<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Bestializados?	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2023/01/147134/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2023/01/147134/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 Jan 2023 03:12:47 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/01/147134/#comment-877675</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jan 2023 19:20:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147134#comment-877675</guid>

					<description><![CDATA[Os três conjuntos de fatos citados me dizem que sim, houve tentativa de derrubada do governo por meio de um golpe de Estado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os três conjuntos de fatos citados me dizem que sim, houve tentativa de derrubada do governo por meio de um golpe de Estado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/01/147134/#comment-877672</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jan 2023 18:35:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147134#comment-877672</guid>

					<description><![CDATA[Manolo, essas três questões que você colocou são fatos, mas não respondem a questão: houve uma tentativa de quebra da ordem estabelecida e a instauração de uma nova? Houve tentativa de derrubada do governo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, essas três questões que você colocou são fatos, mas não respondem a questão: houve uma tentativa de quebra da ordem estabelecida e a instauração de uma nova? Houve tentativa de derrubada do governo?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/01/147134/#comment-877644</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jan 2023 14:02:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147134#comment-877644</guid>

					<description><![CDATA[Lá atrás, disse exatamente o que vai no comentário de Paulo Henrique. Argumentava contra quem defendia que o impedimento de Dilma em 2016 era um golpe de Estado. Mantenho a mesma posição quanto às duas coisas: golpe de Estado é o que descrevi na citação e naquele artigo inteiro, e o que houve com Dilma não foi golpe.

Aqui, para tentar usar contra mim mesmo o que escrevi em 2018, Paulo Henrique diz que &quot;seguindo a definição de golpe de Estado definido pelo autor em 2018, não houve uma tentativa de tomada do poder de Estado, e sim de fazer (e conseguiram) um &#039;quebra-quebra&#039;&quot;.

Ao afirmá-lo assim, a seco, Paulo Henrique ignora:

(1) Que a ação correu por fora de qualquer meio institucional de solução de divergências políticas, sem qualquer possibilidade de interpretação dúbia a respeito, rompendo com as &quot;regras do jogo&quot;;
(2) Que múltiplas convocatórias para o &quot;quebra-quebra&quot; ora falavam explicitamente em &quot;tomar o poder&quot;, ora davam a entender o mesmo usando formas bem mais toscas;
(3) Que há indícios muitíssimo fortes de colaboração de agentes do Estado com a tentativa de remoção do governo: licenciamento de parte significativa do Batalhão da Guarda Presidencial nas vésperas da ação; insuficiente efetivo policial enviado para lidar com os fascistas, reforçado somente depois de os fatos tomarem televisões pelo país inteiro; policiais tirando selfies com os fascistas e comprando água de coco enquanto o &quot;quebra-quebra&quot; corria solto; exoneração, por Anderson Torres, de pessoas-chave na Secretaria de Segurança do DF; em dias anteriores, militares barrando a remoção do acampamento em frente ao QG do Exército em Brasília, de onde vieram em massa os golpistas promotores do &quot;quebra-quebra&quot;...

Paulo Henrique faz bem em ser vigilante com o que circula pela internet, como eu mesmo fui e sou. Mas esqueceu de olhar para esses fatos antes de fazer o recorte e a crítica. Se conhece os fatos, mas ignorou-os conscientemente ao fazer o recorte e a crítica, o problema é de outra ordem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lá atrás, disse exatamente o que vai no comentário de Paulo Henrique. Argumentava contra quem defendia que o impedimento de Dilma em 2016 era um golpe de Estado. Mantenho a mesma posição quanto às duas coisas: golpe de Estado é o que descrevi na citação e naquele artigo inteiro, e o que houve com Dilma não foi golpe.</p>
<p>Aqui, para tentar usar contra mim mesmo o que escrevi em 2018, Paulo Henrique diz que &#8220;seguindo a definição de golpe de Estado definido pelo autor em 2018, não houve uma tentativa de tomada do poder de Estado, e sim de fazer (e conseguiram) um &#8216;quebra-quebra'&#8221;.</p>
<p>Ao afirmá-lo assim, a seco, Paulo Henrique ignora:</p>
<p>(1) Que a ação correu por fora de qualquer meio institucional de solução de divergências políticas, sem qualquer possibilidade de interpretação dúbia a respeito, rompendo com as &#8220;regras do jogo&#8221;;<br />
(2) Que múltiplas convocatórias para o &#8220;quebra-quebra&#8221; ora falavam explicitamente em &#8220;tomar o poder&#8221;, ora davam a entender o mesmo usando formas bem mais toscas;<br />
(3) Que há indícios muitíssimo fortes de colaboração de agentes do Estado com a tentativa de remoção do governo: licenciamento de parte significativa do Batalhão da Guarda Presidencial nas vésperas da ação; insuficiente efetivo policial enviado para lidar com os fascistas, reforçado somente depois de os fatos tomarem televisões pelo país inteiro; policiais tirando selfies com os fascistas e comprando água de coco enquanto o &#8220;quebra-quebra&#8221; corria solto; exoneração, por Anderson Torres, de pessoas-chave na Secretaria de Segurança do DF; em dias anteriores, militares barrando a remoção do acampamento em frente ao QG do Exército em Brasília, de onde vieram em massa os golpistas promotores do &#8220;quebra-quebra&#8221;&#8230;</p>
<p>Paulo Henrique faz bem em ser vigilante com o que circula pela internet, como eu mesmo fui e sou. Mas esqueceu de olhar para esses fatos antes de fazer o recorte e a crítica. Se conhece os fatos, mas ignorou-os conscientemente ao fazer o recorte e a crítica, o problema é de outra ordem.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/01/147134/#comment-877634</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jan 2023 11:54:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147134#comment-877634</guid>

					<description><![CDATA[O autor define o que ocorreu em Brasília como uma tentativa de golpe de Estado fascista. Mas o mesmo autor, há alguns anos atrás, no artigo &quot;O “golpe” de 2016, Edward Luttwak e a teoria do golpe de Estado&quot;, se utilizando da definição do autor contido no título do artigo, diz: “um golpe consiste na infiltração de um pequeno, porém crítico, segmento do aparato estatal, que é então usado para remover o governo de sua posição de controle sobre o restante do Estado”. Me parece que, seguindo a definição de golpe de Estado definido pelo autor em 2018, não houve golpe de Estado em 2023, pois não houve uma tentativa de tomada do poder de Estado, e sim de fazer (e conseguiram) um &quot;quebra-quebra&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O autor define o que ocorreu em Brasília como uma tentativa de golpe de Estado fascista. Mas o mesmo autor, há alguns anos atrás, no artigo &#8220;O “golpe” de 2016, Edward Luttwak e a teoria do golpe de Estado&#8221;, se utilizando da definição do autor contido no título do artigo, diz: “um golpe consiste na infiltração de um pequeno, porém crítico, segmento do aparato estatal, que é então usado para remover o governo de sua posição de controle sobre o restante do Estado”. Me parece que, seguindo a definição de golpe de Estado definido pelo autor em 2018, não houve golpe de Estado em 2023, pois não houve uma tentativa de tomada do poder de Estado, e sim de fazer (e conseguiram) um &#8220;quebra-quebra&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Nimik		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/01/147134/#comment-877518</link>

		<dc:creator><![CDATA[Nimik]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2023 12:18:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147134#comment-877518</guid>

					<description><![CDATA[como enfrentar de forma realista e eficaz tudo o que há de errado neste mundo sem nos destruir? Como derrotar o poder absoluto sem exercer um poder ainda maior e mais absolutista?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>como enfrentar de forma realista e eficaz tudo o que há de errado neste mundo sem nos destruir? Como derrotar o poder absoluto sem exercer um poder ainda maior e mais absolutista?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fagner Enrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/01/147134/#comment-877480</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fagner Enrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2023 03:57:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147134#comment-877480</guid>

					<description><![CDATA[Manolo faz uma análise correta, a meu ver, do que está atualmente em jogo em termos de lutas sociais, mas erra na avaliação de que as medidas que estão sendo tomadas pelo Judiciário não configuram medidas de exceção.

Os atos praticados pelos ministros do STF podem estar previstos na lei, na Constituição, em regimentos internos, etc., podem não ser definidos como medidas de exceção no sentido estrito do termo (estado de sítio, estado de defesa, etc.), mas foi nessa direção que Bolsonaro se comportou durante todo o seu mandato, praticando atos previstos na lei e na Constituição (além dos não previstos), mas sempre (e abertamente) em contradição com os princípios mais básicos da administração pública e do direito em geral. O STF faz algo parecido, mas em vez de autoritarismo aberto e cínico, o tribunal, coordenando ações com outras instituições, tenta disfarçar o autoritarismo sob uma capa de legalidade democrática.

É claro que os capitalistas fazem isso sempre, em maior ou menor medida, entrando em contradição com o ordenamento jurídico e os princípios que eles mesmos ajudaram a conceber, para satisfazerem seus interesses, mas quando Manolo nega que as decisões do STF configuram medidas de exceção, nega justamente essa contradição, que é inerente ao capitalismo.

Não muda nada constatar que as decisões recentes de Moraes foram tomadas no âmbito de um inquérito preexistente: desde que Bolsonaro começou a lançar a ala radical do bolsonarismo contra os ministros do STF, não houve apenas um inquérito de atos antidemocráticos, mas vários, e todos distribuídos por prevenção a Moraes, após Dias Toffoli determinar a instauração do inquérito das fake news, para isso usando o regimento interno do STF.

E esse inquérito, o das fake news, é uma verdadeira aberração: as ameaças e ofensas aos ministros, feitas virtualmente, sobretudo através das redes sociais, passaram a ser investigadas como se tivessem sido feitas nas dependências do STF; um dos ministros, vítima das ameaças e ofensas, portanto parte interessada, foi designado (nem sequer sorteado) relator; o foro por prerrogativa de função é válido para os ministros do STF quando são autores de crimes, não vítimas de crimes, ou quando os autores dos crimes forem outras autoridades com foro por prerrogativa de função (mas nesse caso, em hipótese alguma um dos ministros, como vítima, poderia atuar ao mesmo tempo com juiz); o inquérito não foi, de antemão, delimitado objetiva (fatos investigados), subjetiva (pessoas investigadas) e temporalmente (prazo de conclusão), possibilitando verdadeira caça às bruxas (que as bruxas sejam agora de extrema-direita, e não de extrema-esquerda, pouco importa); no sistema acusatório, a investigação compete ao Ministério Público ou à autoridade policial, não ao Judiciário, e o juiz não pode ser o gestor da prova.

Assim, aquilo que Manolo classifica como &quot;enorme latitude hermenêutica&quot; e &quot;muita &#039;boa vontade&#039;&quot; no momento da instauração da instauração do inquérito original, deve ser classificado, na minha opinião, como verdadeira medida de exceção. Pode-se afirmar que todo esse inquérito é verdadeiro juízo ou tribunal de exceção, vedado expressamente pela Constituição. E foi com base nessa aberração que outras coisas foram e têm sido feitas.

Isso tudo abre espaço para discussões acerca da nulidade de todos os julgamentos daí resultantes e de todas as provas já produzidas. Mas, enfim, o STF não está interessado num julgamento com devido processo legal, baseado em provas, etc., pois o verdadeiro objetivo é tirar os bolsonaristas de circulação, privar-lhes de fontes de recursos, acabar com a capacidade de articulação de diferentes grupos bolsonaristas, destruir o movimento.

Enfim, dizer que isso tudo não são medidas de exceção não me parece correto, e afirmá-lo não significa fazer coro com os bolsonaristas, quando denunciam a &quot;ditadura do STF&quot;. Significa constatar um fato, com o qual temos de lidar à nossa maneira.

O fundamental, porém, é o seguinte: estamos diante de um Judiciário que, a pretexto de preservar a democracia, mas uma democracia reduzida a instituições, não uma democracia enquanto participação popular, pratica atos cada vez mais autoritários. Querem preservar o esqueleto quando tudo mais já se decompôs, uma forma sem conteúdo, sem vitalidade. É esse o cerne do problema: para a defesa de uma institucionalidade morta, cadavérica, zumbi, representantes dessa institucionalidade, com o aval de grande parte da população, da imprensa e inclusive da esquerda, estão fazendo uso cada vez mais amplo e intenso de medidas autoritárias.

Enquanto isso, a esquerda aplaude, apoia, colabora e difunde um denuncismo típico de regimes totalitários, e deixa ao mesmo tempo de fazer o essencial: agir de acordo com uma perspectiva de luta de classes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo faz uma análise correta, a meu ver, do que está atualmente em jogo em termos de lutas sociais, mas erra na avaliação de que as medidas que estão sendo tomadas pelo Judiciário não configuram medidas de exceção.</p>
<p>Os atos praticados pelos ministros do STF podem estar previstos na lei, na Constituição, em regimentos internos, etc., podem não ser definidos como medidas de exceção no sentido estrito do termo (estado de sítio, estado de defesa, etc.), mas foi nessa direção que Bolsonaro se comportou durante todo o seu mandato, praticando atos previstos na lei e na Constituição (além dos não previstos), mas sempre (e abertamente) em contradição com os princípios mais básicos da administração pública e do direito em geral. O STF faz algo parecido, mas em vez de autoritarismo aberto e cínico, o tribunal, coordenando ações com outras instituições, tenta disfarçar o autoritarismo sob uma capa de legalidade democrática.</p>
<p>É claro que os capitalistas fazem isso sempre, em maior ou menor medida, entrando em contradição com o ordenamento jurídico e os princípios que eles mesmos ajudaram a conceber, para satisfazerem seus interesses, mas quando Manolo nega que as decisões do STF configuram medidas de exceção, nega justamente essa contradição, que é inerente ao capitalismo.</p>
<p>Não muda nada constatar que as decisões recentes de Moraes foram tomadas no âmbito de um inquérito preexistente: desde que Bolsonaro começou a lançar a ala radical do bolsonarismo contra os ministros do STF, não houve apenas um inquérito de atos antidemocráticos, mas vários, e todos distribuídos por prevenção a Moraes, após Dias Toffoli determinar a instauração do inquérito das fake news, para isso usando o regimento interno do STF.</p>
<p>E esse inquérito, o das fake news, é uma verdadeira aberração: as ameaças e ofensas aos ministros, feitas virtualmente, sobretudo através das redes sociais, passaram a ser investigadas como se tivessem sido feitas nas dependências do STF; um dos ministros, vítima das ameaças e ofensas, portanto parte interessada, foi designado (nem sequer sorteado) relator; o foro por prerrogativa de função é válido para os ministros do STF quando são autores de crimes, não vítimas de crimes, ou quando os autores dos crimes forem outras autoridades com foro por prerrogativa de função (mas nesse caso, em hipótese alguma um dos ministros, como vítima, poderia atuar ao mesmo tempo com juiz); o inquérito não foi, de antemão, delimitado objetiva (fatos investigados), subjetiva (pessoas investigadas) e temporalmente (prazo de conclusão), possibilitando verdadeira caça às bruxas (que as bruxas sejam agora de extrema-direita, e não de extrema-esquerda, pouco importa); no sistema acusatório, a investigação compete ao Ministério Público ou à autoridade policial, não ao Judiciário, e o juiz não pode ser o gestor da prova.</p>
<p>Assim, aquilo que Manolo classifica como &#8220;enorme latitude hermenêutica&#8221; e &#8220;muita &#8216;boa vontade'&#8221; no momento da instauração da instauração do inquérito original, deve ser classificado, na minha opinião, como verdadeira medida de exceção. Pode-se afirmar que todo esse inquérito é verdadeiro juízo ou tribunal de exceção, vedado expressamente pela Constituição. E foi com base nessa aberração que outras coisas foram e têm sido feitas.</p>
<p>Isso tudo abre espaço para discussões acerca da nulidade de todos os julgamentos daí resultantes e de todas as provas já produzidas. Mas, enfim, o STF não está interessado num julgamento com devido processo legal, baseado em provas, etc., pois o verdadeiro objetivo é tirar os bolsonaristas de circulação, privar-lhes de fontes de recursos, acabar com a capacidade de articulação de diferentes grupos bolsonaristas, destruir o movimento.</p>
<p>Enfim, dizer que isso tudo não são medidas de exceção não me parece correto, e afirmá-lo não significa fazer coro com os bolsonaristas, quando denunciam a &#8220;ditadura do STF&#8221;. Significa constatar um fato, com o qual temos de lidar à nossa maneira.</p>
<p>O fundamental, porém, é o seguinte: estamos diante de um Judiciário que, a pretexto de preservar a democracia, mas uma democracia reduzida a instituições, não uma democracia enquanto participação popular, pratica atos cada vez mais autoritários. Querem preservar o esqueleto quando tudo mais já se decompôs, uma forma sem conteúdo, sem vitalidade. É esse o cerne do problema: para a defesa de uma institucionalidade morta, cadavérica, zumbi, representantes dessa institucionalidade, com o aval de grande parte da população, da imprensa e inclusive da esquerda, estão fazendo uso cada vez mais amplo e intenso de medidas autoritárias.</p>
<p>Enquanto isso, a esquerda aplaude, apoia, colabora e difunde um denuncismo típico de regimes totalitários, e deixa ao mesmo tempo de fazer o essencial: agir de acordo com uma perspectiva de luta de classes.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
