<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Invisíveis: um caminho, uma saída	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2025/08/157325/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2025/08/157325/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Fri, 19 Sep 2025 01:27:53 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>
	<item>
		<title>
		Por: José Abrahão Castillero		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157325/#comment-1049280</link>

		<dc:creator><![CDATA[José Abrahão Castillero]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 17:47:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=157325#comment-1049280</guid>

					<description><![CDATA[Agora li todo teu comentário, oitavo. Bem legal esse texto. Seria melhor se meu inglês não fosse ruim. Mas posso ler do jeito ruim. Sobre esse militante que disse que o Invisíveis ninguém atua no local de trabalho. Isso é meia verdade. E antes de responder eu pergunto, quando o Invisiveis atuou  somente com militantes no local de trabalho? É exatamente pelo apoio mútuo entre categorias que isso se deu. Como eu disse no texto, estudantes são trabalhadores, seja trabalhando na maior parte do expediente. Ou como trabalhador em qualificação. No caso, eu vi raros casos de militantes mais ativos atuarem como invisiveis em suas categorias. Pelo contrário, a justificativa pra isso não acontecer, sempre foi a fragilidade. Inclusive muitos tem medo de se colocar como membros do Invisíveis. Isso eu estou falando de servidores e estudantes.  Não julgo de modo nenhum essas pessoas, pois a condição invisíveis parece ser um espectro que ronda. É o fundamento do coletivo inclusive. Agora, por motivos óbvios, não posso expor detalhes de militantes Terceirizados e funcionários da empresas que o Invisíveis confronta. Isso eu só pude presenciar momento atual do coletivo. Então, eu novamente pergunto: onde se abandonou a perspectiva do nó invisível? Talvez a cartinha fechada dele de como alguns militantes pensavam (desejavam) que seria. Mas, como é a proposta desse texto, algo mais próximo de uma auto organização dos trabalhadores com o coletivo atua, é quando ele se afirmou como um agente fomentador de estruturas de organização. Acho que isso gerou um ruído com o que eu chamaria &quot;autonomismo ortodoxo&quot;. Ou até com os intelectuais de um campo, que não viram mais seu ritmo levado ele conta. Prevaleceu a aceleração dos relatos e conflitos no local de trabalho. E assim, que eu vi terceirizados literalmente darem a linha no Invisiveis. Não necessariamente formando ou seguindo os passos do nó invisível mas pareceu que o Coletivo estava bem alinhado com essa perspectiva o tempo todo. E óbvio, esses terceirizados foram perseguidos, ameaçados, transferidos, descontados (transferência com insalubridade menor, por exemplo). Não dá pra entrar em detalhes, mas essa foi a maior experiência de &quot;democracia operária&quot; que eu vi no coletivo. Então, realmente o maior aprofundamento do nó invisível foi talvez o distanciamento do início dele. Mas o que seria seguir 100% o no Invisível? Do jeito que você fala fica meio confuso. Seria o coletivo ser uma federação de lutas em locais de trabalho? Acho que esse ponto tá meio superado. Depois de eu falar tanto no texto sobre uma ilusão &quot;espontaneista&quot; em que os meios de comunicação, organização e tecnologias divulgação estejam todos já socializados e coletivizados. Aí parece que a gente tá constantemente voltando ao início: a condição de invisibilidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora li todo teu comentário, oitavo. Bem legal esse texto. Seria melhor se meu inglês não fosse ruim. Mas posso ler do jeito ruim. Sobre esse militante que disse que o Invisíveis ninguém atua no local de trabalho. Isso é meia verdade. E antes de responder eu pergunto, quando o Invisiveis atuou  somente com militantes no local de trabalho? É exatamente pelo apoio mútuo entre categorias que isso se deu. Como eu disse no texto, estudantes são trabalhadores, seja trabalhando na maior parte do expediente. Ou como trabalhador em qualificação. No caso, eu vi raros casos de militantes mais ativos atuarem como invisiveis em suas categorias. Pelo contrário, a justificativa pra isso não acontecer, sempre foi a fragilidade. Inclusive muitos tem medo de se colocar como membros do Invisíveis. Isso eu estou falando de servidores e estudantes.  Não julgo de modo nenhum essas pessoas, pois a condição invisíveis parece ser um espectro que ronda. É o fundamento do coletivo inclusive. Agora, por motivos óbvios, não posso expor detalhes de militantes Terceirizados e funcionários da empresas que o Invisíveis confronta. Isso eu só pude presenciar momento atual do coletivo. Então, eu novamente pergunto: onde se abandonou a perspectiva do nó invisível? Talvez a cartinha fechada dele de como alguns militantes pensavam (desejavam) que seria. Mas, como é a proposta desse texto, algo mais próximo de uma auto organização dos trabalhadores com o coletivo atua, é quando ele se afirmou como um agente fomentador de estruturas de organização. Acho que isso gerou um ruído com o que eu chamaria &#8220;autonomismo ortodoxo&#8221;. Ou até com os intelectuais de um campo, que não viram mais seu ritmo levado ele conta. Prevaleceu a aceleração dos relatos e conflitos no local de trabalho. E assim, que eu vi terceirizados literalmente darem a linha no Invisiveis. Não necessariamente formando ou seguindo os passos do nó invisível mas pareceu que o Coletivo estava bem alinhado com essa perspectiva o tempo todo. E óbvio, esses terceirizados foram perseguidos, ameaçados, transferidos, descontados (transferência com insalubridade menor, por exemplo). Não dá pra entrar em detalhes, mas essa foi a maior experiência de &#8220;democracia operária&#8221; que eu vi no coletivo. Então, realmente o maior aprofundamento do nó invisível foi talvez o distanciamento do início dele. Mas o que seria seguir 100% o no Invisível? Do jeito que você fala fica meio confuso. Seria o coletivo ser uma federação de lutas em locais de trabalho? Acho que esse ponto tá meio superado. Depois de eu falar tanto no texto sobre uma ilusão &#8220;espontaneista&#8221; em que os meios de comunicação, organização e tecnologias divulgação estejam todos já socializados e coletivizados. Aí parece que a gente tá constantemente voltando ao início: a condição de invisibilidade.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: ulisses		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157325/#comment-1049244</link>

		<dc:creator><![CDATA[ulisses]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 15:10:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=157325#comment-1049244</guid>

					<description><![CDATA[questões   de (des)ordem:
centralismo ou autonomia?
centralismo:
democrático ou orgânico?
autonomia:
operária ou proletária?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>questões   de (des)ordem:<br />
centralismo ou autonomia?<br />
centralismo:<br />
democrático ou orgânico?<br />
autonomia:<br />
operária ou proletária?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: José Abrahão Castillero		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157325/#comment-1048963</link>

		<dc:creator><![CDATA[José Abrahão Castillero]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 00:10:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=157325#comment-1048963</guid>

					<description><![CDATA[Já vou responder mais teu comentário, Oitavo. Mas o texto meio que reconhece um limite do Invisíveis, que não teve muitas rupturas na sua forma desde o seu surgimento. A busca por formação dos e construção a partir dos nos invisíveis é exatamente pela complexidade dele que o coletivo é acionado e buscado por terceirizados. Por exemplo, maioria dos espaços de atuação tem grupos de whatsapp próprios, pessoas mais articuladas, tentando promover alguma luta ou paralisação. Mas é exatamente a repressão e ameaças de demissão que deixam tudo mais difícil. Reestruturação produtiva no local, tipo a empresa SOLL na UERJ, colocando assédios e controle da carga horária acima de calotes em salários. Isso deixa os &quot;nos invisíveis&quot; sendo formados e sendo constantemente reprimidos e sabotados. O Invisiveis se colocando como uma &quot;plataforma&quot;, mais do que um grupo de militantes, acaba sendo um motivo de existência. Então a derrota e dificuldade dos &quot;nós invisíveis&quot; é exatamente o fundamento do Invisíveis. Por isso esse texto aqui meio que coloca a necessidade de uma disciplina coletiva em vez de esperar ou só andar quando o fomento dos nós. Então, não tem um deslocamento da perspectiva da formação de nós, pelo contrário. É o aprofundamento disso. Tanto que é por essa aproximação com o local que o coletivo percebeu a necessidade de se afirmar como um apoio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já vou responder mais teu comentário, Oitavo. Mas o texto meio que reconhece um limite do Invisíveis, que não teve muitas rupturas na sua forma desde o seu surgimento. A busca por formação dos e construção a partir dos nos invisíveis é exatamente pela complexidade dele que o coletivo é acionado e buscado por terceirizados. Por exemplo, maioria dos espaços de atuação tem grupos de whatsapp próprios, pessoas mais articuladas, tentando promover alguma luta ou paralisação. Mas é exatamente a repressão e ameaças de demissão que deixam tudo mais difícil. Reestruturação produtiva no local, tipo a empresa SOLL na UERJ, colocando assédios e controle da carga horária acima de calotes em salários. Isso deixa os &#8220;nos invisíveis&#8221; sendo formados e sendo constantemente reprimidos e sabotados. O Invisiveis se colocando como uma &#8220;plataforma&#8221;, mais do que um grupo de militantes, acaba sendo um motivo de existência. Então a derrota e dificuldade dos &#8220;nós invisíveis&#8221; é exatamente o fundamento do Invisíveis. Por isso esse texto aqui meio que coloca a necessidade de uma disciplina coletiva em vez de esperar ou só andar quando o fomento dos nós. Então, não tem um deslocamento da perspectiva da formação de nós, pelo contrário. É o aprofundamento disso. Tanto que é por essa aproximação com o local que o coletivo percebeu a necessidade de se afirmar como um apoio.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: oitavo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/08/157325/#comment-1048940</link>

		<dc:creator><![CDATA[oitavo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 21:34:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=157325#comment-1048940</guid>

					<description><![CDATA[Massa o texto, Zé. É interessante ver o desenvolvimento do Invisíveis de forma mais elaborada em uma reflexão sobre esse novo momento do coletivo pra além das postagens nas redes que mostram uma constância e uma quantidade de relatos absurda, o que certamente é o reflexo da maturação do coletivo em sua empreitada. Nesse sentido, o novo texto me parece uma atualização do &quot;Para que serve o Invisíveis&quot;, fugindo da abstração e apresentando questões concretas que se colocam na luta dos terceirizados das universidades no RJ. Tendo participado do Invisíveis, e militado com membros do coletivo em cidades distintas, gostaria de contribuir com o debate a partir de algumas reflexões minhas (e portanto, não são reflexões em nome de nenhum coletivo) sobre várias questões que tu apresentou aqui.

Quando o &quot;Para que serve o Invisíveis&quot; saiu, eu senti que faltava uma reflexão coletiva mais aprofundada do coletivo sobre sua própria história - que na época contava com um coletivo em Goiânia e outro no Rio de Janeiro - mas parece que na época não havia interesse coletivo em entrar nesse debate. Mais, sentia que o formato encontrado pelos camaradas do Rio de Janeiro não era o mesmo formato encontrado pelos camaradas de Goiânia, reflexo de suas composições. O Invisíveis no Rio havia começado pela iniciativa de estudantes na UERJ interessados em apoiar os terceirizados na universidade, enquanto que em Goiânia o coletivo se formou por um grupo de técnicos administrativos de uma universidade que se organizaram para apoiar os trabalhadores terceirizados da mesma. O objetivo aí tá alinhado, mas parece haver uma diferença significativa de forma. Daí que o &quot;nó invisível&quot; de fato não se estabeleceu no Rio, porque de acordo com o link que você mesmo mandou &quot;Um Nó Invisível é um grupo pequeno de trabalhadores e trabalhadoras na empresa ou no local de trabalho que garante o acesso dos trabalhadores daquele lugar às informações dos outros trabalhadores e informa o restante dos trabalhadores sobre o que tá rolando no local..&quot;, parece muito mais ligado a uma estratégia auto-organização por local de trabalho. Em Goiânia, à partir desse núcleo de técnicos, trabalhadores-militantes de outras empresas começaram a se articular junto ao coletivo, e aí sim começou o estabelecimento de vários nós (universidade, instituto federal, escola, ...). Mas isso não quer dizer que a forma encontrada pelos camaradas do Rio fosse pior ou melhor do que ao dos camaradas de Goiânia. É interessante notar que, talvez pela forma mais &quot;solta&quot;, menos &quot;presa&quot; nos locais de trabalho onde os militantes estavam, o Invisíveis Rio teve facilidade de se aproximar do movimento dos entregadores, abrindo outros caminhos de exploração e intervenção, coisa que parece que não rolou no Invisíveis Goiânia (até onde tô sabendo). 

Nesse sentido, quando alguns camaradas lançaram o &quot;Carta aos Invisíveis&quot;, senti falta de uma resposta coletiva que colocasse na ordem do dia práticas reais do coletivo que conflitavam com a falsa dicotomia que se criou, e que o texto de certa forma reforçava entre os grupos militantes - e aí a treta se estendeu e acabou abrindo um vácuo entre esses dois campos de camaradas -, entre solidariedade e conflito. Para citar um exemplo concreto: quando uma trabalhadora militante do Invisíveis se organizou com sua colega de trabalho (nó invisível) para juntas fortalecerem a luta de estudantes que tinham uma série de demandas para a diretora, esse processo foi inteiramente conflituoso e lido como revolta pela diretoria. A paralisação estudantil que decorreu desse processo trouxo consigo uma perseguição sem tamanho em alunos - muitos dos quais foram perseguidos e expulsos - e nas professoras - que foram mandadas para a delegacia e demitidas. Mas não para por aí porque esse processo não só trouxe a união de alunos e professores, mas também de pais de alunos, o que fez com que a mãe de uma aluna até se aproximasse do Invisíveis através do contato com o nó, e mais tarde essa mesma mãe aproximou o coletivo dos problemas em seu próprio local de trabalho: um call center - e aí o coletivo acabou desenvolvendo militância em call centers. Também veio do coletivo articulação para ajudar os demitidos a acharem outro trampo. 

Não seria nada disso algo próximo da rede de recusa que os camaradas que escreveram o &quot;Carta aos Invisíveis&quot; citaram? Não encontramos aí tanto revolta quanto solidariedade se misturando e se fortalecendo? Não estaria o próprio coletivo experimentando essas formas de &quot;recusa&quot;, &quot;solidariedade na recusa&quot; ou &quot;conflito + solidariedade&quot;, talvez sem refletir muito sobre elas? Nesse sentido, eu não vejo a questão como você colocou no texto atual de &quot;luta&quot; = &quot;revolta&quot;, quando cita a correção feita por um membro do coletivo quando alguém falou que o invisíveis estava envolvido em &quot;lutas&quot;, porque pra mim essas relações de novo tipo são lutas, e a solidariedade tem um lugar essencial aí.

Na forma como eu vejo, esse novo texto vem em um momento de consolidação desse trabalho do &quot;invisíveis 2.0&quot; (falo assim pra situar em relação ao que foi a etapa anterior dos dois coletivos, tanto no RJ quanto em GO), e como eu disse anteriormente, parece uma atualização do &quot;Para que serve o Invisíveis&quot; só que agora trazendo mais explicitamente os termos do movimento real, da consolidação do trabalho militante do coletivo e, porque não, da elaboração de uma nova forma. Digo nova forma porque, novamente, eu acho que no RJ o Invisíveis se desenvolveu de um jeito muito distinto de como se colocou em Goiânia com o que foi chamado da rede do invisíveis e do estabelecimento dos &quot;Nós invisíveis&quot;. O próprio fato de atualmente o Invisíveis não incentivar a formação dos nós nas postagens parece explicitar isso. Ao mesmo tempo, essa nova forma também colocou o Invisíveis como uma referência na militância com os trabalhadores terceirizados - e não é dificil encontrar estudantes militantes de outras organizações e de distintos estados imprimindo materiais bem próximos do Invisíveis e tentando agitar em suas universidades, muitas vezes explicitamente e falando que foram incentivados pelo Invisíveis mesmo. Eu mesmo fiz parte de uma iniciativa onde estava estudando para apoio dos terceirizados, que óbviamente não chegou nada próximo da explosão de lutas que acompanhamos nas redes dos Invisíveis, com direito a formas auto-organizadas dos terceirizados pra enfrentar os abusos dos patrões, coisa que o contexto do Rio de Janeiro parece impulsionar mas que não explica sozinho - o Invisíveis certamente tem parte nisso (li um texto em que o Gigi Roggero apresenta isso bem quando cita sobre os eventos de revolta na Piazza Statuto e o caso de que quando perguntaram para Alquati se eles, os militantes, esperavam aquela revolta de trabalhadores, ele respondeu dizendo &quot;nós não esperávamos mas nós organizamos&quot;, não num sentido de que dirigiram (o que se expressa no ser pego de surpresa quando ocorreu) mas no de estar orgânico e construir junto esse processo ( https://ephemerajournal.org/contribution/notes-framing-and-re-inventing-co-research ).

O texto me fez refletir bastante, mas também deixou umas coisas no ar, porque por mais que os &quot;nós&quot; não se apresentem na prática, você pega ele pra reflexão. No ano passado, rolou uma prosa com um camarada do Invisíveis que estava visitando aqui a cidade e, na sua explicação, ele deixou claro que no desenvolvimento atual os militantes não militavam onde trabalhavam. Isso foi muito interessante porque reforçou pra mim essa distância de forma entre o &quot;invisíveis do nó&quot; e o &quot;Invisíveis 2.0&quot;. E não acho que o camarada tenha dito isso de forma definitiva, como se fosse uma linha tirada, mas uma reflexão do momento, um mapeamento da ação real. Isso foi ano passado também, não sei como isso se coloca hoje.

Enfim, fiquei pensando várias questões aqui e queria compartilhar um pouco essas coisas que ficaram martelando a cabeça. Valeu demais o compartilhamento!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Massa o texto, Zé. É interessante ver o desenvolvimento do Invisíveis de forma mais elaborada em uma reflexão sobre esse novo momento do coletivo pra além das postagens nas redes que mostram uma constância e uma quantidade de relatos absurda, o que certamente é o reflexo da maturação do coletivo em sua empreitada. Nesse sentido, o novo texto me parece uma atualização do &#8220;Para que serve o Invisíveis&#8221;, fugindo da abstração e apresentando questões concretas que se colocam na luta dos terceirizados das universidades no RJ. Tendo participado do Invisíveis, e militado com membros do coletivo em cidades distintas, gostaria de contribuir com o debate a partir de algumas reflexões minhas (e portanto, não são reflexões em nome de nenhum coletivo) sobre várias questões que tu apresentou aqui.</p>
<p>Quando o &#8220;Para que serve o Invisíveis&#8221; saiu, eu senti que faltava uma reflexão coletiva mais aprofundada do coletivo sobre sua própria história &#8211; que na época contava com um coletivo em Goiânia e outro no Rio de Janeiro &#8211; mas parece que na época não havia interesse coletivo em entrar nesse debate. Mais, sentia que o formato encontrado pelos camaradas do Rio de Janeiro não era o mesmo formato encontrado pelos camaradas de Goiânia, reflexo de suas composições. O Invisíveis no Rio havia começado pela iniciativa de estudantes na UERJ interessados em apoiar os terceirizados na universidade, enquanto que em Goiânia o coletivo se formou por um grupo de técnicos administrativos de uma universidade que se organizaram para apoiar os trabalhadores terceirizados da mesma. O objetivo aí tá alinhado, mas parece haver uma diferença significativa de forma. Daí que o &#8220;nó invisível&#8221; de fato não se estabeleceu no Rio, porque de acordo com o link que você mesmo mandou &#8220;Um Nó Invisível é um grupo pequeno de trabalhadores e trabalhadoras na empresa ou no local de trabalho que garante o acesso dos trabalhadores daquele lugar às informações dos outros trabalhadores e informa o restante dos trabalhadores sobre o que tá rolando no local..&#8221;, parece muito mais ligado a uma estratégia auto-organização por local de trabalho. Em Goiânia, à partir desse núcleo de técnicos, trabalhadores-militantes de outras empresas começaram a se articular junto ao coletivo, e aí sim começou o estabelecimento de vários nós (universidade, instituto federal, escola, &#8230;). Mas isso não quer dizer que a forma encontrada pelos camaradas do Rio fosse pior ou melhor do que ao dos camaradas de Goiânia. É interessante notar que, talvez pela forma mais &#8220;solta&#8221;, menos &#8220;presa&#8221; nos locais de trabalho onde os militantes estavam, o Invisíveis Rio teve facilidade de se aproximar do movimento dos entregadores, abrindo outros caminhos de exploração e intervenção, coisa que parece que não rolou no Invisíveis Goiânia (até onde tô sabendo). </p>
<p>Nesse sentido, quando alguns camaradas lançaram o &#8220;Carta aos Invisíveis&#8221;, senti falta de uma resposta coletiva que colocasse na ordem do dia práticas reais do coletivo que conflitavam com a falsa dicotomia que se criou, e que o texto de certa forma reforçava entre os grupos militantes &#8211; e aí a treta se estendeu e acabou abrindo um vácuo entre esses dois campos de camaradas -, entre solidariedade e conflito. Para citar um exemplo concreto: quando uma trabalhadora militante do Invisíveis se organizou com sua colega de trabalho (nó invisível) para juntas fortalecerem a luta de estudantes que tinham uma série de demandas para a diretora, esse processo foi inteiramente conflituoso e lido como revolta pela diretoria. A paralisação estudantil que decorreu desse processo trouxo consigo uma perseguição sem tamanho em alunos &#8211; muitos dos quais foram perseguidos e expulsos &#8211; e nas professoras &#8211; que foram mandadas para a delegacia e demitidas. Mas não para por aí porque esse processo não só trouxe a união de alunos e professores, mas também de pais de alunos, o que fez com que a mãe de uma aluna até se aproximasse do Invisíveis através do contato com o nó, e mais tarde essa mesma mãe aproximou o coletivo dos problemas em seu próprio local de trabalho: um call center &#8211; e aí o coletivo acabou desenvolvendo militância em call centers. Também veio do coletivo articulação para ajudar os demitidos a acharem outro trampo. </p>
<p>Não seria nada disso algo próximo da rede de recusa que os camaradas que escreveram o &#8220;Carta aos Invisíveis&#8221; citaram? Não encontramos aí tanto revolta quanto solidariedade se misturando e se fortalecendo? Não estaria o próprio coletivo experimentando essas formas de &#8220;recusa&#8221;, &#8220;solidariedade na recusa&#8221; ou &#8220;conflito + solidariedade&#8221;, talvez sem refletir muito sobre elas? Nesse sentido, eu não vejo a questão como você colocou no texto atual de &#8220;luta&#8221; = &#8220;revolta&#8221;, quando cita a correção feita por um membro do coletivo quando alguém falou que o invisíveis estava envolvido em &#8220;lutas&#8221;, porque pra mim essas relações de novo tipo são lutas, e a solidariedade tem um lugar essencial aí.</p>
<p>Na forma como eu vejo, esse novo texto vem em um momento de consolidação desse trabalho do &#8220;invisíveis 2.0&#8221; (falo assim pra situar em relação ao que foi a etapa anterior dos dois coletivos, tanto no RJ quanto em GO), e como eu disse anteriormente, parece uma atualização do &#8220;Para que serve o Invisíveis&#8221; só que agora trazendo mais explicitamente os termos do movimento real, da consolidação do trabalho militante do coletivo e, porque não, da elaboração de uma nova forma. Digo nova forma porque, novamente, eu acho que no RJ o Invisíveis se desenvolveu de um jeito muito distinto de como se colocou em Goiânia com o que foi chamado da rede do invisíveis e do estabelecimento dos &#8220;Nós invisíveis&#8221;. O próprio fato de atualmente o Invisíveis não incentivar a formação dos nós nas postagens parece explicitar isso. Ao mesmo tempo, essa nova forma também colocou o Invisíveis como uma referência na militância com os trabalhadores terceirizados &#8211; e não é dificil encontrar estudantes militantes de outras organizações e de distintos estados imprimindo materiais bem próximos do Invisíveis e tentando agitar em suas universidades, muitas vezes explicitamente e falando que foram incentivados pelo Invisíveis mesmo. Eu mesmo fiz parte de uma iniciativa onde estava estudando para apoio dos terceirizados, que óbviamente não chegou nada próximo da explosão de lutas que acompanhamos nas redes dos Invisíveis, com direito a formas auto-organizadas dos terceirizados pra enfrentar os abusos dos patrões, coisa que o contexto do Rio de Janeiro parece impulsionar mas que não explica sozinho &#8211; o Invisíveis certamente tem parte nisso (li um texto em que o Gigi Roggero apresenta isso bem quando cita sobre os eventos de revolta na Piazza Statuto e o caso de que quando perguntaram para Alquati se eles, os militantes, esperavam aquela revolta de trabalhadores, ele respondeu dizendo &#8220;nós não esperávamos mas nós organizamos&#8221;, não num sentido de que dirigiram (o que se expressa no ser pego de surpresa quando ocorreu) mas no de estar orgânico e construir junto esse processo ( <a href="https://ephemerajournal.org/contribution/notes-framing-and-re-inventing-co-research" rel="nofollow ugc">https://ephemerajournal.org/contribution/notes-framing-and-re-inventing-co-research</a> ).</p>
<p>O texto me fez refletir bastante, mas também deixou umas coisas no ar, porque por mais que os &#8220;nós&#8221; não se apresentem na prática, você pega ele pra reflexão. No ano passado, rolou uma prosa com um camarada do Invisíveis que estava visitando aqui a cidade e, na sua explicação, ele deixou claro que no desenvolvimento atual os militantes não militavam onde trabalhavam. Isso foi muito interessante porque reforçou pra mim essa distância de forma entre o &#8220;invisíveis do nó&#8221; e o &#8220;Invisíveis 2.0&#8221;. E não acho que o camarada tenha dito isso de forma definitiva, como se fosse uma linha tirada, mas uma reflexão do momento, um mapeamento da ação real. Isso foi ano passado também, não sei como isso se coloca hoje.</p>
<p>Enfim, fiquei pensando várias questões aqui e queria compartilhar um pouco essas coisas que ficaram martelando a cabeça. Valeu demais o compartilhamento!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
