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	Comentários sobre: A coragem contra o puritanismo: o manifesto das francesas	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Macho, pero no mucho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-830903</link>

		<dc:creator><![CDATA[Macho, pero no mucho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jan 2022 01:37:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Chris, tomo seu comentário para registrar duas observações. A primeira é que se no imperativo negativo “não confundir paquera desajeitada com agressão sexual&quot; do manifesto francês o termo regente é &quot;paquera desajeitada&quot; e não &quot;agressão sexual&quot;, não é por outra razão: compreende os dois problemas - o machismo e o puritanismo -, mas estão tratando especificamente de um, justamente do que podemos entender como secundário na ordem das relevâncias históricas, mas que vem ganhando projeção entre as trincheiras de luta na medida de seus avanços.

A segunda observação é justamente sobre seu comentário acerca do imperativo das francesas, a saber, que &quot;confundir paquera desajeitada com assédio, antes de interessar ao puritanismo feminista pela negativa, interessa aos homens machistas pela positiva&quot;. É uma afirmação com a qual eu concordo. E certamente esta é uma certeza que embasa também o puritanismo - o que demonstra que temos, os que concordam com o teor geral do manifesto das francesas e o puritanismo, pontos em comum. Nesse caso, esta constatação. A questão é o que se faz a partir dela. O manifesto das francesas parte desse ponto para denunciar na reação a isso o paradigma &quot;ethopatológico&quot; produzido a partir do exagero, do extremo e da desmedida generalizante que transforma os riscos característicos e inescapáveis da liberdade em critérios de degredo. A partir daí não existe mais paquera desajeitada ou importunação, apenas assédio; o conservadorismo feminista se afunda nisso acriticamente em nome do necessário combate ao assédio machista e transforma o fértil campo de sentidos da sexualidade humana num cinto de castidade e tumba de puritanismo.

&quot;Entender que o que muitas vezes para si é liberdade sexual individual pode ser uma experiencia violenta e desagradável para a outra pessoa&quot;, tal como você afirma, é entender grande parte da &quot;confusão&quot; entre paquera desajeitada x assédio sexual. A impossibilidade prévia dessa desambiguação nas relações - esforço do manifesto das francesas, diga-se - serve igualmente ao oportunismo machista e ao oportunismo puritano porquê ambos agem nessa zona cinzenta. É o que você demonstra compreender ao dizer que &quot;por isso não se trata nunca de coisas simples, branco e negro. Requer um mínimo de sensibilidade, algo que o machismo combate&quot;. Mas caberia aqui a contraparte disso, que é dizer que, uma vez salva a sensibilidade do machismo, ela tem ainda outro inimigo aliado do primeiro, o puritanismo punitivista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chris, tomo seu comentário para registrar duas observações. A primeira é que se no imperativo negativo “não confundir paquera desajeitada com agressão sexual&#8221; do manifesto francês o termo regente é &#8220;paquera desajeitada&#8221; e não &#8220;agressão sexual&#8221;, não é por outra razão: compreende os dois problemas &#8211; o machismo e o puritanismo -, mas estão tratando especificamente de um, justamente do que podemos entender como secundário na ordem das relevâncias históricas, mas que vem ganhando projeção entre as trincheiras de luta na medida de seus avanços.</p>
<p>A segunda observação é justamente sobre seu comentário acerca do imperativo das francesas, a saber, que &#8220;confundir paquera desajeitada com assédio, antes de interessar ao puritanismo feminista pela negativa, interessa aos homens machistas pela positiva&#8221;. É uma afirmação com a qual eu concordo. E certamente esta é uma certeza que embasa também o puritanismo &#8211; o que demonstra que temos, os que concordam com o teor geral do manifesto das francesas e o puritanismo, pontos em comum. Nesse caso, esta constatação. A questão é o que se faz a partir dela. O manifesto das francesas parte desse ponto para denunciar na reação a isso o paradigma &#8220;ethopatológico&#8221; produzido a partir do exagero, do extremo e da desmedida generalizante que transforma os riscos característicos e inescapáveis da liberdade em critérios de degredo. A partir daí não existe mais paquera desajeitada ou importunação, apenas assédio; o conservadorismo feminista se afunda nisso acriticamente em nome do necessário combate ao assédio machista e transforma o fértil campo de sentidos da sexualidade humana num cinto de castidade e tumba de puritanismo.</p>
<p>&#8220;Entender que o que muitas vezes para si é liberdade sexual individual pode ser uma experiencia violenta e desagradável para a outra pessoa&#8221;, tal como você afirma, é entender grande parte da &#8220;confusão&#8221; entre paquera desajeitada x assédio sexual. A impossibilidade prévia dessa desambiguação nas relações &#8211; esforço do manifesto das francesas, diga-se &#8211; serve igualmente ao oportunismo machista e ao oportunismo puritano porquê ambos agem nessa zona cinzenta. É o que você demonstra compreender ao dizer que &#8220;por isso não se trata nunca de coisas simples, branco e negro. Requer um mínimo de sensibilidade, algo que o machismo combate&#8221;. Mas caberia aqui a contraparte disso, que é dizer que, uma vez salva a sensibilidade do machismo, ela tem ainda outro inimigo aliado do primeiro, o puritanismo punitivista.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-830037</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Jan 2022 15:37:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[«[...] encetávamos uma época que se orgulhava de celebrar a impertinência, a diversidade, a marginalidade, mas na verdade nada a aterrava mais, a essa época, do que uma verdadeira independência [...] e — o mais importante de tudo — a genuflexão perante a virtude. [...] a nossa época, pela primeira vez na história da humanidade, fingia consagrar a insolência, a audácia e “a diferença”, enquanto odiava — nada mais normal — qualquer verdadeira insolência» («[...] nous entrions dans une époque qui se piquait de glorifier l&#039;impertinence, la diversité, la marginalité, quoiqu&#039;en en réalité rien ne la terrifiât plus, cette époque, qu&#039;une réelle indépendance [...] et — le plus important — génufléxion devant la vertu. [...] notre temps, pour la première fois dans l&#039;histoire de l&#039;humanité, feignait de consacrer l&#039;insolence, l&#039;audace et &quot;la différence&quot;, alors qu&#039;il haïssait — rien de plus normal — toute insolence véritable»). Patrice JEAN, &lt;em&gt;Tour d&#039;ivoire&lt;/em&gt;, Paris: Éditions rue fromentin, 2019, págs. 209-210.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«[&#8230;] encetávamos uma época que se orgulhava de celebrar a impertinência, a diversidade, a marginalidade, mas na verdade nada a aterrava mais, a essa época, do que uma verdadeira independência [&#8230;] e — o mais importante de tudo — a genuflexão perante a virtude. [&#8230;] a nossa época, pela primeira vez na história da humanidade, fingia consagrar a insolência, a audácia e “a diferença”, enquanto odiava — nada mais normal — qualquer verdadeira insolência» («[&#8230;] nous entrions dans une époque qui se piquait de glorifier l&#8217;impertinence, la diversité, la marginalité, quoiqu&#8217;en en réalité rien ne la terrifiât plus, cette époque, qu&#8217;une réelle indépendance [&#8230;] et — le plus important — génufléxion devant la vertu. [&#8230;] notre temps, pour la première fois dans l&#8217;histoire de l&#8217;humanité, feignait de consacrer l&#8217;insolence, l&#8217;audace et &#8220;la différence&#8221;, alors qu&#8217;il haïssait — rien de plus normal — toute insolence véritable»). Patrice JEAN, <em>Tour d&#8217;ivoire</em>, Paris: Éditions rue fromentin, 2019, págs. 209-210.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Chris		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-829580</link>

		<dc:creator><![CDATA[Chris]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Dec 2021 16:54:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Confundir paquera desajeitada com assédio, antes de interessar ao puritanismo feminista pela negativa, interessa aos homens machistas pela positiva. De fato, essa relativisação pela positiva está impregnada na sociedade, e achar que o puritanismo é seu maior promotor é fechar os olhos para o óbvio. Se por um lado é importante para as mulheres poder discutir a sexualidade livremente e não aceitá-la como uma história limitada a violências e vítimas, para os homens é necessário o contrário, entender que o que muitas vezes para si é liberdade sexual individual pode ser uma experiencia violenta e desagradável para a outra pessoa. Uma educação que não tem manuais nem fórmulas certas, por isso não se trata nunca de coisas simples, branco e negro. Requer um mínimo de sensibilidade, algo que o machismo combate.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confundir paquera desajeitada com assédio, antes de interessar ao puritanismo feminista pela negativa, interessa aos homens machistas pela positiva. De fato, essa relativisação pela positiva está impregnada na sociedade, e achar que o puritanismo é seu maior promotor é fechar os olhos para o óbvio. Se por um lado é importante para as mulheres poder discutir a sexualidade livremente e não aceitá-la como uma história limitada a violências e vítimas, para os homens é necessário o contrário, entender que o que muitas vezes para si é liberdade sexual individual pode ser uma experiencia violenta e desagradável para a outra pessoa. Uma educação que não tem manuais nem fórmulas certas, por isso não se trata nunca de coisas simples, branco e negro. Requer um mínimo de sensibilidade, algo que o machismo combate.</p>
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		<title>
		Por: Jan Cenek		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-829531</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jan Cenek]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Dec 2021 14:31:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=141320#comment-829531</guid>

					<description><![CDATA[Feminista profissional, parece-me, sinceramente, que a sua pergunta não se aplica. Não faz sentido questionar um eventual puritanismo das vítimas do professor da Esalq-USP, ir por esse caminho seria vitimizar novamente quem já sofreu uma violência. Além de ser desleal, seria irresponsável uma vez que não conhecemos o processo, e mesmo se o conhecêssemos, não é isso que está em questão. O que está em questão é um conjunto de assédios cometidos pelo professor.

Por outro lado, o caso do professor da Esalq-USP e a matéria trazem elementos interessantes para a discussão que está rolando por aqui: “Os depoimentos iniciais resultaram na abertura de um processo administrativo disciplinar em que as denunciantes e o acusado foram ouvidos formalmente. O caso passou por uma comissão sindicante e, depois, pela comissão processante.” Ou seja, o professor foi julgado e condenado com direito ao contraditório e à ampla defesa em duas instâncias. Ele passou por uma sindicância e, posteriormente, um processo administrativo. Presume-se que ambos garantiram o direito ao contraditório e à ampla defesa, se não garantiram, há possibilidade de serem revertidos na justiça comum.

Processos com direito ao contraditório e à ampla defesa é o que o punitivismo – muitas vezes de esquerda – exclui do campo das possibilidades. Isso é chocante por uma razão simples: a burocracia – no exemplo em questão uma universidade pública – é mais civilizada e democrática do que a esquerda punitivista. Mesmo quando a burocracia quer perseguir alguém – atenção: estou falando de uma possibilidade hipotética e não do caso do professor da Esalq-USP – é necessário pelo menos fingir que foram garantidos o direito ao contraditório e à ampla defesa. Já a esquerda punitivista nem sabe o que são tais princípios, ou sabe e não concorda com eles, colocando-se, dessa forma, como uma nova inquisição.

Há um outro ponto importante que o caso do professor da Esalq-USP traz para o debate. O manifesto das francesas fala em “não confundir paquera desajeitada com agressão sexual.” No caso do professor, pelos elementos que traz a matéria, não dá para se pensar em paquera desajeitada. Está colocado o tripé que caracteriza o assédio sexual: relação de poder, insistência e inconveniência.

Por fim, como denunciaram as francesas, confundir paquera desajeitada com assédio sexual só interessa ao puritanismo. O caso do professor da Esalq-USP traz elementos para se diferenciar paquera desajeitada de assédio sexual. Assédio sexual envolve relação de poder, insistência e inconveniência. Paquera desajeitada é outra coisa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Feminista profissional, parece-me, sinceramente, que a sua pergunta não se aplica. Não faz sentido questionar um eventual puritanismo das vítimas do professor da Esalq-USP, ir por esse caminho seria vitimizar novamente quem já sofreu uma violência. Além de ser desleal, seria irresponsável uma vez que não conhecemos o processo, e mesmo se o conhecêssemos, não é isso que está em questão. O que está em questão é um conjunto de assédios cometidos pelo professor.</p>
<p>Por outro lado, o caso do professor da Esalq-USP e a matéria trazem elementos interessantes para a discussão que está rolando por aqui: “Os depoimentos iniciais resultaram na abertura de um processo administrativo disciplinar em que as denunciantes e o acusado foram ouvidos formalmente. O caso passou por uma comissão sindicante e, depois, pela comissão processante.” Ou seja, o professor foi julgado e condenado com direito ao contraditório e à ampla defesa em duas instâncias. Ele passou por uma sindicância e, posteriormente, um processo administrativo. Presume-se que ambos garantiram o direito ao contraditório e à ampla defesa, se não garantiram, há possibilidade de serem revertidos na justiça comum.</p>
<p>Processos com direito ao contraditório e à ampla defesa é o que o punitivismo – muitas vezes de esquerda – exclui do campo das possibilidades. Isso é chocante por uma razão simples: a burocracia – no exemplo em questão uma universidade pública – é mais civilizada e democrática do que a esquerda punitivista. Mesmo quando a burocracia quer perseguir alguém – atenção: estou falando de uma possibilidade hipotética e não do caso do professor da Esalq-USP – é necessário pelo menos fingir que foram garantidos o direito ao contraditório e à ampla defesa. Já a esquerda punitivista nem sabe o que são tais princípios, ou sabe e não concorda com eles, colocando-se, dessa forma, como uma nova inquisição.</p>
<p>Há um outro ponto importante que o caso do professor da Esalq-USP traz para o debate. O manifesto das francesas fala em “não confundir paquera desajeitada com agressão sexual.” No caso do professor, pelos elementos que traz a matéria, não dá para se pensar em paquera desajeitada. Está colocado o tripé que caracteriza o assédio sexual: relação de poder, insistência e inconveniência.</p>
<p>Por fim, como denunciaram as francesas, confundir paquera desajeitada com assédio sexual só interessa ao puritanismo. O caso do professor da Esalq-USP traz elementos para se diferenciar paquera desajeitada de assédio sexual. Assédio sexual envolve relação de poder, insistência e inconveniência. Paquera desajeitada é outra coisa.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Chris		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-829499</link>

		<dc:creator><![CDATA[Chris]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Dec 2021 13:02:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[De forma alguma esse caso representa uma resposta puritana. Puritano seria que essas mulheres se silenciassem, aguentando as situações ou abandonando suas carreiras acadêmicas por não poder falar abertamente a respeito da importunação sexual que sofriam. E aqui a palavra sofrer é importante, pois existem várias formas de &quot;importunar&quot;, de demonstrar interesde ou de tentar criá-lo na outra pessoa. O aspecto mais asqueroso desse tipp de caso é o uso de posições de poder para poder sustentar situações de &quot;importunação&quot; que seriam inviáveis do contrário. A falta de um critério erótico, de perceber e registrar a outra pessoa, mostra a miséria do indivíduo e o dano potencial desde tipo de &quot;importunação&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De forma alguma esse caso representa uma resposta puritana. Puritano seria que essas mulheres se silenciassem, aguentando as situações ou abandonando suas carreiras acadêmicas por não poder falar abertamente a respeito da importunação sexual que sofriam. E aqui a palavra sofrer é importante, pois existem várias formas de &#8220;importunar&#8221;, de demonstrar interesde ou de tentar criá-lo na outra pessoa. O aspecto mais asqueroso desse tipp de caso é o uso de posições de poder para poder sustentar situações de &#8220;importunação&#8221; que seriam inviáveis do contrário. A falta de um critério erótico, de perceber e registrar a outra pessoa, mostra a miséria do indivíduo e o dano potencial desde tipo de &#8220;importunação&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Feminista profissional		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-829441</link>

		<dc:creator><![CDATA[Feminista profissional]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Dec 2021 10:37:41 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=141320#comment-829441</guid>

					<description><![CDATA[Gostaria de saber a opinião dos homens a respeito do caso abaixo. Às alunas que sofreram anuso pir padte do professor, a reação ao ocorrido foi uma reação  puritana?
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Professor da USP é demitido após denúncias de assédio sexual contra alunas

Professor da Esalq foi demitido por &quot;reiteradas práticas de assédio sexual e moral&quot; contra alunas
Imagem: ALOISIO MAURICIO/ESTADÃO CONTEÚDO

José Maria Tomazela

30/12/2021 17h23

O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, demitiu o professor Claudio Lima de Aguiar, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), por &quot;reiteradas práticas de assédio sexual e moral&quot; contra alunas. Ele acatou recomendação da comissão processante que, desde 2019, vinha apurando as denúncias. Oito pós-graduandas da Esalq, todas orientandas ou ex-orientandas dele, acusam Aguiar de condutas abusivas em depoimentos ricos em detalhes, segundo a Associação de Docentes da USP (Adusp).

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 22. O professor foi procurado pelo Estadão e não havia dado retorno até a publicação da reportagem. A USP confirmou a demissão do docente de seus quadros, acatando parecer da Congregação da Esalq.

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Engenheiro químico, Aguiar era professor do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN) da Esalq, campus de Piracicaba, interior de São Paulo, e exercia a função de coordenador do programa de pós-graduação em Microbiologia Agrícola. Conforme a Adusp, os abusos remontam a 2016 e estão relatados de forma minuciosa em depoimentos que descrevem &quot;condutas sistemáticas de assédio sexual, constrangimentos, xingamentos machistas, homofóbicos, humilhações públicas e abusos de poder&quot;.

Segundo divulgação da Adusp, os relatos enviados às comissões dão conta de que o professor procurava se mostrar amigável e solícito com as alunas, mas, com o passar do tempo, adotava condutas abusivas que envolviam &quot;proximidade física e contatos indesejados, inclusive beijos no rosto e, frequentemente, toques em parte do corpo&quot;. Durante as reuniões, o docente pedia para as alunas se sentarem mais perto e desviava o assunto, fazendo comentários invasivos sobre a vida pessoal, &quot;perguntando e insinuando aspectos da intimidade das vítimas&quot;. Em alguns casos, ele tocava os corpos das alunas, muitas vezes nas coxas e nas barrigas e, quando estas reagiam, dizia coisas como &quot;calma, eu sou casado&quot;.

Em depoimento ao jornal O Globo, uma das vítimas contou que Aguiar era seu orientador de mestrado e, em março de 2016, a convidou para uma reunião a sós em sua sala. Ela sabia que o professor tinha costume de se fechar no recinto com suas orientandas e assediá-las, mas não teve como evitar o encontro. Assim que entrou na sala, Aguiar pediu que trancasse a porta e se sentasse à mesa. A orientanda pretendia mostrar como andava seu projeto de dissertação, mas o professor insistiu em fazer massagem nela.

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&quot;Quando ele colocou a mão por dentro da minha blusa e abriu meu sutiã no meio da sala, eu travei os braços e mandei ele parar. Fechei meu notebook e fui embora. Quando cheguei em casa e fui tomar banho, me esfregava de tanto nojo que sentia de mim mesma&quot;, disse, segundo O Globo. O episódio a traumatizou, fez com que não confiasse mais em homens e trouxe dificuldades para seu relacionamento com o marido, segundo o jornal.

Outra aluna de mestrado contou ter sido apalpada na coxa pelo orientador, que também fez comentários acerca de seu corpo. Foi ela quem abriu a queixa contra Aguiar em 2019, após ter manifestado a intenção de abandonar o mestrado. &quot;Ele me chamava de gostosa várias vezes na frente de outras pessoas. Uma vez ele me perguntou no meio de uma reunião se já fui paquerada no ponto de ônibus, e eu respondi que não. Aí ele disse: &#039;se eu te paquerasse, você me daria bola?&#039; Aquilo me deixava muito desconfortável. Parecia que eu era uma fantasia para ele&quot;, disse, de acordo com a publicação feita por O Globo.

Outra estudante foi assediada pelo coordenador antes mesmo de ser oficialmente aceita no programa de pós-graduação. Ao saber da inscrição da jovem para o mestrado na Esalq, ele a adicionou no Facebook e pediu uma entrevista informal com ela por um aplicativo. &quot;Essa entrevista não estava no edital. O resultado nem tinha saído ainda. Achei estranho porque ele ficou perguntando se eu tinha namorado, se eu era casada, indagações que não faziam sentido algum.&quot; Após aceitar ser orientada de forma informal, tornaram-se comuns os convites para cafés e passeios de carro, com apalpadas pelo corpo.

Em outro depoimento, uma denunciante contou ter sido chantageada sexualmente após ter recebido ajuda do orientador para conseguir uma bolsa de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ela contou que, após ter conseguido o auxílio federal, Aguiar se aproximou e cochichou em seu ouvido: &quot;não foi de graça&quot;. Segundo a investigação, o professor costumava se dirigir a estudantes usando termos como &quot;gayzinho&quot;, &quot;preta&quot;, &quot;gorda&quot; e &quot;burra&quot;.


Ao tomar conhecimento do caso envolvendo uma das vítimas, o então presidente da pós-graduação, Fernando Luis Cônsoli, a convenceu a abrir uma denúncia contra o docente. Outras alunas se juntaram à denúncia. Os depoimentos iniciais resultaram na abertura de um processo administrativo disciplinar em que as denunciantes e o acusado foram ouvidos formalmente. O caso passou por uma comissão sindicante e, depois, pela comissão processante.

Em novembro, após examinar o parecer da comissão processante, a Congregação da Esalq recomendou a demissão do professor por 62 votos a favor e três abstenções. Em março de 2020, Aguiar já havia sido afastado da função de coordenador de pós-graduação.

Para o professor Mauro Moruzzi Marques, diretor regional da Adusp em Piracicaba, a decisão da congregação é histórica. &quot;Trata-se de uma mudança de mentalidade, significando um sinal de superação de posturas machistas e permissivas em razão da hierarquia universitária. Por outro lado, a representação estudantil alcança uma vitória importante neste embate&quot;, avaliou. Ele acrescentou que a decisão foi uma conquista obtida pela coragem das mulheres que levaram a denúncia  adiante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de saber a opinião dos homens a respeito do caso abaixo. Às alunas que sofreram anuso pir padte do professor, a reação ao ocorrido foi uma reação  puritana?<br />
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Professor da USP é demitido após denúncias de assédio sexual contra alunas</p>
<p>Professor da Esalq foi demitido por &#8220;reiteradas práticas de assédio sexual e moral&#8221; contra alunas<br />
Imagem: ALOISIO MAURICIO/ESTADÃO CONTEÚDO</p>
<p>José Maria Tomazela</p>
<p>30/12/2021 17h23</p>
<p>O reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, demitiu o professor Claudio Lima de Aguiar, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), por &#8220;reiteradas práticas de assédio sexual e moral&#8221; contra alunas. Ele acatou recomendação da comissão processante que, desde 2019, vinha apurando as denúncias. Oito pós-graduandas da Esalq, todas orientandas ou ex-orientandas dele, acusam Aguiar de condutas abusivas em depoimentos ricos em detalhes, segundo a Associação de Docentes da USP (Adusp).</p>
<p>A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 22. O professor foi procurado pelo Estadão e não havia dado retorno até a publicação da reportagem. A USP confirmou a demissão do docente de seus quadros, acatando parecer da Congregação da Esalq.</p>
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Engenheiro químico, Aguiar era professor do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN) da Esalq, campus de Piracicaba, interior de São Paulo, e exercia a função de coordenador do programa de pós-graduação em Microbiologia Agrícola. Conforme a Adusp, os abusos remontam a 2016 e estão relatados de forma minuciosa em depoimentos que descrevem &#8220;condutas sistemáticas de assédio sexual, constrangimentos, xingamentos machistas, homofóbicos, humilhações públicas e abusos de poder&#8221;.</p>
<p>Segundo divulgação da Adusp, os relatos enviados às comissões dão conta de que o professor procurava se mostrar amigável e solícito com as alunas, mas, com o passar do tempo, adotava condutas abusivas que envolviam &#8220;proximidade física e contatos indesejados, inclusive beijos no rosto e, frequentemente, toques em parte do corpo&#8221;. Durante as reuniões, o docente pedia para as alunas se sentarem mais perto e desviava o assunto, fazendo comentários invasivos sobre a vida pessoal, &#8220;perguntando e insinuando aspectos da intimidade das vítimas&#8221;. Em alguns casos, ele tocava os corpos das alunas, muitas vezes nas coxas e nas barrigas e, quando estas reagiam, dizia coisas como &#8220;calma, eu sou casado&#8221;.</p>
<p>Em depoimento ao jornal O Globo, uma das vítimas contou que Aguiar era seu orientador de mestrado e, em março de 2016, a convidou para uma reunião a sós em sua sala. Ela sabia que o professor tinha costume de se fechar no recinto com suas orientandas e assediá-las, mas não teve como evitar o encontro. Assim que entrou na sala, Aguiar pediu que trancasse a porta e se sentasse à mesa. A orientanda pretendia mostrar como andava seu projeto de dissertação, mas o professor insistiu em fazer massagem nela.</p>
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&#8220;Quando ele colocou a mão por dentro da minha blusa e abriu meu sutiã no meio da sala, eu travei os braços e mandei ele parar. Fechei meu notebook e fui embora. Quando cheguei em casa e fui tomar banho, me esfregava de tanto nojo que sentia de mim mesma&#8221;, disse, segundo O Globo. O episódio a traumatizou, fez com que não confiasse mais em homens e trouxe dificuldades para seu relacionamento com o marido, segundo o jornal.</p>
<p>Outra aluna de mestrado contou ter sido apalpada na coxa pelo orientador, que também fez comentários acerca de seu corpo. Foi ela quem abriu a queixa contra Aguiar em 2019, após ter manifestado a intenção de abandonar o mestrado. &#8220;Ele me chamava de gostosa várias vezes na frente de outras pessoas. Uma vez ele me perguntou no meio de uma reunião se já fui paquerada no ponto de ônibus, e eu respondi que não. Aí ele disse: &#8216;se eu te paquerasse, você me daria bola?&#8217; Aquilo me deixava muito desconfortável. Parecia que eu era uma fantasia para ele&#8221;, disse, de acordo com a publicação feita por O Globo.</p>
<p>Outra estudante foi assediada pelo coordenador antes mesmo de ser oficialmente aceita no programa de pós-graduação. Ao saber da inscrição da jovem para o mestrado na Esalq, ele a adicionou no Facebook e pediu uma entrevista informal com ela por um aplicativo. &#8220;Essa entrevista não estava no edital. O resultado nem tinha saído ainda. Achei estranho porque ele ficou perguntando se eu tinha namorado, se eu era casada, indagações que não faziam sentido algum.&#8221; Após aceitar ser orientada de forma informal, tornaram-se comuns os convites para cafés e passeios de carro, com apalpadas pelo corpo.</p>
<p>Em outro depoimento, uma denunciante contou ter sido chantageada sexualmente após ter recebido ajuda do orientador para conseguir uma bolsa de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ela contou que, após ter conseguido o auxílio federal, Aguiar se aproximou e cochichou em seu ouvido: &#8220;não foi de graça&#8221;. Segundo a investigação, o professor costumava se dirigir a estudantes usando termos como &#8220;gayzinho&#8221;, &#8220;preta&#8221;, &#8220;gorda&#8221; e &#8220;burra&#8221;.</p>
<p>Ao tomar conhecimento do caso envolvendo uma das vítimas, o então presidente da pós-graduação, Fernando Luis Cônsoli, a convenceu a abrir uma denúncia contra o docente. Outras alunas se juntaram à denúncia. Os depoimentos iniciais resultaram na abertura de um processo administrativo disciplinar em que as denunciantes e o acusado foram ouvidos formalmente. O caso passou por uma comissão sindicante e, depois, pela comissão processante.</p>
<p>Em novembro, após examinar o parecer da comissão processante, a Congregação da Esalq recomendou a demissão do professor por 62 votos a favor e três abstenções. Em março de 2020, Aguiar já havia sido afastado da função de coordenador de pós-graduação.</p>
<p>Para o professor Mauro Moruzzi Marques, diretor regional da Adusp em Piracicaba, a decisão da congregação é histórica. &#8220;Trata-se de uma mudança de mentalidade, significando um sinal de superação de posturas machistas e permissivas em razão da hierarquia universitária. Por outro lado, a representação estudantil alcança uma vitória importante neste embate&#8221;, avaliou. Ele acrescentou que a decisão foi uma conquista obtida pela coragem das mulheres que levaram a denúncia  adiante.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Femmenet		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-829255</link>

		<dc:creator><![CDATA[Femmenet]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Dec 2021 21:38:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta ao comentário de “esquerdomocho&quot; que pratica BDSM

Não ficou claro para mim onde foi encontrado no texto inicial ou nos comentários as questões apontadas sobre o &quot;movimento feminista&quot; ser puritano, assim como nada encontrei do que está na fala “parece fazer tabula rasa entre estupro, agressões misóginas ou sexuais, falsas acusações de assédio e erotismo.” Porque, se assim fosse, eu, como feminista que sou, jamais me sentaria e tampouco comentaria algo com as pessoas defensoras de tais baixezas covardes e criminosas. Sobretudo não compreendi a ironia que cita Marquês de Sade, um autor corajoso que confrontrou diretamente a moral vigente de sua época (e, pelo jeito, da nossa também). 

O movimento #MeToo foi essencial, fundamental e determinante para denunciar a exploração e assédios sexuais impostos às atrizes e outras profissionais, e o manifesto feminista francês não deixou de reconhecer o valor dessa luta, pelo contrário. Ora, esse foi  o ponto de partida das feministas francesas, que foram além e questionaram certos desdobramentos práticos do movimento #MeToo, para os quais não houve separação entre agressores ou criminosos sexuais e um paquerador desajeitado que rouba um beijo, coloca a mão no joelho ou diz algo indevido. Colocar essas coisas distintas no mesmo roldão das críticas dos casos graves resulta na infantilização da mulher, ou seja, decai no puritanismo. Nisso estou de pleno acordo, pois, sendo feminista e praticante da liberação sexual, faço valer meus direitos de viver plenamente os meus desejos sexuais nas minhas relações – desde que pertençam à minha bolha aceita por mim mesma e correndo o risco de encontrar no caminho alguns desajeitados que normalmente são descartados. 

Por isso uma vez mais não fica claro onde há apologia ao estupro no texto ou nos comentários, e menos ainda que haja falas contrárias à luta do #MeToo e seus desdobramentos positivos, como ter posto em pauta o debate. Menos ainda que haja  críticas rasas feitas às feministas nos moldes direitistas do tipo “mal comidas”.

E concordarei sempre com a necessidade de debates, ainda mais sobre gênero, ainda mais na conjuntura dessa nossa época que está tão dividida, pois sei que mesmo havendo desacordo, sempre poderemos saber quem são os homens que estão conosco, quem são os que não estão e quem são os que estão contra nós.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta ao comentário de “esquerdomocho&#8221; que pratica BDSM</p>
<p>Não ficou claro para mim onde foi encontrado no texto inicial ou nos comentários as questões apontadas sobre o &#8220;movimento feminista&#8221; ser puritano, assim como nada encontrei do que está na fala “parece fazer tabula rasa entre estupro, agressões misóginas ou sexuais, falsas acusações de assédio e erotismo.” Porque, se assim fosse, eu, como feminista que sou, jamais me sentaria e tampouco comentaria algo com as pessoas defensoras de tais baixezas covardes e criminosas. Sobretudo não compreendi a ironia que cita Marquês de Sade, um autor corajoso que confrontrou diretamente a moral vigente de sua época (e, pelo jeito, da nossa também). </p>
<p>O movimento #MeToo foi essencial, fundamental e determinante para denunciar a exploração e assédios sexuais impostos às atrizes e outras profissionais, e o manifesto feminista francês não deixou de reconhecer o valor dessa luta, pelo contrário. Ora, esse foi  o ponto de partida das feministas francesas, que foram além e questionaram certos desdobramentos práticos do movimento #MeToo, para os quais não houve separação entre agressores ou criminosos sexuais e um paquerador desajeitado que rouba um beijo, coloca a mão no joelho ou diz algo indevido. Colocar essas coisas distintas no mesmo roldão das críticas dos casos graves resulta na infantilização da mulher, ou seja, decai no puritanismo. Nisso estou de pleno acordo, pois, sendo feminista e praticante da liberação sexual, faço valer meus direitos de viver plenamente os meus desejos sexuais nas minhas relações – desde que pertençam à minha bolha aceita por mim mesma e correndo o risco de encontrar no caminho alguns desajeitados que normalmente são descartados. </p>
<p>Por isso uma vez mais não fica claro onde há apologia ao estupro no texto ou nos comentários, e menos ainda que haja falas contrárias à luta do #MeToo e seus desdobramentos positivos, como ter posto em pauta o debate. Menos ainda que haja  críticas rasas feitas às feministas nos moldes direitistas do tipo “mal comidas”.</p>
<p>E concordarei sempre com a necessidade de debates, ainda mais sobre gênero, ainda mais na conjuntura dessa nossa época que está tão dividida, pois sei que mesmo havendo desacordo, sempre poderemos saber quem são os homens que estão conosco, quem são os que não estão e quem são os que estão contra nós.</p>
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		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-829230</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Dec 2021 20:42:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fagner Enrique, qual foi o debate que recentemente aconteceu aqui? Obrigado!
A última parte do último comentário do Adriano me fez lembrar que o mundo evangélico também está em permanente transformação; mais lenta em alguns ramos, mais acelerada em outros. De modo que não me parece impossível um pornô gospel numa época de puritanismo crescente. Lembro, também, que em 2007, na época da visita do papa Bento 16 ao Brasil, a TV Record lançou uma propaganda, por sinal até que boa, de defesa do direito ao aborto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner Enrique, qual foi o debate que recentemente aconteceu aqui? Obrigado!<br />
A última parte do último comentário do Adriano me fez lembrar que o mundo evangélico também está em permanente transformação; mais lenta em alguns ramos, mais acelerada em outros. De modo que não me parece impossível um pornô gospel numa época de puritanismo crescente. Lembro, também, que em 2007, na época da visita do papa Bento 16 ao Brasil, a TV Record lançou uma propaganda, por sinal até que boa, de defesa do direito ao aborto.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Adriano		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-829207</link>

		<dc:creator><![CDATA[Adriano]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Dec 2021 19:19:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Que bom ver aqui desdobramentos interessantes, entre outros, do artigo. João Bernardo, acho que o que o lembrou da Valentine de Saint-Point - autora que eu não conhecia - e sua concepção da luxúria em meu comentário foi a citação das declarações de Catherine Millet, em entrevistas, sobre lamentar não ter sido estuprada. Notei que Valentine tem influências do pensamento de Nietzsche - numa apropriação singular -, e, pesquisando, vi que as relações dela com o futurismo fascista era bem mais próxima: há relatos da amizade dela com Tommaso Marinetti, fundador do futurismo, de quem também teria sido amante. A concepção dela de luxúria como impulso vital sob bloqueio de forças inferiores está muito próxima da exaltação da guerra como assepsia do mundo no manifesto fascista, assim como o desprezo dela pela mulher e pelo feminismo, declarados nos dois manifestos - o da luxúria e o da mulher futurista -, são igualmente explícitos lá.

A outra ponta disso, o negativo da força, está na purificação puritana que o personagem Franz faz do amor na citação de Milan Kundera que o Jan Cenek fez acima. E, se amar é renunciar à força, mas a força - a luxúria é uma força - é um componente do erotismo, acho que essa é a questão de fundo entre o manifesto das francesas e o puritanismo reacionário. A concepção das francesas que incorpora a força ao impulso erótico se choca com a idealização do amor purgado do vigor e da potencia por trás da concepção puritana, para quem a força existe e age contra a mulher.

Jan Cenek, observação interessante essa que reaproxima as duas primaveras, a francesa e a tcheca. Sabina certamente assinaria o manifesto de 2018. Mas é uma reaproximação justificada pela permanência de um ponto de rutura: as francesas são herdeiras do Maio de 68, mas o puritanismo que elas denunciam é, antes de tudo, uma forma do próprio feminismo, vem de dentro. O que está por trás do puritanismo feminista é uma pretensão libertária igualmente herdeira do Maio de 68. E a denúncia do manifesto é justamente a fachada libertária para um interior puritano, a denúncia de uma aparência negada na essência. 

Achei interessante também pensar em coisas como um broxante &quot;pornô evangélico&quot;. Seria... espantoso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que bom ver aqui desdobramentos interessantes, entre outros, do artigo. João Bernardo, acho que o que o lembrou da Valentine de Saint-Point &#8211; autora que eu não conhecia &#8211; e sua concepção da luxúria em meu comentário foi a citação das declarações de Catherine Millet, em entrevistas, sobre lamentar não ter sido estuprada. Notei que Valentine tem influências do pensamento de Nietzsche &#8211; numa apropriação singular -, e, pesquisando, vi que as relações dela com o futurismo fascista era bem mais próxima: há relatos da amizade dela com Tommaso Marinetti, fundador do futurismo, de quem também teria sido amante. A concepção dela de luxúria como impulso vital sob bloqueio de forças inferiores está muito próxima da exaltação da guerra como assepsia do mundo no manifesto fascista, assim como o desprezo dela pela mulher e pelo feminismo, declarados nos dois manifestos &#8211; o da luxúria e o da mulher futurista -, são igualmente explícitos lá.</p>
<p>A outra ponta disso, o negativo da força, está na purificação puritana que o personagem Franz faz do amor na citação de Milan Kundera que o Jan Cenek fez acima. E, se amar é renunciar à força, mas a força &#8211; a luxúria é uma força &#8211; é um componente do erotismo, acho que essa é a questão de fundo entre o manifesto das francesas e o puritanismo reacionário. A concepção das francesas que incorpora a força ao impulso erótico se choca com a idealização do amor purgado do vigor e da potencia por trás da concepção puritana, para quem a força existe e age contra a mulher.</p>
<p>Jan Cenek, observação interessante essa que reaproxima as duas primaveras, a francesa e a tcheca. Sabina certamente assinaria o manifesto de 2018. Mas é uma reaproximação justificada pela permanência de um ponto de rutura: as francesas são herdeiras do Maio de 68, mas o puritanismo que elas denunciam é, antes de tudo, uma forma do próprio feminismo, vem de dentro. O que está por trás do puritanismo feminista é uma pretensão libertária igualmente herdeira do Maio de 68. E a denúncia do manifesto é justamente a fachada libertária para um interior puritano, a denúncia de uma aparência negada na essência. </p>
<p>Achei interessante também pensar em coisas como um broxante &#8220;pornô evangélico&#8221;. Seria&#8230; espantoso.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: "Esquerdomocho" que pratica BDSM		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2021/12/141320/#comment-828907</link>

		<dc:creator><![CDATA["Esquerdomocho" que pratica BDSM]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Dec 2021 00:04:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=141320#comment-828907</guid>

					<description><![CDATA[Esse texto tras com uma estonteada clareza o pano de fundo dos desejos políticos e sexuais da política &quot;anti identitária&quot; tão cara ao pp e serve pra demonstrar o nível da míseria sexual em que ela é gestada. Chama assim o feminismo de puritanismo, sem medições, assim como, também sem mediações, parece fazer tabula rasa entre estupro, agressões misoginas ou sexuais, falsas acusações de assédio e erotismo. Seria Marques de Sade um mestre do erótico para os camaradas aqui? Me soa exagerada a pergunta, mas encaixa no que foi colocado.

O movimento me too trouxe uma série de casos de estupros e agressões que mulheres trabalhadores sofriam e seguem sofrendo em seus locais de trabalho.  Essas situções deveriam ser toleradas pela esquerda classista como expressão do êrotismo? 

Sei que a maioria dos homens que tao fazendo esse debate aqui demonstram um medo sincero em se relacionarem com mulheres com fortes posições feministas, mas realmente é um atestado de ignorancia profunda ver ai sobretudo puritanas, mais bizarro ainda é colocar que o homem que quer desenvolver sua sexualidade sem oprimir sua companheira como &quot;esquerdomocho&quot;, o que me parece dizer mais sobre a miséria sexual a que voces estao presos do que qualquer outra coisa - ate pq ha muito sexo com fetiches de violencia praticado por muitas das mulheres feministas de que vcs tem medo  e que pode ser práticado  de forma totalmente livre, sem ser essa brisa torta de confundir estupro com erotismo, mas pra isso é necessario um mínimo de bom senso com as camaradas que parece faltar aqui.

O texto diz haver uma identidade entre aqueles que denunciam casos de estupro e  a extrema direita, apesar de não haver vinculos reais nesse sentido, pelo contrário, sendo notoriamente setores mortalmente antogonistas. Agora o ataque ao movimento me too filia esse texto há uma ampla série de artigos da imprensa burguesa, a autores da extrema direita, inclusive ecoando muitos dos elementos mais estereotipados do ataque que a extrema direita sempre faz as feministas, de que &quot;seriam mal comidas&quot;, nao desfrutariam de uma sexualidade de verdade ou coisa assim. Agora as coincidencia entre o &#039;anti identitarismo&#039; professado aqui e a extrema direita nao sao poucas e nem pouco conhecidas, da justificação da segregação racial á apologia do estupro.

Também é constragedor esse medo de uma suposta perseguição feminista implicável que estaria ascendendo no mundo segundo o texto, afinal estamos num país em que o presidente é conhecido por realizar agressões sexuais e se orgulhar de estuprar, e com um grande número de dirigentes de esquerda que contam com diversas acusações nesse sentido sem que isso seja sequer motivo de mácula em suas imagens públicas. 

Também o que foi colocado sobre pornografia me parece só bizarro, mas fico com preguiça de continuar o comentário,  recomendo fortemente que a galera pesquise no google o debate que existe sobre isso nos feminismos, há muita coisa ruim também mas com sorte poderia fazer com que esse debate que acho realmente muito necessário dos homens fazerem publicamente na esquerda melhorar. Talvez fosse legal se vcs comprassem uma treta com as tais feministais radicais, mas pra fazer essa critica direcionada acho que vocês nao teriam coragem. Mas de fato esse debate precisa ser feito e é fundamental, no Brasil a pornografia e a prostituição sao de fato hj setores importantissimos pra entender o buraco em que estamos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse texto tras com uma estonteada clareza o pano de fundo dos desejos políticos e sexuais da política &#8220;anti identitária&#8221; tão cara ao pp e serve pra demonstrar o nível da míseria sexual em que ela é gestada. Chama assim o feminismo de puritanismo, sem medições, assim como, também sem mediações, parece fazer tabula rasa entre estupro, agressões misoginas ou sexuais, falsas acusações de assédio e erotismo. Seria Marques de Sade um mestre do erótico para os camaradas aqui? Me soa exagerada a pergunta, mas encaixa no que foi colocado.</p>
<p>O movimento me too trouxe uma série de casos de estupros e agressões que mulheres trabalhadores sofriam e seguem sofrendo em seus locais de trabalho.  Essas situções deveriam ser toleradas pela esquerda classista como expressão do êrotismo? </p>
<p>Sei que a maioria dos homens que tao fazendo esse debate aqui demonstram um medo sincero em se relacionarem com mulheres com fortes posições feministas, mas realmente é um atestado de ignorancia profunda ver ai sobretudo puritanas, mais bizarro ainda é colocar que o homem que quer desenvolver sua sexualidade sem oprimir sua companheira como &#8220;esquerdomocho&#8221;, o que me parece dizer mais sobre a miséria sexual a que voces estao presos do que qualquer outra coisa &#8211; ate pq ha muito sexo com fetiches de violencia praticado por muitas das mulheres feministas de que vcs tem medo  e que pode ser práticado  de forma totalmente livre, sem ser essa brisa torta de confundir estupro com erotismo, mas pra isso é necessario um mínimo de bom senso com as camaradas que parece faltar aqui.</p>
<p>O texto diz haver uma identidade entre aqueles que denunciam casos de estupro e  a extrema direita, apesar de não haver vinculos reais nesse sentido, pelo contrário, sendo notoriamente setores mortalmente antogonistas. Agora o ataque ao movimento me too filia esse texto há uma ampla série de artigos da imprensa burguesa, a autores da extrema direita, inclusive ecoando muitos dos elementos mais estereotipados do ataque que a extrema direita sempre faz as feministas, de que &#8220;seriam mal comidas&#8221;, nao desfrutariam de uma sexualidade de verdade ou coisa assim. Agora as coincidencia entre o &#8216;anti identitarismo&#8217; professado aqui e a extrema direita nao sao poucas e nem pouco conhecidas, da justificação da segregação racial á apologia do estupro.</p>
<p>Também é constragedor esse medo de uma suposta perseguição feminista implicável que estaria ascendendo no mundo segundo o texto, afinal estamos num país em que o presidente é conhecido por realizar agressões sexuais e se orgulhar de estuprar, e com um grande número de dirigentes de esquerda que contam com diversas acusações nesse sentido sem que isso seja sequer motivo de mácula em suas imagens públicas. </p>
<p>Também o que foi colocado sobre pornografia me parece só bizarro, mas fico com preguiça de continuar o comentário,  recomendo fortemente que a galera pesquise no google o debate que existe sobre isso nos feminismos, há muita coisa ruim também mas com sorte poderia fazer com que esse debate que acho realmente muito necessário dos homens fazerem publicamente na esquerda melhorar. Talvez fosse legal se vcs comprassem uma treta com as tais feministais radicais, mas pra fazer essa critica direcionada acho que vocês nao teriam coragem. Mas de fato esse debate precisa ser feito e é fundamental, no Brasil a pornografia e a prostituição sao de fato hj setores importantissimos pra entender o buraco em que estamos.</p>
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