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	Comentários sobre: Canceladores de todo o mundo, cancelai-vos!	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Raposa		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1044497</link>

		<dc:creator><![CDATA[Raposa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Aug 2025 17:12:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Tenho dó do luto. Minha ex, mesmo eu usando camisinha, engravidou. Eu não quis a criança, mas serei eternamente responsável por este ser humano. No mundo da produção, há produtos pra todos... E a raposa é quem toma conta do galinheiro...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho dó do luto. Minha ex, mesmo eu usando camisinha, engravidou. Eu não quis a criança, mas serei eternamente responsável por este ser humano. No mundo da produção, há produtos pra todos&#8230; E a raposa é quem toma conta do galinheiro&#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: o Cuidado Masculino		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1043649</link>

		<dc:creator><![CDATA[o Cuidado Masculino]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 22:48:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um tema tão traumático como os cancelamentos não tinha como não trazer à tona outros temas tabus, como a dor e a vulnerabilidade masculina. É muito comum em homens, adultos, não desenvolver um vínculo de confiança sentimental com nossos amigos. Colocamos todo esse peso nas nossas companheiras, e quando elas vão embora, pelo motivo que seja, sentimos uma solidão arrasadora, como se não pudéssemos falar das nossas dores com ninguém.

Eu recomendaria ao camarada em luto, pensar que o melhor seria desejar essa paternidade com alguém com quem você possa compartilhar os sonhos, os desejos. Se esse aborto causou em você tamanha tristeza, como se fosse o assassinato de um projeto seu, pense que a tua companheira não deveria estar obrigada a hospedar em seu próprio corpo um desejo que não era o dela. É comum que a produção de esperma fértil pelo ser humano tenha vigência até idades avançadas. Você ainda tem outras chances. Boa sorte!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um tema tão traumático como os cancelamentos não tinha como não trazer à tona outros temas tabus, como a dor e a vulnerabilidade masculina. É muito comum em homens, adultos, não desenvolver um vínculo de confiança sentimental com nossos amigos. Colocamos todo esse peso nas nossas companheiras, e quando elas vão embora, pelo motivo que seja, sentimos uma solidão arrasadora, como se não pudéssemos falar das nossas dores com ninguém.</p>
<p>Eu recomendaria ao camarada em luto, pensar que o melhor seria desejar essa paternidade com alguém com quem você possa compartilhar os sonhos, os desejos. Se esse aborto causou em você tamanha tristeza, como se fosse o assassinato de um projeto seu, pense que a tua companheira não deveria estar obrigada a hospedar em seu próprio corpo um desejo que não era o dela. É comum que a produção de esperma fértil pelo ser humano tenha vigência até idades avançadas. Você ainda tem outras chances. Boa sorte!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Bodão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1043543</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bodão]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 14:30:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O texto de Jan Cenek e os comentários trouxeram-me a questão de que talvez um dos instrumentos do cancelamento seja o que nesse site foi também chamado de trashing (https://passapalavra.info/?s=Trashing), que praticado por tempo variável leva, em alguns casos, ao cancelamento/banimento. Quem o utiliza consegue ir minando a reputação da pessoa (ou pessoas) junto ao grupo ou coletivo social ao qual pertencem, ou que compartilham interesses e visões de mundo comuns. O cancelamento passa a ser uma questão de tempo ou oportunidade diante de uma reputação já atacada.

É não é uma prática exclusiva de grupos identitários. Mesmo grupo e coletivos dos mais críticos ao cancelamento, ao trashing e ao identitarismo adotam essa prática.

O combate contra tais práticas tem que ser constante para que os “valores civilizatórios” deixem de ser mera ideia abstrata.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto de Jan Cenek e os comentários trouxeram-me a questão de que talvez um dos instrumentos do cancelamento seja o que nesse site foi também chamado de trashing (<a href="https://passapalavra.info/?s=Trashing" rel="ugc">https://passapalavra.info/?s=Trashing</a>), que praticado por tempo variável leva, em alguns casos, ao cancelamento/banimento. Quem o utiliza consegue ir minando a reputação da pessoa (ou pessoas) junto ao grupo ou coletivo social ao qual pertencem, ou que compartilham interesses e visões de mundo comuns. O cancelamento passa a ser uma questão de tempo ou oportunidade diante de uma reputação já atacada.</p>
<p>É não é uma prática exclusiva de grupos identitários. Mesmo grupo e coletivos dos mais críticos ao cancelamento, ao trashing e ao identitarismo adotam essa prática.</p>
<p>O combate contra tais práticas tem que ser constante para que os “valores civilizatórios” deixem de ser mera ideia abstrata.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Luto		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1043336</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 01:30:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Queria muito ter sido pai. Minha companheira engravidou e não quis prosseguir com a gestação. O corpo é dela, mas o filho era meu também! Ela disse que não queria arcar com os cuidados e as despesas dele, nem prejudicar sua carreira e seu modo de vida. Eu disse que poderia cuidar dele e me responsabilizaria por todas as despesas. Minha família disse que me ajudaria. Nos separamos. Não sei como ela abortou. Que dor! E quando expus minha dor na faculdade, tive de ouvir as piores infâmias possíveis... Que eu era machista, misógino, binário, etc. Sinto que não posso mais falar...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queria muito ter sido pai. Minha companheira engravidou e não quis prosseguir com a gestação. O corpo é dela, mas o filho era meu também! Ela disse que não queria arcar com os cuidados e as despesas dele, nem prejudicar sua carreira e seu modo de vida. Eu disse que poderia cuidar dele e me responsabilizaria por todas as despesas. Minha família disse que me ajudaria. Nos separamos. Não sei como ela abortou. Que dor! E quando expus minha dor na faculdade, tive de ouvir as piores infâmias possíveis&#8230; Que eu era machista, misógino, binário, etc. Sinto que não posso mais falar&#8230;</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: D-503		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1042777</link>

		<dc:creator><![CDATA[D-503]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 22:55:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A utopia/distopia de uma sociedade sem vida privada já foi retratada em Nós, de Zamiatin. No entanto, a transformação das relações de produção não extinguirá o aspecto privado e pessoal da existência humana — a menos que se trate de uma transformação regressiva e obscurantista. Nós, que lutamos pelo comunismo, devemos defender o desenvolvimento pleno dos indivíduos, e a intimidade é uma herança fundamental do progresso humano.

Afinal, enquanto o mundo da política busca construir códigos e razões coletivas, cada integrante desse coletivo possui, por sua vez, uma vida privada. Um grupo político que, devido a diferentes pressões internas, aplica uma metodologia formal para resolver conflitos (como a vitória de setores que reivindicam os &quot;valores civilizatórios&quot;), trata publicamente a questão com o objetivo de alcançar acordos e consensos nas decisões — sempre que possível. Isso dentro do esquema das boas intenções.

No entanto, no âmbito privado, a situação se modifica. É justamente nesse espaço que alguns setores do feminismo identificam um terreno fértil para julgamentos e punições — inclusive, outra forma de banimento. Por exemplo, quando um indivíduo (geralmente do gênero masculino) rompe os vínculos sociais de outro por meio de diferentes formas de violência. Quem votou para que essa punição ocorresse? Qual coletivo político se responsabiliza por esse indivíduo que julga e castiga outro por ciúmes ou crises de insegurança? Quem ouviu a outra parte antes de condená-la?

Sofrer julgamentos e punições na intimidade é uma injustiça que nenhum banimento poderá reparar. Ser banido, na melhor das hipóteses, pode ser uma oportunidade para o turismo, pois o mundo é vasto e há muitas pessoas atormentadas por aí. Certamente, alguma comunidade acabará por acolhê-las.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A utopia/distopia de uma sociedade sem vida privada já foi retratada em Nós, de Zamiatin. No entanto, a transformação das relações de produção não extinguirá o aspecto privado e pessoal da existência humana — a menos que se trate de uma transformação regressiva e obscurantista. Nós, que lutamos pelo comunismo, devemos defender o desenvolvimento pleno dos indivíduos, e a intimidade é uma herança fundamental do progresso humano.</p>
<p>Afinal, enquanto o mundo da política busca construir códigos e razões coletivas, cada integrante desse coletivo possui, por sua vez, uma vida privada. Um grupo político que, devido a diferentes pressões internas, aplica uma metodologia formal para resolver conflitos (como a vitória de setores que reivindicam os &#8220;valores civilizatórios&#8221;), trata publicamente a questão com o objetivo de alcançar acordos e consensos nas decisões — sempre que possível. Isso dentro do esquema das boas intenções.</p>
<p>No entanto, no âmbito privado, a situação se modifica. É justamente nesse espaço que alguns setores do feminismo identificam um terreno fértil para julgamentos e punições — inclusive, outra forma de banimento. Por exemplo, quando um indivíduo (geralmente do gênero masculino) rompe os vínculos sociais de outro por meio de diferentes formas de violência. Quem votou para que essa punição ocorresse? Qual coletivo político se responsabiliza por esse indivíduo que julga e castiga outro por ciúmes ou crises de insegurança? Quem ouviu a outra parte antes de condená-la?</p>
<p>Sofrer julgamentos e punições na intimidade é uma injustiça que nenhum banimento poderá reparar. Ser banido, na melhor das hipóteses, pode ser uma oportunidade para o turismo, pois o mundo é vasto e há muitas pessoas atormentadas por aí. Certamente, alguma comunidade acabará por acolhê-las.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1042750</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 20:30:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Esse ensaio, e os comentários, andam em lugares parecidos àqueles por onde andei neste ensaio de 2015: https://passapalavra.info/2015/02/102865/

Talvez valha a pena colocá-los em diálogo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse ensaio, e os comentários, andam em lugares parecidos àqueles por onde andei neste ensaio de 2015: <a href="https://passapalavra.info/2015/02/102865/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2015/02/102865/</a></p>
<p>Talvez valha a pena colocá-los em diálogo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Pablo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1042722</link>

		<dc:creator><![CDATA[Pablo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 18:31:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Excelente texto e comentários. 

Por coincidência estou pesquisando o tema e as indicações históricas de Manolo vão ajudar em muito. O mais grave, acho, é que os tribunais feitos pela esquerda (identitária ou não) são uma regressão em relação à justiça burguesa, que ao menos exige algumas formalidades etc., e são em muito piores do que os tribunais feitos em igrejas e na direita: 

a) as técnicas da conciliação/mediação típicas da justiça restaurativa, por exemplo, têm sido aplicadas para reinserir fiéis desassociados das Testemunhas de Jeová, algo que não é feito no âmbito do identitarismo, onde a pessoa fica marcada e é morta para sempre;

b) nos banimentos e mortes simbólicas das igrejas e da direita a vítima sabe exatamente o que fez e o que pode fazer para ser &quot;perdoado&quot; ou algo similar. No identitarismo (que está infiltrado/absorvido em todas as correntes de esquerda) as denúncias não têm regras claras (sequer se exige qualquer prova ou se dá direito ao contraditório) e a perseguição e julgamento muitas vezes são difusos e dissimulados, assim como não são claros os mecanismos de punição, a &quot;dosimetria da pena&quot; e o que a pessoa poderia ou não fazer para reverter a situação. É um stalinismo refinado que pinta tribunais de exceção de vermelho.

c) não sei se chega a ser um item C ou parte dos anteriores, mas na direita e no exemplo das Testemunhas de Jeová a pessoa é punida pelo que fez (algo identificável e rebatível) e não pelo que &quot;é&quot;, num sentido ontológico e subjetivista. Na esquerda, ainda, se usa o histórico &quot;positivo&quot; do sujeito contra ele mesmo, potencializando a denúncia e alegando que tudo que o sujeito fez ou construiu antes não passava de simulação, falsidade, etc., como no caso dos acusados de serem &quot;esquerdomachos&quot;. O que na justiça burguesa entra como atenuante no identitarismo entra como agravante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Excelente texto e comentários. </p>
<p>Por coincidência estou pesquisando o tema e as indicações históricas de Manolo vão ajudar em muito. O mais grave, acho, é que os tribunais feitos pela esquerda (identitária ou não) são uma regressão em relação à justiça burguesa, que ao menos exige algumas formalidades etc., e são em muito piores do que os tribunais feitos em igrejas e na direita: </p>
<p>a) as técnicas da conciliação/mediação típicas da justiça restaurativa, por exemplo, têm sido aplicadas para reinserir fiéis desassociados das Testemunhas de Jeová, algo que não é feito no âmbito do identitarismo, onde a pessoa fica marcada e é morta para sempre;</p>
<p>b) nos banimentos e mortes simbólicas das igrejas e da direita a vítima sabe exatamente o que fez e o que pode fazer para ser &#8220;perdoado&#8221; ou algo similar. No identitarismo (que está infiltrado/absorvido em todas as correntes de esquerda) as denúncias não têm regras claras (sequer se exige qualquer prova ou se dá direito ao contraditório) e a perseguição e julgamento muitas vezes são difusos e dissimulados, assim como não são claros os mecanismos de punição, a &#8220;dosimetria da pena&#8221; e o que a pessoa poderia ou não fazer para reverter a situação. É um stalinismo refinado que pinta tribunais de exceção de vermelho.</p>
<p>c) não sei se chega a ser um item C ou parte dos anteriores, mas na direita e no exemplo das Testemunhas de Jeová a pessoa é punida pelo que fez (algo identificável e rebatível) e não pelo que &#8220;é&#8221;, num sentido ontológico e subjetivista. Na esquerda, ainda, se usa o histórico &#8220;positivo&#8221; do sujeito contra ele mesmo, potencializando a denúncia e alegando que tudo que o sujeito fez ou construiu antes não passava de simulação, falsidade, etc., como no caso dos acusados de serem &#8220;esquerdomachos&#8221;. O que na justiça burguesa entra como atenuante no identitarismo entra como agravante.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Jan Cenek		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1042704</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jan Cenek]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 16:30:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Manolo, excelente. Valeu. Realmente os cancelamentos tem muito a ver com os banimentos. Também concordo que “valores civilizatórios” como a presunção de inocência e o direito ao contraditório e à ampla defesa são recentes, e são conquistas “pelas quais se deve lutar a cada instante”. Acrescento apenas um comentário. As religiões desconhecerem princípios civilizatórios é razoavelmente previsível. O complicado é a esquerda – a extrema esquerda inclusive – desconhecer “valores civilizatórios” como a presunção de inocência e o direito ao contraditório e à ampla defesa. Para que serve a esquerda se ela não é capaz de compreender e defender “valores civilizatórios”? Os tribunais de exceção montados na/pela esquerda para promover cancelamentos são pavorosos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Manolo, excelente. Valeu. Realmente os cancelamentos tem muito a ver com os banimentos. Também concordo que “valores civilizatórios” como a presunção de inocência e o direito ao contraditório e à ampla defesa são recentes, e são conquistas “pelas quais se deve lutar a cada instante”. Acrescento apenas um comentário. As religiões desconhecerem princípios civilizatórios é razoavelmente previsível. O complicado é a esquerda – a extrema esquerda inclusive – desconhecer “valores civilizatórios” como a presunção de inocência e o direito ao contraditório e à ampla defesa. Para que serve a esquerda se ela não é capaz de compreender e defender “valores civilizatórios”? Os tribunais de exceção montados na/pela esquerda para promover cancelamentos são pavorosos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Manolo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157091/#comment-1042405</link>

		<dc:creator><![CDATA[Manolo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2025 15:41:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=157091#comment-1042405</guid>

					<description><![CDATA[Levo o debate um pouco mais longe do que o ensaio permite.

O ensaio parte da distinção entre os direitos ao contraditório, ampla defesa, presunção de inocência e devido processo legal obrigatórios na &quot;justiça burguesa&quot;, de um lado, e de outro sua completa ausência entre os canceladores. O ensaio parte dessa distinção para denunciar a injustiça -- para dizer o mínimo -- dos cancelamentos.

Concordando com a denúncia e indignação do autor, parto da mesma distinção do ensaio para trazer duas contribuições meio dissonantes.

 &lt;b&gt;(1)&lt;/b&gt;
Apesar de a distinção acima estar inscrita em constituições da quase totalidade dos países atuais, ela só tem validade no âmbito da &quot;justiça burguesa&quot;, afeta apenas punições pelo Estado (quando há outras, privadas e informais, muito mais prevalentes) e é historicamente muito recente (cerca de 250 anos, contra milênios de presunção de culpa, condenações &quot;automáticas&quot;, punições arbitrárias, regras cambiantes e voluntaristas, etc.). 

Direito (no singular) e direitos (no plural) não passam de relações sociais: existem enquanto praticados, jamais como regras abstratas, vigentes de uma vez para sempre.

Daí dizer: ao mesmo tempo em que a denúncia se enquadra nessa luta muito mais ampla para espraiar por toda a sociedade o tipo de relações sociais em que se respeitam contraditório, ampla defesa, presunção de inocência e devido processo legal, penso que se deve partir de uma posição na qual esses &quot;valores civilizatórios&quot; não estão dados, estabelecidos e consolidados de uma vez para sempre, como regras abstratas de validade eterna, mas ainda são precários, estão por implementar, pois mesmo os responsáveis por sua aplicação (juízes, escrivães, oficiais de justiça, policiais, detetives, etc.) são gente, vivem numa sociedade onde esses &quot;valores civilizatórios&quot; ainda são mais aspirações que regras eficazes, e &quot;contaminam&quot; a &quot;justiça burguesa&quot; com valores contrários àqueles &quot;valores civilizatórios&quot; que defendemos (daí os debates sobre &quot;justiça seletiva&quot;, por exemplo).

&lt;b&gt;(2)&lt;/b&gt;
Logo no primeiro parágrafo do ensaio fala-se em &quot;sede de vingança, ímpeto punitivista e vontade de linchar&quot;. Do ponto de vista que adoto, o diagnóstico está correto até o ponto em que opera, alusivamente, uma assimilação entre cancelamento e linchamento. Isto porque o &quot;trisavô&quot; dos cancelamentos não é o linchamento, mas o &lt;em&gt;banimento&lt;/em&gt;.

Essa diferença tem certa relevância na discussão sobre o assunto, porque, historicamente, o banimento foi usado como alternativa à pena de morte (como é o linchamento) que preservava a vida biológica do acusado, mas estabelecia sua &quot;morte civil&quot;.

O banimento aplicava-se tanto aos vivos (ex.: &lt;em&gt;homo sacer&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;vogelfrei&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;bitlahas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;ḥērem&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;interdictio aquae et ignis&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;bara’a&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Reichsacht&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;kasepekang&lt;/em&gt;) quanto aos mortos (ex.: deixar o corpo de Polinice sem ritos fúnebres, para ser comido pelas feras). 

O banimento tanto podia ser permanente (exs.: &lt;em&gt;bitlahas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;kasepekang&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;homo sacer&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;vogelfrei&lt;/em&gt;, etc.) quanto podia ser temporário (ex.: ostracismo ateniense). 

Diferentemente do linchamento, a &quot;morte civil&quot; decorrente do banimento podia ser estendida além da pessoa do &quot;defunto&quot; -- alcançando desde sua família (p. ex.: crime de lesa-majestade das Ordenações Filipinas, com pena de infâmia &quot;aos de sua linhagem&quot;) até todos que, de algum modo, ajudassem o &quot;defunto&quot; fora-da-lei (p. ex.: dando-lhe alimento ou abrigo, como na pena de &lt;em&gt;interdictio aquae et ignis&lt;/em&gt;). 

Por fim, o banimento tanto podia ser uma pena aplicada pela autoridade governante (novamente: &lt;em&gt;homo sacer&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;vogelfrei&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;interdictio aquae et ignis&lt;/em&gt;, etc.) quanto por agrupamentos sem autoridade política (&lt;em&gt;bitlahas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;ḥērem&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;bara’a&lt;/em&gt;, etc.). 

Agora, veja-se o que acontece ainda hoje, em meio a certas denominações cristãs, com quem se deixa levar pelas &quot;coisas do mundo&quot;, ou &quot;proibidas&quot;: penso especialmente em Testemunhas de Jeová, mas já vi banimentos muito severos acontecerem tanto entre adventistas quanto entre aderentes à Assembleia de Deus. 

Tudo isso é a continuidade do banimento bíblico (&lt;em&gt;ḥērem&lt;/em&gt;), ainda em vigor e funcionamento, sem a menor chance de ser &quot;contaminado&quot; pelos &quot;valores civilizatórios&quot; do contraditório, ampla defesa, presunção de inocência e devido processo legal. 

Destaquei o cristianismo pela proximidade e relevância, mas poderia avançar rumo a outras religiões, ou mesmo a grupos unidos por afinidade filosófica ou política. 

O cancelamento opera mais ou menos como o banimento: sendo impossível ou indesejável a morte física, aplica-se a &quot;morte civil&quot; a alguém indesejável pela comunidade, cuja coesão se reafirma pela expulsão do dissidente, do diferente, do dissonante. (Sinais dssa &quot;impossibilidade&quot; ou &quot;indesejabilidade&quot; são vistos, por exemplo, em certas entrevistas com parentes de vítimas de homicídio onde aparece repetidamente o clamor pela &quot;justiça de Deus&quot; em paralelo ou além da &quot;justiça dos homens&quot;: o clamor soa estranho para quem não o percebe como expressão de desejo de vingança, da transferência a &quot;Deus&quot; da responsabilidade, dever e missão vingadora de matar o acusado.)

Pior: o banimento sempre se opera partindo do princípio de que o acusado é culpado pela sua própria punição. &quot;Não fomos nós que o expulsamos; foi ele (ou ela) quem violou nossas regras e causou a própria expulsão&quot;.

Numa sociedade onde o banimento ainda é amplamente disseminado, como esperar que seus integrantes raciocinem e ajam em termos de contraditório, ampla defesa, presunção de inocência e devido processo legal? É um verdadeiro trabalho de Sísifo.

Esta é mais uma razão pela qual considero que esses &quot;valores civilizatórios&quot; não são regras abstratas &quot;escritas na pedra&quot;, mas aspirações precárias, frágeis, limitadas, ainda por implementar, pelas quais se deve lutar a cada instante, a cada momento. Ou é isso, ou é ceder ao reino do arbítrio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Levo o debate um pouco mais longe do que o ensaio permite.</p>
<p>O ensaio parte da distinção entre os direitos ao contraditório, ampla defesa, presunção de inocência e devido processo legal obrigatórios na &#8220;justiça burguesa&#8221;, de um lado, e de outro sua completa ausência entre os canceladores. O ensaio parte dessa distinção para denunciar a injustiça &#8212; para dizer o mínimo &#8212; dos cancelamentos.</p>
<p>Concordando com a denúncia e indignação do autor, parto da mesma distinção do ensaio para trazer duas contribuições meio dissonantes.</p>
<p> <b>(1)</b><br />
Apesar de a distinção acima estar inscrita em constituições da quase totalidade dos países atuais, ela só tem validade no âmbito da &#8220;justiça burguesa&#8221;, afeta apenas punições pelo Estado (quando há outras, privadas e informais, muito mais prevalentes) e é historicamente muito recente (cerca de 250 anos, contra milênios de presunção de culpa, condenações &#8220;automáticas&#8221;, punições arbitrárias, regras cambiantes e voluntaristas, etc.). </p>
<p>Direito (no singular) e direitos (no plural) não passam de relações sociais: existem enquanto praticados, jamais como regras abstratas, vigentes de uma vez para sempre.</p>
<p>Daí dizer: ao mesmo tempo em que a denúncia se enquadra nessa luta muito mais ampla para espraiar por toda a sociedade o tipo de relações sociais em que se respeitam contraditório, ampla defesa, presunção de inocência e devido processo legal, penso que se deve partir de uma posição na qual esses &#8220;valores civilizatórios&#8221; não estão dados, estabelecidos e consolidados de uma vez para sempre, como regras abstratas de validade eterna, mas ainda são precários, estão por implementar, pois mesmo os responsáveis por sua aplicação (juízes, escrivães, oficiais de justiça, policiais, detetives, etc.) são gente, vivem numa sociedade onde esses &#8220;valores civilizatórios&#8221; ainda são mais aspirações que regras eficazes, e &#8220;contaminam&#8221; a &#8220;justiça burguesa&#8221; com valores contrários àqueles &#8220;valores civilizatórios&#8221; que defendemos (daí os debates sobre &#8220;justiça seletiva&#8221;, por exemplo).</p>
<p><b>(2)</b><br />
Logo no primeiro parágrafo do ensaio fala-se em &#8220;sede de vingança, ímpeto punitivista e vontade de linchar&#8221;. Do ponto de vista que adoto, o diagnóstico está correto até o ponto em que opera, alusivamente, uma assimilação entre cancelamento e linchamento. Isto porque o &#8220;trisavô&#8221; dos cancelamentos não é o linchamento, mas o <em>banimento</em>.</p>
<p>Essa diferença tem certa relevância na discussão sobre o assunto, porque, historicamente, o banimento foi usado como alternativa à pena de morte (como é o linchamento) que preservava a vida biológica do acusado, mas estabelecia sua &#8220;morte civil&#8221;.</p>
<p>O banimento aplicava-se tanto aos vivos (ex.: <em>homo sacer</em>, <em>vogelfrei</em>, <em>bitlahas</em>, <em>ḥērem</em>, <em>interdictio aquae et ignis</em>, <em>bara’a</em>, <em>Reichsacht</em>, <em>kasepekang</em>) quanto aos mortos (ex.: deixar o corpo de Polinice sem ritos fúnebres, para ser comido pelas feras). </p>
<p>O banimento tanto podia ser permanente (exs.: <em>bitlahas</em>, <em>kasepekang</em>, <em>homo sacer</em>, <em>vogelfrei</em>, etc.) quanto podia ser temporário (ex.: ostracismo ateniense). </p>
<p>Diferentemente do linchamento, a &#8220;morte civil&#8221; decorrente do banimento podia ser estendida além da pessoa do &#8220;defunto&#8221; &#8212; alcançando desde sua família (p. ex.: crime de lesa-majestade das Ordenações Filipinas, com pena de infâmia &#8220;aos de sua linhagem&#8221;) até todos que, de algum modo, ajudassem o &#8220;defunto&#8221; fora-da-lei (p. ex.: dando-lhe alimento ou abrigo, como na pena de <em>interdictio aquae et ignis</em>). </p>
<p>Por fim, o banimento tanto podia ser uma pena aplicada pela autoridade governante (novamente: <em>homo sacer</em>, <em>vogelfrei</em>, <em>interdictio aquae et ignis</em>, etc.) quanto por agrupamentos sem autoridade política (<em>bitlahas</em>, <em>ḥērem</em>, <em>bara’a</em>, etc.). </p>
<p>Agora, veja-se o que acontece ainda hoje, em meio a certas denominações cristãs, com quem se deixa levar pelas &#8220;coisas do mundo&#8221;, ou &#8220;proibidas&#8221;: penso especialmente em Testemunhas de Jeová, mas já vi banimentos muito severos acontecerem tanto entre adventistas quanto entre aderentes à Assembleia de Deus. </p>
<p>Tudo isso é a continuidade do banimento bíblico (<em>ḥērem</em>), ainda em vigor e funcionamento, sem a menor chance de ser &#8220;contaminado&#8221; pelos &#8220;valores civilizatórios&#8221; do contraditório, ampla defesa, presunção de inocência e devido processo legal. </p>
<p>Destaquei o cristianismo pela proximidade e relevância, mas poderia avançar rumo a outras religiões, ou mesmo a grupos unidos por afinidade filosófica ou política. </p>
<p>O cancelamento opera mais ou menos como o banimento: sendo impossível ou indesejável a morte física, aplica-se a &#8220;morte civil&#8221; a alguém indesejável pela comunidade, cuja coesão se reafirma pela expulsão do dissidente, do diferente, do dissonante. (Sinais dssa &#8220;impossibilidade&#8221; ou &#8220;indesejabilidade&#8221; são vistos, por exemplo, em certas entrevistas com parentes de vítimas de homicídio onde aparece repetidamente o clamor pela &#8220;justiça de Deus&#8221; em paralelo ou além da &#8220;justiça dos homens&#8221;: o clamor soa estranho para quem não o percebe como expressão de desejo de vingança, da transferência a &#8220;Deus&#8221; da responsabilidade, dever e missão vingadora de matar o acusado.)</p>
<p>Pior: o banimento sempre se opera partindo do princípio de que o acusado é culpado pela sua própria punição. &#8220;Não fomos nós que o expulsamos; foi ele (ou ela) quem violou nossas regras e causou a própria expulsão&#8221;.</p>
<p>Numa sociedade onde o banimento ainda é amplamente disseminado, como esperar que seus integrantes raciocinem e ajam em termos de contraditório, ampla defesa, presunção de inocência e devido processo legal? É um verdadeiro trabalho de Sísifo.</p>
<p>Esta é mais uma razão pela qual considero que esses &#8220;valores civilizatórios&#8221; não são regras abstratas &#8220;escritas na pedra&#8221;, mas aspirações precárias, frágeis, limitadas, ainda por implementar, pelas quais se deve lutar a cada instante, a cada momento. Ou é isso, ou é ceder ao reino do arbítrio.</p>
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