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	Comentários sobre: O Nobel da Paz vai para…	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Charles júnior		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/02/155840/#comment-999263</link>

		<dc:creator><![CDATA[Charles júnior]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Feb 2025 10:43:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=155840#comment-999263</guid>

					<description><![CDATA[Bom dia Lucas, 
Observe a fala dele de hoje do Trump: https://x.com/BehizyTweets/status/1886927874533548173 ,  essas guerras com invasão e destruição de infraestrutura geram uma necessidade de reconstrução. Junto a isto a guerra não acaba, mas muda de forma, a tendência é se transformar em uma guerra de baixa intensidade, igual no Iraque.  
Sim, a tendência são os gastos militares perderem importância, mas somente se o EUA saírem do estado estacionário de sua economia. Caso não consiga podemos ver uma outra grande crise cíclica do Capital a todo vapor e com os trabalhadores sem um pingo de paciência e a burguesia sem nada pra oferecer além do chicote. Alguns economistas chamam de DOUBLE DIP, chamamos de crise catastrófica. 

Obrigado pela pergunta, estamos a disposição

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

Bom dia Pablo, 
vamos em partes, mas já pra começar, não reforçam não. Sobre a tese da crise estrutural eu debato no texto  https://passapalavra.info/2022/02/142324/ (fio dividido em 4)
Vamos a tese de Mészáros 
&quot;De fato, os picos das históricas e bem conhecidas crises periódicas do capital podem ser — em princípio — completamente substituídos por um padrão linear de movimento. Seria, contudo, um grande erro interpretar a ausência de flutuações extremas ou de tempestades de súbita irrupção como evidência de um desenvolvimento saudável e sustentado, em vez da representação de um continuum depressivo, que exibe as características de uma crise cumulativa, endêmica, mais ou menos permanente e crônica, com a perspectiva última de uma crise estrutural cada vez mais profunda e acentuada“

A tese é da década de 1970

Agora observe o gráfico do FED que pusemos acima. Minha crítica é: onde está o  continuum depressivo desde a década de 1970? ou desde qualquer década. 
Se a tese se confirmasse a quantidade de fábricas, fazendas, estradas, armazéns e tudo mais do processo de produção de valor e mais valia teria diminuído da década de 1970 pra cá. E isso é o contrário da TEORIA DO VALOR de Marx, ou seja, elas são opostas. Se uma se confirma a outra está suplantada.
No texto citado acima, faço uma reflexão sobre os EUA. Nos EUA até o nº de trabalhadores produtivos (Capital variável) aumentou em relação a população relativa e absolutas deles. Se for falar de desemprego estrutural a coisa fica pior para a tese de Mészáros. 

b) Sim, são uma resposta ao não crescimento da economia. E SIM &quot; em tempos de crise, os Estados tendem a adotar medidas que os conduzem a uma economia de guerra.&quot;  

c) guerra comercial tb são guerras-  lembremos de Clausewitz, A Guerra é a continuação da política de Estado por outros meios - E o artigo q citamos sobre a queda na participação dos EUA na economia mundial. Inclusive a GUerra comercial é uma faceta da política entre os Estados nacionais.
O que os Estados estão preocupados mesmo é proteger as indústrias e seus segredos de produção, o resto eles querem é passar no cobre. 

Obrigado pela pergunta, estamos a disposição]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom dia Lucas,<br />
Observe a fala dele de hoje do Trump: <a href="https://x.com/BehizyTweets/status/1886927874533548173" rel="nofollow ugc">https://x.com/BehizyTweets/status/1886927874533548173</a> ,  essas guerras com invasão e destruição de infraestrutura geram uma necessidade de reconstrução. Junto a isto a guerra não acaba, mas muda de forma, a tendência é se transformar em uma guerra de baixa intensidade, igual no Iraque.<br />
Sim, a tendência são os gastos militares perderem importância, mas somente se o EUA saírem do estado estacionário de sua economia. Caso não consiga podemos ver uma outra grande crise cíclica do Capital a todo vapor e com os trabalhadores sem um pingo de paciência e a burguesia sem nada pra oferecer além do chicote. Alguns economistas chamam de DOUBLE DIP, chamamos de crise catastrófica. </p>
<p>Obrigado pela pergunta, estamos a disposição</p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>Bom dia Pablo,<br />
vamos em partes, mas já pra começar, não reforçam não. Sobre a tese da crise estrutural eu debato no texto  <a href="https://passapalavra.info/2022/02/142324/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2022/02/142324/</a> (fio dividido em 4)<br />
Vamos a tese de Mészáros<br />
&#8220;De fato, os picos das históricas e bem conhecidas crises periódicas do capital podem ser — em princípio — completamente substituídos por um padrão linear de movimento. Seria, contudo, um grande erro interpretar a ausência de flutuações extremas ou de tempestades de súbita irrupção como evidência de um desenvolvimento saudável e sustentado, em vez da representação de um continuum depressivo, que exibe as características de uma crise cumulativa, endêmica, mais ou menos permanente e crônica, com a perspectiva última de uma crise estrutural cada vez mais profunda e acentuada“</p>
<p>A tese é da década de 1970</p>
<p>Agora observe o gráfico do FED que pusemos acima. Minha crítica é: onde está o  continuum depressivo desde a década de 1970? ou desde qualquer década.<br />
Se a tese se confirmasse a quantidade de fábricas, fazendas, estradas, armazéns e tudo mais do processo de produção de valor e mais valia teria diminuído da década de 1970 pra cá. E isso é o contrário da TEORIA DO VALOR de Marx, ou seja, elas são opostas. Se uma se confirma a outra está suplantada.<br />
No texto citado acima, faço uma reflexão sobre os EUA. Nos EUA até o nº de trabalhadores produtivos (Capital variável) aumentou em relação a população relativa e absolutas deles. Se for falar de desemprego estrutural a coisa fica pior para a tese de Mészáros. </p>
<p>b) Sim, são uma resposta ao não crescimento da economia. E SIM &#8221; em tempos de crise, os Estados tendem a adotar medidas que os conduzem a uma economia de guerra.&#8221;  </p>
<p>c) guerra comercial tb são guerras-  lembremos de Clausewitz, A Guerra é a continuação da política de Estado por outros meios &#8211; E o artigo q citamos sobre a queda na participação dos EUA na economia mundial. Inclusive a GUerra comercial é uma faceta da política entre os Estados nacionais.<br />
O que os Estados estão preocupados mesmo é proteger as indústrias e seus segredos de produção, o resto eles querem é passar no cobre. </p>
<p>Obrigado pela pergunta, estamos a disposição</p>
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		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/02/155840/#comment-998646</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Feb 2025 17:02:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Refletindo sobre algumas das ideias desse artigo, antecipadas numa conversa em um grupo de WhatsApp, eu vinha defendendo que as tarifas e o protecionismo de Trump podem ser vistos como ferramentas de barganha para pressionar parceiros comerciais e, ao mesmo tempo, como medidas de proteção econômica que correm o risco de desestabilizar as cadeias produtivas globais, e que essa estratégia, embora politicamente atrativa a curto prazo, tende a provocar efeitos colaterais negativos, como aumento dos custos de produção e retaliações internacionais. Os dados apresentados (e as ideias do artigo de João Bernardo publicado ontem), contudo, me fizeram reavaliar alguns pontos, pois evidenciam uma produção industrial estagnada, baixa produtividade e aumento do custo unitário da força de trabalho.
a)	Crise Estrutural e Economia Estacionária
Os dados recentes da economia dos EUA reforçam a hipótese de que a economia americana, embora apresente sinais superficiais de “bem-estar” (como pleno emprego), está na verdade em um estado de estagnação profunda. Nesse contexto, a proposta de Trump de retomar medidas protecionistas não aparece como uma mera ferramenta de barganha, mas como uma resposta a um cenário de crise estrutural, pois a lógica protecionista se integra a uma tentativa de reorientar um modelo econômico que já está fragilizado, especialmente quando os ganhos em termos de renegociação comercial podem ser ofuscados por um cenário de queda na taxa de lucro e redução dos investimentos.
b)	Cadeias Produtivas e a Transformação Setorial
As cadeias produtivas transnacionais são profundamente interligadas, e as medidas protecionistas podem “estrangular” esses fluxos, favorecendo, indiretamente, a ascensão da China e de outros parceiros comerciais que se reestruturem em blocos regionais e “papem” o que é deixado de lado pelos EUA, devido a dificuldades interpostas pelo protecionismo. Os gráficos e tabelas apresentados evidenciam uma indústria manufatureira operando próxima da capacidade máxima (e estagnada) desde 2020, enquanto a produção da indústria de defesa mostra crescimento robusto. Em um ambiente de economia estacionária, a transformação da indústria de bens de consumo em setores voltados para a produção de armamentos – ou, de forma mais ampla, de produtos estratégicos –, pode ser interpretada como uma resposta à falta de alternativas de crescimento. Assim, além de favorecer a ascensão da China por meio do reordenamento das cadeias de valor, o protecionismo norte-americano pode estar contribuindo para uma reorientação do setor produtivo rumo a áreas de alta tecnologia e defesa, reforçando o argumento de que, em tempos de crise, os Estados tendem a adotar medidas que os conduzem a uma economia de guerra.
c)	Conflitos Internos, Rivalidades Geopolíticas e a Dimensão Tecnológica
O protecionismo exacerbado pode desencadear retaliações internacionais e, em última análise, intensificar rivalidades geopolíticas, num ambiente onde a fragmentação dos mercados leva a uma nova forma de “guerra comercial” – e, potencialmente, a conflitos mais amplos. O cenário pós-crise, marcado por estagnação da produção, queda na produtividade e insatisfação dos trabalhadores (com greves recordes), é propício para tensões sociais e políticas. Rosa Luxemburg já alertara que Estados em modo estacionário podem ser levados à guerra e ao protecionismo. Aqui, o protecionismo de Trump não apenas agrava a vulnerabilidade econômica, mas também sinaliza uma disposição a “trocar vassalos”, ou seja, a reorganizar as relações de poder internas e externas em meio a uma economia em declínio estrutural. Ao destacar o deslocamento da produção de bens de consumo para a produção de armamentos, a crise econômica pode, paradoxalmente, intensificar tanto a corrida armamentista quanto a preparação para conflitos diretos – tanto internos, em termos de luta de classes, quanto geopolíticos –, reforçando a hipótese de que a economia estacionária se converte num terreno fértil para disputas de poder.
Adicionalmente, talvez caiba trazer para o debate uma reflexão sobre segurança nacional e competição tecnológica, especialmente no que tange à recente e crescente disputa no campo da inteligência artificial (IA). Acredito que as medidas protecionistas de Trump não se limitam a uma tentativa de proteger a indústria tradicional, mas também se inserem numa estratégia de segurança nacional e supremacia tecnológica. A corrida pelo domínio da IA – ilustrada, por exemplo, pelo confronto entre iniciativas como o Deepseek e o ChatGPT – revela uma dimensão estratégica em que o controle e o desenvolvimento de tecnologias avançadas são considerados essenciais para a manutenção do poder global. Nesse cenário, a política protecionista dos EUA pode ser vista como um instrumento para:
a)	Preservar o know-how tecnológico e a capacidade de inovação nacional: Ao restringir o acesso a insumos e tecnologias estrangeiras por meio de tarifas e barreiras comerciais, os EUA buscam incentivar a produção interna e evitar a dependência de potências como a China, que também investe massivamente no desenvolvimento de IA e tecnologias de defesa.
b)	Fortalecer a segurança nacional: O avanço de tecnologias emergentes, especialmente aquelas com aplicações militares e estratégicas, está diretamente ligado à capacidade de defesa do Estado. A promoção de um ambiente que favoreça o desenvolvimento doméstico dessas tecnologias é fundamental para garantir a superioridade em áreas críticas que podem determinar o equilíbrio de poder em um futuro marcado por uma “guerra entre IAs” e conflitos cibernéticos.
c)	Gerar uma nova dimensão de rivalidade: Assim como as tarifas e medidas protecionistas podem provocar retaliações comerciais e realinhamento das cadeias produtivas, a competição tecnológica cria um campo de batalha adicional. A disputa pelo domínio da IA não se restringe ao ambiente econômico, mas estende-se ao domínio geopolítico, onde cada avanço pode ser interpretado como uma conquista estratégica. Essa corrida tecnológica, em paralelo à corrida armamentista, pode intensificar ainda mais as tensões internacionais, colocando as nações em rota de colisão tanto no campo comercial quanto no militar e tecnológico.
Em suma, as tarifas, embora sejam usadas para pressionar parceiros comerciais, acarretam riscos de retaliação e disrrupção das cadeias produtivas, o que é reforçado pelo cenário de estagnação econômica da economia estadunidense. Quanto à reorganização das cadeias de valor e à ascensão da China, há uma forte possibilidade de a China se consolidar em setores vulneráveis aos efeitos protecionistas dos EUA, principalmente quando se observa a necessidade dos Estados e principalmente, das empresas, de reconfigurar seus blocos produtivos em um ambiente de crise. No que se refere à crise estrutural da economia estadunidense, o protecionismo não surge apenas como uma estratégia de barganha, mas como uma resposta a uma economia que, apesar de sinais superficiais de saúde, está estacionada e incapaz de gerar crescimento sustentável. A transição dos setores de bens de consumo para a indústria de defesa é um indicativo de que o protecionismo e a crise econômica podem estar conduzindo os EUA a um modelo de economia orientada para a guerra, o que acrescenta uma camada extra à análise das consequências das políticas de Trump. Essa dinâmica, somada à crescente competição tecnológica e à disputa pelo domínio da inteligência artificial, evidencia que os desafios atuais se desdobram em múltiplas dimensões: econômica, geopolítica e tecnológica. Os dados sobre a precarização dos salários, a queda na produtividade e as greves intensas somam uma dimensão social à análise, indicando que o protecionismo pode também alimentar tensões internas, que, em conjunto com as rivalidades internacionais e a corrida tecnológica, podem precipitar conflitos de maior escala.
As medidas protecionistas, embora tentem fortalecer a posição dos EUA, podem gerar efeitos colaterais desastrosos tanto na economia quanto nas relações internacionais. Estamos diante de respostas dadas em virtude de os EUA serem hoje uma economia estacionária, o que torna a aposta no protecionismo algo muito arriscado não só para os EUA. Em um cenário onde a produtividade declina, os salários crescem a um ritmo insatisfatório e a produção se reorienta para setores de defesa, a política de Trump pode não apenas fracassar em reanimar a economia de forma sustentável, mas também intensificar conflitos internos e globais – inclusive na arena tecnológica –, criando um ciclo vicioso que agrava ainda mais as contradições do sistema capitalista contemporâneo, o que, dadas as condições atuais de esfacelamento interno da esquerda, levanta o espectro não do Comunismo, mas da guerra total.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Refletindo sobre algumas das ideias desse artigo, antecipadas numa conversa em um grupo de WhatsApp, eu vinha defendendo que as tarifas e o protecionismo de Trump podem ser vistos como ferramentas de barganha para pressionar parceiros comerciais e, ao mesmo tempo, como medidas de proteção econômica que correm o risco de desestabilizar as cadeias produtivas globais, e que essa estratégia, embora politicamente atrativa a curto prazo, tende a provocar efeitos colaterais negativos, como aumento dos custos de produção e retaliações internacionais. Os dados apresentados (e as ideias do artigo de João Bernardo publicado ontem), contudo, me fizeram reavaliar alguns pontos, pois evidenciam uma produção industrial estagnada, baixa produtividade e aumento do custo unitário da força de trabalho.<br />
a)	Crise Estrutural e Economia Estacionária<br />
Os dados recentes da economia dos EUA reforçam a hipótese de que a economia americana, embora apresente sinais superficiais de “bem-estar” (como pleno emprego), está na verdade em um estado de estagnação profunda. Nesse contexto, a proposta de Trump de retomar medidas protecionistas não aparece como uma mera ferramenta de barganha, mas como uma resposta a um cenário de crise estrutural, pois a lógica protecionista se integra a uma tentativa de reorientar um modelo econômico que já está fragilizado, especialmente quando os ganhos em termos de renegociação comercial podem ser ofuscados por um cenário de queda na taxa de lucro e redução dos investimentos.<br />
b)	Cadeias Produtivas e a Transformação Setorial<br />
As cadeias produtivas transnacionais são profundamente interligadas, e as medidas protecionistas podem “estrangular” esses fluxos, favorecendo, indiretamente, a ascensão da China e de outros parceiros comerciais que se reestruturem em blocos regionais e “papem” o que é deixado de lado pelos EUA, devido a dificuldades interpostas pelo protecionismo. Os gráficos e tabelas apresentados evidenciam uma indústria manufatureira operando próxima da capacidade máxima (e estagnada) desde 2020, enquanto a produção da indústria de defesa mostra crescimento robusto. Em um ambiente de economia estacionária, a transformação da indústria de bens de consumo em setores voltados para a produção de armamentos – ou, de forma mais ampla, de produtos estratégicos –, pode ser interpretada como uma resposta à falta de alternativas de crescimento. Assim, além de favorecer a ascensão da China por meio do reordenamento das cadeias de valor, o protecionismo norte-americano pode estar contribuindo para uma reorientação do setor produtivo rumo a áreas de alta tecnologia e defesa, reforçando o argumento de que, em tempos de crise, os Estados tendem a adotar medidas que os conduzem a uma economia de guerra.<br />
c)	Conflitos Internos, Rivalidades Geopolíticas e a Dimensão Tecnológica<br />
O protecionismo exacerbado pode desencadear retaliações internacionais e, em última análise, intensificar rivalidades geopolíticas, num ambiente onde a fragmentação dos mercados leva a uma nova forma de “guerra comercial” – e, potencialmente, a conflitos mais amplos. O cenário pós-crise, marcado por estagnação da produção, queda na produtividade e insatisfação dos trabalhadores (com greves recordes), é propício para tensões sociais e políticas. Rosa Luxemburg já alertara que Estados em modo estacionário podem ser levados à guerra e ao protecionismo. Aqui, o protecionismo de Trump não apenas agrava a vulnerabilidade econômica, mas também sinaliza uma disposição a “trocar vassalos”, ou seja, a reorganizar as relações de poder internas e externas em meio a uma economia em declínio estrutural. Ao destacar o deslocamento da produção de bens de consumo para a produção de armamentos, a crise econômica pode, paradoxalmente, intensificar tanto a corrida armamentista quanto a preparação para conflitos diretos – tanto internos, em termos de luta de classes, quanto geopolíticos –, reforçando a hipótese de que a economia estacionária se converte num terreno fértil para disputas de poder.<br />
Adicionalmente, talvez caiba trazer para o debate uma reflexão sobre segurança nacional e competição tecnológica, especialmente no que tange à recente e crescente disputa no campo da inteligência artificial (IA). Acredito que as medidas protecionistas de Trump não se limitam a uma tentativa de proteger a indústria tradicional, mas também se inserem numa estratégia de segurança nacional e supremacia tecnológica. A corrida pelo domínio da IA – ilustrada, por exemplo, pelo confronto entre iniciativas como o Deepseek e o ChatGPT – revela uma dimensão estratégica em que o controle e o desenvolvimento de tecnologias avançadas são considerados essenciais para a manutenção do poder global. Nesse cenário, a política protecionista dos EUA pode ser vista como um instrumento para:<br />
a)	Preservar o know-how tecnológico e a capacidade de inovação nacional: Ao restringir o acesso a insumos e tecnologias estrangeiras por meio de tarifas e barreiras comerciais, os EUA buscam incentivar a produção interna e evitar a dependência de potências como a China, que também investe massivamente no desenvolvimento de IA e tecnologias de defesa.<br />
b)	Fortalecer a segurança nacional: O avanço de tecnologias emergentes, especialmente aquelas com aplicações militares e estratégicas, está diretamente ligado à capacidade de defesa do Estado. A promoção de um ambiente que favoreça o desenvolvimento doméstico dessas tecnologias é fundamental para garantir a superioridade em áreas críticas que podem determinar o equilíbrio de poder em um futuro marcado por uma “guerra entre IAs” e conflitos cibernéticos.<br />
c)	Gerar uma nova dimensão de rivalidade: Assim como as tarifas e medidas protecionistas podem provocar retaliações comerciais e realinhamento das cadeias produtivas, a competição tecnológica cria um campo de batalha adicional. A disputa pelo domínio da IA não se restringe ao ambiente econômico, mas estende-se ao domínio geopolítico, onde cada avanço pode ser interpretado como uma conquista estratégica. Essa corrida tecnológica, em paralelo à corrida armamentista, pode intensificar ainda mais as tensões internacionais, colocando as nações em rota de colisão tanto no campo comercial quanto no militar e tecnológico.<br />
Em suma, as tarifas, embora sejam usadas para pressionar parceiros comerciais, acarretam riscos de retaliação e disrrupção das cadeias produtivas, o que é reforçado pelo cenário de estagnação econômica da economia estadunidense. Quanto à reorganização das cadeias de valor e à ascensão da China, há uma forte possibilidade de a China se consolidar em setores vulneráveis aos efeitos protecionistas dos EUA, principalmente quando se observa a necessidade dos Estados e principalmente, das empresas, de reconfigurar seus blocos produtivos em um ambiente de crise. No que se refere à crise estrutural da economia estadunidense, o protecionismo não surge apenas como uma estratégia de barganha, mas como uma resposta a uma economia que, apesar de sinais superficiais de saúde, está estacionada e incapaz de gerar crescimento sustentável. A transição dos setores de bens de consumo para a indústria de defesa é um indicativo de que o protecionismo e a crise econômica podem estar conduzindo os EUA a um modelo de economia orientada para a guerra, o que acrescenta uma camada extra à análise das consequências das políticas de Trump. Essa dinâmica, somada à crescente competição tecnológica e à disputa pelo domínio da inteligência artificial, evidencia que os desafios atuais se desdobram em múltiplas dimensões: econômica, geopolítica e tecnológica. Os dados sobre a precarização dos salários, a queda na produtividade e as greves intensas somam uma dimensão social à análise, indicando que o protecionismo pode também alimentar tensões internas, que, em conjunto com as rivalidades internacionais e a corrida tecnológica, podem precipitar conflitos de maior escala.<br />
As medidas protecionistas, embora tentem fortalecer a posição dos EUA, podem gerar efeitos colaterais desastrosos tanto na economia quanto nas relações internacionais. Estamos diante de respostas dadas em virtude de os EUA serem hoje uma economia estacionária, o que torna a aposta no protecionismo algo muito arriscado não só para os EUA. Em um cenário onde a produtividade declina, os salários crescem a um ritmo insatisfatório e a produção se reorienta para setores de defesa, a política de Trump pode não apenas fracassar em reanimar a economia de forma sustentável, mas também intensificar conflitos internos e globais – inclusive na arena tecnológica –, criando um ciclo vicioso que agrava ainda mais as contradições do sistema capitalista contemporâneo, o que, dadas as condições atuais de esfacelamento interno da esquerda, levanta o espectro não do Comunismo, mas da guerra total.</p>
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		Por: Lucas		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/02/155840/#comment-998600</link>

		<dc:creator><![CDATA[Lucas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Feb 2025 13:33:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Charles, me ajude a entender uma coisa. Você diz que Trump vai frear as guerras para apostar no negócio da reconstrução. Mas mais abaixo no texto, com o gráfico 3, diz que o que mantêm a industria estadunidense de pé são as armas consumidas nessas guerras. Estaríamos apostando em que dentro de 2 anos ou 4 anos vamos ver um texto teu apresentando um gráfico com uma diminuição da produção armamentícia e um aumento dos investimentos diretos nos territórios que hoje estão em guerra?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Charles, me ajude a entender uma coisa. Você diz que Trump vai frear as guerras para apostar no negócio da reconstrução. Mas mais abaixo no texto, com o gráfico 3, diz que o que mantêm a industria estadunidense de pé são as armas consumidas nessas guerras. Estaríamos apostando em que dentro de 2 anos ou 4 anos vamos ver um texto teu apresentando um gráfico com uma diminuição da produção armamentícia e um aumento dos investimentos diretos nos territórios que hoje estão em guerra?</p>
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