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	Comentários sobre: Quando o silêncio soa mais alto: comentários sobre o #brequedosapps	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Legume		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140272/#comment-789318</link>

		<dc:creator><![CDATA[Legume]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Sep 2021 20:59:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alguns pontos que foram colocados no texto e nos comentários me parecem relevantes.

O primeiro é sobre a capacidade de mobilização ou articulação da esquerda. Como já foi debatido nesse site o primeiro problema dessa discussão é que o termo esquerda passou a denominar um conjunto de práticas, ou posicionamentos, que são entre si muito díspares, e que pouco tem ligação com o que historicamente significou ser de esquerda. Dessa forma a associação entre esquerda e lutas dos trabalhadores passou a não estar necessariamente relacionada. Isso teve como grande marco no Brasil  as mobilizações de 2013 que geraram uma reação simplesmente demofóbica de uma certa esquerda institucional. Nesse sentido a esquerda de fato pode aparecer como apenas uma identidade, não relacionada a uma prática concreta.
O segundo ponto, é uma certa rejeição dessa identidade por frações da classe trabalhadora que se põe em luta. Por se associar a esquerda com partidos que aplicaram políticas capitalistas, ou mesmo políticas anti-opressão que não responderam – por um motivo ou outro – as demandas daqueles trabalhadores; se rejeita qualquer proximidade com os símbolos de esquerda. Esse caminho abre espaço de fato para a aproximação de grupos de direita, organizados ou não, se aproximarem dessa mobilização. Caberia a nós, evitar que a extrema-direita ganhe a disputa pela mobilização dos trabalhadores. Entretanto, os caminhos para isso não são nem um pouco claros, sendo fundamental não ignorar o problema sob o risco de cometer o erro do partido comunista alemão em 1932 que organizou seus piquetes na greve dos transportes em conjunto com os nazistas com o pretexto de enfrentar os sociais-democratas.
O terceiro ponto é sobre sectarismo. Me parece que as falas contrarias a políticos como Lula, ou as declarações reiteradas de motoboys dizendo que são contra qualquer politicagem, são uma afirmação de identidade constante. Existe aí um aspecto duplo, por um lado pode ser considerável saudável a sua rejeição aos gestores, por outro pode se considerar um reforço da política de “motoboys pelos motoboys”, que tem como resultado o isolamento de uma categoria perante o restante da classe. O trabalho político é então o de articulação dessa desconfiança salutar em relação aos gestores, com uma construção solidária de meios de apoio de outros trabalhadores.
O quarto ponto é sobre a crítica à esquerda. Tenho a impressão que o distanciamento da esquerda em relação às lutas que os trabalhadores tem feito me parece clara. Ao mesmo tempo parte da esquerda sente-se culpada desse distanciamento. No caso concreto da luta de São José dos Campos, as críticas ao silêncio da esquerda parecem ter tido um bom efeito. Após as críticas iniciais alguns sindicatos de mobilizaram para declarar apoio, outros grupos de esquerda escreveram textos em seus sites, e algumas figuras de grande destaque midiático divulgaram a vaquinha que foi feita em apoio aos trabalhadores. Não me parece que foi produzido um isolamento maior a partir das discussões. Penso que inclusive serviu para que os próprios apoiadores pensassem em estratégias para romper esse isolamento. 

Parece-me formativo que os entregadores percebam que as ações de solidariedade concreta virão mais dos grupos associados à esquerda, do que dos associados à direita, mas para isso precisamos trabalhar para que essa solidariedade aconteça de fato.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns pontos que foram colocados no texto e nos comentários me parecem relevantes.</p>
<p>O primeiro é sobre a capacidade de mobilização ou articulação da esquerda. Como já foi debatido nesse site o primeiro problema dessa discussão é que o termo esquerda passou a denominar um conjunto de práticas, ou posicionamentos, que são entre si muito díspares, e que pouco tem ligação com o que historicamente significou ser de esquerda. Dessa forma a associação entre esquerda e lutas dos trabalhadores passou a não estar necessariamente relacionada. Isso teve como grande marco no Brasil  as mobilizações de 2013 que geraram uma reação simplesmente demofóbica de uma certa esquerda institucional. Nesse sentido a esquerda de fato pode aparecer como apenas uma identidade, não relacionada a uma prática concreta.<br />
O segundo ponto, é uma certa rejeição dessa identidade por frações da classe trabalhadora que se põe em luta. Por se associar a esquerda com partidos que aplicaram políticas capitalistas, ou mesmo políticas anti-opressão que não responderam – por um motivo ou outro – as demandas daqueles trabalhadores; se rejeita qualquer proximidade com os símbolos de esquerda. Esse caminho abre espaço de fato para a aproximação de grupos de direita, organizados ou não, se aproximarem dessa mobilização. Caberia a nós, evitar que a extrema-direita ganhe a disputa pela mobilização dos trabalhadores. Entretanto, os caminhos para isso não são nem um pouco claros, sendo fundamental não ignorar o problema sob o risco de cometer o erro do partido comunista alemão em 1932 que organizou seus piquetes na greve dos transportes em conjunto com os nazistas com o pretexto de enfrentar os sociais-democratas.<br />
O terceiro ponto é sobre sectarismo. Me parece que as falas contrarias a políticos como Lula, ou as declarações reiteradas de motoboys dizendo que são contra qualquer politicagem, são uma afirmação de identidade constante. Existe aí um aspecto duplo, por um lado pode ser considerável saudável a sua rejeição aos gestores, por outro pode se considerar um reforço da política de “motoboys pelos motoboys”, que tem como resultado o isolamento de uma categoria perante o restante da classe. O trabalho político é então o de articulação dessa desconfiança salutar em relação aos gestores, com uma construção solidária de meios de apoio de outros trabalhadores.<br />
O quarto ponto é sobre a crítica à esquerda. Tenho a impressão que o distanciamento da esquerda em relação às lutas que os trabalhadores tem feito me parece clara. Ao mesmo tempo parte da esquerda sente-se culpada desse distanciamento. No caso concreto da luta de São José dos Campos, as críticas ao silêncio da esquerda parecem ter tido um bom efeito. Após as críticas iniciais alguns sindicatos de mobilizaram para declarar apoio, outros grupos de esquerda escreveram textos em seus sites, e algumas figuras de grande destaque midiático divulgaram a vaquinha que foi feita em apoio aos trabalhadores. Não me parece que foi produzido um isolamento maior a partir das discussões. Penso que inclusive serviu para que os próprios apoiadores pensassem em estratégias para romper esse isolamento. </p>
<p>Parece-me formativo que os entregadores percebam que as ações de solidariedade concreta virão mais dos grupos associados à esquerda, do que dos associados à direita, mas para isso precisamos trabalhar para que essa solidariedade aconteça de fato.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Exílio Mondrian		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140272/#comment-788640</link>

		<dc:creator><![CDATA[Exílio Mondrian]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 12:14:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O intuito, evidentemente, é despertar um debate fundamental para esse momento. 

Achei muito interessante as argumentações do Rodrigo e do Léo, além do texto publicado.

A partir disso, como dúvida mesmo ou para a continuidade da discussão, achei extremamente intrigante essa ideia que o Passa Palavra - pelo modo como encaminha seus posicionamentos críticos - pode ser considerado um &quot;grupo com posições identitárias&quot; em relação à esquerda. Não defende gênero ou posições sobre o tema étnico, mas argumenta por uma esquerda que é contra outra que burocratiza/atrapalha a verdadeira questão da luta social.

Não concordo com essa apreciação em relação ao Passa Palavra, mas gostaria de ouvir os demais sobre isso.

Muito obrigado pelo texto e debate.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O intuito, evidentemente, é despertar um debate fundamental para esse momento. </p>
<p>Achei muito interessante as argumentações do Rodrigo e do Léo, além do texto publicado.</p>
<p>A partir disso, como dúvida mesmo ou para a continuidade da discussão, achei extremamente intrigante essa ideia que o Passa Palavra &#8211; pelo modo como encaminha seus posicionamentos críticos &#8211; pode ser considerado um &#8220;grupo com posições identitárias&#8221; em relação à esquerda. Não defende gênero ou posições sobre o tema étnico, mas argumenta por uma esquerda que é contra outra que burocratiza/atrapalha a verdadeira questão da luta social.</p>
<p>Não concordo com essa apreciação em relação ao Passa Palavra, mas gostaria de ouvir os demais sobre isso.</p>
<p>Muito obrigado pelo texto e debate.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140272/#comment-787971</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Sep 2021 01:27:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=140272#comment-787971</guid>

					<description><![CDATA[Por acaso a esquerda tem mostrado força, apoio e solidariedade a qualquer luta que seja?

Ela não consegue nem desenvolver lutas minimamente efetivas quando suas organizações estão sob ataque.

A luta dos trabalhadores da Casa da Moeda, que realizaram uma greve selvagem de ocupação, por acaso teve repercussão condizente? Que apoio receberam?

E o problema é internacional. E a solidariedade internacional aos revolucionários em Rojava? Impressiona como a esquerda mundial e brasileira esteve ausente, como se nada acontecesse de importante e fundamental por lá.

Por isso, sinceramente, ficar batendo na tecla de que a greve dos entregadores de São José dos Campos, que pegou a todos de surpresa, não teve apoio da esquerda, me parece lamento de quem acha que as coisas caem do céu.

O momento de desorganização, recuo e baixo moral da esquerda é um dado da realidade. Quem tá militando tem que saber disso e não ficar no chororô querendo que os outros apoiem mais efetivamente. A cobrança chega num nível, como num texto do Passa Palavra sobre o assunto, que tem como efeito obviamente não atrair a esquerda, mas afastá-la ainda mais. Ou alguém gosta de ser cobrado dessa forma, como se fosse obrigado?

O que impressiona mais ainda é que parece que o objetivo é ter o prazer de falar mal da &#039;esquerda&#039;, ou da &#039;esquerda&#039; que &#039;não sou eu&#039;.

Além disso, quem colocou entregadores falando que não gostam de Lula nem Bolsonaro, ou melhor, quem selecionou isso, criando a imagem de que essa é uma posição política do movimento, não foram os entregadores. Evidente que tal tipo de &quot;escolha&quot; afasta o grosso da esquerda. (escolha entre aspas para não usar a expressão que se usaria normalmente: manipulação ou aparelhamento, por que é o que foi, mostrando uma burocracia em formação ou formada). 
A faixa Motoboys Unidos Sem Sindicato tampouco era dos entregadores de São José dos Campos, e é difícil saber até que ponto eles se identificam com o slogan (aqui em Florianópolis essa faixa seria bem problemática e dividiria os entregadores porque a experiência vivida deles é diferente dos motoboys de São Paulo). Num enquadramento em que a faixa aparece em primeiro plano tomando toda a imagem, com os motoboys quase não aparecendo, não é difícil interpretá-la como posição política antissindical, com todo o efeito que isso pode ter diante do grosso da esquerda, que vê uma relação direta entre sindicato e esquerda. E novamente, tal foto não foi escolhida pelos motoboys de SJC para ser quase um cartão postal do movimento.

Sendo assim, alguém de fora pode muito bem chegar à conclusão que houve um esforço deliberado para isolar o movimento do apoio da esquerda. 

Nem quando se faz a lição de casa bem feita faz sentido ficar no chororô de falta de apoio. Tem é que se trabalhar mais e melhor para o apoio vir.

Outra coisa: ainda mais com o fascismo nas ruas, mobilizando caminhoneiros, é claro que as pessoas e organizações estarão mais reticentes em prestar apoio sem saber de onde o movimento vem, qual o sentido, quem &#039;dirige&#039; etc. Sempre que não temos proximidade com um movimento, os símbolos que vemos são sim importantes para formarmos uma ideia e um sentido de afinidade ou não. Na hora que símbolos que só trazem identificação a grupúsculos de extrema-esquerda ou à direita (como MBL e Vem pra Rua) são usados e ostentados por quem controla a representação simbólica do movimentos dos entregadores, o que se deve esperar, por lógica, é um afastamento maior da esquerda e não uma aproximação.

Se o interesse é escrever textos falando mal da esquerda, o caminho está correto. Gerar afastamento para depois falar mal.

Se o interesse é criar movimento de massa, o caminho está obviamente errado. Para criar movimento de massa com amplo apoio o movimento deve ser capaz se de tornar um objeto (ou um sujeito) em que a esquerda como um todo assim como os trabalhadores e o povo em geral, consigam projetar nele uma extensão dos seus desejos e impulsos represados. O movimento deve encontrar o que é comum a todos, e não o que é diferente, e atrair por contágio, por afetos positivos. A luta justa por dignidade no trabalho, por salário, é isso que tem potencial de contagiar e trazer apoio.

A escolha é entre luta de classes na perspectiva de movimento de massa ou de movimento identitário, centrado e encerrado num gueto cujo prazer parece ser retirado de no final das contas poder falar mal da &#039;esquerda que não sou eu&#039;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por acaso a esquerda tem mostrado força, apoio e solidariedade a qualquer luta que seja?</p>
<p>Ela não consegue nem desenvolver lutas minimamente efetivas quando suas organizações estão sob ataque.</p>
<p>A luta dos trabalhadores da Casa da Moeda, que realizaram uma greve selvagem de ocupação, por acaso teve repercussão condizente? Que apoio receberam?</p>
<p>E o problema é internacional. E a solidariedade internacional aos revolucionários em Rojava? Impressiona como a esquerda mundial e brasileira esteve ausente, como se nada acontecesse de importante e fundamental por lá.</p>
<p>Por isso, sinceramente, ficar batendo na tecla de que a greve dos entregadores de São José dos Campos, que pegou a todos de surpresa, não teve apoio da esquerda, me parece lamento de quem acha que as coisas caem do céu.</p>
<p>O momento de desorganização, recuo e baixo moral da esquerda é um dado da realidade. Quem tá militando tem que saber disso e não ficar no chororô querendo que os outros apoiem mais efetivamente. A cobrança chega num nível, como num texto do Passa Palavra sobre o assunto, que tem como efeito obviamente não atrair a esquerda, mas afastá-la ainda mais. Ou alguém gosta de ser cobrado dessa forma, como se fosse obrigado?</p>
<p>O que impressiona mais ainda é que parece que o objetivo é ter o prazer de falar mal da &#8216;esquerda&#8217;, ou da &#8216;esquerda&#8217; que &#8216;não sou eu&#8217;.</p>
<p>Além disso, quem colocou entregadores falando que não gostam de Lula nem Bolsonaro, ou melhor, quem selecionou isso, criando a imagem de que essa é uma posição política do movimento, não foram os entregadores. Evidente que tal tipo de &#8220;escolha&#8221; afasta o grosso da esquerda. (escolha entre aspas para não usar a expressão que se usaria normalmente: manipulação ou aparelhamento, por que é o que foi, mostrando uma burocracia em formação ou formada).<br />
A faixa Motoboys Unidos Sem Sindicato tampouco era dos entregadores de São José dos Campos, e é difícil saber até que ponto eles se identificam com o slogan (aqui em Florianópolis essa faixa seria bem problemática e dividiria os entregadores porque a experiência vivida deles é diferente dos motoboys de São Paulo). Num enquadramento em que a faixa aparece em primeiro plano tomando toda a imagem, com os motoboys quase não aparecendo, não é difícil interpretá-la como posição política antissindical, com todo o efeito que isso pode ter diante do grosso da esquerda, que vê uma relação direta entre sindicato e esquerda. E novamente, tal foto não foi escolhida pelos motoboys de SJC para ser quase um cartão postal do movimento.</p>
<p>Sendo assim, alguém de fora pode muito bem chegar à conclusão que houve um esforço deliberado para isolar o movimento do apoio da esquerda. </p>
<p>Nem quando se faz a lição de casa bem feita faz sentido ficar no chororô de falta de apoio. Tem é que se trabalhar mais e melhor para o apoio vir.</p>
<p>Outra coisa: ainda mais com o fascismo nas ruas, mobilizando caminhoneiros, é claro que as pessoas e organizações estarão mais reticentes em prestar apoio sem saber de onde o movimento vem, qual o sentido, quem &#8216;dirige&#8217; etc. Sempre que não temos proximidade com um movimento, os símbolos que vemos são sim importantes para formarmos uma ideia e um sentido de afinidade ou não. Na hora que símbolos que só trazem identificação a grupúsculos de extrema-esquerda ou à direita (como MBL e Vem pra Rua) são usados e ostentados por quem controla a representação simbólica do movimentos dos entregadores, o que se deve esperar, por lógica, é um afastamento maior da esquerda e não uma aproximação.</p>
<p>Se o interesse é escrever textos falando mal da esquerda, o caminho está correto. Gerar afastamento para depois falar mal.</p>
<p>Se o interesse é criar movimento de massa, o caminho está obviamente errado. Para criar movimento de massa com amplo apoio o movimento deve ser capaz se de tornar um objeto (ou um sujeito) em que a esquerda como um todo assim como os trabalhadores e o povo em geral, consigam projetar nele uma extensão dos seus desejos e impulsos represados. O movimento deve encontrar o que é comum a todos, e não o que é diferente, e atrair por contágio, por afetos positivos. A luta justa por dignidade no trabalho, por salário, é isso que tem potencial de contagiar e trazer apoio.</p>
<p>A escolha é entre luta de classes na perspectiva de movimento de massa ou de movimento identitário, centrado e encerrado num gueto cujo prazer parece ser retirado de no final das contas poder falar mal da &#8216;esquerda que não sou eu&#8217;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo O. Fonseca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140272/#comment-786896</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Sep 2021 17:01:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=140272#comment-786896</guid>

					<description><![CDATA[Muito boa reflexão, Thiago. Vou tentar somar.

Uma abordagem materialista desse problema que é apresentado em mais de uma passagem do texto - e bem sintetizado em  &quot;não consegue compreender ações radicais, somente atores radicais&quot; - é também aquela proposta pela Análise do Discurso que entende que (no campo das práticas discursivas) sujeito e sentido se constituem conjuntamente. Não tem sujeito fora de uma prática, não tem sujeito que não seja sujeito de uma prática, e não tem prática de sujeito que não tenha sentido atribuído. Se o sentido for outro, o sujeito também já é outro - por isso mesmo que historicamente diferentes lideranças vão ocupando e desocupando esse lugar do sujeito radical, o sujeito da esquerda radical, e diferentes práticas vão assumindo esse sentido de ação radical. O que as Ligas Camponesas representaram no pós-Estado Novo, depois foi representado pelas novas Ligas Camponesas no pré-golpe de 1964, depois foi representado pelo MST no pós-ditadura militar e pré-Era Lula, depois foi representado pelos sem-teto e agora parece haver uma possibilidade de ocupação pelos entregadores. É a nossa esquerda da luta direta, da ação enraizada na e feita do interior da classe trabalhadora mais pauperizada. Em todos esses ascensos a incorporação das práticas e dos sujeitos radicais não foi imediata pela esquerda que ocupa as margens (às vezes, mas mais raramente, o centro) do aparelho de gestão de Estado.

Algumas ações parece que só adquirem &quot;substância&quot; (um sentido preciso, ao qual nos filiamos e reproduzimos) quando chanceladas por algumas figuras nas quais se deposita confiança, mas isso talvez diga mais de um sistema político-partidário (em sentido amplo, que inclui a imprensa, por exemplo) reduzido a lideranças, do que uma incapacidade incomum das pessoas de se posicionarem no dia-a-dia. Lembro de colegas, em tom de piada, dizerem que estavam aguardando a próxima reunião da célula do partido para saberem o que pensavam sobre tal ou tal assunto. Penso que é até salutar não se posicionar politicamente antes de uma &quot;ruminação interior&quot;, posto que quanto mais imediato, sem mediações, se dá esse posicionamento, mais automático, viciado e irrefletido ele tende a ser. 

Então, sim, provavelmente tem um personalismo mais grosseiro na política dos dias atuais, as redes devem ter inflado isso que já era forte, mas eu não colocaria o problema central nos termos de &quot;não consegue[m] compreender ações radicais, somente atores radicais&quot;, e sim de um descolamento realmente trágico entre esquerda e classe trabalhadora.

E pode ser algo até pensado, do tipo &quot;não é o momento&quot; (para lutas radicais). No caso do MST, esse &quot;não é o momento&quot; que apareceu durante os governos do PT voltou a aparecer agora no governo Bolsonaro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito boa reflexão, Thiago. Vou tentar somar.</p>
<p>Uma abordagem materialista desse problema que é apresentado em mais de uma passagem do texto &#8211; e bem sintetizado em  &#8220;não consegue compreender ações radicais, somente atores radicais&#8221; &#8211; é também aquela proposta pela Análise do Discurso que entende que (no campo das práticas discursivas) sujeito e sentido se constituem conjuntamente. Não tem sujeito fora de uma prática, não tem sujeito que não seja sujeito de uma prática, e não tem prática de sujeito que não tenha sentido atribuído. Se o sentido for outro, o sujeito também já é outro &#8211; por isso mesmo que historicamente diferentes lideranças vão ocupando e desocupando esse lugar do sujeito radical, o sujeito da esquerda radical, e diferentes práticas vão assumindo esse sentido de ação radical. O que as Ligas Camponesas representaram no pós-Estado Novo, depois foi representado pelas novas Ligas Camponesas no pré-golpe de 1964, depois foi representado pelo MST no pós-ditadura militar e pré-Era Lula, depois foi representado pelos sem-teto e agora parece haver uma possibilidade de ocupação pelos entregadores. É a nossa esquerda da luta direta, da ação enraizada na e feita do interior da classe trabalhadora mais pauperizada. Em todos esses ascensos a incorporação das práticas e dos sujeitos radicais não foi imediata pela esquerda que ocupa as margens (às vezes, mas mais raramente, o centro) do aparelho de gestão de Estado.</p>
<p>Algumas ações parece que só adquirem &#8220;substância&#8221; (um sentido preciso, ao qual nos filiamos e reproduzimos) quando chanceladas por algumas figuras nas quais se deposita confiança, mas isso talvez diga mais de um sistema político-partidário (em sentido amplo, que inclui a imprensa, por exemplo) reduzido a lideranças, do que uma incapacidade incomum das pessoas de se posicionarem no dia-a-dia. Lembro de colegas, em tom de piada, dizerem que estavam aguardando a próxima reunião da célula do partido para saberem o que pensavam sobre tal ou tal assunto. Penso que é até salutar não se posicionar politicamente antes de uma &#8220;ruminação interior&#8221;, posto que quanto mais imediato, sem mediações, se dá esse posicionamento, mais automático, viciado e irrefletido ele tende a ser. </p>
<p>Então, sim, provavelmente tem um personalismo mais grosseiro na política dos dias atuais, as redes devem ter inflado isso que já era forte, mas eu não colocaria o problema central nos termos de &#8220;não consegue[m] compreender ações radicais, somente atores radicais&#8221;, e sim de um descolamento realmente trágico entre esquerda e classe trabalhadora.</p>
<p>E pode ser algo até pensado, do tipo &#8220;não é o momento&#8221; (para lutas radicais). No caso do MST, esse &#8220;não é o momento&#8221; que apareceu durante os governos do PT voltou a aparecer agora no governo Bolsonaro.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/09/140272/#comment-786764</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Sep 2021 11:14:19 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=140272#comment-786764</guid>

					<description><![CDATA[Por que a Esquerda eleitoral-institucional teria algo a dizer sobre lutas autônomas, além de um eloquente silêncio? 

E se algo dissesse, o que poderia ser? Certamente iria querer pautar e capturar as lutas, para delas extirpar sua característica de maior potência: a autonomia. 

A Esquerda eleitoral-institucional é um cadáver putrefato desde Junho de 2013. Deixemos os mortos deixarem seus mortos insepultos.

De Maio a Junho, por exatos 2 meses, no Campo de Refugiados 1º de Maio, em Itaguaí (RJ), se deu uma rica experiência: um Quilombo contemporâneo erguido pelo Movimento do Povo. 

Ali se desenvolveu o embrião de outro tipo de relações sociais, para em tempos de pandemia e ultra-liberalismo caminhar coletivamente em direcão à autonomia: alimentar, hídrica, habitacional e cultural.

O que a Esquerda teve a falar e solidarizar?

Não há de se lamentar, até mesmo porque ninguém ouviria nossas lamúrias. Cabe apenas: divulgar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas e se empenhar para que se articulem em redes.

A partir de 27/09, segunda feira, o Movimento do Povo mais uma vez se põe em marcha, saindo da Zona Oeste em direção à Prefeitura do Rio de Janeiro, com previsão de concluir o percurso em 4 dias.

Sobre o Campo de Refugiados 1º de Maio:
https://www.youtube.com/watch?v=-pOzwu5hQhE
https://www.youtube.com/watch?v=tLRmD-U7gtM]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por que a Esquerda eleitoral-institucional teria algo a dizer sobre lutas autônomas, além de um eloquente silêncio? </p>
<p>E se algo dissesse, o que poderia ser? Certamente iria querer pautar e capturar as lutas, para delas extirpar sua característica de maior potência: a autonomia. </p>
<p>A Esquerda eleitoral-institucional é um cadáver putrefato desde Junho de 2013. Deixemos os mortos deixarem seus mortos insepultos.</p>
<p>De Maio a Junho, por exatos 2 meses, no Campo de Refugiados 1º de Maio, em Itaguaí (RJ), se deu uma rica experiência: um Quilombo contemporâneo erguido pelo Movimento do Povo. </p>
<p>Ali se desenvolveu o embrião de outro tipo de relações sociais, para em tempos de pandemia e ultra-liberalismo caminhar coletivamente em direcão à autonomia: alimentar, hídrica, habitacional e cultural.</p>
<p>O que a Esquerda teve a falar e solidarizar?</p>
<p>Não há de se lamentar, até mesmo porque ninguém ouviria nossas lamúrias. Cabe apenas: divulgar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas e se empenhar para que se articulem em redes.</p>
<p>A partir de 27/09, segunda feira, o Movimento do Povo mais uma vez se põe em marcha, saindo da Zona Oeste em direção à Prefeitura do Rio de Janeiro, com previsão de concluir o percurso em 4 dias.</p>
<p>Sobre o Campo de Refugiados 1º de Maio:<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=-pOzwu5hQhE" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=-pOzwu5hQhE</a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=tLRmD-U7gtM" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=tLRmD-U7gtM</a></p>
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