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	Comentários sobre: Da reforma urbana à “cidade do vai todo mundo perder”, e além	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Isadora Guerreiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/08/154539/#comment-968627</link>

		<dc:creator><![CDATA[Isadora Guerreiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2024 00:24:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Manolo,

Grata pelo texto. Acho que desfazendo os nós aos poucos vamos nos entendendo – embora “a fortiori”, como Ulisses descreveu nossas atitudes nos comentários ao meu último texto. Sem me perder muito nos labirintos perigosos que você armou, vou direto ao ponto final, no qual parece que concordamos nos novos agentes de produção da cidade. Gostaria apenas de colaborar neste esforço – que precisa ser coletivo, o que demanda respeito mútuo – matizando um pouco o “todo mundo vai perder”, e também o papel da reforma urbana hoje. 

Concordo totalmente com sua análise sobre o papel que a era das políticas públicas cumpriu em relação às cidades. Concordo tanto que não entendi a afirmação de que “a cidade da reforma urbana ficou para trás”. Acho que mais do que uma contraposição no sentido “acabou porque venceu”, a força do argumento está no fato de que esta forma atual de produção do espaço urbano depende organicamente de um tipo de intervenção estatal direcionada a responder a direitos sociais. É aí que as práticas clientelistas, extrativas e criminosas não apenas se justificam, mas onde formam seu mercado e determinam seus preços. O déficit de cidadania e a necessidade de dar resposta a ele é o motor que faz rodar a máquina extrativista – que se move internamente ao Estado, como as milícias cariocas ou mesmo o PCC em São Paulo. Para estes, não se trata de acabar com essa máquina, mas de se apropriar dela, mantê-la funcionando, mas com ganhos privados. É realmente mais difícil identificar a linha entre o virtuosismo e a barbárie, por isso entendo a angústia de teus colegas ao te questionarem, bem como a dificuldade de reorganização de forças coletivistas nesta conjuntura. Nada é tão óbvio assim.

Nesse sentido, “orwellianamente”, para te acompanhar, eu diria “todos perdem igual, mas uns perdem mais do que outros”. O mais difícil é você dizer pro cara que saiu da miséria e está ostentando sua riqueza supérflua que ele, na verdade, perdeu. Difícil tem sido se contrapor à regularização fundiária privada e miliciana, quando os moradores querem pagar por coisas que teriam direito e acham que quem não paga deve ser expulso mesmo. Difícil manter mobilizadas pessoas removidas que agora ganham casa comprada a preço de ouro no mercado privado. Quem perdeu? Enquanto não soubermos formular direito essa questão – não academicamente, mas nos territórios – vai ser difícil ter luta. Pois fica parecendo que quem perdeu foram apenas aqueles que algum dia acreditaram nas potencialidades políticas da reforma urbana. Quem a entendeu de fato, como maneira de criar mercado onde não tinha, tá ganhando – e muito. 

E, para não perder o ponto: achei muito interessante a relação de “descendência sociológica” entre escravos de ganho e a dita sevirologia. É uma visão que desloca o ponto de vista da relação capital-trabalho contida no conceito de reprodução social – ou mesmo no conceito de salário por peça – que cabe bem à trajetória escravista brasileira. Para além do achado, valeria a pena desenvolver a ideia, talvez à luz das próprias transformações históricas do extrativismo – de agrário à financeiro. E como o espaço urbano é produzido nestes termos. Enfim, temos coisas a discutir aí, Manolo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Manolo,</p>
<p>Grata pelo texto. Acho que desfazendo os nós aos poucos vamos nos entendendo – embora “a fortiori”, como Ulisses descreveu nossas atitudes nos comentários ao meu último texto. Sem me perder muito nos labirintos perigosos que você armou, vou direto ao ponto final, no qual parece que concordamos nos novos agentes de produção da cidade. Gostaria apenas de colaborar neste esforço – que precisa ser coletivo, o que demanda respeito mútuo – matizando um pouco o “todo mundo vai perder”, e também o papel da reforma urbana hoje. </p>
<p>Concordo totalmente com sua análise sobre o papel que a era das políticas públicas cumpriu em relação às cidades. Concordo tanto que não entendi a afirmação de que “a cidade da reforma urbana ficou para trás”. Acho que mais do que uma contraposição no sentido “acabou porque venceu”, a força do argumento está no fato de que esta forma atual de produção do espaço urbano depende organicamente de um tipo de intervenção estatal direcionada a responder a direitos sociais. É aí que as práticas clientelistas, extrativas e criminosas não apenas se justificam, mas onde formam seu mercado e determinam seus preços. O déficit de cidadania e a necessidade de dar resposta a ele é o motor que faz rodar a máquina extrativista – que se move internamente ao Estado, como as milícias cariocas ou mesmo o PCC em São Paulo. Para estes, não se trata de acabar com essa máquina, mas de se apropriar dela, mantê-la funcionando, mas com ganhos privados. É realmente mais difícil identificar a linha entre o virtuosismo e a barbárie, por isso entendo a angústia de teus colegas ao te questionarem, bem como a dificuldade de reorganização de forças coletivistas nesta conjuntura. Nada é tão óbvio assim.</p>
<p>Nesse sentido, “orwellianamente”, para te acompanhar, eu diria “todos perdem igual, mas uns perdem mais do que outros”. O mais difícil é você dizer pro cara que saiu da miséria e está ostentando sua riqueza supérflua que ele, na verdade, perdeu. Difícil tem sido se contrapor à regularização fundiária privada e miliciana, quando os moradores querem pagar por coisas que teriam direito e acham que quem não paga deve ser expulso mesmo. Difícil manter mobilizadas pessoas removidas que agora ganham casa comprada a preço de ouro no mercado privado. Quem perdeu? Enquanto não soubermos formular direito essa questão – não academicamente, mas nos territórios – vai ser difícil ter luta. Pois fica parecendo que quem perdeu foram apenas aqueles que algum dia acreditaram nas potencialidades políticas da reforma urbana. Quem a entendeu de fato, como maneira de criar mercado onde não tinha, tá ganhando – e muito. </p>
<p>E, para não perder o ponto: achei muito interessante a relação de “descendência sociológica” entre escravos de ganho e a dita sevirologia. É uma visão que desloca o ponto de vista da relação capital-trabalho contida no conceito de reprodução social – ou mesmo no conceito de salário por peça – que cabe bem à trajetória escravista brasileira. Para além do achado, valeria a pena desenvolver a ideia, talvez à luz das próprias transformações históricas do extrativismo – de agrário à financeiro. E como o espaço urbano é produzido nestes termos. Enfim, temos coisas a discutir aí, Manolo.</p>
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		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/08/154539/#comment-968559</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Aug 2024 12:52:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não, foi erro meu na formatação mesmo. A frase nunca, jamais adicionaria Chico de Oliveira aos que prestam atenção aos detalhes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, foi erro meu na formatação mesmo. A frase nunca, jamais adicionaria Chico de Oliveira aos que prestam atenção aos detalhes.</p>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/08/154539/#comment-968554</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Aug 2024 12:31:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O link para o artigo sobre Reclus é este: https://passapalavra.info/2014/11/101106/

(Está remetendo para um artigo do Thiago Canettieri, talvez porque a frase iria adicionar Chico de Oliveira aos que prestam atenção aos detalhes)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O link para o artigo sobre Reclus é este: <a href="https://passapalavra.info/2014/11/101106/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2014/11/101106/</a></p>
<p>(Está remetendo para um artigo do Thiago Canettieri, talvez porque a frase iria adicionar Chico de Oliveira aos que prestam atenção aos detalhes)</p>
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		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/08/154539/#comment-968481</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Aug 2024 20:03:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Manolo, por favor, não deixe de escrever sobre os pontos que dessa vez tu não teve tempo de tratar. Muito obrigado e um abração!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Manolo, por favor, não deixe de escrever sobre os pontos que dessa vez tu não teve tempo de tratar. Muito obrigado e um abração!</p>
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