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	Comentários sobre: Talvez. 1) Modelos falidos	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Leo Nobu		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-869743</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo Nobu]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 09:46:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ótimo texto João Bernardo. Uma contribuição exemplar para o atual momento em que encontramos a esquerda. Ou melhor &quot;que esquerda?.&quot; A quantidade de comentários negativos aqui presentes, mostram a total falta de abertura para essa &quot;esquerda&quot; em analisar concretamente a atual conjuntura que nos encontramos... Uma pena. 

Grande abraço!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ótimo texto João Bernardo. Uma contribuição exemplar para o atual momento em que encontramos a esquerda. Ou melhor &#8220;que esquerda?.&#8221; A quantidade de comentários negativos aqui presentes, mostram a total falta de abertura para essa &#8220;esquerda&#8221; em analisar concretamente a atual conjuntura que nos encontramos&#8230; Uma pena. </p>
<p>Grande abraço!</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864785</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Oct 2022 20:28:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cher Yves,

Não gosto de ocupar os comentários num artigo de que sou autor. Como tive oportunidade de me exprimir, o espaço cabe agora aos leitores. Mas, já que insistes, pretendo apenas sublinhar o seguinte:

Numa perspectiva profunda e de longa duração, a circularidade biologia/cultura e cultura/biologia caracterizou o fascismo, especialmente o nacional-socialismo germânico, assim como caracteriza hoje os identitarismos. Por isso eu os considero como metamorfoses do fascismo. Mas metamorfoses numa época que alterou muita coisa. Para o fascismo clássico eu defini um eixo endógeno, composto num pólo pelo conjunto partido + milícias e no outro pólo pelo conjunto sindicatos + milícias. Este eixo endógeno é suficiente para definir um movimento fascista. Mas para que um movimento tome o poder e se converta num regime é necessário articular-se com um eixo exógeno, composto num pólo pelo exército e no outro pelas Igrejas.

Ora, desde o final da segunda guerra mundial ocorreram mudanças substanciais naqueles quatro pólos. E agora, com a internet e as redes sociais, as milícias musculadas, embora não tenham desaparecido, foram em boa medida substituídas, e em todos os casos reforçadas, pelo que poderia designar como milícias virtuais. Por isso considero a metamorfose identitária do fascismo como uma modalidade pós-fascista do fascismo. É neste quadro que apresento a questão.

Remarque qu’il ne s’agit pas ici de te convaincre, mais seulement de m’expliquer.

Un abraço,
João]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cher Yves,</p>
<p>Não gosto de ocupar os comentários num artigo de que sou autor. Como tive oportunidade de me exprimir, o espaço cabe agora aos leitores. Mas, já que insistes, pretendo apenas sublinhar o seguinte:</p>
<p>Numa perspectiva profunda e de longa duração, a circularidade biologia/cultura e cultura/biologia caracterizou o fascismo, especialmente o nacional-socialismo germânico, assim como caracteriza hoje os identitarismos. Por isso eu os considero como metamorfoses do fascismo. Mas metamorfoses numa época que alterou muita coisa. Para o fascismo clássico eu defini um eixo endógeno, composto num pólo pelo conjunto partido + milícias e no outro pólo pelo conjunto sindicatos + milícias. Este eixo endógeno é suficiente para definir um movimento fascista. Mas para que um movimento tome o poder e se converta num regime é necessário articular-se com um eixo exógeno, composto num pólo pelo exército e no outro pelas Igrejas.</p>
<p>Ora, desde o final da segunda guerra mundial ocorreram mudanças substanciais naqueles quatro pólos. E agora, com a internet e as redes sociais, as milícias musculadas, embora não tenham desaparecido, foram em boa medida substituídas, e em todos os casos reforçadas, pelo que poderia designar como milícias virtuais. Por isso considero a metamorfose identitária do fascismo como uma modalidade pós-fascista do fascismo. É neste quadro que apresento a questão.</p>
<p>Remarque qu’il ne s’agit pas ici de te convaincre, mais seulement de m’expliquer.</p>
<p>Un abraço,<br />
João</p>
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		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864770</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Oct 2022 18:29:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Uma coisa que escapou a comentadores acima, como Lucas e boa noite, é que em momento algum reduzi a diversidade sexual ao sexo. Existe, evidentemente, o sexo e a sexualidade, coisas muito diferentes: uma palavra refere a biologia e outra comportamentos, isto é, a cultura. Esta permite e sempre permitirá muito mais diversidade do que a biologia. Reconhecer a existência de diversidade sexual é, pois, reconhecer a existência de diversidade na sexualidade, na cultura e, no fundo, coloca no centro do debate as relações sociais, estruturadas pelo sistema de exploração. Reconhecer, pois, a diversidade sexual é muito diferente de reconhecer e promover identidades fundadas no gênero, conceito que expressa a realidade biológica ou cultural consoante a conveniência, tal como ocorreu e ocorre com o conceito de raça.

Insisto uma última vez no que para mim é essencial: lutar simultaneamente, de um lado, contra as hierarquias e o caráter concorrencial do mercado capitalista e, de outro, contra as opressões que resultam das hierarquias e da competição no mercado não nos obriga, necessariamente, a conceber outros conceitos e adotar um novo quadro conceitual? Um que não implique na biologização e, portanto, não permita uma convergência de movimentos emancipatórios com o que houve, e há, de pior à extrema-direita? São questões que coloquei ao longo do debate e até agora ninguém se dispôs a responder. Só esquivas, saídas pela tangente...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma coisa que escapou a comentadores acima, como Lucas e boa noite, é que em momento algum reduzi a diversidade sexual ao sexo. Existe, evidentemente, o sexo e a sexualidade, coisas muito diferentes: uma palavra refere a biologia e outra comportamentos, isto é, a cultura. Esta permite e sempre permitirá muito mais diversidade do que a biologia. Reconhecer a existência de diversidade sexual é, pois, reconhecer a existência de diversidade na sexualidade, na cultura e, no fundo, coloca no centro do debate as relações sociais, estruturadas pelo sistema de exploração. Reconhecer, pois, a diversidade sexual é muito diferente de reconhecer e promover identidades fundadas no gênero, conceito que expressa a realidade biológica ou cultural consoante a conveniência, tal como ocorreu e ocorre com o conceito de raça.</p>
<p>Insisto uma última vez no que para mim é essencial: lutar simultaneamente, de um lado, contra as hierarquias e o caráter concorrencial do mercado capitalista e, de outro, contra as opressões que resultam das hierarquias e da competição no mercado não nos obriga, necessariamente, a conceber outros conceitos e adotar um novo quadro conceitual? Um que não implique na biologização e, portanto, não permita uma convergência de movimentos emancipatórios com o que houve, e há, de pior à extrema-direita? São questões que coloquei ao longo do debate e até agora ninguém se dispôs a responder. Só esquivas, saídas pela tangente&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864714</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Oct 2022 12:47:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sobre o Líbano vale refletir sobre o modelo de Estado lá implementado. Todo ele é dividido em cotas para cada identidade, 64 assentos do parlamento são reservados para cristãos, 64 para muçulmanos. Dentro dessas denominações religiosas cada identidade tem uma quantidade específica de cadeiras. 
O presidente do país é obrigatoriamente um cristão, o primeiro ministro obrigatoriamente sunita e o presidente da Assembleia Nacional obrigatoriamente xiita.
Certamente promove-se grandes avanços para as trabalhadoras e trabalhadores libaneses.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre o Líbano vale refletir sobre o modelo de Estado lá implementado. Todo ele é dividido em cotas para cada identidade, 64 assentos do parlamento são reservados para cristãos, 64 para muçulmanos. Dentro dessas denominações religiosas cada identidade tem uma quantidade específica de cadeiras.<br />
O presidente do país é obrigatoriamente um cristão, o primeiro ministro obrigatoriamente sunita e o presidente da Assembleia Nacional obrigatoriamente xiita.<br />
Certamente promove-se grandes avanços para as trabalhadoras e trabalhadores libaneses.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864405</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 14:48:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Q.E.D.
Nada é tão ruim que não possa piorar: a verborragia empantanou.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Q.E.D.<br />
Nada é tão ruim que não possa piorar: a verborragia empantanou.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: boa noite		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864152</link>

		<dc:creator><![CDATA[boa noite]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Oct 2022 01:29:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Fagner divagou em sua resposta, da forma que lhe foi confortável. Se esquece que conceitos não tomam partido, pessoas concretas sim, e os conceitos só devem se encaixar mediante essa reciprocidade. A questão é que não podemos simplesmente negar a diversidade sexual, e que reduzi-la ao seu aspecto biológico é, bem, --- pasmem! --- biologizante. Toda a questão é essa. Vi outros comentários aqui que foram nesse sentido, no entanto não vi negarem as armadilhas intrínsecas do identitarismo. Ao meu ver, houve uma generalização ruim no texto. Ressalvado isso, o texto merece sua atenção devida e debate.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fagner divagou em sua resposta, da forma que lhe foi confortável. Se esquece que conceitos não tomam partido, pessoas concretas sim, e os conceitos só devem se encaixar mediante essa reciprocidade. A questão é que não podemos simplesmente negar a diversidade sexual, e que reduzi-la ao seu aspecto biológico é, bem, &#8212; pasmem! &#8212; biologizante. Toda a questão é essa. Vi outros comentários aqui que foram nesse sentido, no entanto não vi negarem as armadilhas intrínsecas do identitarismo. Ao meu ver, houve uma generalização ruim no texto. Ressalvado isso, o texto merece sua atenção devida e debate.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864085</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Oct 2022 16:55:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As diversas formas de opressão denunciadas e combatidas pelos movimentos identitários - mas não só, diga-se de passagem, pois sempre houve na esquerda, muito antes da hegemonia do identitarismo, quem as denunciasse e combatesse - motivadas por cor de pele, religião, nacionalidade, sexo e sexualidade etc., embora tenham se originado em modos de produção pré-capitalistas, sobrevivem no capitalismo graças a dois elementos estruturais: de um lado, as hierarquias sociais, que são um desdobramento da hierarquia fundamental, entre capitalistas (burgueses/gestores) e trabalhadores, que estrutura o processo de trabalho; de outro, o caráter concorrencial da economia capitalista, fundada na competição no mercado - entre capitalistas, entre capitalistas e trabalhadores, e entre trabalhadores.

O identitarismo persegue o objetivo último de reestruturar o termos da competição no mercado, sem colocar em causa o próprio mercado e as hierarquias no processo de trabalho, daí sua ênfase em garantir, de um lado, postos de direção nas maiores empresas e condições favoráveis a um empreendedorismo dos oprimidos e, de outro, cargos de gestão no Estado, nos partidos, nos movimentos sociais etc., para representantes dos grupos sociais oprimidos; e o faz, entre outras maneiras, por meio da agitação e intimidação conduzidas por verdadeiras protomilícias fascistas, mas também difundindo um civismo e uma linguagem politicamente corretos - ou melhor, dogmáticos.

Os conceitos de raça e gênero fazem hoje parte dessa linguagem, que é, aliás, muito mais complexa e envolve uma miríade de conceitos e formas de expressão. É claro que é preciso diferenciar o objetivo último do identitarismo, sua finalidade, de seus objetivos imediatos, demandas urgentes e legítimas das quais se apropria. Dentre elas cabe destacar, acima de todas, o combate às violências sofridas pelos grupos oprimidos e a defesa de liberdades fundamentais cotidianamente violadas. Mas em momento algum chega-se à raiz do problema: a origem econômica das opressões. Pelo contrário, tal raiz é deliberadamente eludida. Assim sendo, pergunto: lutar simultaneamente, de um lado, contra as hierarquias e o caráter concorrencial do mercado capitalista e, de outro, contra as opressões que resultam das hierarquias e da competição no mercado não nos obriga - necessariamente - a conceber outros conceitos e adotar um novo quadro conceitual?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As diversas formas de opressão denunciadas e combatidas pelos movimentos identitários &#8211; mas não só, diga-se de passagem, pois sempre houve na esquerda, muito antes da hegemonia do identitarismo, quem as denunciasse e combatesse &#8211; motivadas por cor de pele, religião, nacionalidade, sexo e sexualidade etc., embora tenham se originado em modos de produção pré-capitalistas, sobrevivem no capitalismo graças a dois elementos estruturais: de um lado, as hierarquias sociais, que são um desdobramento da hierarquia fundamental, entre capitalistas (burgueses/gestores) e trabalhadores, que estrutura o processo de trabalho; de outro, o caráter concorrencial da economia capitalista, fundada na competição no mercado &#8211; entre capitalistas, entre capitalistas e trabalhadores, e entre trabalhadores.</p>
<p>O identitarismo persegue o objetivo último de reestruturar o termos da competição no mercado, sem colocar em causa o próprio mercado e as hierarquias no processo de trabalho, daí sua ênfase em garantir, de um lado, postos de direção nas maiores empresas e condições favoráveis a um empreendedorismo dos oprimidos e, de outro, cargos de gestão no Estado, nos partidos, nos movimentos sociais etc., para representantes dos grupos sociais oprimidos; e o faz, entre outras maneiras, por meio da agitação e intimidação conduzidas por verdadeiras protomilícias fascistas, mas também difundindo um civismo e uma linguagem politicamente corretos &#8211; ou melhor, dogmáticos.</p>
<p>Os conceitos de raça e gênero fazem hoje parte dessa linguagem, que é, aliás, muito mais complexa e envolve uma miríade de conceitos e formas de expressão. É claro que é preciso diferenciar o objetivo último do identitarismo, sua finalidade, de seus objetivos imediatos, demandas urgentes e legítimas das quais se apropria. Dentre elas cabe destacar, acima de todas, o combate às violências sofridas pelos grupos oprimidos e a defesa de liberdades fundamentais cotidianamente violadas. Mas em momento algum chega-se à raiz do problema: a origem econômica das opressões. Pelo contrário, tal raiz é deliberadamente eludida. Assim sendo, pergunto: lutar simultaneamente, de um lado, contra as hierarquias e o caráter concorrencial do mercado capitalista e, de outro, contra as opressões que resultam das hierarquias e da competição no mercado não nos obriga &#8211; necessariamente &#8211; a conceber outros conceitos e adotar um novo quadro conceitual?</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864066</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Oct 2022 15:16:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A confusão dos argumentos é notável. O autor recusa o conceito de gênero e se baseia apenas nos aparelhos reprodutivos para diferenciar homens e mulheres, e no entanto aparecem comentários alinhados com o texto criticando o biologicismo. Outro comentarista fala da ameaça aos &quot;lugares seguros&quot; das mulheres (vagina), e mais abaixo outro crítico do identitarismo carga contra o feminismo excludente. Todos criticando o identitarismo num coro, digamos, polifônico... não poderia ser de outra forma, quando é utilizada uma generalização muito pouco criteriosa para definir o identitarismo. Fico aqui pensando se esse tipo de coalizão não dará nascimento a uma nova forma de &quot;anti-fascismo&quot;...
Outra confusão aparece quando alguém fala de &quot;gatilho&quot;. Por acaso devemos entender que a discussão sobre ecologia e Estados falidos são lúcidas e intelectuais, mas que quando o tema é gênero se reduzem a reações psicológicas irracionais? Quem escolheu tocar o tema foi o autor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A confusão dos argumentos é notável. O autor recusa o conceito de gênero e se baseia apenas nos aparelhos reprodutivos para diferenciar homens e mulheres, e no entanto aparecem comentários alinhados com o texto criticando o biologicismo. Outro comentarista fala da ameaça aos &#8220;lugares seguros&#8221; das mulheres (vagina), e mais abaixo outro crítico do identitarismo carga contra o feminismo excludente. Todos criticando o identitarismo num coro, digamos, polifônico&#8230; não poderia ser de outra forma, quando é utilizada uma generalização muito pouco criteriosa para definir o identitarismo. Fico aqui pensando se esse tipo de coalizão não dará nascimento a uma nova forma de &#8220;anti-fascismo&#8221;&#8230;<br />
Outra confusão aparece quando alguém fala de &#8220;gatilho&#8221;. Por acaso devemos entender que a discussão sobre ecologia e Estados falidos são lúcidas e intelectuais, mas que quando o tema é gênero se reduzem a reações psicológicas irracionais? Quem escolheu tocar o tema foi o autor.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Yves Coleman		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864042</link>

		<dc:creator><![CDATA[Yves Coleman]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Oct 2022 09:58:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Querido Joao, Como tenho &quot;o espírito da escada&quot; ( ???? lesprit de l&#039;escalier em francês), volto ao meu posto sobre a amálgama feminismo/fascismo.  Na França, temos uma estação de rádio estatal, France Culture, cuja influência ha crescido muito estos últimos anos. Ela transmite propaganda identitária durante todo o dia, de forma mais ou menos pesada. O vocabulário identitário influença o pensamento da maioria dos jornalistas e dos intelectuais convidados nesta rádio. Palavras como &quot;os sentimentos&quot;, &quot;as pessoas mais implicadas&quot;, &quot;os corpos&quot; (a nova palavra magica dos identitarismos) são usadas sistematicamente quando falam de mulheres, de pessoas oriundas das antigas colônias, dos imigrantes africanos ou norte-africanos, etc. Este vocabulário psicologizante é usado para descrever a situação de mulheres e homens dominados pelo &quot;patriarcado&quot;, pelo &quot;pos-colonialismo&quot;, pelo &quot;racismo de Estado&quot;, etc. Este vocabulário psicologizante das feministas e dos identitários raciais me parece um vocabulário muito longe do vocabulário fascista. Sem mencionar que os meios propostos e utilizados (mudar o comportamento sexista ou racista individual, adotar leis mais &quot;inclusivas&quot; e tornar a paternidade em um direito humano fundamental) nada têm a ver com os dos fascistas: o uso sistemático da violência extra-estatal e depois da violência e do terror quando eles detêm o poder. O mundo muito confuso imaginado pelas feministas e os identitarios é para mim um mundo bastante cristão (onde cada indivíduo realizaria pacificamente sua revolução moral ajudado por grupos de consciência e psicólogos) e nao um mundo totalitário onde um Estado, um partido e forças armadas e policiais controlam todos os comportamentos individuais. Eu achou importante estabelecer estas diferencias porque as guerras culturais da direita e da estrema direita em Youtube e outros meios utilizam todo o tempo analogias entre o feminismo ou a CRT (Teoria Critica da Raça) y o estalinismo, o maoismo e o fascismo. Querido Joao, eu lei o teu post após ter escrito estas linhas em um &quot;português &quot; aproximativo. Eu achou que o fato de utilizar a palavra pôs-fascismo não ajuda muito porque as pessoas vão reter só a segunda parte dessa expressao :  &quot;fascismo&quot;. O feminismo pre-institucional ou ja institucionalizado e de certa maneira o antiracismo institucional são fenômenos bem diferentes e novos. Não mobilizam as massas, nao usam a violencia, nao cream organizaçoes totalitarias, so pretendem  melhorar o funcionamento do capitalismo e da sociedade capitalista com uma representação proporcional das minorias ou das maiorias (as mulheres). O ideal dessa gente é de ter 50% de gestores e capitalistas mulheres, e percentagens &quot;egalitarios&quot; para as minorias nas classas dominantes. Estamos muito longe das &quot;revoluçoes&quot; fascistas, nao te parece ? Tratei (infelizmente em francês) de analizar os identitarismos em varios textos: aqui : https://npnf.eu/spip.php?article657;  aqui https://npnf.eu/spip.php?article256 ; aqui https://npnf.eu/spip.php?article543, entre otros. Um abraço

* * *

“Espírito da escada “nº 3
Existam outras diferenças fundamentais entre os identitarismos sexuais ou raciais e os identitarismos populistas, pós-fascistas, etc., no caso de aplicar a noção de “pós-fascismo” aos feminismos ou aos identitarismos raciais.

Aplicar o conceito de pós-fascismo aos feminismos ou identitarismos raciais é, na minha opinião, tão inoperante quanto falar do islamofascismo em relação a TODAS as correntes do islam político.
Não só não conseguimos a enfrentar a novidade (e também os becos sem saída das correntes dos identitarismos), mas também não compreendemos seus efeitos POSITIVOS, ao contrário dos vários fascismos, populismos e pós-fascismos que não têm nenhum aspecto positivo, mesmo ao nível dos direitos democráticos mais básicos.
Mesmo se as burocracias sindicais e os grupos de esquerda americanos desempenharam um papel importante, e mesmo se parte da classe dominante apoieu o projeito de integraçao dos Afro-Americanos, foi também em parte graças aos movimentos identidarios raciais-protestantes nos Estados Unidos que centenas de milhares de afro-americanos puderam finalmente trabalhar em empregos qualificados em fábricas e entrar no serviço público, mesmo que estivesse no fundo da escada. Eles não estaviverem mais confinados a empregos como empregadas domésticas, garçons ou operários sem qualificacao, como já havia sido o caso até mesmo no norte dos Estados Unidos.
Quanto aos movimentos feministas (mais uma vez, tomados de forma indiferenciada, portanto, aproximada e caricatural), incluindo a “onda metoo” com todas as suas ambiguidades, eles permitiram que centenas de milhares de mulheres não apenas se manifestassem e denunciassem os atos horríveis dos quais foram vítimas, mas também experimentassem um pouco de solidariedade diante das violencias e/ou do assédio moral que sofreram.
Esta solidariedade é, sem dúvida, um ponto muito positivo.
Tomemos um caso muito recente que está causando muita controvérsia na França. Sandrine Rousseau, uma “apparatchik” ecologista, conseguiu há dez anos que um líder verde francês fosse demitido do partido por agressao sexual. Agora ela está tornando público o comportamento menos que correto de outro líder masculino dos Verdes. OK, esta mulher quer fazer parte da cupula dirigente do partido ; OK, quando ela deixou a política por alguns anos, ela tentou alcançar altas responsabilidades acadêmicas como gestora ; OK, quando ela voltou para os Verdes, sua ambição era tornar líder deste partido e por que não, um dia, ser presidente da República francesa. Não gosto nem deste tipo de pessoa nem do seu programa politico, para não mencionar algumas de suas absurdas declarações. Mas, se ela conseguir com outras feministas identidarias pôr fim ao assédio moral e sexual de ativistas masculinos contra ativistas femininos em seu partido e em outros grupos chamados de esquerda (já que ela também está tentando contribuir para a limpeza dos outros partidos de esquerda que sao o seus rivais), o resultado final (a exclusão de assediadores sexuais e até violadores em partidos de esquerda) ainda será muito positivo… e muito longe de qualquer pós-fascismo, nao acham ?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querido Joao, Como tenho &#8220;o espírito da escada&#8221; ( ???? lesprit de l&#8217;escalier em francês), volto ao meu posto sobre a amálgama feminismo/fascismo.  Na França, temos uma estação de rádio estatal, France Culture, cuja influência ha crescido muito estos últimos anos. Ela transmite propaganda identitária durante todo o dia, de forma mais ou menos pesada. O vocabulário identitário influença o pensamento da maioria dos jornalistas e dos intelectuais convidados nesta rádio. Palavras como &#8220;os sentimentos&#8221;, &#8220;as pessoas mais implicadas&#8221;, &#8220;os corpos&#8221; (a nova palavra magica dos identitarismos) são usadas sistematicamente quando falam de mulheres, de pessoas oriundas das antigas colônias, dos imigrantes africanos ou norte-africanos, etc. Este vocabulário psicologizante é usado para descrever a situação de mulheres e homens dominados pelo &#8220;patriarcado&#8221;, pelo &#8220;pos-colonialismo&#8221;, pelo &#8220;racismo de Estado&#8221;, etc. Este vocabulário psicologizante das feministas e dos identitários raciais me parece um vocabulário muito longe do vocabulário fascista. Sem mencionar que os meios propostos e utilizados (mudar o comportamento sexista ou racista individual, adotar leis mais &#8220;inclusivas&#8221; e tornar a paternidade em um direito humano fundamental) nada têm a ver com os dos fascistas: o uso sistemático da violência extra-estatal e depois da violência e do terror quando eles detêm o poder. O mundo muito confuso imaginado pelas feministas e os identitarios é para mim um mundo bastante cristão (onde cada indivíduo realizaria pacificamente sua revolução moral ajudado por grupos de consciência e psicólogos) e nao um mundo totalitário onde um Estado, um partido e forças armadas e policiais controlam todos os comportamentos individuais. Eu achou importante estabelecer estas diferencias porque as guerras culturais da direita e da estrema direita em Youtube e outros meios utilizam todo o tempo analogias entre o feminismo ou a CRT (Teoria Critica da Raça) y o estalinismo, o maoismo e o fascismo. Querido Joao, eu lei o teu post após ter escrito estas linhas em um &#8220;português &#8221; aproximativo. Eu achou que o fato de utilizar a palavra pôs-fascismo não ajuda muito porque as pessoas vão reter só a segunda parte dessa expressao :  &#8220;fascismo&#8221;. O feminismo pre-institucional ou ja institucionalizado e de certa maneira o antiracismo institucional são fenômenos bem diferentes e novos. Não mobilizam as massas, nao usam a violencia, nao cream organizaçoes totalitarias, so pretendem  melhorar o funcionamento do capitalismo e da sociedade capitalista com uma representação proporcional das minorias ou das maiorias (as mulheres). O ideal dessa gente é de ter 50% de gestores e capitalistas mulheres, e percentagens &#8220;egalitarios&#8221; para as minorias nas classas dominantes. Estamos muito longe das &#8220;revoluçoes&#8221; fascistas, nao te parece ? Tratei (infelizmente em francês) de analizar os identitarismos em varios textos: aqui : <a href="https://npnf.eu/spip.php?article657" rel="nofollow ugc">https://npnf.eu/spip.php?article657</a>;  aqui <a href="https://npnf.eu/spip.php?article256" rel="nofollow ugc">https://npnf.eu/spip.php?article256</a> ; aqui <a href="https://npnf.eu/spip.php?article543" rel="nofollow ugc">https://npnf.eu/spip.php?article543</a>, entre otros. Um abraço</p>
<p>* * *</p>
<p>“Espírito da escada “nº 3<br />
Existam outras diferenças fundamentais entre os identitarismos sexuais ou raciais e os identitarismos populistas, pós-fascistas, etc., no caso de aplicar a noção de “pós-fascismo” aos feminismos ou aos identitarismos raciais.</p>
<p>Aplicar o conceito de pós-fascismo aos feminismos ou identitarismos raciais é, na minha opinião, tão inoperante quanto falar do islamofascismo em relação a TODAS as correntes do islam político.<br />
Não só não conseguimos a enfrentar a novidade (e também os becos sem saída das correntes dos identitarismos), mas também não compreendemos seus efeitos POSITIVOS, ao contrário dos vários fascismos, populismos e pós-fascismos que não têm nenhum aspecto positivo, mesmo ao nível dos direitos democráticos mais básicos.<br />
Mesmo se as burocracias sindicais e os grupos de esquerda americanos desempenharam um papel importante, e mesmo se parte da classe dominante apoieu o projeito de integraçao dos Afro-Americanos, foi também em parte graças aos movimentos identidarios raciais-protestantes nos Estados Unidos que centenas de milhares de afro-americanos puderam finalmente trabalhar em empregos qualificados em fábricas e entrar no serviço público, mesmo que estivesse no fundo da escada. Eles não estaviverem mais confinados a empregos como empregadas domésticas, garçons ou operários sem qualificacao, como já havia sido o caso até mesmo no norte dos Estados Unidos.<br />
Quanto aos movimentos feministas (mais uma vez, tomados de forma indiferenciada, portanto, aproximada e caricatural), incluindo a “onda metoo” com todas as suas ambiguidades, eles permitiram que centenas de milhares de mulheres não apenas se manifestassem e denunciassem os atos horríveis dos quais foram vítimas, mas também experimentassem um pouco de solidariedade diante das violencias e/ou do assédio moral que sofreram.<br />
Esta solidariedade é, sem dúvida, um ponto muito positivo.<br />
Tomemos um caso muito recente que está causando muita controvérsia na França. Sandrine Rousseau, uma “apparatchik” ecologista, conseguiu há dez anos que um líder verde francês fosse demitido do partido por agressao sexual. Agora ela está tornando público o comportamento menos que correto de outro líder masculino dos Verdes. OK, esta mulher quer fazer parte da cupula dirigente do partido ; OK, quando ela deixou a política por alguns anos, ela tentou alcançar altas responsabilidades acadêmicas como gestora ; OK, quando ela voltou para os Verdes, sua ambição era tornar líder deste partido e por que não, um dia, ser presidente da República francesa. Não gosto nem deste tipo de pessoa nem do seu programa politico, para não mencionar algumas de suas absurdas declarações. Mas, se ela conseguir com outras feministas identidarias pôr fim ao assédio moral e sexual de ativistas masculinos contra ativistas femininos em seu partido e em outros grupos chamados de esquerda (já que ela também está tentando contribuir para a limpeza dos outros partidos de esquerda que sao o seus rivais), o resultado final (a exclusão de assediadores sexuais e até violadores em partidos de esquerda) ainda será muito positivo… e muito longe de qualquer pós-fascismo, nao acham ?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145742/#comment-864036</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Oct 2022 08:58:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145742#comment-864036</guid>

					<description><![CDATA[Cher Yves,

Na última edição de &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; (São Paulo: Hedra, 2022) todo o sexto volume é ocupado pelo tema Metamorfoses do Fascismo, e o terceiro capítulo, que se estende por um pouco mais de cem páginas, intitula-se O Fascismo Pós-Fascista. Não se trata de fazer uma amálgama, porque eu não reduzo esses fenómenos ao fascismo clássico. Por isto mesmo os classifico como pós-fascistas. O dever do historiador é descobrir relações e rupturas, convergências e separações, desenhando os fios de uma teia. E se num dado facto ou num dado processo descobrimos a repetição ou o eco de outros factos e processos, então isto indica a existência de uma relação. «I don’t believe much in coincidences. If you trace them back far enough, they usually have a meaning», diz Lew Archer a Tony Torres em &lt;em&gt;The Barbarous Coast&lt;/em&gt;, de Ross Macdonald. Este princípio seguido pelo detective é aquele que deve orientar os historiadores. Não se trata de coincidências nem de amálgamas, mas da descoberta de relações profundas, cujo significado tem de ser revelado.

Porte-toi bien,

João]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cher Yves,</p>
<p>Na última edição de <em>Labirintos do Fascismo</em> (São Paulo: Hedra, 2022) todo o sexto volume é ocupado pelo tema Metamorfoses do Fascismo, e o terceiro capítulo, que se estende por um pouco mais de cem páginas, intitula-se O Fascismo Pós-Fascista. Não se trata de fazer uma amálgama, porque eu não reduzo esses fenómenos ao fascismo clássico. Por isto mesmo os classifico como pós-fascistas. O dever do historiador é descobrir relações e rupturas, convergências e separações, desenhando os fios de uma teia. E se num dado facto ou num dado processo descobrimos a repetição ou o eco de outros factos e processos, então isto indica a existência de uma relação. «I don’t believe much in coincidences. If you trace them back far enough, they usually have a meaning», diz Lew Archer a Tony Torres em <em>The Barbarous Coast</em>, de Ross Macdonald. Este princípio seguido pelo detective é aquele que deve orientar os historiadores. Não se trata de coincidências nem de amálgamas, mas da descoberta de relações profundas, cujo significado tem de ser revelado.</p>
<p>Porte-toi bien,</p>
<p>João</p>
]]></content:encoded>
		
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