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	<title>Noticiar &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Mobilizações na França e na Espanha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2026 23:11:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Bairros_e_cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[ATIVIDADE &#8211; LIVE* 📅 *Terça-feira, 13/10* 🕒 *Das 18h às 20h* 💻 *Online* 🔗 *Solicite o link* Você viu o que aconteceu no Estado espanhol? 👀 Uma senhora de quase 90 anos ia ser despejada e as pessoas se uniram para barrar o despejo. Dali surgiram atos, enfrentamentos com a polícia, marchas e um grande [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">ATIVIDADE &#8211; LIVE*</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f4c5.png" alt="📅" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> *Terça-feira, 13/10*<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f552.png" alt="🕒" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> *Das 18h às 20h*<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f4bb.png" alt="💻" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> *Online*<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f517.png" alt="🔗" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> *Solicite o link*</p>
<p style="text-align: justify;">Você viu o que aconteceu no Estado espanhol? <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f440.png" alt="👀" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p style="text-align: justify;">Uma senhora de quase 90 anos ia ser despejada e as pessoas se uniram para barrar o despejo. Dali surgiram atos, enfrentamentos com a polícia, marchas e um grande acampamento que já dura duas semanas. Agora foi convocada uma greve geral em defesa da moradia, porque está impossível pagar aluguel com o valor dos salários.</p>
<p style="text-align: justify;">Na França, a juventude também tomou as ruas em defesa da educação, contra cortes no orçamento, salas superlotadas, falta de professores e escolas precarizadas, com mobilizações gigantescas e bastante radicalizadas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/270a-1f3fe.png" alt="✊🏾" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Tudo isso tem a ver com defender o básico para a reprodução da vida: moradia, educação, custo de vida. E essas lutas têm contado com o apoio de entidades sindicais, conectando trabalho e território.</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1fae8.png" alt="🫨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Enquanto isso, a extrema direita avança no Brasil e no mundo. Os governos de conciliação de classe, popõem a &#8220;gestão da ordem&#8221;, que nos explora e violenta. O bagulho tá louco pra todo lado, é verdade. Mas é justamente por isso que precisamos fortalecer os nossos e as nossas lutas para construir um futuro possível e transformado.</p>
<p style="text-align: justify;">*Por isso, na terça (13/10), vamos fazer um papo online com duas companheiras que participam dessas lutas.* A ideia é entender o que está rolando, trocar ideia e pensar caminhos para construir saídas e alternativas desde os de baixo, diante de tudo o que temos vivido!</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f919-1f3fe.png" alt="🤙🏾" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Participaê!<br />
<a href="https://www.instagram.com/p/DeW_Fe-AWeB/?exln=MWg0cjM3d3lnaWd6ag==" target="_blank" rel="noopener">https://www.instagram.com/p/DeW_Fe-AWeB/?exln=MWg0cjM3d3lnaWd6ag==</a></p>
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		<title>[Rio de Janeiro] Eleições 2026: Multiserv assedia vigilantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 20:39:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Vigilantes da UERJ são amaeaçados de terem que compensar horário por demora em tempo de votação. Por Invisíveis.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><span class="x1lliihq x1plvlek xryxfnj x1n2onr6 xyejjpt x15dsfln x193iq5w xeuugli x1fj9vlw x13faqbe x1vvkbs x1s928wv xhkezso x1gmr53x x1cpjm7i x1fgarty x1943h6x x1i0vuye xvs91rp xo1l8bm x5n08af" dir="auto"><span class="x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 x1i0vuye xvs91rp xo1l8bm x5n08af x126k92a">Por Invisíveis</span></span></h3>
<p style="text-align: justify;"><span class="x1lliihq x1plvlek xryxfnj x1n2onr6 xyejjpt x15dsfln x193iq5w xeuugli x1fj9vlw x13faqbe x1vvkbs x1s928wv xhkezso x1gmr53x x1cpjm7i x1fgarty x1943h6x x1i0vuye xvs91rp xo1l8bm x5n08af" dir="auto"><span class="x193iq5w xeuugli x13faqbe x1vvkbs xt0psk2 x1i0vuye xvs91rp xo1l8bm x5n08af x126k92a">VIGILANTES DA UERJ SOFREM ASSÉDIO DA MULTSERV, SE ATRASAR NO RETORNO DA VOTAÇÃO VAI COMPENSAR HORÁRIO</span></span></p>
<p style="text-align: justify;">O Art. 14 da Constituição Federal de 1988 assegura &#8220;A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos&#8221;. O voto é, portanto, um direito a ser resguardado. A coisa muda quando você é terceirizado: junta com a perda de direitos trabalhistas, ATÉ O DIREITO AO VOTO SE ENCONTRA AMEAÇADO.</p>
<p style="text-align: justify;">Vigilantes patrimoniais que trabalham pra empresa Multiserv na UERJ relatam que estão desistindo de ir votar por causa das exigências de carga horária da empresa. Filas longas nas urnas acabam comprometendo o tempo de espera e, consequentemente, o horário de chegada no trabalho. O ATRASO IMPLICA EM PUNIÇÃO.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante lembrar: A ABSTENÇÃO no primeiro turno das ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS brasileiras registra CRESCIMENTO CONTÍNUO DESDE 2006. Na última eleição presidencial a abstenção chegou a 20,79%. Isso dá aproximadamente 32,7 MILHÕES DE BRASILEIROS QUE DEIXARAM DE COMPARECER ÀS URNAS.</p>
<p style="text-align: justify;">A abstenção deve ser analisada como um fenômeno social, não mera atitude individual. Daí perguntamos: O QUE TEM CAUSADO O AUMENTO DA ABSTENÇÃO DE VOTO? Será que OS TRABALHADORES NÃO SE INTERESSAM POR POLÍTICA OU ELES SIMPLESMENTE SÃO IMPOSSIBILITADOS DE PARTICIPAREM ATIVAMENTE?</p>
<p style="text-align: justify;">Não podemos esquecer que o assédio moral no trabalho é recorrente. Os vigilantes da UERJ já relataram a burocracia pra entregar atestados médicos. Por causa dessa dificuldade, muitos simplesmente DEIXAVAM ATÉ DE IR AO MÉDICO, INDO TRABALHAR DOENTES E COMPROMETENDO A PRÓPRIA SAÚDE.</p>
<p style="text-align: justify;">A DITADURA NO LOCAL DE TRABALHO SEGUE VIVA. SE A CONSTITUIÇÃO NÃO É SUFICIENTE PRA ASSEGURAR OS DIREITOS DOS TRABALHADORES, A SAÍDA É SE JUNTAR PRA LUTAR. INDEPENDENTE DE QUEM ESTEJA NA PRESIDÊNCIA.</p>
<p style="text-align: justify;">VIGILANTE, PATRÃO QUER VOCÊ DISTANTE DO SEU COLEGA DE TRABALHO. PORQUE ELE TEM MEDO DA UNIÃO ENTRE VOCÊS. TEU PATRÃO É UM PAISANO. VIGIE TEUS DIREITOS.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DeFxQAPjhEe/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Bugio: cultura de trabalho intermitente e sem registro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 16:09:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[O patronato nunca está satisfeito. Não basta a crueldade do trabalho intermitente ter sido legalizada. Para essa classe, a qual inclui a pequena-burguesia cujos donos do Bugio são bons representantes, é preciso negar qualquer direito vigente aos trabalhadores. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Leo Vinicius</h3>
<p style="text-align: justify;">Um bar que não assina a carteira de trabalho de funcionários, mantendo-os na informalidade, o que, em tese, configuraria fraude trabalhista e previdenciária. Certamente isso não surpreenderia ninguém, apesar da ilegalidade, dada a realidade do capitalismo, ainda mais em fase de supressão de direitos trabalhistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas quando se trata de um bar que se apresenta também como Centro Cultural ou Casa de Cultura, que recebe verba pública e que mantém atrações para manter um nicho de consumidores de esquerda ou progressistas para suas cervejas e bebidas, então essas práticas podem começar a surpreender um pouco.</p>
<figure id="attachment_159869" aria-describedby="caption-attachment-159869" style="width: 450px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-159869" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/charb.jpg" alt="Charge de Charb" width="450" height="450" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/charb.jpg 450w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/charb-300x300.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/charb-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/charb-420x420.jpg 420w" sizes="(max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-159869" class="wp-caption-text">Charge de Charb</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">O objetivo aqui não é causar surpresa a ninguém, mas sim trazer informação a eventuais frequentadores do bar, da mesma forma que eu gostaria de ser informado sobre sistemáticas violações de direitos dos trabalhadores em comércios que eu frequentasse ou consumisse. No capitalismo, a realidade do trabalho tende necessariamente a ser apagada assim como o próprio trabalhador. Apesar de ser através do trabalho humano que se gera riqueza e o lucro dos patrões, para os capitalistas tanto melhor quanto mais o trabalhador é tornado invisível.</p>
<p style="text-align: justify;">Bugio é uma cervejaria da região de Florianópolis, com dois bares de mesmo nome. O bar localizado no Centro da cidade é o que concentra mais público e atrações. Ele fica exatamente na mesma rua do prédio do Ministério do Trabalho, a apenas 85 metros de distância dele, ou seja, apenas 1 minuto a pé.</p>
<figure id="attachment_159870" aria-describedby="caption-attachment-159870" style="width: 722px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-159870 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/maps.png" alt="" width="722" height="364" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/maps.png 722w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/maps-300x151.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/maps-640x323.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/maps-681x343.png 681w" sizes="(max-width: 722px) 100vw, 722px" /><figcaption id="caption-attachment-159870" class="wp-caption-text">Imagem do Google Maps da fachada do Bugio Centro, em março de 2026.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Quando o Bugio do Centro foi aberto em 2021, essa região do centro-leste da cidade já tinha um histórico, desde a década anterior, de ter alguns bares frequentados por um perfil de público que, para facilitar, eu chamaria de progressista ou de esquerda. O tipo de atrações musicais e até mesmo debates co-promovidos pelo Bugio consolidaram um perfil de público, para consumir sua cerveja e suas bebidas, que tende a ser de esquerda. É um espaço frequentado até por políticos de esquerda da cidade quando certos eventos ocorrem lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma parte dos funcionários do bar e “Casa de Cultura” tem carteira assinada, mas a maior parte é mantida sem carteira assinada. Pessoas que exercem a mesma função, algumas estão formalizadas e outras não. Aqui temos que nos reportar à “reforma trabalhista” do governo de Michel Temer, que criou legalmente a categoria de trabalho intermitente. Isto é, uma categoria em que o trabalhador é chamado a trabalhar pelo patrão quando lhe convém e recebe apenas por aquelas horas trabalhadas. Assim, por exemplo, os trabalhadores e as trabalhadoras que atendem o público do Bugio trabalham no regime intermitente, seja com carteira assinada ou ilegalmente sem carteira assinada. O patronato nunca está satisfeito. Não basta a crueldade do trabalho intermitente ter sido legalizada. Para essa classe, a qual inclui a pequena-burguesia cujos donos do Bugio são bons representantes, é preciso negar qualquer direito vigente aos trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o regime de trabalho intermitente o patrão cria um reservatório de força de trabalho. No Bugio esse reservatório tem a forma de um grupo de <em>Whatsapp</em>. Nele são postas dezenas de pessoas dispostas a vender sua força de trabalho para o Bugio, e que o Bugio esteja disposto a eventualmente comprá-la. O trabalho intermitente dá um poder enorme ao patrão. Isso porque o trabalhador, mesmo aquele com carteira assinada, pode ser posto na “geladeira”, isto é, ficar sem ser chamado para trabalhar por tempo indefinido como “castigo”. Ou seja, é um mecanismo que impõe uma subordinação ainda maior ao trabalhador e que, além disso, permite na prática que o patrão demita sem justa causa sem que tenha que pagar por isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas para os donos do Bugio não é suficiente a legalização do trabalho intermitente e nem a prática ilegal de ter empregados sem carteira assinada. Para eles também é necessário que os trabalhadores e trabalhadoras intermitentes com e sem carteira assinada vistam a camisa, abram o sorriso e vendam mais cerveja. A força de trabalho foi convocada a assistir a um “curso” dado pelos gestores sobre como os trabalhadores e trabalhadoras devem acrescentar trabalho afetivo no serviço, de modo a venderem mais cerveja. Questionados durante o “curso” se o tempo à disposição para assisti-lo seria remunerado, a impressão que ficou pela reação de incerteza dos gestores é de que a intenção era não remunerar. Não remunerar seria mais uma ilegalidade (eles acabaram remunerando essas horas), mas a insegurança do que responder e a falta de resposta dos gestores na ocasião é um indício da cultura de desrespeito dos direitos trabalhistas nessa empresa. A não resposta foi mais uma explicitação da normalização da negação de direitos básicos dos trabalhadores e trabalhadoras.</p>
<figure id="attachment_159871" aria-describedby="caption-attachment-159871" style="width: 850px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-159871" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/slide.png" alt="" width="850" height="408" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/slide.png 850w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/slide-300x144.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/slide-768x369.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/slide-640x307.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/slide-681x327.png 681w" sizes="(max-width: 850px) 100vw, 850px" /><figcaption id="caption-attachment-159871" class="wp-caption-text">Slide do “curso” dado a trabalhadoras do Bugio</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Imagine o trabalhador ou a trabalhadora que está em regime de trabalho intermitente, que possui seus direitos trabalhistas e previdenciários negados (não tem carteira assinada), assistindo a um “curso” com os gestores falando bordões para que acrescentem o ainda mais desgastante trabalho afetivo ao trabalho que já realizam. E imagine então que o trabalhador ou trabalhadora questione que, se eles querem o trabalhador motivado, não deveriam deixá-lo em regime de trabalho intermitente, deveriam valorizá-lo etc. etc.? Esse trabalhador ou trabalhadora será chamado novamente para vender sua força de trabalho? Será excluído do grupo de <em>Whatsapp?</em></p>
<p style="text-align: justify;">A forma de “demissão” do intermitente informal no Bugio é ser excluído do grupo de Whatsapp que funciona como reservatório de força de trabalho. O trabalhador reduzido a puro objeto, como puro número, como um número de telefone. Eu não me surpreenderia se o gerente que realiza essa exclusão/demissão for pejotizado – em tese uma outra modalidade de fraude trabalhista – uma vez que possui MEI em seu nome com atividade principal de organização de festas. A coisa toda ainda fica pior, uma vez que o Bugio recebe verba pública através de edital federal da Cultura. O edital da Funarte através do qual o Bugio foi agraciado exige certidão negativa de débitos trabalhistas. Quem não possui dívida trabalhista transitada em julgado e não quitada, consegue essa certidão negativa. Deve ter sido esse o caso. Porém, se os donos do Bugio estavam realizando fraude trabalhista quando se inscreveram no edital da Funarte e enquanto gastam a verba pública do edital, pode caracterizar, a meu ver, ação de má fé contra a Administração Pública. Ora, a certidão negativa é um documento exigido para que verba pública não vá para pessoas jurídicas que não cumprem obrigações trabalhistas! Simplesmente não era para o Bugio ter recebido verba pública nessa situação, tanto do ponto de vista moral quanto provavelmente também do ponto de vista legal.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem não é de Florianópolis, segue abaixo um exemplo de programação do Bugio Centro, que é a da semana em que estou escrevendo.</p>

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<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Através do título de algumas das atrações dessa semana não é difícil perceber uma ideia de protagonismo feminino, ou de valorização das mulheres. Mas por trás dos coloridos cartazes, por trás da elevação feminina como espetáculo, por quem e como a mercadoria é servida? Ela é servida por mulheres que têm seus direitos negados. Por mulheres que no carnaval têm que “se acostumar” ao assédio sexual de potenciais clientes enquanto vendem sua força de trabalho para sobreviver. Há que vender cerveja no meio da multidão aglomerada na rua do bar e suportar o assédio sexual dos foliões, sem direitos trabalhistas, sem direitos previdenciários, sem certeza de ter trabalho amanhã. O tom de preta que nunca aparecerá no espetáculo é o da preta trabalhadora, sem férias, sem direitos, que trabalha sem certeza de trabalho. Esse tom é invisível. E que o grupo de <em>Whatsapp</em> de reservatório de força de trabalho do Bugio se chame “colaboradores atives”, torna mais odiosa e repugnante a exclusão de todas as mulheres e todes os seres humanos dos direitos trabalhistas e previdenciários que o Bugio realiza. Por trás da inclusão espetacular na linguagem, mal se esconde a realidade da exclusão material dessas trabalhadoras e trabalhadores. Atualizando Bakunin, <em>a linguagem inclusiva quando não humaniza deprava, refina o crime e torna mais degradante a covardia.</em> Sim, crime. É bom lembrar que fraude trabalhista é crime, cabendo também processo penal.</p>
<figure id="attachment_159878" aria-describedby="caption-attachment-159878" style="width: 440px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-159878" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/whats.jpg" alt="" width="440" height="700" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/whats.jpg 440w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/whats-189x300.jpg 189w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/whats-264x420.jpg 264w" sizes="auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px" /><figcaption id="caption-attachment-159878" class="wp-caption-text">A forma de “demissão” de intermitentes sem registro em carteira</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A diferença entre cultura e alienação depende em parte da nossa atitude, da nossa prática. Não chamemos de cultura o entretenimento cujo objetivo é realizar a mais-valia da produção de cerveja, nem que seja de cerveja afetiva. O que os donos e gestores do Bugio chamam de cultura é mera atração (de consumidores), entretenimento. É uma engrenagem, aí sim, de uma verdadeira cultura. Uma cultura de regressão de direitos trabalhistas e da dignidade das trabalhadoras e trabalhadores. Uma cultura de classe, mas da classe dos capitalistas. O neofascismo em ascensão tem base material, e uma parte fundamental dessa base material é a precarização do trabalho e a insegurança econômica e laboral. Lugar de resistência ao neofascismo é onde os trabalhadores e trabalhadoras lutam ou onde eles e elas têm seus direitos respeitados. O resto é alienação e espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">* <em>Este texto é baseado em relatos de ex-funcionários e em documentos obtidos pelo autor. Sobre o autor: em 1997 e 1998 foi membro da banda punk anarquista Guerra de Classes e nas décadas seguintes participou de movimentos sociais também em Florianópolis.</em></p>
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		<title>A Gestão do Conflito: ONGs e democracia empresarial no Brasil contemporâneo (1990-2024) &#8211; Parte I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[FP]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 19:42:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[Sob o mito da “cidadania autônoma”, as ONGs operam, na realidade, a renovação dos mecanismos de dominação de classe mediante a gramática dos direitos — e a evidência empírica o confirma. Por Marcelo Phintener]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Marcelo Phintener</h3>
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A tese liberal de que as Organizações Não-Governamentais (ONGs) constituem uma alternativa autônoma ao Estado e ao mercado colide contra a realidade material de sua função política no capitalismo contemporâneo. Elegendo o cenário brasileiro como foco analítico e amparando-se na tradição crítica de João Bernardo, Maurício Tragtenberg, Boltanski e Chiapello, constata-se que o terceiro setor atua, fundamentalmente, como um aparato de governança desenhado para a administração de vidas e de conflitos sociais. Por meio do exame dos microdados do Mapa das OSCs (Ipea) — compreendendo 1,09 milhão de registros —, descortina-se a engenharia que articula os interesses corporativos transnacionais ao poder estatal. O avanço vertiginoso desse ecossistema, cujo contingente de entidades ativas saltou de 105 mil em 1996 para 672 mil em 2026, marcha pari passu com a reconfiguração gerencial do Estado iniciada na década de 1990, revelando que a malha da filantropia se expande justamente para institucionalizar a retirada de direitos universais.</p>
<p style="text-align: justify;">A análise identifica 20 grupos corporativos nacionais com 141 unidades registradas — entre os quais a Fundação Bradesco (39 filiais, desde 1970) e a Fundação Vale (8 estados, coincidentes com suas concessões minerárias) — e 20 organizações internacionais com 235 unidades ativas, incluindo a Ford Foundation (desde 1966) e a Fundação Cargill (desde 1973). Os dados do Ipea revelam que apenas 2,7% das OSCs captaram os R$ 118,5 bilhões transferidos pelo governo federal entre 2010 e 2018, com as fundações privadas — 2% das entidades — movimentando proporcionalmente mais recursos do que as associações em todos os cortes analisados.</p>
<p style="text-align: justify;">No plano global, o setor movimentou US$ 508 bilhões em 2026, com US$ 27 bilhões canalizados por governos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) via OSCs apenas em 2024. Sob o mito da “cidadania autônoma”, as ONGs operam, na realidade, a renovação dos mecanismos de dominação de classe mediante a gramática dos direitos — e a evidência empírica o confirma.</p>
<p><strong>1. O paradoxo do terceiro setor: a negação formal e a afirmação prática do governo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há uma contradição inscrita no próprio nome. Uma organização que se define pelo que não é — não governamental — ocupa, há décadas, posições estratégicas no coração do aparato burocrático e perpassa transversalmente todo o tecido social. O rótulo esconde que sua penetração generalizada — que engloba desde as instâncias de formulação de políticas de topo até a gestão do cotidiano — não decorre de uma ausência estatal ou de um vácuo de poder, mas de uma estratégia deliberada de governança. O Estado metamorfoseia a sua forma: recua na garantia de direitos universais para avançar por meio de uma malha gerencial terceirizada que administra as contradições do conjunto das relações de classe.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob essa nova engenharia, a organização executa serviços outrora públicos, capta recursos do orçamento, formula políticas e media conflitos. E, simultaneamente, sustenta sobre si a aura da sociedade civil autônoma, da cidadania engajada e do altruísmo desinteressado.</p>
<p style="text-align: justify;">As Organizações Não-Governamentais governam. Não a despeito de sua natureza jurídica, mas precisamente em função da cobertura ideológica que ela proporciona. O rótulo “não-governamental” funciona como um dispositivo discursivo que obscurece as reais relações de poder: aquelas que vinculam essas entidades, por um lado, ao financiamento de grandes corporações transnacionais e, por outro, à contratação, regulamentação e proteção do aparato estatal.</p>
<p style="text-align: justify;">A tese não é nova. Na anatomia da “multiplicação silenciosa do poder” traçada por João Bernardo, os gestores — incluídos os dirigentes do terceiro setor — configuram uma classe exploradora específica. Situados entre a burguesia e o proletariado, sua função histórica é mediar e gerir o conflito social, operando na ponta de lança da integração econômica global. O mecanismo ideológico dessa engrenagem foi detalhado por Boltanski e Chiapello: o “novo espírito do capitalismo” absorveu a crítica social dos anos 1960 e 1970, transformando a linguagem da autonomia, da participação e da responsabilidade em instrumentos de legitimação do próprio sistema que pretendiam contestar.</p>
<p style="text-align: justify;">A investigação se assenta na dimensão empírica brasileira. A partir da análise dos microdados do Mapa das OSCs (Ipea) — compreendendo 1,09 milhão de registros —, mapeia-se a expansão do setor, sua geografia, suas frentes de atuação e o funil do financiamento público sob o impacto da reforma gerencial iniciada na década de 1990. Indo além, a articulação desses registros com os dados de transferências federais e de cooperação internacional (OCDE, 2025) descortina, de forma sistemática, a simbiose entre grandes conglomerados corporativos e o estatuto das OSCs. O rastreamento evidencia que o fundo público irriga preferencialmente esse topo dinâmico, desmistificando a suposta horizontalidade do terceiro setor.</p>
<p style="text-align: justify;">A exposição estrutura-se em clave progressiva. O percurso inicia-se pela arqueologia das ONGs na filantropia oitocentista, avança pela sua instrumentalização geopolítica no pós-guerra e desagua na refundação gerencial do Estado brasileiro. Na sequência, os microdados são mobilizados para expor as assimetrias regionais e a centralização do capital no setor. O horizonte crítico desse movimento converge para a consolidação da democracia empresarial contemporânea, na qual o terceiro setor assume a função objetiva de conter e administrar os conflitos de classe.</p>
<p><strong>2. Gênese histórica: do médico rural ao terceiro setor</strong></p>
<p><strong>2.1 A lição de Balzac: a gestão filantrópica como infraestrutura da ordem</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em O Médico Rural (1833) e O Cura da Aldeia (1841), Honoré de Balzac constrói figuras de mediação social cuja intervenção na vida rural opera simultaneamente como generosidade e como disciplinamento. A fortuna crítica dessas obras sublinha como esses romances funcionam como retratos da gestão institucional da pobreza: seus protagonistas — o doutor Benassis e o abade Bonnet — agem sob a premissa de que a miséria, sem uma tutela racional, transforma-se em motor de insurreição. O empenho no bem-estar comunitário, na abertura de estradas, na organização produtiva e na moralização dos costumes desenha, portanto, um modelo de governança em que a solidariedade atua como o principal mecanismo de pacificação e estabilidade social.</p>
<p style="text-align: justify;">Balzac escrevia precisamente no momento em que a burguesia francesa assentava sua hegemonia face aos restos do Antigo Regime e ao proletariado urbano nascente. Seus romances revelam o que a melhor tradição crítica posterior viria a sistematizar: a dominação não se sustenta apenas na crueza da força — na lei, no exército ou na infantaria jurídica e policial. Ela carece de instâncias de mediação. São necessários agentes que convertam a assimetria social em retórica de solidariedade, capazes de gerir o descontentamento das franjas subalternas por meio do consenso e da pacificação cotidiana. É por essa razão que o médico rural e o cura da aldeia funcionam como antepassados literários que prefiguram, com precisão espantosa, o papel institucional do gestor do terceiro setor contemporâneo.</p>
<p style="text-align: justify;">A palavra “filantropia” traz na raiz grega o sentido literal de amor à humanidade. No entanto, a celebração dessa humanidade abstrata frequentemente mascara o desprezo pelas condições materiais concretas que geram a própria barbárie. A filantropia burguesa oitocentista — materializada nas sociedades de temperança, cozinhas populares e missões religiosas nas vilas operárias — divide com o terceiro setor contemporâneo a mesma matriz lógica. Nos dias atuais, a crítica não se direciona ao ato elementar de fornecer subsistência a quem padece nas ruas — uma necessidade incontornável de sobrevivência —, mas à sua captura sistêmica pelo capital gerencial. Ao absorver a urgência material e simbólica dos estratos mais pauperizados das classes trabalhadoras, a engrenagem do terceiro setor atua na reprodução rebaixada da força de trabalho, neutralizando os efeitos mais visíveis da exploração sem tocar em suas bases estruturais. Transforma-se, assim, o antagonismo social latente em laço de dependência e pedagogia da gratidão, assegurando a estabilidade e a reprodução da ordem vigente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2.2 Do pós-guerra à Guerra Fria: as ONGs como instrumento de política externa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O termo “organização não-governamental” foi cunhado formalmente no artigo 71 da Carta das Nações Unidas, em 1945, para designar organizações da sociedade civil que poderiam ter status consultivo junto ao novo organismo internacional. Mas foi no contexto da Guerra Fria que as ONGs ganharam a dimensão geopolítica que as caracteriza até hoje. Em particular nos anos 1950 e 1960, fundações como a Ford, a Rockefeller e a Carnegie — originalmente instrumentos de gestão da riqueza acumulada pelas corporações norte-americanas — passaram a financiar agências da sociedade civil na periferia do sistema capitalista. Essa expansão filantrópica operava como dispositivo estratégico de contenção geopolítica, cujo objetivo era neutralizar focos de insurreição camponesa ou operária e garantir a integração subordinada dessas formações sociais à órbita de acumulação dos Estados Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">A história das relações internacionais no século XX demonstra como emergiu uma nova categoria de agentes cuja função era precisamente a de administrar o conflito social por dentro, integrando-o à própria ordem. Na Europa daquele período, essa necessidade histórica deu origem aos primeiros operadores desse tipo de intervenção: organizadores comunitários, planejadores e técnicos sociais que, sob o manto de fundações independentes ou da ação benfeitora, pacificavam as tensões locais. Esse processo revela o DNA político daquilo que viria a ser o terceiro setor: organizações que operam na zona cinzenta entre o público e o privado, o estatal e o civil, convertendo essa posição de fronteira em um mecanismo eficiente para circular recursos e exercer o poder de controle social.</p>
<p><strong>2.3 A explosão do terceiro setor nos anos 1980 e 1990</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se as décadas do pós-guerra foram o período de gestação das ONGs modernas, os anos 1980 e 1990 foram os de sua explosão demográfica. No Brasil, esse processo tem uma cronologia precisa: começa com a redemocratização nos anos 1980, quando organizações da sociedade civil desempenham papel central na reconstrução do espaço público; acelera com as reformas econômicas dos anos FHC, quando a reforma gerencial do Estado cria o marco legal e institucional para a terceirização das políticas sociais; e consolida-se ao longo dos governos Lula, quando o financiamento público das OSCs atinge seu auge.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dados do Mapa das OSCs (Ipea) permitem quantificar esse processo com precisão inédita. Como mostra a Tabela 1 e o Gráfico 1 a seguir, o número de OSCs fundadas por ano saltou de uma média de aproximadamente 11.855 entre 1990 e 1994 para 27.540 entre 1995 e 2002 — variação de 132% que coincide exatamente com o período de implementação da reforma gerencial do Estado.</p>
<p><strong>Tabela 1 — Evolução das Organizações da Sociedade Civil no Brasil: marcos históricos selecionados</strong></p>
<div class="table sectionedit14">
<table class="inline">
<tbody>
<tr class="row0">
<td class="col0 centeralign"><strong>Ano</strong></td>
<td class="col1 centeralign"><strong>Total acumulado (fundadas até o ano)</strong></td>
<td class="col2 centeralign"><strong>Fundadas no ano</strong></td>
<td class="col3 centeralign"><strong>Var. acumulado (período)</strong></td>
</tr>
<tr class="row1">
<td class="col0 centeralign">1990</td>
<td class="col1 centeralign">151.065</td>
<td class="col2 centeralign">10.546</td>
<td class="col3 centeralign">—</td>
</tr>
<tr class="row2">
<td class="col0 centeralign">1994</td>
<td class="col1 centeralign">199.794</td>
<td class="col2 centeralign">14.269</td>
<td class="col3 centeralign">+32%</td>
</tr>
<tr class="row3">
<td class="col0 centeralign"><strong>1998</strong></td>
<td class="col1 centeralign"><strong>306.937</strong></td>
<td class="col2 centeralign"><strong>25.407</strong></td>
<td class="col3 centeralign"><strong>+132%</strong></td>
</tr>
<tr class="row4">
<td class="col0 centeralign"><strong>2002</strong></td>
<td class="col1 centeralign"><strong>420.117</strong></td>
<td class="col2 centeralign"><strong>27.539</strong></td>
<td class="col3 centeralign"><strong>+37%</strong></td>
</tr>
<tr class="row5">
<td class="col0 centeralign">2006</td>
<td class="col1 centeralign">536.267</td>
<td class="col2 centeralign">29.432</td>
<td class="col3 centeralign">+28%</td>
</tr>
<tr class="row6">
<td class="col0 centeralign">2010</td>
<td class="col1 centeralign">670.385</td>
<td class="col2 centeralign">33.324</td>
<td class="col3 centeralign">+25%</td>
</tr>
<tr class="row7">
<td class="col0 centeralign">2014</td>
<td class="col1 centeralign">799.043</td>
<td class="col2 centeralign">30.577</td>
<td class="col3 centeralign">+19%</td>
</tr>
<tr class="row8">
<td class="col0 centeralign">2018</td>
<td class="col1 centeralign">908.696</td>
<td class="col2 centeralign">26.355</td>
<td class="col3 centeralign">+14%</td>
</tr>
<tr class="row9">
<td class="col0 centeralign">2022</td>
<td class="col1 centeralign">1.008.068</td>
<td class="col2 centeralign">27.710</td>
<td class="col3 centeralign">+11%</td>
</tr>
<tr class="row10">
<td class="col0 centeralign">2024</td>
<td class="col1 centeralign">1.067.877</td>
<td class="col2 centeralign">30.554</td>
<td class="col3 centeralign">+6%</td>
</tr>
<tr class="row11">
<td class="col0" colspan="4"><em>Fonte: Mapa das Organizações da Sociedade Civil / Ipea (2026). Total inclui todas as OSCs, independente da situação cadastral atual. Elaboração própria.</em></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p><em>Tabela 1 — Evolução do número de OSCs no Brasil por marcos históricos. Fonte: Mapa das OSCs/Ipea (2026). Elaboração própria.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-159904 size-large" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-1024x486.jpg" alt="" width="640" height="304" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-1024x486.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-300x142.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-768x364.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-1536x729.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-2048x972.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-885x420.jpg 885w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-640x304.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/imagem_1-681x323.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<p><em>Gráfico 1 — Fundações de OSCs no Brasil por ano (1980-2025). Fonte: Mapa das OSCs/Ipea (2026). Elaboração própria.</em></p>
<p><strong>3. A reforma gerencial do Estado e a criação do terceiro setor brasileiro</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 1995, o então ministro da Administração Federal e Reforma do Estado, Luiz Carlos Bresser-Pereira, apresentou ao país o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado — documento que se tornaria o marco fundador do chamado “Estado gerencial” no Brasil. A proposta consistia em substituir a rigidez do modelo burocrático tradicional por uma lógica gerencial inspirada nas práticas corporativas: descentralização, foco em metas, contratos de desempenho e, crucialmente, a transferência de serviços sociais para o chamado “setor público não estatal”.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse conceito — “público não estatal” — constitui o núcleo da arquitetura institucional do terceiro setor brasileiro. Na formulação de Bresser-Pereira, desenhava-se uma zona de fronteira entre o Estado — atrelado ao orçamento e ao direito público — e o mercado, regido pelo lucro e pelo direito privado. Seria o espaço das organizações da sociedade civil, justificadas sob o argumento de uma suposta agilidade e proximidade com a comunidade, qualidades que as tornariam mais eficientes na execução de políticas sociais do que o pesado aparato burocrático estatal.</p>
<p style="text-align: justify;">O que essa formulação omite estrategicamente é que o terceiro setor não constitui um vácuo de controle público, mas a fronteira avançada da gestão corporativa. Uma escola ou equipamento gerido por uma ONG, por exemplo, subtrai a política social da órbita da disputa pública: seus diretores são prepostos gerenciais imunes ao concurso público e suas diretrizes respondem às amarras do contrato de gestão. Essa engenharia desvela a atuação conjugada entre o Estado Clássico — que dita as normas e direciona o fundo público — e o Estado Empresarial, que assume a execução física e ideológica da política. Trata-se da infiltração da ideologia gerencial no núcleo da própria administração pública, transmutando a burocracia estatal em uma agência de monitoramento de resultados de mercado. O chamado controle democrático empresarial — com seus conselhos de stakeholders e rituais de compliance — opera, assim, como o simulacro burocrático necessário para legitimar essa simbiose. No tabuleiro da luta de classes, o terceiro setor atua como o braço macio do capital, reconvertendo direitos universais em serviços contratualizados e ratificando a condição do trabalhador como cidadão votante e súdito tributário.</p>
<p style="text-align: justify;">A reforma gerencial pavimentou as condições institucionais para a engrenagem que João Bernardo define como “multiplicação silenciosa do poder”. Trata-se da proliferação de esferas de deliberação que funcionam fora dos circuitos tradicionais da representação democrática, estabelecendo uma governança fragmentada. É justamente essa natureza difusa que torna o terceiro setor mais difícil de ser emparedado politicamente do que o aparato estatal clássico, uma vez que o poder se dilui em uma rede indefinida de contratos e metas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A obra que ilustra o artigo é da autoria de Luke Fildes (1843-1927).</em></p>
<p><strong>*</strong> <em>A publicação deste artigo foi dividida em duas partes, com publicação semanal.</em></p>
<p><em>Leia a Parte II <a href="https://passapalavra.info/2026/09/159955/">aqui</a>.</em></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Nota em solidariedade ao Autistici/Inventati</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/09/159889/</link>
					<comments>https://passapalavra.info/2026/09/159889/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[FP]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 18:57:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia/comunicação_social]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Vigilância]]></category>
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					<description><![CDATA[Neste momento em que vivemos, a consolidação de infraestruturas autônomas, federadas, decentralizadas e resilientes é vital para que possamos lutar e resistir às opressões sistêmicas e cada vez mais explícitas da extrema direita.  Por CryptoRave]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por CryptoRave</h3>
<p style="text-align: justify;">No dia 26 de agosto de 2026 o Escritório de Controle de Ativos Financeiros <strong>[0]</strong> do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América sancionou o coletivo italiano Autistici/Inventati (A/I) designando a entidade como Terrorista Global Especialmente Designada. <strong>[1]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A/I é uma organização que se apresenta como antifascista, antirracista, antisexista e antimilitarista, contrária ao capitalismo e ao autoritarismo. Ela provê infraestrutura gratuita, como hospedagem de sites e servidores e clientes de email, para outras pessoas e organizações que, de algum modo, compactuem com estes princípios.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas sanções não se tratam de uma atitude isolada ou reativa, mas sim de um aspecto de um plano maior de poder e dominação por parte do governo estadunidense e da extrema direita, de uma forma geral.</p>
<p style="text-align: justify;">O segundo governo de Donald Trump é a consolidação e materialização de uma extrema direita contemporânea que age de forma descarada, sem se preocupar em esconder seus objetivos e opiniões mais perversas. Sendo abertamente racista, misógina, transfóbica, financiando e executando genocídios, políticas anti-imigratórias, apoiando regimes e interferindo em processos eleitorais.</p>
<p style="text-align: justify;">A tipificação de movimentos autônomos como terroristas na tentativa de criminalizá-los não é algo novo, nem exclusivo da extrema direita. Mas se tratando de uma potência econômica como os Estados Unidos, essa postura, em conjunto com sanções políticas e econômicas, tem um grande potencial destrutivo. Dado o poderio econômico da potência estadunidense, tais sanções podem acarretar um efetivo estrangulamento econômico dos movimentos autônomos, ao passo que diferentes instituições que mantém relações com estas organizações podem se utilizar dessas penalizações como pretexto para cortá-las.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 28 de agosto, o domínio autistici.org deixou de estar acessível por meio de resolução pelo Domain Name System (DNS). Logo em seguida, no dia 04 de setembro, a instituição bancária italiana “Banca Etica” encerrou a conta bancária do coletivo e reteve seus fundos. Em 06 de setembro, Autistici/Inventati declarou estar encerrando suas atividades. :(</p>
<p style="text-align: justify;">Esta saga opressora baseada em uma correlação de forças totalmente assimétrica foi documentada pelo coletivo. <strong>[2]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A CryptoRave repudia estas ações do governo estadunidense, assim como qualquer tentativa de criminalização de movimentos e organizações autônomas, antifascistas, antirracistas, anti sexistas, antimilitaristas ou anticapitalistas simplesmente por conta de seus posicionamentos políticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste momento em que vivemos, a consolidação de infraestruturas autônomas, federadas, decentralizadas e resilientes é vital para que possamos lutar e resistir às opressões sistêmicas e cada vez mais explícitas da extrema direita. Nesse sentido, nos solidarizamos com Autistici/Inventati, que está nesta luta há mais de 25 anos, assim como com todas as pessoas que lutam abaixo e à esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;">O Departamento de Estado estadunidense já declarou abertamente seus planos de consolidar uma esfera de influência da extrema direita na América Latina, por meio de interferência direta e coação econômica e militar aos países latinos e suas soberanias. E este plano já está em curso, com a ascensão da extrema direita ao poder na maioria destes países.</p>
<p style="text-align: justify;">Organizações autônomas e solidárias são as que proporcionam o tipo de resistência que a extrema direita quer enfraquecer e eliminar, e não podemos deixar que isso aconteça.</p>
<p style="text-align: justify;">Fazemos das palavras de Autistici/Inventati as nossas: “Se queremos resistir a este tecno-facismo, precisamos de um amplo esforço de solidariedade internacional para construir estruturas que protejam espaços e infraestruturas autônomas que sejam livres de qualquer intento autoritário”. <strong>[3]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 2019, tivemos o prazer de receber uma integrante da A/I para que pudesse compartilhar suas experiências com o público da CryptoRave. E esperamos poder fazê-lo novamente, assim que possível. Precisamos nos unir e nos organizar para lutar contra a tirania dos poderosos.</p>
<p style="text-align: justify;">Em solidariedade,<br />
CryptoRave</p>
<p style="text-align: justify;">São Paulo, setembro de 2026</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[0] </strong>Tradução livre de Office of Foreign Assets Control (OFAC)<br />
<strong>[1] </strong>Tradução livre de Specially Designated Global Terrorist (SDGT)<br />
<strong>[2] </strong>https://web.archive.org/web/20260913130043/https://keepitfree.ai/<br />
<strong>[3]</strong> https://web.archive.org/web/20260913130541/https://keepitfree.ai/announcements/go-forth-and-multiply-may-10-100-1000-servers-spark-up/</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>“Revolta dentro da ordem”: o caso do movimento “Desocupa” nas ocupações secundaristas em 2016</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/09/159825/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[FP]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 19:21:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupações]]></category>
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					<description><![CDATA[Se Junho de 2013 pode ser descrito como o fechamento de um ciclo, e a abertura de um novo com a ascensão das candidaturas bolsonaristas em 2018, que influência essa noção particular de revolta assume entre os anos de 2015 e 2016 sobre os sujeitos políticos? Por Alan Fernandes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Alan Fernandes</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">E o que você está achando do movimento até agora?</p>
<p style="text-align: right;">&#8211; Parece que a escola é finalmente nossa.</p>
<p style="text-align: right;">(diálogo ocorrido entre um professor e um estudante dentro de uma escola ocupada)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Entre 2015 e 2016 o Brasil experimentava políticas de austeridade que se estendiam a vários setores, entre eles, as secretarias de educação. Inspirados na Revolta dos Pinguins no Chile, que aliou manifestações contundentes com ocupações de instituições de ensino, estudantes paulistas protagonizaram um movimento até então inédito no país que ocupou dezenas de escolas em todo o Estado em meio ao processo de reorganização escolar do então governador Geraldo Alckmin (PSDB), atualmente vice-presidente da república. O projeto capitaneado pelo então ‘‘tucano’’ teria como consequência a realocação dos estudantes nas escolas de modo que fosse possível fechar unidades de ensino. O movimento estampou as capas de jornais, forçou figuras públicas a tomarem partido, foi retratado de forma sensacionalista pela novela Malhação, e seu significado político foi capturado por instituições financeiras, como o Itaú, que explicitamente retratou a iniciativa privada como uma salvação para a educação e as demandas estudantis.</p>
<p style="text-align: justify;">Em fevereiro do ano seguinte, milhares de estudantes secundaristas fluminenses tomam as ruas do centro por melhores condições de estudo. Na ocasião, marchavam lado-a-lado com seus professores que na ocasião já ameaçavam greve <strong>[1]</strong>. Antes da última greve de professores pelo piso salarial (2023), que conquistou um aumento, mas ainda assim abaixo do piso nacional, os docentes denunciavam que o último reajuste teria sido em 2015, e que isso os fez ter o menor salário do Brasil. A greve de 2016 só não foi a maior que a de 2023 em termos de adesão, mas àquela altura tinha um componente político crucial – o amplo apoio da sociedade civil e especialmente dos estudantes secundaristas. Em março, estudantes de uma escola estadual na Zona Norte do Rio interromperam as aulas, cerraram os portões, e fizeram uma assembleia (LIMA 2019). Dalí, formaram-se pelo menos 6 comissões responsáveis por manter limpa, organizada, e operante, toda a escola, para que os alunos ali permanecessem até que suas pautas fossem atendidas. Entre elas, a falta de funcionários na escola <strong>[2]</strong>, não pagamento dos mesmos <strong>[3]</strong>, estrutura, acesso, e pautas mais gerais como currículo, avaliações de desempenho, etc. (Passa Palavra. 2016)</p>
<p style="text-align: justify;">Naquele mesmo ano o Impedimento de Dilma Roussef (PT) leva ao poder Michel Temer do então PMDB para a presidência e este promete passar importantes reformas de cunho neoliberal. Entre elas, o Projeto de Emenda Constitucional 55 (antiga 241) que estipulava um teto de gastos para as contas públicas e que diminuía a verba disponível para investimento em educação. Daí se seguiram protestos em Brasília e nas capitais, e um ato mais radical, a ocupação de centenas de escolas no Paraná. Deste fato também se seguiram as ocupações das unidades do Pedro II do Rio bem como Institutos Federais, faculdades e escolas em outros estados <strong>[4]</strong>. Ainda em 2016, estudantes secundaristas ocuparam suas escolas em Goiás contra o modelo de implementação de OSs na gestão do ensino. Destas experiências, outras em escala menor também ocorreram. Cabe situar neste terreno o saldo político que os estudantes deixaram para seus aliados mais velhos, os universitários. Militantes que gozaram de uma experiência e maturidade política foram ou direto para o mundo do trabalho, repensar seu papel na sociedade e nas empresas, e uma parte tentou sorte nas universidades de todo país. Tão logo se envolveriam em centros acadêmicos, chapas, ocupações de universidade, e outros movimentos sociais associados ou não a projetos de extensão dentro de seu próprio local de estudo. O que põem em causa, segundo Adoue (2016. S.p.), é uma ambiguidade política: “o que emergia da ação dos estudantes, com o nome “solidariedade”, que pouco contribuía a revelar a potência que os motivava [a categoria dos professores], era uma disputa política: disputa pelo poder na escola.”. Essa reflexão levaria a uma própria problematização do grêmio <strong>[5]</strong> . Dessa forma, em maior ou menor grau, os secundaristas mesclaram tradições de luta antigas com uma brilhante improvisação, tão cara aos movimentos sociais de hoje, que põe em causa o direcionamento político da contestação.</p>
<p style="text-align: justify;">O que subjaz essas iniciativas políticas é que,cada qual em sua cirrcunstância lidou com obstáculos para além dos próprios governos de quem cobravam reivindicações. Alguns desses adversários tornaram-se verdadeiros protagonistas na reação às lutas sociais ocorridas naquele evento que hoje marca uma década.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O ovo da serpente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O militante e autor português João Bernardo denomina o fascismo como uma revolta dentro da ordem (apud MANOLO. 2022). Em uma de suas intervenções no website Passa Palavra (BERNARDO. 2013), distingue duas modalidades de luta social. Uma é a revolta e outra é a revolução. A revolta é agitação sob a bandeira dos lugares-comuns, que não põe em causa as relações sociais presentes no mundo; ao contrário da revolução, que é a liquidação dos lugares-comuns. A ousada ideia de que é preciso tomar as rédeas daquilo que está posto. Um grupo de militantes (2019. s.p.), sensível à escalada autoritária que democraticamente, por mais paradoxal que seja, põe em xeque a nossa concepção de democracia, faz um paralelo entre a ascensão de Jair Messias Bolsonaro (do antigo PSC e atualmente sem partido) e a experiência efervescente de junho de 2013 para salientar que os sentidos da revolta foram capturados pelo espectro político da direita:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Em meio à maior mobilização popular da história do país, nos vimos perplexos: se rompermos com a ordem democrática, o que pode acontecer? Não havia revolução no horizonte. Naquele momento, a esquerda se descobriu intimamente ligada ao regime. Não só porque era ela quem estava no governo, mas porque, desde o fim dos anos 1970, “construir a democracia” se tornara seu objetivo máximo. Desde 2013, a esquerda fugiu da revolta. E fez isso estendendo a bandeira da democracia. Por um lado, podia dizer que os protestos eram um perigo à ordem democrática e justificar a repressão; ao mesmo tempo, podia elogiar as manifestações e enquadrá-las nessa ordem – ao enxergar em junho um movimento por “mais direitos” e “mais democracia”, apagava o conteúdo concreto e contestatório dos protestos. A luta contra aquele aumento de 20 centavos não apenas tocou num aspecto crucial das condições materiais de vida na metrópole, como expôs os limites dos canais de participação que vinham sendo aperfeiçoados nos últimos governos. A violência que tomou as ruas deixou o discurso democrático sem lugar.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Esse mesmo saldo político visto na Revolta dos Coxinhas, na greve dos caminhoneiros de 2018, e que tem como consumada a figura do líder Bolsonaro como um “mito”, desencadeia nas revoltas ocorridas no dia 8 de janeiro de 2023, e que viram nas últimas celebrações de 7 de setembro um presságio. Segundo estes mesmos militantes, o conteúdo dessa revolta “dentro da ordem” reflete a posição social dos trabalhadores no mercado de trabalho. Ao invés de se pautarem por relações solidárias, é sob outro mote que agem os atores políticos neste âmbito:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Quando a nova direita fez da Avenida Paulista sua passarela, entre 2015 e 2016, a socióloga Silvia Viana observou que as dimensões daquela indignação com a corrupção podiam ter uma conexão com a experiência no mercado de trabalho. O que o ódio verde-amarelo via em comum, perguntava ela, em alvos tão diferentes como o corrupto, o cotista, o movimento de moradia, o assaltante, o mendigo e o bolsista? Furam a fila. Aproveitam-se de atalhos e proteções na luta pela sobrevivência, recorrem a vantagens competitivas que produzem uma concorrência desleal numa arena onde cada um deveria correr por si. Num contexto de esgotamento econômico, a nova direita forneceu uma forma política ao acirramento da competição entre trabalhadores. Ao assumir sem pudores a lei do mais forte, traça um programa de ação adequado ao nível de selvageria do mundo do trabalho gestado ao longo das últimas décadas. A sobrevivência depende da resiliência e força de vontade individual, e qualquer forma de assistência é vista como “vitimismo“</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Se Junho de 2013 pode ser descrito como o fechamento de um ciclo, e a abertura de um novo com a ascensão das candidaturas bolsonaristas em 2018, que influência essa noção particular de revolta assume entre os anos de 2015 e 2016 sobre os sujeitos políticos?</p>
<p style="text-align: justify;">Remetendo ao caso das ocupações, as pautas elencadas pelos estudantes refletem sua insatisfação com a gestão da escola e os mecanismos de controle interno. Era isso o que estampava os panfletos, por exemplo, os manifestos das escolas ocupadas. Mas o ineditismo da tática das ocupações se deve à ação direta sobre elas. Os estudantes não estavam pedindo nada, mas impondo, e trabalhando para que isso se concretizasse. Enquanto mantinham reivindicações gerais, operacionalizavam a escola e fizeram dela um embrião de algo novo, daquilo que gostariam de ter sem intermediários. Assim exprime também um militante em Goiás que participou das ocupações nas escolas:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Não se pode pedir de uma escola que ela vá formar pessoas desconectadas das demandas da sociedade em que vive — mas ela pode certamente fazê-lo de maneira que contribua para o fortalecimento de relações alternativas às atuais relações de produção. Uma escola a serviço dos trabalhadores — não os que projetamos ou idealizamos, mas os atuais trabalhadores que aprendem a conquistar o que precisam a partir da sua própria força. (GROUXO MARXISTA, 2016. S.p.)</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Desse modo, as ocupações que eram um meio, como demonstram experiências anteriores de ocupação-susto, convertem-se em instrumentos de educação coletiva sobre o papel dos sujeitos na escola, ou seja, também uma finalidade da luta política autogerida.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, não tardariam a aparecer obstáculos externos. Em São Paulo, o governo Geraldo Alckmin foi hostil desde o início às ocupações e a polícia militar constantemente era convocada para dissolver protestos, reprimir os estudantes e mesmo assediar as ocupações. O então secretário de segurança do governo, atual ministro do STF Alexandre de Moraes, desferiu duras decisões judiciais contrárias às ocupações, permitindo inclusive a reintegração de posse sem recurso à justiça, o que dava à polícia militar o respaldo para desocupar os estudantes quando houvesse a ordem.</p>
<p style="text-align: justify;">No Rio de Janeiro, a SEEDUC fez de tudo para deslegitimar o movimento, conforme os meses iam passando a pressão pública se tornou cada vez maior e dois secretários foram exonerados. Quando a SEEDUC foi ocupada pela 3ª vez (durando um mês), no primeiro dia a Juíza Glória emitiu parecer que reconhecia a legitimidade do movimento, mas, que para que prosseguisse, deveria permitir as aulas regulares, restabelecendo a gestão dos diretores. Mesmo esse vai-e-vem é bem constitutivo do jogo de forças com que os estudantes ocupados se deparam. Anteriormente o Ministério Público e a Defensoria do estado legitimaram as ocupações, contrariando os alunos contrários à ocupação, seus responsáveis legais, professores ‘fura-greve’ e a própria Secretaria de Educação. A segunda decisão atinge em cheio o movimento e o suspiro final é dado aos estudantes do Desocupa, que seguiriam suas aulas da maneira que gostariam.</p>
<p style="text-align: justify;">O Movimento Desocupa Já <strong>[6]</strong>, que ganha força no Rio de Janeiro, Goiás, e depois se expande para as outras escolas eventualmente ocupadas durante aquele período, faz uma crítica frontal às ocupações, que consiste no argumento de que estas cerceiam as aulas já precárias a que os estudantes têm acesso. Em muitos casos, estes alunos lançaram mão de formas agressivas visando a desocupação das escolas. Inspirados na tentativa de desocupação de uma escola localizada na Zona Norte do município do Rio, a E.E. Heitor Lira, o movimento invade e consegue desocupar o OcupaMendes <strong>[7]</strong> , primeira ocupação do Estado do Rio de Janeiro. Uma apoiadora do movimento, em seu facebook, registrou seu apoio aos ocupantes da seguinte maneira:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ao #desocupamendes, parabéns. Agora vocês têm uma escola desocupada!!! Mas… seus professores ainda não receberam salários, os aposentados estão apavorados sem saber se o salário virá, vocês não têm voz na escola, os diretores continuam sendo indicados, vocês não têm direito a voto, a merenda continua precária, a educação pública continua sucateada, o material didático vai permanecer trancado naquela sala dos fundos que vocês nunca tiveram acesso, mas… vocês têm uma escola desocupada! Façam bom proveito!</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">A autora do relato se refere ao desejo dos estudantes voltarem às suas aulas com a consciência de que estão inibindo a possibilidade de melhoria de suas próprias condições na escola. No Rio de Janeiro, nenhuma escola foi desocupada diretamente pela polícia no exercício de sua função. Em escolas como a Prefeito Mendes de Moraes, foram os próprios estudantes, contrários ao movimento, que pulavam as grades e, aos socos, expulsavam os alunos. Na semana fatídica em que a escola supracitada é desocupada, muitas postagens de alunos no Facebook comemoram o ato como uma vitória política <strong>[8]</strong> . A página de Facebook de uma das ocupações que ocorria em uma periferia da zona norte, comentou o caso dizendo que “[é] triste e revoltante ver o Estado, a mídia, as direções de escola e professores fura-greve incitarem a violência entre estudantes que são igualmente prejudicados em seus direitos” (OCUPACAIC/REVERENDO HUGH CLARENCE TUCKER. 2016).</p>
<p style="text-align: justify;">Martins (2022) situa o movimento Desocupa na esteira das novas mobilizações da direita que, ao contrário da direita clássica que conhecíamos, se situa no léxico das lutas concretas e locais:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Após junho de 2013 a direita redescobriu às ruas, mobilizando-se desde então em manifestações nacionais, às vezes caracterizadas por atos massivos, como os atos anticorrupções e pró-impeachment convocados por grupos que ganharam notoriedade, como o Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem pra Rua. Outrora, caracterizada por atos minúsculos, como os em defesa da ditadura militar convocados por pequenos grupos de extrema-direita. O movimento desocupa pode ser considerado uma mudança qualitativa nestas mobilizações, a expressão de um embrião de enraizamento desta direita que passou a atuar em mobilizações menores, contínuas, locais, com pautas imediatas e concretas e usando as redes sociais como ferramenta fundamental, o que não significa que os grandes grupos estivessem alheios a tais mobilizações e nem que haja uma oposição entre tais táticas.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Apesar de seu foco no caso da PEC 55 <strong>[9]</strong> , Martins consegue delimitar o eixo psicossocial destes estudantes que, ao colocarem seus problemas singulares, descuram sobre a própria continuidade da escola e da educação em geral:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">É muito significativo nestas falas a ênfase na primeira pessoa e um apelo ao próprio futuro, que contém uma noção de mérito e esforço pessoal que está sendo desrespeitado. Há uma contraposição entre os direitos individuais e coletivos, no qual reivindica-se a primazia do primeiro. Há um centro no Eu, “minha escola, meu direito, minha filha, meu esforço”, evidenciando a centralidade do antrophos do cotidiano. Não há um projeto coletivo enquanto movimento que vise mudar a realidade de algum modo. A causa é a permanência da competição por meio de esforços particulares. Pode-se dizer que há o que Nascimento (1997) chamou de ações coletivas. Um grupo de Eus aglutinados pragmaticamente por interesses comuns que não possuem projeto de transformação e sim de uma reorganização da desigualdade, no qual a particularidade se sobrepõe ao genérico</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O Desocupa se alimenta desse antagonismo e desprovido de assistência externa não exprime força política de contestação. Mas onde existe o antagonismo ocupa x desocupa, sendo a ocupação um imbróglio de uma mudança efetiva e a desocupação uma reivindicação pelo lugar-comum, ou seja, “queremos nossas aulas da maneira que estão”, o segundo efetivamente se encaixa em nossa descrição de uma revolta dentro da ordem. Para satisfazer suas vontades, beberam da mesma improvisação política e formaram suas bases onde mora o coração de uma ocupação pública, na comunidade local.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O governo e as polícias</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O movimento de ocupação de escolas só prosperou no Rio de Janeiro (e em outros trópicos) porque, se de um lado dava caldo para a greve dos professores, a permanência da paralisação dos docentes também implicava em uma solidariedade como força coletiva que buscou a conquista do apoio popular. Só diante às mobilizações do Rio de Janeiro e São Paulo cantores se reuniram para cantar em solidariedade aos ocupantes e nestes e em outros espaços alguns documentários ajudam a lembrar do exemplo da luta e inspiram outros movimentos sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Da parte dos alunos contrários ao movimento, é surpreendente que o movimento tenha sido espontâneo, mas, ao mesmo tempo, coordenado. No Paraná, por exemplo, não chegou ao nosso conhecimento uma oposição ferrenha às ocupações senão aquela capitaneada pelo Movimento Brasil Livre, que assediou estudantes, entrou em conflito físico em manifestações, entre outras situações. Já no Rio de Janeiro e especialmente em Goiás, essa oposição se serviu de elementos que podem ser descritos como “comunitarismo conservador”. Em grande medida, alunos contrários às ocupações só puderam ter suas demandas atendidas quando intermediados por policiais fora do expediente, lideranças comunitárias e as próprias direções que na maioria dos casos era indicada pela própria Secretaria de Educação.</p>
<p style="text-align: justify;">No Estado de Goiás, o “Desocupa” assumiu os seguintes contornos:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Depois de repetidas derrotas judiciais e políticas e vendo que a tática do cansaço não iria surtir efeito, o governo fugiu do roteiro. Inspirado também no exemplo de São Paulo, em que o governo estimulou o “movimento” Devolve Minha Escola, surgiu o movimento Pais Pela Educação – GO. Esse movimento não só emulou o nome (COISA-GO) como também a estratégia de capilarização das ocupações: grupos de whatsapp locais e páginas foram criadas para mobilizar em cada escola: Desocupa Castelo Branco, Desocupa Anápolis, Desocupe Ismael entre inúmeras outras páginas. O objetivo desse movimento era inicialmente criar um clima no qual as comunidades desaprovassem as ocupações — o que facilitaria uma reintegração judicial — e que aprovassem as Organizações Sociais (OSs) — dificultando resistências posteriores. Eles começaram a realizar manifestações nas portas das escolas, com o auxílio da estrutura oficial de comunicação dos grupos gestores e dos professores contrários às ocupações. Pouco antes, e durante esse processo, a Secretaria de Educação começou a realizar reuniões com os grupos gestores de todas as escolas ocupadas e depois com os trabalhadores, especialmente o professorado, dessas escolas. Essas reuniões serviam para difundir boatos sobre o iminente fechamento e militarização, caso as escolas continuassem ocupadas, e para garantir a lealdade dos poucos diretores que tinham posição mais ambígua frente ao movimento. Além de ameaçar com corte de ponto e do bônus que era dado aos professores por assiduidade. (…) Um pretendente a conselheiro tutelar e “lideranças do bairro”, ou burocratas do bairro, um deles vizinho da escola, todos vinculados ao PSDB, foram importantes na pressão na porta da escola e na articulação do bairro contra a ocupação. Eles mobilizavam três noções básicas: 1) “essa ocupação é coisa de gente da universidade, nem é dessa escola ou desse bairro”; 2) “dentro dessa escola só ficam os alunos vagabundos praticando imoralidades e atrapalhando os vizinhos”; 3) “a escola deveria estar funcionando, mas está trancada”. Eles também conseguiram cooptar uma aluna que participou do início da ocupação e depois passou a entregar informações internas para o movimento desocupa, fazer depoimentos que confirmavam as acusações dessas lideranças, além de criar intrigas e boatos dentro da escola ocupada para desestabilizá-la.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Dito de outra maneira, o Desocupa ocupou a função de desestabilização e desmoralização do movimento, levando seus espectadores a crer que as ocupações não almejavam uma melhoria educacional nas escolas, ocasionando fatalmente no atraso curricular. O terceiro argumento, o de que “a escola deveria estar funcionando”, é muito sintomático para o que descrevemos. Naquela altura os argumentos eram precisamente que as pautas dos ocupantes eram incompatíveis com a realidade, e o sujeito coletivo inspirado pela luta social era convertido no direito do sujeito singular que “precisa estudar, custe o que custar”. O argumento tem um fundo de verdade, mas que não reflete o sentido da educação, e por isso representa não a vontade estudantil de fato, mas como vimos reflete a posição dos trabalhadores em meio à competição no mercado de trabalho. O estudante argumenta que as aulas paralisadas desafiam seu desempenho no ENEM, quando muitas vezes os próprios estudantes se desdobravam para garantir aulas extra-curriculares voltadas para o ENEM, desde que não fossem nos moldes tradicionais. O segundo argumento é que dificultava a aquisição do diploma, uma vez que as secretarias impunham como chantagem a esses estudantes o argumento de que sem as aulas durante esse período o mais correto seria que reprovassem, às vezes até ameaçando cancelar a matrícula dos mesmos. Isso serviu para dissipar laços de solidariedade dentro da escola e advertir que não há atalhos no mundo do estudo e do trabalho, “é cada um por si”.</p>
<p style="text-align: justify;">No Ceará, integrantes do movimento Desocupa Já <strong>[10]</strong> conseguiram uma reunião com o Secretario de Educação e avaliam como “positiva” a conversa. Nela, firmam laços e conseguem uma devolutiva do governo que não está poupando esforços para desocupar as escolas.</p>
<p style="text-align: justify;">Valendo-se do apoio de uma parte dos estudantes do Rio, a SEEDUC endossa uma convocação do Desocupa em que este chama a comunidade escolar para desocupar a E.E. Heitor Lira. O jornalista Diego Felipe Souza (2016) denuncia que o então secretário que sucedeu Antônio Vieira Neto, Caio Castro, atendeu ao chamado do Desocupa e procurou ajudar a coordenar a desocupação.</p>
<figure id="attachment_159828" aria-describedby="caption-attachment-159828" style="width: 400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-159828" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive-300x166.jpg" alt="" width="400" height="222" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive-300x166.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive-1024x568.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive-768x426.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive-1536x851.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive-758x420.jpg 758w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive-640x355.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive-681x377.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133544_Drive.jpg 1575w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption id="caption-attachment-159828" class="wp-caption-text">De camisa social, O Secretário de Educação Caio Castro se reúne com integrantes do Desocupa Heitor Lira</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Na ocasião da tentativa de desocupação do Heitor Lira, o Desocupa havia previamente conversado com a SEEDUC seu descontentamento com o movimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Surpreendentemente, quando já havia parecer favorável às ocupações na justiça, é a própria Secretaria que divulga a manifestação, em perfil oficial. A postagem foi apagada pouco tempo depois. Nunca com retratação.</p>
<figure id="attachment_159831" aria-describedby="caption-attachment-159831" style="width: 400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-159831" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133627_Drive-300x249.jpg" alt="" width="400" height="332" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133627_Drive-300x249.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133627_Drive-1024x849.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133627_Drive-768x637.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133627_Drive-507x420.jpg 507w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133627_Drive-640x531.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133627_Drive-681x565.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133627_Drive.jpg 1247w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption id="caption-attachment-159831" class="wp-caption-text">Postagens no Twitter oficial da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro convocando alunos contrários à ocupação para desocupá-la.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A convocatória partiu do líder do Desocupa e este estreitou laços com os membros do DesocupaMendes. É neste olhar cronológico que deve ser entendido o ataque ao Mendes de Moraes que causou inúmeros feridos e causou a comoção do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) que decidiu realizar uma de suas assembleias lá, para que fosse feita uma vigília impedindo e desincentivando novos ataques. Na semana da primeira ocupação no Rio, estudantes flagram e fotografam o diretor se reunindo ao lado da escola com o Desocupa.</p>
<figure id="attachment_159839" aria-describedby="caption-attachment-159839" style="width: 400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-159839" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133645_Drive-300x276.jpg" alt="" width="400" height="368" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133645_Drive-300x276.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133645_Drive-768x707.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133645_Drive-457x420.jpg 457w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133645_Drive-640x589.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133645_Drive-681x627.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133645_Drive.jpg 950w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption id="caption-attachment-159839" class="wp-caption-text">Marcos Madeira, diretor da E.E. Prefeito Mendes de Moraes se reúne com o movimento “Desocupa”, ao lado dos muros da escola.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Tais flagrantes advertiram aos ocupantes das escolas sobre a potencialidade radical do movimento contrário e mais, que tais ações não pudessem ser separadas da orientação e empoderamento oferecido por parte dos aparelhos de Estado, incluindo a polícia. Na imagem a seguir, policiais posicionados em frente à E.E. Prefeito Mendes de Moraes impedem os ocupantes de entrar nas instalações.</p>
<figure id="attachment_159845" aria-describedby="caption-attachment-159845" style="width: 400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-159845" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133700_Drive-300x174.jpg" alt="" width="400" height="231" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133700_Drive-300x174.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133700_Drive-1024x592.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133700_Drive-768x444.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133700_Drive-726x420.jpg 726w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133700_Drive-640x370.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133700_Drive-681x394.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/AISelect_20260914_133700_Drive.jpg 1250w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption id="caption-attachment-159845" class="wp-caption-text">Dia da desocupação do Mendes de Moraes. Ao lado dos policiais militares, ao lado da porta, está uma aluna da escola vinculada ao Desocupa. Sentados estão os alunos que ocupavam o colégio.</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">A fotografia mostra os alunos que então ocupavam a escola de frente para os policiais, mas não mostra que o Desocupa está lá dentro <strong>[11]</strong>, impedindo a retomada do espaço. A polícia não se mobilizou durante a invasão naquele dia, e somente se posicionou na porta após a retirada de todos os integrantes do movimento OcupaMendes, demonstrando estarem coordenados com o Desocupa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Considerações finais</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário da revolta, inspirada na agitação dos lugares-comuns, a revolução, ou seja, a mudança do que está posto, se insere em dinâmicas solidárias de pensar o lugar dos sujeitos no mundo. À lógica da competição e militarização <strong>[12]</strong> dos espaços, quaisquer movimentos de cunho político que almejem uma mudança significativa deverão daqui extrair seus limites e suas potencialidades. Aprender com o improviso e descartar tudo aquilo que tende ao fracasso.</p>
<p style="text-align: justify;">A lógica autogerida nas escolas, a forma de repensar as relações sociais e hierarquias pedagógicas parece um ponto inegociável, ao passo que os limites servem para advertir sobre o perigo de pautas serem capturadas ou reprimidas duramente. Após duras penas, muitas pautas foram conquistas, mas nem metade delas teve vida longa. A utopia de uma escola mais humana deu espaço para mais grades, construídas pela nova direção, no intuito de coibir novas ações semelhantes. Às ocupações do Paraná e Goiás se seguiu a proposta de escolas cívico-militares cujo horizonte era coibir “as ideologias”. Mas a ideologia não é uma coisa que se põe ou que se tira. A forma de organização, já ideológica, pressupunha uma escola nova, diferente do modelo hetero-organizado, não-transparente. Essa resposta política reflete o desejo da democracia dentro e para fora da escola.</p>
<p style="text-align: justify;">Castoriadis (1991.p.45) postula que o traço mais característico da disposição revolucionária nas lutas autônomas não é sua direção intelectual, mas sua condição auto-organizada. Ao falar sobre os movimentos dos anos 60, em especial o Maio de 68, diz algo de grande valia:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Gostaria que alguém contestasse um segundo, com argumentos racionais, o direito dos alunos perguntarem, logo que fossem capazes: por que e em que medida o que vocês nos ensinam é interessante ou importante? Gostaria que alguém refutasse a ideia de que a verdadeira educação consiste também em levar os alunos a terem a coragem e a capacidade de fazer esse tipo de perguntas e de sustenta-las com argumentos.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">São estas perguntas, sem ressalvas, as que ameaçam o modelo hetero-organizado e a mobilização conservadora dos agentes fascistas. Martins (2022) nota em seu estudo que nem todos os integrantes do Desocupa se diziam de direita, e uns poucos eram diretamente vinculados ao MBL. No Rio de Janeiro, houve muitos que votaram em Bolsonaro, dentro e fora das ocupações. Mas nenhum dos ataques ao OcupaMendes foi protagonizado por quaisquer lideranças de direita conhecidas, mas pelos próprios estudantes mancomunados com uma rede comunitária conservadora. Tais redes lembram, ainda que do avesso do espectro político, as comunidades eclesiais de base. Os alunos vangloriavam-se de lutar não somente por si, mas pela sua comunidade local, e alguns inclusive evocavam os comércios que seriam prejudicados pelas ocupações uma vez que com as aulas canceladas haviam estudantes dentro da escola, mas a transitoriedade pelo bairro (na visão deles) diminuía. Em Goiás, vereadores e representantes de comunidades interferiram diretamente nas ocupações.</p>
<p style="text-align: justify;">Falava-se de defender o interesse dos estudantes, e muitas vezes estes interesses refletiam a dinâmica social desses alunos fora de sala (emprego, vestibular, etc.) mas a questão das melhorias da educação era uma lacuna evidente. Mesmo o imaginário político se vê preso muitas das vezes à lógica da assistência do Estado em detrimento da autonomia política (FERNANDES. 2022). Por isso os sentidos do movimento estudantil autônomo tendem a se pautar contra a barbárie em direção a um mundo novo, dentro e fora da escola, enquanto as expectativas de atenuar a barbárie só ocorriam em consequência desta, se conformando em uma revolta conservadora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Sobre o desfecho da greve, ver aqui: <a href="https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/07/apos-quase-5-meses-professores-decidem-suspender-greve-no-rj.html">https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/07/apos-quase-5-meses-professores-decidem-suspender-greve-no-rj.html</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Sobre a falta de porteiros, ver aqui: <a href="https://cbn.globoradio.globo.com/rio-de-janeiro/2016/04/01/ESCOLAS-DA-REDE-ESTADUAL-DO-RJ-ESTAO-DESDE-O-INICIO-DO-ANO-SEM-PORTEIROS.htm">https://cbn.globoradio.globo.com/rio-de-janeiro/2016/04/01/ESCOLAS-DA-REDE-ESTADUAL-DO-RJ-ESTAO-DESDE-O-INICIO-DO-ANO-SEM-PORTEIROS.htm</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> Por exemplo, aqui: <a href="https://midiaindependente.org/?q=node%2F257">https://midiaindependente.org/?q=node%2F257</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Ver aqui: <a href="https://g1.globo.com/educacao/noticia/pelo-menos-21-estados-tem-escolas-e-institutos-ocupados-por-estudantes.ghtml">https://g1.globo.com/educacao/noticia/pelo-menos-21-estados-tem-escolas-e-institutos-ocupados-por-estudantes.ghtml</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[5]</strong> Ver aqui: <a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Fugindo-da-chapa-Novos-modos-de-se-pensar-e-gerir-um-Gremio-Estudantil">https://www.esquerdadiario.com.br/Fugindo-da-chapa-Novos-modos-de-se-pensar-e-gerir-um-Gremio-Estudantil</a> e aqui <a href="http://solimoes.tachanka.org/?q=gremioautonomo">http://solimoes.tachanka.org/?q=gremioautonomo</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[6]</strong> Reportagem que retrata a reivindicação do Desocupa: <a href="https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/04/alunos-criam-movimento-desocupa-ja-contra-ocupacao-de-escolas-no-rj.html">https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/04/alunos-criam-movimento-desocupa-ja-contra-ocupacao-de-escolas-no-rj.html</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[7]</strong> Ver aqui: <a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/05/06/alunos-do-movimento-desocupa-ja-invadem-primeira-escola-ocupada-do-rio.htm">https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/05/06/alunos-do-movimento-desocupa-ja-invadem-primeira-escola-ocupada-do-rio.htm</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[8]</strong> Ver por exemplo aqui: (<a href="https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=pfbid0PsyspjKYhax6BDGkD97Hbn9VVTkTBSP5G1r2aSfYanMb5txCaMCJbjsHbUzJzVSsl&amp;id=100003796024251">https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=pfbid0PsyspjKYhax6BDGkD97Hbn9VVTkTBSP5G1r2aSfYanMb5txCaMCJbjsHbUzJzVSsl&amp;id=100003796024251</a>) e aqui (<a href="https://www.facebook.com/Freeitas.05/posts/pfbid02devFpteysyMxjXisEYEDhji9gRX4C959TXDszD6H5p1UvpoGm5tRwnPcqRcy2ZBl">https://www.facebook.com/Freeitas.05/posts/pfbid02devFpteysyMxjXisEYEDhji9gRX4C959TXDszD6H5p1UvpoGm5tRwnPcqRcy2ZBl</a>)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[9]</strong> Ver aqui: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/29/politica/1477698231_566717.html</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[10]</strong> Ver aqui: <a href="https://infonet.com.br/noticias/educacao/secretario-recebe-comissao-do-movimento-desocupa-ja/">https://infonet.com.br/noticias/educacao/secretario-recebe-comissao-do-movimento-desocupa-ja/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[11]</strong> Ver nota nº 8.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[12]</strong> Por exemplo, aqui: <a href="https://passapalavra.info/2020/11/135137/">https://passapalavra.info/2020/11/135137/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bibliografia</strong></p>
<p style="text-align: justify;">ADOUE, Silvia Beatriz. Ocupações de Escola (II): Da autocracia para a autogestão. Disponível em: <a href="https://passapalavra.info/2016/01/107343/">https://passapalavra.info/2016/01/107343/</a> Acesso em: 07/2023</p>
<p style="text-align: justify;">BERNARDO, João. Revolta/Revolução. PassaPalavra. 2013. Disponível em: <a href="https://passapalavra.info/2013/07/81647/">https://passapalavra.info/2013/07/81647/</a> Acesso em: 07/2023</p>
<p style="text-align: justify;">CASTORIADIS, Cornelius. A criação histórica: o projeto da autonomia. Porto Alegre: Livraria Palmarinca. 1991.</p>
<p style="text-align: justify;">FERNANDES, Alan. DO PATERNALISMO À AUTONOMIA. READ–Revista de Estudos Anarquistas e Decoloniais, v. 2, n. 3.</p>
<p style="text-align: justify;">FREITAS, María. Texto sobre a desocupação da E.E. Prefeito Mendes de Moraes. 11 de Mai. 2016. Facebook: maira.freitas.14 Disponível em: <a href="https://www.facebook.com/maira.freitas.14/posts/pfbid0MZsUJcsCpkmbmFVYWmWfwCbKQ2MvDfQ7Y53ZwTo8MeeU9NvT3j41e1e8diLE6srzl">https://www.facebook.com/maira.freitas.14/posts/pfbid0MZsUJcsCpkmbmFVYWmWfwCbKQ2MvDfQ7Y53ZwTo8MeeU9NvT3j41e1e8diLE6srzl</a> Acesso em: 07/2023</p>
<p style="text-align: justify;">LIMA, Alfredo. O calor do Rio de Janeiro é uma coisa absurda. Passa Palavra. 2019 Disponível em: <a href="https://passapalavra.info/2018/12/124567/">https://passapalavra.info/2018/12/124567/</a> Acesso em: 07/2023</p>
<p style="text-align: justify;">MANOLO. Resenha: Labirintos do fascismo. Estilhaço. 2022. Disponível em: <a href="https://www.estilhaço.com.br/labirintosdofascismo">https://www.estilhaço.com.br/labirintosdofascismo</a> Acesso em: 07/2023</p>
<p style="text-align: justify;">MARTINS, Karina Oliveira. Desocupa já! Eu quero aula: Aspectos psicossociais que motivam o Movimento Desocupa. Rev. psicol. polít., São Paulo , v. 22, n. 53, p. 105-122, abr. 2022. Disponível em: &lt;<a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519549X2022000100008&amp;lng=pt&amp;nrm=iso">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519549X2022000100008&amp;lng=pt&amp;nrm=iso</a>&gt;. acesso em 20 jul. 2023</p>
<p style="text-align: justify;">MARXISTA, Grouxo. O Estado e as ocupações: a autogestão possível e a autogestão necessária. Passa Palavra. 2016. Disponível em: <a href="https://passapalavra.info/2016/05/108235/">https://passapalavra.info/2016/05/108235/</a> Acesso em: 07/2023</p>
<p style="text-align: justify;">OCUPACAIC/REVERENDO HUGH CLARENCE TUCKER Texto sobre a desocupação da E.E Prefeito Mendes de Moraes. 10 de Mai. 2016. Facebook: Ocupa CAIC/Reverendo Hugh Clarence Tucker. Disponível em: <a href="https://www.facebook.com/photo/?fbid=1079535732119299&amp;set=a.1064257276980478">https://www.facebook.com/photo/?fbid=1079535732119299&amp;set=a.1064257276980478</a> Acesso em: 07/2023</p>
<p style="text-align: justify;">PASSA PALAVRA. Entrevista com estudante da #OcupaMendes Passa Palavra. 2016. Disponível em: <a href="https://passapalavra.info/2016/03/107881/">https://passapalavra.info/2016/03/107881/</a> Acesso em: 07/2023</p>
<p style="text-align: justify;">SOUZA, Diego Felipe. Texto sobre o protesto do Desocupa contra a ocupação da escola. 20 de Abr. 2016. Facebook: FelipeQ2 Disponível em: <a href="https://www.facebook.com/FelipeQ2/posts/pfbid0c8W4v3zAqJK6jkoDXXQcFru5nYYUvDqf6ZDFWMn8UKhYvCACynMBPxGs5WaMGbTpl">https://www.facebook.com/FelipeQ2/posts/pfbid0c8W4v3zAqJK6jkoDXXQcFru5nYYUvDqf6ZDFWMn8UKhYvCACynMBPxGs5WaMGbTpl</a> Acesso em: 07/2023</p>
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		<title>Entregadores organizam &#8220;breque dos apps&#8221; no Vietnã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[FP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 15:42:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
		<category><![CDATA[Transportes]]></category>
		<category><![CDATA[Vietnã]]></category>
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					<description><![CDATA[Entregadores da Grab, em Hanói, estão organizando uma paralisação para os dias 12 e 13 de setembro. Por Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 align="justify">Por Passa Palavra</h3>
<p align="justify">Trabalhadores de aplicativo da Grab, no Vietnã, estão organizando uma paralisação para os dias 12 e 13 de setembro de 2026 na capital, Hanói, por aumento nos valores recebidos por viagem.</p>
<p align="justify"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-159804" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-300x181.jpg" alt="" width="411" height="248" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-300x181.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-1024x618.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-768x463.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-696x420.jpg 696w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-640x386.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-681x411.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016.jpg 1220w" sizes="auto, (max-width: 411px) 100vw, 411px" /></p>
<p align="justify">A Grab é a maior empresa do setor no país e uma das maiores do Sudeste Asiático. Operando no Vietnã ao lado de outras grandes empresas como Xanh SM, Be e Gojek, vende serviços de mototáxi, táxi, aluguel de carro, entrega de comida, e entregas de compra de supermercado e lojas de conveniência.</p>
<p align="justify">O movimento que organiza a luta em Hanói conta com doações voluntárias de dinheiro para garantir a paralisação e com a participação voluntária de apoiadores que ajudam na  organização de um local, e na preparação da distribuição de 300 marmitas já arrecadadas, que serão entregues para trabalhadores da Grab no dia 12.</p>
<p align="justify"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-159805" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-300x182.jpg" alt="" width="400" height="243" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-300x182.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-1024x623.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-768x467.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-691x420.jpg 691w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-640x389.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-681x414.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017.jpg 1220w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></p>
<p align="justify">Hoje, os trabalhadores de aplicativo da Grab são os mais organizados do setor em Hanói. O movimento conta com a divulgação pública de um número de telefone para contato e um perfil no Instagram (@hoathunguyn) que existe há dois anos. Nas outras grandes empresas do setor, Xanh SM, Be e Gojek, parece não haver o mesmo grau de organização política. Acredita-se que haverá alguma participação de trabalhadores das outras empresas nos dois dias de paralisação, porém em menor número.</p>
<p align="justify">Outra ação do movimento é a campanha, que também circula no Instagram, chamando os clientes da Grab a desinstalarem o aplicativo nos dias 12 e 13 como forma de apoiar a luta e pressionar a empresa por aumento nos valores pagos aos trabalhadores. Incentivando o boicote e a desinstalação dos aplicativos, a campanha aconselha a quem realmente precisar desses serviços nos dias 12 e 13 que busque trabalhadores que não estarão usando aplicativos.</p>
<p align="justify"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159806 size-large" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-1024x619.jpg" alt="" width="640" height="387" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-1024x619.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-300x181.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-768x465.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-694x420.jpg 694w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-640x387.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-681x412.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018.jpg 1220w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
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		<title>Embiras &#8211; entre a rua e as redes</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/09/159779/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 15:30:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Burocratização]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Cada experiência, inclusive as mais frustrantes, serviu para demonstrar na prática quais caminhos tendem a fortalecer a auto-organização e quais caminhos tendem a enfraquecê-la. Por Embiras]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Embiras</h3>
<p style="text-align: justify;">O Embiras nasceu de mais uma experiência frustrada, resultado de burocratização, formação de personalidade e pressão por visualizações nas redes sociais. As pessoas que viriam a fundar o grupo participaram brevemente de uma outra equipe <strong>[1]</strong>, focada nas “cobranças” em relação aos problemas enfrentados pelos entregadores de aplicativo. “Cobranças” aqui é definido como as formas que os trabalhadores de app encontraram para se contrapor aos esculachos de clientes e donos de estabelecimento, fazendo buzinaços em suas portas e divulgando os ocorridos nas redes sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse grupo em questão, essa equipe, destoava por se apresentar como um grupo organizado dessas cobranças, embora nas redes sociais a página do grupo tenha tentado se apresentar como uma página de notícias, uma estratégia para compartilhar os vídeos das cobranças. E esses vídeos viralizaram. Nada como a treta para garantir visualização e repercussão nas redes sociais. Junte-se isso ao fato da equipe em questão se posicionar firme em oposição a outra equipe, nascida da luta da categoria em Goiânia contra os aplicativos, mas que havia se degenerado em instrumento de gestão e de defesa das empresas de aplicativo &#8212; com alguns dos seus líderes inclusive recebendo dinheiro de uma dessas empresas <strong>[2]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o tempo as contradições foram se mostrando. O dono do grupo, que se apresentava como mais um, mas era quem controlava a página no instagram, não tardou a deixar claro seus interesses de influencer. Na realidade, o dono da página nem mesmo era um trabalhador de aplicativo &#8212; embora afirmasse que já havia sido um &#8212; e sim um empresário dono de empresa de aluguel de moto.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como na burocratização daquela equipe que se tornou instrumento das empresas, essa também viu o processo coletivo ser cada vez mais direcionado para o personalismo. Os vídeos que até então focavam na categoria em luta cederam lugar cada vez mais a vídeos do dono posando como influencer da categoria. E a sanha por likes transformou a página cada vez mais em página de fofocas sobre qualquer coisa que gerava engajamento. Aqueles trabalhadores que se opunham à linha empurrada foram queimados e difamados, muitas vezes em vídeos públicos, num reforço ao espírito de seita.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi após a saída de alguns &#8212; e expulsão de outros &#8212; dessa experiência que o Embiras foi formado. Ao contrário da forma organizativa surgida e adotada de forma espontânea pela categoria, que cria suas equipes à partir de grupos de afinidade dos trabalhadores de aplicativo, o Embiras nasce com uma perspectiva de ser uma minoria com posições políticas claras em defesa da auto-organização, contra a institucionalização e burocratização das lutas. O grupo não foi formado apenas por trabalhadores de aplicativo, mas também por trabalhadores de outras categorias apoiadores da luta desses trabalhadores &#8212; nenhum patrão, é importante frisar.</p>
<p style="text-align: justify;">Como primeira iniciativa do grupo, foi lançado o “Avalie os Estabelecimentos”, uma plataforma que servia como repositório de relatos sobre os estabelecimentos em que os trabalhadores coletam para posteriormente entregar. A aplicação recebeu dezenas de relatos sobre práticas abusivas, tratamentos desumanos, e mapeou aqueles lugares que ofereciam condições básicas para os trabalhadores (como água, banheiro e local para carregar o celular) com o objetivo de auxiliar os trabalhadores na sua labuta diária. Tivemos vários relatos interessantes e vimos em grupos tentativas de organização de breques em estabelecimentos que estavam sendo mal avaliados na plataforma. Mas o fato dessa plataforma rodar em um site mostrou uma dificuldade em sua adoção. O grupo construído em torno dessa plataforma, via whatsapp, de certa forma era mais dinâmico e acabava por centralizar mais os desabafos e os relatos do que a plataforma em si. A iniciativa da forma como foi concebida a princípio foi abandonada, deixando para depois repensá-la em outros moldes (como ferramenta interna no whatsapp parece ser a alternativa mais condizente com a “cultura cibernética” da categoria).</p>
<p style="text-align: justify;">Eis que uma das empresas lança uma atualização forçando a adoção de rotas curtas. Junta-se esse fato de atualização do app ao debate em torno da PLP 152/25, rejeitada amplamente pela categoria. Essas questões dão impulso a um processo de descontentamento crescente na categoria, e um trabalhador de aplicativo, resolve jogar a ideia de uma paralisação em grupos de whatsapp. Essa ideia viraliza por grupos, e o apoio se torna massivo. Uma outra equipe pega para si a chamada do movimento e cria um grupo chamando a paralisação. Esse trabalhador que deu o pontapé no processo é firme em criticar esse movimento (que contava com a equipe em questão utilizar os materiais criados por esse colega mas colocar o emblema de sua equipe). A crítica foi acatada, e os grupos de whatsapp criados para a paralisação removeram o emblema da equipe e passaram a defender a união das equipes em torno da luta, sem personalismos e sem ênfase em grupos particulares. Representantes do grupo de cobrança e do grupo burocratizado (inimigos mortais, é importante frisar) foram procurados para compor a luta. O primeiro aceitou, para logo em seguida abandonar inventando mentiras em suas redes. O segundo se absteve, e também partiu para o ataque contra o movimento, que não se encontrava em sua direção e seu controle.</p>
<p style="text-align: justify;">O ataque de ambos os grupos foi lamacento, com mentiras, manipulações e, enfim, a aliança entre os nossos heróis para acabar com a mobilização. As equipes, inimigas mortais, se uniram e fizeram uso de suas grandes páginas para criação de conteúdo unificado com objetivo de acabar com a luta, usando videos fora de contexto, informações velhas, e um monte de fake news. Apesar do dano sofrido, a piada se fez presente &#8212; o movimento foi tão inovador que conseguiu unir arqui-inimigos. As grandes páginas se uniram para acabar com o movimento descentralizado surgido da união de diversas equipes que não contavam com seus grandes números de curtidas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-159781 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/Pannaggi-Treno-in-Corsa-1235567243.jpg" alt="" width="1500" height="1243" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/Pannaggi-Treno-in-Corsa-1235567243.jpg 1500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/Pannaggi-Treno-in-Corsa-1235567243-300x249.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/Pannaggi-Treno-in-Corsa-1235567243-1024x849.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/Pannaggi-Treno-in-Corsa-1235567243-768x636.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/Pannaggi-Treno-in-Corsa-1235567243-507x420.jpg 507w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/Pannaggi-Treno-in-Corsa-1235567243-640x530.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/Pannaggi-Treno-in-Corsa-1235567243-681x564.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" />Apesar dos ataques constantes a luta ocorreu. É verdade que o clima nada amistoso e cheio de assédios de todo tipo, com direito a denúncias à polícia e ameaças de morte, enfraqueceu a demonstração de rua. Mas a adesão foi enorme, com grande quantidade de trabalhadores ficando em casa e pedidos acumulando em estabelecimentos por falta de trabalhadores na rua. Apesar da falta do breque, os fura-greves conseguiram produzir cenas espetaculares: Por conta das denúncias que fizeram à policia de que os grevistas pretendiam partir para a violência, a polícia atuou abordando aqueles entregadores que trabalhavam durante a paralisação, aplicando multas, recolhendo motos com documentos atrasados e, inclusive, segundo relatos, detendo trabalhadores que furavam a greve e portavam facas para se defender da ameaça dos vândalos inexistentes. Na falta do breque pela categoria, os fura-greve conseguiram fazer com que a polícia realizasse os breques, afetando diretamente quem trabalhava naquele dia de paralisação.</p>
<p style="text-align: justify;">A paralisação de Goiânia também teve sucesso em alcançar outros estados, gerar conteúdo para incentivo de outras cidades a aderirem à luta, fortalecendo a luta geral tanto contra a nova modalidade de trabalho (que já se colocava em outros aplicativos e se expandia territorialmente) quanto contra a PLP. O posicionamento da equipe burocrática também trouxe contradições internas que se tornaram impossíveis de conciliação. Muitos do grupo defendiam a paralisação e vendo os líderes adotando a campanha difamatória entraram em confronto direto, o que acabou gerando brigas e rachas.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, o fim do processo e o recuo trouxeram novamente a separação. Aquele grupo que unificou equipes e possibilitou uma construção mais coletiva daquele processo não durou. Os embates entre equipes se fortificaram, reforçando a divisão já existente na categoria.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de tudo o que foi vivido até aqui, essa trajetória não deve ser vista apenas como um relato de confusões, derrotas ou disputas internas. Pelo contrário. Cada experiência, inclusive as mais frustrantes, serviu para demonstrar na prática quais caminhos tendem a fortalecer a auto-organização e quais caminhos tendem a enfraquecê-la. Os ataques sofridos, as tentativas de cooptação, os personalismos, as campanhas de difamação e as disputas por protagonismo não fizeram desaparecer os problemas enfrentados diariamente pelos entregadores. As taxas continuam baixas, os bloqueios arbitrários continuam acontecendo, as mudanças unilaterais das plataformas seguem impactando a vida de milhares de trabalhadores e a ausência de qualquer controle real sobre as condições de trabalho permanece sendo uma realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Da parte do Embiras, a proposta segue sendo a mesma: fortalecer a auto-organização e combater a burocratização e a pessoalização das lutas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> &#8211; Equipe é uma forma organizativa presente na categoria em Goiânia, onde os entregadores se organizam em grupos, criam suas camisas personalizadas e se auxiliam</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> &#8211; Uma trajetória dessa outra equipe pode ser encontrada <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2024/04/152631/" href="https://passapalavra.info/2024/04/152631/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a>, <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2024/05/152678/" href="https://passapalavra.info/2024/05/152678/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a> e <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2024/05/152788/" href="https://passapalavra.info/2024/05/152788/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: center;"><em>As obras que ilustram este artigo são de Filippo Tommaso Marinetti (1876 &#8211; 1944)</em></p>
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		<title>[Belo Horizonte] Kasa Invisível Fica e Resiste!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[FP]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 23:31:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupações]]></category>
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					<description><![CDATA[Relatos de uma semana de vigílias e solidariedade.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Kasa Invisível</h3>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159762 size-large" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134-791x1024.jpg" alt="" width="640" height="829" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134-791x1024.jpg 791w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134-232x300.jpg 232w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134-768x994.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134-1187x1536.jpg 1187w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134-325x420.jpg 325w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134-640x828.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134-681x881.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000039134.jpg 1220w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Relatos de uma semana de vigílias e solidariedade.</p>
<div dir="auto" style="text-align: justify;"></div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;">Após a resistência popular que impediu o despejo arbitrário de um dos imóveis na sexta-feira, dia 21 de agosto, a Kasa Invisível intensificou sua agenda de atividades, recebendo inúmeros grupos e coletivos solidários ao espaço.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;">Foram eventos praticamente diários onde a comunidade movimentou e cuidou da Kasa com cafés da manhã todos os dias a partir das 6:30 da manhã, apresentações musicais, cinema na calçada, arte, passeios de bike, aula com alunos do curso de arquitetura, sarau e até corte de cabelo grátis!</div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;"></div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;">Podemos dizer que o coletivo gestor e toda nossa rede de apoio está surpresa com o tamanho e a diversidade das formas de apoio, presença e cuidado com o espaço que ocupamos e mantemos há 13 anos.</div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;"></div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;">Por mais de uma década, construímos um espaço aberto para a comunidade, que pode ser usado por qualquer pessoa, coletivo, sindicato, movimento ou grupo que compartilhe e respeite princípios básicos anticapitalistas, antifascistas, e contrários a toda forma de opressão (de raça, de gênero, transfobia, etc.) e com uma base apartidária e de independência em relação ao Estado e ao mercado.</div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;"></div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;">Se hoje contamos com uma comunidade inteira defendendo esse espaço e as vidas que o habitam, é porque estivemos lado a lado, ombro a ombro na abertura de dezenas de novas ocupações, em protestos, marchas, panfletagens, distribuição de marmitas e recursos, jornadas de luta, festivais, mutirões, vigílias, almoços, plantios, oficinas, debates e todo tipo de agitação cujo objetivo é melhorar a vida das pessoas oprimidas e excluídas. Mantendo, em cada passo, a perspectiva de que a vitória de uma vida livre e próspera para todas só é possível com o fim do capitalismo e toda forma de opressão estatal.</div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;"></div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto" style="text-align: justify;">Agradecemos a todos os movimentos, grupos e indivíduos que somaram nessa primeira semana de luta para manter a Kasa Invisível de pé. Segue uma breve lista do que rolou essa semana. Se esquecemos algo, pode nos lembrar &#8211; é muita coisa para lembrar, e no meio da luta, é capaz de perdermos algum detalhe.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto"><a href="https://www.instagram.com/p/Dc39J25IB4Q/?igsi=MXg3MHJlaDl3MjI0bQ==">https://www.instagram.com/p/Dc39J25IB4Q/?igsi=MXg3MHJlaDl3MjI0bQ==</a></div>
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		<title>Juruna, presente!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2026 22:40:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Ocupações]]></category>
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					<description><![CDATA[A participação de Juruna é parte de uma história não contada sobre as origens do MTST]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Zé da Mata, Soraia Soriano, João Nélio, Paulinho Albuquerque, Lúcia Albuquerque</h3>
<p style="text-align: justify;">Hoje tivemos a notícia do falecimento de um grande camarada e amigo João Carlota, mais conhecido como Juruna. O João foi metalúrgico trabalhador da MAB em Campinas-SP e, quando o conhecemos, em 1996, era dirigente do Sindicato dos Metalúrgico de Campinas. Um grupo de militantes do MST realizava um trabalho de base com objetivo de ocupar terras para reforma Agrária no estado de São Paulo e o Juruna era o militante que assumiu a responsabilidade de articular cotidianamente a luta sindical com as lutas dos movimentos sociais. O companheiro teve uma contribuição muito importante na construção do movimento dos trabalhadores sem teto neste mesmo ano de 1996. Durante o trabalho de base para as ocupações de terras, os militantes do MST, com apoio e participação de Juruna, experimentaram de perto o surgimento várias ocupações urbanas por moradia na região. E é neste contexto que surge o MTST. Um coletivo de militantes de várias vertentes, do movimento sindical e também do MST, se somou para a contrução de mais um importante movimento social em nosso país. Foi um período em que para algumas direções sindicais, a luta do sindicato extravasa os limites da defesa corporativa da categoria, construindo no dia a dia as lutas dos trabalhadores em diversas frentes, articulando a luta sindical, a luta pela terra, luta por moradia e movimentos de bairro das periferias urbanas. A participação de Juruna é parte de uma história não contada sobre as origens do MTST, ou ao menos não relatada com o rigor histórico que merece. Desejamos homenajear esse companheiro, reconhecer sua importância histórica nas lutas sociais e lembrar dos momentos felizes que tivemos ao partilhar sua amizade. Apesar dos momentos difíceis das lutas, também nos divertíamos muito com ele. Esperamos que seus familiares e amigos fiquem firmes nesse momento triste para todos nós e possam se reconfortar com as boas lembranças e imoprtantes realizações que ele nos deixou. Juruna presente, na luta sempre! <img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-159686" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-23-at-14.48.03.jpeg" alt="" width="738" height="1600" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-23-at-14.48.03.jpeg 738w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-23-at-14.48.03-138x300.jpeg 138w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-23-at-14.48.03-472x1024.jpeg 472w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-23-at-14.48.03-708x1536.jpeg 708w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-23-at-14.48.03-194x420.jpeg 194w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-23-at-14.48.03-640x1388.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-23-at-14.48.03-681x1476.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 738px) 100vw, 738px" /></p>
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