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	Comentários sobre: Por que estamos exaustos?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jan 2022 03:52:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A respeito de algumas questões que tangenciam este artigo, Cory Doctorow acabou de escrever um interessante texto sobre o ludismo. Seu argumento principal: a revolta ludista não era contra as máquinas, mas contra a finalidade para que haviam sido construídas. Os tecelãos eram trabalhadores com certa qualificação técnica. A &lt;em&gt;mule jenny&lt;/em&gt; e teares mecânicos semelhantes poderiam servir para reduzir o trabalho dos tecelãos e dar-lhes mais tempo liver; serviram, pelo contrário, para rebaixar seus salários, dada a baixa qualificação técnica exigida para sua operação. Daí certa &quot;renascença&quot;, &quot;reavivamento&quot; ou &quot;revisionismo histórico&quot;, diria eu romantizada e a-histórica, do ludismo em certos meios. O artigo, para quem se interessou: https://pluralistic.net/2022/01/04/general-ludd/#loomsmashers]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A respeito de algumas questões que tangenciam este artigo, Cory Doctorow acabou de escrever um interessante texto sobre o ludismo. Seu argumento principal: a revolta ludista não era contra as máquinas, mas contra a finalidade para que haviam sido construídas. Os tecelãos eram trabalhadores com certa qualificação técnica. A <em>mule jenny</em> e teares mecânicos semelhantes poderiam servir para reduzir o trabalho dos tecelãos e dar-lhes mais tempo liver; serviram, pelo contrário, para rebaixar seus salários, dada a baixa qualificação técnica exigida para sua operação. Daí certa &#8220;renascença&#8221;, &#8220;reavivamento&#8221; ou &#8220;revisionismo histórico&#8221;, diria eu romantizada e a-histórica, do ludismo em certos meios. O artigo, para quem se interessou: <a href="https://pluralistic.net/2022/01/04/general-ludd/#loomsmashers" rel="nofollow ugc">https://pluralistic.net/2022/01/04/general-ludd/#loomsmashers</a></p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/11/141055/#comment-816900</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Nov 2021 23:18:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quando a esquerda desiste da transformação das relações de trabalho, surge a apologia do ócio. Apesar disso, a história das lutas dos trabalhadores contém - em seus pontos mais altos - momentos em que a classe trabalhadora não apenas negou as relações de trabalho no capitalismo como também buscou instituir novas relações de trabalho, enfim, criar uma nova sociedade, não de ociosos, mas de trabalhadores. E uma sociedade que não nivelasse por baixo, mas socializasse a abundância propiciada pelos sistemas de produção mais modernos e permitisse que - por meio da cooperação e da solidariedade mútua - produtores livremente associados pudessem viver numa sociedade que garantisse o livre desenvolvimento das potencialidades de cada um. Textos como esse contribuem para que a pessoa se deixe levar pela impotência e se acostume a viver na inércia, se lamentando de si mesma. A outra alternativa é tentar compreender a realidade, levantar-se e agir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a esquerda desiste da transformação das relações de trabalho, surge a apologia do ócio. Apesar disso, a história das lutas dos trabalhadores contém &#8211; em seus pontos mais altos &#8211; momentos em que a classe trabalhadora não apenas negou as relações de trabalho no capitalismo como também buscou instituir novas relações de trabalho, enfim, criar uma nova sociedade, não de ociosos, mas de trabalhadores. E uma sociedade que não nivelasse por baixo, mas socializasse a abundância propiciada pelos sistemas de produção mais modernos e permitisse que &#8211; por meio da cooperação e da solidariedade mútua &#8211; produtores livremente associados pudessem viver numa sociedade que garantisse o livre desenvolvimento das potencialidades de cada um. Textos como esse contribuem para que a pessoa se deixe levar pela impotência e se acostume a viver na inércia, se lamentando de si mesma. A outra alternativa é tentar compreender a realidade, levantar-se e agir.</p>
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		<title>
		Por: Maria de Lourdes Chaves Ferreira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/11/141055/#comment-816744</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maria de Lourdes Chaves Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Nov 2021 15:50:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apenas uma observação: onde se lê evangélico deveria ser dito calvinista, que é apenas uma das linhas teóricas do protestantismo. No mais, de acordo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apenas uma observação: onde se lê evangélico deveria ser dito calvinista, que é apenas uma das linhas teóricas do protestantismo. No mais, de acordo.</p>
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		<title>
		Por: Rodrigo Oliveira Fonseca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/11/141055/#comment-816376</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Oliveira Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 18:28:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Entendo que a produtividade &quot;em si&quot; é libertadora. 

É libertadora de forças que, através da cooperação (entre os vivos e os mortos, pela divisão do trabalho e pela tecnologia), nos fazem descobrir possibilidades inimagináveis de progresso técnico e científico.

É libertadora do tempo socialmente necessário para se produzir bens e serviços, e assim reduz o custo social de cada coisa, tornando-a mais acessível a todos ou a um número crescentemente maior de pessoas.

É libertadora de trabalhos mecânicos, repetitivos, mortificantes, que podem ser programados para a realização por máquinas.

O problema não é certamente a produtividade, mas a nossa heteronomia, a nossa incapacidade em lidar com ela. Incapacidade histórica, enquanto classe, mas também incapacidade moral, política, ética, cultural e tecnológica nos segmentos mais qualificados dos trabalhadores, que, dominados pela hegemonia capitalista e pelas &quot;facilidades&quot; das TICs, vemos muitos entrando em uma espiral insana de autoempresariamento que resulta na doença do workaholic, no orgulho de ser burro de carga, funcionário polvo e viver para trabalhar. 

Tem ainda a expansão da gamificação nos processos de extorsão do trabalho. Minando as relações de solidariedade, somos levados a disputar o tempo todo com os nossos colegas de trabalho. Motoristas com menos corridas e estrelas têm piores condições para conseguirem corridas e estrelas, professores com menos publicações e orientações têm piores condições para conseguirem publicar e orientar. 

Estamos exaustos porque estamos absorvidos por esses jogos e essas facilidades e não temos sabido ainda utilizá-las em favor da solidariedade, da autonomia e do tempo livre. 

Aliás, a hegemonia do capital é tão grande, que muitos na esquerda talvez até tenham vergonha de ter um tempo livre!

Já tivemos força e convencimento de classe para exigir 16h-dia de não trabalho! https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:8hoursday_banner_1856.jpg

A produtividade do trabalho acabou reduzindo as possibilidades de contarmos com o nosso tempo de recreação e descanso?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entendo que a produtividade &#8220;em si&#8221; é libertadora. </p>
<p>É libertadora de forças que, através da cooperação (entre os vivos e os mortos, pela divisão do trabalho e pela tecnologia), nos fazem descobrir possibilidades inimagináveis de progresso técnico e científico.</p>
<p>É libertadora do tempo socialmente necessário para se produzir bens e serviços, e assim reduz o custo social de cada coisa, tornando-a mais acessível a todos ou a um número crescentemente maior de pessoas.</p>
<p>É libertadora de trabalhos mecânicos, repetitivos, mortificantes, que podem ser programados para a realização por máquinas.</p>
<p>O problema não é certamente a produtividade, mas a nossa heteronomia, a nossa incapacidade em lidar com ela. Incapacidade histórica, enquanto classe, mas também incapacidade moral, política, ética, cultural e tecnológica nos segmentos mais qualificados dos trabalhadores, que, dominados pela hegemonia capitalista e pelas &#8220;facilidades&#8221; das TICs, vemos muitos entrando em uma espiral insana de autoempresariamento que resulta na doença do workaholic, no orgulho de ser burro de carga, funcionário polvo e viver para trabalhar. </p>
<p>Tem ainda a expansão da gamificação nos processos de extorsão do trabalho. Minando as relações de solidariedade, somos levados a disputar o tempo todo com os nossos colegas de trabalho. Motoristas com menos corridas e estrelas têm piores condições para conseguirem corridas e estrelas, professores com menos publicações e orientações têm piores condições para conseguirem publicar e orientar. </p>
<p>Estamos exaustos porque estamos absorvidos por esses jogos e essas facilidades e não temos sabido ainda utilizá-las em favor da solidariedade, da autonomia e do tempo livre. </p>
<p>Aliás, a hegemonia do capital é tão grande, que muitos na esquerda talvez até tenham vergonha de ter um tempo livre!</p>
<p>Já tivemos força e convencimento de classe para exigir 16h-dia de não trabalho! <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:8hoursday_banner_1856.jpg" rel="nofollow ugc">https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:8hoursday_banner_1856.jpg</a></p>
<p>A produtividade do trabalho acabou reduzindo as possibilidades de contarmos com o nosso tempo de recreação e descanso?</p>
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		<title>
		Por: Anônima		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/11/141055/#comment-816080</link>

		<dc:creator><![CDATA[Anônima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 02:51:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom. Um desabafo no qual me reconheço demais, e reconheço muitas das minhas e dos meus compas... Nos toca. Entre o se sentir sufocado, em silêncio, na lida e na ginga constante do malabarismo cotidiano; o onipresente ímpeto - quase sempre interditado - de gritar, rebelar-se; o flerte constante com a desesperança ou o desespero; a resignação ou a busca por novas palavras que]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom. Um desabafo no qual me reconheço demais, e reconheço muitas das minhas e dos meus compas&#8230; Nos toca. Entre o se sentir sufocado, em silêncio, na lida e na ginga constante do malabarismo cotidiano; o onipresente ímpeto &#8211; quase sempre interditado &#8211; de gritar, rebelar-se; o flerte constante com a desesperança ou o desespero; a resignação ou a busca por novas palavras que</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alan Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/11/141055/#comment-816000</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alan Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Nov 2021 19:14:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A conclusão deste artigo não faz justiça ao seu diagnóstico. Ouvir podcasts, ler romances, ler sobre história, essas e muitas atividades do lazer constituem características que o mercado de trabalho contemporâneo (leia-se toyotismo uberizado) valoriza tanto quanto ou mais do que as instruções voltadas para atividades braçais. Mas tenho minhas dúvidas se escutar podcasts de forma recreativa constitui exploração efetiva, ou que escutar podcasts enquanto lava a louça constitui uma dupla jornada. Nota-se que se assim fosse, seria uma instrução precária, porque mesmo o material auditivo requer uma atenção similar a de uma leitura, que a concentração nos pratos e panelas pode diminuir. Isso, é claro, para bons podcasts, não materiais voltados a dispensar estudo. Qual a finalidade de fazer tal distinção? A relação contraditória entre o objeto de estudo (o ócio) e a conclusão (qual o impacto deste para o período de lutas sociais) é nítido quando o autor escreve que  &quot;Estamos exaustos porque a engenharia social do ultraliberalismo evangélico está nos transformando em algoritmos cuja função é trabalhar e vigiar os outros, consumir e se alienar&quot; e conclui &quot;Não seja produtivo&quot;. Fica parecendo que a democratização do acesso ao conhecimento constitui por si só uma exploração. E que a produtividade, por si só, é nociva. Proposta sedutora para os niilistas, pouco sedutora para quem quer buscar um horizonte emancipatório. Caro Lucian, É dessa confusão entre o que é o não produtivo que você confunde o grau de instrução obtida diante do capitalismo com o baixo horizonte de ofertas de trabalho, que esbarra na tendência cada vez maior da pejotização de trabalhadores, submetidos cada vez mais à exploração do componente intelectual do trabalho, daí o papel que cumpre o neoliberalismo evangélico. Se a exaustão da qual protesta decorresse deste segundo caso, eu teria acordo contigo no diagnóstico. O ponto é que o puro absenteísmo prejudica mais aos trabalhadores do que o capitalismo, porque a imensa maioria dos trabalhadores está tomando antidepressivos, está consumindo drogas, mas nunca se viu tão engajada no trabalho. Não é à toa que todos querem ser empreendedores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A conclusão deste artigo não faz justiça ao seu diagnóstico. Ouvir podcasts, ler romances, ler sobre história, essas e muitas atividades do lazer constituem características que o mercado de trabalho contemporâneo (leia-se toyotismo uberizado) valoriza tanto quanto ou mais do que as instruções voltadas para atividades braçais. Mas tenho minhas dúvidas se escutar podcasts de forma recreativa constitui exploração efetiva, ou que escutar podcasts enquanto lava a louça constitui uma dupla jornada. Nota-se que se assim fosse, seria uma instrução precária, porque mesmo o material auditivo requer uma atenção similar a de uma leitura, que a concentração nos pratos e panelas pode diminuir. Isso, é claro, para bons podcasts, não materiais voltados a dispensar estudo. Qual a finalidade de fazer tal distinção? A relação contraditória entre o objeto de estudo (o ócio) e a conclusão (qual o impacto deste para o período de lutas sociais) é nítido quando o autor escreve que  &#8220;Estamos exaustos porque a engenharia social do ultraliberalismo evangélico está nos transformando em algoritmos cuja função é trabalhar e vigiar os outros, consumir e se alienar&#8221; e conclui &#8220;Não seja produtivo&#8221;. Fica parecendo que a democratização do acesso ao conhecimento constitui por si só uma exploração. E que a produtividade, por si só, é nociva. Proposta sedutora para os niilistas, pouco sedutora para quem quer buscar um horizonte emancipatório. Caro Lucian, É dessa confusão entre o que é o não produtivo que você confunde o grau de instrução obtida diante do capitalismo com o baixo horizonte de ofertas de trabalho, que esbarra na tendência cada vez maior da pejotização de trabalhadores, submetidos cada vez mais à exploração do componente intelectual do trabalho, daí o papel que cumpre o neoliberalismo evangélico. Se a exaustão da qual protesta decorresse deste segundo caso, eu teria acordo contigo no diagnóstico. O ponto é que o puro absenteísmo prejudica mais aos trabalhadores do que o capitalismo, porque a imensa maioria dos trabalhadores está tomando antidepressivos, está consumindo drogas, mas nunca se viu tão engajada no trabalho. Não é à toa que todos querem ser empreendedores.</p>
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