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	Comentários sobre: De volta à aventura rentista	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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	<item>
		<title>
		Por: M.Major		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/01/142002/#comment-837130</link>

		<dc:creator><![CDATA[M.Major]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Feb 2022 02:40:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vamos lá!

Bernardo, difícil comprar a situação econômica do Brasil com a da Turquia. Por lá, como nosso amigo Turco acima lembrou, vemos um desmonte da economia causado pelo presidente. A forçada queda dos juros, para além das inúmeras outras atrocidades, está gerando forte desvalorização cambial, que por sua vez, pressiona a inflação para cima. 
Eu não estou nem sugerindo corte de juros! Estou propondo que antes de decidir intervir é importante entender as causas inflacionárias.

Acho que o Leo entendeu bem o ponto do artigo. Não estou inventando a roda aqui, a ideia é mostrar que o cenário é mais complexo do que essa solução dicotômica - sobem preços, sobe juros - que é apresentada como a única possível. Como ele mostra, existem outras saídas, de modo que a alta da Selic deve ser vista como uma decisão política que defende os interesses de certos grupos econômicos. Esses, por sua vez, estão confortáveis com os efeitos colaterais da alta dos juros para economia do país, uma vez que beneficiam deles. 

Por fim, Paul, vou novamente concordar com o Leo, não acho que o Bolsonaro esteja planejando nada tão arrojado. Ou se planeja, está longe de conseguir &quot;criar um sistema de economia organizada, que lhes permitisse proceder a um arranque industrial sustentável”. Ainda mais com um parque industrial obsoleto e condições para investimento precarizadas pela alta dos juros. 
Em relação a Arrecadação, nada indica recuperação da demanda doméstica. Veja os destaques da apresentação da RFB do resultado de dezembro:
1. Em 2020, por conta da pandemia, tivemos inúmeras isenções tributárias. Logo, na comparação de um ano com o outro, não surpreende a forte alta na arrecadação em 2021.
2. Destaque especial para PIS/Cofins, com alta na arrecadação sobre combustíveis e importações.
3. Destaque para arrecadação de IRRF-Capital, vindo de rendimentos de fundos de renda fixa. 
4. Destaque para arrecadação de IOF
(https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/receitadata/arrecadacao/relatorios-do-resultado-da-arrecadacao)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos lá!</p>
<p>Bernardo, difícil comprar a situação econômica do Brasil com a da Turquia. Por lá, como nosso amigo Turco acima lembrou, vemos um desmonte da economia causado pelo presidente. A forçada queda dos juros, para além das inúmeras outras atrocidades, está gerando forte desvalorização cambial, que por sua vez, pressiona a inflação para cima.<br />
Eu não estou nem sugerindo corte de juros! Estou propondo que antes de decidir intervir é importante entender as causas inflacionárias.</p>
<p>Acho que o Leo entendeu bem o ponto do artigo. Não estou inventando a roda aqui, a ideia é mostrar que o cenário é mais complexo do que essa solução dicotômica &#8211; sobem preços, sobe juros &#8211; que é apresentada como a única possível. Como ele mostra, existem outras saídas, de modo que a alta da Selic deve ser vista como uma decisão política que defende os interesses de certos grupos econômicos. Esses, por sua vez, estão confortáveis com os efeitos colaterais da alta dos juros para economia do país, uma vez que beneficiam deles. </p>
<p>Por fim, Paul, vou novamente concordar com o Leo, não acho que o Bolsonaro esteja planejando nada tão arrojado. Ou se planeja, está longe de conseguir &#8220;criar um sistema de economia organizada, que lhes permitisse proceder a um arranque industrial sustentável”. Ainda mais com um parque industrial obsoleto e condições para investimento precarizadas pela alta dos juros.<br />
Em relação a Arrecadação, nada indica recuperação da demanda doméstica. Veja os destaques da apresentação da RFB do resultado de dezembro:<br />
1. Em 2020, por conta da pandemia, tivemos inúmeras isenções tributárias. Logo, na comparação de um ano com o outro, não surpreende a forte alta na arrecadação em 2021.<br />
2. Destaque especial para PIS/Cofins, com alta na arrecadação sobre combustíveis e importações.<br />
3. Destaque para arrecadação de IRRF-Capital, vindo de rendimentos de fundos de renda fixa.<br />
4. Destaque para arrecadação de IOF<br />
(<a href="https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/receitadata/arrecadacao/relatorios-do-resultado-da-arrecadacao" rel="nofollow ugc">https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/receitadata/arrecadacao/relatorios-do-resultado-da-arrecadacao</a>)</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/01/142002/#comment-837087</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 22:17:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A questão de juros e inflação não se trata sequer de heterodoxia e ortodoxia.

O que M. Major apresenta é o que os economistas ditos progressistas no Brasil  batem na tecla desde sempre. tem que saber o que está gerando inflação para saber qual remédio deve ser dado. Mas aqui no Brasil como a banca manda e desmanda, tudo é sempre uma boa desculpa para aumentar os juros.
A inflação brasileira não é gerada por demanda interna.

Concordando com os principais motivos da inflação no Brasil apontados no artigo, a preocupação não deveria ser, portanto, aumentar juros. Vamos lá: reconstituir os estoques reguladores de alimentos (commodities), que foram desfeitos com o golpe de 2016 atendendo o interesse do agronegócio; acabar com o Preço de Paridade de Importação de petróleo, política essa também implementada pelo golpe de 2016 atendendo o interesse de acionistas privados da Petrobrás e de empresas de importação. Essas seriam algumas medidas para causas da inflação apresentadas no artigo.

Obviamente essas medidas de combate à inflação batem de frente com interesses de grupos que sustentam o atual governo e o governo temer anterior.

E a propósito, para quem comentou que o governo Bolsonaro visa organizar a economia assim ou assado... Realmente não sei onde que se pode enxergar Bolsonaro com algum projeto de organização de economia. Estamos num governo de pilhagem. Venda de ativos, transferencia de renda de baixo pra cima... Guedes organizador? Sequer no banco dele ele era bom gestor. Ele está lá para fazer negócios, privatizar, impor uma cartilha ultraneoliberal que se choca com a realidade. É tão ideólogo quando Olavo de Carvalho.

Não sei como as pessoas fazem para enxergar um governo que pilha a Petrobrás, vendendo uma conjunto de refinarias integradas como se fossem independentes e criando um monopólio privado de distribuição, como um governo preocupado com condições gerais de produção. Muita fantasia. Para eles Eletrobrás e Petrobrás não são parte de condições gerais de produção, são ativos para serem vendidos para se lucrar em cima. A política de pilhagem significa alguns encherem o bolso agora deixando uma terra arrasada até mesmo para um desenvolvimento capitalista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A questão de juros e inflação não se trata sequer de heterodoxia e ortodoxia.</p>
<p>O que M. Major apresenta é o que os economistas ditos progressistas no Brasil  batem na tecla desde sempre. tem que saber o que está gerando inflação para saber qual remédio deve ser dado. Mas aqui no Brasil como a banca manda e desmanda, tudo é sempre uma boa desculpa para aumentar os juros.<br />
A inflação brasileira não é gerada por demanda interna.</p>
<p>Concordando com os principais motivos da inflação no Brasil apontados no artigo, a preocupação não deveria ser, portanto, aumentar juros. Vamos lá: reconstituir os estoques reguladores de alimentos (commodities), que foram desfeitos com o golpe de 2016 atendendo o interesse do agronegócio; acabar com o Preço de Paridade de Importação de petróleo, política essa também implementada pelo golpe de 2016 atendendo o interesse de acionistas privados da Petrobrás e de empresas de importação. Essas seriam algumas medidas para causas da inflação apresentadas no artigo.</p>
<p>Obviamente essas medidas de combate à inflação batem de frente com interesses de grupos que sustentam o atual governo e o governo temer anterior.</p>
<p>E a propósito, para quem comentou que o governo Bolsonaro visa organizar a economia assim ou assado&#8230; Realmente não sei onde que se pode enxergar Bolsonaro com algum projeto de organização de economia. Estamos num governo de pilhagem. Venda de ativos, transferencia de renda de baixo pra cima&#8230; Guedes organizador? Sequer no banco dele ele era bom gestor. Ele está lá para fazer negócios, privatizar, impor uma cartilha ultraneoliberal que se choca com a realidade. É tão ideólogo quando Olavo de Carvalho.</p>
<p>Não sei como as pessoas fazem para enxergar um governo que pilha a Petrobrás, vendendo uma conjunto de refinarias integradas como se fossem independentes e criando um monopólio privado de distribuição, como um governo preocupado com condições gerais de produção. Muita fantasia. Para eles Eletrobrás e Petrobrás não são parte de condições gerais de produção, são ativos para serem vendidos para se lucrar em cima. A política de pilhagem significa alguns encherem o bolso agora deixando uma terra arrasada até mesmo para um desenvolvimento capitalista.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Turco		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/01/142002/#comment-837009</link>

		<dc:creator><![CDATA[Turco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 15:23:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João, não entendo a relação com a Turquia.

Até onde sabemos, a heterodoxia do Erdogan vem de sua cabeça, numa espécie de interpretação pessoal de teorias econômicas. A melhor reportagem que li foi da The Economist (https://www.economist.com/the-economist-explains/2022/01/27/is-recep-tayyip-erdogans-monetary-policy-as-mad-as-it-seems), que mapeia as aventuras de Erdogan como uma leitura maluca de uma teoria chamada neo-Fisherism:

&quot;An equation named after Irving Fisher, an early 20th-century American economist, defines the real interest rate as the nominal interest set by the central bank, adjusted for inflation. Assuming the real interest rate is determined by economic fundamentals that are fixed, then the equation appears to say that higher nominal rates must lead to higher inflation. Yet most economists view this argument as a mirage–a bit like saying that because government spending is a component of GDP, a bigger government will always lead to more prosperity. While nobody disputes the Fisher equation’s definitions, a weighty literature and decades of experience show that neo-Fisherism is no way to run an economy–especially one as unstable as Turkey’s.&quot;

Ele inclusive acabou de demitir o diretor da agência estatal de estatísticas, após a divulgação da última alta de inflação. Nesse tipo de cenário, a política monetária de Erdogan não toma parte na discussão heterodoxia vs. ortodoxia, somente ilustra as vontades de ditador que gostaria que a realidade se organizasse segundo sua cabeça.

Da minha parte, entendo que o texto problematiza a solução de subir o juros para controlar a inflação, não porque isso não seja eficiente para controlar a inflação, mas porque o custo à classe trabalhadora numa economia destroçada será muito alto. O autor/a não propôs manter o juros como está, muito menos descer o juros, como faz o Erdogan.

Talvez um próximo texto possa nos explicar o que deveríamos fazer nesse cenário atual.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João, não entendo a relação com a Turquia.</p>
<p>Até onde sabemos, a heterodoxia do Erdogan vem de sua cabeça, numa espécie de interpretação pessoal de teorias econômicas. A melhor reportagem que li foi da The Economist (<a href="https://www.economist.com/the-economist-explains/2022/01/27/is-recep-tayyip-erdogans-monetary-policy-as-mad-as-it-seems" rel="nofollow ugc">https://www.economist.com/the-economist-explains/2022/01/27/is-recep-tayyip-erdogans-monetary-policy-as-mad-as-it-seems</a>), que mapeia as aventuras de Erdogan como uma leitura maluca de uma teoria chamada neo-Fisherism:</p>
<p>&#8220;An equation named after Irving Fisher, an early 20th-century American economist, defines the real interest rate as the nominal interest set by the central bank, adjusted for inflation. Assuming the real interest rate is determined by economic fundamentals that are fixed, then the equation appears to say that higher nominal rates must lead to higher inflation. Yet most economists view this argument as a mirage–a bit like saying that because government spending is a component of GDP, a bigger government will always lead to more prosperity. While nobody disputes the Fisher equation’s definitions, a weighty literature and decades of experience show that neo-Fisherism is no way to run an economy–especially one as unstable as Turkey’s.&#8221;</p>
<p>Ele inclusive acabou de demitir o diretor da agência estatal de estatísticas, após a divulgação da última alta de inflação. Nesse tipo de cenário, a política monetária de Erdogan não toma parte na discussão heterodoxia vs. ortodoxia, somente ilustra as vontades de ditador que gostaria que a realidade se organizasse segundo sua cabeça.</p>
<p>Da minha parte, entendo que o texto problematiza a solução de subir o juros para controlar a inflação, não porque isso não seja eficiente para controlar a inflação, mas porque o custo à classe trabalhadora numa economia destroçada será muito alto. O autor/a não propôs manter o juros como está, muito menos descer o juros, como faz o Erdogan.</p>
<p>Talvez um próximo texto possa nos explicar o que deveríamos fazer nesse cenário atual.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paul Peter Eiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/01/142002/#comment-836983</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paul Peter Eiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 13:07:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=142002#comment-836983</guid>

					<description><![CDATA[&quot;Sem recuperação econômica, a inflação sobe por causas externas ao mercado doméstico&quot;. Não sei se  esta afirmação procede ou mesmo se a tese defendida pelo autor procede. Vejamos: 

&quot;De acordo com dados divulgados nessa terça-feira (21/12) pela Receita Federal, o Governo Federal arrecadou R$ 157,34 bilhões em novembro, com aumento de 1,41% acima da inflação em valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2020, neste mesmo mês, o valor arrecadado foi cerca de R$140 bilhões.

O valor deste ano é o maior da história para meses de novembro desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. Considerando o acumulado do período de janeiro a novembro deste ano, o valor arrecadado foi R$ 1,685 trilhão, com alta de 18,13% acima da inflação pelo IPCA, outro recorde para o período.&quot;(https://www.gov.br/pt-br/noticias/financas-impostos-e-gestao-publica/2021/12/governo-federal-arrecada-r-157-34-bilhoes-em-novembro-e-bate-recorde)

Por outro lado:

&quot;Considerando a série histórica anterior, iniciada em 1948, o tombo de 4,1% em 2020 foi o maior em 30 anos e o terceiro pior resultado anual da história econômica do Brasil. As maiores retrações já registradas ocorreram em 1981 e 1990, quando houve queda de 4,3% do PIB em ambos os anos. (...) Entre os principais setores houve alta somente na Agropecuária (2%), enquanto que a Indústria (-3,5%) e os Serviços (-4,5%) tiveram queda. Do lado da demanda, o consumo das famílias despencou 5,5% e os investimentos encolheram 0,8%.&quot; (https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/03/pib-do-brasil-despenca-41percent-em-2020.ghtml)

Como se explica que mesmo com a queda do PIB possa ter havido aumento da arrecadação?

Só a agropecuária não explicaria este aumento. Nem apenas o &quot;rentismo&quot;, posto que, o acesso ao crédito vem caindo muito antes do aumento dos juros.

“Num terceiro tipo de situações, alguns países que ocupavam uma posição marginal ou subordinada na economia mundial, como sucedia com as duas nações ibéricas ou, do outro lado do mar, com o Brasil de Getúlio Vargas e com a Argentina de Perón, recorreram ao fascismo para criar um sistema de economia organizada, que lhes permitisse proceder a um arranque industrial sustentável” (João Bernardo, Labirintos do Fascismo, Ultima edição PDF, p. 228)

Acredito que o governo de Jair Bolsonaro organiza a economia nas condições e em moldes, não idênticos, mas muito similares às condições e moldes fascistas varguista, com a diferença em que a espoliação, na Era Vargas, se desse mais diretamente sobre o trabalho, enquanto na Era Bolsonarista a espoliação se dá diretamente sobre os rendimentos do trabalho. Em ambos os casos, a única espoliada é a classe trabalhadora.

Portanto, os gestores da economia brasileira da atualidade, recorrem a expropriação direta, através dos impostos, e da expropriação indireta dos rendimentos dos trabalhadores através da inflação, para manter as condições gerais de produção e sustentar a economia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Sem recuperação econômica, a inflação sobe por causas externas ao mercado doméstico&#8221;. Não sei se  esta afirmação procede ou mesmo se a tese defendida pelo autor procede. Vejamos: </p>
<p>&#8220;De acordo com dados divulgados nessa terça-feira (21/12) pela Receita Federal, o Governo Federal arrecadou R$ 157,34 bilhões em novembro, com aumento de 1,41% acima da inflação em valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2020, neste mesmo mês, o valor arrecadado foi cerca de R$140 bilhões.</p>
<p>O valor deste ano é o maior da história para meses de novembro desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. Considerando o acumulado do período de janeiro a novembro deste ano, o valor arrecadado foi R$ 1,685 trilhão, com alta de 18,13% acima da inflação pelo IPCA, outro recorde para o período.&#8221;(<a href="https://www.gov.br/pt-br/noticias/financas-impostos-e-gestao-publica/2021/12/governo-federal-arrecada-r-157-34-bilhoes-em-novembro-e-bate-recorde" rel="nofollow ugc">https://www.gov.br/pt-br/noticias/financas-impostos-e-gestao-publica/2021/12/governo-federal-arrecada-r-157-34-bilhoes-em-novembro-e-bate-recorde</a>)</p>
<p>Por outro lado:</p>
<p>&#8220;Considerando a série histórica anterior, iniciada em 1948, o tombo de 4,1% em 2020 foi o maior em 30 anos e o terceiro pior resultado anual da história econômica do Brasil. As maiores retrações já registradas ocorreram em 1981 e 1990, quando houve queda de 4,3% do PIB em ambos os anos. (&#8230;) Entre os principais setores houve alta somente na Agropecuária (2%), enquanto que a Indústria (-3,5%) e os Serviços (-4,5%) tiveram queda. Do lado da demanda, o consumo das famílias despencou 5,5% e os investimentos encolheram 0,8%.&#8221; (<a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/03/pib-do-brasil-despenca-41percent-em-2020.ghtml" rel="nofollow ugc">https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/03/pib-do-brasil-despenca-41percent-em-2020.ghtml</a>)</p>
<p>Como se explica que mesmo com a queda do PIB possa ter havido aumento da arrecadação?</p>
<p>Só a agropecuária não explicaria este aumento. Nem apenas o &#8220;rentismo&#8221;, posto que, o acesso ao crédito vem caindo muito antes do aumento dos juros.</p>
<p>“Num terceiro tipo de situações, alguns países que ocupavam uma posição marginal ou subordinada na economia mundial, como sucedia com as duas nações ibéricas ou, do outro lado do mar, com o Brasil de Getúlio Vargas e com a Argentina de Perón, recorreram ao fascismo para criar um sistema de economia organizada, que lhes permitisse proceder a um arranque industrial sustentável” (João Bernardo, Labirintos do Fascismo, Ultima edição PDF, p. 228)</p>
<p>Acredito que o governo de Jair Bolsonaro organiza a economia nas condições e em moldes, não idênticos, mas muito similares às condições e moldes fascistas varguista, com a diferença em que a espoliação, na Era Vargas, se desse mais diretamente sobre o trabalho, enquanto na Era Bolsonarista a espoliação se dá diretamente sobre os rendimentos do trabalho. Em ambos os casos, a única espoliada é a classe trabalhadora.</p>
<p>Portanto, os gestores da economia brasileira da atualidade, recorrem a expropriação direta, através dos impostos, e da expropriação indireta dos rendimentos dos trabalhadores através da inflação, para manter as condições gerais de produção e sustentar a economia.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/01/142002/#comment-836966</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 11:46:28 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=142002#comment-836966</guid>

					<description><![CDATA[M. Major,

Gostaria que explicasse qual a diferença entre a perspectiva que aqui defende e aquela que Erdoğan tem aplicado na Turquia, com efeitos catastróficos.

Já agora, uma pequena observação. Quando escreve, referindo-se aos Estados Unidos, que «a taxa de emprego caiu», certamente queria dizer &lt;em&gt;a taxa de desemprego&lt;/em&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>M. Major,</p>
<p>Gostaria que explicasse qual a diferença entre a perspectiva que aqui defende e aquela que Erdoğan tem aplicado na Turquia, com efeitos catastróficos.</p>
<p>Já agora, uma pequena observação. Quando escreve, referindo-se aos Estados Unidos, que «a taxa de emprego caiu», certamente queria dizer <em>a taxa de desemprego</em>.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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