<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Para uma historiografia do Não	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2022/05/143354/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Sat, 18 Apr 2026 11:45:39 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>
	<item>
		<title>
		Por: arkx-Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-1099809</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx-Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Apr 2026 11:45:39 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-1099809</guid>

					<description><![CDATA[Manual do Processamento Desejante (PDE)
Uma caixa de ferramentas para cartografar o presente e ensaiar futuros

Para quem é este manual? Este manual é para você que:
- Sente que a política virou um beco sem saída entre dois medos.
- Percebe que as explicações tradicionais já não dão conta da complexidade do mundo.
- Desconfia que o desejo – o seu, o dos outros, o das máquinas – é uma força poderosa, mas não sabe bem como nomeá-lo, quanto mais processá-lo.
- Quer ferramentas para entender o que está acontecendo no Brasil, no Oriente Médio, na sua cidade, na sua família, nos seus sonhos.
- Está disposto a experimentar, errar, aprender – porque o PDE não é uma doutrina, é uma prática.

https://arkx-brasil.blogspot.com/2026/04/manual-do-processamento-desejante-pde.html

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

Ferramenta 4: A Classe dos Gestores (e sua diferença da burguesia)

Nem toda classe dominante é igual. O PDE incorpora a distinção proposta por João Bernardo:

Burguesia: controla cada unidade econômica particularizada (a fábrica, a empresa, o banco). Sua lógica é a concorrência, o lucro imediato, o interesse setorial.

Gestores: controlam o processo global de acumulação (o Estado, os fundos públicos, as grandes agências internacionais). Sua lógica é a estabilização sistêmica, o planejamento macro, a &quot;governança&quot;.

Ambas são classes capitalistas, mas estão em conflito permanente. No Brasil, o lulismo (e antes FHC e o PSDB) são expressões de frações gestoras; o MBL e o bolsonarismo expressam setores da burguesia e da pequena-burguesia.

Como usar: Em vez de falar em &quot;classe dominante&quot; como um bloco homogêneo, pergunte: quem está agindo como burguesia? Quem está agindo como gestor? Onde há conflito entre eles? Isso ajuda a entender fenômenos como a aliança PT-Alckmin ou a crise do &quot;centrão&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manual do Processamento Desejante (PDE)<br />
Uma caixa de ferramentas para cartografar o presente e ensaiar futuros</p>
<p>Para quem é este manual? Este manual é para você que:<br />
&#8211; Sente que a política virou um beco sem saída entre dois medos.<br />
&#8211; Percebe que as explicações tradicionais já não dão conta da complexidade do mundo.<br />
&#8211; Desconfia que o desejo – o seu, o dos outros, o das máquinas – é uma força poderosa, mas não sabe bem como nomeá-lo, quanto mais processá-lo.<br />
&#8211; Quer ferramentas para entender o que está acontecendo no Brasil, no Oriente Médio, na sua cidade, na sua família, nos seus sonhos.<br />
&#8211; Está disposto a experimentar, errar, aprender – porque o PDE não é uma doutrina, é uma prática.</p>
<p><a href="https://arkx-brasil.blogspot.com/2026/04/manual-do-processamento-desejante-pde.html" rel="nofollow ugc">https://arkx-brasil.blogspot.com/2026/04/manual-do-processamento-desejante-pde.html</a></p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>Ferramenta 4: A Classe dos Gestores (e sua diferença da burguesia)</p>
<p>Nem toda classe dominante é igual. O PDE incorpora a distinção proposta por João Bernardo:</p>
<p>Burguesia: controla cada unidade econômica particularizada (a fábrica, a empresa, o banco). Sua lógica é a concorrência, o lucro imediato, o interesse setorial.</p>
<p>Gestores: controlam o processo global de acumulação (o Estado, os fundos públicos, as grandes agências internacionais). Sua lógica é a estabilização sistêmica, o planejamento macro, a &#8220;governança&#8221;.</p>
<p>Ambas são classes capitalistas, mas estão em conflito permanente. No Brasil, o lulismo (e antes FHC e o PSDB) são expressões de frações gestoras; o MBL e o bolsonarismo expressam setores da burguesia e da pequena-burguesia.</p>
<p>Como usar: Em vez de falar em &#8220;classe dominante&#8221; como um bloco homogêneo, pergunte: quem está agindo como burguesia? Quem está agindo como gestor? Onde há conflito entre eles? Isso ajuda a entender fenômenos como a aliança PT-Alckmin ou a crise do &#8220;centrão&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx-Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-1095040</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx-Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 23:49:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-1095040</guid>

					<description><![CDATA[☆ Processamento Desejante e Historiografia do NÃO aplicados nos fatos em curso na Guerra no Oriente Médio 

• A Proposta de Trump e a Rejeição Iraniana

Aqui, temos um jogo de espelhos: Trump oferece um acordo que, na superfície, parece um cessar-fogo, mas é na verdade uma rendição negociada. O Irã rejeita e contrapropõe cinco condições que são, na prática, uma recusa à lógica do acordo.

Componente / Proposta EUA / Contra-proposta Irã 

Fluxo de Entrada	
- O desejo de sair da armadilha (Vietnã 2.0) sem perder a face.	
- O desejo de soberania real – não uma soberania negociada com o algoz.

Plataforma	
- A diplomacia americana como extensão da guerra (Whitkoff, Kushner, Vance).	
- A liderança iraniana radicalizada (Jalili, IRGC) como plataforma de resistência intransigente.

Código	
- &quot;Negociar para controlar&quot; – o acordo como forma de captura.
- &quot;Resistir para existir&quot; – a recusa como afirmação de ser.

Objeto Parcial	
- O &quot;cessar-fogo de um mês&quot; como armadilha temporal.	
- As &quot;indemnizações&quot; e o &quot;reconhecimento do Estreito de Ormuz&quot; como exigência de reparação e soberania.

Fluxo de Saída
- Se aceito, o Irã se tornaria um protetorado nuclear vigiado.	
- A guerra continua, mas com o Irã afirmando seu lugar como potência regional inegociável.

Regime de PD	
- Fascista disfarçado de reformismo.
- Esquizo-Revolucionário (no limite da radicalização) – um &quot;sim&quot; à guerra em vez de um &quot;sim&quot; à submissão.

O &quot;Não&quot; que retorna: A proposta americana é uma tentativa de fazer o Irã dizer &quot;sim&quot; ao que já foi negado. Mas o Irã aprendeu: confiar na diplomacia americana custou a Soleimani, custou a Raisi, custou a Khamenei. O &quot;não&quot; iraniano é a memória viva dessas traições.

• A Tortura da Criança em Gaza

Fluxo de Entrada 	
- O desejo de controle absoluto – não apenas sobre o território, mas sobre o corpo do outro, sobre o afeto (usar o filho para extrair confissão do pai).

Plataforma/Processador: 	
- O aparato militar israelense operando como máquina de aniquilação subjetiva. Não é apenas violência física; é produção de terror como técnica de governança.

Código/Operação Principal	
- &quot;Quebrar o outro&quot; – não pela força bruta, mas pela captura do vínculo. O código fascista em sua forma mais pura: atacar o que é mais humano (o amor parental) para destruir qualquer possibilidade de resistência.

Objeto Parcial Emergente
- A criança de 1,5 anos como objeto de troca, como mensagem. O corpo infantil se torna o signo da capacidade de violência absoluta do ocupante.

Fluxo de Saída
- O medo, a submissão, a impotência – mas também, potencialmente, a indignação que pode se converter em resistência.

Regime de PD	
- Fascista Terminal. Não há negociação, não há &quot;contenção&quot;. É a produção do horror como fim em si mesmo.

O &quot;Não&quot; que retorna: Aqui, o &quot;não&quot; é a recusa em ver a humanidade do outro. O colonizador trata o colonizado como coisa – e, ao fazê-lo, se coisifica também. Esse &quot;não&quot; à humanidade compartilhada retorna como sintoma: a impossibilidade de qualquer solução política que não passe pela aniquilação..]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>☆ Processamento Desejante e Historiografia do NÃO aplicados nos fatos em curso na Guerra no Oriente Médio </p>
<p>• A Proposta de Trump e a Rejeição Iraniana</p>
<p>Aqui, temos um jogo de espelhos: Trump oferece um acordo que, na superfície, parece um cessar-fogo, mas é na verdade uma rendição negociada. O Irã rejeita e contrapropõe cinco condições que são, na prática, uma recusa à lógica do acordo.</p>
<p>Componente / Proposta EUA / Contra-proposta Irã </p>
<p>Fluxo de Entrada<br />
&#8211; O desejo de sair da armadilha (Vietnã 2.0) sem perder a face.<br />
&#8211; O desejo de soberania real – não uma soberania negociada com o algoz.</p>
<p>Plataforma<br />
&#8211; A diplomacia americana como extensão da guerra (Whitkoff, Kushner, Vance).<br />
&#8211; A liderança iraniana radicalizada (Jalili, IRGC) como plataforma de resistência intransigente.</p>
<p>Código<br />
&#8211; &#8220;Negociar para controlar&#8221; – o acordo como forma de captura.<br />
&#8211; &#8220;Resistir para existir&#8221; – a recusa como afirmação de ser.</p>
<p>Objeto Parcial<br />
&#8211; O &#8220;cessar-fogo de um mês&#8221; como armadilha temporal.<br />
&#8211; As &#8220;indemnizações&#8221; e o &#8220;reconhecimento do Estreito de Ormuz&#8221; como exigência de reparação e soberania.</p>
<p>Fluxo de Saída<br />
&#8211; Se aceito, o Irã se tornaria um protetorado nuclear vigiado.<br />
&#8211; A guerra continua, mas com o Irã afirmando seu lugar como potência regional inegociável.</p>
<p>Regime de PD<br />
&#8211; Fascista disfarçado de reformismo.<br />
&#8211; Esquizo-Revolucionário (no limite da radicalização) – um &#8220;sim&#8221; à guerra em vez de um &#8220;sim&#8221; à submissão.</p>
<p>O &#8220;Não&#8221; que retorna: A proposta americana é uma tentativa de fazer o Irã dizer &#8220;sim&#8221; ao que já foi negado. Mas o Irã aprendeu: confiar na diplomacia americana custou a Soleimani, custou a Raisi, custou a Khamenei. O &#8220;não&#8221; iraniano é a memória viva dessas traições.</p>
<p>• A Tortura da Criança em Gaza</p>
<p>Fluxo de Entrada<br />
&#8211; O desejo de controle absoluto – não apenas sobre o território, mas sobre o corpo do outro, sobre o afeto (usar o filho para extrair confissão do pai).</p>
<p>Plataforma/Processador:<br />
&#8211; O aparato militar israelense operando como máquina de aniquilação subjetiva. Não é apenas violência física; é produção de terror como técnica de governança.</p>
<p>Código/Operação Principal<br />
&#8211; &#8220;Quebrar o outro&#8221; – não pela força bruta, mas pela captura do vínculo. O código fascista em sua forma mais pura: atacar o que é mais humano (o amor parental) para destruir qualquer possibilidade de resistência.</p>
<p>Objeto Parcial Emergente<br />
&#8211; A criança de 1,5 anos como objeto de troca, como mensagem. O corpo infantil se torna o signo da capacidade de violência absoluta do ocupante.</p>
<p>Fluxo de Saída<br />
&#8211; O medo, a submissão, a impotência – mas também, potencialmente, a indignação que pode se converter em resistência.</p>
<p>Regime de PD<br />
&#8211; Fascista Terminal. Não há negociação, não há &#8220;contenção&#8221;. É a produção do horror como fim em si mesmo.</p>
<p>O &#8220;Não&#8221; que retorna: Aqui, o &#8220;não&#8221; é a recusa em ver a humanidade do outro. O colonizador trata o colonizado como coisa – e, ao fazê-lo, se coisifica também. Esse &#8220;não&#8221; à humanidade compartilhada retorna como sintoma: a impossibilidade de qualquer solução política que não passe pela aniquilação..</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-1092839</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 12:50:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-1092839</guid>

					<description><![CDATA[Genealogia do NÃO: Escândalos já NÃO escandalizam

Mais uma vez emerge à frente de todos nós o subterrâneo fétido da classe dominante brasileira: negócios escusos, expedientes ilegais, atividades ilícitas.
O caso do Banco Master se torna mais um nó numa asfixiante dobra temporal, na qual cada NÃO daquilo abafado e não resolvido na fase anterior retorna como renovado SIM na próxima volta.

Dobra Temporal 
• 1993 - Escândalo dos Anões do Orçamento
• 1996/2002 - Caso BANESTADO 
• 2005 - Mensalão
• 2008 - Operação Satiagraha
• 2011 - CPI da Privataria 
• 2014 - Lava Jato
• 2018 - Bolsolão (Mensalão de Bolsonaro) 
• 2021 - CPI da COVID
• 2026 - Banco Master 

Como a nenhuma das fracões envolvidas interessa o avanço das investigações, por lhe causar um dano irrecuperável, a conveniente fronteira dos vazamentos seletivos e das conclusões parciais não pode ser ultrapassada.

A disputa situa-se no âmbito de comprometer os adversários, resguardar a si mesmo e sempre impedir uma dinâmica arrastando a todos a uma incontrolável crise institucional. 

Ponto de NÃO retorno
⊙ 2016 - Golpeachment 

Alerta de Perigo 
⊙ 2018 - Eleição de Bolsonaro 

Tanto o Golpe de 2016 (ruptura institucional de baixa intensidade) quanto a eleição de Bolsonaro (ascensão do proto-fascismo) acarretam riscos de perda de controle. 
O primeiro pela imprevisibilidade de seu desdobramento. O segundo pela delegação da gestão política direta para um grupo com origem externa à classe dominante consolidada. 

Fluxo 
• NÃO a uma investigação imparcial -&#062; SIM à um novo ciclo de escândalos 

A normalização do anormal se torna a marca de uma crônica repetição, incapaz de romper o curto circuito de conchavos, acordos de gabinete e pactos palaciananos.

Uma repetição que não é a mesma, mas que retorna sempre mais escancarada, porque carrega o peso dos &#039;nãos&#039; acumulados.

O retorno do suprimido, a cada ciclo, é sempre mais perigoso, mais perverso. Porque a cada vez, o sistema testa seus limites e descobre poder ir mais longe.

Metamorfoses entre SIM e NÃO 

Eleição de Bolsonaro 
• SIM ao Impeachment - 2016
• NÃO a novas eleições - 2017
• NÃO a Lula Livre - 2018 
• SIM a Bolsonaro - 2018

Eleição de Lula 
• SIM a Lula Livre - 2019
• SIM à anulação das condenações de Lula - 2021
• SIM a Lula eleito - 2022
• NÃO ao golpe dentro do golpe - 08/JAN/2023
 
Rota de Fuga
Há alguma?

Em busca do NÃO como rota de fuga 

&quot;A história dos múltiplos fracassos não é menos real do que a do único êxito.&quot;
&quot;Só estudando o que não aconteceu poderemos elucidar o que sucedeu.&quot;
João Bernardo 

A arqueologia dos &quot;nãos&quot; (não houve punição, não houve ruptura, não houve reforma) explica o que sucedeu (a crise atual, a normalização do anormal).
Cada escândalo abafado é uma possibilidade que foi real enquanto durou (as investigações, os protestos, as esperanças) mas que não se efetivou em mudança estrutural. 

A historiografia do não nos ensina a perguntar: que possibilidades foram abortadas em cada ciclo? Que &#039;ses&#039; históricos foram soterrados pelos acordos de cúpula? Se não podemos mudar o passado, podemos escavá-lo – e talvez, nessa escavação, encontrar as sementes do que ainda pode vir a ser.

• E se, em 2005, o Mensalão tivesse levado a uma reforma política profunda, em vez de apenas algumas condenações seletivas?
• E se, em 2016, a resistência ao golpe tivesse sido vitoriosa, abrindo caminho para o protagonismo da ação popular organizada

Esses &quot;ses&quot; são a matéria-prima da historiografia do não. Eles mostram que houve momentos em que poderia ter sido diferente. A rota de fuga, então, não está no futuro, mas no passado que não foi – e que pode ser retomado como potência para o presente.

Cada escândalo abafado é um desejo de justiça que foi bloqueado – e que retorna, nos ciclos seguintes, como sintoma mórbido: mais escândalos, mais impunidade, mais cinismo. Processar esse desejo, em vez de bloqueá-lo, talvez seja a única forma de romper o ciclo. 

Porque o Desejo continua fluindo. Mesmo se capturado nos labirintos do fascismo. E só quem pode processá-lo num regime emancipador é uma Esquerda Revolucionária e Autonomista.

Esta é a rota de fuga.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Genealogia do NÃO: Escândalos já NÃO escandalizam</p>
<p>Mais uma vez emerge à frente de todos nós o subterrâneo fétido da classe dominante brasileira: negócios escusos, expedientes ilegais, atividades ilícitas.<br />
O caso do Banco Master se torna mais um nó numa asfixiante dobra temporal, na qual cada NÃO daquilo abafado e não resolvido na fase anterior retorna como renovado SIM na próxima volta.</p>
<p>Dobra Temporal<br />
• 1993 &#8211; Escândalo dos Anões do Orçamento<br />
• 1996/2002 &#8211; Caso BANESTADO<br />
• 2005 &#8211; Mensalão<br />
• 2008 &#8211; Operação Satiagraha<br />
• 2011 &#8211; CPI da Privataria<br />
• 2014 &#8211; Lava Jato<br />
• 2018 &#8211; Bolsolão (Mensalão de Bolsonaro)<br />
• 2021 &#8211; CPI da COVID<br />
• 2026 &#8211; Banco Master </p>
<p>Como a nenhuma das fracões envolvidas interessa o avanço das investigações, por lhe causar um dano irrecuperável, a conveniente fronteira dos vazamentos seletivos e das conclusões parciais não pode ser ultrapassada.</p>
<p>A disputa situa-se no âmbito de comprometer os adversários, resguardar a si mesmo e sempre impedir uma dinâmica arrastando a todos a uma incontrolável crise institucional. </p>
<p>Ponto de NÃO retorno<br />
⊙ 2016 &#8211; Golpeachment </p>
<p>Alerta de Perigo<br />
⊙ 2018 &#8211; Eleição de Bolsonaro </p>
<p>Tanto o Golpe de 2016 (ruptura institucional de baixa intensidade) quanto a eleição de Bolsonaro (ascensão do proto-fascismo) acarretam riscos de perda de controle.<br />
O primeiro pela imprevisibilidade de seu desdobramento. O segundo pela delegação da gestão política direta para um grupo com origem externa à classe dominante consolidada. </p>
<p>Fluxo<br />
• NÃO a uma investigação imparcial -&gt; SIM à um novo ciclo de escândalos </p>
<p>A normalização do anormal se torna a marca de uma crônica repetição, incapaz de romper o curto circuito de conchavos, acordos de gabinete e pactos palaciananos.</p>
<p>Uma repetição que não é a mesma, mas que retorna sempre mais escancarada, porque carrega o peso dos &#8216;nãos&#8217; acumulados.</p>
<p>O retorno do suprimido, a cada ciclo, é sempre mais perigoso, mais perverso. Porque a cada vez, o sistema testa seus limites e descobre poder ir mais longe.</p>
<p>Metamorfoses entre SIM e NÃO </p>
<p>Eleição de Bolsonaro<br />
• SIM ao Impeachment &#8211; 2016<br />
• NÃO a novas eleições &#8211; 2017<br />
• NÃO a Lula Livre &#8211; 2018<br />
• SIM a Bolsonaro &#8211; 2018</p>
<p>Eleição de Lula<br />
• SIM a Lula Livre &#8211; 2019<br />
• SIM à anulação das condenações de Lula &#8211; 2021<br />
• SIM a Lula eleito &#8211; 2022<br />
• NÃO ao golpe dentro do golpe &#8211; 08/JAN/2023</p>
<p>Rota de Fuga<br />
Há alguma?</p>
<p>Em busca do NÃO como rota de fuga </p>
<p>&#8220;A história dos múltiplos fracassos não é menos real do que a do único êxito.&#8221;<br />
&#8220;Só estudando o que não aconteceu poderemos elucidar o que sucedeu.&#8221;<br />
João Bernardo </p>
<p>A arqueologia dos &#8220;nãos&#8221; (não houve punição, não houve ruptura, não houve reforma) explica o que sucedeu (a crise atual, a normalização do anormal).<br />
Cada escândalo abafado é uma possibilidade que foi real enquanto durou (as investigações, os protestos, as esperanças) mas que não se efetivou em mudança estrutural. </p>
<p>A historiografia do não nos ensina a perguntar: que possibilidades foram abortadas em cada ciclo? Que &#8216;ses&#8217; históricos foram soterrados pelos acordos de cúpula? Se não podemos mudar o passado, podemos escavá-lo – e talvez, nessa escavação, encontrar as sementes do que ainda pode vir a ser.</p>
<p>• E se, em 2005, o Mensalão tivesse levado a uma reforma política profunda, em vez de apenas algumas condenações seletivas?<br />
• E se, em 2016, a resistência ao golpe tivesse sido vitoriosa, abrindo caminho para o protagonismo da ação popular organizada</p>
<p>Esses &#8220;ses&#8221; são a matéria-prima da historiografia do não. Eles mostram que houve momentos em que poderia ter sido diferente. A rota de fuga, então, não está no futuro, mas no passado que não foi – e que pode ser retomado como potência para o presente.</p>
<p>Cada escândalo abafado é um desejo de justiça que foi bloqueado – e que retorna, nos ciclos seguintes, como sintoma mórbido: mais escândalos, mais impunidade, mais cinismo. Processar esse desejo, em vez de bloqueá-lo, talvez seja a única forma de romper o ciclo. </p>
<p>Porque o Desejo continua fluindo. Mesmo se capturado nos labirintos do fascismo. E só quem pode processá-lo num regime emancipador é uma Esquerda Revolucionária e Autonomista.</p>
<p>Esta é a rota de fuga.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: achei o livro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-844180</link>

		<dc:creator><![CDATA[achei o livro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 May 2022 14:56:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-844180</guid>

					<description><![CDATA[O livro citado está aqui: https://archive.org/details/jb-ddpedi/mode/2up]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro citado está aqui: <a href="https://archive.org/details/jb-ddpedi/mode/2up" rel="nofollow ugc">https://archive.org/details/jb-ddpedi/mode/2up</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-844173</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 May 2022 11:47:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-844173</guid>

					<description><![CDATA[Caro Mário Jorge,

Muito obrigado pela sua paciência. O problema é que é mais rápido colocar questões do que esclarecê-las e, como já disse a outro leitor, prefiro responder num novo artigo do que no espaço apertado dos comentários. No próximo mês procurarei ter esse artigo publicado.

Limito-me agora a uma questão que, embora para mim seja fundamental, é acessória neste contexto. Considero que os actores da história, como indiquei no § 3, não são as pessoas, mas as esferas sociais, de que as pessoas não são sequer a matéria-prima. Pretendi expor este modelo no &lt;em&gt;Dialéctica da Prática e da Ideologia&lt;/em&gt; (Porto: Afrontamento, São Paulo: Cortez, 1991), que decerto se encontra digitalizado num qualquer canto da internet. «Os indivíduos não são sujeitos práticos, nem aspecto de sujeitos práticos», escrevi eu ali. «Na esfera das instituições o indivíduo não existe como individualidade, não existindo aí portanto indivíduo». Por isso eu não introduzo a consciência pessoal na trama da história, e distingo radicalmente entre formas ideológicas expressoras de esferas sociais e formações ideológicas individuais. Nas esferas sociais os múltiplos percursos individuais partilham práticas, mas as ideologias individuais não podem ser partilhadas. De tudo o que publiquei, é aquele o livro que mais segue ao arrepio do senso comum. Mas pouco me importa, porque o encerro numa lógica solipsista, dizendo: «Tudo o que aqui escrevi é verdade, porque é a verdade de mim próprio». Onde encontro este modelo melhor trabalhado é nas peças de Sófocles ou então, modernizando um pouco, se imaginarmos um personagem kierkegaardiano errando entre esferas sociais definidas com rigor spinozista.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Mário Jorge,</p>
<p>Muito obrigado pela sua paciência. O problema é que é mais rápido colocar questões do que esclarecê-las e, como já disse a outro leitor, prefiro responder num novo artigo do que no espaço apertado dos comentários. No próximo mês procurarei ter esse artigo publicado.</p>
<p>Limito-me agora a uma questão que, embora para mim seja fundamental, é acessória neste contexto. Considero que os actores da história, como indiquei no § 3, não são as pessoas, mas as esferas sociais, de que as pessoas não são sequer a matéria-prima. Pretendi expor este modelo no <em>Dialéctica da Prática e da Ideologia</em> (Porto: Afrontamento, São Paulo: Cortez, 1991), que decerto se encontra digitalizado num qualquer canto da internet. «Os indivíduos não são sujeitos práticos, nem aspecto de sujeitos práticos», escrevi eu ali. «Na esfera das instituições o indivíduo não existe como individualidade, não existindo aí portanto indivíduo». Por isso eu não introduzo a consciência pessoal na trama da história, e distingo radicalmente entre formas ideológicas expressoras de esferas sociais e formações ideológicas individuais. Nas esferas sociais os múltiplos percursos individuais partilham práticas, mas as ideologias individuais não podem ser partilhadas. De tudo o que publiquei, é aquele o livro que mais segue ao arrepio do senso comum. Mas pouco me importa, porque o encerro numa lógica solipsista, dizendo: «Tudo o que aqui escrevi é verdade, porque é a verdade de mim próprio». Onde encontro este modelo melhor trabalhado é nas peças de Sófocles ou então, modernizando um pouco, se imaginarmos um personagem kierkegaardiano errando entre esferas sociais definidas com rigor spinozista.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Mário Jorge da Motta Bastos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-844131</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mário Jorge da Motta Bastos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 May 2022 19:07:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-844131</guid>

					<description><![CDATA[Caro João, uma inspiração, como sempre. Desculpe-me a forma - reproduzo trechos e comento -, mas me pareceu a mais simples. Obrigado pelo texto. Abraços do Mário.

“Isto significa que no processo histórico, enquanto ele decorre, há actores, mas não existe enredo nem encenador. Ora, como podem os actores, representando um papel que não conhecem numa peça de que ignoram o desfecho, trilhar um caminho tão claramente definido como aquele que o historiador apresenta nas páginas que escreve?”
Meu caro, a meu juízo sua proposição remete à questão da consciência dos sujeitos, do grau de liberdade com que conduzem suas ações e da amplitude de suas percepções da trama que se desenrola. Porque há tramas se desenrolando, mas para o curso das quais os atores atuam supondo que conhecem e controlam a plenitude do enredo. Eles atuam supondo que conhecem a trama e que são capazes de conduzi-las ao desfecho que pretendem. Se não houvesse, como seria capaz o historiador de reconhecê-la e racionalizar o seu curso? Seria possível a racionalidade na História sem essa configuração? Não seríamos capazes apenas de descortinar ações restritas, performances limitadas, breves flashs do passado?

“Cada pessoa é um percurso, aleatório e sempre mutável, entre diferentes esferas sociais, caracterizadas por práticas distintas. São estas esferas, e não as pessoas, os sujeitos das práticas. Os actores da história são as esferas sociais.” 
Althusser lhe referencia aqui de alguma forma? As pessoas não são a matéria-prima das esferas em questão?

“Mas um contexto articula o passado (memórias pessoais e instituições num processo de desenvolvimento) e o futuro (projectos pessoais e o desenvolvimento de instituições), podendo afirmar-se que não existe um tempo presente e que, portanto, ele nunca deve ser a matéria do historiador.”
A posição dialeticamente oposta que apresenta no parágrafo seguinte faz mais sentido para mim. São vários os presentes que o historiador aborda e que configuram sínteses provisórias de percentuais específicos e diversos de passados projetados e futuros em processo. Presentes sucessivos constituem relações dinâmicas entre percentuais diversos e diversamente combinados de passados e futuros. Os presentes são as sínteses. Não é isso o que configura os processos? Ademais, o futuro só é historicamente compreensível como present continuous. De resto, seria projeção. Sob tal perspectiva, o giro de 180º a que se refere seria possível, um conhecimento do futuro não como ele será, mas das suas potencialidades de ser a partir de projeções sucessivas arremetidas dos presentes em curso. Ademais, seria um conhecimento tão provisório como o que temos do passado. Aliás, não é isso que indica na passagem abaixo?
“Mas aqui precisamente reside a dificuldade. O número de factores, e de relações entre factores, integrantes de um contexto é ilimitado, não só porque a pesquisa histórica tende a descobrir novos factores e a estabelecer novas relações, como porque cada factor ou relação deve, por seu turno, ser entendido num contexto, e assim sucessivamente, o que prolonga o carácter ilimitado dos factores e das suas relações.”

“O possível não é determinado especificamente, não sabemos se vai ou não materializar-se ou, numa terminologia precisa, se vai ou não actualizar-se. Mas nem tudo atinge o estatuto de possível. Os limites do possível são determinados. Isto significa que pode definir-se exactamente o impossível, podendo portanto definir-se os contornos do possível, mas dentro desses contornos o número de possibilidades é ilimitado. Por outras palavras, num quadro com fronteiras rigorosamente determinadas existem ilimitadas possibilidades de realização dessa determinação.”
Em cada presente, o possível é determinado pelo conjunto das sínteses viáveis entre passado e futuro, do quantum específico que opera a síntese das possibilidades. Desvendar um processo seria justamente estabelecer o que foi em meio às possibilidades do que poderia vir a ser.

“A história dos múltiplos fracassos não é menos real do que a do único êxito.”
Perfeito!!!

“Do a posteriori para o a priori o historiador vê uma só realidade efectivada, mas do a priori para o a posteriori os personagens vivem um número ilimitado de realidades possíveis.”
Penso que seja justamente contra este ‘estreitamento do foco’ que se levanta seu manifesto, não? Qualquer calouro de um curso de História ouvirá de um professor com cara de erudito que ‘a História não se faz, não admite o ‘se’. É preciso criticar este reducionismo e superar tamanha falta de fôlego e humildade.

“Só estudando o que não aconteceu poderemos elucidar o que sucedeu. Deste modo, o a posteriori deve resultar do estudo do fracasso dos — de quantos? — a priori.”
Que tal ensaiar a história do não? A tentativa de assalto ao céu poderia ter desfechos diversos? Quais? Que sucessivos presentes desfechos outros poderiam ter produzido?
Só me resta lhe desejar mil anos de vida para que possa seguir adiante... E a mim também, para que possa acompanhá-lo!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João, uma inspiração, como sempre. Desculpe-me a forma &#8211; reproduzo trechos e comento -, mas me pareceu a mais simples. Obrigado pelo texto. Abraços do Mário.</p>
<p>“Isto significa que no processo histórico, enquanto ele decorre, há actores, mas não existe enredo nem encenador. Ora, como podem os actores, representando um papel que não conhecem numa peça de que ignoram o desfecho, trilhar um caminho tão claramente definido como aquele que o historiador apresenta nas páginas que escreve?”<br />
Meu caro, a meu juízo sua proposição remete à questão da consciência dos sujeitos, do grau de liberdade com que conduzem suas ações e da amplitude de suas percepções da trama que se desenrola. Porque há tramas se desenrolando, mas para o curso das quais os atores atuam supondo que conhecem e controlam a plenitude do enredo. Eles atuam supondo que conhecem a trama e que são capazes de conduzi-las ao desfecho que pretendem. Se não houvesse, como seria capaz o historiador de reconhecê-la e racionalizar o seu curso? Seria possível a racionalidade na História sem essa configuração? Não seríamos capazes apenas de descortinar ações restritas, performances limitadas, breves flashs do passado?</p>
<p>“Cada pessoa é um percurso, aleatório e sempre mutável, entre diferentes esferas sociais, caracterizadas por práticas distintas. São estas esferas, e não as pessoas, os sujeitos das práticas. Os actores da história são as esferas sociais.”<br />
Althusser lhe referencia aqui de alguma forma? As pessoas não são a matéria-prima das esferas em questão?</p>
<p>“Mas um contexto articula o passado (memórias pessoais e instituições num processo de desenvolvimento) e o futuro (projectos pessoais e o desenvolvimento de instituições), podendo afirmar-se que não existe um tempo presente e que, portanto, ele nunca deve ser a matéria do historiador.”<br />
A posição dialeticamente oposta que apresenta no parágrafo seguinte faz mais sentido para mim. São vários os presentes que o historiador aborda e que configuram sínteses provisórias de percentuais específicos e diversos de passados projetados e futuros em processo. Presentes sucessivos constituem relações dinâmicas entre percentuais diversos e diversamente combinados de passados e futuros. Os presentes são as sínteses. Não é isso o que configura os processos? Ademais, o futuro só é historicamente compreensível como present continuous. De resto, seria projeção. Sob tal perspectiva, o giro de 180º a que se refere seria possível, um conhecimento do futuro não como ele será, mas das suas potencialidades de ser a partir de projeções sucessivas arremetidas dos presentes em curso. Ademais, seria um conhecimento tão provisório como o que temos do passado. Aliás, não é isso que indica na passagem abaixo?<br />
“Mas aqui precisamente reside a dificuldade. O número de factores, e de relações entre factores, integrantes de um contexto é ilimitado, não só porque a pesquisa histórica tende a descobrir novos factores e a estabelecer novas relações, como porque cada factor ou relação deve, por seu turno, ser entendido num contexto, e assim sucessivamente, o que prolonga o carácter ilimitado dos factores e das suas relações.”</p>
<p>“O possível não é determinado especificamente, não sabemos se vai ou não materializar-se ou, numa terminologia precisa, se vai ou não actualizar-se. Mas nem tudo atinge o estatuto de possível. Os limites do possível são determinados. Isto significa que pode definir-se exactamente o impossível, podendo portanto definir-se os contornos do possível, mas dentro desses contornos o número de possibilidades é ilimitado. Por outras palavras, num quadro com fronteiras rigorosamente determinadas existem ilimitadas possibilidades de realização dessa determinação.”<br />
Em cada presente, o possível é determinado pelo conjunto das sínteses viáveis entre passado e futuro, do quantum específico que opera a síntese das possibilidades. Desvendar um processo seria justamente estabelecer o que foi em meio às possibilidades do que poderia vir a ser.</p>
<p>“A história dos múltiplos fracassos não é menos real do que a do único êxito.”<br />
Perfeito!!!</p>
<p>“Do a posteriori para o a priori o historiador vê uma só realidade efectivada, mas do a priori para o a posteriori os personagens vivem um número ilimitado de realidades possíveis.”<br />
Penso que seja justamente contra este ‘estreitamento do foco’ que se levanta seu manifesto, não? Qualquer calouro de um curso de História ouvirá de um professor com cara de erudito que ‘a História não se faz, não admite o ‘se’. É preciso criticar este reducionismo e superar tamanha falta de fôlego e humildade.</p>
<p>“Só estudando o que não aconteceu poderemos elucidar o que sucedeu. Deste modo, o a posteriori deve resultar do estudo do fracasso dos — de quantos? — a priori.”<br />
Que tal ensaiar a história do não? A tentativa de assalto ao céu poderia ter desfechos diversos? Quais? Que sucessivos presentes desfechos outros poderiam ter produzido?<br />
Só me resta lhe desejar mil anos de vida para que possa seguir adiante&#8230; E a mim também, para que possa acompanhá-lo!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-843712</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2022 14:15:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-843712</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo:
O problema da indistinção entre o não-ainda da sucessão de não-nunca é uma pseudo-aporia, eventualmente solucionável mediante o recurso a uma negativa e adorniana dialética.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo:<br />
O problema da indistinção entre o não-ainda da sucessão de não-nunca é uma pseudo-aporia, eventualmente solucionável mediante o recurso a uma negativa e adorniana dialética.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-843692</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2022 10:13:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-843692</guid>

					<description><![CDATA[Obrigado João, de fato conheço as diferenças entre a sua teorização e a de Gramsci, apenas queria saber se você se confrontou com o autor neste aspecto. Abraço.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado João, de fato conheço as diferenças entre a sua teorização e a de Gramsci, apenas queria saber se você se confrontou com o autor neste aspecto. Abraço.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Alberto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-843691</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Alberto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2022 10:07:45 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-843691</guid>

					<description><![CDATA[No distante ano de 2005, João Bernardo esteve em Goiânia num congresso de História na UFG e na ocasião ofereceu-nos o desenvolvimento analítico de oito teses sobre metodologia da História. O texto dessa conferência foi publicado na História Revista e pode ser consultado através deste link: https://www.revistas.ufg.br/historia/article/view/9006
Vale muito a leitura do texto de 2005 com o que o autor retoma e avança neste texto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No distante ano de 2005, João Bernardo esteve em Goiânia num congresso de História na UFG e na ocasião ofereceu-nos o desenvolvimento analítico de oito teses sobre metodologia da História. O texto dessa conferência foi publicado na História Revista e pode ser consultado através deste link: <a href="https://www.revistas.ufg.br/historia/article/view/9006" rel="nofollow ugc">https://www.revistas.ufg.br/historia/article/view/9006</a><br />
Vale muito a leitura do texto de 2005 com o que o autor retoma e avança neste texto.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143354/#comment-843690</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2022 09:47:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143354#comment-843690</guid>

					<description><![CDATA[Ulisses,
Agradeço o seu comentário, porque em linha e meia você expôs o tutano deste manifesto.
O problema é que no &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt; não existe maneira de distinguir o não-ainda da sucessão de não-nunca.

Irado,
Quanto à sua primeira questão, é-me impossível responder-lhe num comentário. Talvez eu apresente aqui proximamente um artigo mostrando como procurei aplicar, ao longo de toda a minha obra, uma historiografia do Não. Para já, sobre a questão da objectividade, remeto para um livro meu já antigo, &lt;em&gt;Dialéctica da Prática e da Ideologia&lt;/em&gt; (Porto: Afrontamento, São: Paulo: Cortez, 1991).
Quanto à segunda questão, o meu conceito de Estado Amplo nada tem a ver com o de Gramsci. As palavras são as mesmas, mas o conceito não tem nenhuma relação.
De qualquer modo, eu nunca fui influenciado pela obra de Gramsci, embora na minha juventude tivesse sido bastante influenciado por Antonio Labriola (não confundir com Arturo Labriola!), de quem Gramsci sofreu a influência. Se não me falha a memória, a única ocasião em que mencionei Gramsci foi no &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;, como um caso, entre muitos outros, de convergência entre a esquerda social e a direita nacional. Mas ali o caso de Gramsci serviu-me apenas para ilustrar um problema que atingiu, e atinge, uma enorme amplitude.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ulisses,<br />
Agradeço o seu comentário, porque em linha e meia você expôs o tutano deste manifesto.<br />
O problema é que no <em>a priori</em> não existe maneira de distinguir o não-ainda da sucessão de não-nunca.</p>
<p>Irado,<br />
Quanto à sua primeira questão, é-me impossível responder-lhe num comentário. Talvez eu apresente aqui proximamente um artigo mostrando como procurei aplicar, ao longo de toda a minha obra, uma historiografia do Não. Para já, sobre a questão da objectividade, remeto para um livro meu já antigo, <em>Dialéctica da Prática e da Ideologia</em> (Porto: Afrontamento, São: Paulo: Cortez, 1991).<br />
Quanto à segunda questão, o meu conceito de Estado Amplo nada tem a ver com o de Gramsci. As palavras são as mesmas, mas o conceito não tem nenhuma relação.<br />
De qualquer modo, eu nunca fui influenciado pela obra de Gramsci, embora na minha juventude tivesse sido bastante influenciado por Antonio Labriola (não confundir com Arturo Labriola!), de quem Gramsci sofreu a influência. Se não me falha a memória, a única ocasião em que mencionei Gramsci foi no <em>Labirintos do Fascismo</em>, como um caso, entre muitos outros, de convergência entre a esquerda social e a direita nacional. Mas ali o caso de Gramsci serviu-me apenas para ilustrar um problema que atingiu, e atinge, uma enorme amplitude.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
