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	Comentários sobre: O deserto e os monstros. 5	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: irado		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jul 2023 00:21:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá Odilon, tudo bem? Já que a pergunta veio para mim, vou tentar ajudar. Para entender essa questão a partir da perspectiva aqui discutida, vale ler o Cap 2 - &quot;Terceiro mundo&quot;, do Vol. 6 da nova versão do Labirintos do Fascismo, do JB. Ali você verá em profundidade os antecedentes disso que se está chamando de &quot;Pós-Colonial&quot; e &quot;Decolonial&quot;. São perspectivas que têm sua origem nessas relações históricas complexas entre os fascismos clássicos (Alemanha, Itália e Japão, principalmente) e os movimentos anticoloniais, articulados num quadro nacionalista, muitas vezes, com partidos e movimentos da extrema-esquerda dos países colonizados, em suas vertentes maoístas (China) e stalinisistas (URSS), geralmente. JB mostra como a noção fascista clássica de &quot;Nação Proletária&quot; criada por Corradini evoluiu para a noção de &quot;Mundo&quot;, no caso, o &quot;Terceiro Mundo&quot;, um bloco de &quot;nações proletárias&quot;, que se organizou geopoliticamente com a Conferência de Bandung, em 1955. JB mostra ainda como e economista fascista romeno Manoilescu desenvolveu as bases de uma teoria econômica que interpretava a desigualdade nas trocas comerciais entre nações, como &quot;exploração&quot;, em sentido marxista. Teoria esta que influenciou a política econômica da CEPAL, com as formulações de Raul Prebisch e sua Teoria da Dependência na América Latina, mas não apenas. Com o pós-Guerra e a independência da grande maioria das colônias, surgiram correntes que passaram a analisar essas novas configurações &quot;pós-coloniais&quot;, especialmente de uma perspectiva culturalista, influenciada pelo &quot;pós-estruturalismo&quot; francês. Surgiram o &quot;pós-colonialismo&quot;, os &quot;estudos subalternos&quot;, os &quot;estudos culturais&quot;, etc. de Stuart Hall, Spivak, etc. Com a fragmentação identitária pós-moderna, a &quot;nação proletária&quot;, que se transformou em &quot;terceiro mundo&quot; e em &quot;periferia&quot;, se transmutou agora para uma miríade de novas identidades. As correntes &quot;pós-coloniais&quot; tem como foco as chamadas &quot;diásporas&quot;, especialmente os movimentos migratórios de populações das antigas colônias em direção às antigas metrópoles, especialmente negros &quot;afro-caribenhos&quot;, mas não apenas, preocupados com o que chamam de &quot;hibridismo cultural&quot;, etc. Em geral reproduzem todos os cacoetes pós-modernos, de anti-modernidade, subjetivismo, anti-classismo, etc. e romantizam as culturas chamadas &quot;subalternas&quot;. Bem mais virulento, o &quot;decolonialismo&quot; se originou na América Latina nos anos 1990, com o surgimento do Grupo Modernidade/Colonialidade, a partir do que eles chamam de &quot;giro decolonial&quot;.  São em sua maioria antigas figuras das teorias da dependência, como Aníbal Quijano, Enrique Dussel, entre outros. Estes defendem que a Modernidade começou com a invasão das américas pelos espanhóis em 1492 e, como ela, o Colonialismo. Eles colocam num mesmo balaio o capitalismo, a modernidade, a colonização, o patriarcado e o racismo, como sendo dimensões de um mesmo processo histórico de dominação centrado no racismo e no etnocentrismo, para eles, inerente ao pensamento filosófico e social iluminista e racional. Para eles, assim como para todos os revolucionários-conservadores pré-fascistas, tudo começou com Descartes, a quem desprezam profundamente.  Também reivindicam Bandung como um marco histórico, um dos grandes antecedentes do &quot;giro decolonial&quot;, o que explica bastante coisa. Assim como os &quot;pós-coloniais&quot;, eles entendem que a colonização não terminou com o fim do sistema colonial, mas criticam essas correntes por considerarem-nas ainda &quot;eurocentradas&quot;. Eles chamam de &quot;colonialidades&quot; (do poder, do saber e do ser) esse processo de mutação/permanência do colonialismo, sob uma nova roupagem de dominação cultural. Reivindicam as tradições dos povos pré-colombianos e povos indígenas das Américas, tratando-as como cosmologias e ontologias encerradas em si mesmas, contra a cultura ocidental, sempre dominadora, &quot;ecocida&quot; e &quot;epistemicida&quot;. Trabalham com a noção de &quot;sistema-mundo&quot; e transformaram o &quot;terceiro-mundo&quot; em &quot;Sul Global&quot;, com grande ajuda de Boaventura Souza Santos. Defendem a contraposição de &quot;saberes tradicionais&quot; e mitos, em relação ao conhecimento racional e científico, etc. Têm suas próprias vertentes ecológicas e feministas &quot;decoloniais&quot;, ainda mais irracionalistas. Enfim, inúmeras características do fascismo pós-fascista elencadas pelo JB, sendo claramente um desdobramento atual desses entrecruzamentos todos, uma verdadeira barafunda reacionária que se apresenta como &quot;esquerda&quot;. Estou meio na corrida aqui, gostaria de ter elaborado melhor, mas resumidamente é isso.

Saudações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Odilon, tudo bem? Já que a pergunta veio para mim, vou tentar ajudar. Para entender essa questão a partir da perspectiva aqui discutida, vale ler o Cap 2 &#8211; &#8220;Terceiro mundo&#8221;, do Vol. 6 da nova versão do Labirintos do Fascismo, do JB. Ali você verá em profundidade os antecedentes disso que se está chamando de &#8220;Pós-Colonial&#8221; e &#8220;Decolonial&#8221;. São perspectivas que têm sua origem nessas relações históricas complexas entre os fascismos clássicos (Alemanha, Itália e Japão, principalmente) e os movimentos anticoloniais, articulados num quadro nacionalista, muitas vezes, com partidos e movimentos da extrema-esquerda dos países colonizados, em suas vertentes maoístas (China) e stalinisistas (URSS), geralmente. JB mostra como a noção fascista clássica de &#8220;Nação Proletária&#8221; criada por Corradini evoluiu para a noção de &#8220;Mundo&#8221;, no caso, o &#8220;Terceiro Mundo&#8221;, um bloco de &#8220;nações proletárias&#8221;, que se organizou geopoliticamente com a Conferência de Bandung, em 1955. JB mostra ainda como e economista fascista romeno Manoilescu desenvolveu as bases de uma teoria econômica que interpretava a desigualdade nas trocas comerciais entre nações, como &#8220;exploração&#8221;, em sentido marxista. Teoria esta que influenciou a política econômica da CEPAL, com as formulações de Raul Prebisch e sua Teoria da Dependência na América Latina, mas não apenas. Com o pós-Guerra e a independência da grande maioria das colônias, surgiram correntes que passaram a analisar essas novas configurações &#8220;pós-coloniais&#8221;, especialmente de uma perspectiva culturalista, influenciada pelo &#8220;pós-estruturalismo&#8221; francês. Surgiram o &#8220;pós-colonialismo&#8221;, os &#8220;estudos subalternos&#8221;, os &#8220;estudos culturais&#8221;, etc. de Stuart Hall, Spivak, etc. Com a fragmentação identitária pós-moderna, a &#8220;nação proletária&#8221;, que se transformou em &#8220;terceiro mundo&#8221; e em &#8220;periferia&#8221;, se transmutou agora para uma miríade de novas identidades. As correntes &#8220;pós-coloniais&#8221; tem como foco as chamadas &#8220;diásporas&#8221;, especialmente os movimentos migratórios de populações das antigas colônias em direção às antigas metrópoles, especialmente negros &#8220;afro-caribenhos&#8221;, mas não apenas, preocupados com o que chamam de &#8220;hibridismo cultural&#8221;, etc. Em geral reproduzem todos os cacoetes pós-modernos, de anti-modernidade, subjetivismo, anti-classismo, etc. e romantizam as culturas chamadas &#8220;subalternas&#8221;. Bem mais virulento, o &#8220;decolonialismo&#8221; se originou na América Latina nos anos 1990, com o surgimento do Grupo Modernidade/Colonialidade, a partir do que eles chamam de &#8220;giro decolonial&#8221;.  São em sua maioria antigas figuras das teorias da dependência, como Aníbal Quijano, Enrique Dussel, entre outros. Estes defendem que a Modernidade começou com a invasão das américas pelos espanhóis em 1492 e, como ela, o Colonialismo. Eles colocam num mesmo balaio o capitalismo, a modernidade, a colonização, o patriarcado e o racismo, como sendo dimensões de um mesmo processo histórico de dominação centrado no racismo e no etnocentrismo, para eles, inerente ao pensamento filosófico e social iluminista e racional. Para eles, assim como para todos os revolucionários-conservadores pré-fascistas, tudo começou com Descartes, a quem desprezam profundamente.  Também reivindicam Bandung como um marco histórico, um dos grandes antecedentes do &#8220;giro decolonial&#8221;, o que explica bastante coisa. Assim como os &#8220;pós-coloniais&#8221;, eles entendem que a colonização não terminou com o fim do sistema colonial, mas criticam essas correntes por considerarem-nas ainda &#8220;eurocentradas&#8221;. Eles chamam de &#8220;colonialidades&#8221; (do poder, do saber e do ser) esse processo de mutação/permanência do colonialismo, sob uma nova roupagem de dominação cultural. Reivindicam as tradições dos povos pré-colombianos e povos indígenas das Américas, tratando-as como cosmologias e ontologias encerradas em si mesmas, contra a cultura ocidental, sempre dominadora, &#8220;ecocida&#8221; e &#8220;epistemicida&#8221;. Trabalham com a noção de &#8220;sistema-mundo&#8221; e transformaram o &#8220;terceiro-mundo&#8221; em &#8220;Sul Global&#8221;, com grande ajuda de Boaventura Souza Santos. Defendem a contraposição de &#8220;saberes tradicionais&#8221; e mitos, em relação ao conhecimento racional e científico, etc. Têm suas próprias vertentes ecológicas e feministas &#8220;decoloniais&#8221;, ainda mais irracionalistas. Enfim, inúmeras características do fascismo pós-fascista elencadas pelo JB, sendo claramente um desdobramento atual desses entrecruzamentos todos, uma verdadeira barafunda reacionária que se apresenta como &#8220;esquerda&#8221;. Estou meio na corrida aqui, gostaria de ter elaborado melhor, mas resumidamente é isso.</p>
<p>Saudações.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148937/#comment-898331</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jul 2023 10:45:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[JB DIXIT: &quot;Um dos livros mais lúcidos sobre o fascismo, Qu’est-ce que le fascisme?&quot;
https://library.lol/main/D57DDC60C7CB4A328EDFF705DD8AF8C8
CARALHOBUS!!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>JB DIXIT: &#8220;Um dos livros mais lúcidos sobre o fascismo, Qu’est-ce que le fascisme?&#8221;<br />
<a href="https://library.lol/main/D57DDC60C7CB4A328EDFF705DD8AF8C8" rel="nofollow ugc">https://library.lol/main/D57DDC60C7CB4A328EDFF705DD8AF8C8</a><br />
CARALHOBUS!!!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Antonio de Odilon Brito		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148937/#comment-898268</link>

		<dc:creator><![CDATA[Antonio de Odilon Brito]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jul 2023 01:12:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Irado,

Seu comentário me lembrou algo. Poderia falar um pouco sobre as perspectivas decoloniais e pós-coloniais no meio da esquerda? O que são elas, o que elas teriam a ver com a esquerda (segundo seus defensores), e como essas perspectivas se relacionam com o fascismo pós-fascista de que o João fala? Pergunto por falta de conhecimento mesmo, pois não sei nada do assunto, embora veja esses termos saltando aqui e acolá.

Um abraço!
Antonio]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Irado,</p>
<p>Seu comentário me lembrou algo. Poderia falar um pouco sobre as perspectivas decoloniais e pós-coloniais no meio da esquerda? O que são elas, o que elas teriam a ver com a esquerda (segundo seus defensores), e como essas perspectivas se relacionam com o fascismo pós-fascista de que o João fala? Pergunto por falta de conhecimento mesmo, pois não sei nada do assunto, embora veja esses termos saltando aqui e acolá.</p>
<p>Um abraço!<br />
Antonio</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Gio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148937/#comment-898262</link>

		<dc:creator><![CDATA[Gio]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 23:25:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Depois de ler o ensaio, lembrei da ideia sobre o futuro é ancestral, que difundida por Ailton Krenak. 

Por que o futuro é ancestral? ( google)
É tempo dos povos indígenas, é tempo da diversidade. Só se pode pensar em solução para o futuro se a gente tiver sabedoria e chegar um pouco para trás. A ancestralidade marca um ponto importante, sobretudo para pensarmos as soluções para as crises climáticas. ( remete a uma entrevista , https://www.otempo.com.br/especiais/indigenas-de-minas-vozes-e-faces/liderancas/o-futuro-e-ancestral-ou-nao-sera-diz-celia-xakriaba-1.2848578 )

pesquisando me deparo com essa frase: 

“Se você esquecer, não é proibido voltar atrás e reconstruir”
Provérbio africano]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de ler o ensaio, lembrei da ideia sobre o futuro é ancestral, que difundida por Ailton Krenak. </p>
<p>Por que o futuro é ancestral? ( google)<br />
É tempo dos povos indígenas, é tempo da diversidade. Só se pode pensar em solução para o futuro se a gente tiver sabedoria e chegar um pouco para trás. A ancestralidade marca um ponto importante, sobretudo para pensarmos as soluções para as crises climáticas. ( remete a uma entrevista , <a href="https://www.otempo.com.br/especiais/indigenas-de-minas-vozes-e-faces/liderancas/o-futuro-e-ancestral-ou-nao-sera-diz-celia-xakriaba-1.2848578" rel="nofollow ugc">https://www.otempo.com.br/especiais/indigenas-de-minas-vozes-e-faces/liderancas/o-futuro-e-ancestral-ou-nao-sera-diz-celia-xakriaba-1.2848578</a> )</p>
<p>pesquisando me deparo com essa frase: </p>
<p>“Se você esquecer, não é proibido voltar atrás e reconstruir”<br />
Provérbio africano</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148937/#comment-898244</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 19:30:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Quem se interesse pela construção de mitos e pela reversibilidade do tempo deve ler uma obra que Gore Vidal publicou em 1992, &lt;em&gt;Live From Golgotha&lt;/em&gt;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem se interesse pela construção de mitos e pela reversibilidade do tempo deve ler uma obra que Gore Vidal publicou em 1992, <em>Live From Golgotha</em>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148937/#comment-898231</link>

		<dc:creator><![CDATA[Irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 16:33:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Sim João, a ideia é justamente essa, dentro das minhas limitações. Espero que mais gente se empenhe nessa tarefa, pois todo ano é uma enxurrada de novos modismos nas ciências humanas (não só), todos eles contaminados de alguma forma por concepções fascistas, invariavelmente: pós-modernos, pós-estruturalistas, pós-humanistas, decoloniais, etc., bem como suas variações ecológicas e identitárias. Grande abraço. Sigamos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sim João, a ideia é justamente essa, dentro das minhas limitações. Espero que mais gente se empenhe nessa tarefa, pois todo ano é uma enxurrada de novos modismos nas ciências humanas (não só), todos eles contaminados de alguma forma por concepções fascistas, invariavelmente: pós-modernos, pós-estruturalistas, pós-humanistas, decoloniais, etc., bem como suas variações ecológicas e identitárias. Grande abraço. Sigamos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148937/#comment-898204</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 12:20:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[LATIM ESPÚRIO
nolite te bastardes carborundorum]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LATIM ESPÚRIO<br />
nolite te bastardes carborundorum</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148937/#comment-898153</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 08:56:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Irado,

Uma comparação ajuda a compreender a especificidade do fascismo no leque político. Quem quiser escrever uma história do marxismo ou do liberalismo ou do conservadorismo pode circunscrever-se à corrente política que está a analisar e só acessoriamente tratar da influência exercida pelas outras correntes. Assim, é possível traçar a genealogia de cada uma destas três correntes, em que existem reorganizações e transformações, mas sem que se assinalem quaisquer quebras ou interrupções. Passa-se o contrário com o fascismo, que não possui uma genealogia própria e permanentemente remete para as outras correntes políticas.

É isto mesmo que eu estou a afirmar quando defino o fascismo como uma revolta na ordem, quer dizer, um eco da esquerda (a revolta) no campo da direita (a ordem), com o inevitável movimento recíproco, um eco da direita no campo da esquerda. Por isso o fascismo não possui uma genealogia ininterrupta, mas é gerado continuamente ou em vagas sucessivas, de cada vez que a esquerda, nas suas novas formas, se cruza ou converge com as novas formas assumidas pela direita. É para marcar esta sucessão de gerações que eu falo de fascismo pós-fascista.

Um dos livros mais lúcidos sobre o fascismo, &lt;em&gt;Qu’est-ce que le fascisme?&lt;/em&gt;, foi escrito em 1961 pelo fascista Maurice Bardèche, e ele antecipou o fascismo que haveria de vir: «Com outro nome, com outro rosto, e decerto sem nada que seja a projecção do passado, imagem de um filho que não reconheceremos». «Desde que a palavra &lt;em&gt;fascismo&lt;/em&gt; não seja pronunciada», observou Bardèche naquela obra, «não faltam os candidatos ao fascismo». É este o fascismo pós-fascista, um fascismo que os fascistas de outrora poderiam não reconhecer e em que a palavra &lt;em&gt;fascismo&lt;/em&gt; não é pronunciada. E não só no presente, mas na visão do passado também, porque, com efeito, desde que aquela palavra não se pronuncie, lê-se Céline, Ezra Pound, Cioran, Heidegger, Jung e tantos outros. Por isso eu insisto — vãmente, claro — que a esquerda leia os autores fascistas. Faço-o em vão porque essa esquerda necessita precisamente de não os ler. E por isso se divulga do fascismo uma noção convencional, que esconde tudo o que o fascismo teve de específico.

Outro aspecto que complica a questão é a ausência de homogeneidade no interior do fascismo. De certo modo, é um corolário do facto de o fascismo ser gerado no cruzamento entre esquerda e direita, dos ecos recíprocos de um campo no interior do outro. O losango desenhado pelos dois eixos, horizontal e vertical, permite um gráfico móvel, impossível num livro, mas que eu usava nas aulas. Consoante for maior ou menor o peso do campo conservador ou do radical, das milícias ou dos sindicatos, do partido ou das milícias, do exército ou das Igrejas, assim os lados do losango crescerão ou se reduzirão, de modo que raramente o losango será simétrico. Mas as consequências são ainda mais drásticas. A heterogeneidade no campo do fascismo não se compara com os expurgos realizados no interior do marxismo, porque não se tratou apenas de cisões, mas de verdadeiras guerras. Os casos da Roménia e da Áustria são exemplares, mas também os do Japão e da Hungria.

Afinal, eu procuro com os meus estudos sobre o fascismo o mesmo que tentei com tudo o mais que escrevi — deixar a obra em aberto, para que possa ser continuada por outros, usando caminhos diferentes se quiserem, e em direcções diferentes. É aqui que as suas perguntas se enquadram, não para serem respondidas por mim, mas por outras pessoas, por exemplo, por você mesmo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Irado,</p>
<p>Uma comparação ajuda a compreender a especificidade do fascismo no leque político. Quem quiser escrever uma história do marxismo ou do liberalismo ou do conservadorismo pode circunscrever-se à corrente política que está a analisar e só acessoriamente tratar da influência exercida pelas outras correntes. Assim, é possível traçar a genealogia de cada uma destas três correntes, em que existem reorganizações e transformações, mas sem que se assinalem quaisquer quebras ou interrupções. Passa-se o contrário com o fascismo, que não possui uma genealogia própria e permanentemente remete para as outras correntes políticas.</p>
<p>É isto mesmo que eu estou a afirmar quando defino o fascismo como uma revolta na ordem, quer dizer, um eco da esquerda (a revolta) no campo da direita (a ordem), com o inevitável movimento recíproco, um eco da direita no campo da esquerda. Por isso o fascismo não possui uma genealogia ininterrupta, mas é gerado continuamente ou em vagas sucessivas, de cada vez que a esquerda, nas suas novas formas, se cruza ou converge com as novas formas assumidas pela direita. É para marcar esta sucessão de gerações que eu falo de fascismo pós-fascista.</p>
<p>Um dos livros mais lúcidos sobre o fascismo, <em>Qu’est-ce que le fascisme?</em>, foi escrito em 1961 pelo fascista Maurice Bardèche, e ele antecipou o fascismo que haveria de vir: «Com outro nome, com outro rosto, e decerto sem nada que seja a projecção do passado, imagem de um filho que não reconheceremos». «Desde que a palavra <em>fascismo</em> não seja pronunciada», observou Bardèche naquela obra, «não faltam os candidatos ao fascismo». É este o fascismo pós-fascista, um fascismo que os fascistas de outrora poderiam não reconhecer e em que a palavra <em>fascismo</em> não é pronunciada. E não só no presente, mas na visão do passado também, porque, com efeito, desde que aquela palavra não se pronuncie, lê-se Céline, Ezra Pound, Cioran, Heidegger, Jung e tantos outros. Por isso eu insisto — vãmente, claro — que a esquerda leia os autores fascistas. Faço-o em vão porque essa esquerda necessita precisamente de não os ler. E por isso se divulga do fascismo uma noção convencional, que esconde tudo o que o fascismo teve de específico.</p>
<p>Outro aspecto que complica a questão é a ausência de homogeneidade no interior do fascismo. De certo modo, é um corolário do facto de o fascismo ser gerado no cruzamento entre esquerda e direita, dos ecos recíprocos de um campo no interior do outro. O losango desenhado pelos dois eixos, horizontal e vertical, permite um gráfico móvel, impossível num livro, mas que eu usava nas aulas. Consoante for maior ou menor o peso do campo conservador ou do radical, das milícias ou dos sindicatos, do partido ou das milícias, do exército ou das Igrejas, assim os lados do losango crescerão ou se reduzirão, de modo que raramente o losango será simétrico. Mas as consequências são ainda mais drásticas. A heterogeneidade no campo do fascismo não se compara com os expurgos realizados no interior do marxismo, porque não se tratou apenas de cisões, mas de verdadeiras guerras. Os casos da Roménia e da Áustria são exemplares, mas também os do Japão e da Hungria.</p>
<p>Afinal, eu procuro com os meus estudos sobre o fascismo o mesmo que tentei com tudo o mais que escrevi — deixar a obra em aberto, para que possa ser continuada por outros, usando caminhos diferentes se quiserem, e em direcções diferentes. É aqui que as suas perguntas se enquadram, não para serem respondidas por mim, mas por outras pessoas, por exemplo, por você mesmo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: irado		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/07/148937/#comment-898101</link>

		<dc:creator><![CDATA[irado]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jul 2023 19:42:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá João, essa série está realmente muito boa. Me fez pensar sobre como definir um autor como fascista. Não me refiro àqueles fascistas confessos e já canonizados como clássicos do fascismo, mas àqueles criptofascistas. Em seu método do entrecruzamento dos eixos institucionais, vertical/horizontal, exógeno/endógeno, conservador/radical, é possível formar uma topologia que permite enquadrar os mais diversos tipos de fascismo. Mas, estamos falando de movimentos e regimes. Ao falarmos de Ecológicos e Identitários, por mais que eu concorde com o caráter fascista de suas bases, programa político, etc., existem diferenças em seu interior. Digo, diferenças quanto ao tipo e à forma de aproximação com os diversos fascismos. Vejo que ao abordar os fascismos pós-fascistas você não aborda nenhum autor em específico, mas essas vertentes em seu movimento geral. No entanto, acredito ser importante também que futuros pesquisadores sejam capazes de demonstrar como este ou aquele autor contemporâneo especificamente flerte em menor ou maior grau com o fascismo. Para isso, vejo alguns caminhos que você nos deixa indicados:

1) análises comparativas entre formulações do fascismo clássico e das teorias em questão - Neste caso, é preciso ter algumas categorias e características  que permitam tal análise (irracionalismo, misticismo, mitificação, estetização, etc.?);
2) entrecruzamentos entre temas e pautas da esquerda e da direita; entre biologia e cultura;
3) ser voltado à ação política, especificamente com a estratégia de ascensão social de novas elites (revolta dentro da ordem);
4) ligação com diversas formas de nacionalismo e suas variações identitárias;
5) Posições políticas e atuação concreta do autor, etc.

Enfim, elenquei aqui apenas alguns aspectos, mas há muitos outros. Se o seu objeto não fossem os movimentos mais gerais, mas a desmistificação de autores específicos, como você procederia? Até porque é muito comum nesses debates mais gerais começarem a querer salvar este ou aquele autor, e a criticarem a &quot;generalização excessiva&quot; das conclusões alcançadas. Existe uma grande lista de autores e correntes contemporâneas do pensamento social e filosófico contemporâneo, mas também das ciências naturais, popularizados na academia e nos movimentos sociais que estão carregados de fascismo. Isso dá um programa de pesquisa imenso, na realidade, muitos programas de pesquisa imensos, mas me parece uma tarefa intelectual e política fundamental a ser realizada. Se tiver algo a ponderar sobre isso, eu agradeço.

Saudações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá João, essa série está realmente muito boa. Me fez pensar sobre como definir um autor como fascista. Não me refiro àqueles fascistas confessos e já canonizados como clássicos do fascismo, mas àqueles criptofascistas. Em seu método do entrecruzamento dos eixos institucionais, vertical/horizontal, exógeno/endógeno, conservador/radical, é possível formar uma topologia que permite enquadrar os mais diversos tipos de fascismo. Mas, estamos falando de movimentos e regimes. Ao falarmos de Ecológicos e Identitários, por mais que eu concorde com o caráter fascista de suas bases, programa político, etc., existem diferenças em seu interior. Digo, diferenças quanto ao tipo e à forma de aproximação com os diversos fascismos. Vejo que ao abordar os fascismos pós-fascistas você não aborda nenhum autor em específico, mas essas vertentes em seu movimento geral. No entanto, acredito ser importante também que futuros pesquisadores sejam capazes de demonstrar como este ou aquele autor contemporâneo especificamente flerte em menor ou maior grau com o fascismo. Para isso, vejo alguns caminhos que você nos deixa indicados:</p>
<p>1) análises comparativas entre formulações do fascismo clássico e das teorias em questão &#8211; Neste caso, é preciso ter algumas categorias e características  que permitam tal análise (irracionalismo, misticismo, mitificação, estetização, etc.?);<br />
2) entrecruzamentos entre temas e pautas da esquerda e da direita; entre biologia e cultura;<br />
3) ser voltado à ação política, especificamente com a estratégia de ascensão social de novas elites (revolta dentro da ordem);<br />
4) ligação com diversas formas de nacionalismo e suas variações identitárias;<br />
5) Posições políticas e atuação concreta do autor, etc.</p>
<p>Enfim, elenquei aqui apenas alguns aspectos, mas há muitos outros. Se o seu objeto não fossem os movimentos mais gerais, mas a desmistificação de autores específicos, como você procederia? Até porque é muito comum nesses debates mais gerais começarem a querer salvar este ou aquele autor, e a criticarem a &#8220;generalização excessiva&#8221; das conclusões alcançadas. Existe uma grande lista de autores e correntes contemporâneas do pensamento social e filosófico contemporâneo, mas também das ciências naturais, popularizados na academia e nos movimentos sociais que estão carregados de fascismo. Isso dá um programa de pesquisa imenso, na realidade, muitos programas de pesquisa imensos, mas me parece uma tarefa intelectual e política fundamental a ser realizada. Se tiver algo a ponderar sobre isso, eu agradeço.</p>
<p>Saudações.</p>
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