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	Comentários sobre: O deserto e os monstros. 4	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148925/#comment-910916</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Nov 2023 21:41:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Acontece que os eventos na Escola Primária Mary Lin não são a continuação de uma história antiga e familiar; eles fazem parte de uma nova tendência ideológica. Num número crescente de escolas por toda a América, educadores que acreditam estar a lutar pela justiça racial estão a separar as crianças umas das outras com base na cor da sua pele.&quot;
- Yascha Mounk, em The identity trap: a story of ideas and power in our time, Penguin Press, 2023.

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

As muitas faces da distopia...

&quot;Uma conversa entre especialistas convocada por uma organização proeminente que trabalhou em estreita colaboração com a escola e é apropriadamente chamada de EmbraceRace aponta que quando os alunos são jovens, “até mesmo uma pessoa de cor ou negra pode dizer: não me vejo como um ser racial. Eu sou apenas humano.” A tarefa de uma boa educação é mudar essa atitude: “Somos seres raciais”. E o primeiro passo em direção a esse objetivo é rejeitar a “ideia de que a cor não importa”, de que os nossos pontos em comum são mais importantes do que as nossas diferenças.&quot;

 - Yascha Mounk, em The identity trap: a story of ideas and power in our time, Penguin Press, 2023.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Acontece que os eventos na Escola Primária Mary Lin não são a continuação de uma história antiga e familiar; eles fazem parte de uma nova tendência ideológica. Num número crescente de escolas por toda a América, educadores que acreditam estar a lutar pela justiça racial estão a separar as crianças umas das outras com base na cor da sua pele.&#8221;<br />
&#8211; Yascha Mounk, em The identity trap: a story of ideas and power in our time, Penguin Press, 2023.</p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>As muitas faces da distopia&#8230;</p>
<p>&#8220;Uma conversa entre especialistas convocada por uma organização proeminente que trabalhou em estreita colaboração com a escola e é apropriadamente chamada de EmbraceRace aponta que quando os alunos são jovens, “até mesmo uma pessoa de cor ou negra pode dizer: não me vejo como um ser racial. Eu sou apenas humano.” A tarefa de uma boa educação é mudar essa atitude: “Somos seres raciais”. E o primeiro passo em direção a esse objetivo é rejeitar a “ideia de que a cor não importa”, de que os nossos pontos em comum são mais importantes do que as nossas diferenças.&#8221;</p>
<p> &#8211; Yascha Mounk, em The identity trap: a story of ideas and power in our time, Penguin Press, 2023.</p>
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		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148925/#comment-897745</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Jul 2023 02:30:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Marcos e demais,

Estou lendo um livro &#039;A Leftist Critique of the Principles of Identity, Diversity, and Multiculturalism&#039;, do sociólogo estadounidente Richard Anderson-Connoly (pode ser baixado aqui: http://library.lol/main/860CC876FF4141C94D7532C3C3B34FD0). É bem interessante. Ele segue a tradição de filosofia analítica estadounidense, com uma linguagem bastante clara, didática e paciente, em que desenvolve uma lógica formal para desmontar algumas afirmações frequentes dos adeptos das políticas identitárias, principalmente no meio acadêmico estadounidense.

Embora ele não tenha como alvo uma crítica ao conceito de interseccionalidade, ele acaba apontando a inadequaçãodesse conceito  ao longo do livro, como na parte na qual retiro o trecho abaixo: &quot;Leading concepts in the discourse, like intersectionality and lived experiences, do little to explain either the way the world actually works or what a just world would look like&quot;. 

Há uma seção bem ao final do livro chamada Intersectionality, Identity, and the Real Me, porém ainda não cheguei nela. Imagino que ali apareça a crítica mais longaao conceito de interseccionalidade no livro.

O autor mostra como os eixos da política identitária que ele faz a crítica não são de esquerda, mas sim conservadores e na melhor das hipóteses, em alguns casos, de centro. E isso que ele usa um conceito de esquerda que é liberal e não socialista. A referência é John Rawls para conceituar o que seria de esquerda. E ele acaba aceitando o conceito de privilégio branco no livro, me parece que como recurso para desmontar as concepções da política identitária que ele elege no livro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcos e demais,</p>
<p>Estou lendo um livro &#8216;A Leftist Critique of the Principles of Identity, Diversity, and Multiculturalism&#8217;, do sociólogo estadounidente Richard Anderson-Connoly (pode ser baixado aqui: <a href="http://library.lol/main/860CC876FF4141C94D7532C3C3B34FD0" rel="nofollow ugc">http://library.lol/main/860CC876FF4141C94D7532C3C3B34FD0</a>). É bem interessante. Ele segue a tradição de filosofia analítica estadounidense, com uma linguagem bastante clara, didática e paciente, em que desenvolve uma lógica formal para desmontar algumas afirmações frequentes dos adeptos das políticas identitárias, principalmente no meio acadêmico estadounidense.</p>
<p>Embora ele não tenha como alvo uma crítica ao conceito de interseccionalidade, ele acaba apontando a inadequaçãodesse conceito  ao longo do livro, como na parte na qual retiro o trecho abaixo: &#8220;Leading concepts in the discourse, like intersectionality and lived experiences, do little to explain either the way the world actually works or what a just world would look like&#8221;. </p>
<p>Há uma seção bem ao final do livro chamada Intersectionality, Identity, and the Real Me, porém ainda não cheguei nela. Imagino que ali apareça a crítica mais longaao conceito de interseccionalidade no livro.</p>
<p>O autor mostra como os eixos da política identitária que ele faz a crítica não são de esquerda, mas sim conservadores e na melhor das hipóteses, em alguns casos, de centro. E isso que ele usa um conceito de esquerda que é liberal e não socialista. A referência é John Rawls para conceituar o que seria de esquerda. E ele acaba aceitando o conceito de privilégio branco no livro, me parece que como recurso para desmontar as concepções da política identitária que ele elege no livro.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148925/#comment-897729</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jul 2023 19:51:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148925#comment-897729</guid>

					<description><![CDATA[Marcos,
Na última parte abordarei a questão da interseccionalidade, de forma muito breve. O meu objectivo neste ensaio não é o de fazer uma crítica extensiva, porque para isso seriam necessários vários volumes, mas o de fornecer um arcaboiço de análise que permita ao leitor — se assim o desejar — proceder a essa crítica e mesmo ir mais além.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcos,<br />
Na última parte abordarei a questão da interseccionalidade, de forma muito breve. O meu objectivo neste ensaio não é o de fazer uma crítica extensiva, porque para isso seriam necessários vários volumes, mas o de fornecer um arcaboiço de análise que permita ao leitor — se assim o desejar — proceder a essa crítica e mesmo ir mais além.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Marcos		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148925/#comment-897703</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jul 2023 13:18:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como o ensaio tem seis partes, não sei se o autor tratará do argumento da interseção classe, raça e gênero, que tem sido usado frequentemente pelos movimentos identitários, como resposta ao critério da classe , quando contestados, e quando aparecem contradições internas nos movimentos. Nesta quarta parte, tratou da intersecção entre identidades. Vou continuar acompanhando as publicações. Espero não ter &quot;comido barriga&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como o ensaio tem seis partes, não sei se o autor tratará do argumento da interseção classe, raça e gênero, que tem sido usado frequentemente pelos movimentos identitários, como resposta ao critério da classe , quando contestados, e quando aparecem contradições internas nos movimentos. Nesta quarta parte, tratou da intersecção entre identidades. Vou continuar acompanhando as publicações. Espero não ter &#8220;comido barriga&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gabriel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148925/#comment-897445</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jul 2023 17:23:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148925#comment-897445</guid>

					<description><![CDATA[Obrigado pela suas respostas, João Bernardo e, se me permite, deixo a seguir umas rápidas observações. 
O Brasil teve na década de 1930 um movimento negro integralista-fascista - a Frente Negra Brasileira (1931-1937) - articulada em torno dos escritos de Arlindo Veiga dos Santos, que em retórica aproximação foi um similar tropical do Marcus Garvey. Aliás, a UNIA do Garvey teve escritório, uma sucursal, na cidade do Rio de Janeiro. Arlindo Veiga dos Santos foi um destacado intelectual negro que poucos conhecem no Brasil, um maurrasista prestigiado internacionalmente com prêmios na França e nos EUA. Era um fascista-monarquista e as suas bases ideológicas eram mesmo nacional-corporativistas. 
O Abdias do Nascimento nasceu das fileiras da Frente Negra Brasileira, foi um integralista, mas que em 1944, com a organização do Teatro Experimental do Negro (TEN) aproximou-se da esquerda pecebista em conexão que durou pouco porque o PCB (como o stalinismo em geral) não dava grande sentido às lutas antirracistas dos negros porque a pauta deveria manter-se na perspectiva da luta de classes. Abdias caminhou depois junto ao brizolismo fazendo-se senador pelo PDT e é um dos grandes centros ideológicos do identitarismo negro no Brasil. Sua tese sobre o &quot;quilombismo&quot; reitera a mitopoesia e as ancestralidades das lutas do Quilombo de Palmares nos séculos 16, 17 e começo do século 18, por vezes colocou-se contra o racionalismo das historiografias por desvirtuarem o real sentido das lutas quilombolas.
Clóvis Moura tem outros timbres. Do marxismo foi o precursor em ver as lutas do Quilombo de Palmares como um antissistema ao colonialismo português no nordeste brasileiro e tratou essas lutas - a quilombagem - como lutas de classe justamente porque o sistema dos quilombos foi globalmente um antissistema escravocrata.
Mais uma vez, muito obrigado por esta série de artigos.
Gabriel.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado pela suas respostas, João Bernardo e, se me permite, deixo a seguir umas rápidas observações.<br />
O Brasil teve na década de 1930 um movimento negro integralista-fascista &#8211; a Frente Negra Brasileira (1931-1937) &#8211; articulada em torno dos escritos de Arlindo Veiga dos Santos, que em retórica aproximação foi um similar tropical do Marcus Garvey. Aliás, a UNIA do Garvey teve escritório, uma sucursal, na cidade do Rio de Janeiro. Arlindo Veiga dos Santos foi um destacado intelectual negro que poucos conhecem no Brasil, um maurrasista prestigiado internacionalmente com prêmios na França e nos EUA. Era um fascista-monarquista e as suas bases ideológicas eram mesmo nacional-corporativistas.<br />
O Abdias do Nascimento nasceu das fileiras da Frente Negra Brasileira, foi um integralista, mas que em 1944, com a organização do Teatro Experimental do Negro (TEN) aproximou-se da esquerda pecebista em conexão que durou pouco porque o PCB (como o stalinismo em geral) não dava grande sentido às lutas antirracistas dos negros porque a pauta deveria manter-se na perspectiva da luta de classes. Abdias caminhou depois junto ao brizolismo fazendo-se senador pelo PDT e é um dos grandes centros ideológicos do identitarismo negro no Brasil. Sua tese sobre o &#8220;quilombismo&#8221; reitera a mitopoesia e as ancestralidades das lutas do Quilombo de Palmares nos séculos 16, 17 e começo do século 18, por vezes colocou-se contra o racionalismo das historiografias por desvirtuarem o real sentido das lutas quilombolas.<br />
Clóvis Moura tem outros timbres. Do marxismo foi o precursor em ver as lutas do Quilombo de Palmares como um antissistema ao colonialismo português no nordeste brasileiro e tratou essas lutas &#8211; a quilombagem &#8211; como lutas de classe justamente porque o sistema dos quilombos foi globalmente um antissistema escravocrata.<br />
Mais uma vez, muito obrigado por esta série de artigos.<br />
Gabriel.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148925/#comment-897442</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jul 2023 16:35:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148925#comment-897442</guid>

					<description><![CDATA[Gabriel,

Quanto a uma bibliografia que fundamente a análise crítica do &lt;em&gt;Tiers Monde&lt;/em&gt;, o Terceiro Mundo, remeto-o para as págs. 55-149 do sexto volume do &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; (São Paulo: Hedra, 2022). Lá pode encontrar a progressão que levou ao Terceiro Mundo partindo, por um lado, da área de influência do fascismo nipónico, a Esfera da Co-Prosperidade, e, por outro lado, da constelação formada pela Economia Dirigida, pelo corporativismo teorizado por Mihail Manoilescu e pelo fascismo de Perón, até chegar à CEPAL. O Terceiro Mundo resultou da convergência destas correntes, formando o que eu considero «um dos mais duradouros resultados do fascismo» (pág. 149).

A internacionalização económica levou à ultrapassagem das fronteiras, por isso a &lt;em&gt;Nação&lt;/em&gt; Proletária teve de se transformar em Terceiro &lt;em&gt;Mundo&lt;/em&gt;, a Nação a transformar-se em Mundo, mas o fundamental do aparelho ideológico e político que antes envolvia a Nação Proletária pôde sustentar o Terceiro Mundo.

Depois, o fim da Guerra Fria e o aparecimento dos identitarismos levaram o Terceiro Mundo a converter-se em Sul Global. A denominação não é geográfica, mas geopolítica, porque os identitarismos — não só o movimento negro, mas outros também — existentes nos Estados Unidos e na União Europeia consideram-se integrados no Sul Global, do mesmo modo que os brasileiros da anti-identidade são remetidos para o Norte Global.

Neste contexto, se eu fosse estudar Abdias do Nascimento começaria por colocá-lo a par de João Cândido para analisar a forma como o Integralismo apresentou a miscigenação enquanto especificidade étnica brasileira, e os ecos destas ideias na obra de Gilberto Freyre. Em seguida, compararia esse fascismo assente na miscigenação com o fascismo de Marcus Garvey, que recusava qualquer forma de miscigenação. E terminaria comparando o Integralismo, enquanto fascismo brasileiro originário, com a hostilidade à miscigenação proclamada pelo actual movimento negro brasileiro, concluindo que em cem anos se passou de um fascismo de inspiração mussoliniana para um pós-fascismo directamente inspirado pelo racismo do Terceiro Reich.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gabriel,</p>
<p>Quanto a uma bibliografia que fundamente a análise crítica do <em>Tiers Monde</em>, o Terceiro Mundo, remeto-o para as págs. 55-149 do sexto volume do <em>Labirintos do Fascismo</em> (São Paulo: Hedra, 2022). Lá pode encontrar a progressão que levou ao Terceiro Mundo partindo, por um lado, da área de influência do fascismo nipónico, a Esfera da Co-Prosperidade, e, por outro lado, da constelação formada pela Economia Dirigida, pelo corporativismo teorizado por Mihail Manoilescu e pelo fascismo de Perón, até chegar à CEPAL. O Terceiro Mundo resultou da convergência destas correntes, formando o que eu considero «um dos mais duradouros resultados do fascismo» (pág. 149).</p>
<p>A internacionalização económica levou à ultrapassagem das fronteiras, por isso a <em>Nação</em> Proletária teve de se transformar em Terceiro <em>Mundo</em>, a Nação a transformar-se em Mundo, mas o fundamental do aparelho ideológico e político que antes envolvia a Nação Proletária pôde sustentar o Terceiro Mundo.</p>
<p>Depois, o fim da Guerra Fria e o aparecimento dos identitarismos levaram o Terceiro Mundo a converter-se em Sul Global. A denominação não é geográfica, mas geopolítica, porque os identitarismos — não só o movimento negro, mas outros também — existentes nos Estados Unidos e na União Europeia consideram-se integrados no Sul Global, do mesmo modo que os brasileiros da anti-identidade são remetidos para o Norte Global.</p>
<p>Neste contexto, se eu fosse estudar Abdias do Nascimento começaria por colocá-lo a par de João Cândido para analisar a forma como o Integralismo apresentou a miscigenação enquanto especificidade étnica brasileira, e os ecos destas ideias na obra de Gilberto Freyre. Em seguida, compararia esse fascismo assente na miscigenação com o fascismo de Marcus Garvey, que recusava qualquer forma de miscigenação. E terminaria comparando o Integralismo, enquanto fascismo brasileiro originário, com a hostilidade à miscigenação proclamada pelo actual movimento negro brasileiro, concluindo que em cem anos se passou de um fascismo de inspiração mussoliniana para um pós-fascismo directamente inspirado pelo racismo do Terceiro Reich.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Gabriel		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148925/#comment-897419</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jul 2023 11:04:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148925#comment-897419</guid>

					<description><![CDATA[Esta série de artigos está excelente, mas por curiosidade, indago ao autor, diante do trecho transcrito abaixo, sobre que referências bibliográficas nos indicaria que poderiam demonstrar o argumento descrito: o dos nacionalismos do Sul Global atualizados com a fusão com os identitarismos antípodas da anti-identidade do Norte-Global (se entendi bem o argumento apresentado). O que o João Bernardo acha da obra de Abdias do Nascimento, Guerreiro Ramos, Enrique Dussel, Clóvis Moura entre muitos outros... Seriam esses autores referências adequadas para construir a crítica ao quadro ideológico que o argumento abaixo descrito sugere?
Se foram instituições como a Fundação Ford, entre outros organismos norte-americanos a fomentar pesquisas que há décadas vêm balizando no Brasil as configurações ideológicas do identitarismo (Sul Global), como tais identitarismos se fariam em anti-norte-Global? O que há de nacionalismo no identitarismo do Sul-Global se o Sul Global não sugere em si uma demarcação geopolítica de fronteiras nacionais? 
 
&quot;O Terceiro Mundo ressurgiu agora na forma de Sul Global, e não se trata de uma mera substituição de palavras, porque no interior de um quadro nacionalista o Sul Global inclui todos os identitarismos. Num inevitável reflexo negativo, define-se um Norte Global, onde reside a anti-identidade. A expressão última desta fusão do nacionalismo com o identitarismo consiste na transformação da noção económica de imperialismo num insulto nacional e racial, dirigido aos norte-americanos e aos europeus enquanto povos. É esta realidade complexa que se encontra sintetizada no Sul Global. A geopolítica agora não abrange só as entidades nacionais, mas também os identitarismos, o que mais uma vez confirma que eles actualizam o nacionalismo na época da transnacionalização&quot;.

Grato pela atenção e meus parabéns pelos excelentes artigos!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta série de artigos está excelente, mas por curiosidade, indago ao autor, diante do trecho transcrito abaixo, sobre que referências bibliográficas nos indicaria que poderiam demonstrar o argumento descrito: o dos nacionalismos do Sul Global atualizados com a fusão com os identitarismos antípodas da anti-identidade do Norte-Global (se entendi bem o argumento apresentado). O que o João Bernardo acha da obra de Abdias do Nascimento, Guerreiro Ramos, Enrique Dussel, Clóvis Moura entre muitos outros&#8230; Seriam esses autores referências adequadas para construir a crítica ao quadro ideológico que o argumento abaixo descrito sugere?<br />
Se foram instituições como a Fundação Ford, entre outros organismos norte-americanos a fomentar pesquisas que há décadas vêm balizando no Brasil as configurações ideológicas do identitarismo (Sul Global), como tais identitarismos se fariam em anti-norte-Global? O que há de nacionalismo no identitarismo do Sul-Global se o Sul Global não sugere em si uma demarcação geopolítica de fronteiras nacionais? </p>
<p>&#8220;O Terceiro Mundo ressurgiu agora na forma de Sul Global, e não se trata de uma mera substituição de palavras, porque no interior de um quadro nacionalista o Sul Global inclui todos os identitarismos. Num inevitável reflexo negativo, define-se um Norte Global, onde reside a anti-identidade. A expressão última desta fusão do nacionalismo com o identitarismo consiste na transformação da noção económica de imperialismo num insulto nacional e racial, dirigido aos norte-americanos e aos europeus enquanto povos. É esta realidade complexa que se encontra sintetizada no Sul Global. A geopolítica agora não abrange só as entidades nacionais, mas também os identitarismos, o que mais uma vez confirma que eles actualizam o nacionalismo na época da transnacionalização&#8221;.</p>
<p>Grato pela atenção e meus parabéns pelos excelentes artigos!</p>
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