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	Comentários sobre: Capital fictício ?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881693</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Feb 2023 02:55:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pablo, faça assim: pegue os programas e as palavras de ordem de todas as correntes do PT e do PSOL, do PSTU, do PCB, da UP e do PCO; pegue também os programas e palavras de ordem das centrais sindicais, dos movimentos de luta pela reforma agrária e urbana; leia tudo, e veja se lá falam dos &lt;em&gt;fatos&lt;/em&gt; (dívida pública, lucros de bancos, taxas de juros, etc.) ou da &lt;em&gt;teoria&lt;/em&gt; construída sobre eles (capital fictício). Fatos se pode usar para construir outras teorias, e podem mesmo levar a outras conclusões depois de novo entendimento teórico; já as teorias não se prestam à mesma operação sem muito contorcionismo e desvirtuação. Não adianta esse estrategema retórico, aliás falacioso, de tentar fazer uma coisa passar pela outra, porque fatos são fatos e teorias são teorias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pablo, faça assim: pegue os programas e as palavras de ordem de todas as correntes do PT e do PSOL, do PSTU, do PCB, da UP e do PCO; pegue também os programas e palavras de ordem das centrais sindicais, dos movimentos de luta pela reforma agrária e urbana; leia tudo, e veja se lá falam dos <em>fatos</em> (dívida pública, lucros de bancos, taxas de juros, etc.) ou da <em>teoria</em> construída sobre eles (capital fictício). Fatos se pode usar para construir outras teorias, e podem mesmo levar a outras conclusões depois de novo entendimento teórico; já as teorias não se prestam à mesma operação sem muito contorcionismo e desvirtuação. Não adianta esse estrategema retórico, aliás falacioso, de tentar fazer uma coisa passar pela outra, porque fatos são fatos e teorias são teorias.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881683</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Feb 2023 23:56:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Manolo, basta observar as bases teóricas e metodológicas da militância de esquerda que fórmula os programas e estratégias para notar a unanimidade do conceito de capital fictício (e da crítica ao capital especulativo), que por isso está presente ou implícito em praticamente todas as análises de conjuntura das organizações de esquerda e é considerado um evidente inimigo em comum para organizações que face a outros temas se degladiam.

João Bernardo, foi isso que eu disse. A crítica ao conceito de capital fictício é urgente e importante para as lutas anticapitalistas e por isso vim aqui debater este ensaio bombástico (um elogio) que da forma como foi publicado, ou seja, sintetizado, focado em sarcasmos e sem as explicações que vieram no decorrer do debate, estava sendo desconsiderado como um ensaio ruim, meramente provocativo, e sendo objeto de piadas por leitores que não se deram ao trabalho de vir aqui comentar e debater com o autor. Minhas intervenções foram interpretadas como se eu estivesse atacando o texto, quando eu objetivava ver a coisa melhor explicada e em diálogo com as teorias do capital fictício. Antes desse texto eu não via problema algum em usar o conceito (tirando a centralidade que ele assume nas abordagens marxistas ortodoxas) e ao mesmo tempo criticar (munido do modelo teórico de Economia dos conflitos sociais) quem separa o industrial do especulativo, o produtivo do financeiro etc. fazendo eco - na esquerda - a abordagens fascistas e nazistas do tema. Eu não unia uma coisa à outra, não entendia os desdobramentos e não saberia por onde começar se me pedissem uma crítica ao conceito. Agora tenho uma noção. Não tenho problema algum com sarcasmo, adoro. Mas como eu disse, a importância da crítica ao conceito de capital fictício exige explicações rigorosas e sérias, indicações de caminhos etc. que apenas o autor tinha condições de dar. E foi um pouco do que tivemos. Agora talvez o ensaio &quot;ampliado&quot; não pareça tão indigesto e tenha colocado pulgas atrás de algumas orelhas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, basta observar as bases teóricas e metodológicas da militância de esquerda que fórmula os programas e estratégias para notar a unanimidade do conceito de capital fictício (e da crítica ao capital especulativo), que por isso está presente ou implícito em praticamente todas as análises de conjuntura das organizações de esquerda e é considerado um evidente inimigo em comum para organizações que face a outros temas se degladiam.</p>
<p>João Bernardo, foi isso que eu disse. A crítica ao conceito de capital fictício é urgente e importante para as lutas anticapitalistas e por isso vim aqui debater este ensaio bombástico (um elogio) que da forma como foi publicado, ou seja, sintetizado, focado em sarcasmos e sem as explicações que vieram no decorrer do debate, estava sendo desconsiderado como um ensaio ruim, meramente provocativo, e sendo objeto de piadas por leitores que não se deram ao trabalho de vir aqui comentar e debater com o autor. Minhas intervenções foram interpretadas como se eu estivesse atacando o texto, quando eu objetivava ver a coisa melhor explicada e em diálogo com as teorias do capital fictício. Antes desse texto eu não via problema algum em usar o conceito (tirando a centralidade que ele assume nas abordagens marxistas ortodoxas) e ao mesmo tempo criticar (munido do modelo teórico de Economia dos conflitos sociais) quem separa o industrial do especulativo, o produtivo do financeiro etc. fazendo eco &#8211; na esquerda &#8211; a abordagens fascistas e nazistas do tema. Eu não unia uma coisa à outra, não entendia os desdobramentos e não saberia por onde começar se me pedissem uma crítica ao conceito. Agora tenho uma noção. Não tenho problema algum com sarcasmo, adoro. Mas como eu disse, a importância da crítica ao conceito de capital fictício exige explicações rigorosas e sérias, indicações de caminhos etc. que apenas o autor tinha condições de dar. E foi um pouco do que tivemos. Agora talvez o ensaio &#8220;ampliado&#8221; não pareça tão indigesto e tenha colocado pulgas atrás de algumas orelhas.</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881676</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Feb 2023 21:50:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Já que fui eu a dar o pontapé de partida, vou esboçar uma síntese.

Acusaram-me de ter sido sarcástico. Meu Deus, que horror! Vivemos na época do politicamente correcto, que é o mesmo que dizer, a apologia do lugar-comum, ou pior, dos múltiplos lugares-comuns, cada um de cada capela, e poderá haver pecado maior do que o de rir do lugar-comum? Negar o lugar-comum é obrigar a pensar, terrível esforço. Pablo acusa-me também de ser bombástico, mas será que conhece a etimologia do termo? Que honra, a de me colocar entre os discípulos do grande Paracelsus!

Também disseram que no manifesto que inaugurou esta sucessão de comentários eu não dei nenhum exemplo concreto. Mas, se lerem bem, não fiz outra coisa quando enumerei alguns dos passos decisivos da física que deixaram sem sentido a noção de fictício e, portanto, invalidaram a noção de uma economia natural. Mas quando, num comentário de 18 de Fevereiro, eu mencionei a anulação do conceito de éter e outro comentador, Goldman Sucks, num comentário desse mesmo dia, escreveu que «o último comentário do Pablo me fez imediatamente lembrar da discussão a respeito do éter dos finais do século XIX» e acrescentou que «a turma fictícia entretanto está presa ao éter», logo Pablo veio dizer que «a comparação com a discussão a respeito do éter é inadequada e objetiva tirar o debate dos caminhos construtivos e jogá-lo num palco de &lt;em&gt;stand-up comedy&lt;/em&gt;». Sarcástico, bombástico e comediante — tanta coisa que eu sou! Ora, pelo contrário, é esse mesmo o centro do problema, e quem não entender a anulação do éter não entende a anulação do capital fictício.

Também dei no meu manifesto os exemplos concretos do dinheiro nas ilhas do Pacífico, nomeadamente do &lt;em&gt;kula&lt;/em&gt; nas Ilhas Trobriand e do dinheiro-porcos nas Novas Hébridas. Algum dos dos meus críticos foi estudar estes casos, ou o afã de defenderem os seus sacro-santos dogmas os distraiu de estudarem os casos concretos que evoquei?

Houve comentadores pacientes que se deram ao trabalho de analisar o que eu escrevi, mas o comentário de Fagner Henrique foi taxado por Pablo de «insultos e invenções (que talvez Freud explique)». Pior ainda, a respeito de um comentário muito elucidativo que Leitura Empática escreveu em 12 de Fevereiro, Pablo falou de «afã de ser simpático, e puxar saco», o que ao mesmo tempo insulta o comentador e me insulta a mim. Por que motivo o tal capital fictício atinge tanto o âmago de algumas pessoas? Diz o provérbio árabe que uns ladram e os outros passam, então sigo adiante.

Mas antes de prosseguir quero explicar que destaco os comentários de Pablo porque foi ele o único que não se limitou a considerar-me um ignorante e apresentou uma argumentação ou, aliás, sucessivas argumentações que mudou ao longo dos dias. Não menciono aqui Arkx Brasil porque ele assume uma posição distinta, decorrente de uma linha de argumentação muito diferente das que foram usadas nos restantes comentários, o que me obrigaria a tratar de questões exteriores à estrita problemática do dinheiro. Agora, continuando.

Durante a revolução portuguesa escrevi &lt;em&gt;Marx Crítico de Marx&lt;/em&gt;, que foi publicado quando o nervo da revolução tinha já sido quebrado (Porto: Afrontamento, 1977, 3 vols.), e tentei aí, entre muitas outras coisas, ultrapassar os becos em que Marx se enfiou ao falar da transformação dos valores em preços. Se Marx tivesse pedido a Engels para se encarregar disso, decerto não teria caído em erros que Böhm-Bawerk tão facilmente desvendou. Pretendi nessa obra apresentar um modelo em que a mais-valia é produzida globalmente pela totalidade da classe trabalhadora e apropriada pela globalidade das classes capitalistas, que só posteriormente repartem entre si a mais-valia apropriada.

Aliás, este modelo fundamenta a minha crítica às teses do nacional-desenvolvimentismo, assentes na noção de que o proletariado de umas nações possa ser explorado pelos capitalistas de outras nações, quando eu, pelo contrário, defendo que o primeiro objectivo é a luta dos trabalhadores das nações subdesenvolvidas contra os capitalistas destas nações. Mas não é isto que está agora em causa.

O que agora está em causa é uma certa noção de dinheiro. Escrevi no &lt;em&gt;Marx Crítico de Marx&lt;/em&gt;: «Do modelo que proponho decorre [...] uma concepção que nega o dinheiro enquanto expressão naturalizada das mercadorias e o considera uma expressão institucionalizada da prática dos capitalistas, enquanto veículo de realização institucional das suas conjecturas. O dinheiro deixa de relacionar-se com mercadorias tomadas como naturais para se relacionar com práticas tomadas como conjecturantes. É o dinheiro que permite a efectivação da articulação sempre concreta entre o bloco das possibilidades de produção e o bloco das possibilidades de realização» (vol. II, pág. 196).

Foi a discordância relativamente às teses de Marx acerca do dinheiro e a perplexidade perante a ausência do papel do Estado em &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt; que me levou a dedicar vinte e quatro anos da minha vida à pesquisa que resultou nos três volumes de &lt;em&gt;Poder e Dinheiro&lt;/em&gt;.

«A síntese de tudo o que eu penso sobre este assunto», indiquei no meu comentário de 11 de Fevereiro, «resume-se à noção do dinheiro como uma modalidade de linguagem, um veículo de informação, sendo, como toda a linguagem, uma condição necessária para a articulação das relações sociais. É daqui que deve partir quem quiser entender o que está contido naquele meu brevíssimo manifesto». Poderia ter sido mais claro? Então, sou-o agora. Se colocarmos o dinheiro enquanto modalidade de linguagem no quadro de um modelo em que a mais-valia é produzida pela globalidade dos trabalhadores e apropriada pela globalidade dos capitalistas, e só depois repartida entre esses capitalistas, temos o fundamento da minha crítica à noção de capital fictício.

É a partir daqui, da junção destas duas questões, que a questão do dinheiro deve ser entendida. Haverá algo mais claro?

E deixei explícitas as pistas bibliográficas, quando mencionei Keynes e Leijonhufvud. Trata-se do dinheiro no capitalismo como linguagem dos desequilíbrios e dos desfasamentos (desfasagens, para os brasileiros).

Ah, mas isso não é Marx!

Pois não, não é.

Finalmente, o mais importante de tudo. Escreve Pablo, no seu último comentário, que «o conceito de capital fictício tem hoje um papel muito grande nas lutas sociais e nas análises de quem está comprometido com as lutas sociais». Mas é este mesmo o problema. Por duas vezes eu citei Franz Neumann, no &lt;em&gt;Behemoth&lt;/em&gt;, quando ele previne que «sempre que os protestos contra a hegemonia do capital bancário permeiam os movimentos populares, temos o indício mais claro da aproximação do fascismo». Mas será que os leitores se deram ao trabalho de averiguar quem foi Franz Neumann? Façam-no, e meditem depois no «papel muito grande» que «o conceito de capital fictício» possa ter «nas lutas sociais». A questão é esta, e só esta. E é urgente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já que fui eu a dar o pontapé de partida, vou esboçar uma síntese.</p>
<p>Acusaram-me de ter sido sarcástico. Meu Deus, que horror! Vivemos na época do politicamente correcto, que é o mesmo que dizer, a apologia do lugar-comum, ou pior, dos múltiplos lugares-comuns, cada um de cada capela, e poderá haver pecado maior do que o de rir do lugar-comum? Negar o lugar-comum é obrigar a pensar, terrível esforço. Pablo acusa-me também de ser bombástico, mas será que conhece a etimologia do termo? Que honra, a de me colocar entre os discípulos do grande Paracelsus!</p>
<p>Também disseram que no manifesto que inaugurou esta sucessão de comentários eu não dei nenhum exemplo concreto. Mas, se lerem bem, não fiz outra coisa quando enumerei alguns dos passos decisivos da física que deixaram sem sentido a noção de fictício e, portanto, invalidaram a noção de uma economia natural. Mas quando, num comentário de 18 de Fevereiro, eu mencionei a anulação do conceito de éter e outro comentador, Goldman Sucks, num comentário desse mesmo dia, escreveu que «o último comentário do Pablo me fez imediatamente lembrar da discussão a respeito do éter dos finais do século XIX» e acrescentou que «a turma fictícia entretanto está presa ao éter», logo Pablo veio dizer que «a comparação com a discussão a respeito do éter é inadequada e objetiva tirar o debate dos caminhos construtivos e jogá-lo num palco de <em>stand-up comedy</em>». Sarcástico, bombástico e comediante — tanta coisa que eu sou! Ora, pelo contrário, é esse mesmo o centro do problema, e quem não entender a anulação do éter não entende a anulação do capital fictício.</p>
<p>Também dei no meu manifesto os exemplos concretos do dinheiro nas ilhas do Pacífico, nomeadamente do <em>kula</em> nas Ilhas Trobriand e do dinheiro-porcos nas Novas Hébridas. Algum dos dos meus críticos foi estudar estes casos, ou o afã de defenderem os seus sacro-santos dogmas os distraiu de estudarem os casos concretos que evoquei?</p>
<p>Houve comentadores pacientes que se deram ao trabalho de analisar o que eu escrevi, mas o comentário de Fagner Henrique foi taxado por Pablo de «insultos e invenções (que talvez Freud explique)». Pior ainda, a respeito de um comentário muito elucidativo que Leitura Empática escreveu em 12 de Fevereiro, Pablo falou de «afã de ser simpático, e puxar saco», o que ao mesmo tempo insulta o comentador e me insulta a mim. Por que motivo o tal capital fictício atinge tanto o âmago de algumas pessoas? Diz o provérbio árabe que uns ladram e os outros passam, então sigo adiante.</p>
<p>Mas antes de prosseguir quero explicar que destaco os comentários de Pablo porque foi ele o único que não se limitou a considerar-me um ignorante e apresentou uma argumentação ou, aliás, sucessivas argumentações que mudou ao longo dos dias. Não menciono aqui Arkx Brasil porque ele assume uma posição distinta, decorrente de uma linha de argumentação muito diferente das que foram usadas nos restantes comentários, o que me obrigaria a tratar de questões exteriores à estrita problemática do dinheiro. Agora, continuando.</p>
<p>Durante a revolução portuguesa escrevi <em>Marx Crítico de Marx</em>, que foi publicado quando o nervo da revolução tinha já sido quebrado (Porto: Afrontamento, 1977, 3 vols.), e tentei aí, entre muitas outras coisas, ultrapassar os becos em que Marx se enfiou ao falar da transformação dos valores em preços. Se Marx tivesse pedido a Engels para se encarregar disso, decerto não teria caído em erros que Böhm-Bawerk tão facilmente desvendou. Pretendi nessa obra apresentar um modelo em que a mais-valia é produzida globalmente pela totalidade da classe trabalhadora e apropriada pela globalidade das classes capitalistas, que só posteriormente repartem entre si a mais-valia apropriada.</p>
<p>Aliás, este modelo fundamenta a minha crítica às teses do nacional-desenvolvimentismo, assentes na noção de que o proletariado de umas nações possa ser explorado pelos capitalistas de outras nações, quando eu, pelo contrário, defendo que o primeiro objectivo é a luta dos trabalhadores das nações subdesenvolvidas contra os capitalistas destas nações. Mas não é isto que está agora em causa.</p>
<p>O que agora está em causa é uma certa noção de dinheiro. Escrevi no <em>Marx Crítico de Marx</em>: «Do modelo que proponho decorre [&#8230;] uma concepção que nega o dinheiro enquanto expressão naturalizada das mercadorias e o considera uma expressão institucionalizada da prática dos capitalistas, enquanto veículo de realização institucional das suas conjecturas. O dinheiro deixa de relacionar-se com mercadorias tomadas como naturais para se relacionar com práticas tomadas como conjecturantes. É o dinheiro que permite a efectivação da articulação sempre concreta entre o bloco das possibilidades de produção e o bloco das possibilidades de realização» (vol. II, pág. 196).</p>
<p>Foi a discordância relativamente às teses de Marx acerca do dinheiro e a perplexidade perante a ausência do papel do Estado em <em>O Capital</em> que me levou a dedicar vinte e quatro anos da minha vida à pesquisa que resultou nos três volumes de <em>Poder e Dinheiro</em>.</p>
<p>«A síntese de tudo o que eu penso sobre este assunto», indiquei no meu comentário de 11 de Fevereiro, «resume-se à noção do dinheiro como uma modalidade de linguagem, um veículo de informação, sendo, como toda a linguagem, uma condição necessária para a articulação das relações sociais. É daqui que deve partir quem quiser entender o que está contido naquele meu brevíssimo manifesto». Poderia ter sido mais claro? Então, sou-o agora. Se colocarmos o dinheiro enquanto modalidade de linguagem no quadro de um modelo em que a mais-valia é produzida pela globalidade dos trabalhadores e apropriada pela globalidade dos capitalistas, e só depois repartida entre esses capitalistas, temos o fundamento da minha crítica à noção de capital fictício.</p>
<p>É a partir daqui, da junção destas duas questões, que a questão do dinheiro deve ser entendida. Haverá algo mais claro?</p>
<p>E deixei explícitas as pistas bibliográficas, quando mencionei Keynes e Leijonhufvud. Trata-se do dinheiro no capitalismo como linguagem dos desequilíbrios e dos desfasamentos (desfasagens, para os brasileiros).</p>
<p>Ah, mas isso não é Marx!</p>
<p>Pois não, não é.</p>
<p>Finalmente, o mais importante de tudo. Escreve Pablo, no seu último comentário, que «o conceito de capital fictício tem hoje um papel muito grande nas lutas sociais e nas análises de quem está comprometido com as lutas sociais». Mas é este mesmo o problema. Por duas vezes eu citei Franz Neumann, no <em>Behemoth</em>, quando ele previne que «sempre que os protestos contra a hegemonia do capital bancário permeiam os movimentos populares, temos o indício mais claro da aproximação do fascismo». Mas será que os leitores se deram ao trabalho de averiguar quem foi Franz Neumann? Façam-no, e meditem depois no «papel muito grande» que «o conceito de capital fictício» possa ter «nas lutas sociais». A questão é esta, e só esta. E é urgente.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881613</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Feb 2023 11:44:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um primo que pesquisa Inteligência Artificial comentou esses dias que é engraçado como ChatGPT inventa informações e as responde com absoluta convicção. 

Ao ler alguns comentários penso que talvez isso seja o que mais o aproxima de seres humanos....]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um primo que pesquisa Inteligência Artificial comentou esses dias que é engraçado como ChatGPT inventa informações e as responde com absoluta convicção. </p>
<p>Ao ler alguns comentários penso que talvez isso seja o que mais o aproxima de seres humanos&#8230;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881611</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Feb 2023 10:26:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[-&#062; 《– “Vamos nos mobilizar e pressionar o governo para parar de direcionar nossas riquezas para o capital especulativo e parasitário! Deixar claro que somos contra o capital fictício, a especulação, o pagamento dos juros da dívida, os juros altos direcionados aos banqueiros, você nos apoia, camarada?”》

Não, não apoio! 

• Como se pretende &quot;pressionar&quot; o governo? 

Através de petições públicas, abaixo-assinados, twitaços? Moções parlamentares, pedidos de CPI, ações na Justiça? Ampla campanha virtual nas redes sociais, pequenos atos públicos na frente do BC?

A única forma de pressionar o governo, qualquer governo, é através de um poderoso e capilarizado movimento de massas. E jamais a bandeira de luta contra o &quot;capital fictício&quot; será capaz de sustentar, e muito menos deflagrar, um movimento com estas características.

• Contrapor um Capital (tido como fictício, especulativo e parasitário) a outro (supostamente produtivo) é uma ilusão.

Não há um Capital bom e sadio ao qual se contrapõe um outro ruim e nefasto. Nenhum Capital é produtivo. Quem produz riqueza é o Trabalho. Todo Capital jorra sangue por todos os poros, porque para se reproduzir precisa parasitar um corpo que trabalha.

Atrelar a luta de emancipação dos trabalhadores, e povos que resistem à proletarização, a ilusões é condená-la previamente ao fracasso. 

Também não existe nenhum Capitalismo Cognitivo, Verde ou mesmo Selvagem. Assim como não existe mais-valia relativa em estado puro. O Capitalismo incorpora de forma combinada e desigual diversas modalidades de opressão e exploração, sem as quais não pode ao menos freiar a queda inexorável da taxa de lucro.

-&#062; 《 A informática inaugurou um campo de expansão do capitalismo cujos limites não somos sequer capazes de vislumbrar, projectando ainda mais para o futuro as operações económicas presentes, daí a supremacia assumida pelo crédito e o aparecimento das novas modalidades de crédito.》

A transformação da C&#038;T (Ciência e Tecnologia) em força produtiva de fato amplia as possibilidades de reprodução do Capital, como em seus primórdios já o fizera a máquina a vapor.

Todavia, quanto mais o Capital se expande mais perto está de seus limites intransponíveis. O Capital não pode prescindir do Trabalho e da Dívida (crédito). Nem é capaz de em termos absolutos ter ilimitada reprodução ampliada, devido as limitações dos recursos naturais. E, em termos relativos, a queda da taxa de lucro é intrínseca à sua composição orgânica. 

Para superar sua crise estrutural o Capital exige uma nova guerra mundial. Este cenário não se desdobra numa eutanásia do Capitalismo. Muito pelo contrário. Não será o Capital quem nos libertará dele mesmo. Antes de colonizar Marte, a impensável destruição causada pelo Capital inviabilizará a vida humana aqui na Terra.

Quanto ao costume, cada vez mais comum, de &quot;conversar&quot; com ferramentas de IA, é aconselhável ler o artigo no link abaixo:

A Conversation With Bing’s Chatbot Left Me Deeply Unsettled
https://pdf.fivefilters.org/makepdf.php?v=2.6&#038;url=https%3A%2F%2Fwww.nytimes.com%2F2023%2F02%2F16%2Ftechnology%2Fbing-chatbot-microsoft-chatgpt.html&#038;api_key=&#038;mode=multi-story&#038;output=html&#038;template=A4&#038;images=1&#038;date=1&#038;sub=&#038;title=Your+Personal+Newspaper&#038;order=desc&#038;date_start=&#038;submit=Create]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>-&gt; 《– “Vamos nos mobilizar e pressionar o governo para parar de direcionar nossas riquezas para o capital especulativo e parasitário! Deixar claro que somos contra o capital fictício, a especulação, o pagamento dos juros da dívida, os juros altos direcionados aos banqueiros, você nos apoia, camarada?”》</p>
<p>Não, não apoio! </p>
<p>• Como se pretende &#8220;pressionar&#8221; o governo? </p>
<p>Através de petições públicas, abaixo-assinados, twitaços? Moções parlamentares, pedidos de CPI, ações na Justiça? Ampla campanha virtual nas redes sociais, pequenos atos públicos na frente do BC?</p>
<p>A única forma de pressionar o governo, qualquer governo, é através de um poderoso e capilarizado movimento de massas. E jamais a bandeira de luta contra o &#8220;capital fictício&#8221; será capaz de sustentar, e muito menos deflagrar, um movimento com estas características.</p>
<p>• Contrapor um Capital (tido como fictício, especulativo e parasitário) a outro (supostamente produtivo) é uma ilusão.</p>
<p>Não há um Capital bom e sadio ao qual se contrapõe um outro ruim e nefasto. Nenhum Capital é produtivo. Quem produz riqueza é o Trabalho. Todo Capital jorra sangue por todos os poros, porque para se reproduzir precisa parasitar um corpo que trabalha.</p>
<p>Atrelar a luta de emancipação dos trabalhadores, e povos que resistem à proletarização, a ilusões é condená-la previamente ao fracasso. </p>
<p>Também não existe nenhum Capitalismo Cognitivo, Verde ou mesmo Selvagem. Assim como não existe mais-valia relativa em estado puro. O Capitalismo incorpora de forma combinada e desigual diversas modalidades de opressão e exploração, sem as quais não pode ao menos freiar a queda inexorável da taxa de lucro.</p>
<p>-&gt; 《 A informática inaugurou um campo de expansão do capitalismo cujos limites não somos sequer capazes de vislumbrar, projectando ainda mais para o futuro as operações económicas presentes, daí a supremacia assumida pelo crédito e o aparecimento das novas modalidades de crédito.》</p>
<p>A transformação da C&amp;T (Ciência e Tecnologia) em força produtiva de fato amplia as possibilidades de reprodução do Capital, como em seus primórdios já o fizera a máquina a vapor.</p>
<p>Todavia, quanto mais o Capital se expande mais perto está de seus limites intransponíveis. O Capital não pode prescindir do Trabalho e da Dívida (crédito). Nem é capaz de em termos absolutos ter ilimitada reprodução ampliada, devido as limitações dos recursos naturais. E, em termos relativos, a queda da taxa de lucro é intrínseca à sua composição orgânica. </p>
<p>Para superar sua crise estrutural o Capital exige uma nova guerra mundial. Este cenário não se desdobra numa eutanásia do Capitalismo. Muito pelo contrário. Não será o Capital quem nos libertará dele mesmo. Antes de colonizar Marte, a impensável destruição causada pelo Capital inviabilizará a vida humana aqui na Terra.</p>
<p>Quanto ao costume, cada vez mais comum, de &#8220;conversar&#8221; com ferramentas de IA, é aconselhável ler o artigo no link abaixo:</p>
<p>A Conversation With Bing’s Chatbot Left Me Deeply Unsettled<br />
<a href="https://pdf.fivefilters.org/makepdf.php?v=2.6&#038;url=https%3A%2F%2Fwww.nytimes.com%2F2023%2F02%2F16%2Ftechnology%2Fbing-chatbot-microsoft-chatgpt.html&#038;api_key=&#038;mode=multi-story&#038;output=html&#038;template=A4&#038;images=1&#038;date=1&#038;sub=&#038;title=Your+Personal+Newspaper&#038;order=desc&#038;date_start=&#038;submit=Create" rel="nofollow ugc">https://pdf.fivefilters.org/makepdf.php?v=2.6&#038;url=https%3A%2F%2Fwww.nytimes.com%2F2023%2F02%2F16%2Ftechnology%2Fbing-chatbot-microsoft-chatgpt.html&#038;api_key=&#038;mode=multi-story&#038;output=html&#038;template=A4&#038;images=1&#038;date=1&#038;sub=&#038;title=Your+Personal+Newspaper&#038;order=desc&#038;date_start=&#038;submit=Create</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Conversando com uma IA		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881589</link>

		<dc:creator><![CDATA[Conversando com uma IA]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Feb 2023 03:19:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147372#comment-881589</guid>

					<description><![CDATA[Prompt: &quot;O que é o capital ficticio?&quot;

Resposta: &quot;O capital fictício é um conceito econômico que se refere a ativos financeiros que não possuem valor intrínseco ou material, mas que são criados com o objetivo de gerar lucro por meio da especulação financeira. Esses ativos podem incluir ações, títulos, derivativos, entre outros instrumentos financeiros. O capital fictício é diferente do capital produtivo, que é investido na produção de bens e serviços reais.
O capital fictício é criado a partir da promessa de um retorno financeiro futuro, e seu valor é baseado em expectativas de ganhos futuros, bem como nas condições do mercado financeiro. O capital fictício pode ter efeitos positivos na economia, como fornecer financiamento para projetos de investimento, mas também pode levar a bolhas especulativas e crises financeiras quando as expectativas de ganhos futuros não se materializam. Alguns críticos do capital fictício argumentam que ele pode ser um reflexo da instabilidade e da irracionalidade do sistema econômico capitalista.&quot;

Prompt: &quot;O capital ficticio pode ser definido como o capital que se reproduz sem a extração de mais-valia?&quot;

Resposta: &quot;O capital fictício é geralmente definido como ativos financeiros que não possuem valor intrínseco ou material, mas que são criados para gerar lucro por meio de especulação financeira. Embora o capital fictício possa ser visto como um meio de reproduzir capital sem a extração de mais-valia direta, nem todo capital fictício está desvinculado da produção de bens e serviços reais. Na verdade, muitas vezes há uma conexão entre a criação de capital fictício e a economia real.
Por exemplo, as ações de uma empresa que produz bens e serviços podem ser compradas e vendidas no mercado financeiro, e o valor dessas ações pode ser impulsionado não apenas pela performance real da empresa, mas também pelas expectativas e percepções dos investidores. Da mesma forma, a criação de instrumentos financeiros como títulos e derivativos pode estar ligada a atividades econômicas reais, como a tomada de empréstimos e a gestão de riscos.
Embora a extração de mais-valia não seja necessariamente uma parte direta do processo de criação de capital fictício, as condições macroeconômicas que permitem o crescimento do capital fictício, como a desregulamentação financeira e a especulação, podem levar à extração de mais-valia de outras formas, como a exploração do trabalho precário e a transferência de riqueza dos trabalhadores para os investidores. Em geral, a relação entre o capital fictício e a extração de mais-valia é complexa e multifacetada, e depende das condições econômicas e políticas específicas em que o capital fictício é criado e utilizado.&quot;

Prompt: &quot;O capital fictício é fictício de verdade?&quot;

Resposta: &quot;Embora o termo &quot;capital fictício&quot; possa sugerir que esses ativos financeiros são completamente imaginários ou fictícios, eles são, na verdade, criados e negociados no mercado financeiro e podem ter um valor real em termos de sua capacidade de gerar lucro ou prejuízo.
O termo &quot;fictício&quot; é utilizado porque o valor desses ativos não se baseia diretamente em bens e serviços reais, mas sim em expectativas, percepções e projeções sobre o futuro. O valor do capital fictício é, em grande parte, determinado pelas condições macroeconômicas, pelas taxas de juros e pelas expectativas dos investidores.
Embora o capital fictício possa ter uma base real em termos de sua conexão com a economia real e a produção de bens e serviços, ele também pode ser criado e negociado com base em percepções e expectativas que não estão necessariamente alinhadas com as realidades econômicas. Isso pode levar a bolhas especulativas e crises financeiras quando as expectativas de ganhos futuros não se materializam.
Em resumo, o capital fictício não é completamente fictício, mas seu valor é determinado em grande parte por fatores não relacionados diretamente à produção de bens e serviços, o que pode torná-lo instável e vulnerável a flutuações do mercado financeiro.&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prompt: &#8220;O que é o capital ficticio?&#8221;</p>
<p>Resposta: &#8220;O capital fictício é um conceito econômico que se refere a ativos financeiros que não possuem valor intrínseco ou material, mas que são criados com o objetivo de gerar lucro por meio da especulação financeira. Esses ativos podem incluir ações, títulos, derivativos, entre outros instrumentos financeiros. O capital fictício é diferente do capital produtivo, que é investido na produção de bens e serviços reais.<br />
O capital fictício é criado a partir da promessa de um retorno financeiro futuro, e seu valor é baseado em expectativas de ganhos futuros, bem como nas condições do mercado financeiro. O capital fictício pode ter efeitos positivos na economia, como fornecer financiamento para projetos de investimento, mas também pode levar a bolhas especulativas e crises financeiras quando as expectativas de ganhos futuros não se materializam. Alguns críticos do capital fictício argumentam que ele pode ser um reflexo da instabilidade e da irracionalidade do sistema econômico capitalista.&#8221;</p>
<p>Prompt: &#8220;O capital ficticio pode ser definido como o capital que se reproduz sem a extração de mais-valia?&#8221;</p>
<p>Resposta: &#8220;O capital fictício é geralmente definido como ativos financeiros que não possuem valor intrínseco ou material, mas que são criados para gerar lucro por meio de especulação financeira. Embora o capital fictício possa ser visto como um meio de reproduzir capital sem a extração de mais-valia direta, nem todo capital fictício está desvinculado da produção de bens e serviços reais. Na verdade, muitas vezes há uma conexão entre a criação de capital fictício e a economia real.<br />
Por exemplo, as ações de uma empresa que produz bens e serviços podem ser compradas e vendidas no mercado financeiro, e o valor dessas ações pode ser impulsionado não apenas pela performance real da empresa, mas também pelas expectativas e percepções dos investidores. Da mesma forma, a criação de instrumentos financeiros como títulos e derivativos pode estar ligada a atividades econômicas reais, como a tomada de empréstimos e a gestão de riscos.<br />
Embora a extração de mais-valia não seja necessariamente uma parte direta do processo de criação de capital fictício, as condições macroeconômicas que permitem o crescimento do capital fictício, como a desregulamentação financeira e a especulação, podem levar à extração de mais-valia de outras formas, como a exploração do trabalho precário e a transferência de riqueza dos trabalhadores para os investidores. Em geral, a relação entre o capital fictício e a extração de mais-valia é complexa e multifacetada, e depende das condições econômicas e políticas específicas em que o capital fictício é criado e utilizado.&#8221;</p>
<p>Prompt: &#8220;O capital fictício é fictício de verdade?&#8221;</p>
<p>Resposta: &#8220;Embora o termo &#8220;capital fictício&#8221; possa sugerir que esses ativos financeiros são completamente imaginários ou fictícios, eles são, na verdade, criados e negociados no mercado financeiro e podem ter um valor real em termos de sua capacidade de gerar lucro ou prejuízo.<br />
O termo &#8220;fictício&#8221; é utilizado porque o valor desses ativos não se baseia diretamente em bens e serviços reais, mas sim em expectativas, percepções e projeções sobre o futuro. O valor do capital fictício é, em grande parte, determinado pelas condições macroeconômicas, pelas taxas de juros e pelas expectativas dos investidores.<br />
Embora o capital fictício possa ter uma base real em termos de sua conexão com a economia real e a produção de bens e serviços, ele também pode ser criado e negociado com base em percepções e expectativas que não estão necessariamente alinhadas com as realidades econômicas. Isso pode levar a bolhas especulativas e crises financeiras quando as expectativas de ganhos futuros não se materializam.<br />
Em resumo, o capital fictício não é completamente fictício, mas seu valor é determinado em grande parte por fatores não relacionados diretamente à produção de bens e serviços, o que pode torná-lo instável e vulnerável a flutuações do mercado financeiro.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881566</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Feb 2023 22:46:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147372#comment-881566</guid>

					<description><![CDATA[Pablo, você viajou sério. Não é o conceito de capital fictício que tem &quot;um papel muito grande nas lutas sociais e nas análises de quem está comprometido com as lutas sociais e com a compreensão das características do Capitalismo, seus rumos, suas crises, suas forças, suas debilidades, as formas dos trabalhadores o combaterem&quot;. Vejo, sim, muita gente falar de como andam altas as taxas de juros, os lucros dos bancos e a dívida pública, porque isso são fatos. Conto nos dedos de uma só mão quem fala de capital fictício. Só se fala disso nos meios de certa esquerda universitária, e olhe lá. Em vez de ficar remoendo mágoas em torno de um conceito morto, seja atento à sua opção pragmática, recorra aos fatos e dê-lhes novo enquadramento teórico. É a isso a que muitos comentários aqui convidam. Basta que você pare de pegar ar, resolva suas mágoas em outro canto, e se atenha ao que importa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pablo, você viajou sério. Não é o conceito de capital fictício que tem &#8220;um papel muito grande nas lutas sociais e nas análises de quem está comprometido com as lutas sociais e com a compreensão das características do Capitalismo, seus rumos, suas crises, suas forças, suas debilidades, as formas dos trabalhadores o combaterem&#8221;. Vejo, sim, muita gente falar de como andam altas as taxas de juros, os lucros dos bancos e a dívida pública, porque isso são fatos. Conto nos dedos de uma só mão quem fala de capital fictício. Só se fala disso nos meios de certa esquerda universitária, e olhe lá. Em vez de ficar remoendo mágoas em torno de um conceito morto, seja atento à sua opção pragmática, recorra aos fatos e dê-lhes novo enquadramento teórico. É a isso a que muitos comentários aqui convidam. Basta que você pare de pegar ar, resolva suas mágoas em outro canto, e se atenha ao que importa.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881558</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Feb 2023 20:16:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147372#comment-881558</guid>

					<description><![CDATA[O artigo e o debate são sobre o capital fictício. Falar &quot;capital fictício&quot; em uma das intervenções não significa tomar o conceito como realidade, é apenas uma forma sintetizada (e essa síntese é uma das funções de qualquer conceito) de se referir aos exemplos &quot;de capital fictício&quot;: títulos da dívidas pública, overnight, mercado futuro, swap, derivativos e derivativos de derivativos, short e sua reversão como short squeeze e demais formas de ser do... capital fictício. Ou do que as correntes econômicas hegemônicas e o marxismo ortodoxo chama de... capital fictício. Ficou claro que no modelo aqui apresentado o conceito é inadequado e pernicioso, mas é preciso entender a questão a fundo e detalhadamente, para não achar que bastaria responder, diante da pergunta:

- &quot;Vamos nos mobilizar e pressionar o governo para parar de direcionar nossas riquezas para o capital especulativo e parasitário! Deixar claro que somos contra o capital fictício, a especulação, o pagamento dos juros da dívida, os juros altos direcionados aos banqueiros, você nos apoia, camarada?&quot; 

- &quot;Desculpem, eu descartei o conceito de capital fictício porque entendo o dinheiro como linguagem. Passar bem!&quot;

Apenas o entendimento amplo e profundo do que são essas práticas chamadas de capital fictício é que se poderá saber o que fazer ou não fazer diante delas, e saber dar uma resposta melhor que essa acima, ainda que no final das contas seja essa a resposta a ser dada. Afinal, nós enquanto anticapitalistas não podemos nos contentar em apenas nós termos entendido algo, nosso foca é prática, a remodelação prática das relações sociais, o que é uma tarefa coletiva e portanto todo conhecimento que alcançarmos precisa ser expandido até se tornar uma arma dos trabalhadores na luta contra o capital. Um conceito que assumiu tal importância no debate das esquerdas, nas práticas e nas teorias sociais, impõe que, mesmo que seja para descartá-lo, se o conheça profundamente. A comparação com a discussão a respeito do éter é inadequada e objetiva tirar o debate dos caminhos construtivos e jogá-lo num palco de stand-up comedy.

Algumas intervenções me parecem que vêm de gente que gostaria muito de ter sido comediante, não conseguiu e aí fica fazendo piadas em contextos inadequados e com pseudônimo. O conceito de capital fictício tem hoje um papel muito grande nas lutas sociais e nas análises de quem está comprometido com as lutas sociais e com a compreensão das características do Capitalismo, seus rumos, suas crises, suas forças, suas debilidades, as formas dos trabalhadores o combaterem. Portanto um artigo revolucionário, e certamente polêmico, publicado em um site que é uma ferramenta das lutas sociais, não devia ser espaço para  comentários jocosos, insultos e arrogância. Um dos comentadores teve a audácia de dizer que &quot;teria vergonha&quot; de dizer que não sabe. Eu não sei como vocês pretendem dialogar com os trabalhadores com uma postura dessas. Eu tenho orgulho de dizer que não sei, e graças a isso cada vez não sei menos coisas. Certa vez o Passa Palavra publicou o seguinte Citando:

Já percebi que afastamos muitas pessoas dos nossos ensinamentos, por termos uma resposta para tudo. Não poderíamos, no interesse da propaganda, fazer uma lista das questões que nos parecem totalmente irresolvidas? Sr. Keuner, personagem de Bertolt Brecht (1898-1956).

Agradeço ao João Bernardo pelos esclarecimentos dos últimos comentários e ao Paulinho pela dica do autor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O artigo e o debate são sobre o capital fictício. Falar &#8220;capital fictício&#8221; em uma das intervenções não significa tomar o conceito como realidade, é apenas uma forma sintetizada (e essa síntese é uma das funções de qualquer conceito) de se referir aos exemplos &#8220;de capital fictício&#8221;: títulos da dívidas pública, overnight, mercado futuro, swap, derivativos e derivativos de derivativos, short e sua reversão como short squeeze e demais formas de ser do&#8230; capital fictício. Ou do que as correntes econômicas hegemônicas e o marxismo ortodoxo chama de&#8230; capital fictício. Ficou claro que no modelo aqui apresentado o conceito é inadequado e pernicioso, mas é preciso entender a questão a fundo e detalhadamente, para não achar que bastaria responder, diante da pergunta:</p>
<p>&#8211; &#8220;Vamos nos mobilizar e pressionar o governo para parar de direcionar nossas riquezas para o capital especulativo e parasitário! Deixar claro que somos contra o capital fictício, a especulação, o pagamento dos juros da dívida, os juros altos direcionados aos banqueiros, você nos apoia, camarada?&#8221; </p>
<p>&#8211; &#8220;Desculpem, eu descartei o conceito de capital fictício porque entendo o dinheiro como linguagem. Passar bem!&#8221;</p>
<p>Apenas o entendimento amplo e profundo do que são essas práticas chamadas de capital fictício é que se poderá saber o que fazer ou não fazer diante delas, e saber dar uma resposta melhor que essa acima, ainda que no final das contas seja essa a resposta a ser dada. Afinal, nós enquanto anticapitalistas não podemos nos contentar em apenas nós termos entendido algo, nosso foca é prática, a remodelação prática das relações sociais, o que é uma tarefa coletiva e portanto todo conhecimento que alcançarmos precisa ser expandido até se tornar uma arma dos trabalhadores na luta contra o capital. Um conceito que assumiu tal importância no debate das esquerdas, nas práticas e nas teorias sociais, impõe que, mesmo que seja para descartá-lo, se o conheça profundamente. A comparação com a discussão a respeito do éter é inadequada e objetiva tirar o debate dos caminhos construtivos e jogá-lo num palco de stand-up comedy.</p>
<p>Algumas intervenções me parecem que vêm de gente que gostaria muito de ter sido comediante, não conseguiu e aí fica fazendo piadas em contextos inadequados e com pseudônimo. O conceito de capital fictício tem hoje um papel muito grande nas lutas sociais e nas análises de quem está comprometido com as lutas sociais e com a compreensão das características do Capitalismo, seus rumos, suas crises, suas forças, suas debilidades, as formas dos trabalhadores o combaterem. Portanto um artigo revolucionário, e certamente polêmico, publicado em um site que é uma ferramenta das lutas sociais, não devia ser espaço para  comentários jocosos, insultos e arrogância. Um dos comentadores teve a audácia de dizer que &#8220;teria vergonha&#8221; de dizer que não sabe. Eu não sei como vocês pretendem dialogar com os trabalhadores com uma postura dessas. Eu tenho orgulho de dizer que não sei, e graças a isso cada vez não sei menos coisas. Certa vez o Passa Palavra publicou o seguinte Citando:</p>
<p>Já percebi que afastamos muitas pessoas dos nossos ensinamentos, por termos uma resposta para tudo. Não poderíamos, no interesse da propaganda, fazer uma lista das questões que nos parecem totalmente irresolvidas? Sr. Keuner, personagem de Bertolt Brecht (1898-1956).</p>
<p>Agradeço ao João Bernardo pelos esclarecimentos dos últimos comentários e ao Paulinho pela dica do autor.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Goldman Sucks		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881542</link>

		<dc:creator><![CDATA[Goldman Sucks]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Feb 2023 15:01:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147372#comment-881542</guid>

					<description><![CDATA[O último comentário do Pablo me fez imediatamente lembrar da discussão a respeito do éter dos finais do século XIX. O JB pelo jeito também teve sensação parecida. O curioso é que o próprio artigo menciona a relatividade restrita a velocidades constantes, o que deixa tudo mais divertido.

Mas a turma do éter acabou abandonando sua teoria depois de diversas experiências (https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Experi%C3%AAncia_de_Michelson-Morley), o que permitiu aos físicos inaugurar um novo campo teórico com a relatividade.

A turma fictícia entretanto está presa ao éter. Tomam o conceito como realidade. Pablo escreveu: &quot;em seu último comentário, João Bernardo esclareceu que a melhor metodologia para entender o capital fictício é voltar as atenções para as relações sociais&quot;. Ora, como se a questão fosse entender o capital fictício! Como se a relatividade restrita tivesse sido elaborada para explicar o éter e não para descartá-lo de vez!

Entretanto o capital fictício não é apenas um conceito inadequado para explicar a realidade, é sobretudo pernicioso. E isso já deveria ter ficado claro depois de tantos comentários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O último comentário do Pablo me fez imediatamente lembrar da discussão a respeito do éter dos finais do século XIX. O JB pelo jeito também teve sensação parecida. O curioso é que o próprio artigo menciona a relatividade restrita a velocidades constantes, o que deixa tudo mais divertido.</p>
<p>Mas a turma do éter acabou abandonando sua teoria depois de diversas experiências (<a href="https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Experi%C3%AAncia_de_Michelson-Morley" rel="nofollow ugc">https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Experi%C3%AAncia_de_Michelson-Morley</a>), o que permitiu aos físicos inaugurar um novo campo teórico com a relatividade.</p>
<p>A turma fictícia entretanto está presa ao éter. Tomam o conceito como realidade. Pablo escreveu: &#8220;em seu último comentário, João Bernardo esclareceu que a melhor metodologia para entender o capital fictício é voltar as atenções para as relações sociais&#8221;. Ora, como se a questão fosse entender o capital fictício! Como se a relatividade restrita tivesse sido elaborada para explicar o éter e não para descartá-lo de vez!</p>
<p>Entretanto o capital fictício não é apenas um conceito inadequado para explicar a realidade, é sobretudo pernicioso. E isso já deveria ter ficado claro depois de tantos comentários.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulinho		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/02/147372/#comment-881534</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Feb 2023 13:00:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=147372#comment-881534</guid>

					<description><![CDATA[Em França, o economista Jean Michel Servet* tem o mesmo ponto de vista que o João Bernardo sobre dinheiro como linguagem. Fala como historiador das paleo-moedas. Escreveu sobre o grau de &quot;liberdade&quot; que o acesso ao dinheiro/moeda deu desde a Idade Média. Ele defende a moeda como instrumento de uma possível &quot;liberdade&quot; para defender os &quot;comuns&quot;. Como algumas moedas locais (fondantes) podem levar a um socialismo de guildas ou corporações. Isto pode assemelhar-se também de certa maneira às teorias em França de Jacques Duboin (abondancisme). Mas não estamos longe de um quadro de referência problemático do tipo de terceira via, um certo planismo de tipo fascista.

Nota:  Não sei se o comunismo vai abolir os meios de troca, talvez o dinheiro? Mas ainda se teria de saber o que é o comunismo. E este debate não parece estar na ordem do dia quando se pensa que a &quot;esquerda&quot; quer taxar o &quot;fictício&quot;... Será que se pode taxar o vento? E mesmo que seja, será comunismo taxar os lucros &quot;fictícios&quot; da indústria do armamento ? 

* Les Monnaies du lien ; https://presses.univ-lyon2.fr/product/show/les-monnaies-du-lien/744]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em França, o economista Jean Michel Servet* tem o mesmo ponto de vista que o João Bernardo sobre dinheiro como linguagem. Fala como historiador das paleo-moedas. Escreveu sobre o grau de &#8220;liberdade&#8221; que o acesso ao dinheiro/moeda deu desde a Idade Média. Ele defende a moeda como instrumento de uma possível &#8220;liberdade&#8221; para defender os &#8220;comuns&#8221;. Como algumas moedas locais (fondantes) podem levar a um socialismo de guildas ou corporações. Isto pode assemelhar-se também de certa maneira às teorias em França de Jacques Duboin (abondancisme). Mas não estamos longe de um quadro de referência problemático do tipo de terceira via, um certo planismo de tipo fascista.</p>
<p>Nota:  Não sei se o comunismo vai abolir os meios de troca, talvez o dinheiro? Mas ainda se teria de saber o que é o comunismo. E este debate não parece estar na ordem do dia quando se pensa que a &#8220;esquerda&#8221; quer taxar o &#8220;fictício&#8221;&#8230; Será que se pode taxar o vento? E mesmo que seja, será comunismo taxar os lucros &#8220;fictícios&#8221; da indústria do armamento ? </p>
<p>* Les Monnaies du lien ; <a href="https://presses.univ-lyon2.fr/product/show/les-monnaies-du-lien/744" rel="nofollow ugc">https://presses.univ-lyon2.fr/product/show/les-monnaies-du-lien/744</a></p>
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