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	Comentários sobre: Teses a favor das putas (*)	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Putz!		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Putz!]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 04:31:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A puta, a vagabunda, a piriguete, cada uma delas, uma mulher. Talvez tudo se resuma à máxima dita por outra mulher: &quot;nem quem ganhou vai ganhar, nem quem perdeu vai perder. Vai todo mundo perder&quot;. O que me leva a pensar que a mulher, mesmo ganhando, perdeu. Basta lembrar as ofensas dirigidas aos oponentes: &quot;Filho da puta!&quot; &quot;Filho da mãe!&quot; &quot;Puta que o pariu!&quot;

Ambas expressões têm o mesmo valor, pois são contra a mulher.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A puta, a vagabunda, a piriguete, cada uma delas, uma mulher. Talvez tudo se resuma à máxima dita por outra mulher: &#8220;nem quem ganhou vai ganhar, nem quem perdeu vai perder. Vai todo mundo perder&#8221;. O que me leva a pensar que a mulher, mesmo ganhando, perdeu. Basta lembrar as ofensas dirigidas aos oponentes: &#8220;Filho da puta!&#8221; &#8220;Filho da mãe!&#8221; &#8220;Puta que o pariu!&#8221;</p>
<p>Ambas expressões têm o mesmo valor, pois são contra a mulher.</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: Putus		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/02/151860/#comment-929837</link>

		<dc:creator><![CDATA[Putus]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 17:18:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O socialismo é o capitalismo sem os seus defeitos, disse Engels. Mas o materialismo dialético dessa perspectiva parece ter morrido em grande parte da esquerda, que preferiu a relação com a metafísica dos efeitos à historicidade das causas. Às definições últimas da metafísica de dois mundos do platonismo Nietzsche respondeu escrevendo que &quot;só é definível aquilo que não tem história&quot;. Mas o inequívoco, unívoco e uníssono inferno identitário parece ser das coisas mais bem definidas, puras e distintas de tudo, da extrema-direita à extrema-esquerda. O desprezo pelo caráter social das formas identitárias conduz o reconhecimento das coisas sob uma literalidade possível apenas expurgada de sua condição transitória e ambígua. Triste. 

A ironia é uma figura de linguagem simultaneamente dependente de duas coisas: da literalidade e do contexto; sem este último sobra o nível literal do enunciado. Portanto é relativa, não pertence às coisas, mas ao discurso. Joga com o sentido dado para ridicularizá-lo, &quot;estranhá-lo&quot;. Se o contexto entre emissor e receptor é de esquerda, o efeito irônico sobre uma literalidade propositalmente machista e misógina é hegemônico; se é de direita, a interpretação literal se impõe. Portanto, tivesse a intenção sido literal, o tiro teria saído pela culatra na medida em que submeteu-se a uma publicação de esquerda. Querer encontrar no texto valores objetivos e expressos do ideário redpill é tentativa estéril e arriscada de adivinhação das intenções do autor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O socialismo é o capitalismo sem os seus defeitos, disse Engels. Mas o materialismo dialético dessa perspectiva parece ter morrido em grande parte da esquerda, que preferiu a relação com a metafísica dos efeitos à historicidade das causas. Às definições últimas da metafísica de dois mundos do platonismo Nietzsche respondeu escrevendo que &#8220;só é definível aquilo que não tem história&#8221;. Mas o inequívoco, unívoco e uníssono inferno identitário parece ser das coisas mais bem definidas, puras e distintas de tudo, da extrema-direita à extrema-esquerda. O desprezo pelo caráter social das formas identitárias conduz o reconhecimento das coisas sob uma literalidade possível apenas expurgada de sua condição transitória e ambígua. Triste. </p>
<p>A ironia é uma figura de linguagem simultaneamente dependente de duas coisas: da literalidade e do contexto; sem este último sobra o nível literal do enunciado. Portanto é relativa, não pertence às coisas, mas ao discurso. Joga com o sentido dado para ridicularizá-lo, &#8220;estranhá-lo&#8221;. Se o contexto entre emissor e receptor é de esquerda, o efeito irônico sobre uma literalidade propositalmente machista e misógina é hegemônico; se é de direita, a interpretação literal se impõe. Portanto, tivesse a intenção sido literal, o tiro teria saído pela culatra na medida em que submeteu-se a uma publicação de esquerda. Querer encontrar no texto valores objetivos e expressos do ideário redpill é tentativa estéril e arriscada de adivinhação das intenções do autor.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: F.D.P.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/02/151860/#comment-929497</link>

		<dc:creator><![CDATA[F.D.P.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Mar 2024 04:34:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João Bernardo, atualmente, para mim, está muito difícil ter esperança. Na verdade nos últimos 20 anos a coisa piorou demais. Eu tinha muito mais esperança durante os anos 90 vendo as greves na educação, nos bancos, e sobretudo as ações do MST. 
Você brilhantemente sabe que o Orwell, no 1984, escreveu que a razão para a esperança dentro daquela sociedade concentracionária residia no silêncio do proletariado daquela mesma sociedade. No entanto, nestes tempos, onde praticamente ninguém arrisca dizer do quê é feito o silêncio do proletariado - nem se ele fica em silêncio; ao dormir, quem sabe, e então talvez nos valesse de alguma coisa saber da natureza dos sonhos - está bastante difícil, me parece, saber se ainda há alguma razão para ter esperança. Porém, hoje em dia, toda vez que num site, ou aplicativo, de encontros eu vejo uma mulher se descrevendo como pessoa normal eu volto a ter alguma esperança, mesmo que breve e pequena, ali eu encontro, com grande alegria, alguma razão para ter esperança.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João Bernardo, atualmente, para mim, está muito difícil ter esperança. Na verdade nos últimos 20 anos a coisa piorou demais. Eu tinha muito mais esperança durante os anos 90 vendo as greves na educação, nos bancos, e sobretudo as ações do MST.<br />
Você brilhantemente sabe que o Orwell, no 1984, escreveu que a razão para a esperança dentro daquela sociedade concentracionária residia no silêncio do proletariado daquela mesma sociedade. No entanto, nestes tempos, onde praticamente ninguém arrisca dizer do quê é feito o silêncio do proletariado &#8211; nem se ele fica em silêncio; ao dormir, quem sabe, e então talvez nos valesse de alguma coisa saber da natureza dos sonhos &#8211; está bastante difícil, me parece, saber se ainda há alguma razão para ter esperança. Porém, hoje em dia, toda vez que num site, ou aplicativo, de encontros eu vejo uma mulher se descrevendo como pessoa normal eu volto a ter alguma esperança, mesmo que breve e pequena, ali eu encontro, com grande alegria, alguma razão para ter esperança.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/02/151860/#comment-929447</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 17:37:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Francisco Gonzaga,

Quem disse que os SS eram incapazes de ironia foi Joseph Billig em &lt;em&gt;L’Hitlérisme et le Système Concentrationnaire&lt;/em&gt;, Paris: Presses Universitaires de France, 2000, pág. 232. Eu cito-o no &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; (São Paulo: Hedra, 2022) vol. I, pág. 361. Billig foi um historiador muito interessante, deliberadamente esquecido porque procede a várias observações e destaca certos factos que não se encaixam nos lugares-comuns da historiografia usual do fascismo. Nomeadamente, embora ele fosse judeu, o que escreveu acerca dos campos de concentração e de extermínio no Terceiro Reich raramente é citado e usado. Léon Degrelle, chefe do fascismo belga, ou melhor, valão, e que chegou aos mais altos postos nas Waffen-SS, pode parecer uma excepção, mas é um enorme humor que se encontra nos seus livros, e a ironia é algo muito diferente. O humor provoca o riso e a ironia provoca o sorriso, um é exterior e a outra é interior. Escrevi ontem num comentário às &lt;em&gt;Teses a favor das putas&lt;/em&gt;: «Por que é que o esquerdista detesta a ironia? A ironia é a terra que treme, o tapete que se puxa debaixo dos pés, a dúvida que se instala». Se você substituir &lt;em&gt;esquerdista&lt;/em&gt; por &lt;em&gt;fascista&lt;/em&gt; tem a resposta à sua pergunta. É impossível considerar-se detentor da solução obrigatória dos problemas da humanidade, qualquer que seja essa solução, e ao mesmo tempo manusear a dúvida. Fanatismo e ironia são inconciliáveis.

Aliás, o que se pode dizer dos identitários, creio que sem excepção, é que são desprovidos não só de ironia, mas mesmo de qualquer humor. E isto apesar de provocarem uma enorme vontade de rir a quem os vê de fora. Moralistas e puritanos, eles são os Tartufos da nossa época e, tal como os padres de outros séculos, usam e abusam da excomunhão, a que chamam cancelamento.

O que sinceramente me espanta é que tanta gente se preocupe em não ser cancelada. Antes de mais, os identitários ocupam uma percentagem ínfima da sociedade e a sua presença só é hegemónica em alguns pequenos meios, como nos estudos sociais e no jornalismo. Mas veja. Eu nasci e iniciei a minha actividade política num país fascista, em que os cancelamentos não eram essas coisas ridículas nas redes sociais. O cancelamento era a censura obrigatória que impedia toda e qualquer expressão pública de insatisfação social e política. Quando nos queríamos exprimir, recorríamos a copiógrafos ou, mais raramente, imprensas manuais, o que exigia a difícil montagem de uma infra-estrutura clandestina. E a distribuição dos panfletos assim impressos era igualmente clandestina. Tudo isto implicava enormes riscos, podíamos ser presos — e, mais tarde ou mais cedo, eram raros os que não acabavam por ser presos, porque os espiões e informadores da polícia política estavam presentes por todos o lado. Ora, as prisões eram um cancelamento ainda mais drástico e implicavam vários incómodos suplementares. Se se tratasse de estudantes, podiam ser expulsos, e muitos de nós sofreram expulsões, por vezes afastados vários anos de todas as universidades. Tantas vidas canceladas! Perante isto, o que são os cancelamentos proclamados nas redes sociais por meninos e meninas cuja coragem não ultrapassa a internet?

Por isso eu recomendo às pessoas normais — e é deliberadamente que uso esta palavra ostracizada — recomendo às pessoas normais que se cancelem a elas mesmas. Terminei o último ensaio que publiquei no Passa Palavra, &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2023/08/148945/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;O deserto e os monstros&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, dizendo que «viver de costas voltadas para os meios ecológicos e identitários, ou à margem desses meios, sem nunca colaborar com eles, não é apenas uma condição de sanidade intelectual. É ainda uma exigência de acuidade política».]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Francisco Gonzaga,</p>
<p>Quem disse que os SS eram incapazes de ironia foi Joseph Billig em <em>L’Hitlérisme et le Système Concentrationnaire</em>, Paris: Presses Universitaires de France, 2000, pág. 232. Eu cito-o no <em>Labirintos do Fascismo</em> (São Paulo: Hedra, 2022) vol. I, pág. 361. Billig foi um historiador muito interessante, deliberadamente esquecido porque procede a várias observações e destaca certos factos que não se encaixam nos lugares-comuns da historiografia usual do fascismo. Nomeadamente, embora ele fosse judeu, o que escreveu acerca dos campos de concentração e de extermínio no Terceiro Reich raramente é citado e usado. Léon Degrelle, chefe do fascismo belga, ou melhor, valão, e que chegou aos mais altos postos nas Waffen-SS, pode parecer uma excepção, mas é um enorme humor que se encontra nos seus livros, e a ironia é algo muito diferente. O humor provoca o riso e a ironia provoca o sorriso, um é exterior e a outra é interior. Escrevi ontem num comentário às <em>Teses a favor das putas</em>: «Por que é que o esquerdista detesta a ironia? A ironia é a terra que treme, o tapete que se puxa debaixo dos pés, a dúvida que se instala». Se você substituir <em>esquerdista</em> por <em>fascista</em> tem a resposta à sua pergunta. É impossível considerar-se detentor da solução obrigatória dos problemas da humanidade, qualquer que seja essa solução, e ao mesmo tempo manusear a dúvida. Fanatismo e ironia são inconciliáveis.</p>
<p>Aliás, o que se pode dizer dos identitários, creio que sem excepção, é que são desprovidos não só de ironia, mas mesmo de qualquer humor. E isto apesar de provocarem uma enorme vontade de rir a quem os vê de fora. Moralistas e puritanos, eles são os Tartufos da nossa época e, tal como os padres de outros séculos, usam e abusam da excomunhão, a que chamam cancelamento.</p>
<p>O que sinceramente me espanta é que tanta gente se preocupe em não ser cancelada. Antes de mais, os identitários ocupam uma percentagem ínfima da sociedade e a sua presença só é hegemónica em alguns pequenos meios, como nos estudos sociais e no jornalismo. Mas veja. Eu nasci e iniciei a minha actividade política num país fascista, em que os cancelamentos não eram essas coisas ridículas nas redes sociais. O cancelamento era a censura obrigatória que impedia toda e qualquer expressão pública de insatisfação social e política. Quando nos queríamos exprimir, recorríamos a copiógrafos ou, mais raramente, imprensas manuais, o que exigia a difícil montagem de uma infra-estrutura clandestina. E a distribuição dos panfletos assim impressos era igualmente clandestina. Tudo isto implicava enormes riscos, podíamos ser presos — e, mais tarde ou mais cedo, eram raros os que não acabavam por ser presos, porque os espiões e informadores da polícia política estavam presentes por todos o lado. Ora, as prisões eram um cancelamento ainda mais drástico e implicavam vários incómodos suplementares. Se se tratasse de estudantes, podiam ser expulsos, e muitos de nós sofreram expulsões, por vezes afastados vários anos de todas as universidades. Tantas vidas canceladas! Perante isto, o que são os cancelamentos proclamados nas redes sociais por meninos e meninas cuja coragem não ultrapassa a internet?</p>
<p>Por isso eu recomendo às pessoas normais — e é deliberadamente que uso esta palavra ostracizada — recomendo às pessoas normais que se cancelem a elas mesmas. Terminei o último ensaio que publiquei no Passa Palavra, <em><a href="https://passapalavra.info/2023/08/148945/" rel="ugc">O deserto e os monstros</a></em>, dizendo que «viver de costas voltadas para os meios ecológicos e identitários, ou à margem desses meios, sem nunca colaborar com eles, não é apenas uma condição de sanidade intelectual. É ainda uma exigência de acuidade política».</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Francisco Gonzaga		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/02/151860/#comment-929354</link>

		<dc:creator><![CDATA[Francisco Gonzaga]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 04:26:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[As ideias que afirmam haver uma certa convergência entre os críticos do identitarismo na extrema-esquerda e os movimentos de direita são típicas da esquerda do capital (ou dos social-democratas, petistas inclusos). Vi conhecidos desse espectro político acharem estranho o texto em que João Bernardo fala sobre pessoas trans (https://passapalavra.info/2022/10/145742/). Acreditaram que ali se reproduzia um argumento das feministas radicais. Quanta bobagem e quanta miséria de reflexão!

Porque, embora encham a boca para falar de binarismo, esquecem-se de que seu pensamento trabalha de forma binária e, por isso, de forma bastante restrita. O velho maniqueísmo das redes sociais. Portanto, há apenas o lado dessa esquerda do capital ou o dos &quot;redpills&quot;. Ao fazer essas acusações a quem criticou o identitarismo e a cultura do cancelamento, estão trabalhando dessa forma. Essa esquerda do capital também insiste em falar de uma tal &quot;teoria da ferradura&quot;. Grosso modo, alega que a esquerda vai tão à esquerda que acaba indo para o espectro da direita. Não estamos falando aqui do PCO, do bolsonarismo de esquerda, não. Estamos falando de militantes da extrema-esquerda que são chamados de conservadores e acusados de &quot;direitismo&quot;, principalmente pela sua crítica ao identitarismo e ao feminismo atuais, que são aclassistas. E quem faz essas acusações?

É elucidativo que se incomodem com um poema desses e tentem interpretá-lo de maneira demasiado rigorosa - algo que o poema em si não é.

Outra coisa: o mais importante - a crítica a essa esquerda puritana e moralista que se voltou contra um gênio da literatura - parece ter sido colocado em segundo plano por esses comentaristas rigorosos. Falam de um &quot;suposto&quot; cancelamento. Bom, se vocês acham que se trata de um &quot;suposto&quot; cancelamento de Kafka, então vocês estão mal-informados. E, não, não se trata de meia-dúzia de pessoas a cancelarem-no. Acima também citei os exemplos de Bukowski e de Vinicius de Moraes, e hoje se torna muito difícil contabilizar o quanto já foram cancelados nas redes sociais e quantos mais ainda serão.

E, apenas para acrescentar, o verso &quot;puta não sente frio&quot; foi por mim interpretado de outra maneira. Não de uma forma &quot;desumanizada&quot; como se colocou. (E ainda teve comentarista falando em humanismo! Recomendo a leitura de &quot;Sobre a Questão Judaica&quot;, para ver se serve de antídoto para essas concepções humanistas burguesas).

Vejam bem: há famosas ruas nas cidades - todos o sabem. Bom, sugiro, para aprimorar a ideia de certos comentaristas sobre o assunto que, em dias mais frios, passem nessas ruas de madrugada. Mesmo no frio, possivelmente verão as prostitutas com algum casaco mas com as pernas à mostra. Pois é, foi assim que vi esse verso. &quot;Puta não sente frio&quot;, como outros apontaram, é uma ironia antes de qualquer outra coisa. Pois a obviedade de que puta sente frio não devia nem ser posta em discussão.

Aproveito para pedir algo a João Bernardo. Você poderia falar um pouco mais de como certos setores do nazi-fascismo não aceitavam e não sabiam interpretar a ironia? Li, há um tempo, um Flagrante Delito sobre Charlie Hebdo em que você comentava sobre esse assunto. Uma pena que nunca mais o achei. Mas, bom, se puder tratar disso, Bernardo, ficaria agradecido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As ideias que afirmam haver uma certa convergência entre os críticos do identitarismo na extrema-esquerda e os movimentos de direita são típicas da esquerda do capital (ou dos social-democratas, petistas inclusos). Vi conhecidos desse espectro político acharem estranho o texto em que João Bernardo fala sobre pessoas trans (<a href="https://passapalavra.info/2022/10/145742/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2022/10/145742/</a>). Acreditaram que ali se reproduzia um argumento das feministas radicais. Quanta bobagem e quanta miséria de reflexão!</p>
<p>Porque, embora encham a boca para falar de binarismo, esquecem-se de que seu pensamento trabalha de forma binária e, por isso, de forma bastante restrita. O velho maniqueísmo das redes sociais. Portanto, há apenas o lado dessa esquerda do capital ou o dos &#8220;redpills&#8221;. Ao fazer essas acusações a quem criticou o identitarismo e a cultura do cancelamento, estão trabalhando dessa forma. Essa esquerda do capital também insiste em falar de uma tal &#8220;teoria da ferradura&#8221;. Grosso modo, alega que a esquerda vai tão à esquerda que acaba indo para o espectro da direita. Não estamos falando aqui do PCO, do bolsonarismo de esquerda, não. Estamos falando de militantes da extrema-esquerda que são chamados de conservadores e acusados de &#8220;direitismo&#8221;, principalmente pela sua crítica ao identitarismo e ao feminismo atuais, que são aclassistas. E quem faz essas acusações?</p>
<p>É elucidativo que se incomodem com um poema desses e tentem interpretá-lo de maneira demasiado rigorosa &#8211; algo que o poema em si não é.</p>
<p>Outra coisa: o mais importante &#8211; a crítica a essa esquerda puritana e moralista que se voltou contra um gênio da literatura &#8211; parece ter sido colocado em segundo plano por esses comentaristas rigorosos. Falam de um &#8220;suposto&#8221; cancelamento. Bom, se vocês acham que se trata de um &#8220;suposto&#8221; cancelamento de Kafka, então vocês estão mal-informados. E, não, não se trata de meia-dúzia de pessoas a cancelarem-no. Acima também citei os exemplos de Bukowski e de Vinicius de Moraes, e hoje se torna muito difícil contabilizar o quanto já foram cancelados nas redes sociais e quantos mais ainda serão.</p>
<p>E, apenas para acrescentar, o verso &#8220;puta não sente frio&#8221; foi por mim interpretado de outra maneira. Não de uma forma &#8220;desumanizada&#8221; como se colocou. (E ainda teve comentarista falando em humanismo! Recomendo a leitura de &#8220;Sobre a Questão Judaica&#8221;, para ver se serve de antídoto para essas concepções humanistas burguesas).</p>
<p>Vejam bem: há famosas ruas nas cidades &#8211; todos o sabem. Bom, sugiro, para aprimorar a ideia de certos comentaristas sobre o assunto que, em dias mais frios, passem nessas ruas de madrugada. Mesmo no frio, possivelmente verão as prostitutas com algum casaco mas com as pernas à mostra. Pois é, foi assim que vi esse verso. &#8220;Puta não sente frio&#8221;, como outros apontaram, é uma ironia antes de qualquer outra coisa. Pois a obviedade de que puta sente frio não devia nem ser posta em discussão.</p>
<p>Aproveito para pedir algo a João Bernardo. Você poderia falar um pouco mais de como certos setores do nazi-fascismo não aceitavam e não sabiam interpretar a ironia? Li, há um tempo, um Flagrante Delito sobre Charlie Hebdo em que você comentava sobre esse assunto. Uma pena que nunca mais o achei. Mas, bom, se puder tratar disso, Bernardo, ficaria agradecido.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: F.D.P.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/02/151860/#comment-929335</link>

		<dc:creator><![CDATA[F.D.P.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 02:07:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Lucas, eu imagino que você mesmo já pensou bastante &quot;sobre a condição das masculinidades&quot; dos clientes das putas, não?
Eu imagino também, deixando de lado o caso das mulheres que são clientes de putas e putos, que um homem tem que ter muitos anos de zona para ter realmente o que falar sobre o cliente de puta, falar com propriedade, com conhecimento de causa, e não ficar apenas levantando sentenças moralistas, especulando isso e aquilo, apresesentando novas-velhas verdades e ideais puritanos. Não me parece ser uma tarefa nada fácil, muito pelo contrário. Bom, eu posso estar enganado. Por outro lado, sobre isso, as putas, sim, tenho certeza absoluta, sabem muito bem do que falam.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lucas, eu imagino que você mesmo já pensou bastante &#8220;sobre a condição das masculinidades&#8221; dos clientes das putas, não?<br />
Eu imagino também, deixando de lado o caso das mulheres que são clientes de putas e putos, que um homem tem que ter muitos anos de zona para ter realmente o que falar sobre o cliente de puta, falar com propriedade, com conhecimento de causa, e não ficar apenas levantando sentenças moralistas, especulando isso e aquilo, apresesentando novas-velhas verdades e ideais puritanos. Não me parece ser uma tarefa nada fácil, muito pelo contrário. Bom, eu posso estar enganado. Por outro lado, sobre isso, as putas, sim, tenho certeza absoluta, sabem muito bem do que falam.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dante Gabrieli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/02/151860/#comment-929334</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dante Gabrieli]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 02:06:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Falam sobre consumo. Alguma vez perscrutaram a insigne Introdução à Contribuição à Crítica da Economia Política do Marx? Se já a leram, insto-os a percorrê-la novamente, para que observem que inúmeros desacertos emergem da crença de que o consumo seja o momento preponderante, quando, de facto, é a produção. E, se ainda não a leram, leiam-na para que evitem despejar disparates.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Falam sobre consumo. Alguma vez perscrutaram a insigne Introdução à Contribuição à Crítica da Economia Política do Marx? Se já a leram, insto-os a percorrê-la novamente, para que observem que inúmeros desacertos emergem da crença de que o consumo seja o momento preponderante, quando, de facto, é a produção. E, se ainda não a leram, leiam-na para que evitem despejar disparates.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/02/151860/#comment-929313</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Mar 2024 21:54:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[o verdadeiramente irônico é que a cancelação versava sobre o frequentador, não sobre as putas. Não teremos nada o que pensar sobre a condição das masculinidades que compram seus serviços?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>o verdadeiramente irônico é que a cancelação versava sobre o frequentador, não sobre as putas. Não teremos nada o que pensar sobre a condição das masculinidades que compram seus serviços?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/02/151860/#comment-929312</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Mar 2024 21:54:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=151860#comment-929312</guid>

					<description><![CDATA[Dizem que há coisas com que não se brinca. Pois eu sempre achei, e desde muitíssimo novo, que são precisamente essas as coisas com que se deve brincar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que há coisas com que não se brinca. Pois eu sempre achei, e desde muitíssimo novo, que são precisamente essas as coisas com que se deve brincar.</p>
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		Por: ulisses		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Mar 2024 20:05:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[CONTRADITÓRIOS SEMÂNTICOS &#038; EXISTENCIAIS
Existe ironia e alazonia (arrogância), como atos de fala (e não só).
No beAMONGtween de ambas, cabem: desfaçatez, sarcasmo, sutileza, ambiguidade e um desmesurado etc.
FDP -posto que autointitulado- poderia ser acusado de tudo, menos de irônico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>CONTRADITÓRIOS SEMÂNTICOS &amp; EXISTENCIAIS<br />
Existe ironia e alazonia (arrogância), como atos de fala (e não só).<br />
No beAMONGtween de ambas, cabem: desfaçatez, sarcasmo, sutileza, ambiguidade e um desmesurado etc.<br />
FDP -posto que autointitulado- poderia ser acusado de tudo, menos de irônico.</p>
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