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	Comentários sobre: Um manifesto incómodo. 3	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157145/#comment-1080174</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 21:48:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Francisco Gonzaga,

&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; Eu expus &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2023/03/147227/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; os motivos que me levaram, no &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;, a praticamente não abordar os casos da América Latina, com excepção de breves referências ao Estado Novo de Getúlio Vargas e de um capítulo extenso sobre o primeiro governo de Perón. Mas precisamente esse peronismo original teve uma influência determinante sobre Hugo Chávez e sobre o regime que ele instaurou. Aliás, a influência não foi só histórica, porque fascistas argentinos colaboraram na formação dos serviços secretos bolivarianos. 
Sem ser citada explicitamente, a evolução do regime bolivariano, mais acentuadamente depois da morte de Chávez e sob a presidência de Nicolás Maduro, está por detrás do que escrevi num artigo sobre o que denominei &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;https://passapalavra.info/2019/09/127867/&quot; rel=&quot;ugc&quot;&gt;sistema da vaca leiteira&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. O capitalismo disfuncional que ali analiso só consegue sobreviver graças a um capitalismo de geometria dupla, ao mesmo tempo paralela e subterrânea. E como o governo delega nas forças armadas e nas polícias a fiscalização dessa economia ilegal, isto significa que os órgãos repressivos, incluindo os comités de bairro, beneficiam das quantias que extorquem nessa actividade. Em resumo, uma economia paralela pressupõe um sistema de impostos paralelo. É nesta base que assenta a coesão do actual sistema político venezuelano. 
O aspecto talvez mais interessante da recente agressão americana é o facto de, para já, preferir que se mantenha em vigor aquele sistema político e económico, em vez de o substituir por uma Corina Machado que — coitada! — julgava que era levada na bagagem. E os presos políticos continuam presos políticos. O fascismo corruptor de Trump sente-se à vontade no fascismo corrupto do regime bolivariano.

&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; Quanto ao terceiro-mundismo da esquerda latino-americana, com aspas e por vezes até sem elas, desponta logo ao primeiro pretexto. Escrevi muitas vezes que, quando o nacionalismo permeia o movimento operário, o fascismo não anda longe. Continuo a pensar o mesmo.

&lt;strong&gt;3)&lt;/strong&gt; Quanto à sua última questão, há uma diferença entre o peso que a narco-economia pode ter num país e a classificação da globalidade desse país como narco-capitalista. Pelo que li, talvez seja o Equador que mais se aproxime dessa situação, mas não estudei o assunto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Francisco Gonzaga,</p>
<p><strong>1)</strong> Eu expus <em><a href="https://passapalavra.info/2023/03/147227/" rel="ugc">aqui</a></em> os motivos que me levaram, no <em>Labirintos do Fascismo</em>, a praticamente não abordar os casos da América Latina, com excepção de breves referências ao Estado Novo de Getúlio Vargas e de um capítulo extenso sobre o primeiro governo de Perón. Mas precisamente esse peronismo original teve uma influência determinante sobre Hugo Chávez e sobre o regime que ele instaurou. Aliás, a influência não foi só histórica, porque fascistas argentinos colaboraram na formação dos serviços secretos bolivarianos.<br />
Sem ser citada explicitamente, a evolução do regime bolivariano, mais acentuadamente depois da morte de Chávez e sob a presidência de Nicolás Maduro, está por detrás do que escrevi num artigo sobre o que denominei <em><a href="https://passapalavra.info/2019/09/127867/" rel="ugc">sistema da vaca leiteira</a></em>. O capitalismo disfuncional que ali analiso só consegue sobreviver graças a um capitalismo de geometria dupla, ao mesmo tempo paralela e subterrânea. E como o governo delega nas forças armadas e nas polícias a fiscalização dessa economia ilegal, isto significa que os órgãos repressivos, incluindo os comités de bairro, beneficiam das quantias que extorquem nessa actividade. Em resumo, uma economia paralela pressupõe um sistema de impostos paralelo. É nesta base que assenta a coesão do actual sistema político venezuelano.<br />
O aspecto talvez mais interessante da recente agressão americana é o facto de, para já, preferir que se mantenha em vigor aquele sistema político e económico, em vez de o substituir por uma Corina Machado que — coitada! — julgava que era levada na bagagem. E os presos políticos continuam presos políticos. O fascismo corruptor de Trump sente-se à vontade no fascismo corrupto do regime bolivariano.</p>
<p><strong>2)</strong> Quanto ao terceiro-mundismo da esquerda latino-americana, com aspas e por vezes até sem elas, desponta logo ao primeiro pretexto. Escrevi muitas vezes que, quando o nacionalismo permeia o movimento operário, o fascismo não anda longe. Continuo a pensar o mesmo.</p>
<p><strong>3)</strong> Quanto à sua última questão, há uma diferença entre o peso que a narco-economia pode ter num país e a classificação da globalidade desse país como narco-capitalista. Pelo que li, talvez seja o Equador que mais se aproxime dessa situação, mas não estudei o assunto.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<item>
		<title>
		Por: Francisco Gonzaga		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157145/#comment-1080147</link>

		<dc:creator><![CDATA[Francisco Gonzaga]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 18:08:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Diante da recente invasão dos EUA à Venezuela, seu artigo me fez pensar: como você enxerga o regime venezuelano? Pois, para já, tal invasão parece ter suscitado um novo sopro de terceiro-mundismo na atual &quot;esquerda&quot; latino-americana.

Aproveito e lhe faço outra pergunta: você acha que alguns países latino-americanos podem ser classificados como narco-capitalistas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Diante da recente invasão dos EUA à Venezuela, seu artigo me fez pensar: como você enxerga o regime venezuelano? Pois, para já, tal invasão parece ter suscitado um novo sopro de terceiro-mundismo na atual &#8220;esquerda&#8221; latino-americana.</p>
<p>Aproveito e lhe faço outra pergunta: você acha que alguns países latino-americanos podem ser classificados como narco-capitalistas?</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157145/#comment-1053528</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 09:02:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[L de SP,
Durante a segunda guerra mundial o fascismo nipónico promoveu ou acelerou a independência de um vasto arco de países que incluiu a Indonésia, Timor, as Filipinas, o Vietname, a Birmânia e até a Índia. Ba Maw estava certo, e sabia do que falava, quando escreveu que sem a Esfera da Co-Prosperidade não teria havido a Conferência de Bandung. Foi essa a génese imediata das independências asiáticas. Tratei de tudo isto com detalhe no &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; (São Paulo: Hedra, 2022), vol. VI, págs. 55-110. A versão publicada pela editora Hedra é revista, actualizada e mais detalhada do que as versões anteriores, mas quem não possa dispor da edição em papel ou sequer em &lt;em&gt;ebook&lt;/em&gt; poderá consultar as págs. 1274-1318 da versão de 2018 &lt;a href=&quot;https://archive.org/details/jb-ldf-nedoedr/BERNARDO%2C%20Jo%C3%A3o.%20Labirintos%20do%20fascismo.%203%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o/page/n1273/mode/2up&quot; rel=&quot;nofollow ugc&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;. É curioso como estas componentes decisivas da História são dissimuladas não só pelos antigos colonizadores, mas ainda pelos herdeiros das independências.

Fernando,
Só estudei com detalhe a luta pela independência do Vietname no período do fascismo clássico, por isso não lhe posso aconselhar nada para a época posterior, nomeadamente para a guerra contra os franceses e depois contra os americanos. Apesar disto, aconselho-o a ver a bibliografia que indico nas notas de rodapé da versão Hedra ou mesmo da versão de 2018. Estou certo de que ficará tão surpreendido como eu fiquei quando escrevi aquelas páginas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>L de SP,<br />
Durante a segunda guerra mundial o fascismo nipónico promoveu ou acelerou a independência de um vasto arco de países que incluiu a Indonésia, Timor, as Filipinas, o Vietname, a Birmânia e até a Índia. Ba Maw estava certo, e sabia do que falava, quando escreveu que sem a Esfera da Co-Prosperidade não teria havido a Conferência de Bandung. Foi essa a génese imediata das independências asiáticas. Tratei de tudo isto com detalhe no <em>Labirintos do Fascismo</em> (São Paulo: Hedra, 2022), vol. VI, págs. 55-110. A versão publicada pela editora Hedra é revista, actualizada e mais detalhada do que as versões anteriores, mas quem não possa dispor da edição em papel ou sequer em <em>ebook</em> poderá consultar as págs. 1274-1318 da versão de 2018 <a href="https://archive.org/details/jb-ldf-nedoedr/BERNARDO%2C%20Jo%C3%A3o.%20Labirintos%20do%20fascismo.%203%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o/page/n1273/mode/2up" rel="nofollow ugc">aqui</a>. É curioso como estas componentes decisivas da História são dissimuladas não só pelos antigos colonizadores, mas ainda pelos herdeiros das independências.</p>
<p>Fernando,<br />
Só estudei com detalhe a luta pela independência do Vietname no período do fascismo clássico, por isso não lhe posso aconselhar nada para a época posterior, nomeadamente para a guerra contra os franceses e depois contra os americanos. Apesar disto, aconselho-o a ver a bibliografia que indico nas notas de rodapé da versão Hedra ou mesmo da versão de 2018. Estou certo de que ficará tão surpreendido como eu fiquei quando escrevi aquelas páginas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157145/#comment-1053520</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 08:44:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João, eu gostaria de acrescentar uma coisa ao pedido feito acima: se possível, deixe aqui alguma indicação de leitura incontornável sobre as lutas anticoloniais no Vietnã. Muito obrigado!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João, eu gostaria de acrescentar uma coisa ao pedido feito acima: se possível, deixe aqui alguma indicação de leitura incontornável sobre as lutas anticoloniais no Vietnã. Muito obrigado!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: L de SP		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157145/#comment-1053478</link>

		<dc:creator><![CDATA[L de SP]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 03:47:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Olá João Bernardo, tudo bem?

Poderia comentar melhor esse trecho? 

&quot;Os governantes japoneses esforçaram-se por assegurar o êxito de pelo menos um dos seus lemas — «a Ásia para os asiáticos» — e prepararam um pós-guerra que comprometesse definitivamente o colonialismo europeu e americano naquela região do mundo. O estímulo dado à luta anticolonial e especialmente aos movimentos de independência e a atribuição de poderes governamentais aos dirigentes nacionalistas que se haviam colocado sob a égide do fascismo nipónico foram, afinal, o legado duradouro da Esfera da Co-Prosperidade.&quot;

De fato, já li sobre casos de militares japoneses que serviram no Vietnã que se engajaram na luta anticolonial vietnamita logo após, mas mais como algo isolado. Você poderia desenvolver melhor, por favor? Obrigado!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá João Bernardo, tudo bem?</p>
<p>Poderia comentar melhor esse trecho? </p>
<p>&#8220;Os governantes japoneses esforçaram-se por assegurar o êxito de pelo menos um dos seus lemas — «a Ásia para os asiáticos» — e prepararam um pós-guerra que comprometesse definitivamente o colonialismo europeu e americano naquela região do mundo. O estímulo dado à luta anticolonial e especialmente aos movimentos de independência e a atribuição de poderes governamentais aos dirigentes nacionalistas que se haviam colocado sob a égide do fascismo nipónico foram, afinal, o legado duradouro da Esfera da Co-Prosperidade.&#8221;</p>
<p>De fato, já li sobre casos de militares japoneses que serviram no Vietnã que se engajaram na luta anticolonial vietnamita logo após, mas mais como algo isolado. Você poderia desenvolver melhor, por favor? Obrigado!</p>
]]></content:encoded>
		
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