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	Comentários sobre: Os entregadores paralisando e a esquerda paralisada	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140093/#comment-783438</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Sep 2021 05:07:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alan,

A gente sabe que as lutas dos trabalhadores estão passando ao largo da preocupação da esquerda. Não só essa. Por isso, como eu disse, o texto é muito bom e a crítica dele também.
Porém, como eu disse, ao mesmo tempo cabe autocrítica. E aí a questão é que militante não pode colocar culpa nos outros ou numa categoria por não se mobilizar, como aliás fazem alguns dirigentes sindicais. Quem milita tem sempre que se perguntar o que está fazendo de errado pra não estar conseguindo mobilizar. Nesse sentido não faz sentido jogar pra baixo do tapete os erros. É fácil a saída de que os outros é que tem que se maduros e eu vou continuar agindo da mesma forma.

Militante lida com a realidade. A realidade é essa: se colocar política no meio o movimento se isola. De nada serve falar em falta de maturidade dos outros. 

Mesmo num contexto normal, movimento que cria rixas, pessoas indiferentes ou até inimigos onde poderiam haver apoiadores e simpatizantes está tirando o chão debaixo dos seus pés. Tem vida curta e não sobrevive ao primeiro ataque coordenado que vier.
É uma questão de inteligência política e sobrevivência.

Se não se enxerga os erros que foram cometidos (esse que mencionei é apenas um), se se justifica os erros como se não fossem, eles então estão sendo normalizados.

E aí entra uma questão ética. Quando se trata de uma campanha que envolve apenas militantes e não uma categoria de trabalhadores, são só os militantes que se frustram mais cedo ou mais tarde. Quando envolve um movimento de trabalhadores os erros repercutem pra essas pessoas, nas suas lutas e condição de vida. É bem mais sério.

Outra questão, os próprios entregadores tirarem uma onda com Bolsonaro e Lula num momento de quase brincadeira entre eles... mas outros defendem Bolsonaro, outros certamente defendem Lula. Ai se escolhe aquilo que representa a visão política dos militantes para expor... (e mesmo que seja a visão política da maioria dos entregadores continua sendo um erro porque é tema que divide a categoria e não contribui pra luta) . Como eu disse no comentário anterior, isso não se diferencia do uso que a esquerda tradicional faz dos movimentos sociais quando tentam atrelá-los a pautas políticas que não vem do movimento.

Só o que já tem nas redes, se algum grupo de esquerda quiser queimar o movimento com o resto da esquerda, já tem material suficiente para montar uma narrativa bem convincente em cima de postagens e tal. Isso é vacilo enorme. Em política (em sentido amplo) não se sobrevive assim. Ainda mais nesses tempos em que estamos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alan,</p>
<p>A gente sabe que as lutas dos trabalhadores estão passando ao largo da preocupação da esquerda. Não só essa. Por isso, como eu disse, o texto é muito bom e a crítica dele também.<br />
Porém, como eu disse, ao mesmo tempo cabe autocrítica. E aí a questão é que militante não pode colocar culpa nos outros ou numa categoria por não se mobilizar, como aliás fazem alguns dirigentes sindicais. Quem milita tem sempre que se perguntar o que está fazendo de errado pra não estar conseguindo mobilizar. Nesse sentido não faz sentido jogar pra baixo do tapete os erros. É fácil a saída de que os outros é que tem que se maduros e eu vou continuar agindo da mesma forma.</p>
<p>Militante lida com a realidade. A realidade é essa: se colocar política no meio o movimento se isola. De nada serve falar em falta de maturidade dos outros. </p>
<p>Mesmo num contexto normal, movimento que cria rixas, pessoas indiferentes ou até inimigos onde poderiam haver apoiadores e simpatizantes está tirando o chão debaixo dos seus pés. Tem vida curta e não sobrevive ao primeiro ataque coordenado que vier.<br />
É uma questão de inteligência política e sobrevivência.</p>
<p>Se não se enxerga os erros que foram cometidos (esse que mencionei é apenas um), se se justifica os erros como se não fossem, eles então estão sendo normalizados.</p>
<p>E aí entra uma questão ética. Quando se trata de uma campanha que envolve apenas militantes e não uma categoria de trabalhadores, são só os militantes que se frustram mais cedo ou mais tarde. Quando envolve um movimento de trabalhadores os erros repercutem pra essas pessoas, nas suas lutas e condição de vida. É bem mais sério.</p>
<p>Outra questão, os próprios entregadores tirarem uma onda com Bolsonaro e Lula num momento de quase brincadeira entre eles&#8230; mas outros defendem Bolsonaro, outros certamente defendem Lula. Ai se escolhe aquilo que representa a visão política dos militantes para expor&#8230; (e mesmo que seja a visão política da maioria dos entregadores continua sendo um erro porque é tema que divide a categoria e não contribui pra luta) . Como eu disse no comentário anterior, isso não se diferencia do uso que a esquerda tradicional faz dos movimentos sociais quando tentam atrelá-los a pautas políticas que não vem do movimento.</p>
<p>Só o que já tem nas redes, se algum grupo de esquerda quiser queimar o movimento com o resto da esquerda, já tem material suficiente para montar uma narrativa bem convincente em cima de postagens e tal. Isso é vacilo enorme. Em política (em sentido amplo) não se sobrevive assim. Ainda mais nesses tempos em que estamos.</p>
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		<title>
		Por: Alan Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140093/#comment-783403</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alan Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Sep 2021 00:56:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Leo, apesar de todos os cuidados, o afastamento da esquerda tradicional é uma constatação, e não uma vontade subjetiva, e que não vai mudar com a retirada de materiais daquele teor. Na verdade, militantes de esquerda apaixonados pelo Lula deveriam ter amadurecimento o suficiente para separar as coisas, a greve é pelas pautas dos entregadores, o próprio fato de os entregadores &quot;tirarem onda&quot; com o Bolsonaro e o Lula me parece soar mais como uma autoafirmação da categoria enquanto entidade autônoma. Me parece, na verdade, que o fato de a esquerda não estar comprando a briga dos entregadores é que não tem nenhum &quot;antifascista&quot; de capa e O Capital na mão tirando fotos, ou não tinha nenhuma estátua por perto para incendiar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo, apesar de todos os cuidados, o afastamento da esquerda tradicional é uma constatação, e não uma vontade subjetiva, e que não vai mudar com a retirada de materiais daquele teor. Na verdade, militantes de esquerda apaixonados pelo Lula deveriam ter amadurecimento o suficiente para separar as coisas, a greve é pelas pautas dos entregadores, o próprio fato de os entregadores &#8220;tirarem onda&#8221; com o Bolsonaro e o Lula me parece soar mais como uma autoafirmação da categoria enquanto entidade autônoma. Me parece, na verdade, que o fato de a esquerda não estar comprando a briga dos entregadores é que não tem nenhum &#8220;antifascista&#8221; de capa e O Capital na mão tirando fotos, ou não tinha nenhuma estátua por perto para incendiar.</p>
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		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140093/#comment-783326</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Sep 2021 19:42:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os entregadores de São José estão pedindo ajuda financeira para manter a mobilização. Mais informações de como doar aqui:
https://twitter.com/tretanotrampo/status/1438219917166272526]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os entregadores de São José estão pedindo ajuda financeira para manter a mobilização. Mais informações de como doar aqui:<br />
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		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140093/#comment-783315</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Sep 2021 19:05:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=140093#comment-783315</guid>

					<description><![CDATA[Muito bom o texto. E a luta dos entregadores. EM SJC então nem se fale.

Porém, se a crítica à esquerda está correta, é preciso que o movimento dos entregadores e os militantes que apoiam ativamente essas lutas também tomem o cuidado de não afastar o apoio da esquerda em geral. Tomem o cuidado de não querer marcar identidade &#039;autonomista&#039;, criando um afastamento do grosso da esquerda e isolando o movimento, que seria alvo fácil de repressão e teria dificuldade de ter mais impacto se ficar isolado.

Se os entregadores conseguiram criar unidade de classe afastando as discussões e preferências político partidários, com grande sabedoria prática, associar o movimento grevista dos entregadores a nem Lula nem Bolsonaro (colocando ainda fala de um motoboy que fora do contexto de diversão entre eles é um slogan lavajatista &quot;Lula ladrão e Fora Bolsonaro&quot;) é um erro enorme e uma contradição. Um erro e contradição que isola os entregadores do capo político que estaria mais próximo para apoiá-los. Nesse sentido o texto perde força, porque isso poderia explicar uma perda de interesse no grosso da esquerda pelo movimento dos entregadores.

A ignorância histórica e prática de uma esquerda burocratizada sobre o papel no mínimo ambíguo dos sindicatos e do sistema eleitoral é um dado. É nesse terreno que o movimento dos entregadores terá que saber jogar. Deixando a política em sentido estrito de lado, focando nas questões que unem a classe e não s isolam de uma apoio amplo da sociedade, foi um acerto grande. Colocar o pé fora desse caminho é trilhar o atalho da derrota. Se a esquerda autônoma fizer como a esquerda institucional e, por seus meios próprios, colocar o movimento social como divulgador de suas próprias posições políticas, estará minando o movimento social, impedindo sua ampliação e generalização, de forma similar como a esquerda institucional tem feito há décadas.

A crítica à esquerda feita no texto é correta. Mas é preciso autocrítica também das práticas que isolam ou tendem a isolar o movimento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom o texto. E a luta dos entregadores. EM SJC então nem se fale.</p>
<p>Porém, se a crítica à esquerda está correta, é preciso que o movimento dos entregadores e os militantes que apoiam ativamente essas lutas também tomem o cuidado de não afastar o apoio da esquerda em geral. Tomem o cuidado de não querer marcar identidade &#8216;autonomista&#8217;, criando um afastamento do grosso da esquerda e isolando o movimento, que seria alvo fácil de repressão e teria dificuldade de ter mais impacto se ficar isolado.</p>
<p>Se os entregadores conseguiram criar unidade de classe afastando as discussões e preferências político partidários, com grande sabedoria prática, associar o movimento grevista dos entregadores a nem Lula nem Bolsonaro (colocando ainda fala de um motoboy que fora do contexto de diversão entre eles é um slogan lavajatista &#8220;Lula ladrão e Fora Bolsonaro&#8221;) é um erro enorme e uma contradição. Um erro e contradição que isola os entregadores do capo político que estaria mais próximo para apoiá-los. Nesse sentido o texto perde força, porque isso poderia explicar uma perda de interesse no grosso da esquerda pelo movimento dos entregadores.</p>
<p>A ignorância histórica e prática de uma esquerda burocratizada sobre o papel no mínimo ambíguo dos sindicatos e do sistema eleitoral é um dado. É nesse terreno que o movimento dos entregadores terá que saber jogar. Deixando a política em sentido estrito de lado, focando nas questões que unem a classe e não s isolam de uma apoio amplo da sociedade, foi um acerto grande. Colocar o pé fora desse caminho é trilhar o atalho da derrota. Se a esquerda autônoma fizer como a esquerda institucional e, por seus meios próprios, colocar o movimento social como divulgador de suas próprias posições políticas, estará minando o movimento social, impedindo sua ampliação e generalização, de forma similar como a esquerda institucional tem feito há décadas.</p>
<p>A crítica à esquerda feita no texto é correta. Mas é preciso autocrítica também das práticas que isolam ou tendem a isolar o movimento.</p>
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