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	Comentários sobre: A Gramática sem Dono &#8211; Parte II	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Por: Marcelo Phintener		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159568/#comment-1129017</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marcelo Phintener]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 20:27:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Leo V.,
A problematização é pertinente, aponta uma lacuna real do artigo, e os dados que utilizei na pesquisa e não incorporei ao texto a confirmam.
Os dados da OD 2023 indicam que apenas 9,8% dos trabalhadores da Zona Leste estão hoje no setor industrial. Comércio (25,1%), serviços domésticos (16,5%) e transporte por aplicativo (3,8%) compõem a maioria. A gramática sindical clássica foi construída para menos de 10% da força de trabalho atual da região.
O texto pressupõe implicitamente que o terreno permaneceu o mesmo e que o problema é de afastamento, quando a hipótese mais rigorosa é que o terreno mudou estruturalmente. As remodelações no mercado de trabalho nos anos 1990-2000 produziram uma nova composição de classe para a qual nem a esquerda institucional nem a extrema-esquerda construíram instrumentos. A gramática do coach-empreendedor não capturou principalmente o operário industrial — capturou o atendente de comércio, o motorista de aplicativo, a diarista. Figuras cuja experiência de trabalho é marcada pela atomização. 
Para esse contingente, que nunca teve sindicato nem vivenciou a greve, a narrativa do protagonismo individual e da gestão de si não opera como &quot;alienação&quot;, mas como a única gramática prática de agência disponível no cotidiano de sobrevivência.
Havia, no entanto, um instrumento histórico capaz de atravessar essa fragmentação setorial: a greve de solidariedade. É ela que permitiria ao operário industrial cruzar a fronteira da fábrica para sustentar o atendente de comércio, o motorista, a diarista — construindo a identidade de classe para além do setor. O sindicato que se institucionalizou, entrou em fundos de pensão e sentou em conselhos de administração não apenas deixou de organizar os informais — perdeu a disposição e a capacidade de fazer exatamente isso. O terreno mudou, mas o instrumento que permitiria atravessá-lo foi assimilado antes que a mudança se completasse.
Responder a isso adequadamente demandaria um artigo próprio. É uma dívida que o texto deixa em aberto e que reconheço como tal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leo V.,<br />
A problematização é pertinente, aponta uma lacuna real do artigo, e os dados que utilizei na pesquisa e não incorporei ao texto a confirmam.<br />
Os dados da OD 2023 indicam que apenas 9,8% dos trabalhadores da Zona Leste estão hoje no setor industrial. Comércio (25,1%), serviços domésticos (16,5%) e transporte por aplicativo (3,8%) compõem a maioria. A gramática sindical clássica foi construída para menos de 10% da força de trabalho atual da região.<br />
O texto pressupõe implicitamente que o terreno permaneceu o mesmo e que o problema é de afastamento, quando a hipótese mais rigorosa é que o terreno mudou estruturalmente. As remodelações no mercado de trabalho nos anos 1990-2000 produziram uma nova composição de classe para a qual nem a esquerda institucional nem a extrema-esquerda construíram instrumentos. A gramática do coach-empreendedor não capturou principalmente o operário industrial — capturou o atendente de comércio, o motorista de aplicativo, a diarista. Figuras cuja experiência de trabalho é marcada pela atomização.<br />
Para esse contingente, que nunca teve sindicato nem vivenciou a greve, a narrativa do protagonismo individual e da gestão de si não opera como &#8220;alienação&#8221;, mas como a única gramática prática de agência disponível no cotidiano de sobrevivência.<br />
Havia, no entanto, um instrumento histórico capaz de atravessar essa fragmentação setorial: a greve de solidariedade. É ela que permitiria ao operário industrial cruzar a fronteira da fábrica para sustentar o atendente de comércio, o motorista, a diarista — construindo a identidade de classe para além do setor. O sindicato que se institucionalizou, entrou em fundos de pensão e sentou em conselhos de administração não apenas deixou de organizar os informais — perdeu a disposição e a capacidade de fazer exatamente isso. O terreno mudou, mas o instrumento que permitiria atravessá-lo foi assimilado antes que a mudança se completasse.<br />
Responder a isso adequadamente demandaria um artigo próprio. É uma dívida que o texto deixa em aberto e que reconheço como tal.</p>
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		Por: Leo V		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159568/#comment-1128892</link>

		<dc:creator><![CDATA[Leo V]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 14:03:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bons o artigo e a pesquisa.
Porém, vou problematizar algo. Embora se fale de &quot;antigo cinturão operário&quot;, a análise e as conclusões são feitas como se a sociedade fosse estática, como se nada tivesse mudado na estrutura produtiva, na sociedade, na subjetividade dos trabalhadores. Assim como a esquerda institucional tende a colocar o problema como um problema de cognição dos trabalhadores, o texto acaba colocando o problema como um problema das &quot;direções operárias&quot;, de uma escolha pela burocratização e institucionalidade, como uma falta do tal trabalho de base. Como se o terreno fosse o mesmo e a (tradicional) gramática de esquerda ainda fizesse (o mesmo) sentido para o proletariado de hoje. O problema seria apenas de afastamento da esquerda do terreno, e não (também) de mudança de terreno que desconectou a esquerda: &quot;no antigo cinturão operário o seu solo mais fértil precisamente porque as instâncias de mediação de classe se retiraram do chão da fábrica e do bairro.&quot;

95% dos operários industriais da Zona Leste são CLT. Mas qual a porcentagem dos operários industriais da Zona Leste do total da classe trabalhadora, e qual era a proporção décadas atrás? Esses dados também seriam interessantes para análise.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bons o artigo e a pesquisa.<br />
Porém, vou problematizar algo. Embora se fale de &#8220;antigo cinturão operário&#8221;, a análise e as conclusões são feitas como se a sociedade fosse estática, como se nada tivesse mudado na estrutura produtiva, na sociedade, na subjetividade dos trabalhadores. Assim como a esquerda institucional tende a colocar o problema como um problema de cognição dos trabalhadores, o texto acaba colocando o problema como um problema das &#8220;direções operárias&#8221;, de uma escolha pela burocratização e institucionalidade, como uma falta do tal trabalho de base. Como se o terreno fosse o mesmo e a (tradicional) gramática de esquerda ainda fizesse (o mesmo) sentido para o proletariado de hoje. O problema seria apenas de afastamento da esquerda do terreno, e não (também) de mudança de terreno que desconectou a esquerda: &#8220;no antigo cinturão operário o seu solo mais fértil precisamente porque as instâncias de mediação de classe se retiraram do chão da fábrica e do bairro.&#8221;</p>
<p>95% dos operários industriais da Zona Leste são CLT. Mas qual a porcentagem dos operários industriais da Zona Leste do total da classe trabalhadora, e qual era a proporção décadas atrás? Esses dados também seriam interessantes para análise.</p>
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