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	Comentários sobre: Sobre o dinheiro. 4	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Manolo		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Apr 2024 16:05:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Deixo um comentário adicional sobre o imposto de palhota, porque específico de Moçambique. Ele pode ser comparado, como reforço à hipótese desta parte do ensaio, ao &lt;i&gt;impôt moralisateur&lt;/i&gt; imposto pelo marechal francês Joseph Gallieni quando à frente da administração colonial francesa de Madagascar como governador-geral (1896-1905). 

Há registros (cf. David Graeber, &lt;i&gt;Dívida: os primeiros 5.000 anos&lt;/i&gt;. São Paulo: Três Estrelas, 2016, pp. 69-70) de que os malgaxes de então trabalhavam em troca de dinheiro francês para pagar o imposto, pagavam-no e evitavam usar o dinheiro francês excedente para comprar artigos nas lojas locais. Era uma forma provisória de resistência malgaxe à colonização nas primeiras décadas, por entenderem a armadilha que se lhes colocava; em vez de usarem o dinheiro francês excedente para comprar qualquer coisa nas lojas locais (reforçando o sistema francês de dominação), entregavam-no integralmente aos mais velhos das aldeias, que o trocavam por gado de outras aldeias, para enfim destinar este gado a sacrifício. Em suma: pagavam o imposto e retardavam o retorno do dinheiro francês a circuitos mais ampliados da economia; ao manter a circulação de dinheiro francês estritamente entre malgaxes, e ao destiná-lo estritamente à compra de gado para sacrifício, bloqueavam a circulação do dinheiro excedente, retardando em décadas a formação de um mercado local baseado em dinheiro francês. 

O mecanismo de imposição de novas formas de dinheiro (e de exploração) por meio de tributação era sistemático nos processos de imposição das administrações coloniais na África que terminaram sistematizados e regulados pela Conferência de Berlim (1884-1885). Também eram sistemáticas certas formas de resistência que, entendendo como armadilhas tanto a imposição de certos tributos quanto a exclusividade de seu pagamento com dinheiro dos colonizadores, terminavam tendo como consequência a desvalorização do dinheiro do colonizador, ou a restrição de sua circulação a âmbitos muito pequenos (para evitar transformá-lo em medida geral de valor). Valia tudo: destruição de dinheiro, ritualização, ocultamento, etc. No fim das contas, em casos mais extremos, terminava sendo a força o único meio de impor a circulação do dinheiro do colonizador.

Tudo isso reforça o que se afirma no artigo porque são fatos muito conhecidos na antropologia econômica e na história da colonização da África.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deixo um comentário adicional sobre o imposto de palhota, porque específico de Moçambique. Ele pode ser comparado, como reforço à hipótese desta parte do ensaio, ao <i>impôt moralisateur</i> imposto pelo marechal francês Joseph Gallieni quando à frente da administração colonial francesa de Madagascar como governador-geral (1896-1905). </p>
<p>Há registros (cf. David Graeber, <i>Dívida: os primeiros 5.000 anos</i>. São Paulo: Três Estrelas, 2016, pp. 69-70) de que os malgaxes de então trabalhavam em troca de dinheiro francês para pagar o imposto, pagavam-no e evitavam usar o dinheiro francês excedente para comprar artigos nas lojas locais. Era uma forma provisória de resistência malgaxe à colonização nas primeiras décadas, por entenderem a armadilha que se lhes colocava; em vez de usarem o dinheiro francês excedente para comprar qualquer coisa nas lojas locais (reforçando o sistema francês de dominação), entregavam-no integralmente aos mais velhos das aldeias, que o trocavam por gado de outras aldeias, para enfim destinar este gado a sacrifício. Em suma: pagavam o imposto e retardavam o retorno do dinheiro francês a circuitos mais ampliados da economia; ao manter a circulação de dinheiro francês estritamente entre malgaxes, e ao destiná-lo estritamente à compra de gado para sacrifício, bloqueavam a circulação do dinheiro excedente, retardando em décadas a formação de um mercado local baseado em dinheiro francês. </p>
<p>O mecanismo de imposição de novas formas de dinheiro (e de exploração) por meio de tributação era sistemático nos processos de imposição das administrações coloniais na África que terminaram sistematizados e regulados pela Conferência de Berlim (1884-1885). Também eram sistemáticas certas formas de resistência que, entendendo como armadilhas tanto a imposição de certos tributos quanto a exclusividade de seu pagamento com dinheiro dos colonizadores, terminavam tendo como consequência a desvalorização do dinheiro do colonizador, ou a restrição de sua circulação a âmbitos muito pequenos (para evitar transformá-lo em medida geral de valor). Valia tudo: destruição de dinheiro, ritualização, ocultamento, etc. No fim das contas, em casos mais extremos, terminava sendo a força o único meio de impor a circulação do dinheiro do colonizador.</p>
<p>Tudo isso reforça o que se afirma no artigo porque são fatos muito conhecidos na antropologia econômica e na história da colonização da África.</p>
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