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	Comentários sobre: Rap e Funk Ostentação: Falência e Espetáculo	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Leo V		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jul 2024 18:56:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Cabe chamar isso de &quot;arte burguesa&quot;? Me parece que se trata de &quot;arte à serviço da sociedade burguesa&quot;, se tanto.

Há toda uma sociologia sobre cultura popular/cultura de massa, massificação, que ajuda a entender esse tipo de fenômeno de recuperação de cultura popular (que nesse caso desde o início teve influência da indústria cultura, uma vez que mesmo o rap brasileiro anticapitalista não surge separado da indústria cultural.

Mas o que eu gostaria de destacar mesmo sobre o tema é que, infelizmente, hoje em dia quando se analisa o consumo, se esquece do autor que, para mim, de longe melhor tratou o assunto sociologicamente. Vou mencionar um artigo clássico desse autor, de 1969, e que está publicado em português no livro Para Uma Crítica da Economia Política do Signo (pode ser baixado aqui: http://library.lol/main/CE9E4F5936C8AB72CAA1513AC89D89B1). É o artigo Função-Signo e Lógica de Classe, de Jean Baudrillard. É estranho que esse artigo costume ser lido em cursos de design mas não nos de sociologia.

Como diz o título da última seção desse artigo, funk e rap ostentação é pregação da nova moral para escravos. As duas primeiras frases da última seção do referido artigo são:
&quot;Toda uma nova concepção de estratégia de classe se organiza à volta da posse de bens materiais e culturais. Simula-se que se universalizam os valores e os critérios de consumo apenas para melhor destinar as classes “irresponsáveis” (sem poder de decisão) ao consumo, e desse modo preservar para as classes dirigentes o exclusivo dos seus poderes.&quot;

O penúltimo parágrafo do artigo:
&quot;Neste sentido, é absurdo falar da “sociedade de consumo” como se o consumo fosse um sistema de valores universal, próprio de todos os homens, uma vez que fundado na satisfação das necessidades individuais. Na verdade, trata-se de uma instituição e de uma moral e, a este título, em qualquer sociedade passada ou futura, de um elemento de estratégia de poder.&quot;

E o último  parágrafo:
&quot;Ora, o que importa ler, o que importa saber ler na superioridade da uper class em equipamento eletrodoméstico ou em alimentação de luxo, não é justamente o seu avanço na escala dos benefícios materiais, mas o seu privilégio absoluto, que advém do fato de a sua proeminência não se fundar justamente nos signos do prestígio e da abundância, mas alhures, nas esferas reais de decisão, de gestão, de poder político e econômico, na manipulação dos signos e dos homens – remetendo os “Outros”, as lower e as middle classes, para os fantasmas da terra prometida.&quot;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cabe chamar isso de &#8220;arte burguesa&#8221;? Me parece que se trata de &#8220;arte à serviço da sociedade burguesa&#8221;, se tanto.</p>
<p>Há toda uma sociologia sobre cultura popular/cultura de massa, massificação, que ajuda a entender esse tipo de fenômeno de recuperação de cultura popular (que nesse caso desde o início teve influência da indústria cultura, uma vez que mesmo o rap brasileiro anticapitalista não surge separado da indústria cultural.</p>
<p>Mas o que eu gostaria de destacar mesmo sobre o tema é que, infelizmente, hoje em dia quando se analisa o consumo, se esquece do autor que, para mim, de longe melhor tratou o assunto sociologicamente. Vou mencionar um artigo clássico desse autor, de 1969, e que está publicado em português no livro Para Uma Crítica da Economia Política do Signo (pode ser baixado aqui: <a href="http://library.lol/main/CE9E4F5936C8AB72CAA1513AC89D89B1" rel="nofollow ugc">http://library.lol/main/CE9E4F5936C8AB72CAA1513AC89D89B1</a>). É o artigo Função-Signo e Lógica de Classe, de Jean Baudrillard. É estranho que esse artigo costume ser lido em cursos de design mas não nos de sociologia.</p>
<p>Como diz o título da última seção desse artigo, funk e rap ostentação é pregação da nova moral para escravos. As duas primeiras frases da última seção do referido artigo são:<br />
&#8220;Toda uma nova concepção de estratégia de classe se organiza à volta da posse de bens materiais e culturais. Simula-se que se universalizam os valores e os critérios de consumo apenas para melhor destinar as classes “irresponsáveis” (sem poder de decisão) ao consumo, e desse modo preservar para as classes dirigentes o exclusivo dos seus poderes.&#8221;</p>
<p>O penúltimo parágrafo do artigo:<br />
&#8220;Neste sentido, é absurdo falar da “sociedade de consumo” como se o consumo fosse um sistema de valores universal, próprio de todos os homens, uma vez que fundado na satisfação das necessidades individuais. Na verdade, trata-se de uma instituição e de uma moral e, a este título, em qualquer sociedade passada ou futura, de um elemento de estratégia de poder.&#8221;</p>
<p>E o último  parágrafo:<br />
&#8220;Ora, o que importa ler, o que importa saber ler na superioridade da uper class em equipamento eletrodoméstico ou em alimentação de luxo, não é justamente o seu avanço na escala dos benefícios materiais, mas o seu privilégio absoluto, que advém do fato de a sua proeminência não se fundar justamente nos signos do prestígio e da abundância, mas alhures, nas esferas reais de decisão, de gestão, de poder político e econômico, na manipulação dos signos e dos homens – remetendo os “Outros”, as lower e as middle classes, para os fantasmas da terra prometida.&#8221;</p>
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