<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: Classes sociais ?	</title>
	<atom:link href="https://passapalavra.info/2026/08/159592/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/</link>
	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Mon, 14 Sep 2026 04:15:54 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Mateus Alexandre Alves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1139595</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mateus Alexandre Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 04:15:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1139595</guid>

					<description><![CDATA[Com certeza, Tragtenberg deve ser lido e relido quando se trata da análise da burocracia!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com certeza, Tragtenberg deve ser lido e relido quando se trata da análise da burocracia!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1139505</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2026 18:17:19 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1139505</guid>

					<description><![CDATA[Eu não gosto de entrar em polémicas e muito menos de prolongá-las, mas por vezes fico tomado por uma indignação a que não resisto. Foi o que me sucedeu ao ler as primeiras linhas do comentário acima, e mais não li. 

Quando cheguei ao Brasil, há exactamente quarenta e dois anos, os gestores, enquanto classe, e classe existente e actuante neste país, vinham a ser identificados, analisados e teorizados em conjunto por duas pessoas, Bresser Pereira, uma das figuras mais ilustres da intelectualidade brasileira, e Fernando Prestes Motta, prematuramente falecido. Sem esquecer a obra &lt;em&gt;A Fala dos Homens&lt;/em&gt;, em que nessa época Maria de Lourdes Covre analisou criticamente o pensamento tecnocrático. E acima de tudo os estudos de Maurício Tragtenberg, uma das pessoas a quem mais devo. Como é possível que agora esta herança, que devia ser conhecida e estudada, seja petulantemente ignorada? Ao que chegaram!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não gosto de entrar em polémicas e muito menos de prolongá-las, mas por vezes fico tomado por uma indignação a que não resisto. Foi o que me sucedeu ao ler as primeiras linhas do comentário acima, e mais não li. </p>
<p>Quando cheguei ao Brasil, há exactamente quarenta e dois anos, os gestores, enquanto classe, e classe existente e actuante neste país, vinham a ser identificados, analisados e teorizados em conjunto por duas pessoas, Bresser Pereira, uma das figuras mais ilustres da intelectualidade brasileira, e Fernando Prestes Motta, prematuramente falecido. Sem esquecer a obra <em>A Fala dos Homens</em>, em que nessa época Maria de Lourdes Covre analisou criticamente o pensamento tecnocrático. E acima de tudo os estudos de Maurício Tragtenberg, uma das pessoas a quem mais devo. Como é possível que agora esta herança, que devia ser conhecida e estudada, seja petulantemente ignorada? Ao que chegaram!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx-Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1139469</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx-Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2026 14:57:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1139469</guid>

					<description><![CDATA[Existe Classe dos Gestores no Brasil?
Os Gestores no Brasil carecem de identidade e organização próprias, permanecendo historicamente atrelados à Burguesia.
Lula seria o representante político natural de uma Classe dos Gestores que jamais chegou, até o momento, a se constituir plenamente. 
Assim se compreende a aversão da Burguesia a Lula. Não apenas por sua origem no proletariado, como pela possibilidade de através de Lula os Gestores conseguirem se consolidar. 

Guerra de Famiglias 
A lumpenburguesia é a forma dominante da classe capitalista no Brasil. Ela:
• Não tem projeto de nação — apenas projetos de acumulação.
• Não distingue legalidade de ilegalidade — tudo é negócio.
• Não se organiza em classe — apenas em famiglias.
• Não produz — apenas extrai, especula, lava.
A guerra de famiglias (Mendonça x Moraes, Bolsonaro x Lula, Cury x todos) é a guerra da lumpenburguesia — uma guerra sem projeto, sem direção, sem futuro.

Podcast:
As Eleições de 2022 e a Guerra de Famiglias 
https://youtu.be/Unnw7ZWIeGg]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe Classe dos Gestores no Brasil?<br />
Os Gestores no Brasil carecem de identidade e organização próprias, permanecendo historicamente atrelados à Burguesia.<br />
Lula seria o representante político natural de uma Classe dos Gestores que jamais chegou, até o momento, a se constituir plenamente.<br />
Assim se compreende a aversão da Burguesia a Lula. Não apenas por sua origem no proletariado, como pela possibilidade de através de Lula os Gestores conseguirem se consolidar. </p>
<p>Guerra de Famiglias<br />
A lumpenburguesia é a forma dominante da classe capitalista no Brasil. Ela:<br />
• Não tem projeto de nação — apenas projetos de acumulação.<br />
• Não distingue legalidade de ilegalidade — tudo é negócio.<br />
• Não se organiza em classe — apenas em famiglias.<br />
• Não produz — apenas extrai, especula, lava.<br />
A guerra de famiglias (Mendonça x Moraes, Bolsonaro x Lula, Cury x todos) é a guerra da lumpenburguesia — uma guerra sem projeto, sem direção, sem futuro.</p>
<p>Podcast:<br />
As Eleições de 2022 e a Guerra de Famiglias<br />
<a href="https://youtu.be/Unnw7ZWIeGg" rel="nofollow ugc">https://youtu.be/Unnw7ZWIeGg</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Uma resposta		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1138819</link>

		<dc:creator><![CDATA[Uma resposta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 11:34:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1138819</guid>

					<description><![CDATA[Convém não esquecer do Estado Restrito e do Amplo; e do livro A economia dos conflitos sociais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Convém não esquecer do Estado Restrito e do Amplo; e do livro A economia dos conflitos sociais.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Duvida		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1138707</link>

		<dc:creator><![CDATA[Duvida]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 21:04:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1138707</guid>

					<description><![CDATA[Os Ministros do Supremo não seriam eles próprios gestores dentro da noção bernardiana?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os Ministros do Supremo não seriam eles próprios gestores dentro da noção bernardiana?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: arkx-Brasil		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1138611</link>

		<dc:creator><![CDATA[arkx-Brasil]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 11:46:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1138611</guid>

					<description><![CDATA[*A Luta de Classes é também uma luta entre frações de classe no seio da classe dominante.*
Se quisermos, de fato, compreender o acirramento da crise política no Brasil, devemos detectar quais os interesses econômicos defendidos por cada representante político - seja do Legislativo, Judiciário ou Executivo. 
☆ Quais frações de classe respaldam Alexandre de Moraes? E quais André Mendonça representa? 
O setor dominante brasileiro pode ser dividido em torno de dois grandes blocos:
1. Um abertamente neo-colonial e semi-escravagista, cujo projeto de país é o Brasil se tornar um imenso Porto Rico.
2. O outro que se opõe ao primeiro sem, contudo, ter uma clara e definida proposta de gestão para Nação e Povo.
Agora, mais uma vez, como em tantas outras ao longo da História brasileira, os dois grupos estão em choque aberto. 
*Enquanto isto, a quase totalidade da população continua sendo mero detalhe...*

Mistério 
Existe Classe dos Gestores no Brasil? Como ela atua no caso desta crise no STF?

Podcast 
IA aplica conceitos criados por João Bernardo 
https://www.youtube.com/watch?v=U7VoKVURpZQ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>*A Luta de Classes é também uma luta entre frações de classe no seio da classe dominante.*<br />
Se quisermos, de fato, compreender o acirramento da crise política no Brasil, devemos detectar quais os interesses econômicos defendidos por cada representante político &#8211; seja do Legislativo, Judiciário ou Executivo.<br />
☆ Quais frações de classe respaldam Alexandre de Moraes? E quais André Mendonça representa?<br />
O setor dominante brasileiro pode ser dividido em torno de dois grandes blocos:<br />
1. Um abertamente neo-colonial e semi-escravagista, cujo projeto de país é o Brasil se tornar um imenso Porto Rico.<br />
2. O outro que se opõe ao primeiro sem, contudo, ter uma clara e definida proposta de gestão para Nação e Povo.<br />
Agora, mais uma vez, como em tantas outras ao longo da História brasileira, os dois grupos estão em choque aberto.<br />
*Enquanto isto, a quase totalidade da população continua sendo mero detalhe&#8230;*</p>
<p>Mistério<br />
Existe Classe dos Gestores no Brasil? Como ela atua no caso desta crise no STF?</p>
<p>Podcast<br />
IA aplica conceitos criados por João Bernardo<br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=U7VoKVURpZQ" rel="nofollow ugc">https://www.youtube.com/watch?v=U7VoKVURpZQ</a></p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1137674</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 20:25:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1137674</guid>

					<description><![CDATA[Caro Dante Gabrieli,

Começando pelo fim do teu comentário, sim, é uma analogia epistemológica. Eu estava a ler, aliás a reler, esse livro de Bachelard enquanto compunha o rascunho do artigo, e a afinidade pareceu-me flagrante. Mas há outra coisa ainda, porque um bom banho de mecânica quântica seria necessário para limpar os marxistas — os dos estudos sociais, claro — do risível apego que têm à noção de matéria herdada do Iluminismo, talvez porque a achem indispensável ao &lt;em&gt;materialismo&lt;/em&gt; de Marx. Então, nessa epígrafe houve também uma intenção irónica.

Quanto à noção dos indivíduos como percursos em boa medida aleatórios e imprevisíveis entre campos sociais, ela veio directamente da leitura de romances. Desde muito jovem, do começo da adolescência, que eu sou um leitor constante de romances, há sempre um entre os livros que estão em cima da mesa, e os únicos romances em que os personagens se encaixam nas classes sociais são aquela espécie de catecismos stalinistas onde as figuras servem apenas para ilustrar abstracções. A partir daí não me custou entender que as classes sociais não são somas de indivíduos, uma conclusão a que cheguei há muito tempo. Aliás, bastará para isso andar na rua, vendo com olhos de ver.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Dante Gabrieli,</p>
<p>Começando pelo fim do teu comentário, sim, é uma analogia epistemológica. Eu estava a ler, aliás a reler, esse livro de Bachelard enquanto compunha o rascunho do artigo, e a afinidade pareceu-me flagrante. Mas há outra coisa ainda, porque um bom banho de mecânica quântica seria necessário para limpar os marxistas — os dos estudos sociais, claro — do risível apego que têm à noção de matéria herdada do Iluminismo, talvez porque a achem indispensável ao <em>materialismo</em> de Marx. Então, nessa epígrafe houve também uma intenção irónica.</p>
<p>Quanto à noção dos indivíduos como percursos em boa medida aleatórios e imprevisíveis entre campos sociais, ela veio directamente da leitura de romances. Desde muito jovem, do começo da adolescência, que eu sou um leitor constante de romances, há sempre um entre os livros que estão em cima da mesa, e os únicos romances em que os personagens se encaixam nas classes sociais são aquela espécie de catecismos stalinistas onde as figuras servem apenas para ilustrar abstracções. A partir daí não me custou entender que as classes sociais não são somas de indivíduos, uma conclusão a que cheguei há muito tempo. Aliás, bastará para isso andar na rua, vendo com olhos de ver.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dante Gabrieli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1137608</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dante Gabrieli]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 13:57:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1137608</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Obrigado. A tua resposta ajudou-me a perceber que formulei a questão anterior num registo que não corresponde ao teu modo de trabalhar. Eu estava a procurar uma genealogia teórica da noção de «campos de atracção social», enquanto, pelo que explicas, o teu procedimento consiste antes em partir da observação, da comparação e da sistematização dos factos, e só então formular os problemas e conceitos.

Relendo agora o texto completo, parece-me que a questão mais interessante talvez seja outra. Quando afirmas que os indivíduos não são unidades componentes das classes sociais, mas percursos mutáveis entre campos de atracção social, essa concepção desempenha um papel decisivo para separar o plano económico das classes, o plano sociológico dos campos e o plano dos percursos individuais.

Gostaria então de perguntar-te, não pelas influências teóricas, mas pela génese do problema: que observações ou dificuldades concretas levaram-te a formular os indivíduos desta maneira? Em que momento te pareceu insuficiente pensar uma classe social como composta por indivíduos pertencentes a ela?

Também me chamou a atenção a epígrafe de Bachelard e, depois, a referência à complementaridade de Bohr. Entendi-as não como origem da tua concepção dos campos, mas como uma analogia epistemológica posterior para expressar a ausência de correspondência directa entre os dois planos — campos sociais e percursos individuais. É assim que entendes o papel dessas referências no texto?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Obrigado. A tua resposta ajudou-me a perceber que formulei a questão anterior num registo que não corresponde ao teu modo de trabalhar. Eu estava a procurar uma genealogia teórica da noção de «campos de atracção social», enquanto, pelo que explicas, o teu procedimento consiste antes em partir da observação, da comparação e da sistematização dos factos, e só então formular os problemas e conceitos.</p>
<p>Relendo agora o texto completo, parece-me que a questão mais interessante talvez seja outra. Quando afirmas que os indivíduos não são unidades componentes das classes sociais, mas percursos mutáveis entre campos de atracção social, essa concepção desempenha um papel decisivo para separar o plano económico das classes, o plano sociológico dos campos e o plano dos percursos individuais.</p>
<p>Gostaria então de perguntar-te, não pelas influências teóricas, mas pela génese do problema: que observações ou dificuldades concretas levaram-te a formular os indivíduos desta maneira? Em que momento te pareceu insuficiente pensar uma classe social como composta por indivíduos pertencentes a ela?</p>
<p>Também me chamou a atenção a epígrafe de Bachelard e, depois, a referência à complementaridade de Bohr. Entendi-as não como origem da tua concepção dos campos, mas como uma analogia epistemológica posterior para expressar a ausência de correspondência directa entre os dois planos — campos sociais e percursos individuais. É assim que entendes o papel dessas referências no texto?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1137331</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 08:22:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1137331</guid>

					<description><![CDATA[Caro Dante Gabrieli,

Eu trabalho de outra maneira. Nas minhas obras de historiografia uso uma bibliografia muito ampla e variada, com a preocupação exclusiva de estabelecer factos o mais rigorosamente possível. Os factos são a matéria-prima da história comparada, e é a partir da sistematização desses factos que eu raciocino, não a partir de quaisquer inspirações teóricas.

Para a vida contemporânea, económica e social, sigo o método que indiquei nas três páginas finais do &lt;em&gt;Economia dos Conflitos Sociais&lt;/em&gt;, na Nota sobre a Ausência de uma Bibliografia. «As referências de pé de página e a lista bibliográfica», escrevi eu nessa Nota, «constituem usualmente a caução segura de uma ortodoxia — qualquer que seja — e garantem, aos leitores e sobretudo ao autor, que os riscos do imprevisto ficam de antemão evitados». E terminei dizendo que «não pode recomendar-se melhor fonte do que a leitura dos jornais e revistas, a participação activa nos conflitos do nosso tempo — em suma, andar na rua».

É exactamente nesta mesma perspectiva que para estudar a ficção leio romances e que estudo a pintura visitando museus e exposições.

E acima de tudo, desde há muitos anos que estabeleci para mim mesmo uma norma. Nunca releio aquilo que publiquei.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Dante Gabrieli,</p>
<p>Eu trabalho de outra maneira. Nas minhas obras de historiografia uso uma bibliografia muito ampla e variada, com a preocupação exclusiva de estabelecer factos o mais rigorosamente possível. Os factos são a matéria-prima da história comparada, e é a partir da sistematização desses factos que eu raciocino, não a partir de quaisquer inspirações teóricas.</p>
<p>Para a vida contemporânea, económica e social, sigo o método que indiquei nas três páginas finais do <em>Economia dos Conflitos Sociais</em>, na Nota sobre a Ausência de uma Bibliografia. «As referências de pé de página e a lista bibliográfica», escrevi eu nessa Nota, «constituem usualmente a caução segura de uma ortodoxia — qualquer que seja — e garantem, aos leitores e sobretudo ao autor, que os riscos do imprevisto ficam de antemão evitados». E terminei dizendo que «não pode recomendar-se melhor fonte do que a leitura dos jornais e revistas, a participação activa nos conflitos do nosso tempo — em suma, andar na rua».</p>
<p>É exactamente nesta mesma perspectiva que para estudar a ficção leio romances e que estudo a pintura visitando museus e exposições.</p>
<p>E acima de tudo, desde há muitos anos que estabeleci para mim mesmo uma norma. Nunca releio aquilo que publiquei.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Dante Gabrieli		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/08/159592/#comment-1137297</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dante Gabrieli]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 04:14:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=159592#comment-1137297</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

A tua concepção dos indivíduos como «percursos entre campos de atracção social» suscitou-me uma dúvida acerca da genealogia dessa ideia. A linguagem dos campos, das forças de atracção e dos percursos fez-me pensar sobretudo na teoria de campo de Kurt Lewin e na sua concepção do espaço vital como um campo dinâmico de forças. Por outro lado, a ideia de campos sociais que podem conter outros campos, sobrepor-se ou cruzar-se levou-me a pensar na teoria dos campos de Pierre Bourdieu. E a dispersão dos indivíduos por uma multiplicidade de campos e relações lembrou-me também a concepção de Georg Simmel acerca do cruzamento dos círculos sociais.

Gostaria, então, de perguntar-te: Lewin, Bourdieu ou Simmel tiveram alguma influência, directa ou indirecta, na elaboração da tua concepção dos «campos de atracção social» e dos indivíduos como percursos entre esses campos? Ou chegaste a essa formulação por uma genealogia teórica diferente? Caso não provenha desses autores, interessava-me especialmente saber quais foram as leituras ou problemas teóricos que te conduziram a essa concepção.

Saudações.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>A tua concepção dos indivíduos como «percursos entre campos de atracção social» suscitou-me uma dúvida acerca da genealogia dessa ideia. A linguagem dos campos, das forças de atracção e dos percursos fez-me pensar sobretudo na teoria de campo de Kurt Lewin e na sua concepção do espaço vital como um campo dinâmico de forças. Por outro lado, a ideia de campos sociais que podem conter outros campos, sobrepor-se ou cruzar-se levou-me a pensar na teoria dos campos de Pierre Bourdieu. E a dispersão dos indivíduos por uma multiplicidade de campos e relações lembrou-me também a concepção de Georg Simmel acerca do cruzamento dos círculos sociais.</p>
<p>Gostaria, então, de perguntar-te: Lewin, Bourdieu ou Simmel tiveram alguma influência, directa ou indirecta, na elaboração da tua concepção dos «campos de atracção social» e dos indivíduos como percursos entre esses campos? Ou chegaste a essa formulação por uma genealogia teórica diferente? Caso não provenha desses autores, interessava-me especialmente saber quais foram as leituras ou problemas teóricos que te conduziram a essa concepção.</p>
<p>Saudações.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
