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	Comentários sobre: Factos etc. 1) «João Bernardo defendendo este método positivista»	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159392/#comment-1122560</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 15:17:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Dante Gabrieli,

Com efeito, desde o &lt;em&gt;Marx Crítico de Marx&lt;/em&gt; que a noção de ponto vazio, não-dito, constitui para mim o ápice da análise crítica das ideologias, que chega ao seu objectivo quando consegue detectar esse ponto vazio. Foi assim que construí a arquitectura interna de &lt;em&gt;A Sociedade Burguesa de Um e Outro Lado do Espelho&lt;/em&gt;, dedicada à obra de Balzac, até escrever na última página do livro: «O fulcro de uma leitura crítica de &lt;em&gt;La Comédie humaine&lt;/em&gt; é formado pelas escassas páginas de &lt;em&gt;Z. Marcas&lt;/em&gt;, onde o sistema ideológico desvendou o seu ponto vazio. É aqui que a praxis social surge, não surgindo − através da derrota da vontade». E no &lt;em&gt;Labirintos do Fascismo&lt;/em&gt;, depois de analisar extensamente as contradições do fascismo e de as sistematizar em pontos vazios que se desdobram e multiplicam, concluo que só no plano estético o fascismo adquiria coerência, na arte dos rituais de massas enquanto forma suprema da política. Por isso o quinto volume da edição Hedra (São Paulo, 2022), &lt;em&gt;O Fascismo como Arte&lt;/em&gt;, serve para desvendar o resto da obra.

Mas nada disto me chegou via Lacan. Veio por uma fonte mais directa, simplesmente pelo estruturalismo linguístico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Dante Gabrieli,</p>
<p>Com efeito, desde o <em>Marx Crítico de Marx</em> que a noção de ponto vazio, não-dito, constitui para mim o ápice da análise crítica das ideologias, que chega ao seu objectivo quando consegue detectar esse ponto vazio. Foi assim que construí a arquitectura interna de <em>A Sociedade Burguesa de Um e Outro Lado do Espelho</em>, dedicada à obra de Balzac, até escrever na última página do livro: «O fulcro de uma leitura crítica de <em>La Comédie humaine</em> é formado pelas escassas páginas de <em>Z. Marcas</em>, onde o sistema ideológico desvendou o seu ponto vazio. É aqui que a praxis social surge, não surgindo − através da derrota da vontade». E no <em>Labirintos do Fascismo</em>, depois de analisar extensamente as contradições do fascismo e de as sistematizar em pontos vazios que se desdobram e multiplicam, concluo que só no plano estético o fascismo adquiria coerência, na arte dos rituais de massas enquanto forma suprema da política. Por isso o quinto volume da edição Hedra (São Paulo, 2022), <em>O Fascismo como Arte</em>, serve para desvendar o resto da obra.</p>
<p>Mas nada disto me chegou via Lacan. Veio por uma fonte mais directa, simplesmente pelo estruturalismo linguístico.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: Dante Gabrieli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159392/#comment-1122345</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dante Gabrieli]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 02:10:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Aproveito a tua resposta anterior para colocar uma outra questão, que me ficou a inquietar.

Sabe-se que Althusser recebeu uma influência importante de Lacan, sobretudo no conceito de leitura sintomal. O próprio Althusser reconhece ter tomado de empréstimo a ideia de procurar, num texto, os seus «silêncios» e o seu «não-dito», isto é, aquilo que o autor não consegue formular conscientemente.

Ora, nas tuas obras, especialmente na análise de O Capital, também atribuis grande importância ao «não-dito», ao «ponto vazio» e à contradição central que escapa à consciência do autor.

Ao mesmo tempo, as tuas críticas à psicanálise são extremamente severas. Chegas mesmo a compará-la à bruxaria e à alquimia, distinguindo-a claramente da psicologia e da neurologia.

A minha pergunta é, portanto, a seguinte: consideras que esse procedimento metodológico pode ser aproveitado independentemente da teoria psicanalítica? Em suma, há algum aspecto da obra de Lacan que consideres metodologicamente aproveitável, apesar da tua rejeição da psicanálise?

Cumprimentos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Aproveito a tua resposta anterior para colocar uma outra questão, que me ficou a inquietar.</p>
<p>Sabe-se que Althusser recebeu uma influência importante de Lacan, sobretudo no conceito de leitura sintomal. O próprio Althusser reconhece ter tomado de empréstimo a ideia de procurar, num texto, os seus «silêncios» e o seu «não-dito», isto é, aquilo que o autor não consegue formular conscientemente.</p>
<p>Ora, nas tuas obras, especialmente na análise de O Capital, também atribuis grande importância ao «não-dito», ao «ponto vazio» e à contradição central que escapa à consciência do autor.</p>
<p>Ao mesmo tempo, as tuas críticas à psicanálise são extremamente severas. Chegas mesmo a compará-la à bruxaria e à alquimia, distinguindo-a claramente da psicologia e da neurologia.</p>
<p>A minha pergunta é, portanto, a seguinte: consideras que esse procedimento metodológico pode ser aproveitado independentemente da teoria psicanalítica? Em suma, há algum aspecto da obra de Lacan que consideres metodologicamente aproveitável, apesar da tua rejeição da psicanálise?</p>
<p>Cumprimentos.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159392/#comment-1121963</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2026 19:50:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Dante Gabrieli,

A sua pergunta levou-me a uma viagem pelo tempo, de regresso a um passado distante. Durante o meu exílio em Paris fui muito influenciado pelos livros de Althusser, o que — para um lado ou para outro — era inevitável naquela época. E eu tinha a noção do paradoxo, porque o &lt;em&gt;História e Consciência de Classe&lt;/em&gt; exercera uma influência decisiva na minha formação, bem como em geral a teoria da práxis. O que mais me seduziu em Althusser foi o rigor do pensamento, que o colocava nos antípodas de todas as derivas místicas em que facilmente a teoria da práxis podia cair. Neste mesmo sentido apreciei muito os textos de Mao Tsé-tung sobre a noção de contradição. Mas poucos anos depois os novos livros de Althusser pareceram-me cada vez mais esclerosados, com aquelas horríveis divisões em categorias e subcategorias que tendiam a multiplicar-se sem fim, afastadas de qualquer referência empírica, e a evolução da Revolução Cultural levou-me a formular outras opiniões sobre a política de Mao Tsé-tung. Onde tudo isso vai!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Dante Gabrieli,</p>
<p>A sua pergunta levou-me a uma viagem pelo tempo, de regresso a um passado distante. Durante o meu exílio em Paris fui muito influenciado pelos livros de Althusser, o que — para um lado ou para outro — era inevitável naquela época. E eu tinha a noção do paradoxo, porque o <em>História e Consciência de Classe</em> exercera uma influência decisiva na minha formação, bem como em geral a teoria da práxis. O que mais me seduziu em Althusser foi o rigor do pensamento, que o colocava nos antípodas de todas as derivas místicas em que facilmente a teoria da práxis podia cair. Neste mesmo sentido apreciei muito os textos de Mao Tsé-tung sobre a noção de contradição. Mas poucos anos depois os novos livros de Althusser pareceram-me cada vez mais esclerosados, com aquelas horríveis divisões em categorias e subcategorias que tendiam a multiplicar-se sem fim, afastadas de qualquer referência empírica, e a evolução da Revolução Cultural levou-me a formular outras opiniões sobre a política de Mao Tsé-tung. Onde tudo isso vai!</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Por: Mateus Alexandre Alves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159392/#comment-1121770</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mateus Alexandre Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2026 02:11:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159392#comment-1121770</guid>

					<description><![CDATA[Saudações,
Como meu comentário foi citado no texto, respondi este texto aqui: https://anotacoes-criticas.blogspot.com/2026/07/anti-factos-uma-breve-resposta-joao.html

Agradeço a leitura!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Saudações,<br />
Como meu comentário foi citado no texto, respondi este texto aqui: <a href="https://anotacoes-criticas.blogspot.com/2026/07/anti-factos-uma-breve-resposta-joao.html" rel="nofollow ugc">https://anotacoes-criticas.blogspot.com/2026/07/anti-factos-uma-breve-resposta-joao.html</a></p>
<p>Agradeço a leitura!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dante Gabrieli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159392/#comment-1121250</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dante Gabrieli]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 03:27:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159392#comment-1121250</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Antes de mais, gostaria de felicitar-te pelo texto. Li-o com grande interesse e aguardo com expectativa a sua continuação.

Aproveito também para colocar-te uma questão. O que achas da escolha de Althusser por recorrer ao conceito de «contradição» tal como foi formulado por Mao Tsé-Tung, em detrimento da dialéctica hegeliana ?

Cumprimentos do
Dante]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Antes de mais, gostaria de felicitar-te pelo texto. Li-o com grande interesse e aguardo com expectativa a sua continuação.</p>
<p>Aproveito também para colocar-te uma questão. O que achas da escolha de Althusser por recorrer ao conceito de «contradição» tal como foi formulado por Mao Tsé-Tung, em detrimento da dialéctica hegeliana ?</p>
<p>Cumprimentos do<br />
Dante</p>
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