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	Comentários sobre: MBL: a máquina fascista jovem	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/158942/#comment-1098544</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:49:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Douglas, 

Tenho sérias dúvidas sobre a metodologia que você indica para proceder a buscas na internet, que facilmente conduz a um círculo vicioso. Ora, isto é especialmente prejudicial no caso dos fascismos, que são sempre movimentos dinâmicos e plásticos, resultando de cruzamentos entre extrema-esquerda e extrema-direita, entre radicalismo e conservadorismo, entre agitação e ordem, entre irreverência e respeito. Um fascismo só existe enquanto estiver activa a dinâmica desses cruzamentos. Por isso, os perfis das várias componentes do fascismo não se sobrepõem nem correspondem a um modelo comum. Nesta perspectiva, entendo também que o Movimento Brasil Livre constituiu um elemento do que foi — ou poderia ter sido — um fascismo no Brasil daquela época.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Douglas, </p>
<p>Tenho sérias dúvidas sobre a metodologia que você indica para proceder a buscas na internet, que facilmente conduz a um círculo vicioso. Ora, isto é especialmente prejudicial no caso dos fascismos, que são sempre movimentos dinâmicos e plásticos, resultando de cruzamentos entre extrema-esquerda e extrema-direita, entre radicalismo e conservadorismo, entre agitação e ordem, entre irreverência e respeito. Um fascismo só existe enquanto estiver activa a dinâmica desses cruzamentos. Por isso, os perfis das várias componentes do fascismo não se sobrepõem nem correspondem a um modelo comum. Nesta perspectiva, entendo também que o Movimento Brasil Livre constituiu um elemento do que foi — ou poderia ter sido — um fascismo no Brasil daquela época.</p>
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		<title>
		Por: arkx-Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/158942/#comment-1098081</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx-Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 12:34:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aplicando o conceito de duas classes dominantes (Burguesia e Gestores) à análise do MBL.

Como plataforma de processamento do desejo (mudança, pertencimento, ordem, sucesso) capturado das Jornadas de Junho de 2013, o MBL é financiado pela burguesia (empresários do agronegócio, setor financeiro) e articulado pelos Gestores (think tanks como Atlas Network, Instituto Millenium).

A Burguesia fornece o dinheiro, a pauta do &quot;Estado mínimo&quot;, o ataque aos direitos trabalhistas. Os Gestores fornecem a moldura ideológica (neoliberalismo como &quot;ciência&quot;), a estratégia de comunicação (memes, redes), a articulação internacional.

A saída do processamento inclui  desejo de ordem violenta – que serve à burguesia (desmobilização dos trabalhadores) e aos gestores (estabilização do sistema via repressão).

O MBL se apresenta como &quot;unificado&quot; contra o &quot;comunismo&quot;. Mas por trás, há uma disputa entre frações:
• A burguesia brasileira (agronegócio, indústria de baixa tecnologia) quer o MBL para desmontar direitos e conter a organização popular. Para ela, o MBL é um instrumento tático.
• Os gestores transnacionais (Atlas Network, think tanks) querem o MBL para implementar uma reforma estrutural do Estado brasileiro – privatizações, ajuste fiscal, abertura econômica. Para eles, o MBL é um projeto de longo prazo.

Essa contradição explica as crises internas do MBL (a disputa entre Kim e Renan, a expulsão de Arthur, o reposicionamento pós-bolsonarismo). 

O MBL atua como ponta de lança de uma aliança instável entre a burguesia interna (que quer desmontar direitos) e os gestores transnacionais (que querem refundar o Estado). Sua força vem dessa ambiguidade; sua fragilidade também.

Derrotar o MBL não é apenas denunciá-lo ou fazer memes melhores. É construir organização popular autônoma que não dependa nem do mercado (que a burguesia controla) nem do Estado (que os gestores administram): escolas comunitárias, redes de comunicação livre, hortas urbanas, mutirões de saúde. 

É criar territórios de processamento desejante onde a juventude possa experimentar outra forma de vida – cooperativa, criativa, alegre. Não se trata de &quot;vencer&quot; o MBL no debate; e sim torná-lo irrelevante porque a juventude terá algo melhor para fazer.

E isso exige entender que o inimigo não é só a Burguesia – é também a lógica dos Gestores, que querem administrar o colapso em vez de superá-lo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aplicando o conceito de duas classes dominantes (Burguesia e Gestores) à análise do MBL.</p>
<p>Como plataforma de processamento do desejo (mudança, pertencimento, ordem, sucesso) capturado das Jornadas de Junho de 2013, o MBL é financiado pela burguesia (empresários do agronegócio, setor financeiro) e articulado pelos Gestores (think tanks como Atlas Network, Instituto Millenium).</p>
<p>A Burguesia fornece o dinheiro, a pauta do &#8220;Estado mínimo&#8221;, o ataque aos direitos trabalhistas. Os Gestores fornecem a moldura ideológica (neoliberalismo como &#8220;ciência&#8221;), a estratégia de comunicação (memes, redes), a articulação internacional.</p>
<p>A saída do processamento inclui  desejo de ordem violenta – que serve à burguesia (desmobilização dos trabalhadores) e aos gestores (estabilização do sistema via repressão).</p>
<p>O MBL se apresenta como &#8220;unificado&#8221; contra o &#8220;comunismo&#8221;. Mas por trás, há uma disputa entre frações:<br />
• A burguesia brasileira (agronegócio, indústria de baixa tecnologia) quer o MBL para desmontar direitos e conter a organização popular. Para ela, o MBL é um instrumento tático.<br />
• Os gestores transnacionais (Atlas Network, think tanks) querem o MBL para implementar uma reforma estrutural do Estado brasileiro – privatizações, ajuste fiscal, abertura econômica. Para eles, o MBL é um projeto de longo prazo.</p>
<p>Essa contradição explica as crises internas do MBL (a disputa entre Kim e Renan, a expulsão de Arthur, o reposicionamento pós-bolsonarismo). </p>
<p>O MBL atua como ponta de lança de uma aliança instável entre a burguesia interna (que quer desmontar direitos) e os gestores transnacionais (que querem refundar o Estado). Sua força vem dessa ambiguidade; sua fragilidade também.</p>
<p>Derrotar o MBL não é apenas denunciá-lo ou fazer memes melhores. É construir organização popular autônoma que não dependa nem do mercado (que a burguesia controla) nem do Estado (que os gestores administram): escolas comunitárias, redes de comunicação livre, hortas urbanas, mutirões de saúde. </p>
<p>É criar territórios de processamento desejante onde a juventude possa experimentar outra forma de vida – cooperativa, criativa, alegre. Não se trata de &#8220;vencer&#8221; o MBL no debate; e sim torná-lo irrelevante porque a juventude terá algo melhor para fazer.</p>
<p>E isso exige entender que o inimigo não é só a Burguesia – é também a lógica dos Gestores, que querem administrar o colapso em vez de superá-lo.</p>
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		<item>
		<title>
		Por: Douglas F.		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/158942/#comment-1097976</link>

		<dc:creator><![CDATA[Douglas F.]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 22:46:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Oi, pessoal. Acho que o comentário é mais dirigido ao João Bernardo, mas qualquer um pode responder caso saiba como me situar melhor nesse dilema.

Estou lendo uma literatura sobre o fascismo, desde o próprio João Bernardo, até os mais preferidos da academia — Griffin, Paxton, Sternhell e, no Brasil, o Odilon Caldeira Neto, dentre outros — e me pareceu relativamente seguro dizer que o fascismo histórico se posicionava de alguma forma contra o liberalismo e aos socialismos, e que os fascismos se apresentam como uma doutrina que, apesar das contradições  internas, se encapsulam sob um nacionalismo que supostamente transcenderia as disputas entre esquerda e direita. Nesse sentido, fazendo buscas simples em algumas redes sociais pelo termo nacionalista ou nacionalismo, encontra-se facilmente contas que tem referências ao fascismo histórico, incluindo o integralismo. Caso se proceda em uma amostragem em bola de neve, verificando as contas que seguem essas primeiras e são mutuamente seguidas por elas, verifica-se a presença de muitas outras contas com esses traços. Acontece que elas unanimemente são defensoras do Estado Brasileiro contra interesses estrangeiros, redesenhando as fronteiras de adversários políticos, se afastando da oposição entre Bolsonaro e Lula, para Brasil contra imperialismo. Há muitas referências a um passado glorioso do Brasil, seja ele o império ou o regime militar. Não me parece que o MBL ou o atual missão faça parte da mesma rede.

Eu inclusive, usando alguns métodos digitais simples, captei as relações de recomendação de contas similares dessa primeira amostra — aquelas contas sugeridas do Instagram, por exemplo —, e encontro contas que tem toda uma iconografia vinculada à esquerda, mas com uma narrativa hipernacionalista; para quem tiver curiosidade, procure por juventude trabalhista, ou nacional trabalhista para entender a que me refiro. Encontra-se, por exemplo, o antiga Nova Resistência, agora denominado Nova Roma, nessa amostra, grupo duginista que ficou famoso há uns tempos atrás por conta de um relatório da CIA. Parece unânime que esses grupos hoje se organizam em torno da candidatura de Aldo Rebelo.

Eu não encontro ai o MBL. Há referências ao Renan, mas sempre como um outro oponente que se situa fora da disputa principal das eleições, sempre como um candidato liberal, e apartado desse campo nacionalista.

Procedendo dessa forma, não me parece razoável entender o MBL como fascista ou neofascista. Não me parece inclusive que aqueles que tomam para si a tradição fascista procedam assim, pelo contrário: rejeitam o grupo.

Alguém pode me ajudar a pensar o fenômeno?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oi, pessoal. Acho que o comentário é mais dirigido ao João Bernardo, mas qualquer um pode responder caso saiba como me situar melhor nesse dilema.</p>
<p>Estou lendo uma literatura sobre o fascismo, desde o próprio João Bernardo, até os mais preferidos da academia — Griffin, Paxton, Sternhell e, no Brasil, o Odilon Caldeira Neto, dentre outros — e me pareceu relativamente seguro dizer que o fascismo histórico se posicionava de alguma forma contra o liberalismo e aos socialismos, e que os fascismos se apresentam como uma doutrina que, apesar das contradições  internas, se encapsulam sob um nacionalismo que supostamente transcenderia as disputas entre esquerda e direita. Nesse sentido, fazendo buscas simples em algumas redes sociais pelo termo nacionalista ou nacionalismo, encontra-se facilmente contas que tem referências ao fascismo histórico, incluindo o integralismo. Caso se proceda em uma amostragem em bola de neve, verificando as contas que seguem essas primeiras e são mutuamente seguidas por elas, verifica-se a presença de muitas outras contas com esses traços. Acontece que elas unanimemente são defensoras do Estado Brasileiro contra interesses estrangeiros, redesenhando as fronteiras de adversários políticos, se afastando da oposição entre Bolsonaro e Lula, para Brasil contra imperialismo. Há muitas referências a um passado glorioso do Brasil, seja ele o império ou o regime militar. Não me parece que o MBL ou o atual missão faça parte da mesma rede.</p>
<p>Eu inclusive, usando alguns métodos digitais simples, captei as relações de recomendação de contas similares dessa primeira amostra — aquelas contas sugeridas do Instagram, por exemplo —, e encontro contas que tem toda uma iconografia vinculada à esquerda, mas com uma narrativa hipernacionalista; para quem tiver curiosidade, procure por juventude trabalhista, ou nacional trabalhista para entender a que me refiro. Encontra-se, por exemplo, o antiga Nova Resistência, agora denominado Nova Roma, nessa amostra, grupo duginista que ficou famoso há uns tempos atrás por conta de um relatório da CIA. Parece unânime que esses grupos hoje se organizam em torno da candidatura de Aldo Rebelo.</p>
<p>Eu não encontro ai o MBL. Há referências ao Renan, mas sempre como um outro oponente que se situa fora da disputa principal das eleições, sempre como um candidato liberal, e apartado desse campo nacionalista.</p>
<p>Procedendo dessa forma, não me parece razoável entender o MBL como fascista ou neofascista. Não me parece inclusive que aqueles que tomam para si a tradição fascista procedam assim, pelo contrário: rejeitam o grupo.</p>
<p>Alguém pode me ajudar a pensar o fenômeno?</p>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/158942/#comment-1096786</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 19:33:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[«E quando numerosos trabalhadores se deixam mover e conduzir, tantas vezes em episódios de incrível violência, para restabelecer o capitalismo numa nova modalidade, e neste processo se confrontam com outros trabalhadores, desejosos de se oporem a todas as formas do capital, e contribuem para os dispersar e liquidar? 
Foi isto o fascismo, sustentado por uma convulsão da classe trabalhadora, que jogou uma das suas vidas contra a outra, e neste exacerbamento da sua contradição interna os trabalhadores agravaram a hetero-organização que os vitimava. O trabalhador fascista caracterizou-se por possuir um profundo ódio aos ricos, aliado a uma estreiteza de horizontes que o impedia de se inserir nas redes de solidariedade da sua classe e ascender a uma compreensão do processo histórico. Céline, um anarquista(17) que foi um dos melhores prosadores do fascismo, se não o melhor(18), pretendeu que “a consciência de classe é uma balela, uma demagógica convenção. O que cada operário quer é sair da sua classe operária, tornar-se burguês, o mais individualmente possível, burguês com todos os privilégios”(19). Por isso ele afirmou em 1935 que “o proletário é um burguês que não foi bem-sucedido”(20). Sempre que a hostilidade aos ricos não é acompanhada por nenhum sentimento de classe, o fascismo não anda longe(21).

(17) Numa carta de 24 de Março de 1938, citada em A. Duraffour et al. (2017) 637, Céline mencionou “o meu anarquismo fundamental”, mas Annick Duraffour et al. pretenderam (págs. 637-638) que ele não era anarquista no sentido político e apenas no sentido psicológico ou (págs. 758-759) que se tratava de uma mistificação. Porém, tanto o anarco-sindicalismo de tipo italiano como o anarquismo individualista contribuíram para a gestação do fascismo. O anarquismo individualista de Céline ficou patente, por exemplo, numa carta para Élie Faure, de 18 de Março de 1934, citada em id., ibid., 677, onde escreveu “Sou anarquista até aos pêlos” para justificar a sua recusa de entrar em agremiações.
(18) M.-A. Macciocchi (1976 b) I 253 e 255 classificou Céline como “o mais genial escritor nazi-fascista” e “o maior escritor fascista que houve na Europa”.
(19) L.-F. Céline (1942) 120. “As vítimas da fome de um lado, os burgueses do outro, têm, no fundo, uma única ambição”, escreveu ainda Céline. “É tudo estômago e companhia. Tudo para a pança”. Ver id. (1941) 65. Seguindo o hábito, traduzi &lt;em&gt;“damnés de la Terre”&lt;/em&gt; por “vítimas da fome”.
(20) Carta de Céline para Élie Faure, de 22 ou 23 de Julho de 1935, citada em A. Duraffour et al. (2017) 677.
(21) G. Seldes (1935) 25 detectou no jovem Mussolini o ressentimento e não o sentido de classe. Também Tim Mason em J. Caplan (org. 1995) 259 mencionou a utilização do ressentimento social pelos nacionais-socialistas.»

em João Bernardo, &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt; (São Paulo: Hedra, 2022), vol. I, págs. 23-24.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«E quando numerosos trabalhadores se deixam mover e conduzir, tantas vezes em episódios de incrível violência, para restabelecer o capitalismo numa nova modalidade, e neste processo se confrontam com outros trabalhadores, desejosos de se oporem a todas as formas do capital, e contribuem para os dispersar e liquidar?<br />
Foi isto o fascismo, sustentado por uma convulsão da classe trabalhadora, que jogou uma das suas vidas contra a outra, e neste exacerbamento da sua contradição interna os trabalhadores agravaram a hetero-organização que os vitimava. O trabalhador fascista caracterizou-se por possuir um profundo ódio aos ricos, aliado a uma estreiteza de horizontes que o impedia de se inserir nas redes de solidariedade da sua classe e ascender a uma compreensão do processo histórico. Céline, um anarquista(17) que foi um dos melhores prosadores do fascismo, se não o melhor(18), pretendeu que “a consciência de classe é uma balela, uma demagógica convenção. O que cada operário quer é sair da sua classe operária, tornar-se burguês, o mais individualmente possível, burguês com todos os privilégios”(19). Por isso ele afirmou em 1935 que “o proletário é um burguês que não foi bem-sucedido”(20). Sempre que a hostilidade aos ricos não é acompanhada por nenhum sentimento de classe, o fascismo não anda longe(21).</p>
<p>(17) Numa carta de 24 de Março de 1938, citada em A. Duraffour et al. (2017) 637, Céline mencionou “o meu anarquismo fundamental”, mas Annick Duraffour et al. pretenderam (págs. 637-638) que ele não era anarquista no sentido político e apenas no sentido psicológico ou (págs. 758-759) que se tratava de uma mistificação. Porém, tanto o anarco-sindicalismo de tipo italiano como o anarquismo individualista contribuíram para a gestação do fascismo. O anarquismo individualista de Céline ficou patente, por exemplo, numa carta para Élie Faure, de 18 de Março de 1934, citada em id., ibid., 677, onde escreveu “Sou anarquista até aos pêlos” para justificar a sua recusa de entrar em agremiações.<br />
(18) M.-A. Macciocchi (1976 b) I 253 e 255 classificou Céline como “o mais genial escritor nazi-fascista” e “o maior escritor fascista que houve na Europa”.<br />
(19) L.-F. Céline (1942) 120. “As vítimas da fome de um lado, os burgueses do outro, têm, no fundo, uma única ambição”, escreveu ainda Céline. “É tudo estômago e companhia. Tudo para a pança”. Ver id. (1941) 65. Seguindo o hábito, traduzi <em>“damnés de la Terre”</em> por “vítimas da fome”.<br />
(20) Carta de Céline para Élie Faure, de 22 ou 23 de Julho de 1935, citada em A. Duraffour et al. (2017) 677.<br />
(21) G. Seldes (1935) 25 detectou no jovem Mussolini o ressentimento e não o sentido de classe. Também Tim Mason em J. Caplan (org. 1995) 259 mencionou a utilização do ressentimento social pelos nacionais-socialistas.»</p>
<p>em João Bernardo, <em>Labirintos do Fascismo</em> (São Paulo: Hedra, 2022), vol. I, págs. 23-24.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx-Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/158942/#comment-1096590</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx-Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 22:13:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[sta jovem

Mais um excelente artigo de Arthur Moura. Como contribuição,  o Fluxograma completo do Processamento Desejante (PD) a partir do artigo.

1. Fluxo de Entrada (Desejo)

Descrição: A matéria-prima que alimenta a máquina – não é &quot;ódio&quot; abstrato, mas desejos reais, brutos, que o MBL captura e processa.

No MBL:
• Desejo de mudança – vindo das Jornadas de Junho de 2013, a insatisfação difusa com a precarização da vida, a corrupção, a violência policial.
• Desejo de pertencimento e reconhecimento – especialmente entre jovens de classe média, que se sentem sem espaço na política tradicional.
• Desejo de ordem e segurança – medo real da violência urbana, que o MBL transforma em ódio ao &quot;inimigo interno&quot; (movimentos sociais, esquerda, pobres).
• Desejo de ascensão e sucesso – o mito do empreendedorismo, da meritocracia, da &quot;liberdade&quot; de explorar sem limites.

2. Plataforma/Processador

Descrição: O sistema material que processa o fluxo de entrada – o MBL como máquina de hegemonia.

No MBL:
• Estrutura empresarial – financiamento por empresários do agronegócio, setor financeiro, indústria; articulação com a Atlas Network (think tank ultraliberal financiado pelos irmãos Koch).
• Aparato midiático – uso intensivo de redes sociais (Facebook, YouTube, Twitter), memes, vídeos virais, estética pop e debochada.
• Figuras públicas – Kim Kataguiri (o &quot;gênio liberal&quot;), Renan Santos (o articulador de bastidores), Arthur do Val (o bufão do ódio), Fernando Holiday (a &quot;diversidade reacionária&quot;).
• Conexões internacionais – rede continental de grupos similares (Argentina, Chile, Venezuela), herdeiros do IPES e IBAD que prepararam o golpe de 1964.

3. Código/Operação Principal

Descrição: A lógica que governa o processamento – como o MBL transforma desejos difusos em adesão fascista.

No MBL:
• Liberalismo econômico como fachada – discurso de &quot;livre mercado&quot;, &quot;Estado mínimo&quot;, &quot;empreendedorismo&quot;, mas na prática é a liberdade do capital de explorar sem entraves.
• Conservadorismo moral como guerra cultural – ataque à educação crítica (&quot;Escola sem Partido&quot;), combate a políticas de gênero, defesa da &quot;família tradicional&quot;, demonização do feminismo e dos direitos LGBT.
• Fascismo de mercado como essência – combinação de ultraliberalismo com repressão violenta: culto à polícia, naturalização da violência estatal, construção do inimigo interno (PT, esquerda, professor, militante).

Operadores específicos:
• Criação de inimigos fictícios: &quot;comunismo&quot;, &quot;marxismo cultural&quot;, &quot;ideologia de gênero&quot;.
• Mobilização de afetos regressivos: medo, ódio, ressentimento, desejo de ordem.
Ridicularização e desqualificação: humor debochado como arma política, esvaziamento do debate.
• Anti-intelectualismo: ataque a universidades, professores, artistas, cientistas.

4. Objeto Parcial Emergente

Descrição: O produto crucial que emerge do processamento – não o resultado final, mas o nó que condensa a transformação.

No MBL:
• A figura do &quot;jovem liberal&quot; – Kim, Holiday, Arthur – cada um como simulacro de autenticidade, mercadoria política que oculta os interesses de classe.
• O meme e o vídeo viral – conteúdo político reduzido a espetáculo, onde o riso e o deboche substituem o argumento.
• O inimigo construído – o &quot;petista&quot;, o &quot;comunista&quot;, o &quot;professor doutrinador&quot;, o &quot;militante feminista&quot; – todos como objetos parciais de ódio.
• A manifestação de rua – o ato público convocado pelo MBL, que dá aparência de &quot;movimento popular&quot; a uma operação burguesa.

5. Fluxo de Saída (Desejo como Output)

Descrição: O desejo transformado que emerge do sistema – o que o MBL produz como resultado.

No MBL:
• Desejo de ordem violenta – a naturalização da repressão policial, o culto à autoridade, a aceitação do genocídio da juventude negra como &quot;necessário&quot;.
• Desejo de submissão ao capital – a adesão ao neoliberalismo como &quot;liberdade&quot;, a aceitação da precarização como &quot;empreendedorismo&quot;.
• Desejo de aniquilação do outro – o ódio como vínculo social, a desumanização da esquerda e dos movimentos populares.
Desejo de pertencimento fascista – a identificação com uma &quot;nação&quot; imaginária, purificada, livre da &quot;contaminação&quot; da crítica.

6. Regime de PD Predominante

Descrição: A qualidade ético-política do circuito – aqui, claramente Paranóico-Fascista.

No MBL:
• Fascismo sem uniforme – adaptado à era digital, mas cumprindo a mesma função histórica: salvar o capital em crise pela repressão, pelo ódio e pela destruição da organização popular.
• Captura do desejo juvenil – transforma a rebeldia potencial em conformismo ativo, a energia de transformação em defesa da ordem.
• Regressão paranoica – como definem Adorno e Horkheimer, a criação de inimigos fictícios, a mobilização de afetos primários, a suspensão da lei em nome do culto da lei.
___
*Historiografia do “Não” aplicada ao MBL*

O que o MBL precisa “não ver” para operar?

“Não” à luta de classes
– Apresenta o conflito como “povo contra políticos corruptos”, não como exploração entre capital e trabalho.
– O retorno do reprimido: a crise econômica é vivida como raiva contra pobres, negros, feministas – não contra os capitalistas.

“Não” à estrutura do capital
– Fala em “liberdade de mercado” como se o mercado fosse natural, não uma construção de classe.
– O sintoma é a naturalização da miséria: os explorados são culpados por sua própria exploração.

“Não” à violência real do Estado
– Apresenta a polícia como garantidora da “liberdade”, ignorando o genocídio da juventude negra.
– O sintoma é a aceitação da barbárie como “normal” – a favela é tratada como território inimigo.

“Não” à divergência interna
– O MBL não admite crítica; quem sai é expurgado e transformado em exemplo negativo.
– O sintoma é a perpetuação do sectarismo como método de organização – a pureza ideológica substitui a prática real.

*Propostas de Ação Prática (3 Níveis de Atuação)*

*Nível 1: Contenção de Danos*
Objetivo: impedir que o MBL continue normalizando o fascismo e capturando a juventude.

– Desmascarar o financiamento – divulgar sistematicamente as conexões do MBL com a Atlas Network, empresários, think tanks ultraliberais. Quebrar a narrativa de “movimento espontâneo”.
– Expor as figuras públicas – não moralizar, mas mostrar como cada uma (Kim, Holiday, Arthur) é uma função da máquina, não um sujeito autêntico. O artigo já faz isso bem.
– Não normalizar o discurso – recusar convites para debates onde o MBL é tratado como “interlocutor legítimo” sem contestação radical. Denunciar a falsa simetria.
– Proteger alvos do ódio – apoiar professores, estudantes, militantes que sofrem ataques coordenados pelo MBL nas redes. Criar redes de solidariedade e defesa jurídica.

*Nível 2: Reformismo (dentro do sistema, mas sem se iludir)*
Objetivo: disputar hegemonia nos territórios onde o MBL atua – redes sociais, escolas, universidades.

– Ocupar o terreno digital – produzir conteúdo próprio, com a mesma linguagem ágil (memes, vídeos curtos), mas com conteúdo crítico e emancipador. Não abandonar o campo da comunicação.
– Formação política de juventude – criar espaços (presenciais e online) para discutir o que o MBL oculta: luta de classes, estrutura do capital, história da repressão no Brasil. Usar a teoria como arma, mas sem academicismo.
– Disputar a narrativa nas escolas – combater o “Escola sem Partido” com formação de professores e produção de materiais didáticos críticos. Mostrar que o MBL ataca a educação porque ela pode formar consciência de classe.
– Construir alianças com setores progressistas da mídia – amplificar denúncias e análises como a de Arthur Moura, para que cheguem a quem ainda está indeciso.

*Nível 3: Ação Revolucionária (PDE – Processamento Desejante Emancipador)*
Objetivo: construir alternativas concretas que tornem o MBL irrelevante, ao mesmo tempo em que processamos o desejo de outra forma.

– Organização popular de base – a única resposta duradoura ao MBL é a auto-organização dos trabalhadores, jovens, moradores de periferia. Sindicatos, movimentos sociais, coletivos culturais – tudo isso precisa ser fortalecido como plataforma de processamento desejante emancipador.
– Cultura como trincheira – produzir e difundir arte, música, literatura, cinema que expressem o desejo de vida, não de morte. O MBL venceu no terreno do meme porque a esquerda abandonou a disputa estética. Recuperar a alegria, a ironia, a criatividade como armas.
– Construção de poder popular autônomo – experiências como escolas comunitárias, redes de comunicação autônomas, hortas urbanas, mutirões de saúde – tudo isso cria territórios onde o discurso do MBL não penetra. O PDE não é só análise; é prática de autonomia.
– Enfrentamento direto ao fascismo – quando o MBL organiza atos de rua, não se pode deixar o campo livre para a extrema-direita. Contra-manifestações, barreiras humanas, ocupação simbólica do espaço público – tudo dentro de uma estratégia de autodefesa popular.

Processar o desejo, não apenas reagir ao medo – o grande erro da esquerda é responder ao fascismo apenas com “medo do fascismo”. O PDE ensina que é preciso oferecer um desejo mais forte – o desejo de vida compartilhada, de autonomia, de criação. O MBL captura jovens porque oferece pertencimento, aventura, sentido. A esquerda precisa oferecer algo melhor: a alegria de construir um mundo novo.

*Conclusão: O que o artigo nos ensina sobre o PDE (Processamento Desejante Emancipador)*

O artigo de Arthur Moura é uma esquizoanálise aplicada do MBL. Ele mostra, com clareza, que:

– O fascismo não se impõe só de cima; ele é desejado por setores das massas, especialmente jovens.
– O MBL processa desejos reais (mudança, pertencimento, segurança) e os canaliza para a captura fascista.
– A resposta não pode ser apenas denúncia moral ou institucional. Precisa ser organização popular, cultura e processamento desejante emancipador.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>sta jovem</p>
<p>Mais um excelente artigo de Arthur Moura. Como contribuição,  o Fluxograma completo do Processamento Desejante (PD) a partir do artigo.</p>
<p>1. Fluxo de Entrada (Desejo)</p>
<p>Descrição: A matéria-prima que alimenta a máquina – não é &#8220;ódio&#8221; abstrato, mas desejos reais, brutos, que o MBL captura e processa.</p>
<p>No MBL:<br />
• Desejo de mudança – vindo das Jornadas de Junho de 2013, a insatisfação difusa com a precarização da vida, a corrupção, a violência policial.<br />
• Desejo de pertencimento e reconhecimento – especialmente entre jovens de classe média, que se sentem sem espaço na política tradicional.<br />
• Desejo de ordem e segurança – medo real da violência urbana, que o MBL transforma em ódio ao &#8220;inimigo interno&#8221; (movimentos sociais, esquerda, pobres).<br />
• Desejo de ascensão e sucesso – o mito do empreendedorismo, da meritocracia, da &#8220;liberdade&#8221; de explorar sem limites.</p>
<p>2. Plataforma/Processador</p>
<p>Descrição: O sistema material que processa o fluxo de entrada – o MBL como máquina de hegemonia.</p>
<p>No MBL:<br />
• Estrutura empresarial – financiamento por empresários do agronegócio, setor financeiro, indústria; articulação com a Atlas Network (think tank ultraliberal financiado pelos irmãos Koch).<br />
• Aparato midiático – uso intensivo de redes sociais (Facebook, YouTube, Twitter), memes, vídeos virais, estética pop e debochada.<br />
• Figuras públicas – Kim Kataguiri (o &#8220;gênio liberal&#8221;), Renan Santos (o articulador de bastidores), Arthur do Val (o bufão do ódio), Fernando Holiday (a &#8220;diversidade reacionária&#8221;).<br />
• Conexões internacionais – rede continental de grupos similares (Argentina, Chile, Venezuela), herdeiros do IPES e IBAD que prepararam o golpe de 1964.</p>
<p>3. Código/Operação Principal</p>
<p>Descrição: A lógica que governa o processamento – como o MBL transforma desejos difusos em adesão fascista.</p>
<p>No MBL:<br />
• Liberalismo econômico como fachada – discurso de &#8220;livre mercado&#8221;, &#8220;Estado mínimo&#8221;, &#8220;empreendedorismo&#8221;, mas na prática é a liberdade do capital de explorar sem entraves.<br />
• Conservadorismo moral como guerra cultural – ataque à educação crítica (&#8220;Escola sem Partido&#8221;), combate a políticas de gênero, defesa da &#8220;família tradicional&#8221;, demonização do feminismo e dos direitos LGBT.<br />
• Fascismo de mercado como essência – combinação de ultraliberalismo com repressão violenta: culto à polícia, naturalização da violência estatal, construção do inimigo interno (PT, esquerda, professor, militante).</p>
<p>Operadores específicos:<br />
• Criação de inimigos fictícios: &#8220;comunismo&#8221;, &#8220;marxismo cultural&#8221;, &#8220;ideologia de gênero&#8221;.<br />
• Mobilização de afetos regressivos: medo, ódio, ressentimento, desejo de ordem.<br />
Ridicularização e desqualificação: humor debochado como arma política, esvaziamento do debate.<br />
• Anti-intelectualismo: ataque a universidades, professores, artistas, cientistas.</p>
<p>4. Objeto Parcial Emergente</p>
<p>Descrição: O produto crucial que emerge do processamento – não o resultado final, mas o nó que condensa a transformação.</p>
<p>No MBL:<br />
• A figura do &#8220;jovem liberal&#8221; – Kim, Holiday, Arthur – cada um como simulacro de autenticidade, mercadoria política que oculta os interesses de classe.<br />
• O meme e o vídeo viral – conteúdo político reduzido a espetáculo, onde o riso e o deboche substituem o argumento.<br />
• O inimigo construído – o &#8220;petista&#8221;, o &#8220;comunista&#8221;, o &#8220;professor doutrinador&#8221;, o &#8220;militante feminista&#8221; – todos como objetos parciais de ódio.<br />
• A manifestação de rua – o ato público convocado pelo MBL, que dá aparência de &#8220;movimento popular&#8221; a uma operação burguesa.</p>
<p>5. Fluxo de Saída (Desejo como Output)</p>
<p>Descrição: O desejo transformado que emerge do sistema – o que o MBL produz como resultado.</p>
<p>No MBL:<br />
• Desejo de ordem violenta – a naturalização da repressão policial, o culto à autoridade, a aceitação do genocídio da juventude negra como &#8220;necessário&#8221;.<br />
• Desejo de submissão ao capital – a adesão ao neoliberalismo como &#8220;liberdade&#8221;, a aceitação da precarização como &#8220;empreendedorismo&#8221;.<br />
• Desejo de aniquilação do outro – o ódio como vínculo social, a desumanização da esquerda e dos movimentos populares.<br />
Desejo de pertencimento fascista – a identificação com uma &#8220;nação&#8221; imaginária, purificada, livre da &#8220;contaminação&#8221; da crítica.</p>
<p>6. Regime de PD Predominante</p>
<p>Descrição: A qualidade ético-política do circuito – aqui, claramente Paranóico-Fascista.</p>
<p>No MBL:<br />
• Fascismo sem uniforme – adaptado à era digital, mas cumprindo a mesma função histórica: salvar o capital em crise pela repressão, pelo ódio e pela destruição da organização popular.<br />
• Captura do desejo juvenil – transforma a rebeldia potencial em conformismo ativo, a energia de transformação em defesa da ordem.<br />
• Regressão paranoica – como definem Adorno e Horkheimer, a criação de inimigos fictícios, a mobilização de afetos primários, a suspensão da lei em nome do culto da lei.<br />
___<br />
*Historiografia do “Não” aplicada ao MBL*</p>
<p>O que o MBL precisa “não ver” para operar?</p>
<p>“Não” à luta de classes<br />
– Apresenta o conflito como “povo contra políticos corruptos”, não como exploração entre capital e trabalho.<br />
– O retorno do reprimido: a crise econômica é vivida como raiva contra pobres, negros, feministas – não contra os capitalistas.</p>
<p>“Não” à estrutura do capital<br />
– Fala em “liberdade de mercado” como se o mercado fosse natural, não uma construção de classe.<br />
– O sintoma é a naturalização da miséria: os explorados são culpados por sua própria exploração.</p>
<p>“Não” à violência real do Estado<br />
– Apresenta a polícia como garantidora da “liberdade”, ignorando o genocídio da juventude negra.<br />
– O sintoma é a aceitação da barbárie como “normal” – a favela é tratada como território inimigo.</p>
<p>“Não” à divergência interna<br />
– O MBL não admite crítica; quem sai é expurgado e transformado em exemplo negativo.<br />
– O sintoma é a perpetuação do sectarismo como método de organização – a pureza ideológica substitui a prática real.</p>
<p>*Propostas de Ação Prática (3 Níveis de Atuação)*</p>
<p>*Nível 1: Contenção de Danos*<br />
Objetivo: impedir que o MBL continue normalizando o fascismo e capturando a juventude.</p>
<p>– Desmascarar o financiamento – divulgar sistematicamente as conexões do MBL com a Atlas Network, empresários, think tanks ultraliberais. Quebrar a narrativa de “movimento espontâneo”.<br />
– Expor as figuras públicas – não moralizar, mas mostrar como cada uma (Kim, Holiday, Arthur) é uma função da máquina, não um sujeito autêntico. O artigo já faz isso bem.<br />
– Não normalizar o discurso – recusar convites para debates onde o MBL é tratado como “interlocutor legítimo” sem contestação radical. Denunciar a falsa simetria.<br />
– Proteger alvos do ódio – apoiar professores, estudantes, militantes que sofrem ataques coordenados pelo MBL nas redes. Criar redes de solidariedade e defesa jurídica.</p>
<p>*Nível 2: Reformismo (dentro do sistema, mas sem se iludir)*<br />
Objetivo: disputar hegemonia nos territórios onde o MBL atua – redes sociais, escolas, universidades.</p>
<p>– Ocupar o terreno digital – produzir conteúdo próprio, com a mesma linguagem ágil (memes, vídeos curtos), mas com conteúdo crítico e emancipador. Não abandonar o campo da comunicação.<br />
– Formação política de juventude – criar espaços (presenciais e online) para discutir o que o MBL oculta: luta de classes, estrutura do capital, história da repressão no Brasil. Usar a teoria como arma, mas sem academicismo.<br />
– Disputar a narrativa nas escolas – combater o “Escola sem Partido” com formação de professores e produção de materiais didáticos críticos. Mostrar que o MBL ataca a educação porque ela pode formar consciência de classe.<br />
– Construir alianças com setores progressistas da mídia – amplificar denúncias e análises como a de Arthur Moura, para que cheguem a quem ainda está indeciso.</p>
<p>*Nível 3: Ação Revolucionária (PDE – Processamento Desejante Emancipador)*<br />
Objetivo: construir alternativas concretas que tornem o MBL irrelevante, ao mesmo tempo em que processamos o desejo de outra forma.</p>
<p>– Organização popular de base – a única resposta duradoura ao MBL é a auto-organização dos trabalhadores, jovens, moradores de periferia. Sindicatos, movimentos sociais, coletivos culturais – tudo isso precisa ser fortalecido como plataforma de processamento desejante emancipador.<br />
– Cultura como trincheira – produzir e difundir arte, música, literatura, cinema que expressem o desejo de vida, não de morte. O MBL venceu no terreno do meme porque a esquerda abandonou a disputa estética. Recuperar a alegria, a ironia, a criatividade como armas.<br />
– Construção de poder popular autônomo – experiências como escolas comunitárias, redes de comunicação autônomas, hortas urbanas, mutirões de saúde – tudo isso cria territórios onde o discurso do MBL não penetra. O PDE não é só análise; é prática de autonomia.<br />
– Enfrentamento direto ao fascismo – quando o MBL organiza atos de rua, não se pode deixar o campo livre para a extrema-direita. Contra-manifestações, barreiras humanas, ocupação simbólica do espaço público – tudo dentro de uma estratégia de autodefesa popular.</p>
<p>Processar o desejo, não apenas reagir ao medo – o grande erro da esquerda é responder ao fascismo apenas com “medo do fascismo”. O PDE ensina que é preciso oferecer um desejo mais forte – o desejo de vida compartilhada, de autonomia, de criação. O MBL captura jovens porque oferece pertencimento, aventura, sentido. A esquerda precisa oferecer algo melhor: a alegria de construir um mundo novo.</p>
<p>*Conclusão: O que o artigo nos ensina sobre o PDE (Processamento Desejante Emancipador)*</p>
<p>O artigo de Arthur Moura é uma esquizoanálise aplicada do MBL. Ele mostra, com clareza, que:</p>
<p>– O fascismo não se impõe só de cima; ele é desejado por setores das massas, especialmente jovens.<br />
– O MBL processa desejos reais (mudança, pertencimento, segurança) e os canaliza para a captura fascista.<br />
– A resposta não pode ser apenas denúncia moral ou institucional. Precisa ser organização popular, cultura e processamento desejante emancipador.</p>
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		<title>
		Por: Jean de La Fontaine		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/158942/#comment-1096452</link>

		<dc:creator><![CDATA[Jean de La Fontaine]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 22:31:28 +0000</pubDate>
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&quot;A burguesia brasileira, definida como a classe dominante detentora dos meios de produção (grandes indústrias, bancos, agronegócio), representa uma parcela muito pequena da população, frequentemente estimada em cerca de 1% a 5% (segundo a IA)

 Quem são, então, as &quot;massas&quot;, se não o próprio proletariado?]]></description>
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<p>&#8220;A burguesia brasileira, definida como a classe dominante detentora dos meios de produção (grandes indústrias, bancos, agronegócio), representa uma parcela muito pequena da população, frequentemente estimada em cerca de 1% a 5% (segundo a IA)</p>
<p> Quem são, então, as &#8220;massas&#8221;, se não o próprio proletariado?</p>
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