria uma tragédia. Enfim, me referia às mudanças bruscas que serão impostas no padrão de consumo da classe média mundo afora, e às formas políticas que isso tende a assumir.

A componente ecológica pode cumprir um papel diferente no fascismo do nosso século. Além de atuar como fundamento mítico e estético, a ecologia hoje *aparentemente* conta com o amparo da ciência do clima. Na minha leitura, isso faz com que seja tarefa nossa arrancar a ciência do clima das mãos da ecologia. 

Um abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado pela resposta!</p>
<p>De fato, não fiquei satisfeito. É claro que a histeria climática é real, mas a mudança climática também é. Figuras como Greta, que mobilizam crianças e adolescentes com um discurso fortemente emotivo e difuso, são um perigo real. Mas isso não invalida a ciência do clima, que afinal não é feita por ativistas da ecologia, abraçadores de árvores e sommeliers de ayahuasca. Do mesmo modo, o fato de que pacotes do tipo Green New Deal sejam providenciais para o capital não invalida as informações de que dispomos sobre o aumento da temperatura global média.</p>
<p>A relação entre industrialização e mudança climática é um fato observável, não uma teoria. Acho que nossa tarefa é combater as teorias que se formam ou se fortalecem a partir desses fatos, como as que se baseiam em críticas à húbris da indústria em nome da harmonia com a natureza supostamente presente no campo etc. </p>
<p>Concordo com a caracterização do vegetarianismo como religião laica. Me referia ao fato de que em um futuro próximo é possível que as dietas passem a ser administradas mais diretamente pelos Estados, que vão precisar fazer a conta da relação entre proteína e carbono fechar. Para isso não vai ser preciso se curvar à sacralidade das vacas &#8211; muito pelo contrário, vai ser preciso reduzi-las ainda mais a um conjunto dados computados em tabelas, somando novos fatores ao cálculo econômico (água embutida, carbono embutido, energia embutida etc.). Claro que a sacralização pode entrar como doutrina e se impôr na cultura, o que seria uma tragédia. Enfim, me referia às mudanças bruscas que serão impostas no padrão de consumo da classe média mundo afora, e às formas políticas que isso tende a assumir.</p>
<p>A componente ecológica pode cumprir um papel diferente no fascismo do nosso século. Além de atuar como fundamento mítico e estético, a ecologia hoje *aparentemente* conta com o amparo da ciência do clima. Na minha leitura, isso faz com que seja tarefa nossa arrancar a ciência do clima das mãos da ecologia. </p>
<p>Um abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giovanni Souza Martinelli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-823448</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giovanni Souza Martinelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 16:07:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-823448</guid>

					<description><![CDATA[Quero aqui elogiar o &quot;Estacionamento Vegetal&quot;! Que humor crítico!!! Risos, risos!!! E ainda acrescento para a apreciação dos leitores um comentário do próprio Bernardo que me rendeu outras gargalhadas:

&quot;Uma noite, depois de um curso, numa cidade do Brasil, estava numa cervejaria com um grupo de alunos e alunas e disse a um deles, que era vegetariano e libertário, que a minha crítica aos vegetarianos é de substitucionismo leninista, porque lutam em nome das vacas em vez de as organizarem para elas se autodefenderem&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quero aqui elogiar o &#8220;Estacionamento Vegetal&#8221;! Que humor crítico!!! Risos, risos!!! E ainda acrescento para a apreciação dos leitores um comentário do próprio Bernardo que me rendeu outras gargalhadas:</p>
<p>&#8220;Uma noite, depois de um curso, numa cidade do Brasil, estava numa cervejaria com um grupo de alunos e alunas e disse a um deles, que era vegetariano e libertário, que a minha crítica aos vegetarianos é de substitucionismo leninista, porque lutam em nome das vacas em vez de as organizarem para elas se autodefenderem&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-823369</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 10:58:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-823369</guid>

					<description><![CDATA[Caro Paulo,

Perante a actual histeria climática, o que me deixa perplexo é o facto de o clima ser o resultado de uma enorme variedade de factores, a tal ponto que a teoria matemática do caos foi fundada precisamente por um meteorologista, a quem se deve a tão conhecida metáfora de que o bater de asas de uma borboleta pode gerar um furacão no outro lado do mundo. Qualquer pessoa que se interesse pela história — mas infelizmente este não é um interesse partilhado pelos ecológicos — sabe que o globo terrestre sofreu alterações climáticas cíclicas de muito longo prazo, algumas até anteriores ao aparecimento da humanidade. Mesmo nos últimos milénios são conhecidas variações seculares ou até a mais curto prazo. Assim, o estabelecimento de uma correspondência unívoca entre a industrialização e o aquecimento global parece-me &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt; equivocada.

Mas o novo demónio do CO2 é um bem-vindo pretexto para a renovação geral do parque industrial, precipitando a obsolescência tanto de meios de produção como de bens de consumo e exigindo a construção de novas infra-estruturas, enfim, tudo o que é necessário para impulsionar um novo alento do capitalismo. É certo que esta remodelação implica um aumento dos preços e também dos impostos, que são um preço das infra-estruturas, mas as meninas Gretas servem para convencer as pessoas de que estão a pagar para salvar o mundo, e até agora a campanha publicitária tem resultado.

Quanto ao vegetarianismo, é par mim um assunto delicado e que procuro não abordar, porque alguns dos meus melhores amigos são vegetarianos. Ora, eu considero o vegetarianismo, em todas as suas modalidades, como uma religião laica. Curiosamente, o ateísmo difundiu-se, mas se o misticismo quase desapareceu, ele foi substituído por uma religiosidade laica, que se difunde nas áreas da saúde e da alimentação, geralmente inserida na ecologia ou situando-se pelo menos nas suas fronteiras. Há vários anos, eu, que sou um convicto comedor de carne, para me divertir, escrevi um manifesto intitulado &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://viasfacto.blogspot.com/2015/06/comunicado-do-estacionamento-vegetal.html&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener nofollow ugc&quot;&gt;Estacionamento Vegetal&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, mas houve quem não lhe achasse piada nenhuma.

Você menciona a conveniência de alterar os modelos de alimentação, mas esses modelos sempre sofreram modificações. Os progressos da química permitiram que a arqueologia se desenvolvesse muitíssimo nas últimas décadas e, através da detecção e análise das fezes, consegue-se conhecer as dietas mesmo de povos do paleolítico. Desde então até hoje a alimentação sofreu alterações enormes, mas a maior e mais recente deve-se ao &lt;em&gt;fast food&lt;/em&gt;, que nalguns países conseguiu mesmo destruir a cozinha tradicional, ou seja, destruiu um elemento integrante de culturas seculares. E como a gastronomia é uma arte, as consequências da razia operada pelo &lt;em&gt;fast food&lt;/em&gt; são realmente catastróficas, e são-no tanto mais quanto hoje os vegetarianos se juntaram à mesma cruzada. Nos países que, como na Europa, haviam resistido ao &lt;em&gt;fast food&lt;/em&gt; e mantido a cozinha artesanal tradicional, os vegetarianos, que têm uma expressão parlamentar cada vez maior e intervêm na elaboração das leis, estão a tentar destruir o que resta da cultura e da arte gastronómicas. Aliás, as duas forças juntaram-se e é curioso saber que a McDonald’s, a maior empresa mundial de &lt;em&gt;fast food&lt;/em&gt;, se converteu desde há vários anos no maior vendedor mundial de saladas, embora esta especialidade represente uma fracção diminuta dos rendimentos globais da McDonald’s.

Sei que você — aliás, ninguém — não vai ficar satisfeito com esta minha resposta, mas é o que tenho para dizer...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Paulo,</p>
<p>Perante a actual histeria climática, o que me deixa perplexo é o facto de o clima ser o resultado de uma enorme variedade de factores, a tal ponto que a teoria matemática do caos foi fundada precisamente por um meteorologista, a quem se deve a tão conhecida metáfora de que o bater de asas de uma borboleta pode gerar um furacão no outro lado do mundo. Qualquer pessoa que se interesse pela história — mas infelizmente este não é um interesse partilhado pelos ecológicos — sabe que o globo terrestre sofreu alterações climáticas cíclicas de muito longo prazo, algumas até anteriores ao aparecimento da humanidade. Mesmo nos últimos milénios são conhecidas variações seculares ou até a mais curto prazo. Assim, o estabelecimento de uma correspondência unívoca entre a industrialização e o aquecimento global parece-me <em>a priori</em> equivocada.</p>
<p>Mas o novo demónio do CO2 é um bem-vindo pretexto para a renovação geral do parque industrial, precipitando a obsolescência tanto de meios de produção como de bens de consumo e exigindo a construção de novas infra-estruturas, enfim, tudo o que é necessário para impulsionar um novo alento do capitalismo. É certo que esta remodelação implica um aumento dos preços e também dos impostos, que são um preço das infra-estruturas, mas as meninas Gretas servem para convencer as pessoas de que estão a pagar para salvar o mundo, e até agora a campanha publicitária tem resultado.</p>
<p>Quanto ao vegetarianismo, é par mim um assunto delicado e que procuro não abordar, porque alguns dos meus melhores amigos são vegetarianos. Ora, eu considero o vegetarianismo, em todas as suas modalidades, como uma religião laica. Curiosamente, o ateísmo difundiu-se, mas se o misticismo quase desapareceu, ele foi substituído por uma religiosidade laica, que se difunde nas áreas da saúde e da alimentação, geralmente inserida na ecologia ou situando-se pelo menos nas suas fronteiras. Há vários anos, eu, que sou um convicto comedor de carne, para me divertir, escrevi um manifesto intitulado <em><a href="http://viasfacto.blogspot.com/2015/06/comunicado-do-estacionamento-vegetal.html" target="_blank" rel="noopener nofollow ugc">Estacionamento Vegetal</a></em>, mas houve quem não lhe achasse piada nenhuma.</p>
<p>Você menciona a conveniência de alterar os modelos de alimentação, mas esses modelos sempre sofreram modificações. Os progressos da química permitiram que a arqueologia se desenvolvesse muitíssimo nas últimas décadas e, através da detecção e análise das fezes, consegue-se conhecer as dietas mesmo de povos do paleolítico. Desde então até hoje a alimentação sofreu alterações enormes, mas a maior e mais recente deve-se ao <em>fast food</em>, que nalguns países conseguiu mesmo destruir a cozinha tradicional, ou seja, destruiu um elemento integrante de culturas seculares. E como a gastronomia é uma arte, as consequências da razia operada pelo <em>fast food</em> são realmente catastróficas, e são-no tanto mais quanto hoje os vegetarianos se juntaram à mesma cruzada. Nos países que, como na Europa, haviam resistido ao <em>fast food</em> e mantido a cozinha artesanal tradicional, os vegetarianos, que têm uma expressão parlamentar cada vez maior e intervêm na elaboração das leis, estão a tentar destruir o que resta da cultura e da arte gastronómicas. Aliás, as duas forças juntaram-se e é curioso saber que a McDonald’s, a maior empresa mundial de <em>fast food</em>, se converteu desde há vários anos no maior vendedor mundial de saladas, embora esta especialidade represente uma fracção diminuta dos rendimentos globais da McDonald’s.</p>
<p>Sei que você — aliás, ninguém — não vai ficar satisfeito com esta minha resposta, mas é o que tenho para dizer&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-823161</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 21:53:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-823161</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Suas críticas à ecologia são sempre muito informativas e instigantes, de modo que as leio com grande prazer. No entanto, sinto falta de comentários acerca da mudança climática em si. 

O combate à ecologia propriamente dita, enquanto ideologia irracionalista fascista ou fascistizante, não deveria ser complementado pela discussão das formas corretas de lidar com os fenômenos climáticos? Você não concorda que há um risco de cair em posicionamentos &#039;pré-galilaicos&#039;, que passam ao largo das informações de que dispomos e dos desafios que temos pela frente, como a redução das emissões de carbono e a mudança na infraestrutura energética da humanidade como um todo? 

Mesmo temas como vegetarianismo ganham outra densidade quando levamos em conta os debates sobre dieta que ocorrem no IPCC, por exemplo. Mudanças significativas na dieta de boa parte da humanidade são a essa altura uma necessidade incontornável. Como essas mudanças podem ser administradas, e por quem? Haverá imposição de dieta de baixo carbono a populações que já não conseguem consumir muita carne ou conseguiremos lutar por modelos mais justos, etc.? 

Enfim, são diversas questões que escapam da alçada do marxismo, mas que são a meu ver muito importantes. Compreendo o enfoque de suas intervenções, que se inserem no contexto do debate marxista e do estudo do fascismo, mas acredito que mesmo dentro desse recorte seriam bem-vindos apontamentos mais diretos sobre o clima. 

Um abraço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Suas críticas à ecologia são sempre muito informativas e instigantes, de modo que as leio com grande prazer. No entanto, sinto falta de comentários acerca da mudança climática em si. </p>
<p>O combate à ecologia propriamente dita, enquanto ideologia irracionalista fascista ou fascistizante, não deveria ser complementado pela discussão das formas corretas de lidar com os fenômenos climáticos? Você não concorda que há um risco de cair em posicionamentos &#8216;pré-galilaicos&#8217;, que passam ao largo das informações de que dispomos e dos desafios que temos pela frente, como a redução das emissões de carbono e a mudança na infraestrutura energética da humanidade como um todo? </p>
<p>Mesmo temas como vegetarianismo ganham outra densidade quando levamos em conta os debates sobre dieta que ocorrem no IPCC, por exemplo. Mudanças significativas na dieta de boa parte da humanidade são a essa altura uma necessidade incontornável. Como essas mudanças podem ser administradas, e por quem? Haverá imposição de dieta de baixo carbono a populações que já não conseguem consumir muita carne ou conseguiremos lutar por modelos mais justos, etc.? </p>
<p>Enfim, são diversas questões que escapam da alçada do marxismo, mas que são a meu ver muito importantes. Compreendo o enfoque de suas intervenções, que se inserem no contexto do debate marxista e do estudo do fascismo, mas acredito que mesmo dentro desse recorte seriam bem-vindos apontamentos mais diretos sobre o clima. </p>
<p>Um abraço</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pedro Irio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-789628</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pedro Irio]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 15:12:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-789628</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo, 
Muito obrigado, como sempre você sempre lucido e esclarecedor. 

Abraços fraternos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,<br />
Muito obrigado, como sempre você sempre lucido e esclarecedor. </p>
<p>Abraços fraternos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-789465</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 07:45:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-789465</guid>

					<description><![CDATA[Caro Pedro Irio,

Para não me limitar a responder-lhe com uma só palavra, &lt;em&gt;Não&lt;/em&gt;, tenho de me explicar mais extensamente

Eu interesso-me sobretudo pelo empírico. Com excepção dos meus dois primeiros livros, dedicados à análise crítica de teorias, todos os outros têm como objectivo os factos, e é só a partir deles que teorizo. Um modelo teórico serve-me unicamente para analisar factos empíricos, e quando não serve para isto, não serve para nada. Mesmo um livro aparentemente abstracto como o &lt;em&gt;Dialéctica da Prática e da Ideologia&lt;/em&gt; consiste em formalizações a partir de observações empíricas, e em muitos casos observações directas. Escrevi uma obra volumosa sobre &lt;em&gt;La Comédie humaine&lt;/em&gt; em que não dedico uma única palavra às teorias literárias. O que me interessou foram os personagens de Balzac e as peripécias por ele narradas, que considerei como factos históricos não menos reais do que os outros. No ensaio sobre estética que publiquei neste site, &lt;em&gt;Arte e Espelho&lt;/em&gt;, não me importo com as teorias estéticas, mas apenas com a observação dos objectos estéticos. Mesmo no &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;, onde analiso detalhadamente as teorias fascistas, não me interessam particularmente as interpretações teóricas do fascismo, mas as obras teóricas fascistas enquanto factos. E assim com o resto.

O mesmo se passa com a ecologia. Tudo o que ao longo dos anos tenho escrito sobre este assunto debruça-se sobre factos e faço uma análise crítica a partir de factos. Quando estabeleço a relação entre o fascismo e os mitos ecológicos são os elos genéticos entre factos ideológicos que estou a analisar, e não o enquadramento teórico que lhes é dado por um ou outro autor. É para mim secundário que a agro-ecologia, por exemplo, seja defendida em termos nacional-socialistas ou marxistas ou maoistas ou classicamente capitalistas. O que me importa são as consequências da agro-ecologia em termos de produtividade e de relações de trabalho.

Eu considero que os marxistas hoje se resumem a duas grandes correntes. Uma é a dos pré-galilaicos, que, tal como os antigos se recusavam a espreitar Júpiter pela luneta, recusam agora o estudo das estatísticas e, em geral, dos factos económicos actuais. Fazem economia por dedução. Se Marx, na sua época, escreveu isto e aquilo, então nós agora, um século e meio depois, estaríamos assim e assado. A outra das correntes é a do marxismo esponja. Uma amiga minha, cientista, prefere chamar-lhe marxismo ameba, porque se alimenta de tudo o que lhe aparece pela frente. Em termos linguísticos, a operação consiste em acrescentar um adjectivo ao substantivo. E temos assim um feminismo marxista. Ainda se invocassem Engels... Mas Marx! Basta recordar a resposta que deu a Lafargue quando este lhe pediu a mão da filha Laura. Claro que não falta o movimento gay marxista. Até já deparei com a protecção marxista dos animais.

Tudo isto para responder à sua pergunta. A conjugação do marxismo com a ecologia é um caso extremo do marxismo ameba. Há anos alguém, não me lembro quem, colocou neste site um comentário dizendo que o único aspecto em que sou marxista ortodoxo é na minha crítica à ecologia. Nunca tinha pensado nisto e acho que o comentador tem razão. Dá-me vontade de rir que haja ecologistas a reivindicar-se do marxismo ou marxistas a reivindicar-se da ecologia, quando Marx, para nem falar de Engels, eram verdadeiramente líricos na sua apologia do desenvolvimento das forças produtivas. Em suma, parece-me que aquilo que já escrevi de crítica à ecologia é suficiente para fazer a crítica ao eco-marxismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Pedro Irio,</p>
<p>Para não me limitar a responder-lhe com uma só palavra, <em>Não</em>, tenho de me explicar mais extensamente</p>
<p>Eu interesso-me sobretudo pelo empírico. Com excepção dos meus dois primeiros livros, dedicados à análise crítica de teorias, todos os outros têm como objectivo os factos, e é só a partir deles que teorizo. Um modelo teórico serve-me unicamente para analisar factos empíricos, e quando não serve para isto, não serve para nada. Mesmo um livro aparentemente abstracto como o <em>Dialéctica da Prática e da Ideologia</em> consiste em formalizações a partir de observações empíricas, e em muitos casos observações directas. Escrevi uma obra volumosa sobre <em>La Comédie humaine</em> em que não dedico uma única palavra às teorias literárias. O que me interessou foram os personagens de Balzac e as peripécias por ele narradas, que considerei como factos históricos não menos reais do que os outros. No ensaio sobre estética que publiquei neste site, <em>Arte e Espelho</em>, não me importo com as teorias estéticas, mas apenas com a observação dos objectos estéticos. Mesmo no <em>Labirintos do Fascismo</em>, onde analiso detalhadamente as teorias fascistas, não me interessam particularmente as interpretações teóricas do fascismo, mas as obras teóricas fascistas enquanto factos. E assim com o resto.</p>
<p>O mesmo se passa com a ecologia. Tudo o que ao longo dos anos tenho escrito sobre este assunto debruça-se sobre factos e faço uma análise crítica a partir de factos. Quando estabeleço a relação entre o fascismo e os mitos ecológicos são os elos genéticos entre factos ideológicos que estou a analisar, e não o enquadramento teórico que lhes é dado por um ou outro autor. É para mim secundário que a agro-ecologia, por exemplo, seja defendida em termos nacional-socialistas ou marxistas ou maoistas ou classicamente capitalistas. O que me importa são as consequências da agro-ecologia em termos de produtividade e de relações de trabalho.</p>
<p>Eu considero que os marxistas hoje se resumem a duas grandes correntes. Uma é a dos pré-galilaicos, que, tal como os antigos se recusavam a espreitar Júpiter pela luneta, recusam agora o estudo das estatísticas e, em geral, dos factos económicos actuais. Fazem economia por dedução. Se Marx, na sua época, escreveu isto e aquilo, então nós agora, um século e meio depois, estaríamos assim e assado. A outra das correntes é a do marxismo esponja. Uma amiga minha, cientista, prefere chamar-lhe marxismo ameba, porque se alimenta de tudo o que lhe aparece pela frente. Em termos linguísticos, a operação consiste em acrescentar um adjectivo ao substantivo. E temos assim um feminismo marxista. Ainda se invocassem Engels&#8230; Mas Marx! Basta recordar a resposta que deu a Lafargue quando este lhe pediu a mão da filha Laura. Claro que não falta o movimento gay marxista. Até já deparei com a protecção marxista dos animais.</p>
<p>Tudo isto para responder à sua pergunta. A conjugação do marxismo com a ecologia é um caso extremo do marxismo ameba. Há anos alguém, não me lembro quem, colocou neste site um comentário dizendo que o único aspecto em que sou marxista ortodoxo é na minha crítica à ecologia. Nunca tinha pensado nisto e acho que o comentador tem razão. Dá-me vontade de rir que haja ecologistas a reivindicar-se do marxismo ou marxistas a reivindicar-se da ecologia, quando Marx, para nem falar de Engels, eram verdadeiramente líricos na sua apologia do desenvolvimento das forças produtivas. Em suma, parece-me que aquilo que já escrevi de crítica à ecologia é suficiente para fazer a crítica ao eco-marxismo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pedro Irio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-789252</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pedro Irio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Sep 2021 17:55:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-789252</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo, 

Se possível gostaria de um balanço seu assim chamado &quot;ecossocialismo&quot;.
Que tem figuras como Kohei Saito em livro recentemente publicado em português &quot;o ecossocialismo de K. Marx&quot;; John Bellamy Foster com seus estudos sobre ecologia e socialismo, Michael Lowy etc. 

Desde já agradeço

Abraços fraternos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo, </p>
<p>Se possível gostaria de um balanço seu assim chamado &#8220;ecossocialismo&#8221;.<br />
Que tem figuras como Kohei Saito em livro recentemente publicado em português &#8220;o ecossocialismo de K. Marx&#8221;; John Bellamy Foster com seus estudos sobre ecologia e socialismo, Michael Lowy etc. </p>
<p>Desde já agradeço</p>
<p>Abraços fraternos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-786547</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Sep 2021 09:48:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-786547</guid>

					<description><![CDATA[Giovanni,

Quando se fala de ciência convém discernir, pois com frequência os &lt;em&gt;lobbies&lt;/em&gt; ecológicos nos grandes meios de informação denominam «cientistas» pessoas de especialidades diferentes das do assunto em questão. Conhecendo pessoalmente o meio científico a perspectiva é outra.

De qualquer modo, quanto à questão climática e em traços muito gerais, remeto para o que escrevi &lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2020/06/132147/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;no primeiro dos artigos&lt;/a&gt; do ensaio &lt;em&gt;São Marx, rogai por nós&lt;/em&gt;. E já que nesse artigo eu citei &lt;em&gt;The Economist&lt;/em&gt; a propósito das oportunidades económicas geradas por essa colossal renovação da indústria, tanto nos bens de consumo como nas infra-estruturas, convém notar que este órgão do grande capital chamou ontem a atenção para a possibilidade de as camadas de rendimentos mais baixos não estarem dispostas a pagar as modas ecológicas. Ver o artigo «&lt;a href=&quot;https://www.economist.com/britain/an-anti-green-backlash-could-reshape-british-politics/21804957&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener nofollow ugc&quot;&gt;An anti-green backlash could reshape British politics&lt;/a&gt;».

Ainda sobre a relação entre os ecológicos e o meio científico, João Aguiar propôs uma perspectiva radicalmente inovadora no seu ensaio em quatro partes &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2021/06/138430/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Uma ou duas classes dos gestores?&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. Eu pretendi prolongar essa reflexão no artigo &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2021/07/138643/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Gestores ideológicos?&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, o que levou João Aguiar a prosseguir com o artigo &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2021/07/138902/&quot; rel=&quot;noopener&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;A massa e os gestores ideológicos: considerações sobre um tema inacabado&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. E ele tem razão — é um tema inacabado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Giovanni,</p>
<p>Quando se fala de ciência convém discernir, pois com frequência os <em>lobbies</em> ecológicos nos grandes meios de informação denominam «cientistas» pessoas de especialidades diferentes das do assunto em questão. Conhecendo pessoalmente o meio científico a perspectiva é outra.</p>
<p>De qualquer modo, quanto à questão climática e em traços muito gerais, remeto para o que escrevi <a href="https://passapalavra.info/2020/06/132147/" rel="noopener" target="_blank">no primeiro dos artigos</a> do ensaio <em>São Marx, rogai por nós</em>. E já que nesse artigo eu citei <em>The Economist</em> a propósito das oportunidades económicas geradas por essa colossal renovação da indústria, tanto nos bens de consumo como nas infra-estruturas, convém notar que este órgão do grande capital chamou ontem a atenção para a possibilidade de as camadas de rendimentos mais baixos não estarem dispostas a pagar as modas ecológicas. Ver o artigo «<a href="https://www.economist.com/britain/an-anti-green-backlash-could-reshape-british-politics/21804957" target="_blank" rel="noopener nofollow ugc">An anti-green backlash could reshape British politics</a>».</p>
<p>Ainda sobre a relação entre os ecológicos e o meio científico, João Aguiar propôs uma perspectiva radicalmente inovadora no seu ensaio em quatro partes <em><a href="https://passapalavra.info/2021/06/138430/" rel="noopener" target="_blank">Uma ou duas classes dos gestores?</a></em>. Eu pretendi prolongar essa reflexão no artigo <em><a href="https://passapalavra.info/2021/07/138643/" rel="noopener" target="_blank">Gestores ideológicos?</a></em>, o que levou João Aguiar a prosseguir com o artigo <em><a href="https://passapalavra.info/2021/07/138902/" rel="noopener" target="_blank">A massa e os gestores ideológicos: considerações sobre um tema inacabado</a></em>. E ele tem razão — é um tema inacabado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giovanni Regazzo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/139745/#comment-786496</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giovanni Regazzo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Sep 2021 23:44:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=139745#comment-786496</guid>

					<description><![CDATA[Concordo com o autor em grande parte, mais tendo a ver a ecologia como outros assuntos em sua ambiguidade. 
Fico tentando definir melhor a Ciência, pois acredito que é uma visão do mundo interessante para nós.  Sim,  temos ai um largo espectro da esquerda que é contra a ciência nesse assunto das vacinas , mais quando falamos em Mudanças climáticas por exemplo, a opinião muda e a ciência oficial ( onu ) passa a ser creditada e tida como máxima autoridade. Ai a ciência atende a todo essa agenda anti- progresso , mais estimula novas tecnologias &quot; limpas&quot;  . A ciência junto a ecologia tem se configurado num campo gestor do capital nos tempos atuais com grande apelo. Como encarar essas  contradições ;?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com o autor em grande parte, mais tendo a ver a ecologia como outros assuntos em sua ambiguidade.<br />
Fico tentando definir melhor a Ciência, pois acredito que é uma visão do mundo interessante para nós.  Sim,  temos ai um largo espectro da esquerda que é contra a ciência nesse assunto das vacinas , mais quando falamos em Mudanças climáticas por exemplo, a opinião muda e a ciência oficial ( onu ) passa a ser creditada e tida como máxima autoridade. Ai a ciência atende a todo essa agenda anti- progresso , mais estimula novas tecnologias &#8221; limpas&#8221;  . A ciência junto a ecologia tem se configurado num campo gestor do capital nos tempos atuais com grande apelo. Como encarar essas  contradições ;?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
