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	Comentários sobre: Decrescimento ecossocialista ou abundância burocrática?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: M. Alves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-850574</link>

		<dc:creator><![CDATA[M. Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jul 2022 15:10:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Existe um artigo que critica o livro &quot;O Que é Ecossocialismo?&quot; do Löwy. O artigo se chama &quot;As Aventuras Do Ecossocialista Löwy Contra Karl Marx&quot; e pode ser acessado através deste link: https://redelp.net/index.php/renf/article/view/559/533]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe um artigo que critica o livro &#8220;O Que é Ecossocialismo?&#8221; do Löwy. O artigo se chama &#8220;As Aventuras Do Ecossocialista Löwy Contra Karl Marx&#8221; e pode ser acessado através deste link: <a href="https://redelp.net/index.php/renf/article/view/559/533" rel="nofollow ugc">https://redelp.net/index.php/renf/article/view/559/533</a></p>
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		<title>
		Por: Joker		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-850020</link>

		<dc:creator><![CDATA[Joker]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 23:35:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Li ainda hoje um artigo em que o autor diz que os ecologistas ocidentais chatearam-se com a Revolução Verde empregada pelo líder do Sri Lanka, porque ela não leva em conta, inclusive, que os aumentos de produtividade levam a população a reproduzir-se cada vez mais. Isso, é claro, bem antes do decreto que bania fertilizantes, momento em que as exportações de produtos agrícolas decolava no país. Em outra intervenção neste site, foi lembrado que em Sociedade Contra o Estado Pierre Clastres defendia que não só eram possíveis sociedades autóctones como foram as economias de escala que anteciparam o seu fim. É que aquele &quot;socialismo&quot; não passou da pequena para a escala macro. O que significava que a recusa de um mercado era possível, mas que essa recusa implicava em isolamento, ao contrário da solidariedade, internacionalista, desafio dos socialistas de nosso tempo. Não seria o decrescimento econômico a recusa dos comunistas em fazer um comunismo de escala? Questionamentos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li ainda hoje um artigo em que o autor diz que os ecologistas ocidentais chatearam-se com a Revolução Verde empregada pelo líder do Sri Lanka, porque ela não leva em conta, inclusive, que os aumentos de produtividade levam a população a reproduzir-se cada vez mais. Isso, é claro, bem antes do decreto que bania fertilizantes, momento em que as exportações de produtos agrícolas decolava no país. Em outra intervenção neste site, foi lembrado que em Sociedade Contra o Estado Pierre Clastres defendia que não só eram possíveis sociedades autóctones como foram as economias de escala que anteciparam o seu fim. É que aquele &#8220;socialismo&#8221; não passou da pequena para a escala macro. O que significava que a recusa de um mercado era possível, mas que essa recusa implicava em isolamento, ao contrário da solidariedade, internacionalista, desafio dos socialistas de nosso tempo. Não seria o decrescimento econômico a recusa dos comunistas em fazer um comunismo de escala? Questionamentos&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-850008</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 22:20:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Prometeus,

Realmente temos uma discordância muito mais ampla do que o ecossocialismo.

1. Sim, eu coloco em xeque todo o movimento ecológico, e não só parte dele.

2. Não, eu não acredito que a defesa do meio ambiente é algo sem relevância, mas precisarei me alongar um pouco nesse ponto.

a) De um lado, a própria ideia de “defesa” parte de um pressuposto: que o meio ambiente é uma coisa estática, possui um suposto equilíbrio natural e deve ser mantido, o máximo possível, intacto. Entretanto, esse suposto meio ambiente não existe nem nunca existiu. A natureza não tem nada de estática, nem possui qualquer equilíbrio universal (possui equilíbrios bem delimitados, no tempo e espaço), nem permitiria a sobrevivência do ser humano e de muitas outras formas de vida se não pudesse ser alterada, modificada, transformada. Uma coisa que o ser humano e todos os demais sempre fizeram (e sempre farão) é alterar o meio ambiente, multiplicando uns recursos naturais e criando, por outro lado, resíduos e escassez de outros. Surge então um novo quadro, no qual o ser humano (e os demais seres) haverão de agir.

b) De outro lado, é claro que ninguém em sã consciência poderia defender a destruição, o fim, de recursos naturais que permitem a sobrevivência do ser humano. Entretanto, contradizendo os ambientalistas de mentalidade apocalíptica, o ser humano, sobretudo após a revolução industrial, tem sido capaz não apenas de produzir cada vez mais, mas de produzir cada vez mais com menos esforço e gastando menos recursos, que é o que chamamos de produtividade. Além do mais, a modernidade trouxe ainda a possibilidade de a economia possuir uma tal capacidade produtiva que multiplicou-se enormemente a quantidade daquilo que se pode produzir hoje e se poderá um dia produzir, numa diversificação colossal da produção. Ora, o capitalismo criou três condições fundamentais para o comunismo: a possibilidade de produzir-se em abundância, a possibilidade de produzir-se em abundância com menos recursos e, por fim, a possibilidade de diversificar enormemente a produção atual e multiplicar enormemente aquilo que se poderá produzir um dia, coisas que nem sequer concebemos, mas que o crescimento e o desenvolvimento econômicos vão possibilitando (um exemplo: ninguém imaginava, há algumas décadas, a revolução que resultaria da invenção do computador e da conexão em rede de computadores, por meio de linhas telefônicas). Sem essas três condições não haverá comunismo. Eu sou comunista. Logo, por uma questão de lógica e bom senso, não faz sentido para mim combater justamente aquilo que possibilitará o desenvolvimento de um novo modo de produção, um que não represente a socialização da pobreza, mas da riqueza. Os ecologistas, ou combatem as tecnologias utilizadas atualmente na produção (por serem poluidoras, etc.), ou se opõem à própria ideia de um crescimento e desenvolvimento econômico que deem sustentação à civilização moderna. As demandas dos primeiros são facilmente incorporadas pelo capitalismo, que investe em novas tecnologias que diminuem impactos ambientais e criam novos mercados. As demandas dos outros, ninguém sério as leva a sério. No meio do caminho existem aqueles que defendem tecnologias arcaicas que o capitalismo também pode incorporar (se conseguiu superá-las, pode incorporá-las novamente), gerando novos mercados. Seja como for, além de questionarem justamente aquilo que poderá constituir a base material para a edificação do comunismo (o próprio pressuposto do comunismo, além do proletariado), os ecologistas acabam, de um ponto de vista político, desviando a atenção da classe trabalhadora do processo de exploração, voltando-a para questões ambientais, eleitas a nova prioridade nº 1, e fazendo-a convergir com gestores e capitalistas num projeto supraclassista fundamentado no mito de uma natureza que nunca foi. Então, sim, para mim a ecologia em geral é nociva, e em dois aspectos: por um lado, se levada a sério, de um ponto de vista econômico, ou permitirá o surgimento de novos mercados (verdes, mas ainda assim mercados), favorecendo a acumulação de capital, ou condenará os trabalhadores a privações econômicas, mediante a substituição de tecnologias modernas por arcaicas (veja-se o caso do Sri Lanka), ou destruirá a base material que poderá servir um dia à edificação de uma sociedade comunista; por outro lado, de um ponto de vista político, a ecologia convida os trabalhadores a deixarem de lado a questão da exploração e uma perspectiva de classe, colaborando com outras classes para a defesa de um projeto político fundado num mito. Portanto, sim, eu me oponho à ecologia em geral.

3. Você, entretanto, confunde crescimento econômico com acumulação de capital, e de certa forma tem razão, pois no capitalismo o crescimento econômico se confunde com a acumulação do capital. Mas o que é que devemos fazer? Combater o crescimento econômico porque ele propicia, nos marcos do capitalismo, a acumulação de capital? Ocorre que esse mesmo crescimento econômico, e em grande medida devido às lutas dos trabalhadores, propicia também uma melhoria geral, e estatisticamente incontestável, nas condições de vida dos trabalhadores; é claro que os capitalistas, dependendo da conjuntura, fazem o contrário, privam os trabalhadores dessas melhorias nas condições de vida, e aí os trabalhadores precisam lutar novamente. É isso o que chamamos de luta de classes no capitalismo. Aí você diz: ah, mas existe uma outra concepção de riqueza e de crescimento econômico, e eu posso até concordar, a menos que você defenda uma sociedade autogerida em que os trabalhadores se ocupem de gerir a pobreza, tecnologias arcaicas e que levem a privações econômicas, sob o pretexto de preservar a natureza. O comunismo é definido como a sociedade em que cada um poderá desenvolver livremente suas potencialidades, então para isso é necessário que haja riqueza em abundância, produtividade e uma economia diversificada, para que no curso de um processo de desenvolvimento e crescimento econômico o ser humano possa não só desenvolver as potencialidades que já possui, mas descobrir outras que nem imaginava poder ter, perseguindo-as livremente. Se a sociedade pós-capitalista não se aproxima dessa concepção, então para mim, sinto muito, ela não é comunista.

4. Voltando a um ponto anterior da sua argumentação, você afirma que “a humanidade necessita de recursos naturais específicos para sobreviver e são estes recursos que podem, ao longo do tempo, ficarem escassos”. Sim, tais recursos podem ficar escassos, mas o que a história do capitalismo tem demonstrado é que os recursos, desde que surgiu o capitalismo, foram na verdade multiplicados. O ser humano foi capaz de, através da industrialização e da aplicação da ciência à produção, multiplicar enormemente os recursos disponíveis, encontrar novas fontes de recursos, antes desconhecidas, reutilizar recursos que não podiam ser reutilizados, e assim por diante, e isso tudo continua sendo feito. Então, ao contrário de você, eu não vejo esses recursos chegando ao fim. Desequilíbrios regionais existem, como sempre existiram, e onde ferem os interesses da classe trabalhadora devem ser combatidos, mas por piorarem as condições de vida e colocarem em risco a sobrevivência das pessoas, sobretudo os trabalhadores, não em nome de uma natureza que nunca existiu, só nas cabeças e nos livros dos ecologistas. Existem lugares em que a população, principalmente os trabalhadores, sofrem com o lixo e a poluição? Sim, existem, o que precisa ser combatido, mas tendo em vista o bem-estar humano, e convergindo com uma luta ao mesmo tempo econômica e política, por apropriação da riqueza e das condições de produção geradas pela indústria moderna, de um lado, e por autonomia dos trabalhadores na distribuição dessa riqueza e na gestão dos processos produtivos, de outro. Seja como for, abrindo mão de uma perspectiva regional e adotando uma perspectiva global, como faz Bjørn Lomborg no livro “The Skeptical Environmentalist: Measuring the Real State of the World” (disponível, por exemplo, aqui: http://library.lol/main/3C504080C11E062A2A9A96FC47765A12), fica evidente que o mundo não está se encaminhando para a destruição e que, pelo contrário, em muitos aspectos está melhorando.

5. Enfim, acho que assim ficam bastante claras as divergências que temos entre nós.

Saudações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Prometeus,</p>
<p>Realmente temos uma discordância muito mais ampla do que o ecossocialismo.</p>
<p>1. Sim, eu coloco em xeque todo o movimento ecológico, e não só parte dele.</p>
<p>2. Não, eu não acredito que a defesa do meio ambiente é algo sem relevância, mas precisarei me alongar um pouco nesse ponto.</p>
<p>a) De um lado, a própria ideia de “defesa” parte de um pressuposto: que o meio ambiente é uma coisa estática, possui um suposto equilíbrio natural e deve ser mantido, o máximo possível, intacto. Entretanto, esse suposto meio ambiente não existe nem nunca existiu. A natureza não tem nada de estática, nem possui qualquer equilíbrio universal (possui equilíbrios bem delimitados, no tempo e espaço), nem permitiria a sobrevivência do ser humano e de muitas outras formas de vida se não pudesse ser alterada, modificada, transformada. Uma coisa que o ser humano e todos os demais sempre fizeram (e sempre farão) é alterar o meio ambiente, multiplicando uns recursos naturais e criando, por outro lado, resíduos e escassez de outros. Surge então um novo quadro, no qual o ser humano (e os demais seres) haverão de agir.</p>
<p>b) De outro lado, é claro que ninguém em sã consciência poderia defender a destruição, o fim, de recursos naturais que permitem a sobrevivência do ser humano. Entretanto, contradizendo os ambientalistas de mentalidade apocalíptica, o ser humano, sobretudo após a revolução industrial, tem sido capaz não apenas de produzir cada vez mais, mas de produzir cada vez mais com menos esforço e gastando menos recursos, que é o que chamamos de produtividade. Além do mais, a modernidade trouxe ainda a possibilidade de a economia possuir uma tal capacidade produtiva que multiplicou-se enormemente a quantidade daquilo que se pode produzir hoje e se poderá um dia produzir, numa diversificação colossal da produção. Ora, o capitalismo criou três condições fundamentais para o comunismo: a possibilidade de produzir-se em abundância, a possibilidade de produzir-se em abundância com menos recursos e, por fim, a possibilidade de diversificar enormemente a produção atual e multiplicar enormemente aquilo que se poderá produzir um dia, coisas que nem sequer concebemos, mas que o crescimento e o desenvolvimento econômicos vão possibilitando (um exemplo: ninguém imaginava, há algumas décadas, a revolução que resultaria da invenção do computador e da conexão em rede de computadores, por meio de linhas telefônicas). Sem essas três condições não haverá comunismo. Eu sou comunista. Logo, por uma questão de lógica e bom senso, não faz sentido para mim combater justamente aquilo que possibilitará o desenvolvimento de um novo modo de produção, um que não represente a socialização da pobreza, mas da riqueza. Os ecologistas, ou combatem as tecnologias utilizadas atualmente na produção (por serem poluidoras, etc.), ou se opõem à própria ideia de um crescimento e desenvolvimento econômico que deem sustentação à civilização moderna. As demandas dos primeiros são facilmente incorporadas pelo capitalismo, que investe em novas tecnologias que diminuem impactos ambientais e criam novos mercados. As demandas dos outros, ninguém sério as leva a sério. No meio do caminho existem aqueles que defendem tecnologias arcaicas que o capitalismo também pode incorporar (se conseguiu superá-las, pode incorporá-las novamente), gerando novos mercados. Seja como for, além de questionarem justamente aquilo que poderá constituir a base material para a edificação do comunismo (o próprio pressuposto do comunismo, além do proletariado), os ecologistas acabam, de um ponto de vista político, desviando a atenção da classe trabalhadora do processo de exploração, voltando-a para questões ambientais, eleitas a nova prioridade nº 1, e fazendo-a convergir com gestores e capitalistas num projeto supraclassista fundamentado no mito de uma natureza que nunca foi. Então, sim, para mim a ecologia em geral é nociva, e em dois aspectos: por um lado, se levada a sério, de um ponto de vista econômico, ou permitirá o surgimento de novos mercados (verdes, mas ainda assim mercados), favorecendo a acumulação de capital, ou condenará os trabalhadores a privações econômicas, mediante a substituição de tecnologias modernas por arcaicas (veja-se o caso do Sri Lanka), ou destruirá a base material que poderá servir um dia à edificação de uma sociedade comunista; por outro lado, de um ponto de vista político, a ecologia convida os trabalhadores a deixarem de lado a questão da exploração e uma perspectiva de classe, colaborando com outras classes para a defesa de um projeto político fundado num mito. Portanto, sim, eu me oponho à ecologia em geral.</p>
<p>3. Você, entretanto, confunde crescimento econômico com acumulação de capital, e de certa forma tem razão, pois no capitalismo o crescimento econômico se confunde com a acumulação do capital. Mas o que é que devemos fazer? Combater o crescimento econômico porque ele propicia, nos marcos do capitalismo, a acumulação de capital? Ocorre que esse mesmo crescimento econômico, e em grande medida devido às lutas dos trabalhadores, propicia também uma melhoria geral, e estatisticamente incontestável, nas condições de vida dos trabalhadores; é claro que os capitalistas, dependendo da conjuntura, fazem o contrário, privam os trabalhadores dessas melhorias nas condições de vida, e aí os trabalhadores precisam lutar novamente. É isso o que chamamos de luta de classes no capitalismo. Aí você diz: ah, mas existe uma outra concepção de riqueza e de crescimento econômico, e eu posso até concordar, a menos que você defenda uma sociedade autogerida em que os trabalhadores se ocupem de gerir a pobreza, tecnologias arcaicas e que levem a privações econômicas, sob o pretexto de preservar a natureza. O comunismo é definido como a sociedade em que cada um poderá desenvolver livremente suas potencialidades, então para isso é necessário que haja riqueza em abundância, produtividade e uma economia diversificada, para que no curso de um processo de desenvolvimento e crescimento econômico o ser humano possa não só desenvolver as potencialidades que já possui, mas descobrir outras que nem imaginava poder ter, perseguindo-as livremente. Se a sociedade pós-capitalista não se aproxima dessa concepção, então para mim, sinto muito, ela não é comunista.</p>
<p>4. Voltando a um ponto anterior da sua argumentação, você afirma que “a humanidade necessita de recursos naturais específicos para sobreviver e são estes recursos que podem, ao longo do tempo, ficarem escassos”. Sim, tais recursos podem ficar escassos, mas o que a história do capitalismo tem demonstrado é que os recursos, desde que surgiu o capitalismo, foram na verdade multiplicados. O ser humano foi capaz de, através da industrialização e da aplicação da ciência à produção, multiplicar enormemente os recursos disponíveis, encontrar novas fontes de recursos, antes desconhecidas, reutilizar recursos que não podiam ser reutilizados, e assim por diante, e isso tudo continua sendo feito. Então, ao contrário de você, eu não vejo esses recursos chegando ao fim. Desequilíbrios regionais existem, como sempre existiram, e onde ferem os interesses da classe trabalhadora devem ser combatidos, mas por piorarem as condições de vida e colocarem em risco a sobrevivência das pessoas, sobretudo os trabalhadores, não em nome de uma natureza que nunca existiu, só nas cabeças e nos livros dos ecologistas. Existem lugares em que a população, principalmente os trabalhadores, sofrem com o lixo e a poluição? Sim, existem, o que precisa ser combatido, mas tendo em vista o bem-estar humano, e convergindo com uma luta ao mesmo tempo econômica e política, por apropriação da riqueza e das condições de produção geradas pela indústria moderna, de um lado, e por autonomia dos trabalhadores na distribuição dessa riqueza e na gestão dos processos produtivos, de outro. Seja como for, abrindo mão de uma perspectiva regional e adotando uma perspectiva global, como faz Bjørn Lomborg no livro “The Skeptical Environmentalist: Measuring the Real State of the World” (disponível, por exemplo, aqui: <a href="http://library.lol/main/3C504080C11E062A2A9A96FC47765A12" rel="nofollow ugc">http://library.lol/main/3C504080C11E062A2A9A96FC47765A12</a>), fica evidente que o mundo não está se encaminhando para a destruição e que, pelo contrário, em muitos aspectos está melhorando.</p>
<p>5. Enfim, acho que assim ficam bastante claras as divergências que temos entre nós.</p>
<p>Saudações.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-849993</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 20:06:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Gente, menos.

Parece os direitistas de internet querendo desqualificar o socialismo apontam pro Camboja do Pol Pot, ou pra a revolução Russa e seu resultado  (e mais tantas outras que impuseram um &quot;regime socialista&quot;).

O sujeito pode perfeitamente continuar defendendo agroecologia, agricultura orgânica, defender políticas públicas para isso, se dizer ecossocialista e criticar a política do presidente do Sri Lanka; apontar como foi equivocada na forma etc etc. Aliás, as boas matérias sobre o assunto diferenciam o autoritarismo e os erros do presidente do Sri Lanka, as limitações da agricultura orgânica hoje em dia, e o que seria necessário para expandi-la sem criar uma situação como no Sri Lanka.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gente, menos.</p>
<p>Parece os direitistas de internet querendo desqualificar o socialismo apontam pro Camboja do Pol Pot, ou pra a revolução Russa e seu resultado  (e mais tantas outras que impuseram um &#8220;regime socialista&#8221;).</p>
<p>O sujeito pode perfeitamente continuar defendendo agroecologia, agricultura orgânica, defender políticas públicas para isso, se dizer ecossocialista e criticar a política do presidente do Sri Lanka; apontar como foi equivocada na forma etc etc. Aliás, as boas matérias sobre o assunto diferenciam o autoritarismo e os erros do presidente do Sri Lanka, as limitações da agricultura orgânica hoje em dia, e o que seria necessário para expandi-la sem criar uma situação como no Sri Lanka.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Prometeus Freed		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-849959</link>

		<dc:creator><![CDATA[Prometeus Freed]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 13:48:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Alan Fernandes, os ecossocialistas estão até agora em silêncio, assim como a maioria das pessoas, pois ainda não vi uma análise aprofundada e detalhada sobre esta revolta, que possui múltiplas determinações para que ocorresse!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alan Fernandes, os ecossocialistas estão até agora em silêncio, assim como a maioria das pessoas, pois ainda não vi uma análise aprofundada e detalhada sobre esta revolta, que possui múltiplas determinações para que ocorresse!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Alan Fernandes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-849842</link>

		<dc:creator><![CDATA[Alan Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 14:06:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi pessoal, alguém conferiu se os ecossocialistas têm algo a dizer sobre a revolta popular no Sri Lanka?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi pessoal, alguém conferiu se os ecossocialistas têm algo a dizer sobre a revolta popular no Sri Lanka?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Giovanni Souza Martinelli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-847506</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giovanni Souza Martinelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 02:59:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Este texto é estupendo! Nos instiga a pensar, sem ingenuidades, sobre o Eco-socialismo. O ponto positivo do texto de Prometeus Freed é indicar o leninismo presente (de forma mais ou menos oculta) no Eco-socialismo. O meu único desconforto ao analisar este texto foi o subsequente excerto: &quot;o malabarismo para justificar o decrescimento faz com que os ecossocialistas ocultem as lutas de classes, tornando possível o impossível: colocar em prática o decrescimento ainda no interior do capitalismo&quot;. Suspeito que o Decrescimento poderia ser um interessante começo para uma futura percepção revolucionária da cousa, já que apresenta uma capacidade de unir as pessoas em torno de uma pauta e, ao não conseguirem atingir este objetivo dentro do capitalismo, as pessoas deduziriam espontaneamente que a questão é abolir o Capitalismo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este texto é estupendo! Nos instiga a pensar, sem ingenuidades, sobre o Eco-socialismo. O ponto positivo do texto de Prometeus Freed é indicar o leninismo presente (de forma mais ou menos oculta) no Eco-socialismo. O meu único desconforto ao analisar este texto foi o subsequente excerto: &#8220;o malabarismo para justificar o decrescimento faz com que os ecossocialistas ocultem as lutas de classes, tornando possível o impossível: colocar em prática o decrescimento ainda no interior do capitalismo&#8221;. Suspeito que o Decrescimento poderia ser um interessante começo para uma futura percepção revolucionária da cousa, já que apresenta uma capacidade de unir as pessoas em torno de uma pauta e, ao não conseguirem atingir este objetivo dentro do capitalismo, as pessoas deduziriam espontaneamente que a questão é abolir o Capitalismo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Prometeus Freed		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-847363</link>

		<dc:creator><![CDATA[Prometeus Freed]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jun 2022 16:32:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Fagner Enrique, obrigado por ter lido este meu breve texto e ainda comentado sobre ele. Se me permite, gostaria também de fazer alguns comentários:

1 - Acredito que concordamos em relação à crítica ao Ecossocialismo. Este foi o ponto central do pequeno texto e estou satisfeito com isso. O Ecossocialismo, portanto, é um conjunto de ideias e ações que busca apenas justificar e realizar interesses de classes que são diferentes do da classe proletária e, portanto, a revolução não é seu interesse, apesar de isso se mostrar no discurso de seus representantes. O interesse por trás do Ecossocialismo de Löwy e os outros autores são interesses burocráticos, controlar o proletariado, etc. Este interesse deve ser explicitado e denunciado, uma vez que é ocultado em seus discursos.

2 - No entanto, temos uma discordância, que é mais ampla do que o Ecossocialismo, e que vai além dos objetivos iniciais desse texto. No caso, acredito que você coloca em xeque todo o movimento ecológico e não só parte dele, isto é, você acredita que a defesa do meio ambiente é algo sem muita relevância, uma vez que existiriam tecnologias no capitalismo já suficientes para diminuir o &quot;impacto ambiental&quot;. Assim, você aponta que minha crítica foi insuficiente, pois não critiquei igualmente a &quot;apologia&quot; ao mais-valor absoluto dos ecologistas. Eu começaria te respondendo que quando utilizei a palavra &quot;crescimento&quot;, estou falando do &quot;crescimento&quot; especificamente capitalista. &quot;Crescimento&quot;, no entanto, é uma palavra utilizada pelos autores do artigo que critiquei e por isso fui além dela e disse que ele &quot;nada mais é que o aumento da exploração da burguesia sobre o proletariado (luta de classes)&quot;, revelando o que está oculto, que é a luta de classes. Na verdade, podemos muito bem substituir a palavra &quot;crescimento&quot; por &quot;acumulação de capital&quot;. Portanto, o que critico em meu texto é a ocultação, pelos ecossocialistas de que o &quot;crescimento&quot; é um &quot;crescimento capitalista&quot; (acumulação de capital), e eles só afirmam o que afirmaram para conseguir justificar seus interesses, que é aglutinar apoio e, posteriormente, controlar o proletariado.  Na sociedade futura, que chamo-a de sociedade autogerida, o &quot;crescimento&quot; será radicalmente diferente do da sociedade atual, isto é, será abolido a acumulação de capital e este será substituído pela produção autogerida, que visa a satisfação de TODAS as necessidades humanas autênticas e visando também a realização de TODAS as potencialidades humanas. A &quot;riqueza&quot; do ser humano se mostrará na medida em que todas suas necessidade forem realizadas e não mais em quanto capital ele acumula ou deixa de acumular. Assim, concordo que na sociedade autogerida, essa preocupação com o &quot;crescimento&quot; desaparecerá, uma vez que os produtores livremente associados decidirão o que produzir e como produzir visando satisfazer as necessidades gerais da sociedade e não em produzir mercadorias para angariar lucros. 

3 - E aí entramos em um outro assunto que é o que é gerado pela acumulação de capital para a natureza. Isto é, qual a relação entre capitalismo e natureza? Você aponta que a tecnologia disponível no capitalismo é suficiente para diminuir o impacto ambiental gerada pela produção especificamente capitalista. Eu discordo disso apesar de realmente existirem tecnologias que visam diminuir este impacto, mas o que ocorre concretamente é sua desaceleração e diminuição,  mas nunca abolição. Ao longo do tempo, esse produção capitalista pode muito bem gerar problemas para a humanidade (e alguns já foram gerados), pois a humanidade necessita de recursos naturais específicos para sobreviver e são estes recursos que podem, ao longo do tempo, ficarem escassos. Por ultimo, questiono até a real capacidade que a tecnologia disponível no capitalismo possui para diminuir o impacto ambiental, pois existe a reprodução ampliada do capital. Temos que compreender que a própria produção e criação da tecnologia desenvolvida para diminuir o impacto ambiental também necessita de matérias-primas, uma tecnologia anterior  etc. &quot;Quanto mais o capitalismo se desenvolve, maior é a produção e o consumo (logo, maior será o lixo também). A produção só é possível utilizando matérias-primas (mesmo as produzidas artificialmente, pois estas também são feitas de materiais e não de ideias e por isso, mesmo que em menor escala, também ela precisa extrair elementos da natureza) e máquinas (que também são produzidas e necessitam, para isso, de outras matérias-primas)&quot; (Nildo Viana, capitalismo e natureza, p. 185). Sempre será necessário produzir mais dessa tecnologia que visa diminuir o impacto ambiental, e essa produção também gera acumulação de capital e reinvestimento na mesma tecnologia etc etc, o que, por si só, gera também (e não somente isso, pois há diversas outras especificidades da produção capitalista que também gera) impactos ambientais.

4 - A defesa do meio-ambiente não me parece contradizer, em si mesma, o interesse pela revolução social total e radical. Mas apenas quando esta defesa não é realizada de forma ingênua, sem a percepção geral que a produção especificamente capitalista é que engendra a destruição ambiental (lenta, mas rigorosa) e, para resolver isso, seria necessário abolir as relações sociais capitalistas totalmente. E a classe que pode efetivar isto é o proletariado. Não são as mulheres, os camponeses, ou os ecossocialistas. Isso se dá apenas porque essa classe tem uma posição fixa na divisão social do trabalho que aponta para a destruição da própria divisão social do trabalho que a produz... isto é, esta classe tem o interesse e a capacidade de abolir o capitalismo e se auto-abolir em conjunto. Qualquer discurso que não aponte para o fortalecimento do proletariado é um discurso no minimo ingênuo e, no máximo, oportunista.

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

Pessoas de bom-humor, Jinn e Irado: eu discordo de que o Decrescimento seja cozinhar com uma Air fryer ao invés de panela comum, pois cozinhar com uma Air Fryer é possível e não um devaneio infantil criado por aqueles que não entendem as especificidades da produção capitalista.

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

orapronobis, perfeito teu comentário.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Fagner Enrique, obrigado por ter lido este meu breve texto e ainda comentado sobre ele. Se me permite, gostaria também de fazer alguns comentários:</p>
<p>1 &#8211; Acredito que concordamos em relação à crítica ao Ecossocialismo. Este foi o ponto central do pequeno texto e estou satisfeito com isso. O Ecossocialismo, portanto, é um conjunto de ideias e ações que busca apenas justificar e realizar interesses de classes que são diferentes do da classe proletária e, portanto, a revolução não é seu interesse, apesar de isso se mostrar no discurso de seus representantes. O interesse por trás do Ecossocialismo de Löwy e os outros autores são interesses burocráticos, controlar o proletariado, etc. Este interesse deve ser explicitado e denunciado, uma vez que é ocultado em seus discursos.</p>
<p>2 &#8211; No entanto, temos uma discordância, que é mais ampla do que o Ecossocialismo, e que vai além dos objetivos iniciais desse texto. No caso, acredito que você coloca em xeque todo o movimento ecológico e não só parte dele, isto é, você acredita que a defesa do meio ambiente é algo sem muita relevância, uma vez que existiriam tecnologias no capitalismo já suficientes para diminuir o &#8220;impacto ambiental&#8221;. Assim, você aponta que minha crítica foi insuficiente, pois não critiquei igualmente a &#8220;apologia&#8221; ao mais-valor absoluto dos ecologistas. Eu começaria te respondendo que quando utilizei a palavra &#8220;crescimento&#8221;, estou falando do &#8220;crescimento&#8221; especificamente capitalista. &#8220;Crescimento&#8221;, no entanto, é uma palavra utilizada pelos autores do artigo que critiquei e por isso fui além dela e disse que ele &#8220;nada mais é que o aumento da exploração da burguesia sobre o proletariado (luta de classes)&#8221;, revelando o que está oculto, que é a luta de classes. Na verdade, podemos muito bem substituir a palavra &#8220;crescimento&#8221; por &#8220;acumulação de capital&#8221;. Portanto, o que critico em meu texto é a ocultação, pelos ecossocialistas de que o &#8220;crescimento&#8221; é um &#8220;crescimento capitalista&#8221; (acumulação de capital), e eles só afirmam o que afirmaram para conseguir justificar seus interesses, que é aglutinar apoio e, posteriormente, controlar o proletariado.  Na sociedade futura, que chamo-a de sociedade autogerida, o &#8220;crescimento&#8221; será radicalmente diferente do da sociedade atual, isto é, será abolido a acumulação de capital e este será substituído pela produção autogerida, que visa a satisfação de TODAS as necessidades humanas autênticas e visando também a realização de TODAS as potencialidades humanas. A &#8220;riqueza&#8221; do ser humano se mostrará na medida em que todas suas necessidade forem realizadas e não mais em quanto capital ele acumula ou deixa de acumular. Assim, concordo que na sociedade autogerida, essa preocupação com o &#8220;crescimento&#8221; desaparecerá, uma vez que os produtores livremente associados decidirão o que produzir e como produzir visando satisfazer as necessidades gerais da sociedade e não em produzir mercadorias para angariar lucros. </p>
<p>3 &#8211; E aí entramos em um outro assunto que é o que é gerado pela acumulação de capital para a natureza. Isto é, qual a relação entre capitalismo e natureza? Você aponta que a tecnologia disponível no capitalismo é suficiente para diminuir o impacto ambiental gerada pela produção especificamente capitalista. Eu discordo disso apesar de realmente existirem tecnologias que visam diminuir este impacto, mas o que ocorre concretamente é sua desaceleração e diminuição,  mas nunca abolição. Ao longo do tempo, esse produção capitalista pode muito bem gerar problemas para a humanidade (e alguns já foram gerados), pois a humanidade necessita de recursos naturais específicos para sobreviver e são estes recursos que podem, ao longo do tempo, ficarem escassos. Por ultimo, questiono até a real capacidade que a tecnologia disponível no capitalismo possui para diminuir o impacto ambiental, pois existe a reprodução ampliada do capital. Temos que compreender que a própria produção e criação da tecnologia desenvolvida para diminuir o impacto ambiental também necessita de matérias-primas, uma tecnologia anterior  etc. &#8220;Quanto mais o capitalismo se desenvolve, maior é a produção e o consumo (logo, maior será o lixo também). A produção só é possível utilizando matérias-primas (mesmo as produzidas artificialmente, pois estas também são feitas de materiais e não de ideias e por isso, mesmo que em menor escala, também ela precisa extrair elementos da natureza) e máquinas (que também são produzidas e necessitam, para isso, de outras matérias-primas)&#8221; (Nildo Viana, capitalismo e natureza, p. 185). Sempre será necessário produzir mais dessa tecnologia que visa diminuir o impacto ambiental, e essa produção também gera acumulação de capital e reinvestimento na mesma tecnologia etc etc, o que, por si só, gera também (e não somente isso, pois há diversas outras especificidades da produção capitalista que também gera) impactos ambientais.</p>
<p>4 &#8211; A defesa do meio-ambiente não me parece contradizer, em si mesma, o interesse pela revolução social total e radical. Mas apenas quando esta defesa não é realizada de forma ingênua, sem a percepção geral que a produção especificamente capitalista é que engendra a destruição ambiental (lenta, mas rigorosa) e, para resolver isso, seria necessário abolir as relações sociais capitalistas totalmente. E a classe que pode efetivar isto é o proletariado. Não são as mulheres, os camponeses, ou os ecossocialistas. Isso se dá apenas porque essa classe tem uma posição fixa na divisão social do trabalho que aponta para a destruição da própria divisão social do trabalho que a produz&#8230; isto é, esta classe tem o interesse e a capacidade de abolir o capitalismo e se auto-abolir em conjunto. Qualquer discurso que não aponte para o fortalecimento do proletariado é um discurso no minimo ingênuo e, no máximo, oportunista.</p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>Pessoas de bom-humor, Jinn e Irado: eu discordo de que o Decrescimento seja cozinhar com uma Air fryer ao invés de panela comum, pois cozinhar com uma Air Fryer é possível e não um devaneio infantil criado por aqueles que não entendem as especificidades da produção capitalista.</p>
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<p>orapronobis, perfeito teu comentário.</p>
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		<title>
		Por: Pol Pot de Tatuí		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-847359</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pol Pot de Tatuí]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jun 2022 16:09:45 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=144658#comment-847359</guid>

					<description><![CDATA[Pol Pot manda lembranças a Lowy, Fernandes e cia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pol Pot manda lembranças a Lowy, Fernandes e cia.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/06/144658/#comment-847245</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jun 2022 20:27:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=144658#comment-847245</guid>

					<description><![CDATA[Jinn, Air fryer é a própria emancipação humana...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jinn, Air fryer é a própria emancipação humana&#8230;</p>
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