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	Comentários sobre: Almas vencidas, noites perdidas, sombras bizarras. 1	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Rodrigo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/02/141761/#comment-838153</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Feb 2022 15:27:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Grato pela explicação, João Bernardo, agora compreendi. E não conhecia o termo &quot;confrangedor&quot;, que, diferentemente de &quot;constrangedor&quot;, não envolve vergonha - é comum sentir-se constrangido ao ouvir alguém cantando (ao vivo) de forma semitonada, desafinando as melodias.

Nesse caso, o canto do Francisco Martinho não tem absolutamente nada fora do lugar quanto à afinação, e absolutamente tudo fora do lugar quanto àquilo que canta. Ouvi agora há pouco ele cantando &quot;Velha Lisboa&quot;, e em alguns momentos ele canta de modo &quot;angelical&quot;, sem a aspereza que se ouve nos outros fadistas. Curiosamente, uma comentarista no YouTube escreveu o seguinte: &quot;Sempre adorei ouvir esta bela e timbrada voz só ele conseguia cantar assim ...&quot; Por outro lado, no vídeo que está linkado ao texto, as pessoas o consideram um desconhecido ao lado do &quot;rei Fernando Maurício&quot;.

Saindo do fado, mas não do tópico das descaracterizações, considero totalmente confrangedora a música &quot;Sunday Bloody Sunday&quot; na versão samba feliz do Sambô...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Grato pela explicação, João Bernardo, agora compreendi. E não conhecia o termo &#8220;confrangedor&#8221;, que, diferentemente de &#8220;constrangedor&#8221;, não envolve vergonha &#8211; é comum sentir-se constrangido ao ouvir alguém cantando (ao vivo) de forma semitonada, desafinando as melodias.</p>
<p>Nesse caso, o canto do Francisco Martinho não tem absolutamente nada fora do lugar quanto à afinação, e absolutamente tudo fora do lugar quanto àquilo que canta. Ouvi agora há pouco ele cantando &#8220;Velha Lisboa&#8221;, e em alguns momentos ele canta de modo &#8220;angelical&#8221;, sem a aspereza que se ouve nos outros fadistas. Curiosamente, uma comentarista no YouTube escreveu o seguinte: &#8220;Sempre adorei ouvir esta bela e timbrada voz só ele conseguia cantar assim &#8230;&#8221; Por outro lado, no vídeo que está linkado ao texto, as pessoas o consideram um desconhecido ao lado do &#8220;rei Fernando Maurício&#8221;.</p>
<p>Saindo do fado, mas não do tópico das descaracterizações, considero totalmente confrangedora a música &#8220;Sunday Bloody Sunday&#8221; na versão samba feliz do Sambô&#8230;</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/02/141761/#comment-838126</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Feb 2022 22:29:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro j, não tenho conhecimentos musicais suficientes para lhe responder. Rui Vieira Nery, que é um excelente musicólogo, profundo conhecedor da música erudita, interessa-se igualmente pelo fado. Aliás, o seu pai foi um destacado guitarrista de fado, que acompanhou praticamente todas as grandes cantadeiras e cantadores. Mas vejo que as opiniões de Rui Vieira Nery sobre as origens do fado são contestadas por outros estudiosos, por isso escrevi que a história do fado está por fazer. Penso que não se chegou ainda ao necessário consenso mínimo sobre as suas origens musicais. Refere-se com frequência uma contribuição brasileira, especificamente negra, através da &lt;em&gt;modinha&lt;/em&gt; e do &lt;em&gt;lundu&lt;/em&gt;, mas no fado feminino parece-me sensível a afinidade com a música ibérica de raízes árabes, nomeadamente o &lt;em&gt;flamenco&lt;/em&gt; e especialmente o &lt;em&gt;cante jondo&lt;/em&gt;, dos ciganos da Andaluzia. Ouça nesta perspectiva as volutas de voz de Amália, e tem um exemplo extremo em &lt;em&gt;Cansaço&lt;/em&gt;, o poema de Luís de Macedo &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=eUQp-kyqg1w&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener nofollow ugc&quot;&gt;cantado por Ana Moura em Seattle&lt;/a&gt;, em 2006, que eu reproduzi no outro artigo que você mencionou. Como não reconhecer na sua maneira de cantar as afinidades andaluzas e árabes?

Ana Moura foi uma excelente fadista, mas perdeu-se quando preferiu ganhar muito dinheiro, convertendo-se numa vedeta internacional e desvirtuando o fado. Tantas outras seguiram o mesmo caminho! Foi o que sucedeu com muitos desses nomes conhecidos no Brasil como se fossem fadistas e que não são mais do que cantoras que cantam o fado, o que é muito diferente de ser fadista e pode mesmo ser o oposto.

É que, na verdade, o fado tem várias semelhanças com o tango, antes de mais serem ambos músicas urbanas de cidades portuárias, geradas no seio da plebe, o que decerto condiciona a existência de temas comuns. Aliás, há também uma música de fado tradicional, composta por Joaquim Campos, intitulada &lt;em&gt;Fado tango&lt;/em&gt;, que acompanha precisamente &lt;em&gt;Cansaço&lt;/em&gt;, que recordei há pouco. É uma música muito usada e, para dar outro exemplo, é também sobre o &lt;em&gt;Fado tango&lt;/em&gt; que António Pelarigo, um excelente amador, &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=XMyPyOEAAR8&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener nofollow ugc&quot;&gt;canta o poema &lt;em&gt;Esquina de rua&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, de João Fezas Vital.

Mas há outra coisa ainda, é que tanto o tango como o fado são o que eu chamo &lt;em&gt;músicas populares eruditas&lt;/em&gt;, quero dizer, que devem ser cantadas e tocadas respeitando padrões estritos. Tal como sucede na música usualmente designada como &lt;em&gt;clássica&lt;/em&gt;, toda a dificuldade consiste em atingir o máximo de expressão dentro de padrões rigorosos e limitados, e é dentro desses padrões que se pode criar e evoluir, ou que se pode improvisar e fazer variações, como noutra música erudita, o jazz.

E passo assim para a resposta ao Rodrigo. Para os meus ouvidos Francisco Martinho é confrangedor porque não se canta fado como se fosse uma ópera de Verdi nem se canta fado masculino como se feminino fosse. Pelo mesmo motivo, porque se trata de uma forma musical erudita, eu me recuso a ouvir fado que não seja acompanhado exclusivamente por guitarra e viola. Essas cantoras que cantam o fado sem serem fadistas fazem-se frequentemente acompanhar por contrabaixo, bateria, saxofone, até por violinos. Isso não é fado, é a conversão do fado em &lt;em&gt;kitsch&lt;/em&gt;. Nesta primeira parte do artigo eu exemplifiquei o fado masculino com as vozes de Marceneiro, evidentemente, e de João Ferreira Rosa. Há pouco coloquei um &lt;em&gt;link&lt;/em&gt; para António Pelarigo. Se os tomar como padrão de referência, entenderá porque considero Francisco Martinho, e outros como ele, confrangedores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro j, não tenho conhecimentos musicais suficientes para lhe responder. Rui Vieira Nery, que é um excelente musicólogo, profundo conhecedor da música erudita, interessa-se igualmente pelo fado. Aliás, o seu pai foi um destacado guitarrista de fado, que acompanhou praticamente todas as grandes cantadeiras e cantadores. Mas vejo que as opiniões de Rui Vieira Nery sobre as origens do fado são contestadas por outros estudiosos, por isso escrevi que a história do fado está por fazer. Penso que não se chegou ainda ao necessário consenso mínimo sobre as suas origens musicais. Refere-se com frequência uma contribuição brasileira, especificamente negra, através da <em>modinha</em> e do <em>lundu</em>, mas no fado feminino parece-me sensível a afinidade com a música ibérica de raízes árabes, nomeadamente o <em>flamenco</em> e especialmente o <em>cante jondo</em>, dos ciganos da Andaluzia. Ouça nesta perspectiva as volutas de voz de Amália, e tem um exemplo extremo em <em>Cansaço</em>, o poema de Luís de Macedo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=eUQp-kyqg1w" target="_blank" rel="noopener nofollow ugc">cantado por Ana Moura em Seattle</a>, em 2006, que eu reproduzi no outro artigo que você mencionou. Como não reconhecer na sua maneira de cantar as afinidades andaluzas e árabes?</p>
<p>Ana Moura foi uma excelente fadista, mas perdeu-se quando preferiu ganhar muito dinheiro, convertendo-se numa vedeta internacional e desvirtuando o fado. Tantas outras seguiram o mesmo caminho! Foi o que sucedeu com muitos desses nomes conhecidos no Brasil como se fossem fadistas e que não são mais do que cantoras que cantam o fado, o que é muito diferente de ser fadista e pode mesmo ser o oposto.</p>
<p>É que, na verdade, o fado tem várias semelhanças com o tango, antes de mais serem ambos músicas urbanas de cidades portuárias, geradas no seio da plebe, o que decerto condiciona a existência de temas comuns. Aliás, há também uma música de fado tradicional, composta por Joaquim Campos, intitulada <em>Fado tango</em>, que acompanha precisamente <em>Cansaço</em>, que recordei há pouco. É uma música muito usada e, para dar outro exemplo, é também sobre o <em>Fado tango</em> que António Pelarigo, um excelente amador, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=XMyPyOEAAR8" target="_blank" rel="noopener nofollow ugc">canta o poema <em>Esquina de rua</em></a>, de João Fezas Vital.</p>
<p>Mas há outra coisa ainda, é que tanto o tango como o fado são o que eu chamo <em>músicas populares eruditas</em>, quero dizer, que devem ser cantadas e tocadas respeitando padrões estritos. Tal como sucede na música usualmente designada como <em>clássica</em>, toda a dificuldade consiste em atingir o máximo de expressão dentro de padrões rigorosos e limitados, e é dentro desses padrões que se pode criar e evoluir, ou que se pode improvisar e fazer variações, como noutra música erudita, o jazz.</p>
<p>E passo assim para a resposta ao Rodrigo. Para os meus ouvidos Francisco Martinho é confrangedor porque não se canta fado como se fosse uma ópera de Verdi nem se canta fado masculino como se feminino fosse. Pelo mesmo motivo, porque se trata de uma forma musical erudita, eu me recuso a ouvir fado que não seja acompanhado exclusivamente por guitarra e viola. Essas cantoras que cantam o fado sem serem fadistas fazem-se frequentemente acompanhar por contrabaixo, bateria, saxofone, até por violinos. Isso não é fado, é a conversão do fado em <em>kitsch</em>. Nesta primeira parte do artigo eu exemplifiquei o fado masculino com as vozes de Marceneiro, evidentemente, e de João Ferreira Rosa. Há pouco coloquei um <em>link</em> para António Pelarigo. Se os tomar como padrão de referência, entenderá porque considero Francisco Martinho, e outros como ele, confrangedores.</p>
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		<title>
		Por: Rodrigo		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Feb 2022 18:29:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A única coisa que eu achei ruim é ter de esperar o dia 18 pela continuação. 
Excelente. 
j lembrou do tango, eu lembrei dos encontros poéticos que Rancière conta em &quot;A noite dos proletários&quot;.
Quanto ao cantar do Francisco Martinho, não me soou nada constrangedor!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A única coisa que eu achei ruim é ter de esperar o dia 18 pela continuação.<br />
Excelente.<br />
j lembrou do tango, eu lembrei dos encontros poéticos que Rancière conta em &#8220;A noite dos proletários&#8221;.<br />
Quanto ao cantar do Francisco Martinho, não me soou nada constrangedor!</p>
]]></content:encoded>
		
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		<item>
		<title>
		Por: j		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/02/141761/#comment-838113</link>

		<dc:creator><![CDATA[j]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Feb 2022 16:24:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

O artigo proporciona uma saborosa viagem pelo fado, aguardo a continuidade na próxima próxima sexta-feira.

Uma questão me ocorreu ao ler o artigo anterior (“Que povo é este, que povo?”) e se repetiu agora. Fiquei a imaginar parentescos entre o fado e o tango, quase como se fossem irmãos separados pelo oceano. Talvez tenha a ver com a origem de ambos &quot;entre a ralé dos portos&quot;. Os versos Anílbal Nazaré, por exemplo, dialogam com o universo do tango: “Almas vencidas/ Noites perdidas/ Sombras bizarras”. Enfim, “o fado é tudo o que eu digo mais o que não sei dizer”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>O artigo proporciona uma saborosa viagem pelo fado, aguardo a continuidade na próxima próxima sexta-feira.</p>
<p>Uma questão me ocorreu ao ler o artigo anterior (“Que povo é este, que povo?”) e se repetiu agora. Fiquei a imaginar parentescos entre o fado e o tango, quase como se fossem irmãos separados pelo oceano. Talvez tenha a ver com a origem de ambos &#8220;entre a ralé dos portos&#8221;. Os versos Anílbal Nazaré, por exemplo, dialogam com o universo do tango: “Almas vencidas/ Noites perdidas/ Sombras bizarras”. Enfim, “o fado é tudo o que eu digo mais o que não sei dizer”.</p>
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