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	<title>Noticiar &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
	<lastBuildDate>Fri, 22 May 2026 00:07:55 +0000</lastBuildDate>
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		<title>[Greve na USP] Aos que não foram chamados à mesa: um manifesto em defesa da permanência, mobilização e luta estudantil</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/05/159199/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 19:28:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao negar a legitimidade das reivindicações por melhores condições de permanência, a USP nega-se uma vez mais o reconhecimento dos estudantes como parte do corpo político da universidade. Por ex-alunos e alunos da FAUUSP]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por ex-alunos e alunos da FAUUSP</h3>
<p style="text-align: justify;">Parece consensual que, dentro e fora dos muros da universidade, vivemos um momento crítico. Em momentos como este, palavras de ordem das mais distintas vêm de todos os lados, algumas sendo repetidas regularmente: diálogo, pluralidade, democracia… Palavras que, ao não se assentarem em ações concretas, tampouco no reconhecimento do outro como sujeito de igual estatuto político, ficam soltas no vazio e, mais do que isso, voltam-se como condenação àqueles que não possuem outra opção senão agir.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta nota, escrita por ex-alunos e alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAUUSP), membros de gestões recentes do Grêmio desta faculdade (<strong>gfaud</strong>), nos colocamos em apoio e solidariedade aos estudantes brutalmente agredidos pela Polícia Militar na madrugada de 10 de Maio <strong>[1]</strong><sup><strong> </strong></sup>e ao movimento grevista da Universidade de São Paulo. Em meio a posicionamentos institucionais de repúdio vindos dos mesmos que, dois dias atrás, condenaram as ações estudantis de modo a abrir caminho ao que ocorreu na madrugada deste domingo, é preciso colocar em evidência alguns dissensos que se escondem sob palavras vazias e conclamar uma verdadeira tomada de posição.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TAMBÉM SOMOS SUJEITOS POLÍTICOS</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A USP foi a última das grandes universidades a aderir ao sistema de cotas, implementando-as apenas nos vestibulares de 2017, permanecendo por mais de dez anos na contramão de um movimento nacional que vislumbrava universidades mais plurais, populares e democráticas. O elitismo acadêmico uspiano deu suas caras, mas foi a força do corpo estudantil, por meio de greves e ocupações, que conseguiu enfim começar a ruir os altos muros da universidade e abrir passagem para vivências historicamente apartadas do reduto acadêmico.</p>
<p style="text-align: justify;">Ocorre que, das cotas para cá, a universidade se diversificou, escutam-se novas linguagens e outros corpos são vistos ocupando os espaços. Esses novos estudantes, que vêm de todos os cantos do país, decidiram que não querem apenas adentrar a USP, querem transformá-la. Queremos permanecer e disputar também os rumos deste que é mais um dos espaços de formação política de nossa sociedade, a fim não de constituir outra elite intelectual, mas sim uma outra relação entre academia e sociedade que seja parte de uma transformação mais ampla.</p>
<p style="text-align: justify;">“Seja qual for a sua história, sua trajetória ou seu jeito de ser, a USP tem espaço para você!” foi uma das frases da campanha institucional de recepção dos calouros de 2026. Em 2024, o espaço concedido pela USP a 51 estudantes para se alojarem, às vésperas do início das aulas, foi um acampamento provisório instalado sob as arquibancadas do Centro de Práticas Esportivas <strong>[2]</strong>. Esse é apenas um entre os diversos desafios relativos à permanência dos novos estudantes, mas evidencia as condições precárias da habitação estudantil, bem como a difícil realidade enfrentada pelos estudantes para viver em São Paulo com políticas de permanência insuficientes.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a permanência estudantil extrapola as políticas afirmativas e as políticas de assistência, ambas sabidamente limitadas. A vida universitária demanda o reconhecimento dos pares. Entretanto, a relação entre discentes e docentes muitas vezes esbarra em abusos fundados na deslegitimação das novas vozes. Estes ocorrem de forma direta, a partir de humilhações e assédios constantemente denunciados &#8211; mas que raramente têm resolução diante de uma burocracia hierarquizada -, e também indireta, pelo desdém e indiferença para com as novas vozes que não compartilham do repertório dito imprescindível, da mesma formação elitizada, do mesmo referencial-teórico europeu.</p>
<p style="text-align: justify;">Permanecer só é possível quando nos reconhecemos no espaço em que estamos inseridos. Este reconhecimento não ocorre pois não nos vemos ao entrarmos em salas de aula cujos currículos invisibilizam vivências distintas daquela compartilhada entre professores de maioria branca, representantes de elites intelectuais e culturais, quase sempre de São Paulo. Não queremos aqui advogar por uma representatividade vazia, mas reiterar que os corpos historicamente apartados da universidade carregam consigo outros repertórios e subjetividades frente aqueles cristalizados pela academia. Nosso reconhecimento não ocorre porque os espaços de socialização, interlocução e mobilização que conquistamos têm sido reiteradamente atacados e, em muitos casos recentes, cerceados e tomados. Não ocorre porque nossas mobilizações por pautas justas, como a melhoria das políticas de permanência, o aumento do número de professores, a implementação de cotas para os concursos de docentes, isto é, pautas que visam transformar a universidade em uma instituição realmente mais plural, têm sido deslegitimadas pelo corpo docente que alça o controle da burocracia. Parece que a tão celebrada democratização da universidade encontrou seu teto.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meio às mobilizações por uma universidade radicalmente múltipla, emergem vozes ditas progressistas a anunciarem que os estudantes estão sendo manipulados, que utilizam de táticas violentas, ou a reivindicar uma ilusória “neutralidade institucional”, uma miragem mobilizada para deslegitimar vozes que buscam o reconhecimento de suas angústias, demandas e desejos para a USP. Tal neutralidade é inexistente pois trata-se de um discurso que visa a conservação do espaço e da hierarquia que mantém o poder de um grupo que não mais representa a multiplicidade que compõe a universidade e não reconhece as novas vozes que aqui emergem <strong>[3]</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A greve presente, assim como mobilizações anteriores, clama pelo reconhecimento de que as pautas do corpo estudantil são legítimas, assim como deveriam ser legítimas nossas vozes e referenciais. Que também somos e, mesmo que sem reconhecimento, continuaremos a ser sujeitos políticos que constroem essa universidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SOBRE AS ATUAIS MOBILIZAÇÕES</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A atual greve estudantil se iniciou no interior de um ciclo de luta diante da precariedade de condições de trabalho e estudo no ambiente universitário e da escalada contínua de políticas de cunho neoliberal, como a “bonificação” por “projetos” ofertada pela reitoria aos docentes como falso aumento salarial. As políticas de permanência sequer foram incluídas na discussão orçamentária e, para além disso, os estudantes ainda tiveram os espaços sob sua autonomia ameaçados. Alguns aspectos das movimentações recentes merecem destaque.</p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, é preciso mais uma vez dizer: os espaços estudantis estão sob ataque! No processo que deu início à greve, fomos surpreendidos com a apresentação de uma minuta <strong>[4]</strong><sup><strong> </strong></sup>referente aos espaços estudantis, pela sua suposta regularização. Estes se constituem como os poucos espaços dentro da universidade em que temos algum grau de autonomia, condição necessária para a atuação dessas entidades estudantis e os únicos lugares nos quais podemos nos mobilizar e termos nossas vozes amplamente reconhecidas. Neles, em diálogo uns com os outros, é onde podemos ter nossas histórias, medos e desejos reconhecidos como legítimos, e é onde podemos discuti-los coletivamente. Nunca há consenso, mas é justamente a partir do dissenso que temos construído nossa mobilização. Não há neutralidade, tampouco concordância inabalável, quando estamos em um grupo diverso que é capaz de legitimar vozes plurais.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe aqui também destacar o que essa minuta significa, especialmente se colocarmos em perspectiva a série de medidas institucionais recentes de cerceamento de espaços estudantis, aumento de dispositivos de vigilância e da militarização nos campi. A diminuição de sua importância, como foi feito por parte dos docentes frente à possibilidade de que esses conflitos pudessem ser resolvidos dentro das unidades, entre diretoria e centros acadêmicos, serve única e exclusivamente para dissuadir a mobilização estudantil em torno desta pauta. Além disso, é ofensivo ignorar que esse aparente consenso esconde que a minuta retira autonomia e abre margem para a total tomada do espaço no futuro. Mais que isso, o não reconhecimento público da gestão estudantil faz dela dependente de acordos com a diretoria das unidades e a reitoria desta Universidade e, portanto, condiciona a autonomia estudantil ao aval do corpo diretivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já com o acirramento das mobilizações, na busca por negociações, o corpo estudantil recebeu negativas em relação ao diálogo supostamente defendido pela reitoria. Inicialmente, pela sua recusa à participação nas mesas de negociação e, depois, pelo encerramento unilateral destas &#8211; estopim que levou o movimento estudantil à ocupação da reitoria, cujo objetivo era a retomada das negociações. Destacamos que, assim como na última greve geral em 2023, a ocupação de espaços foi utilizada como último recurso, sempre em resposta ao encerramento do diálogo por parte do gabinete do reitor. A resposta oferecida aos estudantes é brutal e covarde, pois respalda a violência policial no cerceamento da ocupação. Como vemos, o suposto diálogo parece iluminar apenas as salas de decisão, estas trancadas aos estudantes, cabendo-lhes apenas a tratativa com a PM. No fundo, a ocupação escandaliza não porque seja violenta (pois não foi), mas porque interrompe a coreografia elegante da omissão: expõe que o “diálogo” celebrado pela burocracia universitária é muitas vezes apenas o nome polido que se dá à obediência.</p>
<p style="text-align: justify;">Na tarde do dia 10 de Maio, a mesma reitoria que encerrou as negociações com o corpo estudantil publicou uma nota informando que não houve notificação da ação policial que reprimiu violentamente os estudantes que ocupavam o prédio administrativo. Mesmo sem notificação à reitoria, a ação truculenta parecia respaldada pela administração da USP. Isso porque o cerceamento policial foi permitido, legitimando a ameaça constante de uso da violência. Foi legitimada em cada uma das notas de repúdio que condenaram a ocupação da reitoria pelo dano causado ao patrimônio público, como se o ínfimo dano material desqualificasse, mais uma vez, toda e qualquer tentativa de diálogo com aqueles que possuem demandas, medos e desejos distintos da alta burocracia uspiana.</p>
<p style="text-align: justify;">É comovente observar a sofisticação moral da nossa universidade: cita democracia em solenidades, pluralidade em campanhas institucionais, pensamento crítico em projetos pedagógicos — mas quando estudantes pobres, cotistas, trabalhadores e filhos das periferias do Brasil ousam pôr em prática exatamente este pensamento crítico e se organizar em busca de uma nova universidade, acabam acusados de desrespeitar a democracia e a instituição. A omissão, anuência com o discurso criminalizante e deslegitimação da luta perpetrada pelo próprio quadro diretivo das unidades abre caminho para ações como a que a PM realizou na madrugada do dia 10 de Maio. A universidade que diz formar cidadãos parece preferir súditos bem-comportados; aceita a diversidade desde que muda, incentiva a presença dos novos corpos desde que estes não alterem a decoração da sala, prega a inclusão desde que esta não toque na hierarquia real que organiza quem fala, quem decide e quem apenas agradece pela oportunidade de estar ali.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre as falas que diziam-se preocupadas com o desmonte e os ataques à universidade pública, observamos posições passivas, como tem sido nos últimos anos. A universidade pública tem, sim, sido desmontada e atacada reiteradamente. Os estudantes têm sido sempre a linha de frente nesta luta: somos nós que sofremos os assédios e agressões dos fascistas que recorrentemente causam perturbações na rotina uspiana; somos nós que denunciamos reiteradamente a destruição da infraestrutura universitária, clara na situação corrente dos bandejões, do transporte público que atende os campi, das partições da USP que desidratam com a ausência de servidores suficientes. Fomos nós que, em 2022 e em 2023, nos mobilizamos pelo aumento do número de docentes e pela implementação de cotas nos concursos, pauta que afeta diretamente o pleno funcionamento da universidade e frente a qual esta categoria se manteve amplamente passiva até aquele momento. A preocupação verbalizada pelos docentes com estas questões, embora possamos crer como verdadeira, não foi acompanhada de um conjunto concreto de ações enquanto o movimento estudantil não tensionou esse debate, pressionando diretamente a categoria. E se hoje podemos celebrar a realização de concursos para docentes com reserva de vagas PPI, e também a chegada dos primeiros docentes negros a unidades como a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design, é porque houve reconhecimento, entre os docentes, da legitimidade pautada pelo corpo estudantil.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe destacar que a categoria docente concentra a maior parte do poder político-institucional dentro da universidade. Embora sujeitos a fatores externos, bem sabemos, são os professores que tomam as principais decisões sobre os rumos da USP. Hoje observamos este poder ser usado muito mais para rechaçar estudantes que se engajam na luta por uma universidade plural do que, de fato, para construí-la participativamente. A coragem de estudantes que colocaram em risco sua própria segurança física, psicológica e jurídica para construir o ideal de universidade que deveria ser um sonho coletivo foi reiteradamente deslegitimada. Sem a construção imagética de que a ocupação representava uma escalada da violência e uma ameaça ao patrimônio público, a desocupação imposta pela polícia seria um desfecho descolado do processo que nos trouxe até aqui. Seria expressão de ataques vindos de forças externas, mas não é esse o caso. A gravidade deste fato é acentuada quando lembramos que, há quinze anos, na última vez em que a reitoria foi ocupada e tal violência empregada, os estudantes lutavam por uma pauta de caráter ideológico (que permanece justiçada agora): a retirada da Polícia Militar do campus. Em contraste, hoje os estudantes lutam por algo muito mais básico: o reconhecimento de que fazem parte desta universidade, que terão a dignidade de se alimentar sem medo de ingerir comida estragada e contaminada; de fugir da humilhação e sofrimento impostos pela ausência de recursos mínimos para manter o sonho de se formar na USP. É esta a raiz da nossa revolta e é contra esses ideais tão mínimos que a universidade emprega a violência.</p>
<p style="text-align: justify;">Não podemos deixar de indicar mais uma vez que ao negar a legitimidade das reivindicações por melhores condições de permanência, nega-se uma vez mais o reconhecimento dos estudantes como parte do corpo político da universidade. Rejeitar o diálogo com aqueles que vivenciam a precariedade habitacional do CRUSP e que dependem dos bandejões e do auxílio permanência para viver em São Paulo é dizer que o que existe é suficiente, que não há perspectiva de futuro com plena inclusão dessas novas vozes na academia. É reiterar que somos bem-vindos quando não ameaçamos tensionar a estabilidade da estrutura universitária, este castelo construído para manter-nos fora. Somos bem-vindos quando despidos de nossos próprios repertórios e desejos, quando amoldados às preexistências que deseja-se conservar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TOMEMOS POSIÇÃO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isto posto, fica claro que vivemos um momento histórico e crítico. Daqui, escolhemos o caminho que, inevitavelmente, trilharemos juntos como parte da Universidade de São Paulo. Entendemos que este precisa estar conectado com as lutas dos que vieram antes, constituindo-se como um movimento histórico que vai além dos muros da nossa universidade, se assentando, portanto, em lutas comuns que visam a construção de novos horizontes políticos contrários a quaisquer hierarquias sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma universidade que preserva memoriais contra a ditadura enquanto autoriza, normaliza ou relativiza métodos que carregam precisamente sua sombra histórica. O DCE Livre carrega o nome de Alexandre Vannucchi Leme não como ornamento nostálgico, mas como lembrete incômodo de que a repressão ao movimento estudantil nunca foi um acidente externo à vida universitária; ela sempre foi o teste decisivo de seus princípios. E hoje o teste retorna. Quem fala em pluralismo, mas se cala diante da polícia dentro da universidade, defende apenas o pluralismo dos que já têm cadeira, sala, título e estabilidade. Quem condena a quebra de vidros com mais energia do que a quebra de corpos revela, sem querer, sua verdadeira pedagogia: patrimônio acima de gente, ordem acima de justiça, reputação institucional acima da dignidade estudantil e humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Os ares fascistas que pairam sobre o Governo do Estado de São Paulo só poderão ser enfrentados no ambiente universitário se os dissensos próprios da pluralidade dos corpos que compõem nossa academia construírem espaços capazes de ouvir as diversas vozes que hoje nos constituem. Talvez assim, estudantes, professores, funcionários e todos os outros interessados na construção de uma nova universidade encontrem caminhos comuns que visam o enfrentamento dos tempos sombrios que nos espreitam.</p>
<p style="text-align: justify;">Da parte dos estudantes está colocada nossa luta irrestrita contra o projeto de destruição do ensino público de qualidade. Dos funcionários, como suas posições e atuações recentes deixam claras, também. É hora que o corpo docente, por sua vez, assuma também uma posição clara, que esteja posta numa manifestação pública, mas também e principalmente em ações concretas que movam a política interna desta universidade no sentido da reconstrução e do fortalecimento da mesma, e das relações entre as categorias que a compõe. Assim, poderemos juntos avançar no diálogo, na democratização e até mesmo num verdadeiro pluralismo universitário.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ASSINAM ESTE MANIFESTO:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Allan Pedro dos Santos Silva &#8211; gfaud 2021/ 2023</p>
<p style="text-align: justify;">Ana Pacheco &#8211; gfaud 2021/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Bárbara Carneiro &#8211; gfaud 2019/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Breno Terra &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Camila Rosado &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe Leonidas &#8211; gfaud 2020/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Gabrielle Gusmão &#8211; gfaud 2019/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Helena Nakamura gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Henrique Munhoz Clesca &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">João Generoso &#8211; gfaud 2018/2019</p>
<p style="text-align: justify;">João Iwamoto &#8211; gfaud 2024/2026 Ketlyn Caroline Gonçalves &#8211; gfaud 2018/2019</p>
<p style="text-align: justify;">Larissa Hiratsuka &#8211; gfaud 2017/2018</p>
<p style="text-align: justify;">Lucas Lopes &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Luciana Salvarani &#8211; gfaud 2022/2025</p>
<p style="text-align: justify;">Matheus Martins &#8211; gfaud 2021/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Miguel Fiorelli &#8211; gfaud 2021/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Nicolas Sarracino &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Paulo Tadashi &#8211; gfaud 2018/2019</p>
<p style="text-align: justify;">Patrick Corrêa &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Rafael Kim &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Raphael Ramos &#8211; gfaud 2024/2025</p>
<p style="text-align: justify;">Rodolfo Sydow &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Yu Weibin &#8211; gfaud 2022/2023</p>
<p style="text-align: justify;">Roberto Shimoda &#8211; gfaud 2017/2018</p>
<p style="text-align: justify;">Horrana Porfirio Soares &#8211; gfaud 2015/2016</p>
<p style="text-align: justify;">Hudynne Helena Guimarães Lima &#8211; gfaud 2015/2017</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1] </strong>Ver em: <a class="urlextern" title="https://www.brasildefato.com.br/2026/05/07/estudantes-da-usp-em-greve-ocupam-reitoria/" href="https://www.brasildefato.com.br/2026/05/07/estudantes-da-usp-em-greve-ocupam-reitoria/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.brasildefato.com.br/2026/05/07/estudantes-da-usp-em-greve-ocupam-reitoria/</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2] </strong>Ver em: <a class="urlextern" title="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/04/a-espera-de-moradia-alunos-da-usp-vivem-debaixo-de-arquibancada-de-estadio.shtml" href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/04/a-espera-de-moradia-alunos-da-usp-vivem-debaixo-de-arquibancada-de-estadio.shtml" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/04/a-espera-de-moradia-alunos-da-usp-vivem-debaixo-de-arquibancada-de-estadio.shtml</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3] </strong>Destacamos o posicionamento de um grande número de docentes de universidades federais e estaduais contra as vozes conservadoras que se disfarçam sob esta suposta neutralidade, exposto no texto <a class="urlextern" title="https://pluralismoencarnado.com/" href="https://pluralismoencarnado.com/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“Em defesa do pluralismo encarnado”</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[4]</strong> Ver em: <a class="urlextern" title="https://iclnoticias.com.br/usp-restringir-comercio-contas-estudantis/" href="https://iclnoticias.com.br/usp-restringir-comercio-contas-estudantis/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://iclnoticias.com.br/usp-restringir-comercio-contas-estudantis/</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A armadilha do desarmamento em Gaza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 14:38:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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					<description><![CDATA[ Os ataques contínuos de Israel e as restrições à ajuda humanitária transformaram o cessar-fogo em uma farsa. Agora, Israel condiciona a retirada do cessar-fogo à entrega total das armas do Hamas. Por Muhammad Shehada ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Muhammad Shehada</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Em um prédio de vários andares bombardeado no bairro de Tal Al-Hawa, na Cidade de Gaza, meu amigo Anas, sua esposa e sua filha de 3 anos estão abrigados em um apartamento no primeiro andar, sem portas nem janelas. A maioria das paredes desabou total ou parcialmente, assim como grande parte do teto da sala de estar. No centro do andar, há um buraco profundo aberto por uma bomba israelense de 900 kg que não explodiu.</p>
<p style="text-align: justify;">O prédio está crivado de balas. Os dois últimos andares foram repetidamente bombardeados e alvejados por tanques e drones israelenses, e o térreo foi quase completamente destruído. A escada não liga mais aos três andares superiores, deixando o prédio em risco de desabar a qualquer momento. Por enquanto, ele permanece de pé em meio a um mar de prédios totalmente arrasados.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há eletricidade, água encanada, esgoto ou banheiros em funcionamento. À noite, Anas dorme com um olho aberto para ficar de olho em ratos e camundongos que possam morder sua filha. Moscas, mosquitos e baratas também infestam o prédio, fazendo ninhos nas tubulações de esgoto destruídas e sob a vasta quantidade de entulho. Durante o dia, Anas e sua esposa passam o tempo procurando trabalho ou ajuda humanitária; seus sucessos são dolorosamente raros e mal dão para mantê-los vivos.</p>
<p style="text-align: justify;">O dia todo eles são atormentados pelo zumbido incessante de drones israelenses sobrevoando suas cabeças, <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/drones-grenades-gaza-chinese-autel/" href="https://www.972mag.com/drones-grenades-gaza-chinese-autel/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">prontos para atirar para matar</a>, bem como pelos sons de explosões, metralhadoras e demolições que ocorrem atrás da <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/gaza-yellow-line-expanding-israel/" href="https://www.972mag.com/gaza-yellow-line-expanding-israel/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“Linha Amarela”</a> — a <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/gaza-yellow-line-expanding-israel/" href="https://www.972mag.com/gaza-yellow-line-expanding-israel/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">fronteira em expansão</a> que marca a ocupação direta de Israel de mais da metade do território de Gaza, que está sendo <a class="urlextern" title="https://www.aljazeera.com/news/2025/12/15/israel-demolishes-more-buildings-in-military-controlled-gaza-analysis" href="https://www.aljazeera.com/news/2025/12/15/israel-demolishes-more-buildings-in-military-controlled-gaza-analysis" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">sistematicamente arrasado</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é, na verdade, a vida de uma das famílias mais afortunadas de Gaza, pois pelo menos eles têm um teto sobre suas cabeças. Mais de seis meses após a assinatura do chamado “cessar-fogo”, a maioria dos palestinos na Faixa ainda vive em frágeis barracas de plástico que <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/photos-rainstorm-khan-younis-tents/" href="https://www.972mag.com/photos-rainstorm-khan-younis-tents/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">alagam quando chove</a>, retêm o calor sufocante quando o sol brilha forte demais e correm o risco de serem levadas por ventos moderados.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159163" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1.jpg" alt="Armadilha do desarmamento" width="2569" height="807" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-300x94.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-1024x322.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-768x241.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-1536x482.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-2048x643.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-1337x420.jpg 1337w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-640x201.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-681x214.jpg 681w" sizes="(max-width: 2569px) 100vw, 2569px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Meus amigos, familiares e colegas no terreno têm se mostrado dispostos a suportar essa situação, contanto que acreditem que seja um sofrimento temporário no caminho para um futuro melhor. No entanto, eles estão cada vez mais internalizando a triste realidade de que <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/podcast-israel-emptied-half-of-gaza-whats-next/" href="https://www.972mag.com/podcast-israel-emptied-half-of-gaza-whats-next/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">não há fim à vista</a> para as condições deliberadamente insuportáveis ​​que Israel impôs a Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a guerra entre EUA e Israel contra o Irã consumindo a atenção da mídia global e a energia diplomática, e <a class="urlextern" title="https://www.reuters.com/world/middle-east/trumps-gaza-plan-hold-iran-war-pauses-disarmament-talks-sources-say-2026-03-09/" href="https://www.reuters.com/world/middle-east/trumps-gaza-plan-hold-iran-war-pauses-disarmament-talks-sources-say-2026-03-09/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">efetivamente paralisando</a> o “plano de paz para Gaza” do presidente Trump, o enclave sitiado foi praticamente removido da agenda mundial — despriorizado por governos ocidentais e regionais e raramente mencionado na grande mídia. Mas, nos bastidores, as negociações sobre o desarmamento do Hamas continuaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Tanto o governo israelense quanto o governo Trump têm apresentado consistentemente essa questão como o principal obstáculo para qualquer retirada israelense, obscurecendo o fato de que Israel mesmo não cumpriu seus principais compromissos sob o acordo. E, nas últimas semanas, o homem encarregado de supervisionar o processo de desarmamento fez novas exigências ao Hamas, alinhadas a Israel, que parecem ter sido elaboradas para serem impossíveis de serem aceitas, sabotando deliberadamente o cessar-fogo e permitindo que Israel continue seu genocídio sem impedimentos.</p>
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<h3 style="text-align: justify;">De promessas quebradas ao desarmamento total</h3>
<p style="text-align: justify;">Na primeira fase do cessar-fogo, o Hamas concordou em libertar todos os reféns israelenses restantes em troca da libertação dos prisioneiros palestinos, da retirada das forças israelenses para a Linha Amarela e do fim imediato de “todas as operações militares”.</p>
<p style="text-align: justify;">Após isso, Israel deveria facilitar a entrada em Gaza de uma Força Internacional de Estabilização (FIE) e do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), um mínimo de 600 caminhões de ajuda humanitária por dia e 200.000 tendas, juntamente com 60.000 moradias temporárias. A partir daí, as negociações para a segunda fase do cessar-fogo — que inclui novas retiradas israelenses e o desarmamento do Hamas — deveriam começar.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, seis meses depois, Israel ainda não cumpriu sua parte do acordo.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início do cessar-fogo, o exército israelense matou <a class="urlextern" title="https://www.msf.org/not-ceasefire-life-gaza-continues-be-suffocated-six-months#:~:text=As%20of%208%20April%202026%2C%20at%20least,ceasefire%20on%2010%20October%2C%20according%20to%20Gaza's" href="https://www.msf.org/not-ceasefire-life-gaza-continues-be-suffocated-six-months#:~:text=As%20of%208%20April%202026%2C%20at%20least,ceasefire%20on%2010%20October%2C%20according%20to%20Gaza's" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">mais de 750</a> palestinos; continuou a <a class="urlextern" title="https://www.haaretz.com/gaza/2026-03-19/ty-article/.premium/humanitarian-aid-trucks-entering-gaza-falls-80-percent-as-food-prices-surge/0000019d-0251-df92-a9df-ebd16eda0000" href="https://www.haaretz.com/gaza/2026-03-19/ty-article/.premium/humanitarian-aid-trucks-entering-gaza-falls-80-percent-as-food-prices-surge/0000019d-0251-df92-a9df-ebd16eda0000" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">restringir o fluxo</a> de ajuda humanitária; bombardeou Gaza por terra, ar e mar; impediu a entrada do CNAG; e recusou-se a permitir a entrada de moradias temporárias. E limitou até mesmo a entrada de tendas sob o pretexto ridículo de que o Hamas poderia reciclar a pequena quantidade de alumínio para produzir armas, apesar da própria inteligência israelense <a class="urlextern" title="https://www.mako.co.il/news-military/be11d799e08b8910/Article-2c24821e8a1da91026.htm" href="https://www.mako.co.il/news-military/be11d799e08b8910/Article-2c24821e8a1da91026.htm" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">demonstrar</a> que o Hamas não está se rearmando. (Israel também tem permitido a entrada de alimentos enlatados em Gaza, que o Hamas poderia igualmente reciclar para produzir armas, se quisesse).</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, em meio à fumaça da guerra com o Irã, Israel está propondo um truque simples: uma proposta maximalista para o desarmamento total e unilateral do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza — sem garantias ou prazo para a retirada israelense, e sem a qual não haveria reconstrução no enclave. Agora, essa se tornou a exigência oficial do homem encarregado das negociações.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta foi entregue ao Hamas no Cairo, em meados de março, por Nickolay Mladenov, diretor-geral do Conselho de Paz do presidente Donald Trump e seu Alto Representante para Gaza. O Hamas conhece Mladenov há mais de uma década, desde sua atuação como Coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio entre 2015 e 2020, e se encontrava com ele regularmente durante suas visitas a Gaza para tentar reduzir as tensões com Israel. Desta vez, porém, os líderes do Hamas ficaram chocados com sua conduta.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hamas e outras facções palestinas (incluindo a Jihad Islâmica Palestina, a Frente Democrática para a Libertação da Palestina e a Frente Popular para a Libertação da Palestina) foram convidados para uma reunião em 14 de março com mediadores egípcios e catarianos sem serem informados da presença de Mladenov. Segundo um líder do Hamas presente na reunião, que falou sob condição de anonimato, eles só foram informados após chegarem à sala de reuniões.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-159169 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2.jpeg" alt="Armadilha do desarmamento" width="1500" height="1250" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2.jpeg 1500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-300x250.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-1024x853.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-768x640.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-504x420.jpeg 504w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-640x533.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-681x568.jpeg 681w" sizes="(max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O líder do Hamas afirmou que Mladenov não se comportou da maneira que o grupo esperava, como diplomata da ONU. Falando com um tom condescendente, disse a fonte, ele apresentou um ultimato para que todas as facções palestinas em Gaza aceitassem o desarmamento total, tanto de armas pesadas quanto leves, sob pena de uma retomada da ofensiva israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele fez a proposta oralmente, em vez de por escrito, e exigiu uma resposta imediata. As facções palestinas pediram mais tempo para consultas internas, e ele concedeu uma semana. Mladenov, que preside o Conselho Nacional de Segurança da Faixa de Gaza (NCAG), deixou claro que não permitiria a entrada do órgão administrativo em Gaza até que as facções armadas palestinas concordassem com sua iniciativa.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta de Mladenov, cuja cópia (anotada por mediadores) foi analisada pela revista +972, reescreve completamente o plano de Trump. O cronograma da proposta condiciona a suspensão dos ataques israelenses a Gaza à aceitação, pelo Hamas e outras facções palestinas, do princípio do desarmamento total. Da mesma forma, Mladenov tornou a aceitação do desarmamento total um pré-requisito para a entrada em Gaza tanto das Forças Internacionais de Estabilização (FIE) quanto do NCAG, bem como de quaisquer instalações temporárias.</p>
<p style="text-align: justify;">O plano também estipula o desarmamento total de armas pesadas e leves, e o desmantelamento completo de túneis ou outras infraestruturas militantes nos 58% de Gaza atualmente controlados pelos militares israelenses, dentro de 60 dias. Exige que o Hamas e outras facções forneçam todas as informações sobre a localização de sua infraestrutura nessas áreas, tudo isso sem qualquer retirada israelense ou mobilização das FIE. Durante esses 60 dias, as facções palestinas também são obrigadas a cessar todas as atividades militares, incluindo desfiles.</p>
<p style="text-align: justify;">Do 30º ao 90º dia, a Faixa de Gaza Ocidental, atualmente controlada pelo Hamas, também seria “limpa” de todas as armas “pesadas”. As facções palestinas teriam que entregar todos os seus foguetes, fuzis e dispositivos explosivos ao NCAG e permitir a destruição completa de todos os túneis e infraestrutura militares — novamente, sem qualquer retirada israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante as negociações que antecederam o cessar-fogo de outubro, mediadores americanos e árabes distinguiram entre “armas ofensivas”, que representam uma ameaça a Israel, como foguetes ou túneis que cruzam para o território israelense, e “armas defensivas”, como armas de fogo que poderiam ser usadas para repelir uma invasão israelense, mas não para atacar Israel de dentro da Faixa de Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta de Mladenov introduziu os termos “armas pesadas” e “armas pessoais”. Todas as armas “pesadas” — incluindo até mesmo AK-47 e Kalashnikovs — teriam que ser entregues até o 90º dia, enquanto o exército israelense ainda controla 58% de Gaza e poderia invadir grande parte do restante em minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Do dia 91 ao 250, as forças de segurança do NCAG registrariam e recolheriam todas as “armas pessoais”, e somente após uma comissão de investigação verificar que Gaza está completamente livre de quaisquer armas — um processo bastante complexo — Israel faria uma retirada limitada e “gradual” ao longo de um período indefinido até a “Linha Vermelha”, que ainda lhe manteria o controle de cerca de 38% de Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">A remoção de escombros e a reconstrução, segundo a proposta de Mladenov, só começariam no dia 251. A partir desse dia, Israel começaria a se retirar em direção a um “perímetro de segurança” que lhe manteria o controle de 20% de Gaza, incluindo grande parte das terras agrícolas do enclave. Israel permaneceria lá indefinidamente até que “Gaza esteja devidamente segura contra qualquer ressurgimento da ameaça terrorista”, uma frase indefinida que poderia incluir a “desradicalização” como pré-requisito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: justify;">Uma fórmula para o controle permanente</h3>
<p style="text-align: justify;">As facções palestinas ficaram indignadas com a proposta de Mladenov. Algumas disseram aos mediadores que preferiam não negociar com ele em futuras conversas, argumentando que ele estava “ultrapassando os limites” de seu papel como coordenador entre o NCAG e o Conselho de Paz, segundo uma fonte do Hamas. Em uma publicação no X, o alto funcionário do Hamas, Basem Naim, <a class="urlextern" title="https://x.com/DrNaimbasem/status/2036875311149674944" href="https://x.com/DrNaimbasem/status/2036875311149674944" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">descreveu Mladenov</a> como “mais realista que o rei” (referindo-se ao fato de ele ter adotado completamente a posição de Israel) e o acusou de “querer atingir seus próprios objetivos às custas do nosso povo e de seus direitos legítimos, para agradar aos americanos e israelenses”.</p>
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<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-159178 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54.png" alt="Armadilhas do desarmamento" width="781" height="643" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54.png 781w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-300x247.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-768x632.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-510x420.png 510w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-640x527.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-681x561.png 681w" sizes="(max-width: 781px) 100vw, 781px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Dois líderes do Hamas, que falaram sob condição de anonimato, me disseram que consideram essa proposta “catastrófica” e uma manobra de Netanyahu para retomar a guerra ou manter Gaza sob impasse. Assim, após receber uma prorrogação do ultimato inicial de uma semana, o Hamas apresentou sua resposta a Mladenov em meados de abril: antes de qualquer passo em direção ao desarmamento, <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/gaza-ceasefire-netanyahu-sabotage-ncag/" href="https://www.972mag.com/gaza-ceasefire-netanyahu-sabotage-ncag/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Israel deve primeiro cumprir todas as suas obrigações</a> da primeira fase do acordo de cessar-fogo.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hamas e outras facções palestinas alegam que, se concordassem com o plano de Mladenov, simplesmente facilitariam o plano de Israel de completar seu genocídio. Incluir fuzis na primeira fase do desarmamento significa que as facções palestinas seriam incapazes de organizar qualquer insurgência ou resistência; como um líder do Hamas me disse: “Se Netanyahu mudar de ideia amanhã por causa das eleições [próximas] e decidir expulsar as Forças Internacionais de Estabilização e retomar Gaza, ele poderá fazê-lo em menos de 10 minutos”.</p>
<p style="text-align: justify;">As facções palestinas também acreditam que desarmar Gaza enquanto as forças israelenses ainda ocupam grandes partes da Faixa incentivaria ainda mais o movimento de colonos israelenses e o governo de extrema-direita a começar a construir assentamentos nas áreas controladas pelos militares. Colonos armados poderiam então invadir qualquer parte de Gaza e lançar pogroms, <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/topic/settler-pogroms/" href="https://www.972mag.com/topic/settler-pogroms/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">como fazem quase diariamente na Cisjordânia</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Igualmente preocupante para as facções palestinas é o fato de o plano de Mladenov conceder o monopólio da violência em Gaza ao NCAG, em vez da Autoridade Palestina (AP) ou da Organização pela Libertação da Palestina (OLP). Isso significa que as forças de segurança no terreno responderiam a Mladenov e Trump, e não a qualquer órgão palestino.</p>
<p style="text-align: justify;">O Reino Unido, o Egito e a Arábia Saudita <a class="urlextern" title="https://www.reuters.com/world/uk/britain-pushes-northern-ireland-model-disarming-gaza-2025-10-14/" href="https://www.reuters.com/world/uk/britain-pushes-northern-ireland-model-disarming-gaza-2025-10-14/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">têm pressionado</a> para que o modelo da Irlanda do Norte seja a base para o descomissionamento — em vez do desarmamento propriamente dito — em Gaza. Lá, o descomissionamento significava que o Exército Republicano Irlandês (IRA) e a Força Voluntária do Ulster (UVF) não precisavam se render ou se desarmar como pré-requisito para a paz; em vez disso, eles guardavam suas armas em depósitos, seguindo uma política rigorosa de não usá-las ou exibi-las. As armas, então, serviam como garantia de que o Acordo da Sexta-Feira Santa de 1998 seria cumprido.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, em 2001, o IRA suspendeu seu processo de desarmamento, alegando que o governo britânico havia descumprido a promessa de retirar as tropas da Irlanda do Norte. O IRA só se desarmou em 2005 e a UVF em 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa sequência foi, na verdade, fundamental para o sucesso do processo. Como enfatizou posteriormente o ex-presidente irlandês Bertie Ahern, que supervisionou o desarmamento do IRA, “o descomissionamento acabou sendo encarado não como uma condição prévia para a participação nas negociações, mas como um resultado necessário”.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hamas, assim como o IRA, considera seu armamento a única garantia da retirada israelense de Gaza. O grupo já <a class="urlextern" title="https://www.skynewsarabia.com/live-story/1659732/65089-%D8%AD%D9%85%D8%A7%D8%B3-%D9%85%D8%B3%D8%AA%D8%B9%D8%AF%D9%88%D9%86-%D9%84%D9%85%D9%86%D8%A7%D9%82%D8%B3%D8%A9-%D8%AA%D8%AC%D9%85%D9%8A%D8%AF-%D8%AA%D8%AE%D8%B2%D9%8A%D9%86-%D8%A7%D9%84%D8%B3%D9%84%D8%A7%D8%AD" href="https://www.skynewsarabia.com/live-story/1659732/65089-%D8%AD%D9%85%D8%A7%D8%B3-%D9%85%D8%B3%D8%AA%D8%B9%D8%AF%D9%88%D9%86-%D9%84%D9%85%D9%86%D8%A7%D9%82%D8%B3%D8%A9-%D8%AA%D8%AC%D9%85%D9%8A%D8%AF-%D8%AA%D8%AE%D8%B2%D9%8A%D9%86-%D8%A7%D9%84%D8%B3%D9%84%D8%A7%D8%AD" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">concordou</a> em guardar essas armas em depósitos e afirmou que as forças de segurança do NCAG podem atirar ou deter qualquer membro que use ou mesmo mostre uma arma em público. As armas permaneceriam guardadas por cinco a dez anos, ou mesmo indefinidamente, e seriam totalmente destruídas como resultado da paz, e não como condição prévia.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hamas provavelmente tentaria reter o máximo possível de seu arsenal para preservar sua influência, coesão interna e posição regional. Contudo, sob crescente pressão dos estados árabes e em meio à profunda impopularidade em Gaza, o governo local quase certamente aceitaria um modelo de descomissionamento semelhante ao da Irlanda do Norte como forma de contornar as exigências maximalistas de Israel por rendição total.</p>
<p style="text-align: justify;">Netanyahu, porém, insiste que o desarmamento significa a entrega e destruição imediatas de <a class="urlextern" title="https://www.timesofisrael.com/liveblog_entry/netanyahu-says-hamas-must-surrender-all-its-rifles-for-trumps-peace-plan-to-advance/" href="https://www.timesofisrael.com/liveblog_entry/netanyahu-says-hamas-must-surrender-all-its-rifles-for-trumps-peace-plan-to-advance/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">60.000 armas de fogo leves</a> em Gaza.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159179 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-31-05-imagem-JPEG-443-×-570-pixels.png" alt="Armadilhas do desarmamento" width="443" height="570" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-31-05-imagem-JPEG-443-×-570-pixels.png 443w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-31-05-imagem-JPEG-443-×-570-pixels-233x300.png 233w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-31-05-imagem-JPEG-443-×-570-pixels-326x420.png 326w" sizes="auto, (max-width: 443px) 100vw, 443px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os Emirados Árabes Unidos também têm pressionado pelo desarmamento total e completo de Gaza para garantir que o Hamas — que consideram um braço da Irmandade Muçulmana — não tenha chance de retomar ou permanecer no poder e para transformar o grupo em um exemplo de advertência para os defensores da resistência na região. Os emiratis também acreditam que isso representaria um golpe para o Eixo da Resistência do Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas essa exigência é cínica. Se o Hamas a rejeitar, terá que assumir a culpa pelo destino sombrio de Gaza. Mesmo que o grupo a aceite, o processo de recolhimento de todas as armas leves em Gaza é complexo e quase impossível de verificar.</p>
<p style="text-align: justify;">Diversas tribos e clãs estão armados, juntamente com várias facções menores e mais radicais que o Hamas. Além disso, durante o genocídio israelense, armas leves caíram nas mãos de criminosos, gangues ou indivíduos aleatórios em meio ao caos. Israel sempre pode alegar ter informações sobre uma célula armada remanescente ou sobre alguns AK-47 ainda não recolhidos, e usar isso como desculpa para manter sua ocupação de Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa situação, Mladenov desempenha três funções. Além de seu cargo como Alto Representante, ele é pesquisador visitante no Washington Institute for Near East Policy, um think tank pró-Israel <a class="urlextern" title="https://books.google.co.uk/books?id=ppQX6EcgZkcC&amp;pg=PA164&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false" href="https://books.google.co.uk/books?id=ppQX6EcgZkcC&amp;pg=PA164&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">apoiado pelo AIPAC</a> [organização de lobby israelense nos EUA]. Ele também é o diretor-geral da Academia Diplomática Anwar Gargash, nos Emirados Árabes Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Falando anonimamente, duas fontes próximas ao NCAG disseram ao +972 que Mladenov nomeou os comissários do NCAG como “contratados” da Academia Anwar Gargash, o que significa que eles recebem seus salários diretamente da instituição. Outra fonte próxima ao chefe do NCAG, Ali Shaath, afirmou que cada comissário recebe cerca de US$ 18.000 por mês como salário.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar desse salário generoso, esses comissários são essencialmente um governo no exílio que opera apenas no papel. Mais de 100 dias após a criação do NCAG, eles permanecem no escuro até mesmo sobre os mínimos detalhes, como a localização de seus escritórios ou onde morariam e dormiriam caso cruzassem para Gaza. Sua legitimidade e popularidade nas ruas estão se esgotando rapidamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, para os habitantes de Gaza, Israel e seus aliados transformaram o desarmamento em um pré-requisito para a sobrevivência, exigindo que eles entreguem sua única moeda de troca enquanto os tanques israelenses permanecem em seu território e seus drones sobrevoam a região. Este não é um caminho para a reconstrução; é uma armadilha disfarçada de linguagem diplomática, uma fórmula para a subjugação permanente, onde os palestinos precisam provar sua absoluta e verificável indefesa antes mesmo que Israel finja se retirar.</p>
<p style="text-align: justify;">O sofrimento de Gaza não é moeda de troca; é um crime. E enquanto o mundo não o reconhecer como tal — sem pré-condições, sem ressalvas e sem antes pedir às vítimas que entreguem a última coisa que impede seu extermínio — Anas e sua família, e milhares como eles, permanecerão exatamente onde estão: presos sob um céu aberto, aguardando uma justiça que sabe seu endereço, mas se recusa a bater à porta.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159180 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels.png" alt="Armadilhas do desarmamento" width="700" height="537" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels.png 700w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-300x230.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-547x420.png 547w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-80x60.png 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-640x491.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-681x522.png 681w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>Muhammad Shehada é um escritor e analista político de Gaza, além de pesquisador visitante do Conselho Europeu de Relações Exteriores.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido de: </em><a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/gaza-disarmament-trap-israel-ceasefire/" href="https://www.972mag.com/gaza-disarmament-trap-israel-ceasefire/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/gaza-disarmament-trap-israel-ceasefire/</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>As artes que ilustram o texto são da autoria de Tayseer Barakat (1959-).</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Como o hipermilitarismo permeia o cotidiano em Israel</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/159092/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 20:05:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Nacionalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[ Do sagrado ao mundano, a iconografia militar permeia a esfera pública israelense — moldando nossa imaginação, nossos desejos e nossa identidade coletiva. Por Nissi Peli]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Nissi Peli</h3>
<p style="text-align: justify;">Em certo momento do ensino fundamental, uma fantasia bizarra se formou em minha mente: eu desejava morrer heroicamente como soldado de combate no exército israelense, ter minha foto pendurada nos corredores da escola como o primeiro soldado morto em combate e ser lembrado todos os anos no Dia da Lembrança.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando terminei o ensino médio, minha consciência política já começava a se formar. Mesmo assim, eu me apegava ao credo sionista liberal de que eu poderia ser um bom e moral soldado, e mudar o sistema por dentro. Quando fui convocado para o corpo blindado, logo percebi a impossibilidade disso e, depois de alguns meses, consegui uma dispensa médica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, por alguns anos após deixar o exército, tive pesadelos recorrentes sobre ser recrutado novamente. Em um sonho particularmente vívido, quando tinha 20 anos e morava em Berlim, olhei pela janela e vi toda a minha turma do ensino fundamental e minha professora lá embaixo. Eles gritavam que minha dispensa havia sido cancelada e que eu tinha que voltar imediatamente com eles para me alistar novamente, porque a guerra havia começado.</p>
<p style="text-align: justify;">A sociedade israelense contemporânea é caracterizada pelo <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/topic/israeli-militarism/" href="https://www.972mag.com/topic/israeli-militarism/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">hipermilitarismo</a>. Essa forma de militarismo não é meramente uma filosofia política: é um estado de espírito que estrutura fundamentalmente o eu, moldando nossa imaginação, pensamentos, desejos, relacionamentos e senso de coletividade como israelenses. Quase tudo é percebido e compreendido em termos, valores e imagens militares, enquanto um estado permanente de emergência e guerra se torna a ordem natural.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa ideologia abrange todo o espectro israelense, desde o militarismo espiritual e teológico dos jovens das colinas e dos colonos religiosos até o militarismo secular e liberal que se destaca entre a burguesia israelense. Em praticamente qualquer fase da vida, os israelenses se veem e veem aqueles ao seu redor através de uma lente militar: como futuros soldados (como jovens pré-militares e, posteriormente, como potenciais reservistas), soldados da ativa ou ex-soldados.</p>
<figure id="attachment_159093" aria-describedby="caption-attachment-159093" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-159093 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1.jpg" alt="" width="1298" height="860" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1.jpg 1298w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-300x199.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-1024x678.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-768x509.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-634x420.jpg 634w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-640x424.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-681x451.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /><figcaption id="caption-attachment-159093" class="wp-caption-text">À esquerda: Um anúncio de 2018 do Hospital Materno-Infantil Lis, de Ichilov, apresentando a ilustração de um bebê saudando com uma boina do exército, acompanhada do texto: “Destinatário do Prêmio de Excelência do Presidente para o ano de 2038 (provavelmente nascerá em Lis)”. Esse prêmio, uma das mais prestigiosas honrarias militares de Israel, é concedido anualmente a 120 soldados das Forças de Defesa de Israel. (Captura de tela). À direita: Uma campanha de 2022 da organização sem fins lucrativos “Um Israelense de Verdade Não Evade”. A palavra Mishtamet (evasor do serviço militar) tem uma conotação pejorativa única em hebraico. O pôster da campanha mostra a mão de uma pessoa idosa marcada com uma tatuagem de Auschwitz, segurando uma placa de identificação militar, ao lado do texto: “Saiba de onde você veio e para onde você vai”. (Captura de tela)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Mesmo aqueles que não se alistam, ou que são dispensados ​​do serviço militar obrigatório mais tarde, são vistos em relação ao exército e tratados como párias pela maioria da sociedade israelense. Objetores de consciência enfrentam não apenas prisão, mas também <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/israeli-army-refusers-gaza-genocide/" href="https://www.972mag.com/israeli-army-refusers-gaza-genocide/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">hostilidade e incitação constantes</a>, enquanto políticos de todo o espectro ocasionalmente <a class="urlextern" title="https://www.timesofisrael.com/lapid-says-hell-push-for-revoking-ultra-orthodox-draft-dodgers-right-to-vote/" href="https://www.timesofisrael.com/lapid-says-hell-push-for-revoking-ultra-orthodox-draft-dodgers-right-to-vote/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">ameaçam</a> retirar os direitos civis daqueles que se recusam a “compartilhar o fardo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito já se falou sobre a <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/podcast-israel-militarism/" href="https://www.972mag.com/podcast-israel-militarism/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">sociologia do militarismo em Israel</a>: como oficiais militares de alta patente frequentemente se tornam políticos bem-sucedidos; como jornalistas recebem treinamento em unidades de mídia militar; como cafés, bares e trens estão lotados de soldados e civis com armaduras; e como o sistema educacional participa da doutrinação militarista e dos esforços de recrutamento do exército. O que muitas vezes passa despercebido, no entanto, é a maneira como <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/memorial-stickers-israel-soldiers-gaza-war/" href="https://www.972mag.com/memorial-stickers-israel-soldiers-gaza-war/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">o militarismo permeia o cotidiano em Israel</a> em suas formas mais banais — uma fenomenologia do cotidiano militarizado.</p>
<figure id="attachment_159094" aria-describedby="caption-attachment-159094" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-159094" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2.jpg" alt="" width="1298" height="767" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2.jpg 1298w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-300x177.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-1024x605.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-768x454.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-711x420.jpg 711w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-640x378.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-681x402.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /><figcaption id="caption-attachment-159094" class="wp-caption-text">À esquerda: Placa de sinalização em uma rodovia israelense com os dizeres: “Rodovia 16: o tráfego está fluindo. Juntos, venceremos!”, 25 de novembro de 2024 (Nissi Peli). À direita: Bandeiras exibindo insígnias de unidades do exército israelense instaladas pela prefeitura de Ramat Gan, 12 de novembro de 2024. (Nissi Peli).</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Parte disso se deve à mercantilização do militarismo em uma sociedade capitalista. Às vezes, ele é vendido diretamente: por exemplo, cursos que preparam jovens para ingresso em funções militares nas áreas de cibersegurança ou inteligência, ou treinamento de “condicionamento físico para combate” para unidades de elite. Um cartaz de recrutamento recente, direcionado a adolescentes que frequentam a praia dizia: “Se perguntarem, estou no mar com amigos. Acha que possui o fator MAR? Venha provar seu valor em um dos Gibushim da Marinha” — seminários de treinamento físico e mental de vários dias para unidades militares de elite.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, com mais frequência, o militarismo serve como plataforma para vender outros produtos. Inúmeros anúncios não apenas mostram soldados usando as mercadorias, mas também exploram a carga emocional do militarismo na sociedade israelense: o “heroísmo” e o “patriotismo” dos soldados que servem em combate, a nostalgia dos soldados que retornam para casa para suas famílias no fim de semana e até mesmo seu apelo sexual.</p>
<figure id="attachment_159095" aria-describedby="caption-attachment-159095" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-159095" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3.jpg" alt="" width="1298" height="831" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3.jpg 1298w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-300x192.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-1024x656.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-768x492.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-656x420.jpg 656w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-640x410.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-681x436.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /><figcaption id="caption-attachment-159095" class="wp-caption-text">À esquerda: Foto de perfil de um soldado israelense em um aplicativo de namoro. (Captura de tela). À direita: Um anúncio da empresa de limpeza “Cleaning Fighters”, apresentando soldados israelenses sentados em um cenário urbano devastado, provavelmente em Gaza, com o título: “Em breve, limpeza de sofás em Gaza.” (Captura de tela).</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Considere, por exemplo, um anúncio recente de uma empresa israelense de lubrificantes: para o Dia Internacional da Mulher, ela publicou uma série de imagens retratando mulheres soldados (entre elas, uma piloto de caça e uma soldado uniformizada usando a bandana vermelha da Rosie Rebitadeira), cada uma segurando um frasco de lubrificante, acompanhada da legenda: “Ei, gata, você é uma super-heroína”. Ou veja os inúmeros perfis (principalmente masculinos) em aplicativos de namoro que apresentam fotos em uniforme militar, às vezes tendo como pano de fundo a Gaza destruída. Em um desses perfis que encontrei recentemente, um atirador de elite da reserva é fotografado apontando seu rifle para fora da janela de uma casa destruída em Gaza ou no Líbano.</p>
<figure id="attachment_159096" aria-describedby="caption-attachment-159096" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-159096" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4.jpg" alt="" width="1298" height="661" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4.jpg 1298w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-300x153.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-1024x521.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-768x391.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-825x420.jpg 825w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-640x326.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-681x347.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /><figcaption id="caption-attachment-159096" class="wp-caption-text">Campanha publicitária online da empresa israelense de lubrificantes Noom. (Captura de tela).</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Nessa última Páscoa Judaica, os clientes dos supermercados israelenses podiam encontrar “Matzá do Heroísmo” e “Matzá dos Leões em Levantamento” (em referência ao nome que Israel deu à sua guerra de junho contra o Irã), com imagens de soldados, bombardeiros B-2 e aviões F-15 “a caminho de bombardear o Irã”. Em um café de Tel Aviv, encontra-se um profiterole com o nome de um soldado morto em combate, uma tendência recente em Israel de nomear alimentos e bebidas para “honrar” os falecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O hipermilitarismo deixa pouco espaço para algo além da guerra eterna. De fato, o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, admitiu isso em setembro, quando argumentou que Israel precisa se tornar uma “super-Esparta”, garantindo a autossuficiência econômica e expandindo a produção nacional de armamentos para lidar com o crescente “isolamento diplomático” do país.</p>
<p style="text-align: justify;">Somente desmantelando essa ideologia — especialmente o mito de que o militarismo sionista garante, ao invés de ameaçar, a segurança dos judeus — poderemos começar a caminhar rumo a um futuro diferente, mais justo e próspero tanto para judeus quanto para palestinos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mais exemplos, visite a página do <a class="urlextern" title="https://www.instagram.com/militarized_realism/" href="https://www.instagram.com/militarized_realism/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc"><em>Realismo Militarizado</em> no Instagram</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Nissi Peli é escritor e ativist do New Profile &#8211; Movimento para a Desmilitarização da Sociedade Israelense.</em></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de: <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/israel-hypermilitarism-everyday-life/" href="https://www.972mag.com/israel-hypermilitarism-everyday-life/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/israel-hypermilitarism-everyday-life/</a></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>[São Paulo] Carta em resposta aos ataques à EMEI Pagu</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/159041/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 22:52:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_direita]]></category>
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					<description><![CDATA[Educadores respondem à perseguição feita pelo Brasil Paralelo]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Sandra</h3>
<p style="text-align: justify;">Os espaços da EMEI Patrícia Galvão foram solicitados via processo SEI pela PMSP para uma obra audiovisual referente à Educação Infantil. No processo havia a determinação de que a não aceitação só poderia estar associada ao que previa o artigo 14,<br />
§3º, do Decreto Municipal nº 56.905/2016 que, em linhas gerais, referia-se à impossibilidade comprovada das condições para filmagens e gravações ou, se por incompatibilidade de agenda, deveríamos propor outra data.</p>
<p style="text-align: justify;">A informação que recebemos era a de que a rotina não seria alterada e como não tínhamos impossibilidade comprovada, não cabia margem para deliberação. Ironicamente, caso a EMEI PAGU estivesse nas condições em que se encontrava há um ano, teríamos impossibilidade comprovada, afinal, tínhamos um esgoto a céu aberto no interior da escola.</p>
<p style="text-align: justify;">Até aqui, nenhuma novidade: não problematizamos porque, genuinamente, o nosso entendimento era de que se tratava de uma demanda institucional e pedagógica da SME encaminhada pela DRE.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, em nenhum momento nos foi informado o teor do material a ser produzido, mesmo quando da visita técnica realizada pelos responsáveis, juntamente com a representante do SPCine, ocasião em que ao serem questionados responderam vagamente, tal qual descrito no relatório de visita técnica em que consta o nome da produção “Educação Infantil”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na noite anterior à data marcada para a agravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo&#8230; Sim!!! Era a produtora responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente.<br />
Imediatamente entramos em contato com a DRE e SPCine, pois enfim entendíamos que esta seria uma razão que justificasse a negativa, ainda mais porque, em pesquisa nas redes sociais da empresa, identificamos o que nos foi confirmado pelos profissionais na ocasião das gravações: as imagens vão compor o documentário &#8220;Pedagogia do Abandono&#8221;<br />
&#8211; Entre ideologia, baixa qualidade e centralização estatal&#8221;, ou seja, trata-se de uma produção onde vão associar as imagens da nossa escola a entrevistas feitas com pessoas aleatórias que sequer são educadoras para exemplificação da péssima qualidade da educação infantil paulistana. (Explicação dada pelos profissionais responsáveis pela gravação).</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159047" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem1.jpg" alt="" width="156" height="220" /><br />
As respostas que obtivemos foram “que nem a DRE poderia recusar, uma vez que se tratava de condução da PMSP”, “que recusar seria censurar a livre expressão e que não havia problemas em falarem mal da educação pública, já que a Rede Globo faz este serviço o tempo todo”. Tentaram nos tranquilizar dizendo que nossos nomes e o nome da escola não seriam expostos e que eu, diretora da escola, ficaria “mal-vista” diante das objeções.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam que o próprio cartaz de divulgação da produção já apresenta o teor e o afastamento com a realidade da educação pública municipal. Há uma criança em uma carteira de sala de aula, de fronte a uma lousa, como se estivesse copiando um texto, em detrimento de brinquedos posicionados atrás da cadeira, cena paradoxal ao Currículo da Cidade &#8211; Educação Infantil, que afirma que a escola de educação infantil deve propiciar contextos de uso social da escrita e da leitura, para que a hierarquização dessas linguagens não silencie as demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Os processos específicos de alfabetização da linguagem escrita serão desenvolvidos a partir do Ensino Fundamental. O posicionamento das carteiras no cartaz também denota a ignorância quanto ao tema, uma vez que os espaços na educação infantil paulistana são voltados ao desenvolvimento das diversas linguagens, do brincar e da experimentação de novas possibilidades, posicionando mesas que articulem as crianças de acordo com a proposta das(os) educadoras(es), mas jamais enfileiradas de forma cartesiana voltadas para a lousa.</p>
<p style="text-align: justify;">Informamos ao profissional da produtora que não sabíamos o teor do documentário e ele nos comunicou que o &#8220;briefing&#8221; havia sido enviado à Prefeitura, o que não chegou à escola. Apesar da tensão, das problematizações e da manifestação da nossa profunda decepção ao constatar que um tema tão importante como a qualidade da escola fosse apresentado pela Brasil Paralelo autorizada pela PMSP, as gravações aconteceram como havia sido combinado: “espaços sem a presença das crianças”.</p>
<p style="text-align: justify;">No mesmo dia acessamos mais informações sobre o documentário que pretendem lançar no dia 20/04 e, não mais para a nossa surpresa, identificamos que se trata de um projeto para destruir a educação pública, bem como a imagem de Paulo Freire com identificações muito equivocadas. Será que há, nesta proposição, uma tentativa de contribuir com as ideias de que a terceirização/privatização da Educação Infantil seria a solução para uma educação de qualidade? Será? (A dúvida contém ironia).</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159046" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem2.png" alt="" width="1297" height="715" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem2.png 1297w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem2-300x165.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem2-1024x565.png 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem2-768x423.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem2-762x420.png 762w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem2-640x353.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem2-681x375.png 681w" sizes="auto, (max-width: 1297px) 100vw, 1297px" /><br />
Não satisfeitos, produziram um vídeo para divulgar o documentário se aproveitando do momento em que foram impedidos de gravar em um espaço onde se encontravam as crianças que temos o dever de proteger, tanto a sua integridade quanto os seus direitos. Estava estabelecido que não seriam feitas filmagens em espaços onde as crianças estivessem, o que teria sido descumprido se não tivessem sido impedidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, este texto serve a duas finalidades: a primeira é a elucidação dos fatos ocorridos à comunidade da EMEI Patrícia Galvão, às escolas parceiras do Território Educativo das Travessias, às escolas todas da Rede e a quem mais possa interessar; a outra finalidade é afirmar com muita convicção que o fechamento da porta não tinha a ver com o fato de querermos esconder que a Pagu se inspira e se apoia na vida e obra de Paulo Freire, pois esta concepção é fruto de muito estudo e motivo de orgulho; aliás, trata-se de uma Rede Municipal inteira que tem Paulo Freire em seus PPPs, seus currículos, planejamentos e sonhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Falta de discernimento ou muita pretensão uma produtora achar que tínhamos preocupação que ela não gravasse Paulo Freire estampado em nossas paredes? Comunico que se estão procurando evidências, acessem os muitos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas da cidade, são documentos disponíveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159045" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem3.jpg" alt="" width="282" height="348" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem3.jpg 282w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Imagem3-243x300.jpg 243w" sizes="auto, (max-width: 282px) 100vw, 282px" />É lamentável que, com tantos sonhos e tanto por fazer, precisemos interromper nossas ações cotidianas para lidar com esses ataques que nos deixam abatidas por uma fração do tempo e nos faz retomar&#8230; Sempre com mais força! Por fim, o recado é este:</p>
<p style="text-align: justify;">“Não haverá nenhuma resposta geral, radical, toda. Apenas sinais, singularidades, pedaços,<br />
Brilhos passageiros, ainda que francamente luminosos.<br />
Vaga-lumes”.<br />
Georges Didi-Huberman</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Professores e indígenas na Paulista: relato de uma mobilização fora do roteiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 21:41:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
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					<description><![CDATA[A mobilização indígena forçou que o sindicato chamasse os professores a se incorporar ao ato até a Secretaria Estadual de Educação. Por Tomé Moraes]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 id="magicdomid4" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z">Por Tomé Moraes</span></h3>
<p style="text-align: justify;">Na última sexta-feira, 10 de abril, a Avenida Paulista foi palco de um encontro inusitado. À assembleia dos professores da rede estadual convocada pela Apeoesp (sindicato oficial da categoria) em frente ao Masp, somou-se uma manifestação de indígenas. Alunos, professores e apoiadores de comunidades guarani de São Paulo, Vale do Ribeira e Itanhaém se juntaram à mobilização para denunciar que as escolas indígenas estão enfrentando a mesma precarização vivida por toda educação no estado, com a faixa: &#8220;aldeias pelas escolas, escolas pelas aldeias&#8221;.</p>
<h4 id="magicdomid6" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>A situação da escola do Jaraguá</b></span></h4>
<p style="text-align: justify;">A data do ato foi simbólica. Exatamente um mês antes, em 10 de março, a Escola Estadual Indígena Djekupé Amba Arandy, na Terra Indígena Jaraguá, zona norte de São Paulo, foi interditada pela Defesa Civil. Desde então, 250 alunos e professores guarani vem tentando manter as aulas de forma improvisada em um centro de convivência da aldeia. No entanto, o espaço não possui água filtrada, portas nos banheiros, nem ventilação adequada. <strong>[1]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Longe de ser um  simples acidente, a interdição da escola era um desastre anunciado. Os guarani do Jaraguá denunciavam as condições precárias do prédio há anos. Em 2021, pais e alunos realizaram um protesto, impedindo que engenheiros da Secretaria de Educação deixassem a escola até que o governo garantisse que realizaria a reforma do local. <b>[2]</b></p>
<p style="text-align: justify;">De lá pra cá, o Governo Estadual deu início à construção de uma nova unidade escolar na T.I. Jaraguá. A obra, no entanto, já custou 3,5 milhões e não tem previsão de conclusão. A primeira etapa está prometida para o segundo semestre. Mas como ficam as aulas até lá?</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos problemas de espaço físico, a educação na aldeia já vinha sendo afetada pelas mesmas medidas desestruturantes que o Governo aplicou em toda a rede estadual como falta de merenda, fechamento dos cursos de EJA, do ciclo noturno e das salas de leitura.</p>
<div id="magicdomid15" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"></div>
<h4 id="magicdomid16" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159037" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09.jpeg" alt="" width="1280" height="960" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09.jpeg 1280w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-300x225.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-1024x768.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-768x576.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-560x420.jpeg 560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-80x60.jpeg 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-100x75.jpeg 100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-180x135.jpeg 180w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-238x178.jpeg 238w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-640x480.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.34.09-681x511.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" />O ato de sexta-feira, 10/04</b></span></h4>
<p style="text-align: justify;">Os últimos eventos da rede estadual de São Paulo parecem testar os limites do sucateamento da educação pública: baseado em uma plataforma de avaliação aplicada de forma duvidosa no final do ano passado, mais de 40 mil professores (foram demitidos)não puderam assumir aulas em 2026. São professores &#8220;categoria O&#8221;, isto é, subcontratados a partir de processos seletivos temporários — sem estabilidade na carreira ou vínculo com as unidades escolares, esses trabalhadores já representam mais de metade do corpo docente desde a pandemia. <b>[3]</b> E enfrentam, agora, uma demissão em massa.<strong>[4]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para o absurdo da situação, a reação das entidades sindicais foi, no mínimo, tímida: moveram uma ação judicial (que agora obteve resultado) e agendaram dois dias de paralisação com assembleia para abril. Não é de se surpreender que, em tal cenário de desagregação e desmobilização, com uma minoria de trabalhadores estáveis nas escolas, a adesão ao chamado tenha sido realmente baixa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse contexto, a organização das comunidades escolares guarani foi uma surpresa positiva, já que sacudiu o marasmo e apontou novos caminhos. A possibilidade de uma mobilização real que fugia do script, contudo, parece ter assustado a burocracia da Apeoesp. Temendo perder o controle da situação, os diretores sindicais se prontificaram em tratar a presença indígena como um &#8220;movimento social&#8221; diferente da luta dos professores, associando sua participação a um &#8220;paralelismo sindical&#8221; arquitetado pelos setores de oposição. Mas, afinal, quem dá aula nas escolas das aldeias? A tentativa de confusão se esclareceu quando o microfone foi cedido a uma professora indígena.<strong>[5]</strong> Exemplo vivo da precarização, pois ela precisou assumir suas aulas de forma voluntária (!) para compensar o fechamento da sala de leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o plano inicial do sindicato era encerrar o ato após o fim da assembleia na Av. Paulista, a mobilização indígena forçou que recalculassem a rota: com o término da votação, os guarani e professores seguiram em caminhada até a Secretaria Estadual de Educação. O caminhão de som da Apeoesp tentou acompanhar o trajeto e tentou atropelar os manifestantes para assumir frente, mas não conseguiu e teve que ficar no fundo.</p>
<div id="magicdomid25" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"></div>
<h4 id="magicdomid26" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>Continuidade da luta</b></span></h4>
<div id="magicdomid27" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"></div>
<div id="magicdomid28" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159039 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.33.331-e1776375495911.jpeg" alt="" width="1100" height="960" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.33.331-e1776375495911.jpeg 1100w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.33.331-e1776375495911-300x262.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.33.331-e1776375495911-1024x894.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.33.331-e1776375495911-768x670.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.33.331-e1776375495911-481x420.jpeg 481w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.33.331-e1776375495911-640x559.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-16-at-18.33.331-e1776375495911-681x594.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1100px) 100vw, 1100px" /></span></div>
<p style="text-align: justify;">Com baixa adesão, a assembleia votou por um &#8220;calendário de mobilizações&#8221;. O próximo ato está marcado para dia 2<span class="author-a-esxz82zip2oiz87zz70zz69zz81zz67zz79zl">8</span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z">/04 em frente à Assembleia Legislativa. Professores da rede municipal, que também paralisaram na semana passada, devem voltar às ruas na mesma data.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Nesse processo de mobilização, um pequeno coletivo vem se formando em busca de caminhos para se organizar de forma autônoma, para além da estrutura do sinidicalismo estatal. Os &#8220;Professores Autônomos Contra o Estado&#8221;<b>[6]</b>formaram-se em diálogo com trabalhadores da educação que tentam desenvolver experiências no mesmo sentido na prefeitura e na rede privada de São Paulo, com os coletivos EMA (Educadores Municipais Auto-organizados) e A Voz Rouca.<b>[7]</b></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, nas aldeias, as comunidades escolares guarani preparam os próximos passos da luta para conquistar uma solução não só para sua escola, mas também para todas as escola estaduais como indicava a bandeira de ordem: Aldeias pelas Escolas, Escolas pelas Aldeias.</p>
<div id="magicdomid33" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"></div>
<h4 id="magicdomid34" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>Notas</b></span></h4>
<div id="magicdomid35" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>[1] </b></span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z i"><i>Alunos indígenas de SP têm aulas em espaço sem bebedouro e banheiro sem porta; secretaria diz não haver prejuízo de aprendizagem </i></span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z url"><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/26/alunos-indigenas-de-sp-tem-aulas-em-espaco-sem-bebedouro-e-banheiro-sem-porta-secretaria-diz-nao-haver-prejuizo-de-aprendizagem.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/26/alunos-indigenas-de-sp-tem-aulas-em-espaco-sem-bebedouro-e-banheiro-sem-porta-secretaria-diz-nao-haver-prejuizo-de-aprendizagem.ghtml</a></span></div>
<div id="magicdomid36" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>[2] </b></span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z i"><i>Comunidade indígena do Jaraguá libera engenheiros após chegada da Defesa Civil para avaliação de escola com rachaduras </i></span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z url"><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/03/10/comunidade-indigena-do-jaragua-impede-saida-de-engenheiros-do-local-ate-que-haja-solucao-sobre-escola-com-rachaduras.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/03/10/comunidade-indigena-do-jaragua-impede-saida-de-engenheiros-do-local-ate-que-haja-solucao-sobre-escola-com-rachaduras.ghtml</a></span></div>
<div id="magicdomid37" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>[3]</b></span> <span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z i"><i>Rede estadual de ensino de SP tem mais professores temporários do que contratados </i></span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z url"><a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/04/25/rede-estadual-de-ensino-de-sp-tem-mais-professores-temporarios-do-que-contratados.ghtml#" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/04/25/rede-estadual-de-ensino-de-sp-tem-mais-professores-temporarios-do-que-contratados.ghtml#</a></span></div>
<div id="magicdomid38" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>[4]</b></span> <span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z i"><i>Rede estadual de SP deixa cerca de 40 mil professores sem aulas; sindicato denuncia precarização</i></span></div>
<div id="magicdomid39" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z url"><a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/02/06/cerca-de-40-mil-professores-da-rede-estadual-de-sao-paulo-ficam-sem-aulas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.brasildefato.com.br/2026/02/06/cerca-de-40-mil-professores-da-rede-estadual-de-sao-paulo-ficam-sem-aulas/</a></span></div>
<div id="magicdomid40" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>[5] </b><a href="https://www.instagram.com/p/DXCZ_lNjrzP/?igsh=MWJwczZqcWxwZTd0MA==" target="_blank" rel="noopener">https://www.instagram.com/p/DXCZ_lNjrzP/?igsh=MWJwczZqcWxwZTd0MA==</a></span></div>
<div class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z i"><i><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>[6]</b></span> Professores Contra o Estado </i></span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z url"><a href="https://www.instagram.com/profs_x_estado/" rel="noreferrer noopener">https://www.instagram.com/profs_x_estado/</a></span></div>
<div id="magicdomid41" class="ace-line" style="text-align: justify;" aria-live="assertive"><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z b"><b>[7] </b></span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z i"><i>Encontro Autônomo de Trabalhadores da Educação  </i></span><span class="author-a-bz73zz86z51z77zz67z4z79z53z73zz67zkz69zz84z url"><a href="https://passapalavra.info/2025/10/157816/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://passapalavra.info/2025/10/157816/</a></span></div>
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		<title>Irã e Gaza são apenas o começo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 17:23:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Médio_Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[Nacionalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[ A identidade judaica e o nacionalismo judaico são as versões sionistas da ideologia nazista de “sangue e solo”. Por Chris Hedges]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Chris Hedges</h3>
<p style="text-align: justify;">O genocídio em Gaza é o começo. Bem-vindo à nova ordem mundial. A era da barbárie tecnologicamente avançada. Não existem regras para os fortes, apenas para os fracos. Oponha-se ao forte, recuse-se a curvar-se às suas exigências caprichosas e você receberá uma chuva de mísseis e bombas. Assistimos a essa loucura diariamente com a guerra contra o Irã, o bombardeio de saturação do sul do Líbano e o sofrimento em Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Órgãos internacionais como as Nações Unidas foram castrados, transformados em apêndices inúteis de outra época. A santidade dos direitos individuais, as fronteiras abertas e o direito internacional desapareceram. Os governantes mais psicopatas da história humana, aqueles que reduziram cidades a cinzas, que levaram populações aprisionadas a locais de execução e a terras desvastadas que ocuparam com valas e cadáveres em massa, voltaram com uma vingança, abrindo um vasto abismo moral.</p>
<p style="text-align: justify;">A lei, apesar de alguns esforços valentes de um punhado de juízes &#8212; que em breve serão expurgados &#8212;, internamente e em organismos internacionais como o Tribunal Internacional de Justiça, é desprezada e violada. Selvageria no exterior. Selvagem em casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Lucy Williamson, da BBC, relata que Israel está destruindo o sul do Líbano “usando Gaza como modelo &#8212; um plano para destruição usado novamente como um caminho para a paz”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 1 milhão de pessoas já foram deslocadas no Líbano &#8212; um quinto de toda a população de um país que já abriga o maior número mundial de refugiados per capita &#8212; em apenas algumas semanas. Some-se a isso 2 milhões de deslocados em Gaza e 3 milhões de deslocados no Irã. 6 milhões de pessoas ficaram desabrigadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por quatro décadas, o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem pressionado para que os EUA entrem em guerra com o Irã. As administrações anteriores, Republicanas e Democratas, recusaram, em grande parte por causa da oposição feroz dentro do Pentágono, que não via o Irã como uma ameaça existencial e não projetava um resultado positivo para os EUA ou seus aliados regionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Donald Trump, encorajado por sua equipe de negociação inepta de seu genro Jared Kushner e seu colega empresário imobiliário e parceiro de golfe Steve Witkoff, ambos fervorosos sionistas, mordeu a isca de Israel. O conselheiro de segurança nacional da Grã-Bretanha, Jonathan Powell, que participou das negociações finais entre os EUA e o Irã, considerou Kushner e Witkoff como “ativos israelenses”.</p>
<p style="text-align: justify;">Joseph Kent, que renunciou ao cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo para protestar contra a guerra, escreveu em sua carta de renúncia que “o Irã não representava ameaça iminente para nossa nação, e é claro que começamos essa guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano”.</p>
<p style="text-align: justify;">A lógica pública para a guerra contra o Irã desde que começou em 28 de fevereiro tem sido proteana. É para encerrar o programa nuclear do Irã? É para frustrar o programa de mísseis balísticos do Irã? É porque os EUA realizaram ataques preventivos contra o Irã, como disse Marco Rubio, para garantir a segurança dos ativos dos EUA uma vez que Israel decidiu atacar? É porque o governo iraniano realizou uma repressão letal, matando centenas de manifestantes antigoverno durante protestos de rua massivos? É mudança de regime? É uma tentativa de encerrar o chamado terrorismo patrocinado pelo Estado do Irã? Ou esses subterfúgios servem a outro propósito?</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente, Israel e os EUA buscam mudança de regime. Mas aqui parece que os EUA e Israel divergem. Israel também aparentemente procura, como no Iraque, Síria, Líbia e Líbano, a desintegração física do Irã, a quebra do país em enclaves étnicos e religiosos em guerra, a transformação do Irã em um Estado falido.</p>
<p style="text-align: justify;">Os persas no Irã constituem cerca de 61% da população com vários grupos minoritários, que muitas vezes sofrem repressão estatal, representando os 39% restantes. Esses grupos étnicos incluem azerbaijanos, curdos, amantes, balochs, árabes e turcomanos, juntamente com minorias religiosas como sunitas, cristãos, bahá&#8217;ís, zoroastristas e judeus. A quebra do Irã em enclaves étnicos e religiosos antagônicos deixaria Israel como a potência dominante na região, dando-lhe a capacidade de, se não ocupar seus vizinhos diretamente, controlá-los e subjugá-los através de proxies, parte de um desejo de longa data de uma Grande Israel. Também tornaria possível que os Estados estrangeiros controlassem as reservas de gás iranianas, a segunda maior do mundo, e suas reservas de petróleo, 12% do total global.</p>
<p style="text-align: justify;">A cruzada de Israel contra os palestinos, os libaneses e agora os iranianos é justificada pelo extermínio de 6 milhões de judeus durante o Holocausto. Mas não passa despercebido no Sul Global, especialmente entre palestinos, que quase todos os estudiosos do Holocausto se recusaram a condenar o genocídio em Gaza. Nenhuma das instituições dedicadas a pesquisar e rememorar o Holocausto traçou os óbvios paralelos históricos ou criticou o massacre em massa.</p>
<p style="text-align: justify;">Estudiosos do Holocausto, com um punhado de exceções, expuseram seu verdadeiro propósito, que não é examinar o lado sombrio da natureza humana e a propensão assustadora que todos nós temos a cometer o mal, mas santificar os judeus como vítimas eternas e absolver o estado etnonacionalista de Israel de seus crimes de colonialismo de assentamento, apartheid e genocídio.</p>
<p style="text-align: justify;">O sequestro do Holocausto, o fracasso em defender as vítimas palestinas porque elas são palestinas, implodiu a autoridade moral dos estudos do Holocausto e dos memoriais do Holocausto. Eles foram expostos como veículos não para evitar o genocídio, mas para perpetrá-lo, não para explorar o passado, mas para manipular o presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer reconhecimento tépido de que o Holocausto pode não ser propriedade exclusiva de Israel e seus partidários sionistas é rapidamente encerrado. O Museu do Holocausto em Los Angeles excluiu, depois de uma reação, um post no Instagram que dizia: “NUNCA MAIS NÃO PODE APENAS SIGNIFICAR NUNCA MAIS PARA <abbr title="Operating System">OS</abbr> JUDEUS”. Nas mãos dos sionistas, “nunca mais” significa precisamente isso, nunca mais, <em>apenas</em> <em>para os judeus</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158963" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi.jpg" alt="" width="752" height="597" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi.jpg 752w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-300x238.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-529x420.jpg 529w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-640x508.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-681x541.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 752px) 100vw, 752px" />Aimé Césaire, em <em>Discurso sobre o Colonialismo</em>, escreve que Hitler parecia excepcionalmente cruel apenas porque presidia “a humilhação do homem branco”, aplicando à Europa os “procedimentos colonialistas que até então haviam sido reservados exclusivamente para os árabes da Argélia, as &#8216;coolies&#8217; da Índia e os negros da África”.</p>
<p style="text-align: justify;">A quase aniquilação da população aborígene da Tasmânia, o massacre alemão do Herero e Namaqua, o genocídio armênio, a fome de Bengala de 1943 &#8212; então o Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill se referiu aos hindus como “um povo animalesco com uma religião animalesca” &#8212; juntamente com o lançamento de bombas nucleares em alvos civis em Hiroshima e Nagasaki, ilustra algo fundamental sobre “a civilização ocidental”.</p>
<p style="text-align: justify;">O genocídio não é uma anomalia, é codificado no DNA da “civilização” ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">“Na América”, disse o poeta Langston Hughes, “não é preciso dizer aos negros o que é o fascismo em ação. Nós sabemos. Suas teorias da supremacia nórdica e da supressão econômica há muito tempo são realidades para nós”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os nazistas, quando formularam as leis de Nuremberg, usaram como modelo as leis destinadas a oprimir os negros. A recusa dos Estados Unidos em conceder cidadania a nativos americanos e filipinos &#8212; embora vivessem nos EUA e nos territórios dos EUA &#8212; foi imitada pelos fascistas alemães que retiraram a cidadania dos judeus. As leis antimiscigenação americanas, que criminalizavam o casamento inter-racial, foram a influência para proibir casamentos entre judeus alemães e arianos. A jurisprudência americana classificou qualquer pessoa com um por cento da ascendência negra &#8212; a chamada “regra de uma gota” &#8212; como negra. Os nazistas, ironicamente mostrando mais flexibilidade, classificaram qualquer pessoa com três ou mais avós judeus como judeus.</p>
<p style="text-align: justify;">Os milhões de vítimas indígenas de projetos coloniais em países como México, China, Índia, Austrália, Congo e Vietnã, por essa razão, são surdas para as afirmações dos judeus de que sua vitimização é única. Eles também sofreram holocaustos, mas esses holocaustos permanecem minimizados ou não reconhecidos por seus perpetradores ocidentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Israel encarna o Estado etnonacionalista que nossos fascistas cristãos e a extrema-direita sonham em criar para si mesmos, que rejeita o pluralismo político e cultural, bem como as normas legais, diplomáticas e éticas. Israel é admirado pela extrema-direita porque virou as costas para o direito humanitário e usa força letal indiscriminada para “limpar” sua sociedade daqueles condenados como contaminadores humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi essa distorção do Holocausto como único que incomodou Primo Levi, preso em Auschwitz de 1944 a 1945 e que escreveu livros sobre a sobrevivência em Auschwitz. Levi foi um crítico feroz do Estado de apartheid de Israel e seu tratamento aos palestinos. Ele viu a Shoah [Holocausto] como “uma fonte inesgotável do mal” que “é perpetuada como ódio nos sobreviventes, e brota de mil maneiras, contra a própria vontade de todos, como uma sede de vingança, como colapso moral, como negação, como cansaço, como resignação”.</p>
<p style="text-align: justify;">Levi deplorou o maniqueísmo daqueles que “evitam nuances e complexidade”. Ele condenou aqueles que “reduzem o rio dos acontecimentos humanos a conflitos, e conflitos a duelos, nós e eles”. Ele alertou que a “rede de relações humanas dentro dos campos de concentração não era simples: não poderia ser reduzida a dois blocos, vítimas e perseguidores”. O inimigo, ele sabia, “estava do lado de fora, mas também dentro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mordechai Chaim Rumkowski, conhecido como “Rei Chaim”, governou o gueto de Łódź na Polônia em nome dos ocupantes nazistas. O gueto tornou-se um campo de trabalho escravo que enriqueceu Rumkowski e seus senhores nazistas. Rumkowski deportou opositores para campos de extermínio. Estuprou e molestou meninas e mulheres. Exigiu obediência inquestionável. Incorporou o mal de seus opressores. Para Levi, ele foi um exemplo do que muitos de nós, em circunstâncias semelhantes, somos capazes de se tornar.</p>
<p style="text-align: justify;">“Estamos todos refletidos em Rumkowski, sua ambiguidade é nossa, é a nossa segunda natureza, nós híbridos moldados a partir de argila e espírito”, escreveu Levi <em>em Os Afogados e os Sobreviventes.</em> “Sua febre é nossa, a febre de nossa civilização ocidental que &#8216;desce no inferno com trombetas e tambores&#8217;, e seus adornos miseráveis são a imagem distorcida de nossos símbolos de prestígio social”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Como Rumkowski, nós também estamos tão deslumbrados com o poder e o prestígio a ponto de esquecer nossa fragilidade essencial”, continuou Levi. “De bom grado ou não chegamos a um acordo com o poder, esquecendo que estamos todos no gueto, que o gueto está murado, que fora do gueto reinam os senhores da morte, que espera próxima ao trem.”</p>
<p style="text-align: justify;">Levi entendeu que a linha entre a vítima e o vitimizador é fina. Todos nós podemos nos tornar carrascos dispostos. Não há nada intrinsecamente moral sobre ser judeu ou um sobrevivente do Holocausto. Levi, por essa razão, era <em>persona non grata</em> em Israel.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158964" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg" alt="" width="1079" height="720" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg 1079w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-629x420.jpg 629w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1079px) 100vw, 1079px" />Os sionistas encontram no Holocausto e no Estado judeu um senso de propósito e significado, bem como uma superioridade moral nauseante. Após a guerra de 1967, quando Israel tomou Gaza, a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, as Colinas de Golã da Síria e a Península do Sinai do Egito, Israel, como observou o sociólogo americano Nathan Glazer de forma aprovadora, tornou-se “a religião dos judeus americanos”. O Holocausto tornou-se o seu “capital moral”.</p>
<p style="text-align: justify;">“O sofrimento judaico é retratado como inefável, incomunicável e, no entanto, algo sempre a ser proclamado”, escreve o historiador europeu Charles S. Maier, em <em>The Unmasterable Past: History, Holocaust, and German National Identity</em>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">É intensamente privado, não para ser diluído, mas simultaneamente público para que a sociedade gentil confirme os crimes. Um sofrimento muito peculiar deve ser consagrado em locais públicos: museus do Holocausto, jardins de memória, locais de deportação, dedicados não como memoriais judeus, mas cívicos. Mas qual é o papel de um museu em um país, como os Estados Unidos, longe do local do Holocausto? É para reunir as pessoas que sofreram ou para instruir não-judeus? É suposto servir como um lembrete de que “pode acontecer aqui?” Ou é uma afirmação de que alguma consideração especial é merecida? Sob que circunstâncias uma tristeza privada pode servir simultaneamente como uma dor pública? E se o genocídio é certificado como uma tristeza pública, então não devemos aceitar as credenciais de outras tristezas particulares também? Um historiador americano de ascendência polonesa argumenta que, com a invasão alemã de 1939, os poloneses se tornaram os primeiros povos da Europa a experimentar o Holocausto e que os historiadores até agora “escolheram interpretar a tragédia em termos exclusivistas &#8212; ou seja, como o período mais trágico da história da Diáspora judaica”. Se os poloneses americanos reivindicam seu próprio “Holocausto esquecido”, que reconhecimento eles devem desfrutar? Os armênios e os cambojanos também têm o direito de financiar publicamente museus de holocausto? E precisamos de memoriais para adventistas do sétimo dia e homossexuais por sua perseguição nas mãos do Terceiro Reich?</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O sofrimento único confere um direito único.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer crime que Israel realize em nome de sua sobrevivência &#8212; seu “direito de existir” &#8212; é justificado em nome dessa singularidade. Não há limites. O mundo é preto e branco, uma batalha interminável contra o nazismo, que é proteano, dependendo de quem Israel visa. Desafiar essa sede de sangue é ser um antissemita, facilitando outro genocídio de judeus.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa fórmula simplista não serve apenas os interesses de Israel, mas também os interesses das potências coloniais que realizaram seus próprios genocídios, aqueles que eles também procuram obscurecer.</p>
<p style="text-align: justify;">A sacralização do Holocausto nazista oferece um <em>quid pro quo</em> bizarro. Armar e financiar o Estado de Israel, bloqueando resoluções e sanções da ONU que condenariam seus crimes e demonizar os palestinos e seus apoiadores se tornam prova de expiação e apoio aos judeus. Israel, em troca, absolve o Ocidente de sua indiferença à situação dos judeus durante o Holocausto, e a Alemanha por perpetrá-lo. A Alemanha usa essa aliança profana para separar o nazismo do resto da história alemã, incluindo o genocídio que os colonos alemães realizaram contra os Nama e Herero no sudoeste alemão da África, agora na Namíbia.</p>
<p style="text-align: justify;">“Tal magia”, escreve o israelense historiador e estudioso do genocídio, Raz Segal, “legitima o racismo contra os palestinos no exato momento em que Israel perpetra o genocídio contra eles. A ideia de singularidade do Holocausto reproduz-se assim em vez de desafiar o nacionalismo excludente e o colonialismo de assentamento que levaram ao Holocausto.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal, diretor do programa de Estudos do Holocausto e Genocídio da Universidade de Stockton, em Nova Jersey, escreveu um artigo sobre a guerra em Gaza em 13 de outubro de 2023, intitulado: “Um caso de genocídio”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa denúncia de um estudioso israelense do Holocausto, cujos familiares morreram no Holocausto, foi uma postura muito solitária.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal viu na exigência imediata do governo israelense que os palestinos evacuassem o norte de Gaza e a demonização dos palestinos por autoridades israelenses &#8212; o Ministro da Defesa disse que Israel estava “combatendo animais humanos” &#8212; o cheiro de genocídio.</p>
<p style="text-align: justify;">“Toda a ideia sobre prevenção e &#8216;nunca mais&#8217; é que &#8212; como ensinamos nossos alunos &#8212; há alertas vermelhos, e que uma vez que os notamos, devemos trabalhar para interromper o processo que pode se transformar em genocídio”, disse-me o professor Segal, “mesmo que ainda não seja genocida”.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal pagou pela sua honestidade. O convite para liderar o Centro de Estudos do Holocausto e Genocídio da Universidade de Minnesota, que não emitiu nenhuma condenação do genocídio, foi revogado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o professor Segal e eu testemunhamos na capital do estado em Trenton, em oposição à adoção do projeto de lei da Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA), que equipara as críticas ao Estado de Israel a antissemitismo, fomos vaiados por sionistas e nossos microfones foram cortados pelo presidente da comissão. Lá estávamos nós, argumentando que esse projeto de lei iria reduzir a liberdade de expressão enquanto ao mesmo tempo nos negavam a liberdade de expressão.</p>
<p style="text-align: justify;">O genocídio é a próxima etapa no que o antropólogo, Arjun Appadurai, chama de “uma vasta correção malthusiana mundial” que é “voltada para preparar o mundo para os vencedores da globalização, sem o ruído inconveniente de seus perdedores”.</p>
<p style="text-align: justify;">O financiamento e o armamento de Israel pelos Estados Unidos e pelas nações europeias, enquanto realiza o genocídio, implodiu efetivamente a ordem jurídica internacional pós-Segunda Guerra Mundial. Ela não tem mais credibilidade. O Ocidente não pode mais ensinar ninguém sobre democracia, direitos humanos ou as supostas virtudes da civilização ocidental. O ardil, que de alguma forma nós, como nação, promovemos a democracia, a igualdade e os direitos humanos, está terminado.</p>
<p style="text-align: justify;">“Ao mesmo tempo em que Gaza induz vertigem, um sentimento de caos e vazio, torna-se para inúmeras pessoas impotentes a condição essencial da consciência política e ética no século XXI &#8211; assim como a Primeira Guerra Mundial foi por uma geração no Ocidente”, escreve Pankaj Mishra.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhum de nós que reportou de Israel e Palestina, onde trabalhei como repórter por sete anos, previu esse genocídio. E, no entanto, estávamos cientes do impulso genocida que estava no coração do projeto sionista &#8212; o desejo de grandes segmentos da sociedade israelense de erradicar e expulsar todos os palestinos. Esse impulso genocida estava lá desde o início do sionismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Victor Klemperer, professor de linguística e filho de um rabino de Berlim que viveu sob o domínio nazista, observou em seu diário: “Para mim, os sionistas, que querem voltar para o estado judeu de 70 d.C. (destruição de Jerusalém por Tito), são tão ofensivos quanto os nazistas. Com sua sede de sangue, suas antigas “raízes culturais”, sua visão de mundo ora hipócrita, ora obtusa, eles são páreo para os nacional-socialistas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158964" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg" alt="" width="1079" height="720" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg 1079w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-629x420.jpg 629w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1079px) 100vw, 1079px" />Cobri o rabino extremista Meir Kahane, que afirmava que a violência era uma virtude judaica, e a vingança, um mandamento divino. Quando eu estava baseado em Israel, ele foi impedido pelo governo israelense de se candidatar a cargos públicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Kahane foi assassinado em 5 de novembro de 1990, na cidade de Nova York. Seu partido, o Kach, foi declarado ilegal em Israel quatro anos depois, após Baruch Goldstein, um médico nascido no Brooklyn e membro do Kach, entrar na Mesquita de Ibrahimi, em Hebron, e abrir fogo contra os fiéis, matando 29 palestinos. Goldstein, vestido com seu uniforme de capitão do exército, foi dominado pelos fiéis e espancado até a morte. Fui enviado pelos meus editores em Nova York para entrevistar os sobreviventes. Quando receberam o material, insistiram para que eu fizesse mais entrevistas com colonos judeus que justificassem as queixas de Goldstein contra os palestinos, parte do jogo de equilíbrio, mas na verdade parte do esforço para obscurecer a verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">O Kach, após suas declarações de apoio ao massacre, foi declarado uma organização terrorista pelos Estados Unidos. Mas o kahanismo não morreu. Foi nutrido por extremistas judeus e colonizadores.</p>
<p style="text-align: justify;">A intolerância racial de Kahane e seus apelos à violência em massa contra os palestinos contaminaram segmentos cada vez maiores da sociedade israelense. Encontrou aceitação quase universal após os ataques de 7 de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;">Testemunhei essa intolerância em comícios políticos realizados por Netanyahu, que recebeu financiamento generoso de americanos de direita associados ao AIPAC, quando concorreu contra Yitzhak Rabin, que negociava um acordo de paz com os palestinos. Os apoiadores de Netanyahu entoavam slogans inspirados por Kahane, como “Morte aos árabes” e “Morte a Rabin”. Queimaram uma efígie de Rabin vestida com um uniforme nazista. Netanyahu marchou em frente a um funeral simulado para Rabin.</p>
<p style="text-align: justify;">Rabin foi assassinado por um fanático judeu em 4 de novembro de 1995.</p>
<p style="text-align: justify;">Netanyahu, que se tornou Primeiro-Ministro pela primeira vez em 1996, passou sua carreira política cultivando esses extremistas judeus, incluindo Itamar Ben-Gvir, que tinha um retrato de Goldstein na parede de sua sala de estar, Bezalel Smotrich, Avigdor Lieberman, Gideon Sa&#8217;ar e Naftali Bennett.</p>
<p style="text-align: justify;">O pai de Netanyahu, Benzion, que trabalhou como assistente do fundador do sionismo revisionista, Vladimir Jabotinsky, e foi chamado por Benito Mussolini de “um bom fascista”, foi um líder do Partido Herut, que defendia que Israel se apropriasse de todas as terras da Palestina histórica. Muitos dos membros do Partido Herut realizaram ataques terroristas durante a guerra de 1948 que estabeleceu o Estado de Israel. Albert Einstein, Hannah Arendt, Sidney Hook e outros intelectuais judeus descreveram o Partido Herut, em uma declaração publicada no New York Times, como um partido “muito semelhante, em sua organização, métodos, filosofia política e apelo social, aos partidos nazistas e fascistas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre houve uma vertente virulenta de fascismo judaico dentro do projeto sionista, espelhando a vertente do fascismo na sociedade americana. Infelizmente, para nós e para os palestinos, essas vertentes fascistas estão em ascensão.</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão de obliterar Gaza tem sido, há muito tempo, o sonho dos sionistas de extrema-direita, herdeiros do movimento de Kahane. A identidade judaica e o nacionalismo judaico são as versões sionistas da ideologia nazista de “sangue e solo”. A supremacia judaica é santificada por Deus, assim como o massacre dos palestinos, que Netanyahu comparou aos amalequitas bíblicos, massacrados pelos israelitas. Europeus e euro-americanos nas colônias americanas usaram a mesma passagem bíblica para justificar o genocídio contra os nativos americanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os inimigos — geralmente muçulmanos — destinados à extinção são subumanos que personificam o mal. A violência e a ameaça de violência são as únicas formas de comunicação compreendidas por aqueles que estão fora do círculo mágico do nacionalismo judaico.</p>
<p style="text-align: justify;">A redenção messiânica ocorrerá assim que os palestinos forem expulsos. Extremistas judeus exigem a demolição da Mesquita de Al-Aqsa, um dos três locais mais sagrados para os muçulmanos, supostamente construída sobre as ruínas do Segundo Templo Judaico, destruído em 70 d.C. pelo exército romano. Esses extremistas defendem sua substituição por um “Terceiro” Templo Judaico, uma medida que incendiaria o mundo muçulmano. A Cisjordânia, que os fanáticos chamam de “Judeia e Samaria”, está sendo anexada por Israel. Israel, governado por leis religiosas impostas pelos partidos ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá, em breve espelhará a teocracia despótica do Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">James Baldwin previu, de forma profética, essa regressão à nossa barbárie inata. Ele alertou que havia uma “terrível probabilidade” de que “as populações ocidentais, lutando para manter o que roubaram de seus cativos e incapazes de se olhar no espelho, precipitarão um caos em todo o mundo que, se não acabar com a vida neste planeta, provocará uma guerra racial como o mundo jamais viu, e pela qual gerações ainda por nascer amaldiçoarão nossos nomes para sempre”.</p>
<p style="text-align: justify;">A selvageria no Irã, no Líbano e em Gaza é a mesma selvageria que enfrentamos em casa. Aqueles que perpetram o genocídio, o massacre e a guerra não provocada contra o Irã são as mesmas pessoas que desmantelam nossas instituições democráticas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158962" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982.jpg" alt="" width="793" height="1080" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982.jpg 793w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-220x300.jpg 220w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-752x1024.jpg 752w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-768x1046.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-308x420.jpg 308w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-640x872.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-681x927.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 793px) 100vw, 793px" />Os iranianos, libaneses e palestinos sabem que não há como apaziguar esses monstros. As elites globais não acreditam em nada. Não <em>sentem</em> nada. Não se pode confiar nelas. Eles exibem as características essenciais de todos os psicopatas — charme superficial, grandiosidade e presunção, necessidade de estímulo constante, propensão à mentira, ao engano, à manipulação e incapacidade de sentir remorso ou culpa. Desprezam, considerando fraquezas, as virtudes da empatia, da honestidade, da compaixão e do altruísmo. Vivem segundo o lema “Eu. Eu. Eu.”</p>
<p style="text-align: justify;">“O fato de milhões de pessoas compartilharem os mesmos vícios não os torna virtudes, o fato de compartilharem tantos erros não os torna verdades, e o fato de milhões de pessoas compartilharem as mesmas formas de patologia mental não as torna sãs”, escreveu Erich Fromm em “The Sane Society”.</p>
<p style="text-align: justify;">Testemunhamos o mal por quase três anos em Gaza. Observamos agora no Irã. Observamos no Líbano. Vemos esse mal sendo justificado ou mascarado por líderes políticos e pela mídia.</p>
<p style="text-align: justify;">O The New York Times, num gesto digno de Orwell, enviou um memorando interno instruindo repórteres e editores a evitarem os termos “campos de refugiados”, “território ocupado”, “limpeza étnica” e, claro, “genocídio” ao escreverem sobre Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqueles que nomeiam e denunciam esse mal, incluindo os estudantes heroicos que montaram acampamentos em campis universitários aqui e no exterior, são difamados, colocados em listas negras e expurgados. São presos e deportados. Um silêncio ensurdecedor se abate sobre nós, o silêncio de todos os Estados autoritários. Sabemos onde isso termina. Deixe de cumprir seu dever, deixe de apoiar a guerra contra o Irã, de se manifestar contra o crime de genocídio e veja sua licença de transmissão revogada, como propôs Brendan Carr, presidente da FCC (Comissão Federal de Comunicações) de Trump.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos inimigos. Eles não estão na Palestina. Eles não estão no Líbano. Eles não estão no Irã. Eles estão aqui. Entre nós. Eles ditam nossas vidas. Eles são traidores dos nossos ideais. Eles são traidores do nosso país. Eles vislumbram um mundo de escravos e senhores. Gaza é apenas o começo. Não existem mecanismos internos para a reforma. Podemos obstruir ou nos render.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas são as únicas opções que nos restam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Chris Hedges é jornalista estadunidense, autor de vários livros, entre os quais, </em>American Fascists<em> e </em>Death of the Liberal Class<em>.</em></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Traduzido do original em: <a class="urlextern" title="https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning" href="https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning</a></p>
</blockquote>
<p><em><img loading="lazy" decoding="async" class="size-thumbnail wp-image-158961 alignnone" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/abed_abdi_haifa-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" />As obras que ilustram o artigo são do artista palestino Abed Abdi (1942 &#8212;)</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O Domo de Ferro está interceptando nossas chances de um futuro normal</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/03/158930/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 09:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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					<description><![CDATA[Os sistemas de defesa antimíssil de Israel reduziram drasticamente o custo de entrar em guerra — e uma sociedade que não teme a guerra está condenada a conviver com ela para sempre. Por Guevara Bader]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Guevara Bader</h3>
<p style="text-align: justify;">Nas últimas décadas, a engenharia israelense produziu algo próximo da maravilha tecnológica definitiva: um sistema de defesa antimíssil multicamadas capaz de transformar projéteis em um espetáculo de fogos de artifício no céu noturno. Mas sob essa proteção, uma transformação discreta, porém consequente, se consolidou, sendo mais perigosa que os próprios mísseis: o Domo de Ferro eliminou o medo da guerra entre os israelenses.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma tecnologia projetada para preservar vidas fomentou uma sensação de imunidade quase total, transformando a catástrofe da guerra em uma perturbação tolerável, senão em um produto de consumo estéril — algo absorvido pela vida cotidiana com indiferença, em algum lugar entre o noticiário da noite e a entrega de comida.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o medo da guerra diminui, também diminui a motivação pública para pôr fim a ela. Nesse contexto, a segurança tecnológica não encurta as guerras, mas contribui para sustentá-las como uma condição permanente. Israel, na era do Domo de Ferro, não se apresenta mais como uma sociedade civil vibrante que também mantém um exército; em vez disso, orgulha-se de ser essencialmente uma enorme base militar em torno da qual a vida civil se organiza.</p>
<p style="text-align: justify;">Um raro momento de franqueza do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deu forma a essa transformação, quando ele alertou, em um discurso a autoridades financeiras em setembro passado, que Israel enfrentava um crescente isolamento internacional e precisaria se tornar uma “super-Esparta” economicamente autossuficiente. Mais tarde, ele minimizou a declaração, classificando-a como um “lapso de língua”, após as ações na bolsa de valores de Tel Aviv sofrerem uma queda. Mas, se de fato foi um lapso, foi revelador.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Netanyahu delineou é o híbrido político e cultural em que os israelenses vivem: o dinamismo liberal e criativo de Atenas fundido com a disciplina rígida e o militarismo de Esparta. Na versão rudimentar de 2026, Atenas cria o algoritmo e Esparta aperta o gatilho.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado é uma sociedade que funciona como um complexo militar fortificado, governado por processos democráticos nominais, onde a fronteira entre as esferas civil e militar se tornou completamente indistinta. A indústria israelense transformou-se em uma máquina bem azeitada de inovação militar, convertendo a guerra, antes um fracasso diplomático, em uma característica definidora da existência do Estado. Essa perda interna de dissuasão é o nosso desastre nacional, pois uma sociedade que não teme a guerra é uma sociedade condenada a conviver com ela para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A guerra como uma assinatura mensal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para entender a profundidade dessa distorção, é útil recorrer à linguagem que os israelenses usam para se descrever. Em Israel, não existem “cidadãos”, certamente não no sentido tedioso de participação democrática. Existe, em vez disso, uma “frente interna” — um termo que concebe o público como a formação passiva de retaguarda da força militar em combate. Sua função é absorver o impacto da situação e manter a compostura enquanto, simultaneamente, torce pelo exército que realiza operações no céu.</p>
<p style="text-align: justify;">Na prática, a “frente interna” transforma os cidadãos em unidades de apoio logístico, que devem “demonstrar resiliência”, um eufemismo para suportar o sofrimento sem reclamar, para não desviar o olhar fixo do atirador enquanto este realiza o próximo assassinato bem-sucedido.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse princípio organizador veio à tona com uma clareza incomum em junho passado. Após a primeira rodada de combates com o Irã, o analista militar do Haaretz, Amos Harel, apresentou ao público dados que comparavam as mortes israelenses com o número de mísseis que penetraram as defesas aéreas do país. A conclusão — uma morte para cada três mísseis que atingiram áreas povoadas — foi apresentada como prova de que “as baixas na população civil não foram tão catastróficas quanto se temia anteriormente”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse cálculo, a morte é apenas um registro em um balancete. Um funeral não é visto como uma catástrofe, mas como um custo operacional aceitável, uma estatística fria que permite que o sistema continue funcionando. O preço é baixo o suficiente para que os tomadores de decisão simplesmente peguem uma caneta e perguntem, sem qualquer ironia: “Onde assinamos?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando as estatísticas permitem que as pessoas voltem a tomar seu café em Tel Aviv entre as idas a abrigos, a urgência de pôr fim ao ciclo começa a desaparecer. A guerra torna-se uma mensalidade, em vez de um risco existencial, sustentado enquanto o custo puder ser absorvido. Esse custo, é claro, é suportado de forma desproporcional pelos cidadãos palestinos de Israel, que, em comparação com os israelenses judeus, têm muito menos acesso a abrigos adequados e podem viver em áreas classificadas como “áreas abertas”, onde o Domo de Ferro está programado para permitir que mísseis caiam ou detonem interceptores acima deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa normalização se traduziu em um modelo econômico sem precedentes, no qual Israel passou de uma autopercepção de fortaleza sitiada para a de uma linha de produção de tecnologias de defesa, com cada conflito funcionando como uma forma de campo de testes contínuo. Cada interceptação gera dados; cada escalada aprimora o sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">A “frente interna”, nesse sentido, funciona também como um vasto grupo de testadores beta, cujas interrupções são absorvidas pelos ciclos de pesquisa e desenvolvimento. O sucesso não se mede apenas em vidas poupadas, mas também em métricas de desempenho que impulsionam o valor das ações da indústria de defesa em exposições em Paris e Singapura.</p>
<p style="text-align: justify;">O mundo não está apenas observando com preocupação. Como clientes fiéis da Apple aguardando o próximo iPhone, é um consumidor observando quais tecnologias têm o melhor desempenho em “condições reais”. A própria guerra é a melhor campanha de marketing e, quando a economia nacional depende da superioridade militar global, a aspiração pela tranquilidade é percebida como sabotagem deliberada da linha de produção nacional.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um estado permanente de adiamento</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-158932" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-300x300.jpg" alt="" width="400" height="400" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-300x300.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-1024x1024.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-768x768.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-420x420.jpg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-640x640.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-681x681.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" />Esse desenvolvimento se consolidou gradualmente. Do sistema de defesa antimíssil Arrow, que entrou em operação em 2000, ao Domo de Ferro em 2011 e, posteriormente, ao Estilingue de David em 2017, cada inovação ampliou a sensação de proteção dos israelenses e, com ela, diminuiu a percepção da vulnerabilidade. Porque, quando o teto está hermeticamente fechado, não há necessidade de buscar um caminho político a seguir ou vislumbrar um futuro além do conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, estamos entrando na era dos sistemas a laser. O sistema Iron Beam, recentemente integrado à Força Aérea Israelense, pode interceptar mísseis com precisão, rapidez e “a um custo marginal insignificante”, vangloriou-se o Ministério da Defesa no final do ano passado.</p>
<p style="text-align: justify;">A fronteira entre realidade e representação se desfez ao longo do caminho. Em uma transmissão amplamente assistida, um comentarista militar sênior do Canal 12 analisou imagens de videogame como se fossem a documentação de um ataque americano ao Irã, acreditando ser a prova de um bombardeio contínuo.</p>
<p style="text-align: justify;">“Estas são imagens americanas, estamos apenas nos divertindo com elas”, disse ele, enquanto pixels digitais piscavam na tela. “O B-2 está atacando há dias… O que estamos vendo é toda a força do poder americano.” Mais perturbador do que sua identificação errônea das imagens foi a forma como isso ilustrou a transformação da guerra em uma forma de entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre tudo isso, preside uma liderança política que enfrenta pressões legais e diplomáticas. Netanyahu permanece em sua residência em Cesareia com uma intimação pendente para comparecer a Haia. O ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, também é procurado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Gaza, enquanto o presidente Isaac Herzog aparece em depoimentos apresentados à Corte Internacional de Justiça por sugerir que toda a população de Gaza é responsável pelos ataques de 7 de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse contexto, quando a liderança de Israel é perseguida pelos agentes do direito internacional, a guerra perpétua acarreta implicações que vão além da estratégia. Ela influencia os incentivos, vinculando a sobrevivência política ainda mais à continuidade da crise.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado final é um ciclo conceitual fechado. Tecnologias defensivas, como interceptores, protegem a população; a estabilidade da população sustenta a ordem política; e, juntas, reduzem a pressão para a resolução do próprio conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">A visão da “super-Esparta” condensa essa condição de ansiedade existencial em uma única solução de engenharia estéril, na qual garantir o presente com precisão crescente permite um adiamento indefinido da resolução no futuro. Com uma taxa de sucesso de 97%, o Domo de Ferro está interceptando qualquer chance que possamos ter de um futuro normal.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Guevara Bader é um cidadão palestino de Israel e atualmente cursa mestrado na Universidade Ben-Gurion.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de: <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/" href="https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/</a></p>
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		<title>[Rondônia] O latifúndio no banco dos réus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2026 22:43:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[Tribunal Popular organizado por entidades irá realizar julgamento sobre crimes cometidos em áreas de conflito agrário e contra advogados e defensores de direitos humanos. Por ABRAPO, CEBRASPO, COMSOLUTE, CPT, OPIROMA, MAB e LCP]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por ABRAPO, CEBRASPO, COMSOLUTE, CPT, OPIROMA, MAB e LCP</h3>
<p class="v1MsoNormal" style="text-align: justify;">Nos próximos dias 28 e 29 de março de 2026 ocorrerá em Porto Velho, capital do estado de Rondônia será instaurado um <b>TRIBUNAL POPULAR</b> que julgará crimes cometidos pelo latifúndio em Rondônia ao longo de décadas e, sobretudo, nos últimos anos onde se observou um crescente processo de assassinatos, despejos ilegais, ameaças, contra camponeses sem-terra, posseiros, indígenas, extrativistas, ribeirinhos e quilombolas. Nos últimos anos, em Rondônia, a escalada de violações praticadas por latifundiários e grupos paramilitares contou com a ação efetiva de forças policiais que passaram a atuar de forma a criminalizar milhares de famílias e advogados que atuam na área agrária.</p>
<p class="v1MsoNormal" style="text-align: justify;">O ano de 2024, cujos dados consolidados foram publicados em abril de 2025 pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), marcou um período paradoxal na dinâmica agrária brasileira. Embora tenha ocorrido uma redução quantitativa no número de assassinatos diretos, os indicadores de conflitos por terra atingiram o maior patamar da última década, totalizando aproximadamente 1.768 ocorrências. Esse dado sinaliza uma cristalização das tensões territoriais, consolidando 2024 como o segundo ano mais violento da série histórica iniciada em 1985.</p>
<p class="v1MsoNormal" style="text-align: justify;">O cenário de conflitos agrários no Brasil apresentou um agravamento crítico em 2025, caracterizado pelo incremento da letalidade nas disputas territoriais. Dados preliminares da Comissão Pastoral da Terra (CPT) indicam que o número de assassinatos no campo duplicou em relação ao ano anterior, saltando de 13 óbitos em 2024 para 26 registros até dezembro de 2025. O estado de Rondônia é uma das Unidades da Federação que lidera esse ranking macabro.</p>
<p class="v1MsoNormal" style="text-align: justify;">Em virtude da situação fática e jurídica que engloba os inúmeros assassinatos e conflitos agrários que marcam a história recente de Rondônia, a Associação Brasileira de Advogados do Povo (ABRAPO), o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), o Comitê de Solidariedade à Luta pela Terra (COMSOLUTE), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Organização dos Povos Indígenas de Rondônia, Noroeste do Mato Grosso e Sul do Amazonas (OPIROMA), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Comitê de Apoio à Luta pela Terra – Rondônia, Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP) e outras organizações propõem o Tribunal Popular que colocará o latifúndio no banco dos réus.</p>
<p class="v1MsoNormal" style="text-align: justify;">O Tribunal será presidido pelo Dr. Jorge Moreno (juiz aposentado do TJMA e vice-presidente da ABRAPO) e contará com um corpo de jurados integrado por juristas de Rondônia, de outros estados da Amazônia, do Nordeste, do Centro-Oeste, Sul e Sudeste do país; pesquisadores da UNIR, do IFRO e de outras Universidades Federais do Brasil; além de jornalistas, representantes sindicais, associações e movimentos sociais que irão compor o Júri Popular.</p>
<p class="v1MsoNormal" style="text-align: justify;">Entre esses destaca-se a Prof.ª Drª Helena Angélica de Mesquita (Professora aposentada da UFG, que pesquisou à fundo o Massacre de Corumbiara), o Dr. Siro Darlan (Desembargador aposentado do RJ), representante da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, a histórica líder seringueira Dercy Teles, de Xapuri (AC), primeira mulher a presidir um sindicato na Amazônia Acreana, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais &#8211; STR de Xapuri, em 1981. É uma das figuras centrais nos empates organizados pelos seringueiros em Xapuri, juntamente com figuras históricas tais quais Chico Mendes e Wilson de Souza Pinheiro.</p>
<p class="v1MsoNormal" style="text-align: justify;">O Tribunal Popular também terá a cobertura da imprensa popular e democrática, com jornalistas que escrevem para vários veículos de comunicação de todo o Brasil como Ópera Mundi, Intercept Brasil, Repórter Brasil, A Nova Democracia, Rondônia Plural, Voz da Terra, e outros. Outras representações de entidades e movimentos como a Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP), Campanha Nacional Despejo Zero, Movimento Bem Viver e Global Sumud Brasil também estarão participando. Na condição de testemunhas de acusação estarão presentes lideranças indígenas, camponesas, ribeirinhas, de associações e movimentos de chacareiros, extrativistas e ocupações camponesas e urbanas.</p>
<p class="v1MsoNormal" style="text-align: justify;"><b>O &#8220;TRIBUNAL POPULAR CONTRA CRIMES DO LATIFÚNDIO&#8221; será realizado no AUDITÓRIO DO SINTERO (rua Rui Barbosa, nº 713, Bairro Arigolândia) com início no sábado, 28/03, às 08h e se estenderá até o domingo, 29/03,</b> onde na última sessão, serão apresentadas as alegações finais da acusação e defesa, a reunião de corpo de jurados e leitura da sentença dos acusados. As inscrições serão realizadas no local.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-158925 aligncenter" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/cartaz-tribunal.jpeg" alt="" width="1080" height="1350" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/cartaz-tribunal.jpeg 1080w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/cartaz-tribunal-240x300.jpeg 240w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/cartaz-tribunal-819x1024.jpeg 819w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/cartaz-tribunal-768x960.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/cartaz-tribunal-336x420.jpeg 336w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/cartaz-tribunal-640x800.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/cartaz-tribunal-681x851.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></p>
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		<title>Operários da indústria de armas italiana dizem não à guerra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 14:16:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[ Com base em um histórico de resistência à militarização, os trabalhadores da Leonardo estão se organizando contra a cumplicidade da empresa no genocídio em Gaza. Por Futura D’Aprile]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Futura D’Aprile</h3>
<p style="text-align: justify;">Quando Israel recomeçou os bombardeios a Gaza em outubro de 2023, ativistas da solidariedade à Palestina na Itália imediatamente fizeram a ligação com a empresa nacional de armamentos, a Leonardo, e lançaram uma campanha contra ela. A corporação é uma das maiores produtoras de armas do mundo e desempenha um papel importante na produção de componentes para os aviões F-35, usados ​​por Israel no genocídio em Gaza, além de trabalhar em conjunto com empresas israelenses de armamentos como a Elbit Systems.</p>
<p style="text-align: justify;">Instalações da Leonardo têm sido alvo de protestos, interrompendo a produção e aumentando a conscientização sobre o papel que a Itália e seu setor de defesa desempenham na destruição em curso. Crucialmente, a oposição também está crescendo dentro da empresa, com trabalhadores se manifestando contra a venda de armas para Israel e lutando para impedir que uma fábrica da Leonardo no sul do país seja convertida em produção militar.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Trabalhadores se posicionam</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Em outubro, um grupo de trabalhadores de uma unidade de produção da Leonardo em Grottaglie, no sul da Itália, publicou uma petição exigindo que a empresa e suas subsidiárias suspendessem todo o fornecimento de material bélico a Israel. A petição pedia o fim de todos os acordos comerciais e relações de investimento com instituições, startups, universidades e organizações de pesquisa israelenses envolvidas em operações militares contra a população palestina.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 23.000 pessoas assinaram a petição, que dizia: “A Itália repudia a guerra como instrumento de agressão contra a liberdade de outros povos e como meio de resolver disputas internacionais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de Roberto Cingolan, presidente da Leonardo, ter declarado em setembro que a empresa não havia autorizado novas exportações para Israel “desde o início do conflito”, a declaração dos trabalhadores afirmava que a empresa mantinha uma sólida cooperação comercial e militar com Israel e que as licenças de exportação aprovadas antes de outubro de 2023 nunca foram canceladas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos peticionários de Grottaglie, que pediu para permanecer anônimo, afirma que essa declaração pública ajudou a abrir um diálogo com trabalhadores de outras fábricas da Leonardo: “Mais do que um aumento imediato na oposição explícita, o resultado mais importante foi trazer o assunto para o centro das discussões, fomentando momentos de debate e análise aprofundada.”</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns meses depois, um grupo de trabalhadores da Divisão de Helicópteros de Turim, no norte da Itália, redigiu um boletim sobre a cumplicidade da Leonardo no genocídio em Gaza, que foi distribuído entre seus colegas. A mobilização contra a empresa os inspirou a investigar as relações da Leonardo com seus parceiros estratégicos, particularmente com Israel. Eles estudaram as leis sobre exportações, importações e o trânsito de produtos de defesa na Itália.</p>
<p style="text-align: justify;">“Os relatos amenizados ou flagrantemente distorcidos oferecidos pela grande mídia sobre os eventos em Gaza estão se enraizando entre nossos colegas”, explica um dos trabalhadores de Turim. “Eles não compreendem a gravidade desses eventos, especialmente no que diz respeito aos usuários finais do produto de seu trabalho.”</p>
<p style="text-align: justify;">“Em relação a Israel, nunca tivemos conhecimento dos contratos assinados e das relações internacionais envolvidas.” Eles continuam explicando que, em parte devido a restrições de sigilo industrial, os trabalhadores não têm uma ideia clara de quem usará os equipamentos que produzem; a empresa usa nomes fictícios para os projetos e dá indicações vagas sobre para onde os equipamentos são enviados.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa falta de transparência deixou os trabalhadores profundamente despreparados diante da indignação pública contra a empresa para a qual trabalham.</p>
<p style="text-align: justify;">O que esses funcionários querem é reafirmar sua integridade, explica o trabalhador de Turim: “Fomos ensinados que é nosso dever denunciar irregularidades, desfalques e violações do código de ética em nosso local de trabalho. Existe algo mais repreensível do ponto de vista ético do que colaborar com um governo criminoso que viola abertamente o direito internacional e cujos crimes contra a humanidade são flagrantes e notórios?”</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158860" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png" alt="" width="678" height="455" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png 678w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-300x201.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-626x420.png 626w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-537x360.png 537w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-640x429.png 640w" sizes="auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px" />Não aos aviões de guerra</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores de Grottaglie também enfrentam outra luta, enquanto fazem campanha para impedir que sua fábrica se torne uma engrenagem ativa na máquina de guerra. A fábrica faz parte da Divisão de Aeronáutica do Grupo Leonardo e produz as seções da fuselagem da aeronave Boeing 787, empregando aproximadamente 1.200 pessoas diretamente e 300 em indústrias relacionadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 atingiu duramente a indústria aeronáutica, a produção despencou e a unidade corre o risco de fechar. Em julho de 2024, os sindicatos conseguiram evitar uma paralisação temporária, mas a produção ainda diminuiu. Para evitar o fechamento, a Leonardo quer redirecionar a produção para o setor militar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um documento compartilhado “offline” entre os trabalhadores, juntamente com a petição sobre ligações com a violência de Israel, os trabalhadores denunciam essa mudança de prioridades. Para os trabalhadores que assinaram a petição, a Leonardo está fazendo uma escolha política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O setor civil sempre foi mais estável e resiliente do que o militar, que tem encomendas mais limitadas e é muito mais influenciado por flutuações geopolíticas e decisões governamentais”, explica um dos peticionários, que pediu para permanecer anônimo. “A aviação civil, por outro lado, responde a uma demanda estrutural por mobilidade global, que estagnou durante a pandemia, mas agora retornou a níveis recordes, com previsão de crescimento ainda maior nas próximas décadas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os trabalhadores de Turim e Grottaglie, o objetivo tem sido promover o diálogo e a conscientização sobre a cumplicidade das empresas com a violência israelense, visando construir uma massa crítica de trabalhadores motivados e bem informados, capazes de se engajar e se mobilizar para mudar a empresa. Eles também buscaram apoio dos principais sindicatos, mas receberam uma resposta morna.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Turim, os sindicatos estão focados na renovação dos contratos metalúrgicos e não estão dando atenção à petição, enquanto em Grottaglie os sindicalistas criticaram abertamente a oposição dos trabalhadores à empresa, pois temem que isso coloque ainda mais em risco o futuro da unidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, os trabalhadores se organizaram fora dessas estruturas tradicionais, compartilhando suas petições com outras unidades de produção da Leonardo na Itália. E estão recebendo uma resposta positiva. A campanha também encontrou eco nos movimentos mais amplos de solidariedade à Palestina e pela paz.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Aprendendo com o passado</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores da Leonardo estão construindo sobre um legado de oposição dentro da indústria de defesa italiana. Na década de 1980, Elio Pagani, um funcionário da Aermacchi (agora Leonardo), documentou como a empresa forneceu aeronaves à Força Aérea Sul-Africana em janeiro de 1980, durante o apartheid, em violação ao embargo da ONU ratificado pela Itália em 1977. A denúncia de Pagani desencadeou um movimento popular que, em 1990, levou à aprovação pelo parlamento da primeira legislação italiana sobre controle de exportação e importação de armas: a Lei 185/90.</p>
<p style="text-align: justify;">Na década de 1980, a Valsella Meccanotecnica &#8211; empresa conhecida por vender minas antitanque ao Iraque durante a guerra com o Irã &#8211; foi abalada por 18 meses de greves. As trabalhadoras, lideradas por Franca Faita, finalmente venceram: a empresa perdeu importantes parceiros de produção e foi forçada a se dedicar à fabricação para o setor civil devido a uma moratória governamental de 1994 sobre a produção de minas terrestres. A empresa foi liquidada e, em 2005, fundiu-se com uma fabricante de caminhões.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, alguns fatores contextuais fizeram das décadas de 1980 e 1990 um contexto muito diferente para os trabalhadores rebeldes. O sentimento antiguerra na sociedade civil italiana era mais forte nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, e os sindicatos também eram mais independentes e mais antagônicos à política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O que favoreceu essas iniciativas foi a presença de fortes movimentos de desarmamento e a existência de conselhos de fábrica abertos à discussão interna entre os trabalhadores e eleitos diretamente por eles”, explica Pagani.</p>
<p style="text-align: justify;">“Delegados, trabalhadores e conselhos de fábrica foram incentivados a questionar o verdadeiro significado do trabalho nas instalações militares e os efeitos das exportações de armamentos. Agora, estamos vivenciando mais de 30 anos de desertificação cultural que afetou tanto as pessoas &#8211; tornando-as mais individualistas &#8211; quanto os sindicatos, cuja atuação enfraqueceu o ímpeto dos trabalhadores.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, as conquistas das décadas de 1980 e 1990 foram fruto de muitos anos de trabalho, afirma Pagani. “Os trabalhadores da Leonardo em Grottaglie e Turim devem persistir e buscar apoio em outras unidades de produção da empresa e em outras empresas de defesa. Sua iniciativa deve estar ligada à luta contra a logística bélica travada por estivadores, trabalhadores aeroportuários, ferroviários e de terminais intermodais na Itália.”</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, à medida que os Estados continuam a aumentar os gastos militares em meio a novas e devastadoras guerras, os trabalhadores de fábricas de armamentos em todo o mundo fariam bem em seguir as táticas italianas para desmantelar a militarização a partir de dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a guerra sempre à espreita e os Estados aumentando os gastos militares, os trabalhadores do negócio de armas podem ter um papel fundamental a desempenhar, conforme o movimento global contra a militarização grita: Não em nosso nome.</p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido do original que pode ser acessado aqui: <a class="urlextern" title="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" href="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war</a></em></p>
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		<title>[RJ] UERJ: Calendário de lutas dos vigilantes e auxiliares administrativos da Conquista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 20:08:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos em Luta]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
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					<description><![CDATA[Funcionários terceirizados que pretam serviço para a UERJ, denunciam atrasos no salário. Por Invisíveis]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Invisíveis</h3>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DVWSEt1DnKW/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script>CALENDÁRIO DE LUTAS CONTRA CALOTES EM SALÁRIOS DE VIGILANTES E AUXILIARES ADMINISTRATIVOS PELA <a class="x1i10hfl xjbqb8w x1ejq31n x18oe1m7 x1sy0etr xstzfhl x972fbf x10w94by x1qhh985 x14e42zd x9f619 x1ypdohk xt0psk2 x3ct3a4 xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x16tdsg8 x1hl2dhg xggy1nq x1a2a7pz notranslate _a6hd" tabindex="0" role="link" href="https://www.instagram.com/conquista.grupo/">@conquista.grupo</a> NA UERJ</p>
<p>2 e 3 de março: 9h rua Teixeira Ribeiro 229.na sede da empresa, para cobrar o pagamento, já que a diretoria disse que tem &#8220;explicações&#8221;. com o <a class="x1i10hfl xjbqb8w x1ejq31n x18oe1m7 x1sy0etr xstzfhl x972fbf x10w94by x1qhh985 x14e42zd x9f619 x1ypdohk xt0psk2 x3ct3a4 xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x16tdsg8 x1hl2dhg xggy1nq x1a2a7pz notranslate _a6hd" tabindex="0" role="link" href="https://www.instagram.com/sindicatodosvigilantesrj/" target="_blank" rel="noopener">@sindicatodosvigilantesrj</a></p>
<p>3 de março: 18h, reunião online para pensar a mobilização e luta com trabalhadores terceirizados (link por dm) CHAMANDO ESTUDANTES, PROFESSORES, SERVIDORES E MAIS QUISER APOIAR A LUTA.</p>
<p>12 de março, 18h no hall do queijo, UERJ MARACANÃ: contra o calote da empresa CONQUISTA,<br />
REITORIA deve pagar salários!</p>
<p>3 MESES SEM SALÁRIO PARA VIGILANTES A E 2 MESES PARA AUXILIARES ADMINISTRATIVOS!</p>
<p>Não ESPERE articulação com Ministério do Trabalho, que é do presidente, que vai demorar para exigir decisão do poder judiciário! PROTESTE E PARALISE!</p>
<p>REITORIA GULNAR E DEUSDARÁ se coloca como &#8220;boazinha&#8221; por ter pago todas as FATURAS para a empresa CONQUISTA. MAS ELA QUE CONTRATOU UMA EMPRESA ENVOLVIDA EM CORRUPÇÃO E QUE DÁ CALOTES CONSTANTES EM TRABALHADORES TERCEIRIZADOS!</p>
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