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	Comentários sobre: Cibernéticas Proletárias	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Grevo de Vergere		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-891747</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grevo de Vergere]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 May 2023 16:05:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Pedro, essa é a pergunta que nos fazemos. A capacidade criativa dos trabalhadores de articularem ferramentas digitais na formação de suas redes para suportar o trabalho ou lutar contra ele teriam possibilidade de apontar pra autogestão social? Só a aceleração dessas formas aí podem nos apontar algum horizonte nesse sentido.

Ulisses, em relação ao &quot;Cibernéticas proletárias ou usos proletários (digamos revolucionários-proletários, quiçá insurrecionais) da cibernética?&quot;, da forma como colocamos entendemos as duas questões de forma unificada porque para nós, na identificação das cibernéticas proletárias, criação e subversão são complementares. Se no movimento decomposicionista identificamos a subversão enquanto sabotagem (aqui mais focado em ferramentas individuais), no movimento composicionista identificamos subversão enquanto criação (aqui mais focado na adoção de um conjunto de ferramentas, de criação de uma cibernética não no sentido de elaboração de um aplicativo por si só, mas da articulação de diversas ferramentas independentes entre si para a elaboração de um novo &quot;sistema&quot; - fracionado, independente, contendo ferramentas proprietárias, etc, mas ainda assim um novo sistema.
Em relação ao &quot;Cibernética comunista ou autogestão cibernética na &#038; da comunidade humana mundial&quot; pra nós também são a mesma coisa porque esse é comunismo cibernético que defendemos, por isso mesmo apresentamos algumas perspectivas do socialismo/comunismo cibernético para depois, brevemente lá no final, tentar traçar a nossa visão disso. A preocupação com as cibernéticas proletárias, e com as infraestruturas de dissidencia (que fazem parte das ciberneticas proletárias), parte da preocupação em como resolver o problema do cálculo econômico sem recorrer aos Estados e mercados, de modo a garantir a autogestão social. Acreditamos que isso pode ser possível através de um planejamento econômico descentralizado que faça uso da cibernética, dos sistemas digitais, mas nos perguntamos como construir isso e de que forma o que já existe hoje pode ser aproveitado e potencializado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Pedro, essa é a pergunta que nos fazemos. A capacidade criativa dos trabalhadores de articularem ferramentas digitais na formação de suas redes para suportar o trabalho ou lutar contra ele teriam possibilidade de apontar pra autogestão social? Só a aceleração dessas formas aí podem nos apontar algum horizonte nesse sentido.</p>
<p>Ulisses, em relação ao &#8220;Cibernéticas proletárias ou usos proletários (digamos revolucionários-proletários, quiçá insurrecionais) da cibernética?&#8221;, da forma como colocamos entendemos as duas questões de forma unificada porque para nós, na identificação das cibernéticas proletárias, criação e subversão são complementares. Se no movimento decomposicionista identificamos a subversão enquanto sabotagem (aqui mais focado em ferramentas individuais), no movimento composicionista identificamos subversão enquanto criação (aqui mais focado na adoção de um conjunto de ferramentas, de criação de uma cibernética não no sentido de elaboração de um aplicativo por si só, mas da articulação de diversas ferramentas independentes entre si para a elaboração de um novo &#8220;sistema&#8221; &#8211; fracionado, independente, contendo ferramentas proprietárias, etc, mas ainda assim um novo sistema.<br />
Em relação ao &#8220;Cibernética comunista ou autogestão cibernética na &amp; da comunidade humana mundial&#8221; pra nós também são a mesma coisa porque esse é comunismo cibernético que defendemos, por isso mesmo apresentamos algumas perspectivas do socialismo/comunismo cibernético para depois, brevemente lá no final, tentar traçar a nossa visão disso. A preocupação com as cibernéticas proletárias, e com as infraestruturas de dissidencia (que fazem parte das ciberneticas proletárias), parte da preocupação em como resolver o problema do cálculo econômico sem recorrer aos Estados e mercados, de modo a garantir a autogestão social. Acreditamos que isso pode ser possível através de um planejamento econômico descentralizado que faça uso da cibernética, dos sistemas digitais, mas nos perguntamos como construir isso e de que forma o que já existe hoje pode ser aproveitado e potencializado.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-890107</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 May 2023 16:16:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[DÚVIDAS METÓDICAS (VISANDO À PRÁXIS)
Cibernéticas proletárias ou usos proletários (digamos revolucionários-proletários, quiçá insurrecionais) da cibernética? 
Cibernética comunista ou autogestão cibernética na &#038; da comunidade humana mundial?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>DÚVIDAS METÓDICAS (VISANDO À PRÁXIS)<br />
Cibernéticas proletárias ou usos proletários (digamos revolucionários-proletários, quiçá insurrecionais) da cibernética?<br />
Cibernética comunista ou autogestão cibernética na &amp; da comunidade humana mundial?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Pedro Corrêa e Castro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-890092</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Pedro Corrêa e Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 May 2023 12:36:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Texto muito bom. Até que ponto você acha que a cibernética proletária pode se transformar em cibernética comunista ? Temos um horizonte na nossa frente ?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto muito bom. Até que ponto você acha que a cibernética proletária pode se transformar em cibernética comunista ? Temos um horizonte na nossa frente ?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-889671</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 21:40:44 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148276#comment-889671</guid>

					<description><![CDATA[Grevo de Vergere,

Os textos do Comitê Invisível (e anteriormente do Tiqqun) muitas vezes apresentam uma grave deficiência, na qual você não incorre em suas postagens aqui.

Faltam exemplos concretos naqueles textos (muito embora às vezes citem depoimentos enriquecedores), enquanto você sempre tem recorrido a eles. E isto é muito legal!

Quando me referi a 《a questão específica é como os trabalhadores da área de TI podem contribuir para avançar a Luta de Classes》,  isto  não implica em assumir protagonismo.

Os trabalhadores devem sempre ser os protagonistas da luta geral contra o Capitalismo e, ao mesmo tempo, da caminhada no rumo do pós-Capitalismo.

Além disto, todo desenvolvimento de software, para ser bem sucedido, deve ser um trabalho conjunto com o usuário final. Mesmo quando é um empresário quem o demanda, sem uma interlocução direta, próxima e constante com o usuário, o fracasso é certo. Aliás, este costuma ser a principal causa dos conhecidos problemas na área de desenvolvimento de sistemas.

Por sua vez, as técnicas incorporadas nos meios de comunicação são o tecido conjuntivo das lutas. Sem elas, o corpo das lutas não para em pé, de nada adiantando o esqueleto e a musculatura.

Não por outro motivo Lênin estabeleceu a publicação de um jornal como um ponto do que fazer. Hoje os meios de comunicação são muito mais poderosos, também conhecemos a terrível consequência histórica do leninismo.

Qual a função, para o avanço da Luta de Classes, das técnicas compondo a Tecnologia da Informação?

A partir dos exemplos concretos citados no artigo, cabe (sem dúvida!) indagar: 《Não teriam as cibernéticas proletárias aí se apresentado enquanto infraestrutura virtual potencializando a organização desse grupo de trabalhadores?》

Claro! Com toda certeza.

Por isto mesmo os trabalhadores da área de TI devem acompanhar, participar, interagir e contribuir com este processo. Tanto no plano prático como no teórico. 

Exato como você demonstra estar fazendo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Grevo de Vergere,</p>
<p>Os textos do Comitê Invisível (e anteriormente do Tiqqun) muitas vezes apresentam uma grave deficiência, na qual você não incorre em suas postagens aqui.</p>
<p>Faltam exemplos concretos naqueles textos (muito embora às vezes citem depoimentos enriquecedores), enquanto você sempre tem recorrido a eles. E isto é muito legal!</p>
<p>Quando me referi a 《a questão específica é como os trabalhadores da área de TI podem contribuir para avançar a Luta de Classes》,  isto  não implica em assumir protagonismo.</p>
<p>Os trabalhadores devem sempre ser os protagonistas da luta geral contra o Capitalismo e, ao mesmo tempo, da caminhada no rumo do pós-Capitalismo.</p>
<p>Além disto, todo desenvolvimento de software, para ser bem sucedido, deve ser um trabalho conjunto com o usuário final. Mesmo quando é um empresário quem o demanda, sem uma interlocução direta, próxima e constante com o usuário, o fracasso é certo. Aliás, este costuma ser a principal causa dos conhecidos problemas na área de desenvolvimento de sistemas.</p>
<p>Por sua vez, as técnicas incorporadas nos meios de comunicação são o tecido conjuntivo das lutas. Sem elas, o corpo das lutas não para em pé, de nada adiantando o esqueleto e a musculatura.</p>
<p>Não por outro motivo Lênin estabeleceu a publicação de um jornal como um ponto do que fazer. Hoje os meios de comunicação são muito mais poderosos, também conhecemos a terrível consequência histórica do leninismo.</p>
<p>Qual a função, para o avanço da Luta de Classes, das técnicas compondo a Tecnologia da Informação?</p>
<p>A partir dos exemplos concretos citados no artigo, cabe (sem dúvida!) indagar: 《Não teriam as cibernéticas proletárias aí se apresentado enquanto infraestrutura virtual potencializando a organização desse grupo de trabalhadores?》</p>
<p>Claro! Com toda certeza.</p>
<p>Por isto mesmo os trabalhadores da área de TI devem acompanhar, participar, interagir e contribuir com este processo. Tanto no plano prático como no teórico. </p>
<p>Exato como você demonstra estar fazendo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Grevo de Vergere		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-889665</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grevo de Vergere]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 19:02:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148276#comment-889665</guid>

					<description><![CDATA[Lucas, como Manolo e também o arkx, de certa forma, apontaram pensamos esse artigo muito mais na perspectiva da dúvida do que da certeza. Então não temos como dizer como as Cibernéticas Proletárias podem possibilitar instâncias de decisão coletiva sobre os caminhos que devem seguir as lutas dos trabalhadores ou a forma com que devem organizar os seus processos coletivos. Também não entendemos que necessariamente uma ferramenta cibernética pode vir a se tornar uma forma de &quot;organização&quot;. O que sabemos, no entanto, é que as formas organizativas, muitas daquelas em que se reuniram parte dos operários de fábrica no período que tu mencionas, não deram certo. Muita coisa foi dita e escrita a respeito de como partidos e sindicatos se burocratizaram e funcionam como correia de transmissão do Kapital no meio dos trabalhadores, não nos cabe aqui explorar isso. 

Não somos exatamente assembleistas, embora entendemos a importância desses processos de reunião e decisão coletiva. Manolo fez menção aos grupos de WhatsApp como um assembleia permanente, o que de fato ocorre e é facilmente mapeado pelo Kapital, algo como uma assembleia em que, se não a polícia, como bem disse o Manolo (e não nos parece que esteja sendo alarmista, uma vez que qualquer um sabe a facilidade de se infiltrar em grupos de zap de categorias diversas hoje – se os militantes fazem isso, porque acreditar que a polícia não?), o Kapital é que fica com o registro das atas e decisões. Na ideia de “desenvolver as Cibernéticas Proletárias” poderíamos sim pensar em um app ou vários que podem ter essa função de se tornar uma &quot;assembleia permanente&quot; em que uma determinada categoria discute suas necessidades, prepara suas lutas, faz balanços das poucas vitórias e das muitas derrotas (sempre parciais) só que neste caso sem a dominação e controle direto do Kapital. A existência desses aplicativos não deveria substituir e muito menos impedir que os trabalhadores se reúnam em seus locais de trabalho de forma presencial - que no caso dos trabalhadores de app não é mais na fábrica, mas em algum espaço público pra tomada de decisão – muito pelo contrário, da forma que pensamos esses aplicativos poderiam funcionar como uma infraestrutura digital pra essas formas não-virtuais, as possibilitando e as fortalecendo.

De novo, não entendemos que um app ou outra ferramenta cibernética seja &quot;a organização de trabalhadores do futuro&quot;, mas essas estruturas também podem funcionar como um &quot;lugar de permanência&quot; de processos de luta que se encerraram - como o caso de uma greve - permitindo que os trabalhadores façam um balanço do processo derrotado ou vitorioso e se mantenham em contato ainda que não diretamente físico como seriam o caso de reuniões presenciais, como também de base de apoio para processos futuros. Essas coisas já existem hoje, de forma muito fragmentada, aos trancos e barrancos, e com todas as problemáticas aqui já apresentadas (segurança, dispersão, etc.). A questão que nos parece ser interessante pensar é de que forma fortalecer essas experiências já existentes de modo a elevá-las a um próximo nível. Desse modo não achamos que a questão específica do texto seja “como os trabalhadores da área de TI podem contribuir para avançar a Luta de Classes, através do desenvolvimento não só de aplicativos como mesmo de novas técnicas” como disse o arkx (embora esse ponto esteja sim no texto), mas de que forma apreender essas formas radicais e criativas que estão em uso e são – de certa forma - construídas hoje pelos trabalhadores em suas experiências de luta e organização e potencializá-las. 

Aqui entra um ponto importante que talvez possa trazer algo a se pensar sobre domínio da técnica e abstração da técnica: Ao contrário do trecho compartilhados pelo arkx do Comitê Invisível, que coloca Engenheiro X Hacker, nas cibernéticas proletárias nós identificamos ambas as perspectivas, que se impõe em dois níveis diferentes, ou como colocamos no texto em dois movimentos: o movimento composicionista e o decomposicionista. Desse modo, identificamos que o “engenheiro” é o que identificamos como o movimento composicionista, enquanto o “hacker” se vê representado no movimento decomposicionista. Isso nos leva a pensar que os trabalhadores atuam como engenheiros no desenvolvimento de suas cibernéticas – não a nível de ferramentas individuais, mais a nível de articulação e integração dessas ferramentas várias, já existentes e disponíveis. Ou seja, é no nível da abstração dos aplicativos concretos e já existentes que os trabalhadores atuam de forma criativa na elaboração de suas redes e das infraestruturas digitais pro seu trabalho e pra organização e luta com seus colegas de trabalho. Há uma série de processos e de protocolos, que são criados pelos diversos grupos de trabalhadores na interação com os diversos aplicativos e ferramentas disponíveis. 

Tentando apresentar a coisa de forma mais material com um exemplo: um motorista de aplicativo que acabou de entrar em um grupo de whatsapp de motoristas e para ser aceito no grupo teve que apresentar um print do seu cadastro no aplicativo, provando que é de fato quem diz ser. O grupo também pede que todos instalem um aplicativo de Walkie-Talkie e mantenham-no ligado enquanto estiverem trabalhando, para aumentar a capacidade de articulação e comunicação rápida em caso de algum contratempo. O mesmo é pedido em relação ao compartilhamento de localização em tempo real – que necessita de outro aplicativo uma vez que ele é mais potente que o compartilhamento do zap, já que que possibilita que todo mundo veja todo mundo que está compartilhando sua localização ao mesmo tempo - , com o mesmo objetivo do grupo poder agir de forma rápida e precisa em caso de algum problema com um colega. O grupo também serve como um local de apoio e dicas, onde os participantes informam os melhores pontos pra ir, os que devem ser evitados, os problemas identificados, as estratégias de burla, etc. 

Não seria esse o caso de uma “engenharia de alto nível”, de pura manipulação de aplicativos diferentes, mas que juntando suas funções abrem novas possibilidades de organização e de apoio mútuo? Não teriam as cibernéticas proletárias aí se apresentado enquanto infraestrutura virtual potencializando a organização desse grupo de trabalhadores?

Realmente não temos certezas, mas acreditamos nessa criatividade, na criatividade que os trabalhadores já demonstraram ter em outros períodos de luta, como outras formas dessa &quot;engenharia organizacional&quot;, assim foram com os comitês e ocupações de fábrica na tentativa de burlar fortes organismos de repressão dentro e fora das fábricas, ou mesmo para permitir que a produção seguisse sob o controle - técnico - dos trabalhadores. Hoje parece que os trabalhadores tem cada vez mais utilizado essa criatividade no manuseio e mesmo manipulação das cibernéticas para seus objetivos de facilitar, e tornar mais seguro e suportável seu trampo cotidiano mas essa criatividade também tem sido utilizada em processos de luta. E nela que apostamos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, como Manolo e também o arkx, de certa forma, apontaram pensamos esse artigo muito mais na perspectiva da dúvida do que da certeza. Então não temos como dizer como as Cibernéticas Proletárias podem possibilitar instâncias de decisão coletiva sobre os caminhos que devem seguir as lutas dos trabalhadores ou a forma com que devem organizar os seus processos coletivos. Também não entendemos que necessariamente uma ferramenta cibernética pode vir a se tornar uma forma de &#8220;organização&#8221;. O que sabemos, no entanto, é que as formas organizativas, muitas daquelas em que se reuniram parte dos operários de fábrica no período que tu mencionas, não deram certo. Muita coisa foi dita e escrita a respeito de como partidos e sindicatos se burocratizaram e funcionam como correia de transmissão do Kapital no meio dos trabalhadores, não nos cabe aqui explorar isso. </p>
<p>Não somos exatamente assembleistas, embora entendemos a importância desses processos de reunião e decisão coletiva. Manolo fez menção aos grupos de WhatsApp como um assembleia permanente, o que de fato ocorre e é facilmente mapeado pelo Kapital, algo como uma assembleia em que, se não a polícia, como bem disse o Manolo (e não nos parece que esteja sendo alarmista, uma vez que qualquer um sabe a facilidade de se infiltrar em grupos de zap de categorias diversas hoje – se os militantes fazem isso, porque acreditar que a polícia não?), o Kapital é que fica com o registro das atas e decisões. Na ideia de “desenvolver as Cibernéticas Proletárias” poderíamos sim pensar em um app ou vários que podem ter essa função de se tornar uma &#8220;assembleia permanente&#8221; em que uma determinada categoria discute suas necessidades, prepara suas lutas, faz balanços das poucas vitórias e das muitas derrotas (sempre parciais) só que neste caso sem a dominação e controle direto do Kapital. A existência desses aplicativos não deveria substituir e muito menos impedir que os trabalhadores se reúnam em seus locais de trabalho de forma presencial &#8211; que no caso dos trabalhadores de app não é mais na fábrica, mas em algum espaço público pra tomada de decisão – muito pelo contrário, da forma que pensamos esses aplicativos poderiam funcionar como uma infraestrutura digital pra essas formas não-virtuais, as possibilitando e as fortalecendo.</p>
<p>De novo, não entendemos que um app ou outra ferramenta cibernética seja &#8220;a organização de trabalhadores do futuro&#8221;, mas essas estruturas também podem funcionar como um &#8220;lugar de permanência&#8221; de processos de luta que se encerraram &#8211; como o caso de uma greve &#8211; permitindo que os trabalhadores façam um balanço do processo derrotado ou vitorioso e se mantenham em contato ainda que não diretamente físico como seriam o caso de reuniões presenciais, como também de base de apoio para processos futuros. Essas coisas já existem hoje, de forma muito fragmentada, aos trancos e barrancos, e com todas as problemáticas aqui já apresentadas (segurança, dispersão, etc.). A questão que nos parece ser interessante pensar é de que forma fortalecer essas experiências já existentes de modo a elevá-las a um próximo nível. Desse modo não achamos que a questão específica do texto seja “como os trabalhadores da área de TI podem contribuir para avançar a Luta de Classes, através do desenvolvimento não só de aplicativos como mesmo de novas técnicas” como disse o arkx (embora esse ponto esteja sim no texto), mas de que forma apreender essas formas radicais e criativas que estão em uso e são – de certa forma &#8211; construídas hoje pelos trabalhadores em suas experiências de luta e organização e potencializá-las. </p>
<p>Aqui entra um ponto importante que talvez possa trazer algo a se pensar sobre domínio da técnica e abstração da técnica: Ao contrário do trecho compartilhados pelo arkx do Comitê Invisível, que coloca Engenheiro X Hacker, nas cibernéticas proletárias nós identificamos ambas as perspectivas, que se impõe em dois níveis diferentes, ou como colocamos no texto em dois movimentos: o movimento composicionista e o decomposicionista. Desse modo, identificamos que o “engenheiro” é o que identificamos como o movimento composicionista, enquanto o “hacker” se vê representado no movimento decomposicionista. Isso nos leva a pensar que os trabalhadores atuam como engenheiros no desenvolvimento de suas cibernéticas – não a nível de ferramentas individuais, mais a nível de articulação e integração dessas ferramentas várias, já existentes e disponíveis. Ou seja, é no nível da abstração dos aplicativos concretos e já existentes que os trabalhadores atuam de forma criativa na elaboração de suas redes e das infraestruturas digitais pro seu trabalho e pra organização e luta com seus colegas de trabalho. Há uma série de processos e de protocolos, que são criados pelos diversos grupos de trabalhadores na interação com os diversos aplicativos e ferramentas disponíveis. </p>
<p>Tentando apresentar a coisa de forma mais material com um exemplo: um motorista de aplicativo que acabou de entrar em um grupo de whatsapp de motoristas e para ser aceito no grupo teve que apresentar um print do seu cadastro no aplicativo, provando que é de fato quem diz ser. O grupo também pede que todos instalem um aplicativo de Walkie-Talkie e mantenham-no ligado enquanto estiverem trabalhando, para aumentar a capacidade de articulação e comunicação rápida em caso de algum contratempo. O mesmo é pedido em relação ao compartilhamento de localização em tempo real – que necessita de outro aplicativo uma vez que ele é mais potente que o compartilhamento do zap, já que que possibilita que todo mundo veja todo mundo que está compartilhando sua localização ao mesmo tempo &#8211; , com o mesmo objetivo do grupo poder agir de forma rápida e precisa em caso de algum problema com um colega. O grupo também serve como um local de apoio e dicas, onde os participantes informam os melhores pontos pra ir, os que devem ser evitados, os problemas identificados, as estratégias de burla, etc. </p>
<p>Não seria esse o caso de uma “engenharia de alto nível”, de pura manipulação de aplicativos diferentes, mas que juntando suas funções abrem novas possibilidades de organização e de apoio mútuo? Não teriam as cibernéticas proletárias aí se apresentado enquanto infraestrutura virtual potencializando a organização desse grupo de trabalhadores?</p>
<p>Realmente não temos certezas, mas acreditamos nessa criatividade, na criatividade que os trabalhadores já demonstraram ter em outros períodos de luta, como outras formas dessa &#8220;engenharia organizacional&#8221;, assim foram com os comitês e ocupações de fábrica na tentativa de burlar fortes organismos de repressão dentro e fora das fábricas, ou mesmo para permitir que a produção seguisse sob o controle &#8211; técnico &#8211; dos trabalhadores. Hoje parece que os trabalhadores tem cada vez mais utilizado essa criatividade no manuseio e mesmo manipulação das cibernéticas para seus objetivos de facilitar, e tornar mais seguro e suportável seu trampo cotidiano mas essa criatividade também tem sido utilizada em processos de luta. E nela que apostamos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-889530</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Apr 2023 11:19:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148276#comment-889530</guid>

					<description><![CDATA[De como os trabalhadores da área de TI podem contribuir para avançar a Luta de Classes

Caso concreto:  Bloqueio judicial do Telegram no Brasil. 
Contenção de danos: Usar um proxy ou VPN, como o Orbot (outras sugestões?).
Reformismo: Contestar juridicamente o bloqueio, acompanhado de uma ampla mobilização dos usuários. 
Ação Revolucionária:  Incorpora as anteriores e avança num processo de Autonomia de meios de comunicação, tanto em relação ao software quanto, principalmente, ao hardware.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De como os trabalhadores da área de TI podem contribuir para avançar a Luta de Classes</p>
<p>Caso concreto:  Bloqueio judicial do Telegram no Brasil.<br />
Contenção de danos: Usar um proxy ou VPN, como o Orbot (outras sugestões?).<br />
Reformismo: Contestar juridicamente o bloqueio, acompanhado de uma ampla mobilização dos usuários.<br />
Ação Revolucionária:  Incorpora as anteriores e avança num processo de Autonomia de meios de comunicação, tanto em relação ao software quanto, principalmente, ao hardware.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-889492</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Apr 2023 03:43:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148276#comment-889492</guid>

					<description><![CDATA[Lucas, muito dessa &quot;ausência de assembleias&quot; tem a ver com a proliferação de aplicativos de comunicação instantânea, em especial os grupos de Whatsapp. Não explica tudo, mas tem algo a ver.

Imagine um grupo de Whatsapp como uma assembleia permanente, mas realizada numa sala fechada e cheia de câmeras, cujas imagens e áudio são transmitidas direto para a polícia. Parece que andam usando muito a primeira parte do exemplo (&quot;assembleia permanente&quot;) sem prestar atenção na segunda parte (&quot;realizada numa sala fechada e cheia de câmeras, cujas imagens e áudio são transmitidas direto para a polícia&quot;).

Mas a questão, fazendo seu comentário dialogar mais proximamente com o assunto do artigo, é que o grupo de Whatsapp é a forma das assembleias quando o lugar de trabalho é disperso e a única socialização que existe, ou a principal, é por meio deles. Motorista de Uber, entregador de iFood, motoboy da Rappi, &quot;prestadores de serviços&quot; da GetNinjas, todos estão submetidos a um regime de gestão onde sua presença física num mesmo local de trabalho, sob supervisão direta de gestores, não é mais elemento central. Por outro lado, é no grupo de Whatsapp onde circulam o salmo, a mensagem de bom dia, o gemidão, as notícias, as informações sobre os lugares mais perigosos, os pedidos de ajuda... e às vezes mesmo as próprias ordens e comandos de gestores e patrões, desses que cobram prazos às 11h da noite e relatórios no domingo.

É dessa ambiguidade no uso da tecnologia que o artigo trata, é ela que se discute, é ela que problematizamos, porque é esta a condição em que nos encontramos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, muito dessa &#8220;ausência de assembleias&#8221; tem a ver com a proliferação de aplicativos de comunicação instantânea, em especial os grupos de Whatsapp. Não explica tudo, mas tem algo a ver.</p>
<p>Imagine um grupo de Whatsapp como uma assembleia permanente, mas realizada numa sala fechada e cheia de câmeras, cujas imagens e áudio são transmitidas direto para a polícia. Parece que andam usando muito a primeira parte do exemplo (&#8220;assembleia permanente&#8221;) sem prestar atenção na segunda parte (&#8220;realizada numa sala fechada e cheia de câmeras, cujas imagens e áudio são transmitidas direto para a polícia&#8221;).</p>
<p>Mas a questão, fazendo seu comentário dialogar mais proximamente com o assunto do artigo, é que o grupo de Whatsapp é a forma das assembleias quando o lugar de trabalho é disperso e a única socialização que existe, ou a principal, é por meio deles. Motorista de Uber, entregador de iFood, motoboy da Rappi, &#8220;prestadores de serviços&#8221; da GetNinjas, todos estão submetidos a um regime de gestão onde sua presença física num mesmo local de trabalho, sob supervisão direta de gestores, não é mais elemento central. Por outro lado, é no grupo de Whatsapp onde circulam o salmo, a mensagem de bom dia, o gemidão, as notícias, as informações sobre os lugares mais perigosos, os pedidos de ajuda&#8230; e às vezes mesmo as próprias ordens e comandos de gestores e patrões, desses que cobram prazos às 11h da noite e relatórios no domingo.</p>
<p>É dessa ambiguidade no uso da tecnologia que o artigo trata, é ela que se discute, é ela que problematizamos, porque é esta a condição em que nos encontramos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-889468</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2023 22:18:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148276#comment-889468</guid>

					<description><![CDATA[《Aqui surge a famosa “questão da técnica”, zona de cegueira no movimento revolucionário de hoje.

Tecnofília e tecnofobia formam um par diabólico unido por essa mentira central: que uma coisa como &quot;a&quot; técnica existiria. Poder-se-ia, ao que parece, fazer a divisão, na existência humana, entre o que é técnica e o que não o é. 

Mas não: basta ver em que estado inacabado nasce a cria humana e o tempo que leva para conseguir mover-se no mundo ou para falar, para nos darmos conta de que a sua relação com o mundo não é de modo algum dada, mas antes o resultado de uma enorme elaboração.

A relação do homem com o mundo, visto que não advém de uma adequação natural, é essencialmente artificial, técnica, para falar grego.

Neste sentido, o capitalismo é essencialmente tecnológico: é a organização rentável, num sistema, das técnicas mais produtivas. A sua figura cardinal não é o economista, mas sim o engenheiro.

A figura do hacker opõe-se, ponto por ponto, à figura do  
engenheiro. Onde o engenheiro captura tudo o que funciona para que tudo funcione melhor, para o colocar ao serviço do sistema, o hacker pergunta-se “como é que isto funciona?” para encontrar as falhas, mas também para inventar outras utilizações, para experimentar. 

Experimentar significa então: viver o que implica eticamente esta ou aquela técnica. O hacker vem arrancar as técnicas ao sistema tecnológico, libertando-as.》
&quot;FUCK OFF GOOGLE&quot;, Comitê Invisível

A questão de fundo deste artigo são as técnicas, em particular aquelas compondo a Tecnologia da Informação. 

A questão específica é como os trabalhadores da área de TI podem contribuir para avançar a Luta de Classes, através do desenvolvimento não só de aplicativos como mesmo de novas técnicas.

Pensar, pensar, pensar... Era como dizia um grande amigo, a cada vez que se defrontava com um dos muitos desafios da arte de escrever código.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>《Aqui surge a famosa “questão da técnica”, zona de cegueira no movimento revolucionário de hoje.</p>
<p>Tecnofília e tecnofobia formam um par diabólico unido por essa mentira central: que uma coisa como &#8220;a&#8221; técnica existiria. Poder-se-ia, ao que parece, fazer a divisão, na existência humana, entre o que é técnica e o que não o é. </p>
<p>Mas não: basta ver em que estado inacabado nasce a cria humana e o tempo que leva para conseguir mover-se no mundo ou para falar, para nos darmos conta de que a sua relação com o mundo não é de modo algum dada, mas antes o resultado de uma enorme elaboração.</p>
<p>A relação do homem com o mundo, visto que não advém de uma adequação natural, é essencialmente artificial, técnica, para falar grego.</p>
<p>Neste sentido, o capitalismo é essencialmente tecnológico: é a organização rentável, num sistema, das técnicas mais produtivas. A sua figura cardinal não é o economista, mas sim o engenheiro.</p>
<p>A figura do hacker opõe-se, ponto por ponto, à figura do<br />
engenheiro. Onde o engenheiro captura tudo o que funciona para que tudo funcione melhor, para o colocar ao serviço do sistema, o hacker pergunta-se “como é que isto funciona?” para encontrar as falhas, mas também para inventar outras utilizações, para experimentar. </p>
<p>Experimentar significa então: viver o que implica eticamente esta ou aquela técnica. O hacker vem arrancar as técnicas ao sistema tecnológico, libertando-as.》<br />
&#8220;FUCK OFF GOOGLE&#8221;, Comitê Invisível</p>
<p>A questão de fundo deste artigo são as técnicas, em particular aquelas compondo a Tecnologia da Informação. </p>
<p>A questão específica é como os trabalhadores da área de TI podem contribuir para avançar a Luta de Classes, através do desenvolvimento não só de aplicativos como mesmo de novas técnicas.</p>
<p>Pensar, pensar, pensar&#8230; Era como dizia um grande amigo, a cada vez que se defrontava com um dos muitos desafios da arte de escrever código.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-889454</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2023 20:08:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[apareceu nos comentários algo que fiquei pensando quando li o texto. A autogestão enquanto processo impulsado pelas bases exige mecanismos de tomada de decisão participativos e igualitários. As assembleias das poleis gregas são a grande referencia, mas é provável que antes mesmo do período clássico grego, em outras partes do mundo, tenha ocorrido experiencias parecidas. 
Agora, uma coisa chama a atenção nesse novo período de lutas que estamos vivendo. Se no ciclo anterior, onde vimos um auge das lutas dentro das empresas, as assembleias nos próprios lugares de trabalho eram um dos principais símbolos de rebeldia contra a exploração, facilmente desencadeando em ocupações, modificações selvagens e espontãneas do regime de trabalho, etc, nas atuais lutas &quot;de rua&quot; o que parece haver desaparecido por completo são justamente as assembleias. 
De fato, nada melhor do que o sentimento de indignação para promover a ação de massas sem que essas mesmas massas tenham sido parte da construção coletiva e política das ações. As mobilizações são convocadas de forma quase unilateral, na base da viralização, e parecem incapazes de acumular forças e assim persistir no tempo em quanto organização de trabalhadores.
Deixo aqui também minhas dúvidas a respeito de como é possível que os trabalhadores de fato decidam coletivamente sobre suas lutas ou sobre os processos produtivos nos quais participam.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>apareceu nos comentários algo que fiquei pensando quando li o texto. A autogestão enquanto processo impulsado pelas bases exige mecanismos de tomada de decisão participativos e igualitários. As assembleias das poleis gregas são a grande referencia, mas é provável que antes mesmo do período clássico grego, em outras partes do mundo, tenha ocorrido experiencias parecidas.<br />
Agora, uma coisa chama a atenção nesse novo período de lutas que estamos vivendo. Se no ciclo anterior, onde vimos um auge das lutas dentro das empresas, as assembleias nos próprios lugares de trabalho eram um dos principais símbolos de rebeldia contra a exploração, facilmente desencadeando em ocupações, modificações selvagens e espontãneas do regime de trabalho, etc, nas atuais lutas &#8220;de rua&#8221; o que parece haver desaparecido por completo são justamente as assembleias.<br />
De fato, nada melhor do que o sentimento de indignação para promover a ação de massas sem que essas mesmas massas tenham sido parte da construção coletiva e política das ações. As mobilizações são convocadas de forma quase unilateral, na base da viralização, e parecem incapazes de acumular forças e assim persistir no tempo em quanto organização de trabalhadores.<br />
Deixo aqui também minhas dúvidas a respeito de como é possível que os trabalhadores de fato decidam coletivamente sobre suas lutas ou sobre os processos produtivos nos quais participam.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Grevo de Vergere		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-889447</link>

		<dc:creator><![CDATA[Grevo de Vergere]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2023 18:47:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148276#comment-889447</guid>

					<description><![CDATA[arkx Brasil, agradecemos a referência. De fato passou batido por nós esse aprofundamento da questão da hipótese cibernética no comitê invisível, mas com certeza vamos atrás. Esse trecho que você compartilhou aí é bem interessante.

Manolo, obrigado pelas provocações. Seu texto sobre a técnica levanta questões muito interessantes pra se pensar dentro desse nosso aqui. Se não nos ocupamos dessas questões, bem como com as de cunho infraestrutural como os servidores ativistas e outras infraestruturas de rede, de hardware de rede, etc. é porque de fato até aqui não tínhamos/temos muito a acrescentar além de simples apontamentos. Ao longo do texto defendemos a necessidade de &quot;repensar as formas como os sistemas são feitos&quot;, e de aproximar o &quot;usuário final&quot; do processo de desenvolvimento. Isso implicaria transformar o “usuário final” em um programador ou haveria aí outra forma de quebrar essa barreira técnica sem a necessidade de um conhecimento aprofundado no assunto? Os avanços da tecnologia hoje facilitam muito a capacidade de programar. O que antes te requeria um conhecimento profundo sobre o hardware, foi abstraído a ponto de que hoje você não precisar ter conhecimento algum  - ou muito pouco - sobre ele, podendo se preocupar inteiramente com a camada do software (isso por sua vez tem outras implicações relativas à segurança, privacidade, etc.). Há debates sobre qual a melhor linguagem de programação para introdução – como por exemplo quem defende C contra quem defende Python: Enquanto C é uma linguagem que tem um nível mais alto do que, por exemplo, o Assembly, ele ainda é uma linguagem de baixo nível se comparado com o Python, o que requer certo conhecimento de hardware. Já em Python você tem um linguagem de muito mais alto nível de forma que você pode se preocupar apenas com o seu objetivo, levando os defensores de C a argumentarem que ao aprender a programação em C você adquire um conhecimento mais geral da computação tanto em nível de software como de hardware, e os que defendem Python geralmente argumentarem que por ser mais simples e fácil de aprender, seria uma forma de entrada mais popular e acessível. Outras linguagens obviamente também fazem parte desse debate. Há também os adeptos do No-Code, que antes do Chatgpt já enchiam as comunidades de desenvolvedores como profetas do fim do mundo pregando o fim das linguagens de programação e o começo da era da programação sem código (e se tornando piada dentro das comunidades). E hoje, mais recentemente, tem o Chatgpt que gera pra você códigos em segundos (embora ainda precise ter algum conhecimento pra corrigir algumas coisas, ou usar para gerar códigos em parte e depois unir - o grande segredo na real tá na engenharia de prompt, mas pra linguagens ou bibliotecas menos populares o chatgpt é de fato horrível e cheio de erros, justamente por seus conteúdos serem mais escassos). Enfim, as abstrações técnicas podem hoje ser um bom ponto de entrada pra essa &quot;quebra de barreira&quot; e abrir as portas pra um aprofundamento posterior.

Agora, um outro ponto que trouxe bastante reflexão foi essa questão da técnica e o surgimento de uma tecnocracia - que a gente busca combater no texto, mas que não elabora também. Um dos pontos levantados quando estávamos escrevendo esse texto foi &quot;como inibir a formação de uma tecnocracia já no processo de desenvolvimento de novas cibernéticas proletárias?&quot;, mas entendemos que até este momento não temos como apresentar nada e que talvez apenas as experiências reais poderiam trazer elementos pra se pensar, então apontamos apenas, e de forma muito genérica, para a necessidade de “estruturar comunidades pulsantes de desenvolvedores e encontrar formas de envolver os trabalhadores não-desenvolvedores na elaboração de novas ferramentas e sistemas socializantes”. Mas aproveitando suas provocações, acho válido compartilhar aqui duas experiências distintas das quais tivemos contato e conhecimento, relacionadas à adoção de técnica - que esperamos ver publicadas, embora não dependa da gente - que de certa forma tratam o domínio da técnica não como forma de dominação mas, a nosso ver, de submissão.

A primeira é de um pequeno grupo de militantes que se envolveu no movimento de entregadores de uma cidade à partir da criação de materiais para as lutas da categoria. Esses materiais chamam a atenção de um grupo de trabalhadores que se aproxima desses militantes e eles resolvem criar um coletivo juntos. Se em um primeiro momento os trabalhadores da categoria e os militantes todos dividiam as funções, criavam juntos os materiais, etc. o trabalho de produção de material foi cada vez ficando mais com os militantes. Enquanto surgia no coletivo uma burocracia da categoria, os militantes foram cada vez mais assumindo um papel de trabalhar para o coletivo, sempre correndo atrás de materiais e sendo cobrados por eles, enquanto que as decisões dos rumos do grupo passou a se concentrar cada vez mais em um ou dois trabalhadores da categoria. Resultado: os militantes - os que dominavam a técnica - passaram a se tornar tarefeiros e cada vez mais alienados dos processos de fato decisórios do coletivo, uma vez que ele acabou se burocratizando e fez surgir os donos do coletivo.

A segunda é de um grupo de militantes, um pouco maior que o primeiro, que se aventurou a criar um aplicativo com o objetivo de agregar o que eles sentiam faltar nos aplicativos convencionais utilizados em processos de luta e de organização. Com a experiência, buscaram investigar algumas formas de uso dos aplicativos convencionais por trabalhadores de algumas categorias pra, aí então, tentar extrair um ponto comum que pudesse se transformar em um novo aplicativo. A preocupação desse grupo sempre foi em quebrar a barreira técnica, envolvendo todo mundo no processo de elaboração do aplicativo (as funções, a estética, as entidades, as relações, etc.) de modo que só sobraria o trabalho de passar todas as decisões do papel para o código. Mas aí é que veio o problema. Ao invés da técnica se impor e apresentar-se de forma unilateral, foi escanteada a ponto de que aqueles que a dominavam se tornaram um impasse pro futuro do projeto simplesmente porque eram muito poucos e tiveram que assumir uma carga enorme de trabalho, o que se provou inviável. A experiência então foi simplesmente abandonada. 

O domínio da técnica realmente é algo que merece mais atenção, cuidado e reflexão. Ele tem essa dupla expressão, ora como forma de dominação, ora como forma de submissão. Parece que a gente precisa encontrar um meio termo aí, e daí, pensando agora, parece que esse meio termo aí passa sim por uma popularização do domínio da técnica, mas também pelo domínio de popularização da técnica, ou seja, tanto generalizar quanto simplificar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>arkx Brasil, agradecemos a referência. De fato passou batido por nós esse aprofundamento da questão da hipótese cibernética no comitê invisível, mas com certeza vamos atrás. Esse trecho que você compartilhou aí é bem interessante.</p>
<p>Manolo, obrigado pelas provocações. Seu texto sobre a técnica levanta questões muito interessantes pra se pensar dentro desse nosso aqui. Se não nos ocupamos dessas questões, bem como com as de cunho infraestrutural como os servidores ativistas e outras infraestruturas de rede, de hardware de rede, etc. é porque de fato até aqui não tínhamos/temos muito a acrescentar além de simples apontamentos. Ao longo do texto defendemos a necessidade de &#8220;repensar as formas como os sistemas são feitos&#8221;, e de aproximar o &#8220;usuário final&#8221; do processo de desenvolvimento. Isso implicaria transformar o “usuário final” em um programador ou haveria aí outra forma de quebrar essa barreira técnica sem a necessidade de um conhecimento aprofundado no assunto? Os avanços da tecnologia hoje facilitam muito a capacidade de programar. O que antes te requeria um conhecimento profundo sobre o hardware, foi abstraído a ponto de que hoje você não precisar ter conhecimento algum  &#8211; ou muito pouco &#8211; sobre ele, podendo se preocupar inteiramente com a camada do software (isso por sua vez tem outras implicações relativas à segurança, privacidade, etc.). Há debates sobre qual a melhor linguagem de programação para introdução – como por exemplo quem defende C contra quem defende Python: Enquanto C é uma linguagem que tem um nível mais alto do que, por exemplo, o Assembly, ele ainda é uma linguagem de baixo nível se comparado com o Python, o que requer certo conhecimento de hardware. Já em Python você tem um linguagem de muito mais alto nível de forma que você pode se preocupar apenas com o seu objetivo, levando os defensores de C a argumentarem que ao aprender a programação em C você adquire um conhecimento mais geral da computação tanto em nível de software como de hardware, e os que defendem Python geralmente argumentarem que por ser mais simples e fácil de aprender, seria uma forma de entrada mais popular e acessível. Outras linguagens obviamente também fazem parte desse debate. Há também os adeptos do No-Code, que antes do Chatgpt já enchiam as comunidades de desenvolvedores como profetas do fim do mundo pregando o fim das linguagens de programação e o começo da era da programação sem código (e se tornando piada dentro das comunidades). E hoje, mais recentemente, tem o Chatgpt que gera pra você códigos em segundos (embora ainda precise ter algum conhecimento pra corrigir algumas coisas, ou usar para gerar códigos em parte e depois unir &#8211; o grande segredo na real tá na engenharia de prompt, mas pra linguagens ou bibliotecas menos populares o chatgpt é de fato horrível e cheio de erros, justamente por seus conteúdos serem mais escassos). Enfim, as abstrações técnicas podem hoje ser um bom ponto de entrada pra essa &#8220;quebra de barreira&#8221; e abrir as portas pra um aprofundamento posterior.</p>
<p>Agora, um outro ponto que trouxe bastante reflexão foi essa questão da técnica e o surgimento de uma tecnocracia &#8211; que a gente busca combater no texto, mas que não elabora também. Um dos pontos levantados quando estávamos escrevendo esse texto foi &#8220;como inibir a formação de uma tecnocracia já no processo de desenvolvimento de novas cibernéticas proletárias?&#8221;, mas entendemos que até este momento não temos como apresentar nada e que talvez apenas as experiências reais poderiam trazer elementos pra se pensar, então apontamos apenas, e de forma muito genérica, para a necessidade de “estruturar comunidades pulsantes de desenvolvedores e encontrar formas de envolver os trabalhadores não-desenvolvedores na elaboração de novas ferramentas e sistemas socializantes”. Mas aproveitando suas provocações, acho válido compartilhar aqui duas experiências distintas das quais tivemos contato e conhecimento, relacionadas à adoção de técnica &#8211; que esperamos ver publicadas, embora não dependa da gente &#8211; que de certa forma tratam o domínio da técnica não como forma de dominação mas, a nosso ver, de submissão.</p>
<p>A primeira é de um pequeno grupo de militantes que se envolveu no movimento de entregadores de uma cidade à partir da criação de materiais para as lutas da categoria. Esses materiais chamam a atenção de um grupo de trabalhadores que se aproxima desses militantes e eles resolvem criar um coletivo juntos. Se em um primeiro momento os trabalhadores da categoria e os militantes todos dividiam as funções, criavam juntos os materiais, etc. o trabalho de produção de material foi cada vez ficando mais com os militantes. Enquanto surgia no coletivo uma burocracia da categoria, os militantes foram cada vez mais assumindo um papel de trabalhar para o coletivo, sempre correndo atrás de materiais e sendo cobrados por eles, enquanto que as decisões dos rumos do grupo passou a se concentrar cada vez mais em um ou dois trabalhadores da categoria. Resultado: os militantes &#8211; os que dominavam a técnica &#8211; passaram a se tornar tarefeiros e cada vez mais alienados dos processos de fato decisórios do coletivo, uma vez que ele acabou se burocratizando e fez surgir os donos do coletivo.</p>
<p>A segunda é de um grupo de militantes, um pouco maior que o primeiro, que se aventurou a criar um aplicativo com o objetivo de agregar o que eles sentiam faltar nos aplicativos convencionais utilizados em processos de luta e de organização. Com a experiência, buscaram investigar algumas formas de uso dos aplicativos convencionais por trabalhadores de algumas categorias pra, aí então, tentar extrair um ponto comum que pudesse se transformar em um novo aplicativo. A preocupação desse grupo sempre foi em quebrar a barreira técnica, envolvendo todo mundo no processo de elaboração do aplicativo (as funções, a estética, as entidades, as relações, etc.) de modo que só sobraria o trabalho de passar todas as decisões do papel para o código. Mas aí é que veio o problema. Ao invés da técnica se impor e apresentar-se de forma unilateral, foi escanteada a ponto de que aqueles que a dominavam se tornaram um impasse pro futuro do projeto simplesmente porque eram muito poucos e tiveram que assumir uma carga enorme de trabalho, o que se provou inviável. A experiência então foi simplesmente abandonada. </p>
<p>O domínio da técnica realmente é algo que merece mais atenção, cuidado e reflexão. Ele tem essa dupla expressão, ora como forma de dominação, ora como forma de submissão. Parece que a gente precisa encontrar um meio termo aí, e daí, pensando agora, parece que esse meio termo aí passa sim por uma popularização do domínio da técnica, mas também pelo domínio de popularização da técnica, ou seja, tanto generalizar quanto simplificar.</p>
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