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	Comentários sobre: A vida é uma ordem?	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Adriano		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157719/#comment-1078016</link>

		<dc:creator><![CDATA[Adriano]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Dec 2025 22:37:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Relendo agora seu artigo me pego lembrando do filósofo alemão Phillip Mainländer. Sua vida – e sua morte – me parece ter ilustrado um tipo de suicídio que Camus chamaria de filosófico. Também antecipou Nietzsche ao proclamar a &quot;morte de Deus&quot;, embora sua versão para este óbito tenha sido infinitamente mais escandalosa: Deus cometera suicídio e o mundo é seu cadáver.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relendo agora seu artigo me pego lembrando do filósofo alemão Phillip Mainländer. Sua vida – e sua morte – me parece ter ilustrado um tipo de suicídio que Camus chamaria de filosófico. Também antecipou Nietzsche ao proclamar a &#8220;morte de Deus&#8221;, embora sua versão para este óbito tenha sido infinitamente mais escandalosa: Deus cometera suicídio e o mundo é seu cadáver.</p>
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		<title>
		Por: Tarnau		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157719/#comment-1058983</link>

		<dc:creator><![CDATA[Tarnau]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2025 13:32:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Corajosamente, o terapeuta e pesquisador Diogo de Oliveira Boccardi mostra como o discurso segundo o qual a vida indiscutivelmente vale a pena é socialmente construído e interessado, além de ser moralizante e limitado. A vida não é uma graça divina, indiscutível e irrecusável, ainda mais numa sociedade despedaçada pelo capital.&quot;

A perspectiva do autor parece ir ao encontro do que Karl Marx já anunciava em 1846: &quot;Tudo o que se disse contra o suicídio gira em torno do mesmo círculo de ideias. A ele são contrapostos os desígnios da Providência, mas a própria existência do suicídio é um notório protesto contra esses desígnios ininteligíveis. Falam-nos de nossos deveres para com a sociedade, sem que, no entanto, nossos direitos em relação a essa sociedade sejam esclarecidos e efetivados, e termina-se por exaltar a façanha mil vezes maior de dominar a dor ao invés de sucumbir a ela, uma façanha tão lúgubre quanto a perspectiva que ela inaugura. Em poucas palavras, faz-se do suicídio um ato de covardia, um crime contra as leis, a sociedade e a honra.&quot; (MARX, K. Sobre o suicídio. São Paulo: Boitempo Editorial, 2006, p. 27)

Neste sentido, a atualidade de Marx parece incontesti: Tarnau, nosso suicida, dizia nos papéis que deixou “que, não podendo mais ser útil a sua família, e sendo forçado a viver à custa de sua mulher e de seus filhos, achava que era sua obrigação privar­-se da vida para aliviá­-los dessa sobrecarga; ele recomendava suas filhas à duquesa de Angoulême; esperava, da bondade dessa princesa, que se tivesse piedade de tanta miséria”(MARX, 2006, p. 49). Neste sentido, a afirmação do autor &quot;se fosse um trabalhador precarizado e não um escritor consagrado; Camus seria encaminhado a um serviço de saúde mental e, provavelmente, medicado. É que a vida foi transformada numa ordem inquestionável&quot;... embora correta, é incompleta... A vida, no modo de produção capitalista só é inquestionável enquanto o trabalhador pode produzir e consumir. Não à toa a celebre frase de FHC: Aposentado é tudo vagabundo...
E a vida passa a ser cada vez mais sob uma ótica econômica: do aborto ao aposentado...

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

Um adendo:

Interessante notar o quanto o tema morte e suicídio é um tabu inclusive &quot;nas esquerdas&quot; e o quanto estas &quot;esquerdas&quot; são contraditórias: ao mesmo tempo em que defendem o aborto, se colocam, muitas vezes, contra o suicídio...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Corajosamente, o terapeuta e pesquisador Diogo de Oliveira Boccardi mostra como o discurso segundo o qual a vida indiscutivelmente vale a pena é socialmente construído e interessado, além de ser moralizante e limitado. A vida não é uma graça divina, indiscutível e irrecusável, ainda mais numa sociedade despedaçada pelo capital.&#8221;</p>
<p>A perspectiva do autor parece ir ao encontro do que Karl Marx já anunciava em 1846: &#8220;Tudo o que se disse contra o suicídio gira em torno do mesmo círculo de ideias. A ele são contrapostos os desígnios da Providência, mas a própria existência do suicídio é um notório protesto contra esses desígnios ininteligíveis. Falam-nos de nossos deveres para com a sociedade, sem que, no entanto, nossos direitos em relação a essa sociedade sejam esclarecidos e efetivados, e termina-se por exaltar a façanha mil vezes maior de dominar a dor ao invés de sucumbir a ela, uma façanha tão lúgubre quanto a perspectiva que ela inaugura. Em poucas palavras, faz-se do suicídio um ato de covardia, um crime contra as leis, a sociedade e a honra.&#8221; (MARX, K. Sobre o suicídio. São Paulo: Boitempo Editorial, 2006, p. 27)</p>
<p>Neste sentido, a atualidade de Marx parece incontesti: Tarnau, nosso suicida, dizia nos papéis que deixou “que, não podendo mais ser útil a sua família, e sendo forçado a viver à custa de sua mulher e de seus filhos, achava que era sua obrigação privar­-se da vida para aliviá­-los dessa sobrecarga; ele recomendava suas filhas à duquesa de Angoulême; esperava, da bondade dessa princesa, que se tivesse piedade de tanta miséria”(MARX, 2006, p. 49). Neste sentido, a afirmação do autor &#8220;se fosse um trabalhador precarizado e não um escritor consagrado; Camus seria encaminhado a um serviço de saúde mental e, provavelmente, medicado. É que a vida foi transformada numa ordem inquestionável&#8221;&#8230; embora correta, é incompleta&#8230; A vida, no modo de produção capitalista só é inquestionável enquanto o trabalhador pode produzir e consumir. Não à toa a celebre frase de FHC: Aposentado é tudo vagabundo&#8230;<br />
E a vida passa a ser cada vez mais sob uma ótica econômica: do aborto ao aposentado&#8230;</p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>Um adendo:</p>
<p>Interessante notar o quanto o tema morte e suicídio é um tabu inclusive &#8220;nas esquerdas&#8221; e o quanto estas &#8220;esquerdas&#8221; são contraditórias: ao mesmo tempo em que defendem o aborto, se colocam, muitas vezes, contra o suicídio&#8230;</p>
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		<title>
		Por: Ze do Caixão		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2025/09/157719/#comment-1058223</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ze do Caixão]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 22:24:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Parabenizo o autor pelo excelente texto.
&quot;É que a vida foi transformada numa ordem inquestionável&quot;... Mas mesmo quando questionada, este questionamento tem o potencial de vir a ser apropriada pelo capitalismo. 
Dizem que os &quot;Simpsons&quot; prevêem o futuro. Acho que &quot;Futurama&quot; também... Dos mesmos criadores de os Simpsons,  em um episódio há as &quot;cabines de suicídio&quot;, com diversas formas e valores para realizá-lo.
Se a morte sempre foi um setor produtivo no capitalismo, o suicídio não há de ficar de fora, especialmente porque a produtividade é condição sine qua non para sua existência... Parece contraditório, mas destruição (inclusive humana) também produz... O que me faz lembrar Legião Urbana...
(...)Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria
Pra que exportar comida
Se as armas dão mais lucros na exportação?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parabenizo o autor pelo excelente texto.<br />
&#8220;É que a vida foi transformada numa ordem inquestionável&#8221;&#8230; Mas mesmo quando questionada, este questionamento tem o potencial de vir a ser apropriada pelo capitalismo.<br />
Dizem que os &#8220;Simpsons&#8221; prevêem o futuro. Acho que &#8220;Futurama&#8221; também&#8230; Dos mesmos criadores de os Simpsons,  em um episódio há as &#8220;cabines de suicídio&#8221;, com diversas formas e valores para realizá-lo.<br />
Se a morte sempre foi um setor produtivo no capitalismo, o suicídio não há de ficar de fora, especialmente porque a produtividade é condição sine qua non para sua existência&#8230; Parece contraditório, mas destruição (inclusive humana) também produz&#8230; O que me faz lembrar Legião Urbana&#8230;<br />
(&#8230;)Uma guerra sempre avança a tecnologia<br />
Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria<br />
Pra que exportar comida<br />
Se as armas dão mais lucros na exportação?</p>
]]></content:encoded>
		
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