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	<title>
	Comentários sobre: Crônicas sobre o trabalho	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Leitor de Passolini		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leitor de Passolini]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2022 14:28:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Separados um do outro pela perda geral de qualquer linguagem capaz de descrever a realidade (uma perda que impede qualquer diálogo real), separados por sua implacável competição no consumo conspícuo do nada e, portanto, pela mais infundada e eternamente frustrada inveja, eles são mesmo separados de seus próprios filhos, que em épocas anteriores eram a única propriedade daqueles que nada possuíam... … Por trás da fachada de arrebatamento simulado entre esses casais e seus descendentes, não há nada além de olhares de ódio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Separados um do outro pela perda geral de qualquer linguagem capaz de descrever a realidade (uma perda que impede qualquer diálogo real), separados por sua implacável competição no consumo conspícuo do nada e, portanto, pela mais infundada e eternamente frustrada inveja, eles são mesmo separados de seus próprios filhos, que em épocas anteriores eram a única propriedade daqueles que nada possuíam&#8230; … Por trás da fachada de arrebatamento simulado entre esses casais e seus descendentes, não há nada além de olhares de ódio.</p>
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		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/09/145663/#comment-859595</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Sep 2022 21:15:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O que desde já me parece mais interessante neste apelo do Passa Palavra é que nele não encontro as palavras &lt;em&gt;assédio&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;assediar&lt;/em&gt;, que parecem hoje de presença obrigatória em qualquer texto sobre as relações de trabalho. Far-se-ia um interessante artigo sobre a evolução semântica destes termos.

Sem ter essa pretensão, e limitando-me ao que disponho nas minhas prateleiras, sem pesquisar na internet, vejo na 10ª edição do monumental Dicionário de Morais (&lt;em&gt;Grande Dicionário da Língua Portuguesa&lt;/em&gt;, Lisboa: Confluência, 1950) que &lt;em&gt;Assediar&lt;/em&gt;, para além do sentido originário de fazer um cerco militar, significava «importunar, molestar com pretensões insistentes». Quanto ao termo &lt;em&gt;Assédio&lt;/em&gt;, além de cerco militar, está indicado «envolvimento, perseguição, ataque cerrado», com um exemplo referente a luta armada, e, numa acepção considerada figurativa, «insistência, teimosia, impertinência junto de alguém», com dois exemplos de assédio sexual.

Meio século depois e do outro lado do mar, o célebre Dicionário de Aurélio (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999) informa que &lt;em&gt;Assediar&lt;/em&gt;, além da acepção de cerco militar, significa «perseguir com insistência» e «importunar, molestar, com perguntas ou pretensões insistentes; assaltar», apresentando-se uma conotação sexual apenas para a segunda acepção. E &lt;em&gt;Assédio&lt;/em&gt;, além do seu significado militar, apresenta-se como «insistência importuna, junto de alguém, com perguntas, propostas, pretensões, etc.», numa acepção considerada figurativa e acompanhada por um exemplo de carácter sexual.

Nem no Morais nem no Aurélio, dois monumentos da língua em Portugal e no Brasil, os termos &lt;em&gt;assediar&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;assédio&lt;/em&gt; são apresentados com qualquer conotação nas relações de trabalho. Hoje, no entanto, ninguém se queixa do patrão sem dizer que «foi assediado». Bastaram duas décadas para que um termo referente, entre outras acepções, a uma perseguição de carácter sexual, tivesse conquistado a hegemonia sobre as velhas relações de exploração. Temos aqui, no campo linguístico, uma expressão da hegemonia que um dado tipo de identitarismo conquistou sobre a luta de classes. Aguardo com curiosidade as crónicas que o Passa Palavra há-de receber. Veremos se falam de &lt;em&gt;exploração&lt;/em&gt; ou de &lt;em&gt;assédio&lt;/em&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que desde já me parece mais interessante neste apelo do Passa Palavra é que nele não encontro as palavras <em>assédio</em> ou <em>assediar</em>, que parecem hoje de presença obrigatória em qualquer texto sobre as relações de trabalho. Far-se-ia um interessante artigo sobre a evolução semântica destes termos.</p>
<p>Sem ter essa pretensão, e limitando-me ao que disponho nas minhas prateleiras, sem pesquisar na internet, vejo na 10ª edição do monumental Dicionário de Morais (<em>Grande Dicionário da Língua Portuguesa</em>, Lisboa: Confluência, 1950) que <em>Assediar</em>, para além do sentido originário de fazer um cerco militar, significava «importunar, molestar com pretensões insistentes». Quanto ao termo <em>Assédio</em>, além de cerco militar, está indicado «envolvimento, perseguição, ataque cerrado», com um exemplo referente a luta armada, e, numa acepção considerada figurativa, «insistência, teimosia, impertinência junto de alguém», com dois exemplos de assédio sexual.</p>
<p>Meio século depois e do outro lado do mar, o célebre Dicionário de Aurélio (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999) informa que <em>Assediar</em>, além da acepção de cerco militar, significa «perseguir com insistência» e «importunar, molestar, com perguntas ou pretensões insistentes; assaltar», apresentando-se uma conotação sexual apenas para a segunda acepção. E <em>Assédio</em>, além do seu significado militar, apresenta-se como «insistência importuna, junto de alguém, com perguntas, propostas, pretensões, etc.», numa acepção considerada figurativa e acompanhada por um exemplo de carácter sexual.</p>
<p>Nem no Morais nem no Aurélio, dois monumentos da língua em Portugal e no Brasil, os termos <em>assediar</em> e <em>assédio</em> são apresentados com qualquer conotação nas relações de trabalho. Hoje, no entanto, ninguém se queixa do patrão sem dizer que «foi assediado». Bastaram duas décadas para que um termo referente, entre outras acepções, a uma perseguição de carácter sexual, tivesse conquistado a hegemonia sobre as velhas relações de exploração. Temos aqui, no campo linguístico, uma expressão da hegemonia que um dado tipo de identitarismo conquistou sobre a luta de classes. Aguardo com curiosidade as crónicas que o Passa Palavra há-de receber. Veremos se falam de <em>exploração</em> ou de <em>assédio</em>.</p>
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