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	Comentários sobre: Respostas? Perguntas. 1	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-889207</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 15:30:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Dante Gabrieli,

As minhas leituras de linguística foram curtas e nada tiveram de original, sobretudo nomes incontornáveis como Saussure e Hjelmslev. Li-os muito cedo, com vinte e poucos anos, por isso marcaram-me muito profundamente, quanto ao método e não quanto aos detalhes. Ora, as influências relativas ao método são, ao mesmo tempo, mais presentes e mais difíceis de detectar. Anos depois li mais extensamente Émile Benveniste, que me influenciou muito, sobretudo para a historiografia.

Marcel Mauss é um clássico, mas se você procurar, no &lt;em&gt;Poder e Dinheiro&lt;/em&gt;, os capítulos relativos ao dinheiro, encontrará numerosas referências de antropologia económica, quando comparo as formas pecuniárias que se desenvolveram no regime senhorial europeu com as que se encontram noutros sistemas económicos, de outras culturas e sociedades. Aí poderá ver essas referências no contexto.

Já agora, um seguidor imediato de Marcel Mauss foi o grande medievista Marc Bloch, que empregou no estudo do regime senhorial europeu perspectivas que haviam sido usadas pela antropologia no estudo de outras sociedades e outros sistemas. Deste modo Marc Bloch ampliou muito o quadro da história comparada, exactamente o contrário do que hoje se faz.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Dante Gabrieli,</p>
<p>As minhas leituras de linguística foram curtas e nada tiveram de original, sobretudo nomes incontornáveis como Saussure e Hjelmslev. Li-os muito cedo, com vinte e poucos anos, por isso marcaram-me muito profundamente, quanto ao método e não quanto aos detalhes. Ora, as influências relativas ao método são, ao mesmo tempo, mais presentes e mais difíceis de detectar. Anos depois li mais extensamente Émile Benveniste, que me influenciou muito, sobretudo para a historiografia.</p>
<p>Marcel Mauss é um clássico, mas se você procurar, no <em>Poder e Dinheiro</em>, os capítulos relativos ao dinheiro, encontrará numerosas referências de antropologia económica, quando comparo as formas pecuniárias que se desenvolveram no regime senhorial europeu com as que se encontram noutros sistemas económicos, de outras culturas e sociedades. Aí poderá ver essas referências no contexto.</p>
<p>Já agora, um seguidor imediato de Marcel Mauss foi o grande medievista Marc Bloch, que empregou no estudo do regime senhorial europeu perspectivas que haviam sido usadas pela antropologia no estudo de outras sociedades e outros sistemas. Deste modo Marc Bloch ampliou muito o quadro da história comparada, exactamente o contrário do que hoje se faz.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Dante Gabrieli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-889151</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dante Gabrieli]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 03:38:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,
Felicito-te pelo artigo e aproveito para te perguntar: poderias partilhar connosco dalgumas das principais referências que te utilizaste para avançar nos estudos em Antropologia Económica? Li num artigo teu chamado “Para uma teoria do modo de produção pré-capitalista” que Marcel Mauss foi-te um desses autores importantes.
Outra coisa: quando afirmas no artigo que “É precisamente para este complexo de funções que serve a linguagem, assinalando e ao mesmo tempo silenciando, e talvez o não-dito seja o mais importante em cada discurso”, fizeste-me lembrar dos estruturalistas. Lembro-me também que - respondendo a um comentário dum outro artigo teu em parceria com Manolo - afirmaste que foi “muito influenciado pelo estruturalismo, e de uma maneira definitiva, mas mais através da linguística do que de Althusser”. Também poderias falar dos autores estruturalistas de viés linguístico que te influenciaram dessa maneira?
Agradeço-te, João,
Saudações!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,<br />
Felicito-te pelo artigo e aproveito para te perguntar: poderias partilhar connosco dalgumas das principais referências que te utilizaste para avançar nos estudos em Antropologia Económica? Li num artigo teu chamado “Para uma teoria do modo de produção pré-capitalista” que Marcel Mauss foi-te um desses autores importantes.<br />
Outra coisa: quando afirmas no artigo que “É precisamente para este complexo de funções que serve a linguagem, assinalando e ao mesmo tempo silenciando, e talvez o não-dito seja o mais importante em cada discurso”, fizeste-me lembrar dos estruturalistas. Lembro-me também que &#8211; respondendo a um comentário dum outro artigo teu em parceria com Manolo &#8211; afirmaste que foi “muito influenciado pelo estruturalismo, e de uma maneira definitiva, mas mais através da linguística do que de Althusser”. Também poderias falar dos autores estruturalistas de viés linguístico que te influenciaram dessa maneira?<br />
Agradeço-te, João,<br />
Saudações!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: José Eduardo Figueira		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-887760</link>

		<dc:creator><![CDATA[José Eduardo Figueira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Apr 2023 18:38:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Numa rápida pesquisa sobre o João Bernardo encontrei este artigo que talvez possa interessar algum leitor por aqui. Trata dos primeiros anos da formação marxista, é o que o autor argumenta, do Bernardo quando estava no exílio. 
https://www.academia.edu/44656276/A_forma%C3%A7%C3%A3o_marxista_de_Jo%C3%A3o_Bernardo_nos_%C3%BAltimos_anos_do_fascismo_em_Portugal_1968_]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa rápida pesquisa sobre o João Bernardo encontrei este artigo que talvez possa interessar algum leitor por aqui. Trata dos primeiros anos da formação marxista, é o que o autor argumenta, do Bernardo quando estava no exílio.<br />
<a href="https://www.academia.edu/44656276/A_forma%C3%A7%C3%A3o_marxista_de_Jo%C3%A3o_Bernardo_nos_%C3%BAltimos_anos_do_fascismo_em_Portugal_1968_" rel="nofollow ugc">https://www.academia.edu/44656276/A_forma%C3%A7%C3%A3o_marxista_de_Jo%C3%A3o_Bernardo_nos_%C3%BAltimos_anos_do_fascismo_em_Portugal_1968_</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: M. Alves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-887685</link>

		<dc:creator><![CDATA[M. Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 21:02:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;O aumento da produtividade numa dada empresa pressupõe o conhecimento dos processos de fabrico nas restantes, quer produzam bens semelhantes, quer produtos complementares, exigindo-se para isso uma relação tecnológica entre as unidades de produção. É a partir de uma base comum de inter-relação tecnológica que as empresas vão entrar em concorrência pelo crescimento da produtividade. Esta estreita integração tecnológica faz com que o conjunto das empresas no capitalismo seja bastante mais do que a mera soma das unidades. Estabelecem relações recíprocas, já que são obrigadas a ter em conta os melhoramentos técnicos que levam à diminuição do tempo de trabalho incorporado nos produtos fabricados nas outras empresas, para poderem diminuir mais ainda o tempo de trabalho incorporado nos produtos que elas mesmas fabricam&quot;(BERNARDO, 1979, p. 21).

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

É curioso a pouca mudança que Bernardo teve desde a segunda metade da decada de 70:

“os novos inimigos permanecem sempre ocultos, e só os lapsos de uns e as ações inesperadas dos outros explicariam o curso imprevisto dos acontecimentos, como nas peças de vaudeville” (BERNARDO, 1979, p. 61).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O aumento da produtividade numa dada empresa pressupõe o conhecimento dos processos de fabrico nas restantes, quer produzam bens semelhantes, quer produtos complementares, exigindo-se para isso uma relação tecnológica entre as unidades de produção. É a partir de uma base comum de inter-relação tecnológica que as empresas vão entrar em concorrência pelo crescimento da produtividade. Esta estreita integração tecnológica faz com que o conjunto das empresas no capitalismo seja bastante mais do que a mera soma das unidades. Estabelecem relações recíprocas, já que são obrigadas a ter em conta os melhoramentos técnicos que levam à diminuição do tempo de trabalho incorporado nos produtos fabricados nas outras empresas, para poderem diminuir mais ainda o tempo de trabalho incorporado nos produtos que elas mesmas fabricam&#8221;(BERNARDO, 1979, p. 21).</p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>É curioso a pouca mudança que Bernardo teve desde a segunda metade da decada de 70:</p>
<p>“os novos inimigos permanecem sempre ocultos, e só os lapsos de uns e as ações inesperadas dos outros explicariam o curso imprevisto dos acontecimentos, como nas peças de vaudeville” (BERNARDO, 1979, p. 61).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-887655</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 11:41:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Pergunta: o tempo seria a substância do Capitalismo? Resposta: como se dá no Capitalismo a produção de Valor?

Resposta? Ao perguntarmos tanto a Marx quanto a João Bernardo, temos a resposta do Valor definido como &quot;Tempo&quot; de Trabalho.

Porém (e aqui temos o salto de complexidade) o Tempo, antes de ser o passo a passo do cronômetro fabril, vem a ser uma intensidade que só pode ser percebida através de uma experiência de vida.

Sob o Capitalismo, esta experiência de vida adquire a forma da mais-Valia. Seja em sua manifestação absolutamente brutal ou de modo relativo e complexo, mas mesmo assim tão devastador quanto.

A extração da mais-valia exige um método de manipulação do tempo de vida do trabalhador. Para um contínuo incremento da taxa de lucro, é necessário produzir sempre mais em sempre menos tempo.

Como consequência, num regime de mais-valia relativa o desgaste psico-emocional do trabalhador é ainda maior, proporcionalmente, do que seu desgaste físico sob um regime de mais-valia absoluta.

Deve-se sempre ressaltar que os dois regimes não se concretizam em estado puro, tampouco um pode existir sem o outro.

Afinal, o Capitalismo não é restrito a uma só empresa (a uma única Unidade Particular de Produção) e sim determina Condições Gerais de Produção, as quais a totalidade das empresas estão sujeitadas.

Portanto, os gestores sistêmicos do Capitalismo (responsáveis pelas Condições Gerais de Produção) prevalecem sobre os proprietários dos meios de produção (as Unidades Particulares, enquanto empresas específicas).

Deixando também explícito como as relações sociais definem as características de um modo de produção, e não meramente as relações de propriedade. 

Tendo disto como exemplo no passado imediato, a URSS. E no presente, a China gerida pelo mandarinato do Comitê Central do PC.

Todavia, qualquer tentativa de gerir o Capitalismo está de antemão fadada ao fracasso, por tratar-se de um sistema intrinsecamente irracional. 

A expansão ilimitada da taxa de lucro não só é impossível como provoca ciclos, cada vez mais catastróficos, de destruição do próprio Capital (fixo e variável). 

Até alcançarmos o exato momento atual, no qual o Capitalismo já não pode se reciclar dado o nível de destruição requerido. E outro não é o motivo, senão este, da situação de impasse na Guerra na Ucrânia. 

Como não basta interpretar o mundo, é preciso transformá-lo, cabe perguntar: quais relações sociais podemos estabelecer para tentar superar estes tempos atrozes? 

Quais formas de luta já trazem em si, mesmo de forma embrionária e incipiente, relações sociais de antecipação de um modo de produção comunista?

Resposta? 

Estas formas de luta exigem a form-ação de comunidades, as quais por sua vez devem se enraizar num território (assim sendo, erguer-se da Terra) e ter a Autonomia como meio e fim.

Como fazer? Pergunta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pergunta: o tempo seria a substância do Capitalismo? Resposta: como se dá no Capitalismo a produção de Valor?</p>
<p>Resposta? Ao perguntarmos tanto a Marx quanto a João Bernardo, temos a resposta do Valor definido como &#8220;Tempo&#8221; de Trabalho.</p>
<p>Porém (e aqui temos o salto de complexidade) o Tempo, antes de ser o passo a passo do cronômetro fabril, vem a ser uma intensidade que só pode ser percebida através de uma experiência de vida.</p>
<p>Sob o Capitalismo, esta experiência de vida adquire a forma da mais-Valia. Seja em sua manifestação absolutamente brutal ou de modo relativo e complexo, mas mesmo assim tão devastador quanto.</p>
<p>A extração da mais-valia exige um método de manipulação do tempo de vida do trabalhador. Para um contínuo incremento da taxa de lucro, é necessário produzir sempre mais em sempre menos tempo.</p>
<p>Como consequência, num regime de mais-valia relativa o desgaste psico-emocional do trabalhador é ainda maior, proporcionalmente, do que seu desgaste físico sob um regime de mais-valia absoluta.</p>
<p>Deve-se sempre ressaltar que os dois regimes não se concretizam em estado puro, tampouco um pode existir sem o outro.</p>
<p>Afinal, o Capitalismo não é restrito a uma só empresa (a uma única Unidade Particular de Produção) e sim determina Condições Gerais de Produção, as quais a totalidade das empresas estão sujeitadas.</p>
<p>Portanto, os gestores sistêmicos do Capitalismo (responsáveis pelas Condições Gerais de Produção) prevalecem sobre os proprietários dos meios de produção (as Unidades Particulares, enquanto empresas específicas).</p>
<p>Deixando também explícito como as relações sociais definem as características de um modo de produção, e não meramente as relações de propriedade. </p>
<p>Tendo disto como exemplo no passado imediato, a URSS. E no presente, a China gerida pelo mandarinato do Comitê Central do PC.</p>
<p>Todavia, qualquer tentativa de gerir o Capitalismo está de antemão fadada ao fracasso, por tratar-se de um sistema intrinsecamente irracional. </p>
<p>A expansão ilimitada da taxa de lucro não só é impossível como provoca ciclos, cada vez mais catastróficos, de destruição do próprio Capital (fixo e variável). </p>
<p>Até alcançarmos o exato momento atual, no qual o Capitalismo já não pode se reciclar dado o nível de destruição requerido. E outro não é o motivo, senão este, da situação de impasse na Guerra na Ucrânia. </p>
<p>Como não basta interpretar o mundo, é preciso transformá-lo, cabe perguntar: quais relações sociais podemos estabelecer para tentar superar estes tempos atrozes? </p>
<p>Quais formas de luta já trazem em si, mesmo de forma embrionária e incipiente, relações sociais de antecipação de um modo de produção comunista?</p>
<p>Resposta? </p>
<p>Estas formas de luta exigem a form-ação de comunidades, as quais por sua vez devem se enraizar num território (assim sendo, erguer-se da Terra) e ter a Autonomia como meio e fim.</p>
<p>Como fazer? Pergunta.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-887643</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 09:47:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Arkx Brasil,
Eu intitulei o último capítulo de um ensaio publicado em 2019 &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2019/09/127922/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;A Utopia de uma Sociedade Transparente&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, que sintetizei com a frase «Pretender que o dinheiro obnubila a sociedade é o mesmo que pretender que a linguagem obnubila a realidade». Para lá remeto os leitores suficientemente interessados. Note-se que não pretendo convencer ninguém, apenas deixar claro aquilo que penso.

&lt;strong&gt;***&lt;/strong&gt;

Anarco-aceleracionista,
Nesta primeira parte eu tentei apenas sintetizar os eixos condutores de um trabalho que é anterior a esses desenvolvimentos mais recentes. Mas voltarei a isto na segunda parte do artigo.

&lt;strong&gt;***&lt;/strong&gt;

Fernão Capelo,
Sempre insisti que o tempo de trabalho não deve ser medido pelo simples horário de trabalho. Dentro do mesmo horário o trabalho pode &lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; aumentar de intensidade, ou seja, diminuir a porosidade, de modo que há mais acções de trabalho no interior dos mesmos limites horários. Além disso, &lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; as qualificações dos trabalhadores podem aumentar, o que significa que dentro do mesmo horário fazem um trabalho qualitativamente diferente. Ao conjunto de aumento da intensidade e aumento das qualificações eu chamo aumento da complexidade do trabalho. E, tal como tenho insistido inúmeras vezes, o aumento da complexidade do trabalho representa como que um aprofundamento do tempo no interior dos mesmos limites horários. Numa analogia, é como se o horário medido pelo relógio fosse apenas uma superfície plana, com duas dimensões, e o aumento da complexidade do trabalho exige a introdução de uma terceira dimensão, o tal aprofundamento do tempo, que mencionei. Por favor, leia neste artigo o parágrafo que começa com a frase «Mas no capitalismo o dinheiro tem ainda uma função dissimulada». Aliás, introduzo aqui uma observação. Li ontem que recentemente, na China, começou a observar-se uma tendência entre os jovens altamente qualificados para procurarem empregos que requerem menores qualificações. Creio que o que aqui disse muito resumidamente explica esse aparente paradoxo.

O crescimento da mais-valia relativa significa precisamente o aumento da complexidade do trabalho. Mas significa outra coisa também, um aumento da produtividade que faz com que, dentro dos mesmos limites horários, seja produzido um número crescente de bens e serviços. A conjugação destes dois aspectos implica, de um lado, o aumento do tempo de trabalho despendido pelo trabalhador. Mas, do outro lado, implica uma tão grande redução do tempo de trabalho incorporado nos bens e serviços consumidos pelo trabalhador, que este pode consumir um maior número de bens e serviços e, no entanto, ser menor o tempo de trabalho total incorporado no conjunto desses bens e serviços. Tal como disse no artigo, uma das funções do dinheiro no capitalismo é ocultar a conjugação destes dois aspectos. Para empregar a mesma analogia de há pouco, o dinheiro representa uma superfície plana, enquanto a noção de mais-valia relativa exige uma terceira dimensão.

Finalmente, tenho insistido também que a articulação entre a mais-valia absoluta e a mais-valia relativa não deve ser concebida como uma dicotomia geopolítica. As formas da mais-valia absoluta existem em todos os países e todas as regiões. Nunca a mais-valia relativa tem progredido sem ter atrelada a mais-valia absoluta. Pode, no entanto, suceder que haja países ou regiões onde não existam praticamente modalidades de mais-valia relativa, mas são muito raros, talvez só um pequeno número de países africanos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Arkx Brasil,<br />
Eu intitulei o último capítulo de um ensaio publicado em 2019 <em><a href="https://passapalavra.info/2019/09/127922/" rel="ugc">A Utopia de uma Sociedade Transparente</a></em>, que sintetizei com a frase «Pretender que o dinheiro obnubila a sociedade é o mesmo que pretender que a linguagem obnubila a realidade». Para lá remeto os leitores suficientemente interessados. Note-se que não pretendo convencer ninguém, apenas deixar claro aquilo que penso.</p>
<p><strong>***</strong></p>
<p>Anarco-aceleracionista,<br />
Nesta primeira parte eu tentei apenas sintetizar os eixos condutores de um trabalho que é anterior a esses desenvolvimentos mais recentes. Mas voltarei a isto na segunda parte do artigo.</p>
<p><strong>***</strong></p>
<p>Fernão Capelo,<br />
Sempre insisti que o tempo de trabalho não deve ser medido pelo simples horário de trabalho. Dentro do mesmo horário o trabalho pode <strong>1)</strong> aumentar de intensidade, ou seja, diminuir a porosidade, de modo que há mais acções de trabalho no interior dos mesmos limites horários. Além disso, <strong>2)</strong> as qualificações dos trabalhadores podem aumentar, o que significa que dentro do mesmo horário fazem um trabalho qualitativamente diferente. Ao conjunto de aumento da intensidade e aumento das qualificações eu chamo aumento da complexidade do trabalho. E, tal como tenho insistido inúmeras vezes, o aumento da complexidade do trabalho representa como que um aprofundamento do tempo no interior dos mesmos limites horários. Numa analogia, é como se o horário medido pelo relógio fosse apenas uma superfície plana, com duas dimensões, e o aumento da complexidade do trabalho exige a introdução de uma terceira dimensão, o tal aprofundamento do tempo, que mencionei. Por favor, leia neste artigo o parágrafo que começa com a frase «Mas no capitalismo o dinheiro tem ainda uma função dissimulada». Aliás, introduzo aqui uma observação. Li ontem que recentemente, na China, começou a observar-se uma tendência entre os jovens altamente qualificados para procurarem empregos que requerem menores qualificações. Creio que o que aqui disse muito resumidamente explica esse aparente paradoxo.</p>
<p>O crescimento da mais-valia relativa significa precisamente o aumento da complexidade do trabalho. Mas significa outra coisa também, um aumento da produtividade que faz com que, dentro dos mesmos limites horários, seja produzido um número crescente de bens e serviços. A conjugação destes dois aspectos implica, de um lado, o aumento do tempo de trabalho despendido pelo trabalhador. Mas, do outro lado, implica uma tão grande redução do tempo de trabalho incorporado nos bens e serviços consumidos pelo trabalhador, que este pode consumir um maior número de bens e serviços e, no entanto, ser menor o tempo de trabalho total incorporado no conjunto desses bens e serviços. Tal como disse no artigo, uma das funções do dinheiro no capitalismo é ocultar a conjugação destes dois aspectos. Para empregar a mesma analogia de há pouco, o dinheiro representa uma superfície plana, enquanto a noção de mais-valia relativa exige uma terceira dimensão.</p>
<p>Finalmente, tenho insistido também que a articulação entre a mais-valia absoluta e a mais-valia relativa não deve ser concebida como uma dicotomia geopolítica. As formas da mais-valia absoluta existem em todos os países e todas as regiões. Nunca a mais-valia relativa tem progredido sem ter atrelada a mais-valia absoluta. Pode, no entanto, suceder que haja países ou regiões onde não existam praticamente modalidades de mais-valia relativa, mas são muito raros, talvez só um pequeno número de países africanos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fernão Capelo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-887614</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernão Capelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Apr 2023 02:33:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148098#comment-887614</guid>

					<description><![CDATA[Prezado João Bernardo, 

Na sua obra constantemente vê-se que &quot;Tanto os burgueses como os gestores se definem enquanto capitalistas porque controlam o tempo de trabalho alheio e não têm o seu próprio tempo de actividade controlado exteriormente, o que implica uma apropriação de mais-valia&quot; e que &quot;os trabalhadores dos países desenvolvidos são mais explorados, porque se inserem em patamares superiores de mais-valia relativa, que exigem melhores qualificações e mais intensidade do esforço, ou seja, requerem uma maior complexidade do trabalho. E é a produtividade inerente à mais-valia relativa que permite aos trabalhadores inseridos neste processo auferirem salários que nominalmente parecem mais elevados, mas que correspondem a um maior desfasamento (defasagem) entre o tempo de trabalho despendido no processo de produção e o incorporado nos bens e serviços adquiridos pelos trabalhadores&quot;

Ao focar e dar ênfase na análise da exploração sob a ótica da mais valia relativa, da qual resulta que &quot;trabalhadores dos países desenvolvidos são mais explorados&quot; e que ganham, na prática, salários menores, dá a impressão que estas análises se restringem apenas ao seu aspecto econômico. Países como Holanda, Dinamarca, Alemanha, os trabalhadores, embora com menores jornadas de trabalho e melhores condições de trabalho e de vida, seriam mais explorados porque produzem mais em menos tempo graças ao avanço tecnológico e sua qualificação profissional. Enquanto países como Índia, Indonésia, Brasil, embora com maiores jornadas de trabalho e piores condições de trabalho e de vida, seriam menos explorados por terem menos tecnologia e qualificação profissional... E falo isso sem qualquer apologia a nacionalismos, imperialismo, ou  “marxismos”.

Se o tempo é a &quot;substância do capitalismo&quot;, parece-me que também o é para a classe trabalhadora. Se ele é explorado, quer pela mais valia absoluta, quer pela mais valia relativa, em termos práticos (falando a grosso modo), uma hora de trabalho, em sua vida real, continuará sendo uma hora de trabalho. Portanto, uma jornada de seis horas para ele, trabalhador, serão seis horas de trabalho. Se for de oito, oito. De dez, dez e assim por diante, ainda que das jornadas gerem reultados diversos para os trabalhadores (como para os capitalistas). Para ilustrar um ponto de vista prático: se o trabalhador de tal lugar &quot;desenvolvido&quot; produzir em uma hora o equivalente a 4 sacos arroz e receber 1/4 em salário (1 sacos de arroz) e outro, de um lugar não tão &quot;desenvolvido&quot;, produzir no mesmo tempo o equivalente a 1 saco de arroz (quatro vez menos que o outro trabalhador) e receber em salário 1/2 (meio saco de arroz, proporcionalmente o dobro do outro trabalhador), ainda assim, terá, de fato, metade do arroz que o outro trabalhador... 

É neste sentido que entendo que suas análises e conclusões da relações sociais do trabalho me pareçam estritamente econômicas… Pois se “a globalidade dos trabalhadores é explorada pela globalidade dos capitalistas” o resultado da exploração (que, pelo lógica, também deve ser global), quer pela mais valia absoluta, quer pela mais valia relativa, ao meu entender, é similar PARA A CLASSE TRABALHADORA, ainda que com consequências diferentes em seu interior. 

Grato pela atenção!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado João Bernardo, </p>
<p>Na sua obra constantemente vê-se que &#8220;Tanto os burgueses como os gestores se definem enquanto capitalistas porque controlam o tempo de trabalho alheio e não têm o seu próprio tempo de actividade controlado exteriormente, o que implica uma apropriação de mais-valia&#8221; e que &#8220;os trabalhadores dos países desenvolvidos são mais explorados, porque se inserem em patamares superiores de mais-valia relativa, que exigem melhores qualificações e mais intensidade do esforço, ou seja, requerem uma maior complexidade do trabalho. E é a produtividade inerente à mais-valia relativa que permite aos trabalhadores inseridos neste processo auferirem salários que nominalmente parecem mais elevados, mas que correspondem a um maior desfasamento (defasagem) entre o tempo de trabalho despendido no processo de produção e o incorporado nos bens e serviços adquiridos pelos trabalhadores&#8221;</p>
<p>Ao focar e dar ênfase na análise da exploração sob a ótica da mais valia relativa, da qual resulta que &#8220;trabalhadores dos países desenvolvidos são mais explorados&#8221; e que ganham, na prática, salários menores, dá a impressão que estas análises se restringem apenas ao seu aspecto econômico. Países como Holanda, Dinamarca, Alemanha, os trabalhadores, embora com menores jornadas de trabalho e melhores condições de trabalho e de vida, seriam mais explorados porque produzem mais em menos tempo graças ao avanço tecnológico e sua qualificação profissional. Enquanto países como Índia, Indonésia, Brasil, embora com maiores jornadas de trabalho e piores condições de trabalho e de vida, seriam menos explorados por terem menos tecnologia e qualificação profissional&#8230; E falo isso sem qualquer apologia a nacionalismos, imperialismo, ou  “marxismos”.</p>
<p>Se o tempo é a &#8220;substância do capitalismo&#8221;, parece-me que também o é para a classe trabalhadora. Se ele é explorado, quer pela mais valia absoluta, quer pela mais valia relativa, em termos práticos (falando a grosso modo), uma hora de trabalho, em sua vida real, continuará sendo uma hora de trabalho. Portanto, uma jornada de seis horas para ele, trabalhador, serão seis horas de trabalho. Se for de oito, oito. De dez, dez e assim por diante, ainda que das jornadas gerem reultados diversos para os trabalhadores (como para os capitalistas). Para ilustrar um ponto de vista prático: se o trabalhador de tal lugar &#8220;desenvolvido&#8221; produzir em uma hora o equivalente a 4 sacos arroz e receber 1/4 em salário (1 sacos de arroz) e outro, de um lugar não tão &#8220;desenvolvido&#8221;, produzir no mesmo tempo o equivalente a 1 saco de arroz (quatro vez menos que o outro trabalhador) e receber em salário 1/2 (meio saco de arroz, proporcionalmente o dobro do outro trabalhador), ainda assim, terá, de fato, metade do arroz que o outro trabalhador&#8230; </p>
<p>É neste sentido que entendo que suas análises e conclusões da relações sociais do trabalho me pareçam estritamente econômicas… Pois se “a globalidade dos trabalhadores é explorada pela globalidade dos capitalistas” o resultado da exploração (que, pelo lógica, também deve ser global), quer pela mais valia absoluta, quer pela mais valia relativa, ao meu entender, é similar PARA A CLASSE TRABALHADORA, ainda que com consequências diferentes em seu interior. </p>
<p>Grato pela atenção!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Anarco-aceleracionista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-887566</link>

		<dc:creator><![CDATA[Anarco-aceleracionista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Apr 2023 19:00:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“É certo que podem existir também gestores nas unidades de produção particulares detidas por burgueses, mas têm aí uma posição subordinada, enquanto membros de uma administração colectiva presidida por um ou mais elementos da burguesia. E é certo também que algumas condições gerais de produção podem apresentar-se formalmente como propriedades burguesas, mas nesta situação os burgueses agem estritamente como gestores e toda a estrutura dessas empresas obedece ao modelo da administração colectiva.”

João, se antes o virtual existia em sua potência na simulação do real o desenvolvimento da computação e das tecnologias de informação o elevou ao status de hiper-real. Será que não poderíamos já considerar o Waze uma Unidade de Produção Particular que apresenta-se formalmente como Condição Geral de Produção – formalmente porque ninguém de fato parece conhecer a empresa Waze, embora o serviço ofertado via aplicativo, que simplesmente cruza as informações de todos os seus usuários entre si para oferecer os melhores caminhos, seja cada vez mais imprescindível (eu mesmo não chego a lugar algum sem o Waze) - ? E se o planejamento de fluxo pode oferecer melhora no trânsito ao contribuir com o descongestionamento [ https://singep.org.br/4singep/resultado/246.pdf ], algo que por si só me parece ter muita característica de CGP – ou de elemento constituinte de CGP – o Waze for Cities (que promove a cooperação entre aplicativo e poder público, no caso de São Paulo a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Mobilidade e Trânsito (SMT) e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e o próprio Waze [ https://alotatuape.com.br/com-waze-cet-amplia-medicao-do-transito-em-sao-paulo-para-20-mil-km-saiba-como/ ] ) parece deixar mais tênue ainda a relação Estado Amplo e Estado Restrito. Exemplos como o do Waze não poderiam servir para o acréscimo de uma terceira forma (considerando as duas que você apresentou no comentário acima) surgidas do cruzamento de Unidades de Produção Particulares e Condições Gerais de Produção – como disse acima, de Unidades de Produção que se comportam como CGP? Não me parece que os burgueses donos do Waze se comportem como administradores públicos, muito pelo contrário. É através de informações públicas de obras, da antecipação de ações da prefeitura, etc, que o Waze se tornará mais robusto e certeiro, o que certamente o colocará à frente de outros apps concorrentes, a importância aqui é em oferecer mais informações que batam com o real do que dos competidores. Ao mesmo tempo, parece haver uma “terceirização” do Estado em relação ao controle de fluxo para os próprios usuários através da mediação tecnológica do Waze. Com a ideia das “cidades inteligentes” não posso deixar de pensar o quanto essas integrações Unidades Produtivas e Condições Gerais de Produção vão se intensificar, a ponto de termos controle de sinalizações também mediados pelo Waze (ou pelas informações disponibilizadas por ele e processadas por algum modelo de Machine Learning).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“É certo que podem existir também gestores nas unidades de produção particulares detidas por burgueses, mas têm aí uma posição subordinada, enquanto membros de uma administração colectiva presidida por um ou mais elementos da burguesia. E é certo também que algumas condições gerais de produção podem apresentar-se formalmente como propriedades burguesas, mas nesta situação os burgueses agem estritamente como gestores e toda a estrutura dessas empresas obedece ao modelo da administração colectiva.”</p>
<p>João, se antes o virtual existia em sua potência na simulação do real o desenvolvimento da computação e das tecnologias de informação o elevou ao status de hiper-real. Será que não poderíamos já considerar o Waze uma Unidade de Produção Particular que apresenta-se formalmente como Condição Geral de Produção – formalmente porque ninguém de fato parece conhecer a empresa Waze, embora o serviço ofertado via aplicativo, que simplesmente cruza as informações de todos os seus usuários entre si para oferecer os melhores caminhos, seja cada vez mais imprescindível (eu mesmo não chego a lugar algum sem o Waze) &#8211; ? E se o planejamento de fluxo pode oferecer melhora no trânsito ao contribuir com o descongestionamento [ <a href="https://singep.org.br/4singep/resultado/246.pdf" rel="nofollow ugc">https://singep.org.br/4singep/resultado/246.pdf</a> ], algo que por si só me parece ter muita característica de CGP – ou de elemento constituinte de CGP – o Waze for Cities (que promove a cooperação entre aplicativo e poder público, no caso de São Paulo a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Mobilidade e Trânsito (SMT) e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e o próprio Waze [ <a href="https://alotatuape.com.br/com-waze-cet-amplia-medicao-do-transito-em-sao-paulo-para-20-mil-km-saiba-como/" rel="nofollow ugc">https://alotatuape.com.br/com-waze-cet-amplia-medicao-do-transito-em-sao-paulo-para-20-mil-km-saiba-como/</a> ] ) parece deixar mais tênue ainda a relação Estado Amplo e Estado Restrito. Exemplos como o do Waze não poderiam servir para o acréscimo de uma terceira forma (considerando as duas que você apresentou no comentário acima) surgidas do cruzamento de Unidades de Produção Particulares e Condições Gerais de Produção – como disse acima, de Unidades de Produção que se comportam como CGP? Não me parece que os burgueses donos do Waze se comportem como administradores públicos, muito pelo contrário. É através de informações públicas de obras, da antecipação de ações da prefeitura, etc, que o Waze se tornará mais robusto e certeiro, o que certamente o colocará à frente de outros apps concorrentes, a importância aqui é em oferecer mais informações que batam com o real do que dos competidores. Ao mesmo tempo, parece haver uma “terceirização” do Estado em relação ao controle de fluxo para os próprios usuários através da mediação tecnológica do Waze. Com a ideia das “cidades inteligentes” não posso deixar de pensar o quanto essas integrações Unidades Produtivas e Condições Gerais de Produção vão se intensificar, a ponto de termos controle de sinalizações também mediados pelo Waze (ou pelas informações disponibilizadas por ele e processadas por algum modelo de Machine Learning).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-887561</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Apr 2023 18:19:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[-&#062; 《Mas no capitalismo o dinheiro tem ainda uma função dissimulada, sem a qual este sistema económico não poderia existir, a de converter as mudanças qualitativas em séries quantitativas.》

-&#062;《Em suma, o dinheiro no capitalismo serve para ocultar o desfasamento entre o tempo de trabalho despendido e o incorporado e para ocultar os efeitos exercidos pelo aumento da produtividade sobre o processo de exploração, e sem este conjunto de ilusões pecuniárias as relações sociais capitalistas não poderiam vigorar.》

Leio no comentário imediatamente anterior uma referência a Gustavo Franco. Sendo este um monetarista, nada mais óbvio se curvar diante do altar do deus Dinheiro. Afinal, para os moedeiros falsos a única religião verdadeira é o Capitalismo.

Já com J.L. Borges temos a oportunidade de compreender a realidade (assim denominada) como um labirinto de espelhos com reflexos se bifurcando ao infinito. Quanto mais nos aproximamos do centro do labirinto, menos chegamos a lugar algum.

Entretanto, não há outra realidade sequer além das relações sociais de produção. Nem o Capital, menos ainda o dinheiro, criam mundo algum. 

Sob relações sociais de opressão e exploração, a linguagem (por sua vez articuladora destas relações) não pode ter outra função a não ser ocultar e silenciar justamente a produção da própria realidade. A qual passa a ser um dado natural e constante. 

Esta é a função exercida no Capitalismo pelo dinheiro, enquanto linguagem.

Pergunta:  Praticamente não houve sociedades sem dinheiro? Resposta: praticamente não houve sociedades sem relações sociais de opressão e exploração...

Pergunta: qual a linguagem capaz de articular relações sociais emancipatórias?
Resposta? Certamente não o dinheiro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>-&gt; 《Mas no capitalismo o dinheiro tem ainda uma função dissimulada, sem a qual este sistema económico não poderia existir, a de converter as mudanças qualitativas em séries quantitativas.》</p>
<p>-&gt;《Em suma, o dinheiro no capitalismo serve para ocultar o desfasamento entre o tempo de trabalho despendido e o incorporado e para ocultar os efeitos exercidos pelo aumento da produtividade sobre o processo de exploração, e sem este conjunto de ilusões pecuniárias as relações sociais capitalistas não poderiam vigorar.》</p>
<p>Leio no comentário imediatamente anterior uma referência a Gustavo Franco. Sendo este um monetarista, nada mais óbvio se curvar diante do altar do deus Dinheiro. Afinal, para os moedeiros falsos a única religião verdadeira é o Capitalismo.</p>
<p>Já com J.L. Borges temos a oportunidade de compreender a realidade (assim denominada) como um labirinto de espelhos com reflexos se bifurcando ao infinito. Quanto mais nos aproximamos do centro do labirinto, menos chegamos a lugar algum.</p>
<p>Entretanto, não há outra realidade sequer além das relações sociais de produção. Nem o Capital, menos ainda o dinheiro, criam mundo algum. </p>
<p>Sob relações sociais de opressão e exploração, a linguagem (por sua vez articuladora destas relações) não pode ter outra função a não ser ocultar e silenciar justamente a produção da própria realidade. A qual passa a ser um dado natural e constante. </p>
<p>Esta é a função exercida no Capitalismo pelo dinheiro, enquanto linguagem.</p>
<p>Pergunta:  Praticamente não houve sociedades sem dinheiro? Resposta: praticamente não houve sociedades sem relações sociais de opressão e exploração&#8230;</p>
<p>Pergunta: qual a linguagem capaz de articular relações sociais emancipatórias?<br />
Resposta? Certamente não o dinheiro.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148098/#comment-887530</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Apr 2023 13:33:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em seu livro &lt;em&gt;A moeda e a lei: uma história monetária brasileira, 1933-2013&lt;/em&gt;, o economista Gustavo Franco colocou a seguinte epígrafe de Jorge Luís Borges (&quot;El Zahir&quot;. Em: &lt;em&gt;O aleph&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro: Globo, 2001, p  113):

&quot;Pensei que não existe nada menos material que o dinheiro, já que qualquer moeda ... é, a rigor, um repertório de futuros possíveis. O dinheiro é abstrato, repeti, o dinheiro é tempo futuro. Pode ser uma tarde nos arredores, pode ser música de Brahms, pode ser mapas, pode ser xadrez, pode ser café, pode ser as palavras de Epicteto, que ensinam o desprezo pelo ouro; é um Proteu mais versátil que o da ilha de Faros. É tempo imprevisível, tempo de Bergson, não o duro tempo do Islã ou do Pórtico. Os deterministas negam que haja no mundo um único fato possível, &lt;em&gt;id est&lt;/em&gt; um fato que pode acontecer; uma moeda simboliza nosso livre-arbítrio.&quot;

Não conheço a obra de Borges o suficiente para discuti-la, mas conheço a de Gustavo Franco o suficiente para saber que a escolha da epígrafe não foi de modo algum gratuita, ou movida por pura afinidade estética. Enquanto isso, no lado de cá...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em seu livro <em>A moeda e a lei: uma história monetária brasileira, 1933-2013</em>, o economista Gustavo Franco colocou a seguinte epígrafe de Jorge Luís Borges (&#8220;El Zahir&#8221;. Em: <em>O aleph</em>. Rio de Janeiro: Globo, 2001, p  113):</p>
<p>&#8220;Pensei que não existe nada menos material que o dinheiro, já que qualquer moeda &#8230; é, a rigor, um repertório de futuros possíveis. O dinheiro é abstrato, repeti, o dinheiro é tempo futuro. Pode ser uma tarde nos arredores, pode ser música de Brahms, pode ser mapas, pode ser xadrez, pode ser café, pode ser as palavras de Epicteto, que ensinam o desprezo pelo ouro; é um Proteu mais versátil que o da ilha de Faros. É tempo imprevisível, tempo de Bergson, não o duro tempo do Islã ou do Pórtico. Os deterministas negam que haja no mundo um único fato possível, <em>id est</em> um fato que pode acontecer; uma moeda simboliza nosso livre-arbítrio.&#8221;</p>
<p>Não conheço a obra de Borges o suficiente para discuti-la, mas conheço a de Gustavo Franco o suficiente para saber que a escolha da epígrafe não foi de modo algum gratuita, ou movida por pura afinidade estética. Enquanto isso, no lado de cá&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
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