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	Comentários sobre: Carlos Liscano e a tortura	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		Por: Adriano		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Adriano]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 14:32:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot;Pode ser por minha imperícia, mas há uma parte que é indizível. O terror é indizível: a perspectiva de que a tortura não tem tempo, que começa e não terminará nunca, que se pode ser torturado durante dias, semanas, meses… isso é indizível&quot;. 

Esse trecho me lembrou imediatamente do livro &quot;É isto um homem?&quot;, de Primo Levi. O autor, químico de formação, fora prisioneiro do campo de Auschwitz na 2ª Guerra e se tornou escritor ao sair. Mas lá ele conheceu o &quot;muçulmano&quot;, como chamavam os nazistas e os comandantes dos campos, os Kapos, aos prisioneiros que sobreviviam como zumbis, mortos-vivos. Não tinham mais vida humana capaz de ser reconhecida como tal, restando apenas o substrato biológico disso. Levi desenvolve a metáfora da Medusa para falar deles: tendo encarado o horror indizível, perderam sua humanidade. Não se encara o horror e sobrevive para contar. 

Que Liscano tenha tido a mesma impressão, e mais, que tenha desenvolvido uma dicotomia entre escritor e o &quot;indivíduo real&quot; que tenta escrever, é sintomático.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Pode ser por minha imperícia, mas há uma parte que é indizível. O terror é indizível: a perspectiva de que a tortura não tem tempo, que começa e não terminará nunca, que se pode ser torturado durante dias, semanas, meses… isso é indizível&#8221;. </p>
<p>Esse trecho me lembrou imediatamente do livro &#8220;É isto um homem?&#8221;, de Primo Levi. O autor, químico de formação, fora prisioneiro do campo de Auschwitz na 2ª Guerra e se tornou escritor ao sair. Mas lá ele conheceu o &#8220;muçulmano&#8221;, como chamavam os nazistas e os comandantes dos campos, os Kapos, aos prisioneiros que sobreviviam como zumbis, mortos-vivos. Não tinham mais vida humana capaz de ser reconhecida como tal, restando apenas o substrato biológico disso. Levi desenvolve a metáfora da Medusa para falar deles: tendo encarado o horror indizível, perderam sua humanidade. Não se encara o horror e sobrevive para contar. </p>
<p>Que Liscano tenha tido a mesma impressão, e mais, que tenha desenvolvido uma dicotomia entre escritor e o &#8220;indivíduo real&#8221; que tenta escrever, é sintomático.</p>
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