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	Comentários sobre: George Orwell e a revolução	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2026 12:43:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro J, existe uma leitura do 1984 que não só se prende ao seu aspecto de manifesto político - crítica aos regimes concentracionários - como ignora o silêncio dos proletários - a razão para se ter esperança na transformação daquela sociedade. Parece-me que é justamente esse tipo de leitura que reduz o conteúdo da obra à política e à propaganda. Umas outras, se eu entendi bem - a do Miguel Serras Pereira e, também, a do João Bernardo - nos abrem portas ao andarem atentas ao silêncio dos proletários, à novilíngua, aos aparelhos eletrônicos e suas relações com o trabalho, o ócio e à vigilância policial, por isto são incapaz de dizer que o Orwell, no 1984, reduziu a vida à política e à política à propaganda. Além de nos possibilitar olhar para o 1984 ao mesmo tempo que olhamos para o nosso tempo, e as sociedades onde vivemos, levantando questões sobre o silêncio dos proletários e sobre os usos dos celulares e das mídias sociais e suas relações com ócio, lazer, trabalho e vigilância do Estado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro J, existe uma leitura do 1984 que não só se prende ao seu aspecto de manifesto político &#8211; crítica aos regimes concentracionários &#8211; como ignora o silêncio dos proletários &#8211; a razão para se ter esperança na transformação daquela sociedade. Parece-me que é justamente esse tipo de leitura que reduz o conteúdo da obra à política e à propaganda. Umas outras, se eu entendi bem &#8211; a do Miguel Serras Pereira e, também, a do João Bernardo &#8211; nos abrem portas ao andarem atentas ao silêncio dos proletários, à novilíngua, aos aparelhos eletrônicos e suas relações com o trabalho, o ócio e à vigilância policial, por isto são incapaz de dizer que o Orwell, no 1984, reduziu a vida à política e à política à propaganda. Além de nos possibilitar olhar para o 1984 ao mesmo tempo que olhamos para o nosso tempo, e as sociedades onde vivemos, levantando questões sobre o silêncio dos proletários e sobre os usos dos celulares e das mídias sociais e suas relações com ócio, lazer, trabalho e vigilância do Estado.</p>
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		<title>
		Por: j		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[j]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 16:32:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Fernando Paz, penso diferente. Kundera não tolerava absolutamente nenhuma redução/simplificação, especialmente na literatura, daí a crítica ao Orwell. Qual é a base do kitsch, senão as reduções/simplificações? Kundera aprendeu in loco que a repressão se vale das reduções/simplificações e do kitsch. Quanto à esperança, se o bardo tcheco teve alguma, perdeu depois do estrangulamento da Primavera de Praga.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Fernando Paz, penso diferente. Kundera não tolerava absolutamente nenhuma redução/simplificação, especialmente na literatura, daí a crítica ao Orwell. Qual é a base do kitsch, senão as reduções/simplificações? Kundera aprendeu in loco que a repressão se vale das reduções/simplificações e do kitsch. Quanto à esperança, se o bardo tcheco teve alguma, perdeu depois do estrangulamento da Primavera de Praga.</p>
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		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/06/159384/#comment-1115930</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 18:29:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[J, pelo jeito o Kundera não viu que para o Orwell, no 1984, nem tudo podia ser metido dentro dessa redução aí, e, também, que ainda existia uma razão para ser ter esperança. O encontro na Tigre de papel e o artigo que mencionei acima abrem os nossos olhos também para o que escapou ao Kundera, bem como para as diferentes leituras que foram feitas do 1984, seja logo após o fim da segunda guerra mundial, seja nos anos 1960, ou ainda posteriormente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>J, pelo jeito o Kundera não viu que para o Orwell, no 1984, nem tudo podia ser metido dentro dessa redução aí, e, também, que ainda existia uma razão para ser ter esperança. O encontro na Tigre de papel e o artigo que mencionei acima abrem os nossos olhos também para o que escapou ao Kundera, bem como para as diferentes leituras que foram feitas do 1984, seja logo após o fim da segunda guerra mundial, seja nos anos 1960, ou ainda posteriormente.</p>
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		<title>
		Por: Liev Davidovich Bronstálin		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/06/159384/#comment-1115911</link>

		<dc:creator><![CDATA[Liev Davidovich Bronstálin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 16:08:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como bom trotskista, o autor é também stalinista nas horas vagas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como bom trotskista, o autor é também stalinista nas horas vagas&#8230;</p>
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		<title>
		Por: j		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/06/159384/#comment-1115885</link>

		<dc:creator><![CDATA[j]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 12:46:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Milan Kundera sobre George Orwell: “A influência nefasta do romance de Orwell está na redução implacável da realidade ao seu aspecto puramente político e na redução deste aos seus aspectos negativos. Não perdoo esta redução com o pretexto de que era útil como propaganda na luta contra o mal totalitário. Porque este mal é precisamente a redução da vida à política e da política à propaganda. Assim, o romance de Orwell, apesar das intenções, forma ele mesmo parte do espírito totalitário, do espírito de propaganda. Reduz (e ensina a reduzir) a vida de uma sociedade odiada à enumeração simples dos seus crimes.”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Milan Kundera sobre George Orwell: “A influência nefasta do romance de Orwell está na redução implacável da realidade ao seu aspecto puramente político e na redução deste aos seus aspectos negativos. Não perdoo esta redução com o pretexto de que era útil como propaganda na luta contra o mal totalitário. Porque este mal é precisamente a redução da vida à política e da política à propaganda. Assim, o romance de Orwell, apesar das intenções, forma ele mesmo parte do espírito totalitário, do espírito de propaganda. Reduz (e ensina a reduzir) a vida de uma sociedade odiada à enumeração simples dos seus crimes.”</p>
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		<title>
		Por: Fernando Paz		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/06/159384/#comment-1115854</link>

		<dc:creator><![CDATA[Fernando Paz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 09:12:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No 25 de fevereiro de 2020, em Lisboa, na livraria Tigre de papel, Miguel Serras Pereira e João Bernardo falaram de Orwell e de muitas outras coisas, inclusive desse que pode ser considerado um péssimo romance - 1984. O áudio do encontro está disponível no site da livraria. Há, também, um artigo de João Bernardo, o Aridez e futilidade: parábola da Mais-valia absoluta e da mais-valia-relativa. Começar pelo artigo é um bom caminho. Para entender os graves problemas do romance, bem como o que ele tem de genial, entre tantas outras coisas acerca de uns tantos grandes náufragos é preciso ouvir o áudio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No 25 de fevereiro de 2020, em Lisboa, na livraria Tigre de papel, Miguel Serras Pereira e João Bernardo falaram de Orwell e de muitas outras coisas, inclusive desse que pode ser considerado um péssimo romance &#8211; 1984. O áudio do encontro está disponível no site da livraria. Há, também, um artigo de João Bernardo, o Aridez e futilidade: parábola da Mais-valia absoluta e da mais-valia-relativa. Começar pelo artigo é um bom caminho. Para entender os graves problemas do romance, bem como o que ele tem de genial, entre tantas outras coisas acerca de uns tantos grandes náufragos é preciso ouvir o áudio.</p>
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		<title>
		Por: Igor		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/06/159384/#comment-1115773</link>

		<dc:creator><![CDATA[Igor]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 00:36:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Orwell descreveu sua visão pessoal e extremamente rancorosa sobre o stalinismo, facilitando a vida da burguesia quando buscar sustentar essa obra como um livro sagrado do anticomunismo.&quot; Bem, deveria Orwell ser bondozo com o stalinismo, que inclusive tentou o matar na Espanha enquanto pegavam em armas contra a revolução proletária? No que a crítica ao stalinismo facilita a vida da burguesia? Deveria Orwell ter se calado?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Orwell descreveu sua visão pessoal e extremamente rancorosa sobre o stalinismo, facilitando a vida da burguesia quando buscar sustentar essa obra como um livro sagrado do anticomunismo.&#8221; Bem, deveria Orwell ser bondozo com o stalinismo, que inclusive tentou o matar na Espanha enquanto pegavam em armas contra a revolução proletária? No que a crítica ao stalinismo facilita a vida da burguesia? Deveria Orwell ter se calado?</p>
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		<title>
		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/06/159384/#comment-1115710</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 17:20:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mas se as condições materiais em sentido amplo são fatores a levar em conta ao resultado da degeneração, só isso não explica essa degeneração e aforma que ela tomou. Pra isso é indispensável sim a visão política e de &quot;revolução&quot; bolchevique (dos porcos). Outubro de 1917 foi revolução ou golpe de Estado? Foi revolução proletária ou início da contrarrevolução antissoviética (de esvaziamento do poder dos sovietes)? Ora, sem a visão de transformação social através de conquistar o poder estatal dos bolcheviques (e não de esvaziá-lo através da constituição de outras formas organizativas), é impossível dar uma explicação para a &quot;degeneração&quot;. O que Orwell quer apontar é a inevitalibidade do resultado quando se parte desse programa político, independente das condições materiais. E ele está errado?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas se as condições materiais em sentido amplo são fatores a levar em conta ao resultado da degeneração, só isso não explica essa degeneração e aforma que ela tomou. Pra isso é indispensável sim a visão política e de &#8220;revolução&#8221; bolchevique (dos porcos). Outubro de 1917 foi revolução ou golpe de Estado? Foi revolução proletária ou início da contrarrevolução antissoviética (de esvaziamento do poder dos sovietes)? Ora, sem a visão de transformação social através de conquistar o poder estatal dos bolcheviques (e não de esvaziá-lo através da constituição de outras formas organizativas), é impossível dar uma explicação para a &#8220;degeneração&#8221;. O que Orwell quer apontar é a inevitalibidade do resultado quando se parte desse programa político, independente das condições materiais. E ele está errado?</p>
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