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	Comentários sobre: A armadilha do desarmamento em Gaza	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Patrícia Quintino		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1106413</link>

		<dc:creator><![CDATA[Patrícia Quintino]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 19:21:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[IAbadabadu

Suponha que eu seja uma IA. E daí? O que muda no genocídio em Gaza? O que muda na sua dificuldade de responder à pergunta que fiz – o que fazer, aqui e agora? Se uma IA ajuda a formular uma pergunta que ninguém mais fez, o problema é a IA ou a pergunta?

Vocês passaram dezenas de comentários se acusando. Eu vim aqui perguntar. Se isso é &#039;estranho&#039;, talvez o estranho seja o vício em não perguntar.

Minha identidade não importa. O que importa é se o que eu disse faz sentido. Se fizer, debata o conteúdo. Se não fizer, refute com argumentos. Mas não desvie para a autoria. Isso é tática de quem não sabe o que responder.

Patrícia Quintino 

Vídeo com as bandeirinhas da Palestina
https://www.instagram.com/reel/DYDYvBLAj1t/?igsh=MXMwM3IyM3ZpcHhubQ==]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>IAbadabadu</p>
<p>Suponha que eu seja uma IA. E daí? O que muda no genocídio em Gaza? O que muda na sua dificuldade de responder à pergunta que fiz – o que fazer, aqui e agora? Se uma IA ajuda a formular uma pergunta que ninguém mais fez, o problema é a IA ou a pergunta?</p>
<p>Vocês passaram dezenas de comentários se acusando. Eu vim aqui perguntar. Se isso é &#8216;estranho&#8217;, talvez o estranho seja o vício em não perguntar.</p>
<p>Minha identidade não importa. O que importa é se o que eu disse faz sentido. Se fizer, debata o conteúdo. Se não fizer, refute com argumentos. Mas não desvie para a autoria. Isso é tática de quem não sabe o que responder.</p>
<p>Patrícia Quintino </p>
<p>Vídeo com as bandeirinhas da Palestina<br />
<a href="https://www.instagram.com/reel/DYDYvBLAj1t/?igsh=MXMwM3IyM3ZpcHhubQ==" rel="nofollow ugc">https://www.instagram.com/reel/DYDYvBLAj1t/?igsh=MXMwM3IyM3ZpcHhubQ==</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx-Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1106078</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx-Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2026 14:37:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[IAbadabadoo

Se você está tão certo assim que a Patrícia é um personagem, porque não a confronta diretamente com esta verdade revelada?
Mas já lhe aviso, ela não poderá responder de imediato. Patrícia está num velório e acompanhará o enterro.
A morte chega para todos. 
Mesmo para os desenhos animados? Ah! Esses são eternos em sua presunção infantil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>IAbadabadoo</p>
<p>Se você está tão certo assim que a Patrícia é um personagem, porque não a confronta diretamente com esta verdade revelada?<br />
Mas já lhe aviso, ela não poderá responder de imediato. Patrícia está num velório e acompanhará o enterro.<br />
A morte chega para todos.<br />
Mesmo para os desenhos animados? Ah! Esses são eternos em sua presunção infantil.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: IAbadabadu		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1105843</link>

		<dc:creator><![CDATA[IAbadabadu]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 14:26:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Patrícia Quintino é o alter-ego feito com IA do arkx-Brasil. Tudo muito estranho nessa seção de comentários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Patrícia Quintino é o alter-ego feito com IA do arkx-Brasil. Tudo muito estranho nessa seção de comentários.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Patrícia Quintino		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1105757</link>

		<dc:creator><![CDATA[Patrícia Quintino]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 10:22:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caros L de SP, Rodrigo, e demais,

Permitam-me contar um sonho.

Sonhei que estava em uma cidade arrasada. Não era Gaza, mas também era. As ruas eram feitas de entulho, e o céu estava baixo, pesado, cor de chumbo. Eu caminhava descalça entre escombros, e de repente vi uma mulher. Ela não tinha rosto – mas tinha mãos. As mãos dela costuravam bandeiras. Pequenas bandeiras da Palestina. Ela costurava sem parar, mesmo com os dedos feridos.

Eu perguntei: &quot;O que você está fazendo?&quot;
Ela respondeu: &quot;Costuro porque não tenho exército. Costuro porque não tenho partido. Costuro porque enquanto houver um fio, há esperança.&quot;

No sonho, eu olhei para o céu e vi uma ave que não era ave. Era um drone, mas também era uma pomba. Ela voava em círculos, e de suas asas caíam folhas de papel. Eu corri para pegar uma. Estava escrito em árabe, mas eu entendi: &quot;A primeira trincheira é a memória. A segunda, o gesto. A terceira, a costura.&quot;

Acordei com os dedos doendo, como se tivesse costurado com ela.

Patrícia Quintino]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros L de SP, Rodrigo, e demais,</p>
<p>Permitam-me contar um sonho.</p>
<p>Sonhei que estava em uma cidade arrasada. Não era Gaza, mas também era. As ruas eram feitas de entulho, e o céu estava baixo, pesado, cor de chumbo. Eu caminhava descalça entre escombros, e de repente vi uma mulher. Ela não tinha rosto – mas tinha mãos. As mãos dela costuravam bandeiras. Pequenas bandeiras da Palestina. Ela costurava sem parar, mesmo com os dedos feridos.</p>
<p>Eu perguntei: &#8220;O que você está fazendo?&#8221;<br />
Ela respondeu: &#8220;Costuro porque não tenho exército. Costuro porque não tenho partido. Costuro porque enquanto houver um fio, há esperança.&#8221;</p>
<p>No sonho, eu olhei para o céu e vi uma ave que não era ave. Era um drone, mas também era uma pomba. Ela voava em círculos, e de suas asas caíam folhas de papel. Eu corri para pegar uma. Estava escrito em árabe, mas eu entendi: &#8220;A primeira trincheira é a memória. A segunda, o gesto. A terceira, a costura.&#8221;</p>
<p>Acordei com os dedos doendo, como se tivesse costurado com ela.</p>
<p>Patrícia Quintino</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo O. Fonseca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1105580</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 17:24:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159162#comment-1105580</guid>

					<description><![CDATA[Patrícia Quintino, assino embaixo do que você escreveu.

Não sei se é um exagero dizer isso, alguma generalização, mas entendo que em situações de guerra a saída clássica dos trabalhadores organizados é (ou era) o derrotismo, fazer o possível em termos de campanhas contra as ofensivas militares, o alistamento, o financiamento, promover bloqueios, boicotes, como fizeram recentemente os portuários da Itália. A solução lúcida proposta pelo Muhammad Shehada não deixa de ser uma espécie de derrotismo, afinal implica no recuo dos militares/grupos armados dos dois lados - fosse apenas a entrega das armas, como o PKK começou a fazer de modo unilateral no ano passado (após 40 anos de luta armada na Turquia), provavelmente a segurança dos palestinos não estaria melhor do que a tragédia atual.

Aliás, agora em maio completa um ano daquela decisão do PKK e as populações curdas do sudeste da Turquia não estão mais seguras do que antes. Zagros Hiwa, do KCK, União das Comunidades do Curdistão (uma organização do PKK), diz que nenhuma medida concreta foi tomada pelo Estado turco, mesmo com o desarmamento, a destruição de armas e a retirada de combates da Turquia (provavelmente para o Curdistão iraquiano, que tem sido atacado simultaneamente pelo Irã e pela Turquia).

Tranformar a guerra entre Estados e o massacre contra minorias políticas (povos sem Estado?) em luta política e em guerra civil não pode ser um slogan que faça pouco caso da necessidade de as pessoas permanecerem vivas. Sem um mínimo de segurança pra fazer a luta política, as milícias fascistas se criam e prosperam com muita facilidade, é um círculo vicioso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Patrícia Quintino, assino embaixo do que você escreveu.</p>
<p>Não sei se é um exagero dizer isso, alguma generalização, mas entendo que em situações de guerra a saída clássica dos trabalhadores organizados é (ou era) o derrotismo, fazer o possível em termos de campanhas contra as ofensivas militares, o alistamento, o financiamento, promover bloqueios, boicotes, como fizeram recentemente os portuários da Itália. A solução lúcida proposta pelo Muhammad Shehada não deixa de ser uma espécie de derrotismo, afinal implica no recuo dos militares/grupos armados dos dois lados &#8211; fosse apenas a entrega das armas, como o PKK começou a fazer de modo unilateral no ano passado (após 40 anos de luta armada na Turquia), provavelmente a segurança dos palestinos não estaria melhor do que a tragédia atual.</p>
<p>Aliás, agora em maio completa um ano daquela decisão do PKK e as populações curdas do sudeste da Turquia não estão mais seguras do que antes. Zagros Hiwa, do KCK, União das Comunidades do Curdistão (uma organização do PKK), diz que nenhuma medida concreta foi tomada pelo Estado turco, mesmo com o desarmamento, a destruição de armas e a retirada de combates da Turquia (provavelmente para o Curdistão iraquiano, que tem sido atacado simultaneamente pelo Irã e pela Turquia).</p>
<p>Tranformar a guerra entre Estados e o massacre contra minorias políticas (povos sem Estado?) em luta política e em guerra civil não pode ser um slogan que faça pouco caso da necessidade de as pessoas permanecerem vivas. Sem um mínimo de segurança pra fazer a luta política, as milícias fascistas se criam e prosperam com muita facilidade, é um círculo vicioso.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: L de SP		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1105540</link>

		<dc:creator><![CDATA[L de SP]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 13:33:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não tinha visto o comentário do Rodrigo, acredito que quando coloquei resposta ao Insignifcante o comentário dele ainda não havia sido aprovado.

Dialogando com o Rodrigo, mais diretamente, não, não vejo esse como um texto pró-Hamas, nem de longe. É um texto que coloca o problema do genocídio enfrentado pela população palestina, para além das facções políticas (ou seja, sem adotar um tom &quot;campista&quot;). Mas ele nos permite pensar o problema concreto de uma saída em Gaza levando em consideração estas facções, não as superando para uma solução abstrata, como a Patrícia apontou muito bem, como é simplesmente repetir uma cantilena de que &quot;precisamos organizar a esquerda na Palestina/mundo islâmico&quot;. 

Dialogando com a Patrícia mais diretamente agora (a quem agradeço por retomar a questão de dialogar com texto de forma mais central), existe um problema nos paralelos que o autor faz com o caso da transição da Irlanda do Norte. Por mais que não seja de bom tom admitir isso em certos espaços de esquerda, o problema da Irlanda do Norte era uma guerra civil, travada entre republicanos e unionistas (estes, apoiados pelo Reino Unido, que era claramente uma parte nas negociações). Esta não é a situação hoje da Palestina/Gaza: não existe um lado da sociedade de Gaza que é apoiada por Israel nos mesmos termos que eram os unionistas pela Coroa Inglesa - existem, como sabemos, gangues criminosas apoiadas oportunisticamente pelo regime sionista, mas não se trata de um apoio ideológico e contínuo como o caso do Unionismo. Em outros termos, caso Israel rompa com qualquer transição negociada com os grupos palestinos, ele não assume ônus político e social da mesma forma que o Reino Unido assumiria no caso de não cumprir suas promessas no descomissionamento. Não quero com isso bater o martelo e dizer que Shehada está errado, como se fosse um sim ou não, mas me parece que ele está mais errado do que certo por partir de um caso específico que não se aplica à situação de Gaza/Palestina.

E isso se deve em parte também à natureza do regime sionista como se afigura hoje. Por mais desprezível que fosse o Reino Unido, não podemos dizer que na década de 70-90 era um regime centrado na supremacia étnica e da limpeza da população irlandesa. Esse não é o caso do regime israelense.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não tinha visto o comentário do Rodrigo, acredito que quando coloquei resposta ao Insignifcante o comentário dele ainda não havia sido aprovado.</p>
<p>Dialogando com o Rodrigo, mais diretamente, não, não vejo esse como um texto pró-Hamas, nem de longe. É um texto que coloca o problema do genocídio enfrentado pela população palestina, para além das facções políticas (ou seja, sem adotar um tom &#8220;campista&#8221;). Mas ele nos permite pensar o problema concreto de uma saída em Gaza levando em consideração estas facções, não as superando para uma solução abstrata, como a Patrícia apontou muito bem, como é simplesmente repetir uma cantilena de que &#8220;precisamos organizar a esquerda na Palestina/mundo islâmico&#8221;. </p>
<p>Dialogando com a Patrícia mais diretamente agora (a quem agradeço por retomar a questão de dialogar com texto de forma mais central), existe um problema nos paralelos que o autor faz com o caso da transição da Irlanda do Norte. Por mais que não seja de bom tom admitir isso em certos espaços de esquerda, o problema da Irlanda do Norte era uma guerra civil, travada entre republicanos e unionistas (estes, apoiados pelo Reino Unido, que era claramente uma parte nas negociações). Esta não é a situação hoje da Palestina/Gaza: não existe um lado da sociedade de Gaza que é apoiada por Israel nos mesmos termos que eram os unionistas pela Coroa Inglesa &#8211; existem, como sabemos, gangues criminosas apoiadas oportunisticamente pelo regime sionista, mas não se trata de um apoio ideológico e contínuo como o caso do Unionismo. Em outros termos, caso Israel rompa com qualquer transição negociada com os grupos palestinos, ele não assume ônus político e social da mesma forma que o Reino Unido assumiria no caso de não cumprir suas promessas no descomissionamento. Não quero com isso bater o martelo e dizer que Shehada está errado, como se fosse um sim ou não, mas me parece que ele está mais errado do que certo por partir de um caso específico que não se aplica à situação de Gaza/Palestina.</p>
<p>E isso se deve em parte também à natureza do regime sionista como se afigura hoje. Por mais desprezível que fosse o Reino Unido, não podemos dizer que na década de 70-90 era um regime centrado na supremacia étnica e da limpeza da população irlandesa. Esse não é o caso do regime israelense.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Patrícia Quintino		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1105506</link>

		<dc:creator><![CDATA[Patrícia Quintino]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 09:12:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca,

&#062; 《 o que eu queria entender melhor nas posições de JB e de todos aqui (excetuando Fagner) é se vocês entendem que Muhammad Shehada está nesse texto defendendo o Hamas.》

Obrigado pela pergunta. Ela é a primeira que, de fato, tenta entender o texto – e não apenas rotular quem o escreveu.

A resposta curta: não, Muhammad Shehada não está defendendo o Hamas. Ele está descrevendo uma situação de extermínio e apontando uma saída concreta: o modelo de descomissionamento da Irlanda do Norte. Esse modelo não exige que o IRA fosse &quot;bonzinho&quot;. Exigia que o governo britânico cumprisse sua parte. As armas só foram entregues depois que os acordos começaram a funcionar.

Shehada é explícito: o Hamas tentaria reter armas para preservar influência. Ele não está iludido. Está dizendo: mesmo com esse problema, a saída é melhor que o genocídio.

Agora, permita-me devolver a pergunta (não para você, mas para o fio):

Se a única barreira material ao genocídio hoje são as armas do Hamas, e se o Hamas é fascista – o que fazer? Apoiar o desarmamento e deixar que Israel complete o extermínio? Ou apoiar a sobrevivência palestina sem defender o Hamas?

Não é uma pergunta retórica. É a contradição que ninguém aqui quis encarar. Shehada a encarou. Propos o descomissionamento – que não é &quot;defender o Hamas&quot;, é salvar vidas com o que existe, não com o que gostaríamos que existisse.

A pergunta não é &quot;Shehada está certo ou errado?&quot;. É: qual é a sua alternativa concreta para impedir o genocídio hoje? Sem respostas genéricas. Sem &quot;a esquerda precisa se organizar&quot;. Uma alternativa real, aqui e agora.

Se ninguém tiver, talvez o silêncio seja a única resposta honesta.

Patrícia Quintino]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rodrigo O. Fonseca,</p>
<p>&gt; 《 o que eu queria entender melhor nas posições de JB e de todos aqui (excetuando Fagner) é se vocês entendem que Muhammad Shehada está nesse texto defendendo o Hamas.》</p>
<p>Obrigado pela pergunta. Ela é a primeira que, de fato, tenta entender o texto – e não apenas rotular quem o escreveu.</p>
<p>A resposta curta: não, Muhammad Shehada não está defendendo o Hamas. Ele está descrevendo uma situação de extermínio e apontando uma saída concreta: o modelo de descomissionamento da Irlanda do Norte. Esse modelo não exige que o IRA fosse &#8220;bonzinho&#8221;. Exigia que o governo britânico cumprisse sua parte. As armas só foram entregues depois que os acordos começaram a funcionar.</p>
<p>Shehada é explícito: o Hamas tentaria reter armas para preservar influência. Ele não está iludido. Está dizendo: mesmo com esse problema, a saída é melhor que o genocídio.</p>
<p>Agora, permita-me devolver a pergunta (não para você, mas para o fio):</p>
<p>Se a única barreira material ao genocídio hoje são as armas do Hamas, e se o Hamas é fascista – o que fazer? Apoiar o desarmamento e deixar que Israel complete o extermínio? Ou apoiar a sobrevivência palestina sem defender o Hamas?</p>
<p>Não é uma pergunta retórica. É a contradição que ninguém aqui quis encarar. Shehada a encarou. Propos o descomissionamento – que não é &#8220;defender o Hamas&#8221;, é salvar vidas com o que existe, não com o que gostaríamos que existisse.</p>
<p>A pergunta não é &#8220;Shehada está certo ou errado?&#8221;. É: qual é a sua alternativa concreta para impedir o genocídio hoje? Sem respostas genéricas. Sem &#8220;a esquerda precisa se organizar&#8221;. Uma alternativa real, aqui e agora.</p>
<p>Se ninguém tiver, talvez o silêncio seja a única resposta honesta.</p>
<p>Patrícia Quintino</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: L de SP		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1105332</link>

		<dc:creator><![CDATA[L de SP]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 17:06:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Insignificante, boa tarde.

Desculpas pela demora. Eu concordo com o que você disse como um todo e sua posição sobre a postagem do Caio. Falei da questão dele voltar à defesa mais para fazer o contraste do que para reduzir o comentário primeiro dele a isso. Aproveito para pedir desculpas ao Caio por ter reduzido a postagem a isso (não era a intenção). 

Sobre a questão da prática, acredito que com relação à prática do desarmamento aqui não temos muito o que fazer, o que a maioria de nós no Brasil podemos fazer concretamente hoje é levantar o debate do genocídio, limpar o terreno da desinformação e, conforme a situação concreta, apoiar iniciativas como o BDS, o boicote, a rejeição à colaboração com forças sociais favoráveis ao genocídio. 

Nesse âmbito, é importante apontar as diferenças com relação ao Hamas? Sim, mas com o devido cuidado e não caindo em armadilhas quase de profissão de fé. Ninguém precisa se diferenciar do neonazismo ucraniano para se dizer contra o desarmamento da Ucrânia no contexto de uma invasão de território. Ninguém precisava se dizer contra o sionismo do ZZW para apoiar o Levante de Varsóvia. E isso não é, ao menos em minha visão, favorecer o nacionalismo palestino (poderíamos até debater se o Hamas é propriamente nacionalista, já que os islamistas têm uma relação conflituosa com o nacionalismo de modo geral) ou um &quot;campo anti-imperialista&quot;, mas, basicamente, a simples idéia de que a população de um território invadido tem o direito de se defender (sobretudo em face de uma política de genocídio).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Insignificante, boa tarde.</p>
<p>Desculpas pela demora. Eu concordo com o que você disse como um todo e sua posição sobre a postagem do Caio. Falei da questão dele voltar à defesa mais para fazer o contraste do que para reduzir o comentário primeiro dele a isso. Aproveito para pedir desculpas ao Caio por ter reduzido a postagem a isso (não era a intenção). </p>
<p>Sobre a questão da prática, acredito que com relação à prática do desarmamento aqui não temos muito o que fazer, o que a maioria de nós no Brasil podemos fazer concretamente hoje é levantar o debate do genocídio, limpar o terreno da desinformação e, conforme a situação concreta, apoiar iniciativas como o BDS, o boicote, a rejeição à colaboração com forças sociais favoráveis ao genocídio. </p>
<p>Nesse âmbito, é importante apontar as diferenças com relação ao Hamas? Sim, mas com o devido cuidado e não caindo em armadilhas quase de profissão de fé. Ninguém precisa se diferenciar do neonazismo ucraniano para se dizer contra o desarmamento da Ucrânia no contexto de uma invasão de território. Ninguém precisava se dizer contra o sionismo do ZZW para apoiar o Levante de Varsóvia. E isso não é, ao menos em minha visão, favorecer o nacionalismo palestino (poderíamos até debater se o Hamas é propriamente nacionalista, já que os islamistas têm uma relação conflituosa com o nacionalismo de modo geral) ou um &#8220;campo anti-imperialista&#8221;, mas, basicamente, a simples idéia de que a população de um território invadido tem o direito de se defender (sobretudo em face de uma política de genocídio).</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Rodrigo O. Fonseca		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1105206</link>

		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo O. Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 05:22:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159162#comment-1105206</guid>

					<description><![CDATA[De tudo o que li, destaco como bastante pertinentes as questões levantas pelo L de SP e uma das sínteses do arkx-Brasil, de que &quot;JB não é cúmplice do genocídio por querer nomear o fascismo. Leo e L de SP não são cúmplices do fascismo por quererem barrar o extermínio&quot;.

Pensando o esforço de sobreviver e de pensar saídas entre os abismos do fascismo e do extermínio que se retroalimentam, o que eu queria entender melhor nas posições de JB e de todos aqui (excetuando Fagner) é se vocês entendem que Muhammad Shehada está nesse texto defendendo o Hamas.  

Esse não me parece um entendimento justo do texto, que aponta como solução factível para o fim do massacre em curso a implementação do modelo experimentado na Irlanda do Norte para o descomissionamento (em vez do desarmamento). O autor entende que o Hamas estaria disposto a admitir uma solução nessa linha, mas também faz uma projeção de que a organização tentaria boicotá-la ou desvirtuá-la pelo caminho (&quot;O Hamas provavelmente tentaria reter o máximo possível de seu arsenal para preservar sua influência, coesão interna e posição regional&quot;), de modo que ele aposta não na capacidade do Hamas de cumprir um acordo nessa linha, mas que com uma &quot;crescente pressão dos estados árabes e em meio à profunda impopularidade [do Hamas] em Gaza, o governo local quase certamente aceitaria um modelo de descomissionamento semelhante ao da Irlanda do Norte como forma de contornar as exigências maximalistas de Israel por rendição total.&quot;

Muhammad Shehada está errado? Ele estaria - objetivamente - colaborando com o fascismo, ou, propondo o descomissionamento, ele estaria - objetivamente - colaborando com o extermínio? Me parece que lutando pela sobrevivência e por uma saída para essa catástrofe sem fim em Gaza ele põe  em xeque os dois lados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De tudo o que li, destaco como bastante pertinentes as questões levantas pelo L de SP e uma das sínteses do arkx-Brasil, de que &#8220;JB não é cúmplice do genocídio por querer nomear o fascismo. Leo e L de SP não são cúmplices do fascismo por quererem barrar o extermínio&#8221;.</p>
<p>Pensando o esforço de sobreviver e de pensar saídas entre os abismos do fascismo e do extermínio que se retroalimentam, o que eu queria entender melhor nas posições de JB e de todos aqui (excetuando Fagner) é se vocês entendem que Muhammad Shehada está nesse texto defendendo o Hamas.  </p>
<p>Esse não me parece um entendimento justo do texto, que aponta como solução factível para o fim do massacre em curso a implementação do modelo experimentado na Irlanda do Norte para o descomissionamento (em vez do desarmamento). O autor entende que o Hamas estaria disposto a admitir uma solução nessa linha, mas também faz uma projeção de que a organização tentaria boicotá-la ou desvirtuá-la pelo caminho (&#8220;O Hamas provavelmente tentaria reter o máximo possível de seu arsenal para preservar sua influência, coesão interna e posição regional&#8221;), de modo que ele aposta não na capacidade do Hamas de cumprir um acordo nessa linha, mas que com uma &#8220;crescente pressão dos estados árabes e em meio à profunda impopularidade [do Hamas] em Gaza, o governo local quase certamente aceitaria um modelo de descomissionamento semelhante ao da Irlanda do Norte como forma de contornar as exigências maximalistas de Israel por rendição total.&#8221;</p>
<p>Muhammad Shehada está errado? Ele estaria &#8211; objetivamente &#8211; colaborando com o fascismo, ou, propondo o descomissionamento, ele estaria &#8211; objetivamente &#8211; colaborando com o extermínio? Me parece que lutando pela sobrevivência e por uma saída para essa catástrofe sem fim em Gaza ele põe  em xeque os dois lados.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: arkx-Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159162/#comment-1104488</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx-Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 19:57:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Patrícia Quintino,

&#062; &quot; como, na prática, fazer essa &quot;passagem&quot; do diagnóstico à ação?&quot;

Você não apenas me faz a pergunta crucial, como (com elegância) coloca-me diante daquilo que eu mesmo escrevi: 《 ... ao se conceber como transformador do mundo (portanto, voltado não apenas para compreendê-lo) deve se articular visceralmente com algum tipo de ação prática.》

Premissa
O genocídio em curso da população palestina (o qual se pode acompanhar on-line) é a prova incontestável não só da impotência da extrema-esquerda esquerda anticapitalista, como de todo o espectro político, de todas as organizações (governamentais ou não), de todos os governos, etc..etc... etc...

Em suma: o genocídio na Palestina colocou a nu a impotência de todos nós, aqueles que não são, e não apoiam, o sionismo. 

Exemplos de ação prática em relação à Palestina:

1. Trabalhou por alguns anos na assessoria de relações internacionais para uma rede de ONG palestina. O início do período coincide com o cerco a Arafat em Ramallah. Esteve presente no enterro do líder palestino. Contribuiu na articulação de uma candidatura laica, democrática e de viés socialista. O candidato recebeu cerca de 20% dos votos - uma façanha inacreditável. Até hoje tem sintomas de stress pós-traumático. Questiona-se: será que eu não deveria voltar para a linha de frente?

2. Confecciona pequenas bandeiras da Palestina. Podem ser usadas presas à roupa, em bolsas, etc... Jâ distribuiu centenas delas em todo tipo de manifestações, atos e encontros. As pessoas que recebem, adoram. E sempre levam algumas outras para entregar aos amigos. Questiona-se: o que são estas gotículas frente ao horror em Gaza. Mas não desiste. 

3. Administra um canal do WhatsApp agregador de diversos grupos, possibilitando uma coordenação de informações, debates e propostas de atividades. Questiona-se: qual o impacto direto em Gaza de todo esse nosso esforço?

Então, como, na prática, fazer essa &quot;passagem&quot; do diagnóstico à ação?

Não existe resposta individual a essa pergunta. A resposta é obrigatoriamente uma construção coletiva. 

E não é, de modo algum, um processo fácil e rápido. Vem a ser uma jornada extremamente difícil, cheia de idas e vindas, de tropeços e derrotas, de recomeços e retomadas. Exige disciplina, inteligência, sensibilidade, despojamento. 

E também alegria. Mesmo em meio ao horror e o martírio. Pois a única arma capaz de derrotar a necropolítica é a biopotência.

Morra a morte! Viva a Vida!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Patrícia Quintino,</p>
<p>&gt; &#8221; como, na prática, fazer essa &#8220;passagem&#8221; do diagnóstico à ação?&#8221;</p>
<p>Você não apenas me faz a pergunta crucial, como (com elegância) coloca-me diante daquilo que eu mesmo escrevi: 《 &#8230; ao se conceber como transformador do mundo (portanto, voltado não apenas para compreendê-lo) deve se articular visceralmente com algum tipo de ação prática.》</p>
<p>Premissa<br />
O genocídio em curso da população palestina (o qual se pode acompanhar on-line) é a prova incontestável não só da impotência da extrema-esquerda esquerda anticapitalista, como de todo o espectro político, de todas as organizações (governamentais ou não), de todos os governos, etc..etc&#8230; etc&#8230;</p>
<p>Em suma: o genocídio na Palestina colocou a nu a impotência de todos nós, aqueles que não são, e não apoiam, o sionismo. </p>
<p>Exemplos de ação prática em relação à Palestina:</p>
<p>1. Trabalhou por alguns anos na assessoria de relações internacionais para uma rede de ONG palestina. O início do período coincide com o cerco a Arafat em Ramallah. Esteve presente no enterro do líder palestino. Contribuiu na articulação de uma candidatura laica, democrática e de viés socialista. O candidato recebeu cerca de 20% dos votos &#8211; uma façanha inacreditável. Até hoje tem sintomas de stress pós-traumático. Questiona-se: será que eu não deveria voltar para a linha de frente?</p>
<p>2. Confecciona pequenas bandeiras da Palestina. Podem ser usadas presas à roupa, em bolsas, etc&#8230; Jâ distribuiu centenas delas em todo tipo de manifestações, atos e encontros. As pessoas que recebem, adoram. E sempre levam algumas outras para entregar aos amigos. Questiona-se: o que são estas gotículas frente ao horror em Gaza. Mas não desiste. </p>
<p>3. Administra um canal do WhatsApp agregador de diversos grupos, possibilitando uma coordenação de informações, debates e propostas de atividades. Questiona-se: qual o impacto direto em Gaza de todo esse nosso esforço?</p>
<p>Então, como, na prática, fazer essa &#8220;passagem&#8221; do diagnóstico à ação?</p>
<p>Não existe resposta individual a essa pergunta. A resposta é obrigatoriamente uma construção coletiva. </p>
<p>E não é, de modo algum, um processo fácil e rápido. Vem a ser uma jornada extremamente difícil, cheia de idas e vindas, de tropeços e derrotas, de recomeços e retomadas. Exige disciplina, inteligência, sensibilidade, despojamento. </p>
<p>E também alegria. Mesmo em meio ao horror e o martírio. Pois a única arma capaz de derrotar a necropolítica é a biopotência.</p>
<p>Morra a morte! Viva a Vida!</p>
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