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	Comentários sobre: Peso ou leveza?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Juliana Sciammarella Calvelli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/11/141061/#comment-917376</link>

		<dc:creator><![CDATA[Juliana Sciammarella Calvelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Dec 2023 02:50:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[São muitas camadas dentro da mesma história, que mostra a vida do jeito que ela é, com tantas questões morais e éticas, além de relações completamente complexas. Confesso que desde que li esse livro, há alguns anos atrás, essas reflexões não saíram da minha mente. Penso muito nas atitudes que pra mim pode ser leve e não ter grandes consequências, mas que para outras pessoas trarão o caos. E também é interessante pensar e se questionar se viver uma vida leve é viver de verdade. Viver intensamento um amor, por exemplo, requer entrega e engajamento, mas pode trazer incertezas e sofrimento. Porém viver uma relação fria e superficial, sem entrega, não é real. Podemos escolher a leveza ou o peso, mas temos que lidar com a consequência de tudo. Essa é a vida. 

Adorei o seu ponto de vista. É sempre bom parar para refletir sobre esse livro e sobre a vida. Obrigada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São muitas camadas dentro da mesma história, que mostra a vida do jeito que ela é, com tantas questões morais e éticas, além de relações completamente complexas. Confesso que desde que li esse livro, há alguns anos atrás, essas reflexões não saíram da minha mente. Penso muito nas atitudes que pra mim pode ser leve e não ter grandes consequências, mas que para outras pessoas trarão o caos. E também é interessante pensar e se questionar se viver uma vida leve é viver de verdade. Viver intensamento um amor, por exemplo, requer entrega e engajamento, mas pode trazer incertezas e sofrimento. Porém viver uma relação fria e superficial, sem entrega, não é real. Podemos escolher a leveza ou o peso, mas temos que lidar com a consequência de tudo. Essa é a vida. </p>
<p>Adorei o seu ponto de vista. É sempre bom parar para refletir sobre esse livro e sobre a vida. Obrigada.</p>
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		<title>
		Por: Adriano		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/11/141061/#comment-817789</link>

		<dc:creator><![CDATA[Adriano]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Dec 2021 20:08:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Jan Cenek...bom texto, põe algumas boas considerações que ajudam a pensar. Mando aqui algumas considerações minhas para contrastar um pouco com um e outro ponto abordado por você, embora sem pretender dar conta de cada aspecto. São, também, considerações primárias e certamente inacabadas.

Cada releitura descortina nuances novas, como voce afirma. Mas acho que essa relação entre leveza e frivolidade a partir da Insustentável leveza do ser ainda me parece difícil. A leveza ali é um caminho duro, cortante, como você bem caracteriza no tópico II. Se a contradição pesado-leve é, no entanto, a mais misteriosa e a mais ambígua de todas as contradições”, a leveza frívola e o peso vulgar são uma e a mesmíssima coisa vistos cada um da posição antagônica exógena e radical de uma e outra perspectiva. Há uma totipotência aí que pertence à frivolidade, não à leveza ou ao peso, rsr. Daí a leitura possível de Lipovetsky de que estamos na “civilização da leveza”. Mas tentemos pensar a frivolidade a partir de uma radicalidade endógena da leveza e será difícil se esta é o desligamento de qualquer sentido para a vida, baixo ou elevado, posto o sinal de igual entre os dois. A mesma dificuldade não me parece tão difícil de ver, no entanto, quando se pensa a frivolidade a partir de uma radicalidade endógena do peso, já que o sentido para a vida é pleno e possível de uma forma ou de outra. Uma coisa, então, é pensar a frivolidade a partir da radicalidade interior da leveza, outra é pensá-la a partir da radicalidade interior do peso.

Concordo que &quot;também na arte pesado e leve não podem ser separados&quot;, que, &quot;ainda que predominem provisoriamente ideais estéticos relacionados ao que é leve ou pesado, uns não podem ser totalmente separados dos outros&quot;. Mas aqui o advérbio &quot;totalmente&quot; é tudo. Esse modo da relação arte - artista, a inseparabilidade, é apenas um dos modos, não todos. De forma contrária, se toda separação fosse impossível, uma hipostasia da propriedade peculiar à toda obra de arte, seu fenômeno, nos seria inevitável, a ponto de não nos deixar ver que, embora a obra de arte enquanto tal e o trabalho do artista sejam inseparáveis, tampouco são a mesma coisa. Distinção que você próprio percebe ao falar da leveza na arte e do pesado no artista. Estava revisitando alguns escritos sobre Kundera e me deparei com uma reflexão de Ítalo Calvino que dá a medida e o traço dessa diferença no romance do próprio bardo tcheco enquanto obra de arte que preserva qualidades - a &quot;vivacidade e a mobilidade da inteligência&quot; - que &quot;escapam da condenação&quot; da vida enquanto ofício, peso, mas também dessa desambiguação que desloca - segundo minha observação - a frivolidade para o polo pesado da contradição:

&quot;Muito dificilmente um romancista poderá representar sua idéia da leveza ilustrando-a com exemplos tirados da vida contemporânea, sem condená-la a ser o objeto inalcançável de uma busca sem fim. Foi o que fez Milan Kundera, de maneira luminosa e direta. Seu romance A insustentável leveza do ser é, na realidade, uma constatação amarga do Inelutável Peso do Viver: não só da condição de opressão desesperada e &#039;all-pervading&#039; que tocou por destino ao seu desditoso país, mas de uma condição humana comum também a nós, embora infinitamente mais afortunados. O peso da vida, para Kundera, está em toda forma de opressão; a intrincada rede de constrições públicas e privadas acaba por aprisionar cada existência em suas malhas cada vez mais cerradas. O romance nos mostra como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável. Apenas, talvez, a vivacidade e a mobilidade da inteligência escapam à condenação — as qualidades de que se compõe o romance e que pertencem a um universo que não é mais aquele do viver (1)&quot; 

Se a leveza é tematizada enquanto aspecto inalcançável - insustentável - da vida, a arte imita esse divórcio, inclusive no romance de Kundera - que lá mesmo escreveu que seus personagens são suas próprias possibilidades que não foram realizadas. Mas isso destoa da perspectiva de Lipovetsky e da &quot;civilização da leveza&quot;. Porque não deixa de me parecer estranha essa caracterização em relação ao espírito geral da leveza em Kundera.

1 - Calvino, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. Cia. das Letras, 1990, 1° ed., p. 19.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Jan Cenek&#8230;bom texto, põe algumas boas considerações que ajudam a pensar. Mando aqui algumas considerações minhas para contrastar um pouco com um e outro ponto abordado por você, embora sem pretender dar conta de cada aspecto. São, também, considerações primárias e certamente inacabadas.</p>
<p>Cada releitura descortina nuances novas, como voce afirma. Mas acho que essa relação entre leveza e frivolidade a partir da Insustentável leveza do ser ainda me parece difícil. A leveza ali é um caminho duro, cortante, como você bem caracteriza no tópico II. Se a contradição pesado-leve é, no entanto, a mais misteriosa e a mais ambígua de todas as contradições”, a leveza frívola e o peso vulgar são uma e a mesmíssima coisa vistos cada um da posição antagônica exógena e radical de uma e outra perspectiva. Há uma totipotência aí que pertence à frivolidade, não à leveza ou ao peso, rsr. Daí a leitura possível de Lipovetsky de que estamos na “civilização da leveza”. Mas tentemos pensar a frivolidade a partir de uma radicalidade endógena da leveza e será difícil se esta é o desligamento de qualquer sentido para a vida, baixo ou elevado, posto o sinal de igual entre os dois. A mesma dificuldade não me parece tão difícil de ver, no entanto, quando se pensa a frivolidade a partir de uma radicalidade endógena do peso, já que o sentido para a vida é pleno e possível de uma forma ou de outra. Uma coisa, então, é pensar a frivolidade a partir da radicalidade interior da leveza, outra é pensá-la a partir da radicalidade interior do peso.</p>
<p>Concordo que &#8220;também na arte pesado e leve não podem ser separados&#8221;, que, &#8220;ainda que predominem provisoriamente ideais estéticos relacionados ao que é leve ou pesado, uns não podem ser totalmente separados dos outros&#8221;. Mas aqui o advérbio &#8220;totalmente&#8221; é tudo. Esse modo da relação arte &#8211; artista, a inseparabilidade, é apenas um dos modos, não todos. De forma contrária, se toda separação fosse impossível, uma hipostasia da propriedade peculiar à toda obra de arte, seu fenômeno, nos seria inevitável, a ponto de não nos deixar ver que, embora a obra de arte enquanto tal e o trabalho do artista sejam inseparáveis, tampouco são a mesma coisa. Distinção que você próprio percebe ao falar da leveza na arte e do pesado no artista. Estava revisitando alguns escritos sobre Kundera e me deparei com uma reflexão de Ítalo Calvino que dá a medida e o traço dessa diferença no romance do próprio bardo tcheco enquanto obra de arte que preserva qualidades &#8211; a &#8220;vivacidade e a mobilidade da inteligência&#8221; &#8211; que &#8220;escapam da condenação&#8221; da vida enquanto ofício, peso, mas também dessa desambiguação que desloca &#8211; segundo minha observação &#8211; a frivolidade para o polo pesado da contradição:</p>
<p>&#8220;Muito dificilmente um romancista poderá representar sua idéia da leveza ilustrando-a com exemplos tirados da vida contemporânea, sem condená-la a ser o objeto inalcançável de uma busca sem fim. Foi o que fez Milan Kundera, de maneira luminosa e direta. Seu romance A insustentável leveza do ser é, na realidade, uma constatação amarga do Inelutável Peso do Viver: não só da condição de opressão desesperada e &#8216;all-pervading&#8217; que tocou por destino ao seu desditoso país, mas de uma condição humana comum também a nós, embora infinitamente mais afortunados. O peso da vida, para Kundera, está em toda forma de opressão; a intrincada rede de constrições públicas e privadas acaba por aprisionar cada existência em suas malhas cada vez mais cerradas. O romance nos mostra como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável. Apenas, talvez, a vivacidade e a mobilidade da inteligência escapam à condenação — as qualidades de que se compõe o romance e que pertencem a um universo que não é mais aquele do viver (1)&#8221; </p>
<p>Se a leveza é tematizada enquanto aspecto inalcançável &#8211; insustentável &#8211; da vida, a arte imita esse divórcio, inclusive no romance de Kundera &#8211; que lá mesmo escreveu que seus personagens são suas próprias possibilidades que não foram realizadas. Mas isso destoa da perspectiva de Lipovetsky e da &#8220;civilização da leveza&#8221;. Porque não deixa de me parecer estranha essa caracterização em relação ao espírito geral da leveza em Kundera.</p>
<p>1 &#8211; Calvino, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. Cia. das Letras, 1990, 1° ed., p. 19.</p>
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