<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Talvez. 2) Muitos problemas e nenhuma explicação	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2022/10/145744/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Wed, 11 Jan 2023 12:41:19 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Jeronimo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-867170</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jeronimo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 14:48:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-867170</guid>

					<description><![CDATA[curioso não existir uma rede ou fórum voltada à auto educação, aos autodidatas.
já que foi citado esse tema aqui, vcs conhecem alguma ferramente nesse sentido?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>curioso não existir uma rede ou fórum voltada à auto educação, aos autodidatas.<br />
já que foi citado esse tema aqui, vcs conhecem alguma ferramente nesse sentido?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Luar avesso		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-867131</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luar avesso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 04:20:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-867131</guid>

					<description><![CDATA[https://www.youtube.com/watch?v=8Z8JPig_b3A&#038;t=72s



Caro VDR, ao ler suas inquietações primeiras - me veio essa canção do Falcão na cabeça . 
Gente Humana - 



Seja ou não por influência da Era de Aquários,
As pessoas tornam-se mais transcendentais
E enveredam por caminhos extraordinários,
Tentando não se machucar na virada do milênio

Pois os astros que regem os sabidos
Também regem os otários
E quem é esperto, lucra tanto na matéria
Quanto no imaginário
Pois o futuro atualmente está muito mudado
E qualquer um pode prever inclusive o passado

Numerologia, astrologia, ufologia, orixás
Viagem astral, meditação transcendental
Reencarnação, casa solar, encruzilhada
Regressão, macumba, igreja universal

Adivinhação, Mônica Bonfiglio, sal frutas
Pife-pafe, irmã Jurema, Edir Macedo
Chá de cogumelo, neoliberalismo
Walter Mercado, Leiloca, Lair Ribeiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8Z8JPig_b3A&#038;t=72s" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=8Z8JPig_b3A&#038;t=72s</a></p>
<p>Caro VDR, ao ler suas inquietações primeiras &#8211; me veio essa canção do Falcão na cabeça .<br />
Gente Humana &#8211; </p>
<p>Seja ou não por influência da Era de Aquários,<br />
As pessoas tornam-se mais transcendentais<br />
E enveredam por caminhos extraordinários,<br />
Tentando não se machucar na virada do milênio</p>
<p>Pois os astros que regem os sabidos<br />
Também regem os otários<br />
E quem é esperto, lucra tanto na matéria<br />
Quanto no imaginário<br />
Pois o futuro atualmente está muito mudado<br />
E qualquer um pode prever inclusive o passado</p>
<p>Numerologia, astrologia, ufologia, orixás<br />
Viagem astral, meditação transcendental<br />
Reencarnação, casa solar, encruzilhada<br />
Regressão, macumba, igreja universal</p>
<p>Adivinhação, Mônica Bonfiglio, sal frutas<br />
Pife-pafe, irmã Jurema, Edir Macedo<br />
Chá de cogumelo, neoliberalismo<br />
Walter Mercado, Leiloca, Lair Ribeiro</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Davi		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-866917</link>

		<dc:creator><![CDATA[Davi]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 20:02:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-866917</guid>

					<description><![CDATA[Manolo, darei aqui uma última tréplica, para não me alongar num aspecto específico do artigo e de seu primeiro comentário, dado que é uma discussão com muito “pano para manga”. 

Primeiro, de fato, minha análise se concentra no cenário da periferia no Sudeste do Brasil, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo, mas creio que alguns pontos são generalizáveis para outras partes do país. Segundo, assumo a ignorância de desconhecer paralelos atuais que se possa realizar com esse cenário específico em outras partes do mundo, para além das próprias implicações da indústria cultural em escala global. Aqui chamo atenção de que simultaneamente ao desenvolvimento de um nicho específico da indústria cultural, há o crescimento e desenvolvimento de uma elite ilegal ligada a esse nicho. Talvez com o rap americano possamos notar semelhança com esse desenvolvimento, mas uma diferença aparente é que o que ocorre no Brasil parece ter uma escala muito maior e danosa do que o que ocorreu nos EUA.

Se por um lado a existência dos bailes funks e paredões de som corresponde a uma falta de equipamentos culturais capazes de suprir a demanda dos trabalhadores por lazer, algo que me parece correto, por outro há a questão da elite local ligada ao crime que promove boa parte dessas festas, submetendo extensas áreas aos seus interesses particulares, fato que já citei. Essa carência de oferta por si só não explica esses fenômenos, dado que existem territórios com contexto social semelhante em que há dinâmicas diferentes. Para dialogar com um fato que citou, as cerimônias religiosas também entram na lista de atividades comprometidas nesse ambiente sonoramente poluído. Aliás, para incluir mais paralelos, foi bastante divulgada a perseguição que traficantes ditos evangélicos fazem sobre os terreiros de candomblé no Rio de Janeiro nos últimos anos. Os traficantes do Complexo de Israel que perseguem mães e pais de santo são os mesmos que promovem os bailes funks nas favelas onde residem, como em Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade Alta. Já não é mais necessário esperar que “elementos externos” exerçam opressão e perseguição contra trabalhadores nos bairros mais pobres, os próprios “irmãos” se encarregam disso hoje em dia. Se critiquei a poluição sonora, foi para defender o direito ao lazer e descanso de grande parte da própria população das favelas e periferias, que já sofre o suficiente com todo o resto. Não é questão de mero gosto ou desgosto pessoal.

Para ilustrar meu ponto com mais um caso, lembremos de Thiago Freitas de Souza, fotógrafo e morador da favela de Santo Cristo (Niterói), morto no ano passado após pedir para traficantes vizinhos abaixarem o som alto, que impedia sua filha de dormir. É nessa dinâmica com os “xerifes” e “manda-chuvas” em que estão inseridos os trabalhadores das periferias hoje, refletindo em diversos aspectos da vida cotidiana nesses territórios, incluindo na violência sonora que alguns entendem como resistência cultural.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, darei aqui uma última tréplica, para não me alongar num aspecto específico do artigo e de seu primeiro comentário, dado que é uma discussão com muito “pano para manga”. </p>
<p>Primeiro, de fato, minha análise se concentra no cenário da periferia no Sudeste do Brasil, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo, mas creio que alguns pontos são generalizáveis para outras partes do país. Segundo, assumo a ignorância de desconhecer paralelos atuais que se possa realizar com esse cenário específico em outras partes do mundo, para além das próprias implicações da indústria cultural em escala global. Aqui chamo atenção de que simultaneamente ao desenvolvimento de um nicho específico da indústria cultural, há o crescimento e desenvolvimento de uma elite ilegal ligada a esse nicho. Talvez com o rap americano possamos notar semelhança com esse desenvolvimento, mas uma diferença aparente é que o que ocorre no Brasil parece ter uma escala muito maior e danosa do que o que ocorreu nos EUA.</p>
<p>Se por um lado a existência dos bailes funks e paredões de som corresponde a uma falta de equipamentos culturais capazes de suprir a demanda dos trabalhadores por lazer, algo que me parece correto, por outro há a questão da elite local ligada ao crime que promove boa parte dessas festas, submetendo extensas áreas aos seus interesses particulares, fato que já citei. Essa carência de oferta por si só não explica esses fenômenos, dado que existem territórios com contexto social semelhante em que há dinâmicas diferentes. Para dialogar com um fato que citou, as cerimônias religiosas também entram na lista de atividades comprometidas nesse ambiente sonoramente poluído. Aliás, para incluir mais paralelos, foi bastante divulgada a perseguição que traficantes ditos evangélicos fazem sobre os terreiros de candomblé no Rio de Janeiro nos últimos anos. Os traficantes do Complexo de Israel que perseguem mães e pais de santo são os mesmos que promovem os bailes funks nas favelas onde residem, como em Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade Alta. Já não é mais necessário esperar que “elementos externos” exerçam opressão e perseguição contra trabalhadores nos bairros mais pobres, os próprios “irmãos” se encarregam disso hoje em dia. Se critiquei a poluição sonora, foi para defender o direito ao lazer e descanso de grande parte da própria população das favelas e periferias, que já sofre o suficiente com todo o resto. Não é questão de mero gosto ou desgosto pessoal.</p>
<p>Para ilustrar meu ponto com mais um caso, lembremos de Thiago Freitas de Souza, fotógrafo e morador da favela de Santo Cristo (Niterói), morto no ano passado após pedir para traficantes vizinhos abaixarem o som alto, que impedia sua filha de dormir. É nessa dinâmica com os “xerifes” e “manda-chuvas” em que estão inseridos os trabalhadores das periferias hoje, refletindo em diversos aspectos da vida cotidiana nesses territórios, incluindo na violência sonora que alguns entendem como resistência cultural.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-866444</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Oct 2022 19:51:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-866444</guid>

					<description><![CDATA[Outro Bruno,

Note que, nessa passagem, eu estou a mencionar um contexto em que ocorre a «aplicação generalizada e sistemática da electrónica a todo o tipo de processos de produção». Foi esse contexto que «cancelou a distinção entre o fabrico de bens materiais e a produção de bens imateriais». Todas aquelas centenas de milhares de trabalhadores que mantêm em actividade os mecanismos de busca, as redes sociais, etc., são produtores de bens imateriais. Um tijolo é um bem material, você pode atirá-lo à cabeça de alguém, mas uma rede social é imaterial, você não pode atirá-la à cabeça de ninguém, ainda que não lhe falte vontade de o fazer. São estas condições que, como escrevi no item anterior, «deixaram sem significado a velha divisão da economia em agricultura, indústria e serviços». É indiferente que a mais-valia seja materializada ou desmaterializada.

É certo que já anteriormente à aplicação da electrónica aos processos económicos a actividade produtora de mais-valia não era obrigatoriamente produtora de bens materiais, por exemplo o trabalho dos professores, que, como expus em vários artigos e em capítulos de alguns livros, deve considerar-se como produtor de mais-valia. Ora, o ensino é um bem imaterial, que se incorpora em algo de material, que é o aluno. O mesmo se passa com os terapeutas, desde que trabalhem para uma instituição, quer seja um hospital ou uma clínica quer seja um gabinete gerido por outro médico. Esses terapeutas estão produzindo um bem imaterial e, portanto, são explorados de uma mais-valia não materializada. Porém, se se tratar de uma prestação individual de serviços, como aulas particulares ou sessões particulares de terapia, o professor e o terapeuta não estão inseridos num processo capitalista e, portanto, não são produtores de mais-valia. Estão na mesma situação de uma faxineira, que se distingue de uma trabalhadora de limpeza assalariada por uma empresa de limpezas.

E agradeço a indicação de leitura, um autor que eu não conhecia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro Bruno,</p>
<p>Note que, nessa passagem, eu estou a mencionar um contexto em que ocorre a «aplicação generalizada e sistemática da electrónica a todo o tipo de processos de produção». Foi esse contexto que «cancelou a distinção entre o fabrico de bens materiais e a produção de bens imateriais». Todas aquelas centenas de milhares de trabalhadores que mantêm em actividade os mecanismos de busca, as redes sociais, etc., são produtores de bens imateriais. Um tijolo é um bem material, você pode atirá-lo à cabeça de alguém, mas uma rede social é imaterial, você não pode atirá-la à cabeça de ninguém, ainda que não lhe falte vontade de o fazer. São estas condições que, como escrevi no item anterior, «deixaram sem significado a velha divisão da economia em agricultura, indústria e serviços». É indiferente que a mais-valia seja materializada ou desmaterializada.</p>
<p>É certo que já anteriormente à aplicação da electrónica aos processos económicos a actividade produtora de mais-valia não era obrigatoriamente produtora de bens materiais, por exemplo o trabalho dos professores, que, como expus em vários artigos e em capítulos de alguns livros, deve considerar-se como produtor de mais-valia. Ora, o ensino é um bem imaterial, que se incorpora em algo de material, que é o aluno. O mesmo se passa com os terapeutas, desde que trabalhem para uma instituição, quer seja um hospital ou uma clínica quer seja um gabinete gerido por outro médico. Esses terapeutas estão produzindo um bem imaterial e, portanto, são explorados de uma mais-valia não materializada. Porém, se se tratar de uma prestação individual de serviços, como aulas particulares ou sessões particulares de terapia, o professor e o terapeuta não estão inseridos num processo capitalista e, portanto, não são produtores de mais-valia. Estão na mesma situação de uma faxineira, que se distingue de uma trabalhadora de limpeza assalariada por uma empresa de limpezas.</p>
<p>E agradeço a indicação de leitura, um autor que eu não conhecia.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Outro Bruno		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-866427</link>

		<dc:creator><![CDATA[Outro Bruno]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Oct 2022 16:42:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-866427</guid>

					<description><![CDATA[O que o autor quer dizer com &quot;a produção de bens imateriais&quot;? (Item 1)
Quer dizer, compreendo que produtos do trabalho como por exemplo uma sessão de terapia (para acompanhar a moda dos comentários) não podem (ainda) serem colocados em um contêiner e enviados para outro país, e mesmo assim passam por um processo de industrialização com o advento da eletrônica e parametrizados pelo tempo, como bem descrito na passagem. Mas retirar-lhes a matéria para mim é o mesmo que retirar o próprio bem: sobra só o anúncio.

E já que gosta de romances, a leitura destas duas partes do artigo me lembrou de um que recomendo: Companhia Brasileira de Alquimia, de Manoel Herzog. E não vai se arrepender de na sequência ler um outro do mesmo autor - A jaca do cemitério é mais doce.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que o autor quer dizer com &#8220;a produção de bens imateriais&#8221;? (Item 1)<br />
Quer dizer, compreendo que produtos do trabalho como por exemplo uma sessão de terapia (para acompanhar a moda dos comentários) não podem (ainda) serem colocados em um contêiner e enviados para outro país, e mesmo assim passam por um processo de industrialização com o advento da eletrônica e parametrizados pelo tempo, como bem descrito na passagem. Mas retirar-lhes a matéria para mim é o mesmo que retirar o próprio bem: sobra só o anúncio.</p>
<p>E já que gosta de romances, a leitura destas duas partes do artigo me lembrou de um que recomendo: Companhia Brasileira de Alquimia, de Manoel Herzog. E não vai se arrepender de na sequência ler um outro do mesmo autor &#8211; A jaca do cemitério é mais doce.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-866248</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Oct 2022 17:32:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-866248</guid>

					<description><![CDATA[AND SO ON
Quando eclode a querela, nos arraiais do maoismo pós-maoista, entre neo-pós &#038; pós-neo, recomenda-se (topicamente?) uma (re)leitura - preliminar &#038;/ sintomal, s&#039;il vous plaît - de Sobre a Justa Solução das Contradições no Seio do Povo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>AND SO ON<br />
Quando eclode a querela, nos arraiais do maoismo pós-maoista, entre neo-pós &amp; pós-neo, recomenda-se (topicamente?) uma (re)leitura &#8211; preliminar &amp;/ sintomal, s&#8217;il vous plaît &#8211; de Sobre a Justa Solução das Contradições no Seio do Povo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-866226</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Oct 2022 15:45:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-866226</guid>

					<description><![CDATA[Como João Bernardo é leitor atento, certamente leu meu comentário anterior, onde a hipótese de que &quot;dentro dos produtos da indústria cultural, há diferenças de forma e conteúdo capazes de atualizar as distinções entre classes sociais&quot; não é a única, mas &lt;em&gt;uma entre muitas&lt;/em&gt;. Todas, aliás, dialogando com os &quot;problemas gerais, globais, mundiais&quot; trazidos pelo ensaio. O &lt;em&gt;funk&lt;/em&gt;, naquele comentário, ilustra a hipótese, não a explica. Aliás, aquele comentário era justamente a tentativa de tirar o debate de um beco sem saída para onde o haviam levado.

De igual modo, e pela mesma razão, certamente João Bernardo terá lido, no último parágrafo de meu comentário mais recente, que naquele último pedaço me dei &quot;a liberdade de sair também do assunto&quot;, para tentar tirar a discussão em torno da &quot;poluição sonora&quot; dos termos muito estritos em que foi colocada. Quis, com isso, chamar a atenção para certos fenômenos sociais verificados no mesmo lugar em tempos (cronológicos e sociais) diferentes, que certamente deixam rastros e vestígios. 

Para chegar ao mesmo ponto, aliás, eu nem precisaria ter remetido a paralelos históricos como a repressão ao candomblé e a repressão mais genérica contra atividades lúdicas nos bairros proletários. Se não é legítimo fazer tais paralelos históricos quanto à &quot;poluição sonora&quot; nos comentários a este ensaio, apesar de eu continuar convencido de que é legítimo fazê-los, bastaria olhar casos mais recentes, ou mesmo contemporâneos. Olhar para os &lt;em&gt;sound systems&lt;/em&gt; de Kingston (Jamaica), de onde vêm os similares novaiorquinos que deram origem ao &lt;em&gt;hip hop&lt;/em&gt; e também às &lt;em&gt;radiolas&lt;/em&gt; em São Luís do Maranhão. Olhar, também, para as &lt;em&gt;raves&lt;/em&gt; na Bélgica, Canadá, Inglaterra e Alemanha, quando ainda eram ilegais e ocorriam, com grande frequência, nas ruas de bairros industriais abandonados, ou em bairros proletários. Seria uma longa, enorme e desnecessária lista se eu continuasse. Tudo isso são fenômenos bem conhecidos, bem estudados, sobre os quais há farta literatura (acadêmica ou não) e filmografia. Em cada um deles, verificam-se pequenos &quot;incidentes de Reinosa&quot; associados ao consumo contínuo dos mesmos bens culturais, por mais ou menos as mesmas pessoas, em lugares mais ou menos semelhantes.

Tudo isso permitiria correlacionar muito fortemente a &quot;poluição sonora&quot; nesses fenômenos relativamente atuais com três tendências, duas delas talvez demandando atualizarmos o que entendemos como &quot;indústria cultural&quot;: (a) ausência de equipamentos culturais capazes de suprir de modo massivo a demanda de trabalhadores por lazer; (b) barateamento e miniaturização das tecnologias mais modernas de produção, circulação e consumo de bens culturais; (c) contestação ao &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;. Repito, quanto a esta última tendência: &lt;em&gt;contestação ao status quo&lt;/em&gt;, pura e simples contestação. Não revolução socialista, ou organização de trabalhadores. Simples contestação ao &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;, e só. Da mesma forma, &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt; no sentido mais amplo, lato e largo possível.

Isso dito, vou insistir também no que já disse em meu primeiro comentário: &quot;não digo que nada disso seja a meu gosto; reconheço nisso, entretanto, sinais de distinção social, de expressão e gosto por parte de classes sociais distintas, muito evidentes a julgar pela classe social a que pertencem as pessoas que delas gostam e as que delas não gostam&quot;. Não se pode confundir a defesa do próprio gosto com ciência social (que é ciência, porque nem só de juízos apodícticos se faz o saber científico).

Tudo isso para dizer que quando usei como exemplos &lt;em&gt;funk&lt;/em&gt; e candomblé, me referi, &lt;em&gt;diretamente e sem mediações&lt;/em&gt;, a fenômenos globais, que &lt;em&gt;funk&lt;/em&gt; e candomblé ilustraram. O Brasil está no mundo, isto é fato incontestável; mas rejeitar liminarmente evidências empíricas porque se começou por algum lugar não me parece o melhor meio para se alcançar um lugar de chegada a partir deste lugar de partida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como João Bernardo é leitor atento, certamente leu meu comentário anterior, onde a hipótese de que &#8220;dentro dos produtos da indústria cultural, há diferenças de forma e conteúdo capazes de atualizar as distinções entre classes sociais&#8221; não é a única, mas <em>uma entre muitas</em>. Todas, aliás, dialogando com os &#8220;problemas gerais, globais, mundiais&#8221; trazidos pelo ensaio. O <em>funk</em>, naquele comentário, ilustra a hipótese, não a explica. Aliás, aquele comentário era justamente a tentativa de tirar o debate de um beco sem saída para onde o haviam levado.</p>
<p>De igual modo, e pela mesma razão, certamente João Bernardo terá lido, no último parágrafo de meu comentário mais recente, que naquele último pedaço me dei &#8220;a liberdade de sair também do assunto&#8221;, para tentar tirar a discussão em torno da &#8220;poluição sonora&#8221; dos termos muito estritos em que foi colocada. Quis, com isso, chamar a atenção para certos fenômenos sociais verificados no mesmo lugar em tempos (cronológicos e sociais) diferentes, que certamente deixam rastros e vestígios. </p>
<p>Para chegar ao mesmo ponto, aliás, eu nem precisaria ter remetido a paralelos históricos como a repressão ao candomblé e a repressão mais genérica contra atividades lúdicas nos bairros proletários. Se não é legítimo fazer tais paralelos históricos quanto à &#8220;poluição sonora&#8221; nos comentários a este ensaio, apesar de eu continuar convencido de que é legítimo fazê-los, bastaria olhar casos mais recentes, ou mesmo contemporâneos. Olhar para os <em>sound systems</em> de Kingston (Jamaica), de onde vêm os similares novaiorquinos que deram origem ao <em>hip hop</em> e também às <em>radiolas</em> em São Luís do Maranhão. Olhar, também, para as <em>raves</em> na Bélgica, Canadá, Inglaterra e Alemanha, quando ainda eram ilegais e ocorriam, com grande frequência, nas ruas de bairros industriais abandonados, ou em bairros proletários. Seria uma longa, enorme e desnecessária lista se eu continuasse. Tudo isso são fenômenos bem conhecidos, bem estudados, sobre os quais há farta literatura (acadêmica ou não) e filmografia. Em cada um deles, verificam-se pequenos &#8220;incidentes de Reinosa&#8221; associados ao consumo contínuo dos mesmos bens culturais, por mais ou menos as mesmas pessoas, em lugares mais ou menos semelhantes.</p>
<p>Tudo isso permitiria correlacionar muito fortemente a &#8220;poluição sonora&#8221; nesses fenômenos relativamente atuais com três tendências, duas delas talvez demandando atualizarmos o que entendemos como &#8220;indústria cultural&#8221;: (a) ausência de equipamentos culturais capazes de suprir de modo massivo a demanda de trabalhadores por lazer; (b) barateamento e miniaturização das tecnologias mais modernas de produção, circulação e consumo de bens culturais; (c) contestação ao <em>status quo</em>. Repito, quanto a esta última tendência: <em>contestação ao status quo</em>, pura e simples contestação. Não revolução socialista, ou organização de trabalhadores. Simples contestação ao <em>status quo</em>, e só. Da mesma forma, <em>status quo</em> no sentido mais amplo, lato e largo possível.</p>
<p>Isso dito, vou insistir também no que já disse em meu primeiro comentário: &#8220;não digo que nada disso seja a meu gosto; reconheço nisso, entretanto, sinais de distinção social, de expressão e gosto por parte de classes sociais distintas, muito evidentes a julgar pela classe social a que pertencem as pessoas que delas gostam e as que delas não gostam&#8221;. Não se pode confundir a defesa do próprio gosto com ciência social (que é ciência, porque nem só de juízos apodícticos se faz o saber científico).</p>
<p>Tudo isso para dizer que quando usei como exemplos <em>funk</em> e candomblé, me referi, <em>diretamente e sem mediações</em>, a fenômenos globais, que <em>funk</em> e candomblé ilustraram. O Brasil está no mundo, isto é fato incontestável; mas rejeitar liminarmente evidências empíricas porque se começou por algum lugar não me parece o melhor meio para se alcançar um lugar de chegada a partir deste lugar de partida.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-866194</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Oct 2022 12:53:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-866194</guid>

					<description><![CDATA[Fogo no quartel-general: Manolo &#038; JB, intersubjetividade em dissonância cognitiva…]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fogo no quartel-general: Manolo &amp; JB, intersubjetividade em dissonância cognitiva…</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-866169</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Oct 2022 09:32:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-866169</guid>

					<description><![CDATA[Eu bem repito que o Brasil não está no Brasil, está no mundo. Qual quê! Escrevo um texto sobre problemas gerais, globais, mundiais, vou ler os comentários, e está tudo no funk e nos terreiros do candomblé.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu bem repito que o Brasil não está no Brasil, está no mundo. Qual quê! Escrevo um texto sobre problemas gerais, globais, mundiais, vou ler os comentários, e está tudo no funk e nos terreiros do candomblé.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2022/10/145744/#comment-866099</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Oct 2022 02:42:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=145744#comment-866099</guid>

					<description><![CDATA[Há certa tendência dos comentários a sair pela tangente, mas não se pode acusar alguém de colocar seus próprios problemas na berlinda quando são simplesmente tangenciais ao que se discute. Foi o caso com Davi. Aliás, não o recrimino, porque enquanto escrevo tem um paredão estouradaço a menos de 100m de onde estou. Sei bem o que é isso, não preciso que nenhuma revista, projeto ou pesquisa acadêmica me ensine.

Partindo de um problema real para denunciá-lo, em sua angústia Davi apontou corretamente o problema, mas errou completamente o alvo da crítica que me dirigiu.

Em primeiro lugar, porque usei &quot;elite&quot; e &quot;plebe&quot; em meu comentário, sempre entre aspas, para dialogar com o conteúdo do próprio artigo. Creio que, a julgar pelo seu uso extensivo na obra pregressa do autor deste ensaio, esta díade tem algum valor para explicar certos fenômenos sociais.

Em segundo lugar, porque disse expliticamente que &quot;dentro dos produtos da indústria cultural, há diferenças de forma e conteúdo capazes de atualizar as distinções entre classes sociais&quot;. Não falei em momento algum de &quot;arte proletária&quot;, mas de um produto da indústria cultural que circula mais entre a &quot;plebe&quot; (nos termos do ensaio) que entre a &quot;elite&quot; (igualmente nos termos do ensaio). A questão da &quot;arte proletária&quot; deve ser importante para Davi, mas para mim não tem relevância alguma.

(Aliás, nem acho que seja possível, hoje, uma &quot;arte proletária&quot; com alcance massivo que não passe por alguma intermediação da indústria cultural. O que alguns querem fazer passar por &quot;arte proletária&quot;, hoje, são formas de poesia, música, dança, teatro, escultura, vestuário, pintura etc. sobreviventes de outros tempos, congeladas na forma de bens culturais tombados, tornados peças de museu, infensos à mudança. Entre Ariano Suassuna e Chico Science, fico com o último.) 

Em terceiro lugar, não acho, como Davi também certamente não acha, que o &lt;em&gt;funk&lt;/em&gt; seja determinante para definir uma &quot;identidade periféfica&quot;. Uma &quot;identidade periférica&quot;, porque geográfica, deveria levar em conta igualmente outras &quot;identidades&quot; sociais também citadas por Davi, caracterizadas pelo consumo de determinados bens produzidos pela indústria cultural em ampla circulação: o &lt;em&gt;gospel&lt;/em&gt; entre cristãos, certa moda do &lt;em&gt;afrobeat&lt;/em&gt; entre jovens intelectualizados... Tais bens culturais, e também outros, servem tanto para definir &quot;identidades&quot; quanto para estruturar &quot;hierarquias&quot; dentro do mesmo território --- o que reforça meu argumento.

(Aliás, não consideraria o &lt;em&gt;funk&lt;/em&gt; determinante de nada em termos mais abstratos, porque aqui de onde escrevo ele mal se ouve nos paredões. O que se ouve aqui são outras coisas.)

Em quarto lugar, porque se nos ativermos à forma como o ensaio usa a díade &quot;elite&quot; e &quot;plebe&quot;, que reproduzi em meu comentário, o cenário da &quot;festa no playground&quot; que desenhei faz ainda mais sentido que naquelas ocorridas dentro da própria &quot;periferia&quot;.

Já agora, extrapolando o conteúdo de meu comentário e da crítica de Davi, dou-me a liberdade de sair também do assunto. Nas questões da poluição sonora e sua aparente novidade, seria muito proveitoso percorrer os arquivos públicos brasileiros em busca da repressão policial contra bairros proletários e contra terreiros de candomblé. Proliferam ali reclamações contra o “maldito e ruidoso candomblé&quot;, como leio agora mesmo nos autos de uma batida policial realizada num bairro proletário realizada em setembro de 1914. No mesmo arquivo, tive a oportunidade de ler a íntegra dos autos de outra batida policial, famosa ao ponto de virar cena em romance de escritor famoso, justificada porque naquele bairro &quot;toda madrugada tocam candomblé&quot;. Os paralelos históricos, tanto no estabelecimento de diferenças quanto na percepção das continuidades, são muito instrutivos neste caso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há certa tendência dos comentários a sair pela tangente, mas não se pode acusar alguém de colocar seus próprios problemas na berlinda quando são simplesmente tangenciais ao que se discute. Foi o caso com Davi. Aliás, não o recrimino, porque enquanto escrevo tem um paredão estouradaço a menos de 100m de onde estou. Sei bem o que é isso, não preciso que nenhuma revista, projeto ou pesquisa acadêmica me ensine.</p>
<p>Partindo de um problema real para denunciá-lo, em sua angústia Davi apontou corretamente o problema, mas errou completamente o alvo da crítica que me dirigiu.</p>
<p>Em primeiro lugar, porque usei &#8220;elite&#8221; e &#8220;plebe&#8221; em meu comentário, sempre entre aspas, para dialogar com o conteúdo do próprio artigo. Creio que, a julgar pelo seu uso extensivo na obra pregressa do autor deste ensaio, esta díade tem algum valor para explicar certos fenômenos sociais.</p>
<p>Em segundo lugar, porque disse expliticamente que &#8220;dentro dos produtos da indústria cultural, há diferenças de forma e conteúdo capazes de atualizar as distinções entre classes sociais&#8221;. Não falei em momento algum de &#8220;arte proletária&#8221;, mas de um produto da indústria cultural que circula mais entre a &#8220;plebe&#8221; (nos termos do ensaio) que entre a &#8220;elite&#8221; (igualmente nos termos do ensaio). A questão da &#8220;arte proletária&#8221; deve ser importante para Davi, mas para mim não tem relevância alguma.</p>
<p>(Aliás, nem acho que seja possível, hoje, uma &#8220;arte proletária&#8221; com alcance massivo que não passe por alguma intermediação da indústria cultural. O que alguns querem fazer passar por &#8220;arte proletária&#8221;, hoje, são formas de poesia, música, dança, teatro, escultura, vestuário, pintura etc. sobreviventes de outros tempos, congeladas na forma de bens culturais tombados, tornados peças de museu, infensos à mudança. Entre Ariano Suassuna e Chico Science, fico com o último.) </p>
<p>Em terceiro lugar, não acho, como Davi também certamente não acha, que o <em>funk</em> seja determinante para definir uma &#8220;identidade periféfica&#8221;. Uma &#8220;identidade periférica&#8221;, porque geográfica, deveria levar em conta igualmente outras &#8220;identidades&#8221; sociais também citadas por Davi, caracterizadas pelo consumo de determinados bens produzidos pela indústria cultural em ampla circulação: o <em>gospel</em> entre cristãos, certa moda do <em>afrobeat</em> entre jovens intelectualizados&#8230; Tais bens culturais, e também outros, servem tanto para definir &#8220;identidades&#8221; quanto para estruturar &#8220;hierarquias&#8221; dentro do mesmo território &#8212; o que reforça meu argumento.</p>
<p>(Aliás, não consideraria o <em>funk</em> determinante de nada em termos mais abstratos, porque aqui de onde escrevo ele mal se ouve nos paredões. O que se ouve aqui são outras coisas.)</p>
<p>Em quarto lugar, porque se nos ativermos à forma como o ensaio usa a díade &#8220;elite&#8221; e &#8220;plebe&#8221;, que reproduzi em meu comentário, o cenário da &#8220;festa no playground&#8221; que desenhei faz ainda mais sentido que naquelas ocorridas dentro da própria &#8220;periferia&#8221;.</p>
<p>Já agora, extrapolando o conteúdo de meu comentário e da crítica de Davi, dou-me a liberdade de sair também do assunto. Nas questões da poluição sonora e sua aparente novidade, seria muito proveitoso percorrer os arquivos públicos brasileiros em busca da repressão policial contra bairros proletários e contra terreiros de candomblé. Proliferam ali reclamações contra o “maldito e ruidoso candomblé&#8221;, como leio agora mesmo nos autos de uma batida policial realizada num bairro proletário realizada em setembro de 1914. No mesmo arquivo, tive a oportunidade de ler a íntegra dos autos de outra batida policial, famosa ao ponto de virar cena em romance de escritor famoso, justificada porque naquele bairro &#8220;toda madrugada tocam candomblé&#8221;. Os paralelos históricos, tanto no estabelecimento de diferenças quanto na percepção das continuidades, são muito instrutivos neste caso.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
