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	Comentários sobre: Eleições: o chão movediço da política no chão material da cidade	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Isadora Guerreiro		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/10/155065/#comment-978655</link>

		<dc:creator><![CDATA[Isadora Guerreiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Oct 2024 21:42:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[LL,

Obrigada pela indicação, eu já tinha visto a matéria, que sofre irremediavelmente de falta de precisão por conta desse GPS político esquisito da Folha. Internamente ao LabCidade foram cartografados os votos no legislativo, certamente isso vai para os nossos dados abertos em breve. 

Liv,

Obrigada pelas questões, me ajudam a explicar melhor meu ponto de vista. 
Quando falei que o centrão age de maneira antropofágica em relação à neo-privatização do Estado, estava me referindo, primeiramente, ao movimento antropofágico na arte modernista brasileira da década de 1920. Tal movimento pretendeu criar uma arte nacional a partir da “deglutição” e “digestão” de elementos do modernismo europeu que, assim, passariam por uma repaginação brasileira. Ao usar esse termo, eu estava dizendo que o centrão faz a “digestão” dos elementos da financeirização, dando a este processo uma cara brasileira própria (considerando que ele acontece em todo o globo). Essa cara seria a renovação do clientelismo, na medida em que o mesmo é a face primitiva da privatização do Estado. 
Por neo-privatização, portanto, estou entendendo que é uma nova fase de privatização diferente daquela da década de 1990, na qual empresas públicas eram transferidas para o setor privado. Hoje, a privatização se dá pelas vias da financeirização, que mantém os bens e relações estatais e captura apenas os fluxos de rendimentos que esta ação pode trazer. O clientelismo cabe bem aí, pois mantém o vínculo estatal, mas privatiza seus rendimentos políticos. No caso das políticas urbanas, cada vez mais essa captura de rentabilidade é diretamente financeira através da securitização de processos privados de regularização fundiária, das PPPs de moradia e de serviços urbanos e de ações de impacto social (reformas de casas e regularização fundiária). Há também rentismo na monopolização da captura dos auxílios-aluguéis e da valorização de urbanização de favelas, com articulação de agentes locais também bastante relacionados ao clientelismo. 
Por fim, por “elite operária” eu me referia àqueles trabalhadores fabris de maior especialização técnica e maiores salários, que historicamente foram morar na região da Zona Leste mais próxima ao centro da cidade, mais consolidada e antiga (sua origem de ocupação é do final do século XIX com vilas operárias) do que o subúrbio e as periferias autoconstruídas ou realizadas por programas públicos durante a década de 1970, que conformam as regiões mais longínquas e precárias da ZL. Sempre houve diferença política entre estas frações da classe operária, na medida em que a elite operária se transformou em proprietária de sua moradia e com nível de consumo maior do que os demais operários, ainda que pouco comparável às elites tradicionais proprietárias dos meios de produção, ou gestores e profissionais liberais, na Zona Oeste. Esta elite operária não está tão exposta ao clientelismo pois vive em regiões consolidadas da cidade, e tem maior distanciamento da esquerda pois quer se diferenciar da classe trabalhadora (que também é) e acenar aos patrões (muito do sindicalismo pelego nasce daí). Minha tese aqui no texto é de que esta fração de classe está se autonomizando seja das elites proprietárias e intelectuais, seja da esquerda clássica, por conta da ascensão da extrema-direita popular, que lhe cai bem ao resolver sua esquizofrenia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LL,</p>
<p>Obrigada pela indicação, eu já tinha visto a matéria, que sofre irremediavelmente de falta de precisão por conta desse GPS político esquisito da Folha. Internamente ao LabCidade foram cartografados os votos no legislativo, certamente isso vai para os nossos dados abertos em breve. </p>
<p>Liv,</p>
<p>Obrigada pelas questões, me ajudam a explicar melhor meu ponto de vista.<br />
Quando falei que o centrão age de maneira antropofágica em relação à neo-privatização do Estado, estava me referindo, primeiramente, ao movimento antropofágico na arte modernista brasileira da década de 1920. Tal movimento pretendeu criar uma arte nacional a partir da “deglutição” e “digestão” de elementos do modernismo europeu que, assim, passariam por uma repaginação brasileira. Ao usar esse termo, eu estava dizendo que o centrão faz a “digestão” dos elementos da financeirização, dando a este processo uma cara brasileira própria (considerando que ele acontece em todo o globo). Essa cara seria a renovação do clientelismo, na medida em que o mesmo é a face primitiva da privatização do Estado.<br />
Por neo-privatização, portanto, estou entendendo que é uma nova fase de privatização diferente daquela da década de 1990, na qual empresas públicas eram transferidas para o setor privado. Hoje, a privatização se dá pelas vias da financeirização, que mantém os bens e relações estatais e captura apenas os fluxos de rendimentos que esta ação pode trazer. O clientelismo cabe bem aí, pois mantém o vínculo estatal, mas privatiza seus rendimentos políticos. No caso das políticas urbanas, cada vez mais essa captura de rentabilidade é diretamente financeira através da securitização de processos privados de regularização fundiária, das PPPs de moradia e de serviços urbanos e de ações de impacto social (reformas de casas e regularização fundiária). Há também rentismo na monopolização da captura dos auxílios-aluguéis e da valorização de urbanização de favelas, com articulação de agentes locais também bastante relacionados ao clientelismo.<br />
Por fim, por “elite operária” eu me referia àqueles trabalhadores fabris de maior especialização técnica e maiores salários, que historicamente foram morar na região da Zona Leste mais próxima ao centro da cidade, mais consolidada e antiga (sua origem de ocupação é do final do século XIX com vilas operárias) do que o subúrbio e as periferias autoconstruídas ou realizadas por programas públicos durante a década de 1970, que conformam as regiões mais longínquas e precárias da ZL. Sempre houve diferença política entre estas frações da classe operária, na medida em que a elite operária se transformou em proprietária de sua moradia e com nível de consumo maior do que os demais operários, ainda que pouco comparável às elites tradicionais proprietárias dos meios de produção, ou gestores e profissionais liberais, na Zona Oeste. Esta elite operária não está tão exposta ao clientelismo pois vive em regiões consolidadas da cidade, e tem maior distanciamento da esquerda pois quer se diferenciar da classe trabalhadora (que também é) e acenar aos patrões (muito do sindicalismo pelego nasce daí). Minha tese aqui no texto é de que esta fração de classe está se autonomizando seja das elites proprietárias e intelectuais, seja da esquerda clássica, por conta da ascensão da extrema-direita popular, que lhe cai bem ao resolver sua esquizofrenia.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Liv		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/10/155065/#comment-978474</link>

		<dc:creator><![CDATA[Liv]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Oct 2024 20:41:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Isadora, não entendi os seguintes conceitos: &quot;de maneira antropofágica&quot;, neo-privatização e elite operária. Poderia esclarecer?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isadora, não entendi os seguintes conceitos: &#8220;de maneira antropofágica&#8221;, neo-privatização e elite operária. Poderia esclarecer?</p>
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		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2024/10/155065/#comment-978211</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2024 14:28:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito boas as análises! 
Não sei se vocês no LabCidade chegaram a ver, mas a folha publicou também um mapeamento do voto de vereadores, com bem mais nuances do que ao de prefeitos, penso que ajudam a mapear as relações clientelísticas que você debate no texto.
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/10/votos-em-vereadores-mostram-ilhas-ideologicas-em-bairros-de-sao-paulo.shtml
O grande problema é que eles usam o GPS político deles como critério, que faz a Janaína Paschoal ser considerada mais ao centro do que a família leite.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito boas as análises!<br />
Não sei se vocês no LabCidade chegaram a ver, mas a folha publicou também um mapeamento do voto de vereadores, com bem mais nuances do que ao de prefeitos, penso que ajudam a mapear as relações clientelísticas que você debate no texto.<br />
<a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/10/votos-em-vereadores-mostram-ilhas-ideologicas-em-bairros-de-sao-paulo.shtml" rel="nofollow ugc">https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/10/votos-em-vereadores-mostram-ilhas-ideologicas-em-bairros-de-sao-paulo.shtml</a><br />
O grande problema é que eles usam o GPS político deles como critério, que faz a Janaína Paschoal ser considerada mais ao centro do que a família leite.</p>
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