<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: A perda de militantes e lideranças para o capital	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2025/06/156763/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2025/06/156763/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Thu, 19 Jun 2025 13:42:09 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156763/#comment-1027829</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Jun 2025 17:29:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156763#comment-1027829</guid>

					<description><![CDATA[Profissional, eu enxergo e conheço o problema de fundo que você traz à tona. Mas olhe para si e para o ambiente em que está – uma pessoa que está discutindo comunismo nos comentários de um site que se propõe &quot;noticiar as lutas, apoiá-las e pensar sobre elas&quot;. Que posição é essa? Constantemente trabalhadores se organizam pra atrapalhar a música ordenada de fora (independentemente do nível de identificação que tenham com ela – que no pós-fordismo, muitas vezes é bem alto), e nesse processo vamos descobrindo outros sons, deles percebemos a possibilidade de compor uma música que venha do coração, para continuar na mesma metáfora. O que se faz a partir daí? No refluxo do enfrentamento, esses sons vão parando de fazer sentido, volta a banda ordenada, mas o ruído às vezes custa a sair da cabeça. E às vezes você não quer que saia. E vai buscar fazer o ruído de novo, às vezes em outros lugares, conhecer ruídos de mais gente, incentivá-los, amplificá-los, melhorá-los, registrar e divulgar as partituras, tentando descobrir como seria essa música que está nos corações. Isso é a militância. Se o objetivo é compor uma nova música desordenando o coreto, será uma posição necessariamente tensa, à revelia, e por isso não falei em &quot;experiências puras não ditadas pelo capital&quot;. Justamente por ser uma posição politicamente tensa, mal resolvida, ela é repleta de riscos, e um deles é achar que a militância possa criar &quot;de fora para dentro&quot; uma nova sociedade, isto é, por si só resolver os problemas que cabem à humanidade proletarizada – como você sugere no seu comentário. Acho que você avança o sinal ao depreender que toda iniciativa militante estará fadada ao vanguardismo, mas não descarto que você possa ter razão. A posição dos militantes, restos humanos de lutas passadas que tentam pensar sobre elas e se relacionar com novas lutas, existe, e por isso faz sentido debatê-la, como propõe o texto do Léo. Possivelmente os esforços dos militantes são totalmente vãos, e novas ondas de luta surgem ao largo ou à revelia deles, ou terminam sendo até prejudiciais, contendo o desenvolvimento de novas lutas com seu peso morto. Na melhor das hipóteses, otimista, é pelo menos um fio vermelho que conecta essas lutas através de diferentes gerações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Profissional, eu enxergo e conheço o problema de fundo que você traz à tona. Mas olhe para si e para o ambiente em que está – uma pessoa que está discutindo comunismo nos comentários de um site que se propõe &#8220;noticiar as lutas, apoiá-las e pensar sobre elas&#8221;. Que posição é essa? Constantemente trabalhadores se organizam pra atrapalhar a música ordenada de fora (independentemente do nível de identificação que tenham com ela – que no pós-fordismo, muitas vezes é bem alto), e nesse processo vamos descobrindo outros sons, deles percebemos a possibilidade de compor uma música que venha do coração, para continuar na mesma metáfora. O que se faz a partir daí? No refluxo do enfrentamento, esses sons vão parando de fazer sentido, volta a banda ordenada, mas o ruído às vezes custa a sair da cabeça. E às vezes você não quer que saia. E vai buscar fazer o ruído de novo, às vezes em outros lugares, conhecer ruídos de mais gente, incentivá-los, amplificá-los, melhorá-los, registrar e divulgar as partituras, tentando descobrir como seria essa música que está nos corações. Isso é a militância. Se o objetivo é compor uma nova música desordenando o coreto, será uma posição necessariamente tensa, à revelia, e por isso não falei em &#8220;experiências puras não ditadas pelo capital&#8221;. Justamente por ser uma posição politicamente tensa, mal resolvida, ela é repleta de riscos, e um deles é achar que a militância possa criar &#8220;de fora para dentro&#8221; uma nova sociedade, isto é, por si só resolver os problemas que cabem à humanidade proletarizada – como você sugere no seu comentário. Acho que você avança o sinal ao depreender que toda iniciativa militante estará fadada ao vanguardismo, mas não descarto que você possa ter razão. A posição dos militantes, restos humanos de lutas passadas que tentam pensar sobre elas e se relacionar com novas lutas, existe, e por isso faz sentido debatê-la, como propõe o texto do Léo. Possivelmente os esforços dos militantes são totalmente vãos, e novas ondas de luta surgem ao largo ou à revelia deles, ou terminam sendo até prejudiciais, contendo o desenvolvimento de novas lutas com seu peso morto. Na melhor das hipóteses, otimista, é pelo menos um fio vermelho que conecta essas lutas através de diferentes gerações.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Profissional liberal		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156763/#comment-1027609</link>

		<dc:creator><![CDATA[Profissional liberal]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Jun 2025 03:15:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156763#comment-1027609</guid>

					<description><![CDATA[Existe um problema de fundo no tratamento teórico (e portanto, estratégico) da questão que acho que esse texto e o comentário do Caio transparecem muito bem. A organização de uma nova dinâmica social vai surgir de dentro dos processos produtivos, por trabalhadores que são explorados, ou vai surgir &quot;de fora pra dentro&quot; por pessoas que vivem outras formas de relacionamento social? Ou seja: se a política comunista vem de  uma experiência pura não ditada pelo capital (que não é dinheiro, lembre-se, capital é circulação de dinheiro que visa acumulação de capital), de onde vai surgir a expectativa de uma generalização dessa experiência? Afinal a única coisa geral no capitalismo é a experiência do trabalho. E não acredito que nenhum trabalhador, mesmo que toque a música que quem pagou manda, acredite que essa música ordenada de fora vem do próprio coração. Como nenhum trabalhador se vê ali idêntico nas mercadorias que gera.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe um problema de fundo no tratamento teórico (e portanto, estratégico) da questão que acho que esse texto e o comentário do Caio transparecem muito bem. A organização de uma nova dinâmica social vai surgir de dentro dos processos produtivos, por trabalhadores que são explorados, ou vai surgir &#8220;de fora pra dentro&#8221; por pessoas que vivem outras formas de relacionamento social? Ou seja: se a política comunista vem de  uma experiência pura não ditada pelo capital (que não é dinheiro, lembre-se, capital é circulação de dinheiro que visa acumulação de capital), de onde vai surgir a expectativa de uma generalização dessa experiência? Afinal a única coisa geral no capitalismo é a experiência do trabalho. E não acredito que nenhum trabalhador, mesmo que toque a música que quem pagou manda, acredite que essa música ordenada de fora vem do próprio coração. Como nenhum trabalhador se vê ali idêntico nas mercadorias que gera.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Caio		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156763/#comment-1027581</link>

		<dc:creator><![CDATA[Caio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Jun 2025 00:05:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156763#comment-1027581</guid>

					<description><![CDATA[Leo,

Seu texto levanta a bola de um problema importante, mas bem que podia ter mais uns parágrafos. Ainda que você não queira trazer respostas, o problema ainda poderia ser melhor desenvolvido e precisado. Sobre a &quot;liberação&quot;, além dos problemas já colocados, seria fundamental pensar também os meios pelos quais uma organização pode assalariar um militante. Como se obtém esses recursos? É do autofinanciamento ou de um apoio externo? No caso de um apoio externo: quem, por que, de que forma, quais as implicações?

O velho ditado ensinava que &quot;quem paga a banda escolhe a música&quot;, mas o capitalismo contemporâneo nos exige atualizar essa máxima, já que encontramos inúmeros casos de financiadores que nem parecem se importar tanto assim com a música que está sendo tocada, e podem até fazer vista grossa para relatórios pro forma... — desde que estejam financiando. Mais importante que escolher a música, é que a banda esteja sendo remunerada, e que tudo aquilo ocorra sob a mediação do dinheiro, que seja quantificável, integrando-se à lógica geral deste mundo (capitalista).

Num tempo em que o capital subsumiu todas as esferas da vida e, portanto, consumiu boa parte do espaço que os trabalhadores encontravam para organização autônoma no tempo fora da empresa, a tentativa de existir fora dessa lógica não seria o esforço político primordial de uma organização que se pretenda anticapitalista? A organização militante, desse ponto de vista, teria necessariamente uma existência tensa, já que tensionada com a realidade. Isso talvez signifique que sempre haverá algum grau de improviso nessas organizações. Não quer dizer que não haja repertório sobre isso, a tradição proletária já experimentou muita coisa (será que a policy que você sugere é o apoio mútuo?). Mas em última instância vai ser sempre só nos momentos de ascenso — quando formas comunistas ganham mais tração social, quando nosso lado acirra a tensão — que tudo vai funcionar melhor. A grande questão da sustentação é sobre o momento seguinte, quando vem o refluxo, o tensionamento perde o sentido, o capitalismo cobra de volta. O que pode ser uma &quot;retaguarda proletária&quot; nesses momentos?

Por fim, para sair do problema moral (e tratar em termos éticos, como disse a Liv, ou simplesmente político), talvez a discussão seja melhor dimensionada quando pensada em termos coletivos. Não só a perda de companheiros para o capital, mas de organizações inteiras. Veja o MST, cuja integração ao capitalismo foi tema de profundas reflexões aqui no Passa Palavra nos idos de 2012. Já escutei que nos anos 1990 o &quot;aparato&quot; estadual próprio do movimento eram basicamente dois carros (claro, contava com uma retaguarda da Igreja, sindicatos e partido). Foi também o auge de sua combatividade, enquanto hoje tem armazéns do campo em várias cidades, cooperativas, ações na bolsa etc. e se tornou justamente isso.

Enfim, só jogando mais umas ideias nessa conversa.
Abração]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo,</p>
<p>Seu texto levanta a bola de um problema importante, mas bem que podia ter mais uns parágrafos. Ainda que você não queira trazer respostas, o problema ainda poderia ser melhor desenvolvido e precisado. Sobre a &#8220;liberação&#8221;, além dos problemas já colocados, seria fundamental pensar também os meios pelos quais uma organização pode assalariar um militante. Como se obtém esses recursos? É do autofinanciamento ou de um apoio externo? No caso de um apoio externo: quem, por que, de que forma, quais as implicações?</p>
<p>O velho ditado ensinava que &#8220;quem paga a banda escolhe a música&#8221;, mas o capitalismo contemporâneo nos exige atualizar essa máxima, já que encontramos inúmeros casos de financiadores que nem parecem se importar tanto assim com a música que está sendo tocada, e podem até fazer vista grossa para relatórios pro forma&#8230; — desde que estejam financiando. Mais importante que escolher a música, é que a banda esteja sendo remunerada, e que tudo aquilo ocorra sob a mediação do dinheiro, que seja quantificável, integrando-se à lógica geral deste mundo (capitalista).</p>
<p>Num tempo em que o capital subsumiu todas as esferas da vida e, portanto, consumiu boa parte do espaço que os trabalhadores encontravam para organização autônoma no tempo fora da empresa, a tentativa de existir fora dessa lógica não seria o esforço político primordial de uma organização que se pretenda anticapitalista? A organização militante, desse ponto de vista, teria necessariamente uma existência tensa, já que tensionada com a realidade. Isso talvez signifique que sempre haverá algum grau de improviso nessas organizações. Não quer dizer que não haja repertório sobre isso, a tradição proletária já experimentou muita coisa (será que a policy que você sugere é o apoio mútuo?). Mas em última instância vai ser sempre só nos momentos de ascenso — quando formas comunistas ganham mais tração social, quando nosso lado acirra a tensão — que tudo vai funcionar melhor. A grande questão da sustentação é sobre o momento seguinte, quando vem o refluxo, o tensionamento perde o sentido, o capitalismo cobra de volta. O que pode ser uma &#8220;retaguarda proletária&#8221; nesses momentos?</p>
<p>Por fim, para sair do problema moral (e tratar em termos éticos, como disse a Liv, ou simplesmente político), talvez a discussão seja melhor dimensionada quando pensada em termos coletivos. Não só a perda de companheiros para o capital, mas de organizações inteiras. Veja o MST, cuja integração ao capitalismo foi tema de profundas reflexões aqui no Passa Palavra nos idos de 2012. Já escutei que nos anos 1990 o &#8220;aparato&#8221; estadual próprio do movimento eram basicamente dois carros (claro, contava com uma retaguarda da Igreja, sindicatos e partido). Foi também o auge de sua combatividade, enquanto hoje tem armazéns do campo em várias cidades, cooperativas, ações na bolsa etc. e se tornou justamente isso.</p>
<p>Enfim, só jogando mais umas ideias nessa conversa.<br />
Abração</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ornitorrinco		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156763/#comment-1027282</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ornitorrinco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2025 13:08:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156763#comment-1027282</guid>

					<description><![CDATA[Me fez lembrar de uma série de camaradas que trocaram de lado na luta de classes indo pra burocracia e hoje alguns estão aí se dedicando a desqualificar luta e organização de trabalhadores... Olha como a coisa capotou...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me fez lembrar de uma série de camaradas que trocaram de lado na luta de classes indo pra burocracia e hoje alguns estão aí se dedicando a desqualificar luta e organização de trabalhadores&#8230; Olha como a coisa capotou&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Paulo Henrique		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156763/#comment-1026630</link>

		<dc:creator><![CDATA[Paulo Henrique]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2025 17:35:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156763#comment-1026630</guid>

					<description><![CDATA[Faz bastante tempo que os chamados &quot;movimentos sociais&quot; são um trampolin para cargos de gestão em empresas, Estado ou ONGs. As próprias empresas reconhecem isso. E de tal forma que muitas delas, em suas seleções de currículos, contam como ponto positivo a participação do candidato nestes espaços. Também não é por acaso que hoje em dia os movimentos sociais estejam atraindo tantos carreiristas. Então me parece que a questão é mais profunda do que conflitos entre interesses pessoais e interesses &quot;do movimento&quot;. Mas a questão é muito pertinente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faz bastante tempo que os chamados &#8220;movimentos sociais&#8221; são um trampolin para cargos de gestão em empresas, Estado ou ONGs. As próprias empresas reconhecem isso. E de tal forma que muitas delas, em suas seleções de currículos, contam como ponto positivo a participação do candidato nestes espaços. Também não é por acaso que hoje em dia os movimentos sociais estejam atraindo tantos carreiristas. Então me parece que a questão é mais profunda do que conflitos entre interesses pessoais e interesses &#8220;do movimento&#8221;. Mas a questão é muito pertinente.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Liv		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/06/156763/#comment-1026600</link>

		<dc:creator><![CDATA[Liv]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2025 12:52:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=156763#comment-1026600</guid>

					<description><![CDATA[Etienne, diante de uma necessidade coletiva vital, se desfez de tudo, menos de suas botas. Não acho que é uma questão moral. Acho que é uma questão ética. E ética (a formulação um tal código de ética e assim como o subsequente respeito estrito a estas premissas éticas) não se adquire com condenações e culpas, e sim com um processo continuo de formação política da militância. 

Camarada Leo, poderia detalhar melhor o que seria &quot;uma moral franciscana (ou militante, como se queira)&quot;?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Etienne, diante de uma necessidade coletiva vital, se desfez de tudo, menos de suas botas. Não acho que é uma questão moral. Acho que é uma questão ética. E ética (a formulação um tal código de ética e assim como o subsequente respeito estrito a estas premissas éticas) não se adquire com condenações e culpas, e sim com um processo continuo de formação política da militância. </p>
<p>Camarada Leo, poderia detalhar melhor o que seria &#8220;uma moral franciscana (ou militante, como se queira)&#8221;?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
