<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: A maior onda de revoltas populares da história da humanidade (1)	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2022/05/143727/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2022/05/143727/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 May 2022 22:41:46 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Granamir		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143727/#comment-844953</link>

		<dc:creator><![CDATA[Granamir]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 May 2022 22:41:46 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143727#comment-844953</guid>

					<description><![CDATA[Vou colocar todas as respostas aqui num comentário só, usando a numeração que o Rodrigo Silva já colocou, pra facilitar pra quem quiser comentar na sequência.

1) O texto tem uma ambiguidade que se evidenciou agora no debate, ao não distinguir entre revolta e revolução. Uma revolução é um evento maior e mais intenso do que uma revolta. No final da I Guerra houve uma onda de revoluções na Europa que foi mais importante para a história mundial, embora tenha ficado restrita à Europa e arredores (Rússia, Alemanha, Hungria, Itália, Turquia, Irlanda, motins e greves na França e Inglaterra). O que temos hoje são revoltas, que são menores e menos intensas que as revoluções. Mas enquanto revolta apenas, a onda atual é maior. Tenho dúvidas sobre a possibilidade de estender os movimentos de 1968 até 1980.

2) Na parte 2 do texto procura mostrar que o avanço da mundialização do capital nas últimas décadas criou um certo tipo de condição social que é mais inóspita pra se pensar a superação do capital. Pra resumir, quanto maior o número de pessoas que se proletariza, mais essas pessoas sentem a sua condição como individual. O problema é o tipo de proletarização que está rolando hoje, que é jogar as pessoas individualmente no mercado e bloquear as vias culturais de socialização.

3) Prefiro não opinar sobre ciclos de Kondratieff, por ser cético a respeito da sua utilidade explicativa para a história do capitalismo. Me inclino mais a pensar que tanto os ciclos periódicos de curta duração do capitalismo como as fases mais longas são únicos, e desenvolvem um tipo de processo histórico que é mais cumulativo do que repetitivo.

4) Você deve estar certo. Eu só detectei a virada um pouco mais tarde, quando a Primavera Árabe reverteu em guerra civil na Líbia, na Síria e no golpe de Al Sisi no Egito, e ainda relutei muito em aceitar que estávamos perdendo. Na época eu ainda estava preso à narrativa de que as massas sempre avançam.

5) A Índia é um país confuso demais. A China tem o proletariado mais concentrado do mundo hoje. Se vier alguma novidade vai ser de lá. No dia em que derrubarem o PC vai ser um terremoto mundial.

6) Não sei se eram mais pelegos, minha impressão era de que o enfrentamento era mais cru, qualquer greve era ilegal. Acho que as instituições que existem hoje estão muito mais integradas ao Estado, inclusive. É só ver o que o MST e o MST viraram hoje, são antessalas de programas governamentais.

7) Bom, mas o objetivo da luta de classes não é estabilizar o sistema, é inviabilizar mesmo. Que é o que um movimento reformista combativo deveria fazer, arrancar concessões do capital até socializar tudo. Atualmente existe uma moda de discutir o neoliberalismo como algo para além de um certo tipo de política econômica, mais como uma ideologia, quase uma religião, que molda todos os aspectos do comportamento. E nesse sentido pode ser até mais nefasto.

8) Hipótese que parece boa demais para ser verdade.

9) Eu vejo a uberização e o salto tecnológico acontecendo, embora seja verdade que a uberização nunca vai ser total e sempre vai haver um núcleo significativo de trabalhadores qualificados e organizados. Sobre guerra interimperialista, me parece que não tem como haver confronto direto e as potências vão fazer guerras por procuração, usando forças no interior dos países periféricos da área de influência de cada um.

10) Também concordo que as formas de transição não estão assim disponíveis ao alcance das mãos. Mas eu acho que existem sim parâmetros pra se imaginar. A análise do Marx sobre o capital, a forma mercadoria, a lei do valor, o fetichismo, servem pra alguma coisa, para se saber o que deve ser rompido e substituído. Mas claro, eu também acho que confrontos do tipo da guerra civil russa, que ainda são o modelo com o qual praticamente toda a esquerda que se diz revolucionária hoje ainda sonha; não devem ser o mais comum. A consciência ambiental e feminista deve ter um papel importante sim.

11) Eu implico muito com partidos reformistas tipo Syriza ou PT ou outros voltados para eleições. Mas não é porque eu acho que eles, uma vez eleitos, deveriam anunciar a abolição do capital, mas são pelegos e deixam de fazer isso e traem as expectativas. Mas é porque toda a trajetória que leva eles até serem eleitos já está errada, porque é unilateral. Porque ninguém nunca cumpre algo como a estratégia do Projeto Democrático Popular do PT de 1987, por exemplo, em que você tem um braço dos movimentos sociais e um partido eleitoral. O partido eleitoral sempre toma as rédeas e sempre subordina o movimento, sendo que tem que ser o contrário. O movimento social tem que se manter independente em relação ao Estado e combativo contra o capital, o tempo todo, antes, durante e depois de qualquer disputa eleitoral. E é isso que sempre se perde.

12) Nessa parte eu também tenho bastante acordo, para mim esse modelo do &quot;partido de quadros&quot; reproduz a hierarquia capitalista ao invés de colaborar na ruptura.

13) Eu não acho que os trabalhadores são por definição revolucionários e que só os sindicatos e cooperativas atrapalham o avanço revolucionário. Mas eu acho sim que os sindicatos e outros movimentos institucionalizados atrapalham, e que as direções são sempre pró capitalistas. E é possível um tipo de luta econômica cotidiana que não se subordina ao horizonte das relações capitalistas e sirva para ajudar a enxergar para além delas. Só é muito difícil de fazer, porque sempre se para no meio do caminho.

14) O que eu gosto na comunização é que eles chegaram a conclusões parecidas com as da crítica do valor, que tem um núcleo válido de enfatizar o fetichismo como alvo a ser destruído; mas chegaram a isso sem abrir mão da luta de classes, que é para mim o erro da crítica do valor. Mas claro, eu não acho que a comunização ou qualquer outra corrente tenha uma concepção bem desenvolvida da transição, que baste aplicar como uma receita. Acho que estamos todos numa certa penumbra, sem enxergar muito bem o que tem que acontecer. O meu texto caminha pra uma defesa de duas condições que atualmente não se combinam, o impulso para a insurreição e a necessidade da autogestão. Eu não sei como elas podem algum dia se combinar, mas o que eu defendo é que de algum jeito vão ter que se combinar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou colocar todas as respostas aqui num comentário só, usando a numeração que o Rodrigo Silva já colocou, pra facilitar pra quem quiser comentar na sequência.</p>
<p>1) O texto tem uma ambiguidade que se evidenciou agora no debate, ao não distinguir entre revolta e revolução. Uma revolução é um evento maior e mais intenso do que uma revolta. No final da I Guerra houve uma onda de revoluções na Europa que foi mais importante para a história mundial, embora tenha ficado restrita à Europa e arredores (Rússia, Alemanha, Hungria, Itália, Turquia, Irlanda, motins e greves na França e Inglaterra). O que temos hoje são revoltas, que são menores e menos intensas que as revoluções. Mas enquanto revolta apenas, a onda atual é maior. Tenho dúvidas sobre a possibilidade de estender os movimentos de 1968 até 1980.</p>
<p>2) Na parte 2 do texto procura mostrar que o avanço da mundialização do capital nas últimas décadas criou um certo tipo de condição social que é mais inóspita pra se pensar a superação do capital. Pra resumir, quanto maior o número de pessoas que se proletariza, mais essas pessoas sentem a sua condição como individual. O problema é o tipo de proletarização que está rolando hoje, que é jogar as pessoas individualmente no mercado e bloquear as vias culturais de socialização.</p>
<p>3) Prefiro não opinar sobre ciclos de Kondratieff, por ser cético a respeito da sua utilidade explicativa para a história do capitalismo. Me inclino mais a pensar que tanto os ciclos periódicos de curta duração do capitalismo como as fases mais longas são únicos, e desenvolvem um tipo de processo histórico que é mais cumulativo do que repetitivo.</p>
<p>4) Você deve estar certo. Eu só detectei a virada um pouco mais tarde, quando a Primavera Árabe reverteu em guerra civil na Líbia, na Síria e no golpe de Al Sisi no Egito, e ainda relutei muito em aceitar que estávamos perdendo. Na época eu ainda estava preso à narrativa de que as massas sempre avançam.</p>
<p>5) A Índia é um país confuso demais. A China tem o proletariado mais concentrado do mundo hoje. Se vier alguma novidade vai ser de lá. No dia em que derrubarem o PC vai ser um terremoto mundial.</p>
<p>6) Não sei se eram mais pelegos, minha impressão era de que o enfrentamento era mais cru, qualquer greve era ilegal. Acho que as instituições que existem hoje estão muito mais integradas ao Estado, inclusive. É só ver o que o MST e o MST viraram hoje, são antessalas de programas governamentais.</p>
<p>7) Bom, mas o objetivo da luta de classes não é estabilizar o sistema, é inviabilizar mesmo. Que é o que um movimento reformista combativo deveria fazer, arrancar concessões do capital até socializar tudo. Atualmente existe uma moda de discutir o neoliberalismo como algo para além de um certo tipo de política econômica, mais como uma ideologia, quase uma religião, que molda todos os aspectos do comportamento. E nesse sentido pode ser até mais nefasto.</p>
<p>8) Hipótese que parece boa demais para ser verdade.</p>
<p>9) Eu vejo a uberização e o salto tecnológico acontecendo, embora seja verdade que a uberização nunca vai ser total e sempre vai haver um núcleo significativo de trabalhadores qualificados e organizados. Sobre guerra interimperialista, me parece que não tem como haver confronto direto e as potências vão fazer guerras por procuração, usando forças no interior dos países periféricos da área de influência de cada um.</p>
<p>10) Também concordo que as formas de transição não estão assim disponíveis ao alcance das mãos. Mas eu acho que existem sim parâmetros pra se imaginar. A análise do Marx sobre o capital, a forma mercadoria, a lei do valor, o fetichismo, servem pra alguma coisa, para se saber o que deve ser rompido e substituído. Mas claro, eu também acho que confrontos do tipo da guerra civil russa, que ainda são o modelo com o qual praticamente toda a esquerda que se diz revolucionária hoje ainda sonha; não devem ser o mais comum. A consciência ambiental e feminista deve ter um papel importante sim.</p>
<p>11) Eu implico muito com partidos reformistas tipo Syriza ou PT ou outros voltados para eleições. Mas não é porque eu acho que eles, uma vez eleitos, deveriam anunciar a abolição do capital, mas são pelegos e deixam de fazer isso e traem as expectativas. Mas é porque toda a trajetória que leva eles até serem eleitos já está errada, porque é unilateral. Porque ninguém nunca cumpre algo como a estratégia do Projeto Democrático Popular do PT de 1987, por exemplo, em que você tem um braço dos movimentos sociais e um partido eleitoral. O partido eleitoral sempre toma as rédeas e sempre subordina o movimento, sendo que tem que ser o contrário. O movimento social tem que se manter independente em relação ao Estado e combativo contra o capital, o tempo todo, antes, durante e depois de qualquer disputa eleitoral. E é isso que sempre se perde.</p>
<p>12) Nessa parte eu também tenho bastante acordo, para mim esse modelo do &#8220;partido de quadros&#8221; reproduz a hierarquia capitalista ao invés de colaborar na ruptura.</p>
<p>13) Eu não acho que os trabalhadores são por definição revolucionários e que só os sindicatos e cooperativas atrapalham o avanço revolucionário. Mas eu acho sim que os sindicatos e outros movimentos institucionalizados atrapalham, e que as direções são sempre pró capitalistas. E é possível um tipo de luta econômica cotidiana que não se subordina ao horizonte das relações capitalistas e sirva para ajudar a enxergar para além delas. Só é muito difícil de fazer, porque sempre se para no meio do caminho.</p>
<p>14) O que eu gosto na comunização é que eles chegaram a conclusões parecidas com as da crítica do valor, que tem um núcleo válido de enfatizar o fetichismo como alvo a ser destruído; mas chegaram a isso sem abrir mão da luta de classes, que é para mim o erro da crítica do valor. Mas claro, eu não acho que a comunização ou qualquer outra corrente tenha uma concepção bem desenvolvida da transição, que baste aplicar como uma receita. Acho que estamos todos numa certa penumbra, sem enxergar muito bem o que tem que acontecer. O meu texto caminha pra uma defesa de duas condições que atualmente não se combinam, o impulso para a insurreição e a necessidade da autogestão. Eu não sei como elas podem algum dia se combinar, mas o que eu defendo é que de algum jeito vão ter que se combinar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Amanajé		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143727/#comment-843833</link>

		<dc:creator><![CDATA[Amanajé]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2022 23:56:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143727#comment-843833</guid>

					<description><![CDATA[A respeito do texto de Communia, sobre o Cazaquistão no começo desse ano, já possui tradução: https://amanajeanarquista.blogspot.com/2022/01/protestos-no-cazaquistao-5-pontos-chave.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A respeito do texto de Communia, sobre o Cazaquistão no começo desse ano, já possui tradução: <a href="https://amanajeanarquista.blogspot.com/2022/01/protestos-no-cazaquistao-5-pontos-chave.html" rel="nofollow ugc">https://amanajeanarquista.blogspot.com/2022/01/protestos-no-cazaquistao-5-pontos-chave.html</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo Silva		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/05/143727/#comment-843294</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 May 2022 13:32:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=143727#comment-843294</guid>

					<description><![CDATA[Isso tem a ver com umas coisas que eu tô tentando entender. Vou fazer comentários separados porque a coisa não tá muito organizada na minha cabeça.

1) não é a maior, mas é uma das maiores. A maior com certeza é 1967-80 (da Comuna de Xangai até a greve geral polonesa). Pode ser que seja maior do que 1917-23 mas teria que ver.

2) eu tô tentando reavaliar o porquê do socialismo não estar colocado. Tenho pensado sobre isso. A minha impressão geral é que a gente tem uma visão idealizada do período da Terceira Internacional. 

Pra ter uma ideia, em 1921 a IC tinha 900 mil filiados, e foi perdendo até chegar a 300 mil em 1929. Nesse período todo, em linhas gerais, era uma organização revolucionária. Depois de 1934-6 virou reformista (ou centrista em alguns países). Só chegou a ter partidos de massa em quatro países nos anos 1920 (Alemanha, França, Tchecoslováquia e Iugoslavia). Isso é uma grande potência? Os outros partidos não eram qualitativamente diferentes de um PSTU da vida. Sobre a fase reformista, hoje talvez, proporcionalmente, tenha até mais partidos reformistas tipo o PSUV da Venezuela, a La France Insoumise etc. 

O fato de parecer que o socialismo tava na ordem do dia nos anos 1920 eu acho que tem mais a ver com outra coisa: uma forma alternativa de desenvolvimento das forças produtivas, que era possível na época e hoje não é mais, por causa da globalização, mas que não era socialista. Socialismo mesmo sempre foi uma minoria dentro da classe trabalhadora. Talvez hoje tenha mais consciência socialista difusa mundialmente do que na época da IC.

3) essas ondas acontecem nós pontos baixos do ciclo de Kondratieff. Se for assim, vai diminuir na década de 2030.

4) Eu achava que a grande virada dessa onda que começou em 2011 foi na Grécia. Ali, a esquerda chegou ao governo e não conseguiu dar uma resposta real à questão da austeridade. Por isso, a direita identitária passou à iniciativa, com a fórmula de sair da austeridade na lógica de &quot;farinha pouca, meu pirão primeiro&quot;.

5) teve uma greve geral na Índia mês passado. 50 milhões de pessoas pararam. A central sindical entrou em crise, porque avaliou que a greve tava esvaziada <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f923.png" alt="🤣" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f923.png" alt="🤣" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f923.png" alt="🤣" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> (???!!!). Imagina quando cair a ditadura na China.

6) Hoje tem mais densidade sindical e cooperativas do que no começo do século XX. Mais uma vez, aí eu acho que tem uma idealização, porque a maioria dos sindicatos lá atrás também eram pelegos, e a gente lembra dos grandes picos de lutas.

7) 7) tem uma coisa sobre a austeridade que eu não tenho certeza. Mas a minha impressão é a seguinte: o neoliberalismo na Europa serviu pra estabilizar a parte da renda nacional que foi pros trabalhadores e, se não tivesse austeridade, teria aumentado muito e inviabilizado o sistema.

8) é difícil de acreditar, mas: a classe trabalhadora não foi derrotada dos anos 80 pra cá nos países capitalistas (no campo stalinista a questão é mais complexa). Teve retrocessos, mas não acabaram com os direitos principais (férias, saúde, previdência, jornada). E a classe trabalhadora cada vez tem mais acesso à educação. Por isso, tem cada vez mais condições materiais de virar o jogo.

9) quais seriam as possibilidades de derrota? Eu imagino pelo menos três: 

- uberização generalizada
- guerra interimperialista
- um salto tecnológico que dispense a maior parte dos trabalhadores

10) ninguém ainda descobriu as formas políticas, sociais e econômicas pra romper com o capitalismo. O que eu imagino é que o modelo de revolução com duas forças armadas lutando pelo controle de um território vai acontecer cada vez menos, e em regiões cada vez mais atrasadas (Síria, Nepal, Índia etc é só ver os exemplos). Uma parte dessa ação provavelmente vai ser reformista ou até menos que política no sentido tradicional (as mudanças sociais por causa do feminismo, ou veganismo, ou algumas formas de ecologia por exemplo).

11) eu fico pensando assim: vamos imaginar que a Syriza lá na Grécia quisesse romper, o que eles iam fazer? Que tipo de organização de base eles teriam que impulsionar? Como eles iam fazer com a economia? 

Ou eu vejo também algumas experiências municipalistas libertárias na Espanha. O que dá pra fazer nessa escala? Qual tipo de iniciativas ecológicas?

12) a gente não sabe quais seriam as formas organizativas também. O que eu tenho certeza é que mais de 80 anos mostraram que os &quot;partidos de quadros&quot; não funcionam.

13) falei dos sindicatos e cooperativas não porque eu acho que são as instituições estratégicas pra ir ao socialismo, e sim porque são as organizações econômicas do dia a dia. Eu acho que a posição antissindical do autonomismo e comunismo de esquerda é retomar a visão errada da IC de que os trabalhadores estão normalmente dispostos a irem num rumo revolucionário, e que os sindicatos e partidos é que freiam (que o trotskismo formalizou como crise de direção). A atividade da classe trabalhadora é economicista ou reformista, a não ser em situações muito fora do normal.

14) a corrente da comunização diz que a forma espontânea de organização são as assembléias (pelo menos é a posição do Théorie Communiste) acho que isso é uma adaptação ao retrocesso político, assim como a rejeição ao que eles chamam de programatismo. Que uma revolução acontece depois da tomada do poder e aplicando um programa é óbvio, eles é que teriam que provar que tem como socializar a produção e a sociedade antes de tomar o poder. O povo da crítica do valor (Krisis e Exit!) têm uma concepção parecida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isso tem a ver com umas coisas que eu tô tentando entender. Vou fazer comentários separados porque a coisa não tá muito organizada na minha cabeça.</p>
<p>1) não é a maior, mas é uma das maiores. A maior com certeza é 1967-80 (da Comuna de Xangai até a greve geral polonesa). Pode ser que seja maior do que 1917-23 mas teria que ver.</p>
<p>2) eu tô tentando reavaliar o porquê do socialismo não estar colocado. Tenho pensado sobre isso. A minha impressão geral é que a gente tem uma visão idealizada do período da Terceira Internacional. </p>
<p>Pra ter uma ideia, em 1921 a IC tinha 900 mil filiados, e foi perdendo até chegar a 300 mil em 1929. Nesse período todo, em linhas gerais, era uma organização revolucionária. Depois de 1934-6 virou reformista (ou centrista em alguns países). Só chegou a ter partidos de massa em quatro países nos anos 1920 (Alemanha, França, Tchecoslováquia e Iugoslavia). Isso é uma grande potência? Os outros partidos não eram qualitativamente diferentes de um PSTU da vida. Sobre a fase reformista, hoje talvez, proporcionalmente, tenha até mais partidos reformistas tipo o PSUV da Venezuela, a La France Insoumise etc. </p>
<p>O fato de parecer que o socialismo tava na ordem do dia nos anos 1920 eu acho que tem mais a ver com outra coisa: uma forma alternativa de desenvolvimento das forças produtivas, que era possível na época e hoje não é mais, por causa da globalização, mas que não era socialista. Socialismo mesmo sempre foi uma minoria dentro da classe trabalhadora. Talvez hoje tenha mais consciência socialista difusa mundialmente do que na época da IC.</p>
<p>3) essas ondas acontecem nós pontos baixos do ciclo de Kondratieff. Se for assim, vai diminuir na década de 2030.</p>
<p>4) Eu achava que a grande virada dessa onda que começou em 2011 foi na Grécia. Ali, a esquerda chegou ao governo e não conseguiu dar uma resposta real à questão da austeridade. Por isso, a direita identitária passou à iniciativa, com a fórmula de sair da austeridade na lógica de &#8220;farinha pouca, meu pirão primeiro&#8221;.</p>
<p>5) teve uma greve geral na Índia mês passado. 50 milhões de pessoas pararam. A central sindical entrou em crise, porque avaliou que a greve tava esvaziada 🤣🤣🤣 (???!!!). Imagina quando cair a ditadura na China.</p>
<p>6) Hoje tem mais densidade sindical e cooperativas do que no começo do século XX. Mais uma vez, aí eu acho que tem uma idealização, porque a maioria dos sindicatos lá atrás também eram pelegos, e a gente lembra dos grandes picos de lutas.</p>
<p>7) 7) tem uma coisa sobre a austeridade que eu não tenho certeza. Mas a minha impressão é a seguinte: o neoliberalismo na Europa serviu pra estabilizar a parte da renda nacional que foi pros trabalhadores e, se não tivesse austeridade, teria aumentado muito e inviabilizado o sistema.</p>
<p>8) é difícil de acreditar, mas: a classe trabalhadora não foi derrotada dos anos 80 pra cá nos países capitalistas (no campo stalinista a questão é mais complexa). Teve retrocessos, mas não acabaram com os direitos principais (férias, saúde, previdência, jornada). E a classe trabalhadora cada vez tem mais acesso à educação. Por isso, tem cada vez mais condições materiais de virar o jogo.</p>
<p>9) quais seriam as possibilidades de derrota? Eu imagino pelo menos três: </p>
<p>&#8211; uberização generalizada<br />
&#8211; guerra interimperialista<br />
&#8211; um salto tecnológico que dispense a maior parte dos trabalhadores</p>
<p>10) ninguém ainda descobriu as formas políticas, sociais e econômicas pra romper com o capitalismo. O que eu imagino é que o modelo de revolução com duas forças armadas lutando pelo controle de um território vai acontecer cada vez menos, e em regiões cada vez mais atrasadas (Síria, Nepal, Índia etc é só ver os exemplos). Uma parte dessa ação provavelmente vai ser reformista ou até menos que política no sentido tradicional (as mudanças sociais por causa do feminismo, ou veganismo, ou algumas formas de ecologia por exemplo).</p>
<p>11) eu fico pensando assim: vamos imaginar que a Syriza lá na Grécia quisesse romper, o que eles iam fazer? Que tipo de organização de base eles teriam que impulsionar? Como eles iam fazer com a economia? </p>
<p>Ou eu vejo também algumas experiências municipalistas libertárias na Espanha. O que dá pra fazer nessa escala? Qual tipo de iniciativas ecológicas?</p>
<p>12) a gente não sabe quais seriam as formas organizativas também. O que eu tenho certeza é que mais de 80 anos mostraram que os &#8220;partidos de quadros&#8221; não funcionam.</p>
<p>13) falei dos sindicatos e cooperativas não porque eu acho que são as instituições estratégicas pra ir ao socialismo, e sim porque são as organizações econômicas do dia a dia. Eu acho que a posição antissindical do autonomismo e comunismo de esquerda é retomar a visão errada da IC de que os trabalhadores estão normalmente dispostos a irem num rumo revolucionário, e que os sindicatos e partidos é que freiam (que o trotskismo formalizou como crise de direção). A atividade da classe trabalhadora é economicista ou reformista, a não ser em situações muito fora do normal.</p>
<p>14) a corrente da comunização diz que a forma espontânea de organização são as assembléias (pelo menos é a posição do Théorie Communiste) acho que isso é uma adaptação ao retrocesso político, assim como a rejeição ao que eles chamam de programatismo. Que uma revolução acontece depois da tomada do poder e aplicando um programa é óbvio, eles é que teriam que provar que tem como socializar a produção e a sociedade antes de tomar o poder. O povo da crítica do valor (Krisis e Exit!) têm uma concepção parecida.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
