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	Comentários sobre: Factos etc. 2) «ressentido, pessimista, revisionista, conformista, eclético e renegado»	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159399/#comment-1124087</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 16:04:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[LL,

É precisamente por o objecto da história ser constituído por relações entre factos que só deve existir história comparada. Mas é necessário que as relações relacionem qualquer coisa de existente, e esses são os factos, a nossa matéria-prima. Os factos isolados são desprovidos de significado, e só começam a significar alguma coisa à medida que os vamos relacionando com outros factos. Mas temos de partir de factos, rigorosamente estabelecidos e verificados. Esta atitude é contrária àqueles que partem de um modelo teórico para o preencherem com factos, o que significa que inventam factos, ou lhes cortam arestas para caberem no modelo. Isso não é história, é teologia — e tanto mais ridícula quanto se trata de uma teologia laica.

Quanto à ficção, eu desde sempre mantenho uma desconfiança visceral por tudo aquilo que se apresenta como &lt;em&gt;engagé&lt;/em&gt;, politicamente correcto, e o mesmo na música e nas artes plásticas. Nesses tipos de arte os personagens e as formas limitam-se a ser marionetes ou máscaras que cobrem figuras de catálogo, anjos e demónios de catecismo. É o &lt;em&gt;kitsch&lt;/em&gt; político. No texto eu citei algumas passagens de Balzac. Estou a ler um romance de Camillo Castello Branco, &lt;em&gt;O Retrato de Ricardina&lt;/em&gt;, e logo na primeira página ele escreveu: «O autor conheceu alguns personagens e soube como passaram as coisas aqui referidas. Pois, assim mesmo, tão incongruentes lhe pareceram que ficou longo tempo indeciso se lhe seria melhor inventá-las para saírem mais verosímeis do que as verdadeiras». A arte é isto mesmo, por isso há muito quem não goste dela e prefira os panfletos ilustrados.

Criam uma história à medida do que imaginam, e imaginam uma arte à medida da história que inventaram.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LL,</p>
<p>É precisamente por o objecto da história ser constituído por relações entre factos que só deve existir história comparada. Mas é necessário que as relações relacionem qualquer coisa de existente, e esses são os factos, a nossa matéria-prima. Os factos isolados são desprovidos de significado, e só começam a significar alguma coisa à medida que os vamos relacionando com outros factos. Mas temos de partir de factos, rigorosamente estabelecidos e verificados. Esta atitude é contrária àqueles que partem de um modelo teórico para o preencherem com factos, o que significa que inventam factos, ou lhes cortam arestas para caberem no modelo. Isso não é história, é teologia — e tanto mais ridícula quanto se trata de uma teologia laica.</p>
<p>Quanto à ficção, eu desde sempre mantenho uma desconfiança visceral por tudo aquilo que se apresenta como <em>engagé</em>, politicamente correcto, e o mesmo na música e nas artes plásticas. Nesses tipos de arte os personagens e as formas limitam-se a ser marionetes ou máscaras que cobrem figuras de catálogo, anjos e demónios de catecismo. É o <em>kitsch</em> político. No texto eu citei algumas passagens de Balzac. Estou a ler um romance de Camillo Castello Branco, <em>O Retrato de Ricardina</em>, e logo na primeira página ele escreveu: «O autor conheceu alguns personagens e soube como passaram as coisas aqui referidas. Pois, assim mesmo, tão incongruentes lhe pareceram que ficou longo tempo indeciso se lhe seria melhor inventá-las para saírem mais verosímeis do que as verdadeiras». A arte é isto mesmo, por isso há muito quem não goste dela e prefira os panfletos ilustrados.</p>
<p>Criam uma história à medida do que imaginam, e imaginam uma arte à medida da história que inventaram.</p>
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		<title>
		Por: LL		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159399/#comment-1124035</link>

		<dc:creator><![CDATA[LL]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 13:25:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[João,
Em 2010, você escreveu que a matéria prima do historiador eram os fatos, mas que a história não tratava deles, mas sim de relações entre relações, o fato só tem dimensão histórica se relacionado com os outros. Se a história é um tecido, caberia a nós preparar os novelos, compreender as tramas, os fios, os entrelaçamentos, sem perder a visão do todo. Se diz que um bom bordado se vê pelo avesso.
Em diferentes momentos históricos se ignoram os fatos e cria-se relações que não condizem com essa matéria prima.
Já nas ficções propriamente ditas, hoje elas têm se apresentado como &quot;reais&quot; ou como &quot;auto-ficções&quot;, por vezes perdendo aspectos linguísticos que caracterizam a literatura, por outras vezes tentando demonstrar &quot;lições da realidade&quot;, perde-se a noção de falar da aldeia para falar do universal, e se transforma a aldeia em resposta aos problemas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>João,<br />
Em 2010, você escreveu que a matéria prima do historiador eram os fatos, mas que a história não tratava deles, mas sim de relações entre relações, o fato só tem dimensão histórica se relacionado com os outros. Se a história é um tecido, caberia a nós preparar os novelos, compreender as tramas, os fios, os entrelaçamentos, sem perder a visão do todo. Se diz que um bom bordado se vê pelo avesso.<br />
Em diferentes momentos históricos se ignoram os fatos e cria-se relações que não condizem com essa matéria prima.<br />
Já nas ficções propriamente ditas, hoje elas têm se apresentado como &#8220;reais&#8221; ou como &#8220;auto-ficções&#8221;, por vezes perdendo aspectos linguísticos que caracterizam a literatura, por outras vezes tentando demonstrar &#8220;lições da realidade&#8221;, perde-se a noção de falar da aldeia para falar do universal, e se transforma a aldeia em resposta aos problemas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Por: Factídico		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159399/#comment-1122778</link>

		<dc:creator><![CDATA[Factídico]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 10:37:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Entre os pedantes marxistas de academia que nada têm a dizer, nada têm a acrescentar, e João Bernardo, não há mais nada... Um deserto intelectual... Vazio, vazio e mais vazio... De facto, João Bernardo está a fazer escola. Sua irreverente iconoclastia destruidora de mitos, serve muito bem para arrasar com tudo a sua volta, e restar um único e último mito: João Bernardo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os pedantes marxistas de academia que nada têm a dizer, nada têm a acrescentar, e João Bernardo, não há mais nada&#8230; Um deserto intelectual&#8230; Vazio, vazio e mais vazio&#8230; De facto, João Bernardo está a fazer escola. Sua irreverente iconoclastia destruidora de mitos, serve muito bem para arrasar com tudo a sua volta, e restar um único e último mito: João Bernardo.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Johnnie		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159399/#comment-1122613</link>

		<dc:creator><![CDATA[Johnnie]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 19:26:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ainda bem que ele é tudo isso.
Se não fosse, seria só mais um dos pedantes marxistas de academia que nada têm a dizer, nada tem a acrescentar. Vazio, vazio e mais vazio.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda bem que ele é tudo isso.<br />
Se não fosse, seria só mais um dos pedantes marxistas de academia que nada têm a dizer, nada tem a acrescentar. Vazio, vazio e mais vazio.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Factóide		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/07/159399/#comment-1121700</link>

		<dc:creator><![CDATA[Factóide]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 18:41:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os factos não mentem. Nem os factos de João Bernardo ser ressentido, pessimista, revisionista, conformista, eclético e renegado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os factos não mentem. Nem os factos de João Bernardo ser ressentido, pessimista, revisionista, conformista, eclético e renegado.</p>
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