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	Comentários sobre: A escola continua conservadora	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Cazuza		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1096446</link>

		<dc:creator><![CDATA[Cazuza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 21:40:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Interessante o ponto do homeschooling levantado por Liv, mas já que o nomenclatura homeschooling está demasiada carregada (e virou pecado falar nisso), pensemos em formas alternativas de educação, como, por exemplo, as escolas dos Sem-terrinha, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que me parece quebram com essa perspectiva puramente individual do homeschooling tradicional e tentam sair da perspectiva da escola tradicional do Estado/iniciativa privada.

Exemplos há. Seria mto legal alguém com mais estudo sobre escrevendo pelo PP.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interessante o ponto do homeschooling levantado por Liv, mas já que o nomenclatura homeschooling está demasiada carregada (e virou pecado falar nisso), pensemos em formas alternativas de educação, como, por exemplo, as escolas dos Sem-terrinha, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que me parece quebram com essa perspectiva puramente individual do homeschooling tradicional e tentam sair da perspectiva da escola tradicional do Estado/iniciativa privada.</p>
<p>Exemplos há. Seria mto legal alguém com mais estudo sobre escrevendo pelo PP.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Ivanildich		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1096359</link>

		<dc:creator><![CDATA[Ivanildich]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 08:10:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os homeschooling são os antivax da educação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os homeschooling são os antivax da educação.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Liv		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1096190</link>

		<dc:creator><![CDATA[Liv]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 11:41:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ainda sobre a defesa do ensino dominiciar (não só como solução individual, mas também como possibilidade de um ensino coletivo não regulamentado pelo estado burguês):

Eu já havia insinuando aqui algo sobre proselitismo religioso dentro das salas de aula. Fato este que não se trata de um caso isolado, de um professor ou de uma escola. Eu mesma já presenciei isso em mais de uma escola pública, com mais de um professor, e não apenas com professores, também com funcionários: monitores de ônibus que se interessam por qual igreja os alunos frequentam, diretores e coordenadores que usam frequentemente como chave de disciplina conceitos religiosos, entre outros casos.

Somos ateus. A um bilhete questionando se meus filhos possuíam alguma intolerância alimentar a algum ingrediente presente em ovos de páscoa, respondi que &quot;em virtude de nossa concepção filosófica de vida, não enviem ovos de páscoa para&quot; meus filhos. No período de duas semanas não recebi qualquer questionamento, nem via agenda, nem via ligação telefônica, a respeito da resposta ao bilhete.
EIS QUE, ontem, recebo em minha casa a visita inesperada de um psicólogo e um assistente social da secretaria de educação da prefeitura alegando que a nossa conduta (educar nossos filhos dentro de uma filosofia qu prescinde da existência de Deus) poderia causar em nossos filhos (que não foram sequer sondados pela escola, que não foram questionados se eles sabiam por qual razão eles não receberiam ovos de páscoa e as outras crianças sim e o quanto isto era um ponto pacífico para eles) uma situação de constrangimento público. O que é uma acusação gravíssima! No ECA consta o seguinte:
Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Então, a escola (pública!!) patrocina um evento religioso, a comemoração do renascimento de Cristo e a distribuição de ovos como símbolo desse renascimento, em horário letivo e a fonte do constrangimento é a (não)crença dos pais.

Esta é a escola burguesa, do estado burguês (que se pretende reformar por dentro? chega a ser cômica a sugestão), que se apoia na religião para fazer valer suas necessidades de controle social, agindo como polícia, e neste caso específico perseguindo, policiando! a ideologia de pais que escolheram educar seus filhos segundo uma chave filosófica que prescinde da culpa crista, isto é, segundo uma chave filosófica que combate uma formação humana de natureza impotente (tão necessária ao capital).

E de novo: sob a égide da educação positiva que impõe que uma criança não pode ter seu desejo por chocolate (novamente, consumo!, quanto a indústria vai lucrar nessa páscoa?) frustrado. https://passapalavra.info/2025/03/156085/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda sobre a defesa do ensino dominiciar (não só como solução individual, mas também como possibilidade de um ensino coletivo não regulamentado pelo estado burguês):</p>
<p>Eu já havia insinuando aqui algo sobre proselitismo religioso dentro das salas de aula. Fato este que não se trata de um caso isolado, de um professor ou de uma escola. Eu mesma já presenciei isso em mais de uma escola pública, com mais de um professor, e não apenas com professores, também com funcionários: monitores de ônibus que se interessam por qual igreja os alunos frequentam, diretores e coordenadores que usam frequentemente como chave de disciplina conceitos religiosos, entre outros casos.</p>
<p>Somos ateus. A um bilhete questionando se meus filhos possuíam alguma intolerância alimentar a algum ingrediente presente em ovos de páscoa, respondi que &#8220;em virtude de nossa concepção filosófica de vida, não enviem ovos de páscoa para&#8221; meus filhos. No período de duas semanas não recebi qualquer questionamento, nem via agenda, nem via ligação telefônica, a respeito da resposta ao bilhete.<br />
EIS QUE, ontem, recebo em minha casa a visita inesperada de um psicólogo e um assistente social da secretaria de educação da prefeitura alegando que a nossa conduta (educar nossos filhos dentro de uma filosofia qu prescinde da existência de Deus) poderia causar em nossos filhos (que não foram sequer sondados pela escola, que não foram questionados se eles sabiam por qual razão eles não receberiam ovos de páscoa e as outras crianças sim e o quanto isto era um ponto pacífico para eles) uma situação de constrangimento público. O que é uma acusação gravíssima! No ECA consta o seguinte:<br />
Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento:<br />
Pena &#8211; detenção de seis meses a dois anos.</p>
<p>Então, a escola (pública!!) patrocina um evento religioso, a comemoração do renascimento de Cristo e a distribuição de ovos como símbolo desse renascimento, em horário letivo e a fonte do constrangimento é a (não)crença dos pais.</p>
<p>Esta é a escola burguesa, do estado burguês (que se pretende reformar por dentro? chega a ser cômica a sugestão), que se apoia na religião para fazer valer suas necessidades de controle social, agindo como polícia, e neste caso específico perseguindo, policiando! a ideologia de pais que escolheram educar seus filhos segundo uma chave filosófica que prescinde da culpa crista, isto é, segundo uma chave filosófica que combate uma formação humana de natureza impotente (tão necessária ao capital).</p>
<p>E de novo: sob a égide da educação positiva que impõe que uma criança não pode ter seu desejo por chocolate (novamente, consumo!, quanto a indústria vai lucrar nessa páscoa?) frustrado. <a href="https://passapalavra.info/2025/03/156085/" rel="ugc">https://passapalavra.info/2025/03/156085/</a></p>
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		<title>
		Por: Liv		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1082634</link>

		<dc:creator><![CDATA[Liv]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Jan 2026 16:30:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Valeu o que seu Luís? rs O português… quando bem empregado… é uma língua muito precisa… é assim que eu respondo aos meus filhos adolescentes. 

Engenharia maligna! Uarárá! Entre Foucault, com sua teoria do micropoder, e Bourdieu, fico com o primeiro. Mas entre ambos e qualquer um outro, fico com Marx e suas colocações a respeito das Charaktermaske.

Sobre a pergunta que fiz quanto a qual pedagogia seria a mais adequada para formar um tipo específico de indivíduo, forte e disciplinado o suficiente para uma tarefa monstruosa e pouco promissora, você nos trouxe novamente o Secretário de Educação do Estado de São Paulo, filiado ao PT, Paulo Freire, que para mim também não é tão cirandeiro assim (diferente desse povo da pedagogia Waldorf que já inclusive andou publicando aqui no site), é só mesmo mais um agente do capital. Aconselho ler Fromm e Gramsci (Analise do Homem e Concepção Dialética da História, infelizmente, salvo engano, não por acaso ambos fora de edição, diferente do super lido e recomentado pelos partidos da ordem Paulo Frente), que não escreveram nenhum tratado de pedagogia, mas nos ajudam a pensar em uma para nós.

A crítica pela crítica é o que? Ás vezes, nem sempre, é só masturbação intelectual… Pense nisso.

Sobre o ensino domiciliar, apesar de parecer uma resposta individual, poderia muito bem não ser...
Do ponto de vista individual, confesso que caso fosse legalizado, não exitaria em optar por esta modalidade. Primeiro porque já faço algo semelhante, mas em esquema de contraturno escolar e funciona. É exaustivo porque o número de pupilos não é pequeno (para uma pessoas), mas funciona. Segundo porque a dupla referencia atrapalha muito o projeto pedagógico disruptivo que proponho. Terceiro porque a força de conformação que se impõe em cima de nós é enorme (nosso projeto incomoda), então ajudaria manter um afastamento de quem exerce essa força (o fazem, mesmo que não o saibam), sabendo que não é possível nos cercar completamente (a escola não é a única fonte de força contrária). E quarto, respondendo ao que o senso comum alega, existem convivências e conivências. Pelo visto você gosta do tema do racismo, então vou contar um caso doméstico que ajuda a ilustrar nossa questão a respeito da convivência. Até o final do quinto ano mantemos todos os nossos filhos no ensino público. Para a nossa localidade depois do quinto ano a escola que nos é oferecida fica a mais de uma hora de distância pelo ônibus escolar (o que acaba comendo muito tempo do nosso esquema de contraturno) e além disso tem uma estrutura um tanto quanto inóspita e é grande demais, muitos alunos por turma, muitas turmas por ano. Então, a partir do sexto ano as crianças migram para o ensino privado. Um dos meus filhos, o primeiro a fazer essa transição, foi recebido na escola de brancos com muito estranhamento. O que um menino preto faz ali entre os brancos, certo? Era uma escola especialmente não miscigenada, o que eu, pessoa branca, não percebi ou não dei importância logo de cara. Além de preto, proveniente do ensino publico. O que esperavam do meu filho? Um baixo desempenho escolar e muitos problemas comportamentais. Meu filho teve alguns problemas comportamentais, mas agindo de defesa contra um ambiente hostil (comportamento que valorizamos e estimulamos). E quanto ao desempenho, se saiu como o melhor da turma. Depois do final do primeiro trimestre, meu filho começou a receber bilhetes ofensivos, anônimos, em letra cifrada e adornados com símbolos nazistas. Há convivências e convivências, correto? Este tipo de convivência nós dispensamos. Isso para não falar de outros casos, estes vividos no ensino publico: diversos episódios de sexualização precoce das meninas (alguns inclusive envolvendo dancinhas inapropriadas ensinadas pelas direção da escola) e intimidação sistemática estimulado pelo próprio professor de sala (que era evangélico e me considerava uma satanista só porque eu solicitei que ele não mais começasse as aulas com uma reza). Enfim, novamente, convivências e convivências. Esta é a minha defesa, conforme prometido, do ensino domiciliar visto do ponto de vista individual! Considerando aqui que a possibilidade de optar por esta forma de ensino, caso fosse legalizada, deve ser vista como um privilégio de classe, porque ora demanda tempo, ora dinheiro. Tempo, isto é, a liberação da pessoa que será responsável pela educação escolar. Tempo que pode ser comprado ao se contratar um professor particular. Mas dinheiro não só deste ponto de vista, dinheiro também para fornecer o que o ensino publico garante: material escolar e alimentação. É importante que se diga também que o debate que existe hoje no legislativo garante que seja um privilégio de classe porque uma das exigências do projeto de lei é que os pais tenham ensino superior completo.
Coloquei o tema do ensino domiciliar mais a título de provocação. O que não me impede de defendê-lo mesmo assim. Tanto do ponto de vista individual (porque temos um projeto de futuro), quando do ponto de vista comunitário (porque aqui também pode haver espaço para um projeto de futuro). O afrouxamento das regras do ensino formal pode ser uma via para um ensino comunitário.

De resto, acho que podemos ter boas ideias independe da idade que temos. O jovem camarada do Brecht não se deu muito bem mas tinha ideias muito honestas e abnegadas, apesar de não ter conseguido aplicar elas com estratégia. Acho ingênuo (considerando aqui a tua inegável boa intenção), por isso acionei a chave da pequena Poliana, pensar que é possível “subverter” e, quiça, “não seguir o currículo” dentro do espaço escolar formal. Acho até que é a escolha mais fácil: se imaginar construindo sob (não sobre) o que já esta dado: é cômodo e caso dos esforços surja nada, podemos sempre colocar a culpa no sistema e pronto. Acho que o difícil é imaginar um caminho que ainda não está dado, por uma rota que ainda não existe. Desbravar. Bom, também não tenho lá muita idade… já devemos considerar pessoas com 35 anos como senhores e senhoras? Às vezes eu me sinto uma senhorinha, é verdade, mas acho que de modo geral não é o caso. Então, no auge da minha alguma sabedoria etária, eu diria o seguinte: Parta do pressuposto que todos os que já estão vivos estão condenados a uma vida de trauma e exploração. Especialmente aqueles que já chegaram à vida adulta. Não cabe florear, o mundo é horrível e falar no diminutivo não muda esta fato. Se há esperança, ela está no porvir. Mas o porvir precisa de pessoas que o semeiem. Aconselho uma tática de pinça. A gente sempre cruza, especialmente os professores, com um ou outro potencial. Pince este potencial e dedique todo o teu tempo livre a ele. Compre livros, cobre leituras difíceis. Ensine teoria da arte e algum instrumento musical, se você souber tocar algum. Converse muito, gaste todo o teu vocabulário com este e aquele individuo em potencial. E tenha em vista que precisamos de indivíduos fortes e não lascivos, frouxos, de natureza impotente. Negative os vícios comportais de um espírito fraco. Dispense o bar, o turismo, o carnaval e as festas religiosas. Lazer só se for intelectual. Não dispense a posição de autoridade (mesmo que uma autoridade afável). Opte pela estrita disciplina. Não se deixe engolir pelo noticiário, dê o exemplo, seja coerente, estude de domingo a domingo. Estas são as minhas diretrizes para o agora. Em outras palavras, você (também eu e pessoa que se preste ao papel de formador) não passa de um marco de estrada. Seja um marco de estrada. É tudo o que se pode fazer por agora. O imponderável fica para amanhã.

___
Ops, correção: Secretario de Educação do Município de São Paulo, filiado ao PT, Paulo Freire.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Valeu o que seu Luís? rs O português… quando bem empregado… é uma língua muito precisa… é assim que eu respondo aos meus filhos adolescentes. </p>
<p>Engenharia maligna! Uarárá! Entre Foucault, com sua teoria do micropoder, e Bourdieu, fico com o primeiro. Mas entre ambos e qualquer um outro, fico com Marx e suas colocações a respeito das Charaktermaske.</p>
<p>Sobre a pergunta que fiz quanto a qual pedagogia seria a mais adequada para formar um tipo específico de indivíduo, forte e disciplinado o suficiente para uma tarefa monstruosa e pouco promissora, você nos trouxe novamente o Secretário de Educação do Estado de São Paulo, filiado ao PT, Paulo Freire, que para mim também não é tão cirandeiro assim (diferente desse povo da pedagogia Waldorf que já inclusive andou publicando aqui no site), é só mesmo mais um agente do capital. Aconselho ler Fromm e Gramsci (Analise do Homem e Concepção Dialética da História, infelizmente, salvo engano, não por acaso ambos fora de edição, diferente do super lido e recomentado pelos partidos da ordem Paulo Frente), que não escreveram nenhum tratado de pedagogia, mas nos ajudam a pensar em uma para nós.</p>
<p>A crítica pela crítica é o que? Ás vezes, nem sempre, é só masturbação intelectual… Pense nisso.</p>
<p>Sobre o ensino domiciliar, apesar de parecer uma resposta individual, poderia muito bem não ser&#8230;<br />
Do ponto de vista individual, confesso que caso fosse legalizado, não exitaria em optar por esta modalidade. Primeiro porque já faço algo semelhante, mas em esquema de contraturno escolar e funciona. É exaustivo porque o número de pupilos não é pequeno (para uma pessoas), mas funciona. Segundo porque a dupla referencia atrapalha muito o projeto pedagógico disruptivo que proponho. Terceiro porque a força de conformação que se impõe em cima de nós é enorme (nosso projeto incomoda), então ajudaria manter um afastamento de quem exerce essa força (o fazem, mesmo que não o saibam), sabendo que não é possível nos cercar completamente (a escola não é a única fonte de força contrária). E quarto, respondendo ao que o senso comum alega, existem convivências e conivências. Pelo visto você gosta do tema do racismo, então vou contar um caso doméstico que ajuda a ilustrar nossa questão a respeito da convivência. Até o final do quinto ano mantemos todos os nossos filhos no ensino público. Para a nossa localidade depois do quinto ano a escola que nos é oferecida fica a mais de uma hora de distância pelo ônibus escolar (o que acaba comendo muito tempo do nosso esquema de contraturno) e além disso tem uma estrutura um tanto quanto inóspita e é grande demais, muitos alunos por turma, muitas turmas por ano. Então, a partir do sexto ano as crianças migram para o ensino privado. Um dos meus filhos, o primeiro a fazer essa transição, foi recebido na escola de brancos com muito estranhamento. O que um menino preto faz ali entre os brancos, certo? Era uma escola especialmente não miscigenada, o que eu, pessoa branca, não percebi ou não dei importância logo de cara. Além de preto, proveniente do ensino publico. O que esperavam do meu filho? Um baixo desempenho escolar e muitos problemas comportamentais. Meu filho teve alguns problemas comportamentais, mas agindo de defesa contra um ambiente hostil (comportamento que valorizamos e estimulamos). E quanto ao desempenho, se saiu como o melhor da turma. Depois do final do primeiro trimestre, meu filho começou a receber bilhetes ofensivos, anônimos, em letra cifrada e adornados com símbolos nazistas. Há convivências e convivências, correto? Este tipo de convivência nós dispensamos. Isso para não falar de outros casos, estes vividos no ensino publico: diversos episódios de sexualização precoce das meninas (alguns inclusive envolvendo dancinhas inapropriadas ensinadas pelas direção da escola) e intimidação sistemática estimulado pelo próprio professor de sala (que era evangélico e me considerava uma satanista só porque eu solicitei que ele não mais começasse as aulas com uma reza). Enfim, novamente, convivências e convivências. Esta é a minha defesa, conforme prometido, do ensino domiciliar visto do ponto de vista individual! Considerando aqui que a possibilidade de optar por esta forma de ensino, caso fosse legalizada, deve ser vista como um privilégio de classe, porque ora demanda tempo, ora dinheiro. Tempo, isto é, a liberação da pessoa que será responsável pela educação escolar. Tempo que pode ser comprado ao se contratar um professor particular. Mas dinheiro não só deste ponto de vista, dinheiro também para fornecer o que o ensino publico garante: material escolar e alimentação. É importante que se diga também que o debate que existe hoje no legislativo garante que seja um privilégio de classe porque uma das exigências do projeto de lei é que os pais tenham ensino superior completo.<br />
Coloquei o tema do ensino domiciliar mais a título de provocação. O que não me impede de defendê-lo mesmo assim. Tanto do ponto de vista individual (porque temos um projeto de futuro), quando do ponto de vista comunitário (porque aqui também pode haver espaço para um projeto de futuro). O afrouxamento das regras do ensino formal pode ser uma via para um ensino comunitário.</p>
<p>De resto, acho que podemos ter boas ideias independe da idade que temos. O jovem camarada do Brecht não se deu muito bem mas tinha ideias muito honestas e abnegadas, apesar de não ter conseguido aplicar elas com estratégia. Acho ingênuo (considerando aqui a tua inegável boa intenção), por isso acionei a chave da pequena Poliana, pensar que é possível “subverter” e, quiça, “não seguir o currículo” dentro do espaço escolar formal. Acho até que é a escolha mais fácil: se imaginar construindo sob (não sobre) o que já esta dado: é cômodo e caso dos esforços surja nada, podemos sempre colocar a culpa no sistema e pronto. Acho que o difícil é imaginar um caminho que ainda não está dado, por uma rota que ainda não existe. Desbravar. Bom, também não tenho lá muita idade… já devemos considerar pessoas com 35 anos como senhores e senhoras? Às vezes eu me sinto uma senhorinha, é verdade, mas acho que de modo geral não é o caso. Então, no auge da minha alguma sabedoria etária, eu diria o seguinte: Parta do pressuposto que todos os que já estão vivos estão condenados a uma vida de trauma e exploração. Especialmente aqueles que já chegaram à vida adulta. Não cabe florear, o mundo é horrível e falar no diminutivo não muda esta fato. Se há esperança, ela está no porvir. Mas o porvir precisa de pessoas que o semeiem. Aconselho uma tática de pinça. A gente sempre cruza, especialmente os professores, com um ou outro potencial. Pince este potencial e dedique todo o teu tempo livre a ele. Compre livros, cobre leituras difíceis. Ensine teoria da arte e algum instrumento musical, se você souber tocar algum. Converse muito, gaste todo o teu vocabulário com este e aquele individuo em potencial. E tenha em vista que precisamos de indivíduos fortes e não lascivos, frouxos, de natureza impotente. Negative os vícios comportais de um espírito fraco. Dispense o bar, o turismo, o carnaval e as festas religiosas. Lazer só se for intelectual. Não dispense a posição de autoridade (mesmo que uma autoridade afável). Opte pela estrita disciplina. Não se deixe engolir pelo noticiário, dê o exemplo, seja coerente, estude de domingo a domingo. Estas são as minhas diretrizes para o agora. Em outras palavras, você (também eu e pessoa que se preste ao papel de formador) não passa de um marco de estrada. Seja um marco de estrada. É tudo o que se pode fazer por agora. O imponderável fica para amanhã.</p>
<p>___<br />
Ops, correção: Secretario de Educação do Município de São Paulo, filiado ao PT, Paulo Freire.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1082453</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jan 2026 18:59:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E o que eu faço agora? Vou fazer o céu no escuro, no resto, eu quero criar algo como o redemoinho que surge do monte de nada e deslumbra.

Vou então melhorar a pergunta, o que fazer agora? Não amanhã, não quando o tempo histórico for favorável. O que fazer agora para formar os indivíduos fortes e disciplinados que irão construir o tempo histórico favorável (que não são o mesmo tipo de indivíduos que irão desfrutar do tempo histórico favorável)? E que pedagogia é a mais adequada para formar esse tipo de pessoa? 

Caso concreto: 
Escola na Cidade de Deus sujeita a incursões policiais durante o horário escolar, com a Direção coagindo alunos e professores a, mesmo sob risco de vida, comparecerem às aulas.

Política Social Compensatória:
Atuar única e exclusivamente no amparo material e psico-emocional das vítimas.

Reformismo: 
Reivindicar não apenas o fim das incursões policiais durante o horário escolar, como não mais haver qualquer tipo de atuação policial colocando em risco a segurança dos moradores.

Ação Revolucionária:
Incorpora o Reformismo e a Política Compensatória e avança para a auto-organização dos moradores em escolas comunitárias, tendo esta ação como prioridade.

☆ Compreendida como meio e fim, a Autonomia é a forma pela qual se materializa como processo a Revolução no séc. XXI.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E o que eu faço agora? Vou fazer o céu no escuro, no resto, eu quero criar algo como o redemoinho que surge do monte de nada e deslumbra.</p>
<p>Vou então melhorar a pergunta, o que fazer agora? Não amanhã, não quando o tempo histórico for favorável. O que fazer agora para formar os indivíduos fortes e disciplinados que irão construir o tempo histórico favorável (que não são o mesmo tipo de indivíduos que irão desfrutar do tempo histórico favorável)? E que pedagogia é a mais adequada para formar esse tipo de pessoa? </p>
<p>Caso concreto:<br />
Escola na Cidade de Deus sujeita a incursões policiais durante o horário escolar, com a Direção coagindo alunos e professores a, mesmo sob risco de vida, comparecerem às aulas.</p>
<p>Política Social Compensatória:<br />
Atuar única e exclusivamente no amparo material e psico-emocional das vítimas.</p>
<p>Reformismo:<br />
Reivindicar não apenas o fim das incursões policiais durante o horário escolar, como não mais haver qualquer tipo de atuação policial colocando em risco a segurança dos moradores.</p>
<p>Ação Revolucionária:<br />
Incorpora o Reformismo e a Política Compensatória e avança para a auto-organização dos moradores em escolas comunitárias, tendo esta ação como prioridade.</p>
<p>☆ Compreendida como meio e fim, a Autonomia é a forma pela qual se materializa como processo a Revolução no séc. XXI.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Luís		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1082321</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luís]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jan 2026 22:53:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=158503#comment-1082321</guid>

					<description><![CDATA[Concorda, é só ler de novo, você interpretou mal algumas palavras e tirou delas que eu estava dizendo o contrário do que eu disse, dá pra trocar um parágrafo meu pelo seu e não muda nada. As críticas que você faz àquela parte do acreditar na ciência são exatamente o que tá no texto.
E, sim, a escola sempre foi e, dentro do que está colocado, muito provavelmente sempre será, principalmente, conservadora. Agora, as coisas não são mecânicas, não acontecem através de engenharia maligna, por mais que às vezes pareça hahaha. Eu tô fazendo uma denúncia de como essa reprodução, que você coloca corretamente, acontece por dentro, e como ela é legitimada, afinal, ela não é assim na sua aparência. Eu acho necessário o esforço que, por exemplo, o Pierre Bourdieu faz para desvelar isso. O texto também é um relato, também é um pouco artístico, eu quis que fosse assim e eu nem considero ele acabado, na verdade. Não acho que eu deveria ficar preso numa fórmula se eu vi e estudei esse processo por dentro, e acho que colocar ele assim e conectar com temas como racismo enriquece o debate, o &quot;contéudo&quot;. É uma crítica. Tomar consciência disso é muito útil para quem quer pensar e quem trabalha com educação não só dentro dos limites da escola, mas fora dele, inclusive no ambiente doméstico, onde muitas vezes se &quot;treina&quot; essa covardia, não-participação, convencionalismo que a escola também ajuda muita a formar, e nisso Paulo Freire ajuda, e bastante, não acho nada &quot;cirandeiro&quot;. Eu quero fazer com que se percebam alguns desses problemas para que se possa subverter, seja não seguindo o currículo, seja pensando em dar outro tipo de educação pros filhos... E as coisas se modificam mesmo dentro da escola, não que ficar esperando por essas &quot;muletas&quot; que você coloca bem vá nos levar muito longe, definitivamente não, o caminho que o texto aponta não é esse. Cada um pode pensar o que quiser, isso, como eu coloquei no início, é muito mais um convite a pensar e a não aceitar o que está colocado do que uma solução, até porque, considerando a minha idade, eu nem tenho como oferecer uma saída pronta ainda haha. 
Em resumo, eu não coloquei solução nenhuma, eu fiz uma denúncia, através de um relato e de estudo e, sim, seria fundamental explorar mais dessa relação muito íntima da &quot;educação&quot; com o mercado, mas, no momento, ainda não sentia que podia escrever algo com qualidade o suficiente para tal. Se você, ou qualquer um outro aqui, souber, vai ser muito útil. Se tiver algum ponto pertinente, quiser trazer algo a mais... Enfim, a intenção é essa mesmo, é pensar. Valeu?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concorda, é só ler de novo, você interpretou mal algumas palavras e tirou delas que eu estava dizendo o contrário do que eu disse, dá pra trocar um parágrafo meu pelo seu e não muda nada. As críticas que você faz àquela parte do acreditar na ciência são exatamente o que tá no texto.<br />
E, sim, a escola sempre foi e, dentro do que está colocado, muito provavelmente sempre será, principalmente, conservadora. Agora, as coisas não são mecânicas, não acontecem através de engenharia maligna, por mais que às vezes pareça hahaha. Eu tô fazendo uma denúncia de como essa reprodução, que você coloca corretamente, acontece por dentro, e como ela é legitimada, afinal, ela não é assim na sua aparência. Eu acho necessário o esforço que, por exemplo, o Pierre Bourdieu faz para desvelar isso. O texto também é um relato, também é um pouco artístico, eu quis que fosse assim e eu nem considero ele acabado, na verdade. Não acho que eu deveria ficar preso numa fórmula se eu vi e estudei esse processo por dentro, e acho que colocar ele assim e conectar com temas como racismo enriquece o debate, o &#8220;contéudo&#8221;. É uma crítica. Tomar consciência disso é muito útil para quem quer pensar e quem trabalha com educação não só dentro dos limites da escola, mas fora dele, inclusive no ambiente doméstico, onde muitas vezes se &#8220;treina&#8221; essa covardia, não-participação, convencionalismo que a escola também ajuda muita a formar, e nisso Paulo Freire ajuda, e bastante, não acho nada &#8220;cirandeiro&#8221;. Eu quero fazer com que se percebam alguns desses problemas para que se possa subverter, seja não seguindo o currículo, seja pensando em dar outro tipo de educação pros filhos&#8230; E as coisas se modificam mesmo dentro da escola, não que ficar esperando por essas &#8220;muletas&#8221; que você coloca bem vá nos levar muito longe, definitivamente não, o caminho que o texto aponta não é esse. Cada um pode pensar o que quiser, isso, como eu coloquei no início, é muito mais um convite a pensar e a não aceitar o que está colocado do que uma solução, até porque, considerando a minha idade, eu nem tenho como oferecer uma saída pronta ainda haha.<br />
Em resumo, eu não coloquei solução nenhuma, eu fiz uma denúncia, através de um relato e de estudo e, sim, seria fundamental explorar mais dessa relação muito íntima da &#8220;educação&#8221; com o mercado, mas, no momento, ainda não sentia que podia escrever algo com qualidade o suficiente para tal. Se você, ou qualquer um outro aqui, souber, vai ser muito útil. Se tiver algum ponto pertinente, quiser trazer algo a mais&#8230; Enfim, a intenção é essa mesmo, é pensar. Valeu?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Liv		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1082279</link>

		<dc:creator><![CDATA[Liv]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jan 2026 17:58:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=158503#comment-1082279</guid>

					<description><![CDATA[Eu realmente não vi em que concordamos com relação ao que foi posto sobre conhecimento científico e fé. Mas ok.
Também não vejo em que concordamos sobre o que esperar do educando. Mas ok também. Pelo tom de desabafo do texto pode ter me escapado.

Conhece a história da Poliana? Poliana não tinha a mãe, só o pai. O pai era um missionário pobre da igreja. Tudo que Poliana tinha vinha do barril de doação das senhoras da sociedade. Poliana queria uma boneca para seu aniversário (ou natal, não me recordo), mas no barril só vieram muletas. O pai de Poliana ensinou então para ela um jogo: o jogo do contente: não importa a situação, podemos sempre pensar em algo que nos deixe contentes. Poliana pensou então que ela poderia ficar contente por ter pernas saudáveis e assim não precisar usar muletas. Ganhar uma muleta ao invés de ganhar uma boneca era então motivo de felicidade!
O problema é que uma muleta é uma muleta, é uma muleta e é uma muleta. A ser que sejamos muito Polianas, não há motivos para ficarmos felizes com mutelas. E não há remédio para muletas a não ser trocar as muletas por algo que satisfaça melhor as nossas necessidades.
Com isso digo que também não concordo com o título, apesar de já ter deixado isso subentendido no comentário anterior, vou esclarecer: não é que a escola AINDA é conservadora. A escola, esta escola, a escola oferecida pelo sistema econômica vigente, sempre foi e sempre será conservadora. E sempre se conservará assim pois seu objetivo é formar a classe trabalhadora do futuro, isto é, renovar de geração em geração a classe trabalhadora num tal estado psíquico de submissão e ignorância sem o qual não se permitiram a posição de explorados. Ah, mas e se colocarmos o nome Paulo Freire do plano pedagógico da escola? Ah, mas e se mudamos essa linha e aquela outra linha da legislação vigente? E se tudo isso acontecer, e as vezes acontece, tudo permanece igual, porque o currículo oculto das escolas é o que sempre foi, apenas com ligeiras alterações, amortecendo aqui, apertando ali, mas nunca com mudanças de impacto, e os agentes que aplicam este currículo oculto são treinamos para serem o que os que vieram antes deles já eram (mesmo que não o saibam, já diria nosso amiguinho vovô Marquinhos). 

Agora eu vou te devolver a pergunta antes de entrar na questão do ensino domiciliar. No desabafo do texto algo está realmente claro, a escola que nos é oferecida não é boa o suficiente para garantir a formação de um tipo específico de pessoas. Nisso concordamos. Mas, se não é boa, o que fazer? E não vale respostas Polianísticas. Uma escola projetada pelo Estado Capitalista é burguesa, é burguesa e é burguesa. E jamais será pró-explorados. Pergunto porque ficarmos só no desabafo ou no deleite imaginativo de pensarmos na escola de um futuro que nao está sequer no horizonte é brincadeira de criança. É gostoso, mas inócuo.
Vou então melhorar a pergunta, o que fazer agora? Não amanhã, não quando o tempo histórico for favorável. O que fazer agora para formar os indivíduos fortes e disciplinados que irão construir o tempo histórico favorável (que não são o mesmo tipo de indivíduos que irão desfrutar do tempo histórico favorável)? E que pedagogia é a mais adequada para formar esse tipo de pessoa? Não é nenhuma cirandeira, paulofreiriana ou positiva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu realmente não vi em que concordamos com relação ao que foi posto sobre conhecimento científico e fé. Mas ok.<br />
Também não vejo em que concordamos sobre o que esperar do educando. Mas ok também. Pelo tom de desabafo do texto pode ter me escapado.</p>
<p>Conhece a história da Poliana? Poliana não tinha a mãe, só o pai. O pai era um missionário pobre da igreja. Tudo que Poliana tinha vinha do barril de doação das senhoras da sociedade. Poliana queria uma boneca para seu aniversário (ou natal, não me recordo), mas no barril só vieram muletas. O pai de Poliana ensinou então para ela um jogo: o jogo do contente: não importa a situação, podemos sempre pensar em algo que nos deixe contentes. Poliana pensou então que ela poderia ficar contente por ter pernas saudáveis e assim não precisar usar muletas. Ganhar uma muleta ao invés de ganhar uma boneca era então motivo de felicidade!<br />
O problema é que uma muleta é uma muleta, é uma muleta e é uma muleta. A ser que sejamos muito Polianas, não há motivos para ficarmos felizes com mutelas. E não há remédio para muletas a não ser trocar as muletas por algo que satisfaça melhor as nossas necessidades.<br />
Com isso digo que também não concordo com o título, apesar de já ter deixado isso subentendido no comentário anterior, vou esclarecer: não é que a escola AINDA é conservadora. A escola, esta escola, a escola oferecida pelo sistema econômica vigente, sempre foi e sempre será conservadora. E sempre se conservará assim pois seu objetivo é formar a classe trabalhadora do futuro, isto é, renovar de geração em geração a classe trabalhadora num tal estado psíquico de submissão e ignorância sem o qual não se permitiram a posição de explorados. Ah, mas e se colocarmos o nome Paulo Freire do plano pedagógico da escola? Ah, mas e se mudamos essa linha e aquela outra linha da legislação vigente? E se tudo isso acontecer, e as vezes acontece, tudo permanece igual, porque o currículo oculto das escolas é o que sempre foi, apenas com ligeiras alterações, amortecendo aqui, apertando ali, mas nunca com mudanças de impacto, e os agentes que aplicam este currículo oculto são treinamos para serem o que os que vieram antes deles já eram (mesmo que não o saibam, já diria nosso amiguinho vovô Marquinhos). </p>
<p>Agora eu vou te devolver a pergunta antes de entrar na questão do ensino domiciliar. No desabafo do texto algo está realmente claro, a escola que nos é oferecida não é boa o suficiente para garantir a formação de um tipo específico de pessoas. Nisso concordamos. Mas, se não é boa, o que fazer? E não vale respostas Polianísticas. Uma escola projetada pelo Estado Capitalista é burguesa, é burguesa e é burguesa. E jamais será pró-explorados. Pergunto porque ficarmos só no desabafo ou no deleite imaginativo de pensarmos na escola de um futuro que nao está sequer no horizonte é brincadeira de criança. É gostoso, mas inócuo.<br />
Vou então melhorar a pergunta, o que fazer agora? Não amanhã, não quando o tempo histórico for favorável. O que fazer agora para formar os indivíduos fortes e disciplinados que irão construir o tempo histórico favorável (que não são o mesmo tipo de indivíduos que irão desfrutar do tempo histórico favorável)? E que pedagogia é a mais adequada para formar esse tipo de pessoa? Não é nenhuma cirandeira, paulofreiriana ou positiva.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Luís		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1082122</link>

		<dc:creator><![CDATA[Luís]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 21:56:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Liv, você discorda falando exatamente o que eu falei no primeiro parágrafo, não entendi... Não só nele, mas acho que você não discorda de nada do que eu disse. Sobre o Homescholling, coloca seu ponto de vista aí pra gente, com certeza agrega a discussão, não vou te xingar nem achar ruim, ok?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Liv, você discorda falando exatamente o que eu falei no primeiro parágrafo, não entendi&#8230; Não só nele, mas acho que você não discorda de nada do que eu disse. Sobre o Homescholling, coloca seu ponto de vista aí pra gente, com certeza agrega a discussão, não vou te xingar nem achar ruim, ok?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Liv		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/01/158503/#comment-1082109</link>

		<dc:creator><![CDATA[Liv]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 20:15:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[“Acreditar na Ciência: Por quê?”
Só “acredita” na Ciência quem cogita duvidar dela. A ciência só é ciência se sempre questionada, se ininterruptamente exposta a novas perguntas, considerações e reconsiderações. A dúvida é o elemento fundante da ciência. Portanto, a ciência não é, não pode ser, um compromisso de fé.
Não questionar é, de certa forma, um conservadorismo, um reacionarismo. Olha só que paradoxo… A “esquerda”, com sua fé na ciência, herança do iluminismo, é conservadora pois não permite questionamentos.
Certa vez fui exposta ao seguinte debate: como funciona um aparelho celular? Se eu não tenho este conhecimento técnico (afinal, sou das artes e de outras humanidades), como poderia responder essa pergunta de forma satisfatória? Fato é que funciona e isso me basta. Tanto faz para mim se um celular funciona porque dentro dele há certos componentes eletrônicos que através de forças invisíveis (gnomos, talvez?) me dão acesso ao Whatsapp. O importante para o meu cotidiano é saber apenas que o celular funciona de tal e tal forma conforme o comando tal e tal dado por mim. Eu posso viver sem saber como funciona um celular, ou um carro ou a tomada de energia da minha casa. A direita sabe lidar melhor (porque para ela tanto faz se as pessoas acreditam que são gnomos, deuses ou cientistas que fazem a roda girar) esse contexto do que a esquerda com seu “acreditar na ciência” (com seus deuses da ciência) (o que me faz lembrar da rinha entre Einstein, cientista, e o esnobado Henri Bergson, filósofo que colocava em dúvida(!) se o tempo matematicamente mensurável, isto é, espacializado, era ou não o tempo real). O que a esquerda pediu (cobrou adesão irrestrita) durante a pandemia não foi diferente do que qualquer igreja exigiria de seus fiéis: FÉ!
O autor fala que a indignação da esquerda foi legítima na época da pandemia. Não foi. Foi cega e estúpida. Foi de uma estupidez similar ao que foi dito pelo polo contrário.

O autor também pretende imputar, se compreendi corretamente neste texto um tanto contraditório e confuso, um recorte de classe à defesa ou não da fé na ciência, pelo acesso de uma determinada classe a produção de conhecimento “VERDADEIRAMENTE”(!!!) científico (como se não fosse papel da ciência questionar tudo aquilo que é verdade, tudo o que até então se convencionou ter como verdade, como se existisse alguma verdade absoluta, como se a ciência pudesse se permitir permanecer para sempre o que sempre foi, isto é, como se a ciência não fosse ciência e sim uma bíblia para sempre imutável, para sempre conservada como sempre foi: universal e irretocável). E também nisto se equivoca por motivos que podemos presumir do que já disse acima: a ignorância não é um privilégio de classe. A ignorância “é o que se espera”: senso comum (inclusive o senso comum de esquerda).
Só um algo mais aqui, para acumular mais uma camada de dúvida quando a ignorância ser ou não um privilégio de classe: Marx nos diverte com frequência ao questionar aqueles que produziam conhecimento sua época. Por exemplo, um tal de DR. Price (o da tabela price, nenhum pobrezinho, portanto): não sei o que lá “sobre tal ilusão se baseia o cálculo dos juros compostos do MAL-AFAMADO dr. Price, que levou o DIVINO Pitt à IDIOTICE de seu fundo de amortização” E “O DIABO QUE CARREGUE ESSES MALDITOS CÁLCULOS ERRADOS”!! “Mas não importa. Comecemos de novo.” Tão espirituoso… Agora imaginemos se ele nutrice esse culto tão irrestrito (um culto de bom tom, eu diria até elegante, aconselhável a todos os orientandos da pós) pelos deuses da ciência, pelos doutores!, imaginemos se ele não se dispusesse a questionar o conhecimento já estabelecidos! Ai ai ai de nós… Ai então, agora então, de nossa academia, morta, nossa academia que nada questiona e nossa esquerda que tudo conserva (inclusive o sistema econômico). E o que se dirá das nossas escolas… Ai!

Eu diria que o problema das escolas é que elas existem para reproduzir a classe trabalhadora do futuro (e não a classe que romperá com o sistema econômico vigente). É simples assim.
E diria mais! As crianças são os seres mais adaptados ao nosso sistema econômico em sua fase atual de exploração, e por isso se prolonga a infância até a fase adulta. E por isso não temos muitos adultos-adultos. Então uma outra forma de tratar do problema das escolas é acusá-las de não colaborar para a formação humanista da classe trabalhadora do futuro. A criança, o ser primitivo que ela é, continua assim sendo em sua fase adulta. A diferença entre a escola oferecida para uma criança de classe média e a escola oferecida para uma criança proveniente das camadas mais exploradas é a seguinte: Enquanto os pais da primeira são obrigados a comprar ao menos dois livros de literatura por semestre (verdade que geralmente livros muito aquém da capacidade etária das respectivas turmas: as escolas exigem muito menos do que a criança pode dar, em outras palavras, a escola limita o desenvolvimento intelectual das crianças, claro, e limita tanto mais ou tanto menos de acordo com a valor das mensalidades), os pais da segunda são recebidos nas reuniões de pais com ameças preventivas relacionadas ao conselho tutelar (se são considerados reféns ou criminosos, quem sabe ambos, ainda não sei dizer) enquanto suas crianças recebem toda sorte de doação não intelectual: chocolate hidrogenado aos montes e brinquedos muitas vezes quebrados (vários provenientes de campanhas filantrópicas promovidas pelos pais de primeira classe). Isso para não falar da formação religiosa imposta aos alunos de segunda classe por uma classe docente majoritariamente evangélica que confunde o papel da escola (pública) com o papel da igreja. Fé e um tanto de culpa, talvez. 

Enfim: em defesa do Homescholling! só pra ficar mais polêmico ainda o comentário. Ah não, este site é de esquerda, esqueci. Homescholling é do diabo, não pode. Chô pensamento!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Acreditar na Ciência: Por quê?”<br />
Só “acredita” na Ciência quem cogita duvidar dela. A ciência só é ciência se sempre questionada, se ininterruptamente exposta a novas perguntas, considerações e reconsiderações. A dúvida é o elemento fundante da ciência. Portanto, a ciência não é, não pode ser, um compromisso de fé.<br />
Não questionar é, de certa forma, um conservadorismo, um reacionarismo. Olha só que paradoxo… A “esquerda”, com sua fé na ciência, herança do iluminismo, é conservadora pois não permite questionamentos.<br />
Certa vez fui exposta ao seguinte debate: como funciona um aparelho celular? Se eu não tenho este conhecimento técnico (afinal, sou das artes e de outras humanidades), como poderia responder essa pergunta de forma satisfatória? Fato é que funciona e isso me basta. Tanto faz para mim se um celular funciona porque dentro dele há certos componentes eletrônicos que através de forças invisíveis (gnomos, talvez?) me dão acesso ao Whatsapp. O importante para o meu cotidiano é saber apenas que o celular funciona de tal e tal forma conforme o comando tal e tal dado por mim. Eu posso viver sem saber como funciona um celular, ou um carro ou a tomada de energia da minha casa. A direita sabe lidar melhor (porque para ela tanto faz se as pessoas acreditam que são gnomos, deuses ou cientistas que fazem a roda girar) esse contexto do que a esquerda com seu “acreditar na ciência” (com seus deuses da ciência) (o que me faz lembrar da rinha entre Einstein, cientista, e o esnobado Henri Bergson, filósofo que colocava em dúvida(!) se o tempo matematicamente mensurável, isto é, espacializado, era ou não o tempo real). O que a esquerda pediu (cobrou adesão irrestrita) durante a pandemia não foi diferente do que qualquer igreja exigiria de seus fiéis: FÉ!<br />
O autor fala que a indignação da esquerda foi legítima na época da pandemia. Não foi. Foi cega e estúpida. Foi de uma estupidez similar ao que foi dito pelo polo contrário.</p>
<p>O autor também pretende imputar, se compreendi corretamente neste texto um tanto contraditório e confuso, um recorte de classe à defesa ou não da fé na ciência, pelo acesso de uma determinada classe a produção de conhecimento “VERDADEIRAMENTE”(!!!) científico (como se não fosse papel da ciência questionar tudo aquilo que é verdade, tudo o que até então se convencionou ter como verdade, como se existisse alguma verdade absoluta, como se a ciência pudesse se permitir permanecer para sempre o que sempre foi, isto é, como se a ciência não fosse ciência e sim uma bíblia para sempre imutável, para sempre conservada como sempre foi: universal e irretocável). E também nisto se equivoca por motivos que podemos presumir do que já disse acima: a ignorância não é um privilégio de classe. A ignorância “é o que se espera”: senso comum (inclusive o senso comum de esquerda).<br />
Só um algo mais aqui, para acumular mais uma camada de dúvida quando a ignorância ser ou não um privilégio de classe: Marx nos diverte com frequência ao questionar aqueles que produziam conhecimento sua época. Por exemplo, um tal de DR. Price (o da tabela price, nenhum pobrezinho, portanto): não sei o que lá “sobre tal ilusão se baseia o cálculo dos juros compostos do MAL-AFAMADO dr. Price, que levou o DIVINO Pitt à IDIOTICE de seu fundo de amortização” E “O DIABO QUE CARREGUE ESSES MALDITOS CÁLCULOS ERRADOS”!! “Mas não importa. Comecemos de novo.” Tão espirituoso… Agora imaginemos se ele nutrice esse culto tão irrestrito (um culto de bom tom, eu diria até elegante, aconselhável a todos os orientandos da pós) pelos deuses da ciência, pelos doutores!, imaginemos se ele não se dispusesse a questionar o conhecimento já estabelecidos! Ai ai ai de nós… Ai então, agora então, de nossa academia, morta, nossa academia que nada questiona e nossa esquerda que tudo conserva (inclusive o sistema econômico). E o que se dirá das nossas escolas… Ai!</p>
<p>Eu diria que o problema das escolas é que elas existem para reproduzir a classe trabalhadora do futuro (e não a classe que romperá com o sistema econômico vigente). É simples assim.<br />
E diria mais! As crianças são os seres mais adaptados ao nosso sistema econômico em sua fase atual de exploração, e por isso se prolonga a infância até a fase adulta. E por isso não temos muitos adultos-adultos. Então uma outra forma de tratar do problema das escolas é acusá-las de não colaborar para a formação humanista da classe trabalhadora do futuro. A criança, o ser primitivo que ela é, continua assim sendo em sua fase adulta. A diferença entre a escola oferecida para uma criança de classe média e a escola oferecida para uma criança proveniente das camadas mais exploradas é a seguinte: Enquanto os pais da primeira são obrigados a comprar ao menos dois livros de literatura por semestre (verdade que geralmente livros muito aquém da capacidade etária das respectivas turmas: as escolas exigem muito menos do que a criança pode dar, em outras palavras, a escola limita o desenvolvimento intelectual das crianças, claro, e limita tanto mais ou tanto menos de acordo com a valor das mensalidades), os pais da segunda são recebidos nas reuniões de pais com ameças preventivas relacionadas ao conselho tutelar (se são considerados reféns ou criminosos, quem sabe ambos, ainda não sei dizer) enquanto suas crianças recebem toda sorte de doação não intelectual: chocolate hidrogenado aos montes e brinquedos muitas vezes quebrados (vários provenientes de campanhas filantrópicas promovidas pelos pais de primeira classe). Isso para não falar da formação religiosa imposta aos alunos de segunda classe por uma classe docente majoritariamente evangélica que confunde o papel da escola (pública) com o papel da igreja. Fé e um tanto de culpa, talvez. </p>
<p>Enfim: em defesa do Homescholling! só pra ficar mais polêmico ainda o comentário. Ah não, este site é de esquerda, esqueci. Homescholling é do diabo, não pode. Chô pensamento!</p>
]]></content:encoded>
		
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