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	Comentários sobre: Contribuições teóricas para o combate ao sindicalismo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Gogol		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144551/#comment-846877</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gogol]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2022 02:48:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O que faltou de qualidade em pesquisa histórica a respeito dos sindicatos sobrou na biologização da história. A marca do cientificismo naturalista ainda se faz presente nos grupos informais de herança bolchevique. Essas esferas fechadas e estáticas de uma retidão indobráveis como aço tendem a retornar com os seus vícios, como se diz na máxima: &quot;o que se faz em vida, ecoa na eternidade&quot;, eternos vícios retornam, círculos viciosos de um mundo imutável. 

A tese apresenta uma natureza sindical de identidade fixa, o eterno sindicato, de genética imutável e portador de um pecado original, a negociação,(como se não houvesse negociações quando a base, em determinados momentos de luta, agigantam-se perante a direção sindical, possibilitando o surgimento de formas mais amplas e diretas de luta). Sem negociação só a revolução!
 Com o conceito de eterno sindicato inoculado por vírus originários que revelam a sua natureza no ponto de partida, a história está dispensada, não há o que se falar dos processos históricos do movimento sindical e sua dinâmica nos contextos históricos, não se fala em ciclos de luta, em ciclos de resistência, em ciclos de total apatia do movimento da classe, não precisa-se mais da história para se entender o sindicalismo, basta decifrar o seu código genético. Não se parte de dados e fatos concretos, diversos e multiformes para se chegar a uma abstração a respeito do sindicalismo, e a partir daí, criticá-lo; parte-se de uma ideia abstrata, generalizada e estática do  sindicalismo, onde não há qualquer relação de forças sociais, uma forma predestinada e a-histórica, sem qualquer interferência humana, sem biografia, se contexto, o método aqui não é do materialismo histórico, a fossilização de conceitos eternos vai na linha do materialismo naturalista de um Haeckel, de um Nina Rodrigues.

Gasta-se muita tinta para apontar e denunciar a verticalização, a hierarquização e o elitismo dos sindicatos e das organizações formais da classe trabalhadora, o que está correto, e a denuncia deve ser feita, no entanto, fala-se muito pouco das hierarquias dentro dos grupos informais de &quot;revolucionário&quot;, da exclusividade do conselho de anciões experientes no poder de decisão dessas organizações, das diferenças marcadas por escala e não por contraste. Organizações que presam por sua hierarquia interna, conselho de anciões, poderão contribuir para a construção de um processo de lutas por reivindicações e emancipação horizontalizadas e autônomas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que faltou de qualidade em pesquisa histórica a respeito dos sindicatos sobrou na biologização da história. A marca do cientificismo naturalista ainda se faz presente nos grupos informais de herança bolchevique. Essas esferas fechadas e estáticas de uma retidão indobráveis como aço tendem a retornar com os seus vícios, como se diz na máxima: &#8220;o que se faz em vida, ecoa na eternidade&#8221;, eternos vícios retornam, círculos viciosos de um mundo imutável. </p>
<p>A tese apresenta uma natureza sindical de identidade fixa, o eterno sindicato, de genética imutável e portador de um pecado original, a negociação,(como se não houvesse negociações quando a base, em determinados momentos de luta, agigantam-se perante a direção sindical, possibilitando o surgimento de formas mais amplas e diretas de luta). Sem negociação só a revolução!<br />
 Com o conceito de eterno sindicato inoculado por vírus originários que revelam a sua natureza no ponto de partida, a história está dispensada, não há o que se falar dos processos históricos do movimento sindical e sua dinâmica nos contextos históricos, não se fala em ciclos de luta, em ciclos de resistência, em ciclos de total apatia do movimento da classe, não precisa-se mais da história para se entender o sindicalismo, basta decifrar o seu código genético. Não se parte de dados e fatos concretos, diversos e multiformes para se chegar a uma abstração a respeito do sindicalismo, e a partir daí, criticá-lo; parte-se de uma ideia abstrata, generalizada e estática do  sindicalismo, onde não há qualquer relação de forças sociais, uma forma predestinada e a-histórica, sem qualquer interferência humana, sem biografia, se contexto, o método aqui não é do materialismo histórico, a fossilização de conceitos eternos vai na linha do materialismo naturalista de um Haeckel, de um Nina Rodrigues.</p>
<p>Gasta-se muita tinta para apontar e denunciar a verticalização, a hierarquização e o elitismo dos sindicatos e das organizações formais da classe trabalhadora, o que está correto, e a denuncia deve ser feita, no entanto, fala-se muito pouco das hierarquias dentro dos grupos informais de &#8220;revolucionário&#8221;, da exclusividade do conselho de anciões experientes no poder de decisão dessas organizações, das diferenças marcadas por escala e não por contraste. Organizações que presam por sua hierarquia interna, conselho de anciões, poderão contribuir para a construção de um processo de lutas por reivindicações e emancipação horizontalizadas e autônomas?</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144551/#comment-846867</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2022 00:01:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Paulo Jorge, não se pode antever com precisão as formas futuras da luta dos trabalhadores. Elas dependem das condições sociais, e devem mudar de acordo com o crescente poder da classe trabalhadora. É necessário, deste modo, pesquisar por quais modos, até o momento, os trabalhadores construíram, na luta, seu caminho até aqui, adaptando seus modos de ação às várias circunstâncias. Somente ao aprender com a experiência de nossos predecessores, e ao considerá-la criticamente, poderemos atender às demandas do momento.

Ponhamos, por isso, os pingos nos ii.

No contexto revolucionário alemão entre 1918 e 1933, os sindicatos poderiam ter sido órgãos revolucionários? Muito dificilmente, se se tem em mente a atuação da &lt;em&gt;Generalkommission der Gewerkschaften Deutschlands&lt;/em&gt; e da &lt;em&gt;Allgemeiner Deutsche Gewerkschaftsbund&lt;/em&gt;, e também o &lt;em&gt;Stinnes-Legien-Abkommen&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Burgfriedenspolitik&lt;/em&gt; que o precedeu. 

É &lt;em&gt;nesse contexto&lt;/em&gt; que as obras dos comunistas de conselhos fazem sentido, não em outros. 

Se a denúncia do caráter contrarrevolucionário dos sindicatos fazia sentido nesse contexto, ao expressá-la em termos gerais e abstratos os comunistas de conselhos equivocaram-se. Um equívoco muito comum, aliás: quem nunca cometeu uma generalização apressada ao falar do que vê e sente? Rühle mesmo era mestre nas generalizações apressadas. Pannekoek, ao menos, tinha consciência disso ao circunscrever a crítica ao sindicalismo &lt;em&gt;ao contexto do capitalismo monopolista&lt;/em&gt;, reconhecendo méritos ao sindicalismo &lt;em&gt;em fases anteriores do capitalismo&lt;/em&gt;. Além disso, na obra maior de Pannekoek fica evidente que a crítica ao sindicalismo se dá num contexto em que a classe trabalhadora, &lt;em&gt;por meio do sindicalismo&lt;/em&gt;, graças à sua luta ergueu-se da miséria pelos próprios cabelos, colocando, &lt;em&gt;para aquele contexto&lt;/em&gt; (Europa e América do Norte, anos 1920-1950), a superação do sindicalismo como questão.

Insisto: o problema não está no equívoco (desculpável) dos comunistas de conselhos, está em quem os lê fora de seu contexto espacial e temporal, sem entendê-los aí onde se radicavam, pretendendo dar validade universal ao que só faz sentido num tempo e num lugar bem circunscritos. É problema em que incorrem esta resenha, e a obra resenhada.

(Note-se: nunca afirmei que não se deve levar os comunistas de conselhos &quot;a sério&quot;, tampouco que não se deva levar &quot;a sério&quot; o que quer que escrevam. Somente ressaltei seus limites óbvios. É o que se deve fazer com quem se deve levar &quot;a sério&quot;.)

No contexto atual, os sindicatos são órgãos revolucionários? Não. No mínimo, negociam o valor da força de trabalho; no limite, defendem direitos laborais já estabelecidos há décadas; para piorar, com a intensificação da &quot;informalidade&quot;, sua base social reduz-se a olhos vistos.

Existe revolução à vista? Não. É possível haver revolução no futuro próximo ou remoto? Sim. Nesse novo contexto, os sindicatos podem vir a ser órgãos revolucionários? &lt;em&gt;Depende do que aconteça à sua volta&lt;/em&gt;. É &lt;em&gt;neste contexto, não em outros&lt;/em&gt;, em que as obras dos comunistas de conselhos &lt;em&gt;não fazem mais sentido&lt;/em&gt;. Transformaram-se em &lt;em&gt;documentos históricos&lt;/em&gt;, não servindo mais como &lt;em&gt;guias para a ação imediata&lt;/em&gt;. Servem para aprendermos como o que já se passou, não como orientação para agirmos como se lá estivéssemos. Por mais inteligentes e hábeis, Ruhle, Pannekoek, Korsch, Gorter, Appel, etc. não eram clarividentes. Expressavam, seja em termos mais abstratos, seja em termos mais simples e diretos, o que viam e viviam, não o futuro de quase cem anos depois. 

O futuro ainda está, como sempre, em aberto, sem que os &lt;em&gt;panfletos&lt;/em&gt; (sim, &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://www.aulete.com.br/panfleto&quot; rel=&quot;nofollow ugc&quot;&gt;panfletos&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;) de Fulano ou Beltrano o determinem. Não ver coisas assim tão evidentes é sintoma da &lt;em&gt;leitura bíblica de textos revolucionários&lt;/em&gt; a que me referi, porque toma certos &quot;textos&quot; como &lt;em&gt;palavra revolucionária revelada&lt;/em&gt;, válida de uma vez para sempre, &lt;em&gt;per secula seculorum&lt;/em&gt;, sem qualquer ajuste ou crítica. É o problema com esta resenha, e com a obra resenhada.

Dito isto, fico por aqui, porque já estou me repetindo. Concordamos em discordar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Jorge, não se pode antever com precisão as formas futuras da luta dos trabalhadores. Elas dependem das condições sociais, e devem mudar de acordo com o crescente poder da classe trabalhadora. É necessário, deste modo, pesquisar por quais modos, até o momento, os trabalhadores construíram, na luta, seu caminho até aqui, adaptando seus modos de ação às várias circunstâncias. Somente ao aprender com a experiência de nossos predecessores, e ao considerá-la criticamente, poderemos atender às demandas do momento.</p>
<p>Ponhamos, por isso, os pingos nos ii.</p>
<p>No contexto revolucionário alemão entre 1918 e 1933, os sindicatos poderiam ter sido órgãos revolucionários? Muito dificilmente, se se tem em mente a atuação da <em>Generalkommission der Gewerkschaften Deutschlands</em> e da <em>Allgemeiner Deutsche Gewerkschaftsbund</em>, e também o <em>Stinnes-Legien-Abkommen</em> e a <em>Burgfriedenspolitik</em> que o precedeu. </p>
<p>É <em>nesse contexto</em> que as obras dos comunistas de conselhos fazem sentido, não em outros. </p>
<p>Se a denúncia do caráter contrarrevolucionário dos sindicatos fazia sentido nesse contexto, ao expressá-la em termos gerais e abstratos os comunistas de conselhos equivocaram-se. Um equívoco muito comum, aliás: quem nunca cometeu uma generalização apressada ao falar do que vê e sente? Rühle mesmo era mestre nas generalizações apressadas. Pannekoek, ao menos, tinha consciência disso ao circunscrever a crítica ao sindicalismo <em>ao contexto do capitalismo monopolista</em>, reconhecendo méritos ao sindicalismo <em>em fases anteriores do capitalismo</em>. Além disso, na obra maior de Pannekoek fica evidente que a crítica ao sindicalismo se dá num contexto em que a classe trabalhadora, <em>por meio do sindicalismo</em>, graças à sua luta ergueu-se da miséria pelos próprios cabelos, colocando, <em>para aquele contexto</em> (Europa e América do Norte, anos 1920-1950), a superação do sindicalismo como questão.</p>
<p>Insisto: o problema não está no equívoco (desculpável) dos comunistas de conselhos, está em quem os lê fora de seu contexto espacial e temporal, sem entendê-los aí onde se radicavam, pretendendo dar validade universal ao que só faz sentido num tempo e num lugar bem circunscritos. É problema em que incorrem esta resenha, e a obra resenhada.</p>
<p>(Note-se: nunca afirmei que não se deve levar os comunistas de conselhos &#8220;a sério&#8221;, tampouco que não se deva levar &#8220;a sério&#8221; o que quer que escrevam. Somente ressaltei seus limites óbvios. É o que se deve fazer com quem se deve levar &#8220;a sério&#8221;.)</p>
<p>No contexto atual, os sindicatos são órgãos revolucionários? Não. No mínimo, negociam o valor da força de trabalho; no limite, defendem direitos laborais já estabelecidos há décadas; para piorar, com a intensificação da &#8220;informalidade&#8221;, sua base social reduz-se a olhos vistos.</p>
<p>Existe revolução à vista? Não. É possível haver revolução no futuro próximo ou remoto? Sim. Nesse novo contexto, os sindicatos podem vir a ser órgãos revolucionários? <em>Depende do que aconteça à sua volta</em>. É <em>neste contexto, não em outros</em>, em que as obras dos comunistas de conselhos <em>não fazem mais sentido</em>. Transformaram-se em <em>documentos históricos</em>, não servindo mais como <em>guias para a ação imediata</em>. Servem para aprendermos como o que já se passou, não como orientação para agirmos como se lá estivéssemos. Por mais inteligentes e hábeis, Ruhle, Pannekoek, Korsch, Gorter, Appel, etc. não eram clarividentes. Expressavam, seja em termos mais abstratos, seja em termos mais simples e diretos, o que viam e viviam, não o futuro de quase cem anos depois. </p>
<p>O futuro ainda está, como sempre, em aberto, sem que os <em>panfletos</em> (sim, <em><a href="https://www.aulete.com.br/panfleto" rel="nofollow ugc">panfletos</a></em>) de Fulano ou Beltrano o determinem. Não ver coisas assim tão evidentes é sintoma da <em>leitura bíblica de textos revolucionários</em> a que me referi, porque toma certos &#8220;textos&#8221; como <em>palavra revolucionária revelada</em>, válida de uma vez para sempre, <em>per secula seculorum</em>, sem qualquer ajuste ou crítica. É o problema com esta resenha, e com a obra resenhada.</p>
<p>Dito isto, fico por aqui, porque já estou me repetindo. Concordamos em discordar.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Jorge		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144551/#comment-846789</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Jorge]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jun 2022 00:21:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Manolo, eu discordo de que o &quot;problema está em que os panfletos de Otto Rühle, Anton Pannekoek e outros não especificam a questão desta forma, fazendo um ataque generalizado a todo tipo de sindicato&quot;. Na verdade, ao ler as obras dos comunistas de conselhos  sua totalidade (e não apenas &quot;panfletos&quot; como você afirma), verificamos que eles defendem que os sindicatos são organizações burocráticas e apresentam uma relação entre &quot;chefes e massas&quot;, &quot;dirigentes e dirigidos&quot;, etc. Portanto, todos os sindicatos são negados por eles como forma de organização do proletariado capaz de satisfazer seus interesses. E eu acho muito curioso você defender o que defendeu, pois nas principais obras de Ruhle e Pannekoek há a defesa explícita da negação dos sindicatos. Agora, podemos discordar ou concordar com eles, mas, ao discordar, devemos atacar as teses dos autores e não dizer que tal coisa ou outra é algo conjuntural e não deve ser levado a sério por ser um panfleto ou algo não científico. Te digo: um panfleto expressa posições reais e não se desvincula com aquilo que o militante pensa. A teoria pode ser simplificada para ser compreendida, mas simplificar não é o mesmo que deformar. O autor, ao escrever um panfleto, não deforma seu próprio pensamento, apenas o simplifica...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Manolo, eu discordo de que o &#8220;problema está em que os panfletos de Otto Rühle, Anton Pannekoek e outros não especificam a questão desta forma, fazendo um ataque generalizado a todo tipo de sindicato&#8221;. Na verdade, ao ler as obras dos comunistas de conselhos  sua totalidade (e não apenas &#8220;panfletos&#8221; como você afirma), verificamos que eles defendem que os sindicatos são organizações burocráticas e apresentam uma relação entre &#8220;chefes e massas&#8221;, &#8220;dirigentes e dirigidos&#8221;, etc. Portanto, todos os sindicatos são negados por eles como forma de organização do proletariado capaz de satisfazer seus interesses. E eu acho muito curioso você defender o que defendeu, pois nas principais obras de Ruhle e Pannekoek há a defesa explícita da negação dos sindicatos. Agora, podemos discordar ou concordar com eles, mas, ao discordar, devemos atacar as teses dos autores e não dizer que tal coisa ou outra é algo conjuntural e não deve ser levado a sério por ser um panfleto ou algo não científico. Te digo: um panfleto expressa posições reais e não se desvincula com aquilo que o militante pensa. A teoria pode ser simplificada para ser compreendida, mas simplificar não é o mesmo que deformar. O autor, ao escrever um panfleto, não deforma seu próprio pensamento, apenas o simplifica&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144551/#comment-846755</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jun 2022 14:59:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=144551#comment-846755</guid>

					<description><![CDATA[O erro da tese defendida pelos autores deriva de uma generalização apressada feita pelos comunistas de conselhos. &lt;em&gt;No contexto alemão entre 1918 e 1933&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;frente à experiência dos conselhos na Rússia e em muitos levantes proletários na Alemanha&lt;/em&gt;, fazia algum sentido dizer que os sindicatos cumpriram papel contrarrevolucionário. A tese é discutível (p. ex.,Sergio Bologna demonstrou como a tática de enfrentamento a sindicatos reputados como antirrevolucionários só fez sentido para os operários do vale do Ruhr), mas fazia sentido. 

O problema está em que os panfletos de Otto Rühle, Anton Pannekoek e outros não especificam a questão desta forma, fazendo um ataque generalizado a todo tipo de sindicato. Na verdade, o problema não está, propriamente, nos comunistas de conselhos, porque um panfleto dirigido a trabalhadores não é obra científica, mas obra de intervenção imediata, onde faz mais sentido falar de modo simples e direto a um público presente e conhecido que perder-se em especificações para melhor situar um público futuro e desconhecido; o problema está em quem lê tais panfletos como &lt;em&gt;obra científica&lt;/em&gt;, não como &lt;em&gt;obra de intervenção imediata&lt;/em&gt;, porque encontra neles aquela generalização equivocada, mas justificável, e transforma-a, sem mais, em verdade científica, em fato incontestável. 

Este fenômeno --- que desde há muitos anos chamo, informalmente, de &lt;em&gt;leitura bíblica de textos revolucionários&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;palavra revolucionária revelada&lt;/em&gt;, etc. --- é muito mais comum do que parece, já gozou de elevada reputação acadêmica no passado (quando se lia Marx, Engels e Lenin nas universidades como se houvessem identificado única e exclusivamente verdades absolutas, não fatos historicamente determinados), e deve demorar muito tempo para desaparecer (se é que desaparecerá).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O erro da tese defendida pelos autores deriva de uma generalização apressada feita pelos comunistas de conselhos. <em>No contexto alemão entre 1918 e 1933</em>, e <em>frente à experiência dos conselhos na Rússia e em muitos levantes proletários na Alemanha</em>, fazia algum sentido dizer que os sindicatos cumpriram papel contrarrevolucionário. A tese é discutível (p. ex.,Sergio Bologna demonstrou como a tática de enfrentamento a sindicatos reputados como antirrevolucionários só fez sentido para os operários do vale do Ruhr), mas fazia sentido. </p>
<p>O problema está em que os panfletos de Otto Rühle, Anton Pannekoek e outros não especificam a questão desta forma, fazendo um ataque generalizado a todo tipo de sindicato. Na verdade, o problema não está, propriamente, nos comunistas de conselhos, porque um panfleto dirigido a trabalhadores não é obra científica, mas obra de intervenção imediata, onde faz mais sentido falar de modo simples e direto a um público presente e conhecido que perder-se em especificações para melhor situar um público futuro e desconhecido; o problema está em quem lê tais panfletos como <em>obra científica</em>, não como <em>obra de intervenção imediata</em>, porque encontra neles aquela generalização equivocada, mas justificável, e transforma-a, sem mais, em verdade científica, em fato incontestável. </p>
<p>Este fenômeno &#8212; que desde há muitos anos chamo, informalmente, de <em>leitura bíblica de textos revolucionários</em>, de <em>palavra revolucionária revelada</em>, etc. &#8212; é muito mais comum do que parece, já gozou de elevada reputação acadêmica no passado (quando se lia Marx, Engels e Lenin nas universidades como se houvessem identificado única e exclusivamente verdades absolutas, não fatos historicamente determinados), e deve demorar muito tempo para desaparecer (se é que desaparecerá).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144551/#comment-846687</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2022 15:56:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os autores querem deduzir da crítica aos sindicatos uma doutrina revolucionária, cometendo os mesmos erros de outros grupos doutrinários do passado. Defendem a tese de que os sindicatos têm a conciliação em seu DNA e, portanto, negam a priori experiências concretas de luta envolvendo sindicatos. Parece que os sindicatos não resultaram dessas lutas, e sim da atuação de gestores desde o princípio. É como se não tivessem passado por qualquer transformação ao longo do tempo, deixando gradualmente de ser orientados para a luta e especializando-se na conciliação. Por outro lado, é como se líderes operários não tivessem se convertido gradualmente em gestores. Ora, é precisamente essa dinâmica que interessa. O estudo dessa dinâmica mostra que os sindicatos não são as únicas instituições criadas pelos trabalhadores que podem se burocratizar, nem as únicas e permitir a ascensão de novos gestores, como já se discutiu neste site em diversas ocasiões.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os autores querem deduzir da crítica aos sindicatos uma doutrina revolucionária, cometendo os mesmos erros de outros grupos doutrinários do passado. Defendem a tese de que os sindicatos têm a conciliação em seu DNA e, portanto, negam a priori experiências concretas de luta envolvendo sindicatos. Parece que os sindicatos não resultaram dessas lutas, e sim da atuação de gestores desde o princípio. É como se não tivessem passado por qualquer transformação ao longo do tempo, deixando gradualmente de ser orientados para a luta e especializando-se na conciliação. Por outro lado, é como se líderes operários não tivessem se convertido gradualmente em gestores. Ora, é precisamente essa dinâmica que interessa. O estudo dessa dinâmica mostra que os sindicatos não são as únicas instituições criadas pelos trabalhadores que podem se burocratizar, nem as únicas e permitir a ascensão de novos gestores, como já se discutiu neste site em diversas ocasiões.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alan Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144551/#comment-846686</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alan Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2022 15:50:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=144551#comment-846686</guid>

					<description><![CDATA[Receio discordar do ulisses --- e do artigo em questão --- em uma questão que me parece verdadeiramente central nessa discussão. Quando os sindicatos não foram integralmente aparelhados pelas burocracias, seu funeral foi representado pelo esgotamento das resistências ao regime fordista, onde operava uma outra lógica da espoliação capitalista. Dada a transnacionalização do capital e o aproveitamento quase integral da componente intelectual do trabalho, quando não a transferência do controle sobre o trabalho sem autogestão, que resposta a forma-sindical tem para essa nova composição técnica do trabalho? As a palavras de ordem que não levam isso em consideração tendem a criar mais rixa com nossos camaradas teimosos à gramática do sindicalismo do que despertar para uma &quot;orientação socialista verdadeira&quot;. Lembro que há dois anos foi lembrado nesse site (https://passapalavra.info/2020/02/129993/) que se a forma dos conselhos operários não opõe ao sindicalismo clássico uma resposta real em termos de ascenso da lutas, a crítica soa vazia. Quando militantes autonomistas reproduzem a lógica do &quot;Que Fazer&quot;, leninista, à negação dos sindicatos, não parecem ter entendido o real esgotamento do sindicalismo. Soa uma crítica moral. No máximo, serve para contar vantagem sobre outras organizações. Não acho que é isso que os interessa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Receio discordar do ulisses &#8212; e do artigo em questão &#8212; em uma questão que me parece verdadeiramente central nessa discussão. Quando os sindicatos não foram integralmente aparelhados pelas burocracias, seu funeral foi representado pelo esgotamento das resistências ao regime fordista, onde operava uma outra lógica da espoliação capitalista. Dada a transnacionalização do capital e o aproveitamento quase integral da componente intelectual do trabalho, quando não a transferência do controle sobre o trabalho sem autogestão, que resposta a forma-sindical tem para essa nova composição técnica do trabalho? As a palavras de ordem que não levam isso em consideração tendem a criar mais rixa com nossos camaradas teimosos à gramática do sindicalismo do que despertar para uma &#8220;orientação socialista verdadeira&#8221;. Lembro que há dois anos foi lembrado nesse site (<a href="https://passapalavra.info/2020/02/129993/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2020/02/129993/</a>) que se a forma dos conselhos operários não opõe ao sindicalismo clássico uma resposta real em termos de ascenso da lutas, a crítica soa vazia. Quando militantes autonomistas reproduzem a lógica do &#8220;Que Fazer&#8221;, leninista, à negação dos sindicatos, não parecem ter entendido o real esgotamento do sindicalismo. Soa uma crítica moral. No máximo, serve para contar vantagem sobre outras organizações. Não acho que é isso que os interessa.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144551/#comment-846685</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2022 15:17:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[AUTONOMIA PROLETÁRIA
Muito bela e potente iniciativa a do Coletivo Editorial do Boletim Batalhar.]]></description>
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Muito bela e potente iniciativa a do Coletivo Editorial do Boletim Batalhar.</p>
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