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	<title>Mundo &#8211; Passa Palavra</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>Revolução, poder dual e a rede de resposta rápida das Cidades Gêmeas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[FP]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 08:59:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Bairros_e_cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[A rede de resposta rápida das Cidades Gêmeas se formou como uma operação de contrainteligência para deter a Gestapo de Trump. Por Connor O'Callaghan]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Connor O&#8217;Callaghan</h3>
<div class="level3">
<p style="text-align: justify;">1º de julho de 2026</p>
<p style="text-align: justify;">O ensaio a seguir, primeiramente circulado de mão em mão em formato de zine, examina a insurgência popular contra a Operação Metro Surge em Minnesota durante o inverno de 2026. Nele, O&#8217;Callaghan argumenta que a rede de resposta rápida das Cidades Gêmeas representou uma forma embrionária de poder dual, uma instituição popular que contestava diretamente o controle estatal sobre um território urbano. Embora a caracterização do autor sobre a rede como uma “força policial paralela” seja talvez discutível, o ensaio levanta questões fundamentais para os revolucionários que passaram por esse ciclo de luta. Quando a coalizão que sustenta o controle da classe dominante sobre um território se fragmenta (como quando o MPD e o ICE entraram em conflito aberto), quando massas de pessoas comuns começam a agir fora e contra a lei como algo natural, as condições para uma ruptura revolucionária começam a se delinear. No entanto, se tais potenciais não conseguem se aprofundar e se expandir para antagonismos mais amplos, é decisivo entender os limites que os mantêm sob controle, especialmente tendo em vista a próxima crise eleitoral. Enquanto Trump desmantela sistematicamente os mecanismos pelos quais as elites historicamente administraram seus conflitos, como os revolucionários podem intervir nessas situações para garantir que produzam não apenas mais uma rodada de rebelião, mas formas de contrapoder prontas para intervir quando a ordem liberal finalmente colapsar?</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p style="text-align: justify;">A Operação Metro Surge foi a maior operação de repressão à imigração da história. Em seu auge, 3.000 agentes do DHS cercaram as Cidades Gêmeas. Janeiro estava tão saturado de agentes que era impossível sair de casa sem encontrá-los. Mais de cem mil habitantes de Minnesota organizaram uma conspiração em massa contra a operação federal. A cada semana, voluntários em um sistema de entrega de comida alimentavam milhares de famílias abrigadas em suas casas. Inquilinos com intuição do que viria e chaves de fenda instalaram novas fechaduras em prédios de apartamentos para manter fora os federais e os proprietários. <em>Strippers</em> se recusaram a dançar para agentes e os expulsaram das boates. Mães de crianças se envolveram em perseguições em alta velocidade na rodovia. Médicos faziam visitas domiciliares para fazer partos. Professores juntavam dinheiro do aluguel para seus alunos. Uma enfermeira com uma pistola chutava lanternas traseiras. Um motorista de táxi patrulhava do nascer ao pôr do sol, à procura do ICE. Jovens com balaclavas faziam dos pneus de carros alugados seus inimigos. Crianças do Movimento Indígena Americano distribuíam máscaras de gás e sopa de arroz selvagem. Avós faziam vigília em escolas de ensino fundamental. Sofás e quartos vagos se enchiam quando os endereços precisavam mudar. Imigrantes escapavam da prisão entrando em becos e cortando caminho pelas salas de estar de estranhos. Manifestantes faziam o mesmo. Em massa, as pessoas tinham a experiência de estar fora da lei, e contra ela.</p>
<p style="text-align: justify;">Contravigilância, perseguições em alta velocidade, redes clandestinas, comunicações criptografadas, postos de controle, nomes de código. Quando essas coisas são normalizadas e adotadas por massas de pessoas, é um salto qualitativo para a luta insurgente. Esta é a base a partir da qual os revolucionários podem avançar.</p>
</div>
<div class="level3">
<p style="text-align: justify;">Não existe uma fórmula mecânica para a revolução, mas existem condições particulares que dão aos revolucionários uma vantagem estratégica. Essas condições não são astrológicas, são dialéticas. São forjadas a partir de árvores de decisão reais, por muitos atores trabalhando com, contra e através uns dos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma dessas condições é a desagregação da coalizão governante. O establishment não é monolítico em seus interesses. Muitas vezes eles se alinham, mas muitas vezes entram em conflito e divergem. O que realmente importa para as diferentes facções da classe dominante é que elas possam mediar seus interesses concorrentes dentro de um quadro confiável. Quando isso não é mais possível, quando surgem diferenças intratáveis e diferentes facções empregam meios irregulares para conseguir o que querem, abrem-se fissuras que as forças populares podem explorar para tornar a revolução possível. A Operação Metro Surge produziu antagonismos entre o governo estadual e o federal, levando à breve desunião de suas respectivas forças armadas.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-160050" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/white-on-white-malevich-1918.pngLarge.png" alt="" width="401" height="400" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/white-on-white-malevich-1918.pngLarge.png 601w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/white-on-white-malevich-1918.pngLarge-300x300.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/white-on-white-malevich-1918.pngLarge-70x70.png 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/white-on-white-malevich-1918.pngLarge-421x420.png 421w" sizes="(max-width: 401px) 100vw, 401px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Outro germe inicial da revolução social é a mudança de lealdade de milhares de pessoas em suas ações. Em nenhum lugar isso foi mais verdade do que nas Cidades Gêmeas, onde todos os tipos imagináveis de pessoas participaram. A resistência ao ICE tornou-se a característica definidora da vida. Enquanto a rede clandestina mencionada ajudava as pessoas a escapar do desaparecimento, a rede de resposta rápida (RRN) ascendeu como a vanguarda confrontacional do movimento local. A RRN das Cidades Gêmeas era uma maneira simples de interpelar grandes números de pessoas em papéis funcionais que desafiavam diretamente os agentes federais. Milhares de pessoas aprenderam que isso era mais eficaz do que exigir algo das autoridades. Em vez disso, exigiram isso de si mesmas. Essa descoberta é uma pré-condição essencial para a luta revolucionária.</p>
<p style="text-align: justify;">O que a RRN ameaçava criar era um poder dual: uma instituição popular estabelecida contra o Estado, pronta para usurpá-lo. O poder dual não é um projeto “prefigurativo” aninhado confortavelmente, mas antagonicamente, dentro da ordem vigente. É um arranjo instável de forças que sufocam agressivamente umas às outras. Ocorre quando dois quadros políticos concorrentes existem no mesmo lugar, ao mesmo tempo, e apenas um pode vencer. Tais situações ocorrem durante movimentos revolucionários, quando as forças armadas e os corpos políticos do establishment governante são substituídos por novas instituições da própria iniciativa direta do povo. A RRN era uma infraestrutura maciçamente participativa que contestava quem controlava um terreno urbano específico. Era essencialmente uma força policial paralela de caráter popular de massa.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora a RRN nunca tenha realizado todo o seu potencial, foi um projeto realmente existente que os revolucionários devem estudar cuidadosamente, a fim de orientar nossas lutas futuras. Tais formações transformam expressões refletidas de recusa em lutas propositais pelo poder. Isso lhes permite facilitar o salto além da rebelião e em direção à reorganização em massa da sociedade, que marca uma revolução.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A rede de resposta rápida</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A rede de resposta rápida das Cidades Gêmeas se formou como uma operação de contrainteligência para deter a Gestapo de Trump. Postos diários na sede do ICE registravam placas de veículos, descrições e partidas de comboios, compilando essas informações em um banco de dados público de milhares de veículos, marcados como “confirmado-ICE”, “altamente suspeito” e “não-ICE”. Essas informações não eram coletadas para o objetivo abstrato de conscientizar ou documentar atrocidades; os dados de vigilância eram instrumentos de ataque na medida em que eram operacionais. Em vez de ficar em espera, os patrulheiros usavam essas informações para rastrear agentes e confrontá-los diretamente. Ao fazer isso, a RRN se tornou a maneira mais militante e também mais popular de participação.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda a região metropolitana foi dividida em zonas de vizinhança. Cada zona operava uma chamada de patrulha diária, rigorosamente organizada, com duração de um dia inteiro. Em turnos de duas horas, despachantes remotos facilitavam a cobertura completa de suas zonas. Eles realizavam chamada, atribuíam rotas, executavam verificações de placas, registravam encontros com o ICE e transmitiam informações entre zonas. O despachante não dava ordens; os patrulheiros mantinham um alto grau de autonomia <strong>[1]</strong>. Os melhores despachantes evitavam impulsos conservadores; incentivavam o discernimento e a coragem. As chamadas soavam como rádios de policiais, só que em vez dos policiais, é uma mãe transmitindo ao despache que sua rota será ponto a ponto, no sentido oeste na Franklin, enquanto busca sua filha na escola. Então, um casal aposentado pede para verificar uma placa de um veículo suspeito que estão seguindo para o norte na Hiawatha: “dois ocupantes do sexo masculino, rostos cobertos, em um Jeep Cherokee vermelho com placas de Nebraska. Despache, podemos fazer uma verificação de placa para Bravo, Charlie, Papa, Zero…” As placas voltam positivas: ICE confirmado. Os aposentados continuam na perseguição, e um patrulheiro próximo transmite que agora está indo para o leste como reforço.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignright wp-image-160056" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/red-square-1915.jpgLarge-300x300.jpg" alt="" width="400" height="401" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/red-square-1915.jpgLarge-300x300.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/red-square-1915.jpgLarge-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/red-square-1915.jpgLarge-419x420.jpg 419w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/red-square-1915.jpgLarge.jpg 599w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />Tendo uma conta no Signal, a RRN era notavelmente fácil de aderir. Poucas habilidades básicas estavam envolvidas, e aquelas que estavam eram ensináveis. Em temperaturas abaixo de zero, pessoas comuns realizavam tarefas históricas importantes. No seu melhor, a RRN tornava muitas operações do ICE inviáveis ao seguir os agentes antes que eles pudessem montar uma batida. Isso levava a frequentes perseguições em alta velocidade e confrontos em becos. Isso irritava tanto os agentes que eles freavam bruscamente na frente dos patrulheiros, quebravam seus vidros, cortavam os cintos de segurança e jogavam os motoristas em montes de neve.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando não estavam sendo seguidos, os agentes comprimiam o tempo de sequestro para sete minutos, na expectativa da vinda dos patrulheiros. Nos bairros mais densos da resistência, o ICE treinava para entrar e sair em apenas uma fração de seu já reduzido prazo. Em Powderhorn, os <em>respondedores rápidos</em> frequentemente chegavam em menos de dois minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Após dois meses, a RRN acumulou um banco de dados de placas de código aberto e abrangente, usando-o para patrulhar toda a cidade com cobertura quase constante. A infraestrutura do movimento apoiava os patrulheiros com cartões de gasolina e comida grátis. Postos de controle começaram a surgir como patrulhas a pé mais confrontacionais. A RRN fez mais do que apenas forçar a questão de quem controlava as ruas: ao orquestrar uma força popular hostil ao governo federal, ela forneceu uma resposta inequívoca.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Desagregação da classe dominante</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As formações de poder dual frequentemente conseguem ascender aproveitando-se da desintegração das ordens estabelecidas. Este foi certamente o caso da RRN das Cidades Gêmeas. Por uma breve janela de tempo, a classe dominante estava dividida. O Condado de Hennepin instruiu as cadeias a não cooperarem com a repressão à imigração. Mais de uma dúzia de promotores federais renunciaram ao escritório do Procurador dos EUA em Minnesota após o assassinato de Renée Good, deixando-o dois terços vago. Agentes federais impediram o MPD de acessar o corpo de Alex Pretti. O ICE fez perfil racial de pelo menos um policial fora de serviço, sacando armas e exigindo ver seus documentos de imigração. Conforme o caos aumentava, o Comandante da Patrulha de Fronteira Greg Bovino e o Chefe de Polícia de Minneapolis Brian O&#8217;Hara apontavam os dedos um para o outro. O prefeito Jacob Frey viralizou ao dizer ao ICE para “cair fora de Minneapolis”, enquanto o governador Tim Walz chamou a operação de “uma invasão nazista”. Trump chamou ambos de terroristas, e o Departamento de Justiça os acusou de conspiração criminosa para impedir agentes federais.</p>
<p style="text-align: justify;">É fácil reduzir essas brigas a meros espetáculos da mídia. De certa forma, elas o eram. A Casa Branca e os Democratas de Minnesota estavam ambos implorando para “baixar a temperatura”. Ainda assim, não é frequente que promotores, cadeias, políticos estaduais e federais, a polícia e o DHS estejam tão desunidos. O aspecto mais significativo desse conflito foi entre o MPD e o ICE. Desde que um de seus policiais linchou George Floyd em 2020, o departamento de polícia de Minneapolis tem buscado desesperadamente reabilitar sua imagem pública. Um mês de ICE invadindo as Cidades Gêmeas como uma campanha de <em>Call of Duty</em> desfez quase seis anos de relações públicas contrainsurgentes. O efeito foi que, por dois meses, a polícia local preferiu ficar de fora. Isso criou uma abertura crítica para que a RRN preenchesse o vazio deixado pela aplicação da lei municipal.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-160051" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/1915-2.pngLarge-300x300.png" alt="" width="400" height="401" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/1915-2.pngLarge-300x300.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/1915-2.pngLarge-70x70.png 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/1915-2.pngLarge-419x420.png 419w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/1915-2.pngLarge.png 598w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />Em janeiro, a Metro Surge tornou-se insustentável tanto para o governo estadual quanto para o federal. Na primeira semana, quando o ICE assassinou Renée Good, a rede de resposta rápida cresceu em milhares. Na semana seguinte, o ICE atirou no migrante venezuelano Julio Sosa-Celis. Manifestantes forçaram os agentes a recuar e saquearam seus veículos, roubando documentos do FBI, identidades governamentais e pelo menos duas armas de agentes do DHS. Uma greve geral importante na semana seguinte precedeu agentes da BORTAC matando Alex Pretti. Uma coletiva de imprensa mal conduzida tentando justificar sua morte com base em que Pretti estava armado gerou reação conservadora contra a Casa Branca. Os erros da administração, combinados com o crescente tamanho e militância da resistência, ameaçavam tornar a operação um atoleiro para o governo federal. Os Democratas estaduais também devem ter percebido que estavam perdendo o controle da situação. Em seu pico, estima-se que a rede de resposta rápida tivesse 80.000 participantes, em comparação com os míseros 600 policiais do MPD. Mesmo com os 3.000 agentes federais, a RRN excedia dramaticamente a presença combinada das forças de segurança. O resultado foi uma séria crise de legitimidade para o estado. O presidente do Sindicato da Polícia de Minneapolis reconheceu isso como tal, <a class="urlextern" title="https://www.reddit.com/r/altmpls/comments/1qv7bup/statement_issued_by_minneapolis_police_federation/#lightbox" href="https://www.reddit.com/r/altmpls/comments/1qv7bup/statement_issued_by_minneapolis_police_federation/#lightbox" rel="ugc nofollow">escrevendo</a> em fevereiro que:</p>
<p style="text-align: justify;">A Federação de Policiais de Minneapolis não apoia indivíduos ou grupos privados que estabeleçam postos de controle, bloqueios ou zonas de patrulha não autorizados em vias públicas. Ninguém tem autoridade legal para parar, deter, interrogar ou revistar pessoas ou veículos fora dos poderes legais do governo. Quando os policiais se movem e solicitam a remoção de bloqueios ilegais, eles não são recebidos com cooperação, mas com hostilidade aberta. O protesto pacífico é um direito constitucional. Personificar a aplicação da lei não é.</p>
<p style="text-align: justify;">Walz e Frey precisavam restaurar a ordem em Minneapolis, para não serem usurpados pelo poder popular; o DHS precisava transformar as forças de segurança locais em braços de sua agenda de imigração e reprimir a resistência. Assim, os Democratas se resignaram ao papel de parceiro júnior, em troca de uma operação de repressão à imigração menos teatral. Dois dias após o assassinato de Pretti, Walz e Trump fizeram concessões para ficar “na mesma sintonia”. Como parte do acordo, Bovino foi demitido, uma redução da operação foi planejada e os agentes foram instruídos a diminuir o gás lacrimogêneo. Em troca, Tom Homan anunciou um “nível sem precedentes de cooperação” da polícia local. Walz sugeriu que as cadeias deveriam começar a colaborar com a repressão à imigração. A polícia municipal começou a parar suspeitos de serem <em>respondedores rápidos</em> por “obstruir investigações federais”. Policiais de choque com escavadeiras destruíram postos de controle. Ambos os lados reivindicaram vitória.</p>
<p style="text-align: justify;">Reentrando em uma aliança, a classe dominante buscou esmagar a resistência antes que ela pudesse amadurecer para se tornar uma administradora legítima da cidade. Para que a RRN se tornasse um verdadeiro poder dual, ela teria que superar pelo menos três limites.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Limites da rede de resposta rápida</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, se a RRN era uma organização extremamente embrionária que poderia amadurecer para suplantar a polícia, seu potencial revolucionário era limitado por não ter uma instituição popular acompanhante para reorganizar a vida econômica e política. Embora essa segunda instituição de poder dual pudesse ter assumido várias formas, uma oportunidade perdida para que ela se desenvolvesse foi a greve de aluguéis cancelada para 1º de março.</p>
<p style="text-align: justify;">A organização de inquilinos proliferou durante toda a Metro Surge. Prédios inteiros se reuniram pela primeira vez e conversaram politicamente. Prédios já organizados redobraram seus esforços. Em janeiro, várias associações de inquilinos se uniram como um sindicato em toda a cidade. Juntos, o recém-formado Sindicato dos Inquilinos das Cidades Gêmeas <a class="urlextern" title="https://inthesetimes.com/article/ice-minnesota-rent-strike-twin-cities-labor-unions" href="https://inthesetimes.com/article/ice-minnesota-rent-strike-twin-cities-labor-unions" rel="ugc nofollow">anunciou</a> uma meta audaciosa: 10.000 inquilinos reteriam milhões de dólares dos proprietários a partir de 1º de março. Infelizmente, o sindicato não cumpriu sua cota de compromissos e <a class="urlextern" title="https://twincitiestenants.org/" href="https://twincitiestenants.org/" rel="ugc nofollow">votou contra</a> a greve.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-160054" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/four-square-1915.jpgLarge-297x300.jpg" alt="" width="397" height="402" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/four-square-1915.jpgLarge-297x300.jpg 297w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/four-square-1915.jpgLarge-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/four-square-1915.jpgLarge-415x420.jpg 415w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/four-square-1915.jpgLarge.jpg 593w" sizes="auto, (max-width: 397px) 100vw, 397px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Uma autópsia completa da organização que precedeu a votação da greve é necessária, mas está além do escopo deste ensaio. Ainda assim, não vamos assumir que o resultado era inevitável. Um número muito menor de grevistas poderia ter sobrecarregado os tribunais de despejo, criando um para-choque para aqueles involuntariamente pegos no processo. Talvez o início do movimento teria gerado impulso suficiente para que milhares se juntassem até abril. Claro, trata-se de especulação. Mas o fato de que o governador imediatamente implorou aos organizadores que cancelassem a greve sugere um poder não alavancado no exato momento em que a disrupção econômica estava se tornando o próximo terreno de luta. Depois que o ICE foi forçado a se retirar das Cidades Gêmeas, a Casa Branca retaliou negando a Minnesota US$ 250 milhões em reembolsos do Medicaid. Inquilinos em greve teriam pressionado a classe política local por duas frentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente disso, mesmo que a greve ocorresse, os revolucionários teriam que imediatamente reconfigurar sua natureza. Os sindicatos são ligados por uma relação essencialmente reformista. São corpos mediadores, defendendo reformas específicas em nome dos trabalhadores perante o establishment. Os sindicatos não são um poder dual. Durante uma greve, os revolucionários que buscam um poder dual teriam que avançar para a tomada das propriedades diretamente para as pessoas que nelas vivem. Não haveria mais uma “exigência” à velha guarda da cidade; o próprio povo socializaria imediatamente sua habitação. Uma RRN em ascensão defenderia a habitação expropriada da polícia que tentasse restabelecer as velhas relações de propriedade. As duas organizações do poder dual se uniriam e, com base nisso, contestariam o regime. Isso parece um tanto fantástico. Mas há momentos que suspendem completamente o julgamento comum, em que tudo está em jogo. As revoluções emanam desses momentos e dependem de visões fantásticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso nos leva ao próximo limite: todo o movimento, e a RRN em particular, condenou-se ao se orientar em torno do slogan “FORA ICE!”<strong>[2]</strong>. O slogan em si não caracteriza o potencial revolucionário do movimento. “FORA ICE!” é indiferente quanto a se o ICE saiu porque foi forçado ou porque cumpriu sua missão. Como uma demanda, encolhe a imaginação. Mas para a RRN, “FORA ICE!” precipitou o fim prematuro de sua própria existência. Sob tal bandeira, não havia necessidade de vislumbrar a RRN <em>após</em> a ocupação. De fato, à medida que os agentes do DHS se retiravam das Cidades Gêmeas, a RRN se atrofiou.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-160052" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/black-square-and-red-square-1915.jpgLarge-189x300.jpg" alt="" width="289" height="460" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/black-square-and-red-square-1915.jpgLarge-189x300.jpg 189w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/black-square-and-red-square-1915.jpgLarge-264x420.jpg 264w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/black-square-and-red-square-1915.jpgLarge.jpg 377w" sizes="auto, (max-width: 289px) 100vw, 289px" />A RRN sempre esteve vinculada a uma relação forma-função. Antes da Metro Surge, uma organização sem fins lucrativos de direitos dos imigrantes operava uma linha direta centralizada para denunciar grandes operações do ICE. Em dezembro, esse modelo era completamente inefetivo. As chamadas de patrulha de bairro descentralizadas substituíram a antiga linha direta para capturar ou impedir sequestros rápidos em nível de rua. Foi construída em resposta a uma supersaturação de agentes, otimizada para confirmação visual e fortemente dependente de conjuntos de dados precisos de contravigilância. Mas cada um desses pilares foi minado em meados de fevereiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob Homan, o ICE tentou ser menos visível. Os agentes trocaram equipamento tático por roupas civis e aumentaram o número de motoristas mulheres e latinos. Patinhos de borracha, adesivos de “mãe de cachorro” e frases de para-choques inócuas buscavam disfarçar veículos como amigáveis. Novos carregamentos de carros chegavam a cada semana, e agentes foram pegos instalando placas novas em áreas de preparação. Enquanto isso, carros alugados usados em semanas anteriores eram devolvidos à Enterprise. Visitantes dirigindo Nissans “confirmados ICE” eram parados por patrulheiros, levando a muitas discussões constrangedoras resolvidas por algum tipo de verificação de identidade. A ofuscação intencional do ICE coincidiu com a redução do número de agentes. Milhares de agentes deixaram o estado, e os que permaneceram eram mais difíceis de identificar. Tornava-se mais comum pegar um falso positivo do que interromper uma batida. Havia desconfiança beirando a paranoia. A RRN perdeu o bonde.</p>
<p style="text-align: justify;">O que a RRN fez quando o ICE estava “fora”, mas não totalmente? Os revolucionários (o autor incluído) não forneceram direção clara. O movimento colidiu com o limite de seu slogan orientador: sem um motivo claro, os números diminuíram e a RRN se desintegrou.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, nada suplantará realmente a polícia enquanto se permanecer desarmado<strong>[3]</strong>. Para ser claro, o ponto não é que os patrulheiros <em>deveriam</em> estar armados; apenas que a RRN seria inibida de alcançar o pleno poder dual até que fosse capaz de contestar também o monopólio estatal da violência com uma capacidade de violência própria. Como em todos os conflitos assimétricos, a revolução será, em última instância, uma vitória política, não militar. No entanto, as armas são uma parte de fato de qualquer revolução, sejam elas disparadas contra o inimigo ou estabeleçam um <em>détente</em>. Nesse aspecto, os revolucionários americanos estão em uma posição única. Enquanto nossos camaradas em outros países precisam contrabandear armas através das fronteiras ou imprimi-las em 3D nas montanhas, milhões de americanos já possuem AR-15s. Aqueles que não têm podem comprar uma no Walmart.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se a questão de adquirir armas é descomplicada, organizá-las é uma questão completamente diferente. Depois que Alex Pretti foi morto, um grupo desconhecido de defensores da Segunda Emenda anunciou uma “marcha armada” em Minneapolis. O grupo denunciou o DHS por executar Pretti sob o pretexto de que seu porte oculto legal representava uma ameaça iminente à aplicação da lei. Em 24 horas, a marcha foi cancelada devido à enorme suspeita pública. A reação pública teve pouco a ver com as armas; quase ninguém no movimento parecia se importar que Pretti estivesse armado. A controvérsia era que ninguém conhecia o grupo armado. Isso foi particularmente alarmante no contexto de uma organização hiperlocal em toda a cidade que atraiu dezenas de milhares de pessoas para um contato próximo. Quem eram aqueles caras? É possível que fossem pessoas honestas e bem-intencionadas; é possível que não fossem. Independentemente disso, quando o movimento popular não tinha nenhum vínculo estabelecido com eles, a suspeita de que fossem atores maliciosos foi tão forte que os forçou a marcha a ser cancelada.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-160057" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/suprematism-with-blue-triangle-and-black-square-1915.jpgLarge-247x300.jpg" alt="" width="347" height="422" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/suprematism-with-blue-triangle-and-black-square-1915.jpgLarge-247x300.jpg 247w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/suprematism-with-blue-triangle-and-black-square-1915.jpgLarge-345x420.jpg 345w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/suprematism-with-blue-triangle-and-black-square-1915.jpgLarge.jpg 493w" sizes="auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px" />Com armas, a confiança em seu uso disciplinado e contido é essencial. Um alto grau de trabalho relacional será tão necessário quanto o conhecimento técnico. Se o movimento popular algum dia chegasse ao ponto de se armar, teria que emanar de dentro da própria RRN.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O espectro da guerra civil</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se a RRN tivesse conseguido superar esses limites antes de ser eclipsada pela redução e disfarce dos agentes do ICE, poderia ter exacerbado os conflitos jurisdicionais entre as forças armadas do estado, criando uma situação ainda mais instável.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante toda a Metro Surge, o bloco liberal da classe dominante temia abertamente essa exata escalada. Em janeiro, <em>The Guardian</em> <a class="urlextern" title="https://www.theguardian.com/commentisfree/2026/jan/21/ice-minnesota-trump" href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2026/jan/21/ice-minnesota-trump" rel="ugc nofollow">publicou</a> a manchete: “Fizemos Simulações de Guerra Civil nos EUA de Alto Nível. Minnesota é Exatamente Como Elas Começam.” O artigo descreve o conflito armado entre forças estaduais e federais em uma grande cidade como um dos eventos precipitantes de uma guerra civil. Mesmo antes da publicação do artigo, Trump já havia ameaçado invocar a Lei da Insurreição. À medida que a resistência crescia, ele colocou 1.500 soldados ativos prontos para o inverno em alerta no Alasca. Policiais militares em Fort Bragg também foram preparados para possível ação. Tim Walz <a class="urlextern" title="https://www.theatlantic.com/politics/2026/01/tim-walz-fort-sumter-minneapolis-ice/685801/" href="https://www.theatlantic.com/politics/2026/01/tim-walz-fort-sumter-minneapolis-ice/685801/" rel="ugc nofollow">comparou</a> a situação a Fort Sumter, os primeiros tiros confederados da Guerra Civil (ele também alertou que John Brown “certamente não é para onde queremos ir”). Se Walz lamentava possíveis John Browns, Frey continha soldados da União. Apesar de um influxo de pedidos para que o prefeito mobilizasse o MPD contra as operações do ICE, ele não estava disposto a autorizar, <a class="urlextern" title="https://www.politico.com/news/2026/01/18/jacob-frey-minneapolis-intimidated-ice-00735659" href="https://www.politico.com/news/2026/01/18/jacob-frey-minneapolis-intimidated-ice-00735659" rel="ugc nofollow">afirmando</a> que “não podemos estar em um lugar onde duas entidades governamentais estão literalmente lutando entre si”.</p>
<p style="text-align: justify;">A tensão aguda nas Cidades Gêmeas se desenrolou em meio a ações altamente irregulares das forças armadas dos EUA. No início do ano, Trump <a class="urlextern" title="https://thehill.com/homenews/administration/5528730-trump-military-training-cities-crime-crackdown/" href="https://thehill.com/homenews/administration/5528730-trump-military-training-cities-crime-crackdown/" rel="ugc nofollow">disse</a> aos líderes militares para usar cidades americanas “perigosas” como “campos de treinamento”. Ao contrário do levante de 2020, quando seu então Secretário de Defesa se recusou à sugestão de Trump de “atirar nas pernas dos manifestantes”, agentes do DHS em Minneapolis assassinaram dois <em>respondedores rápidos</em> em plena luz do dia. Trump caracterizou ambos postumamente como terroristas, enquanto se vangloriava de conceder imunidade para agentes federais. O senador Mark Kelly, veterano da Marinha e membro do Comitê de Serviços Armados do Congresso, gravou um vídeo bizarro com cinco colegas lembrando oficiais militares de recusar ordens ilegais da Casa Branca. A mensagem ou sugere conhecimento de ordens ilegais ou as presume prováveis. Independentemente disso, prenuncia duas possibilidades que os revolucionários devem levar a sério: operações militares dos EUA contra seus próprios cidadãos, ou as forças armadas se recusando a obedecer a ordens presidenciais.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a guerra civil está nas manchetes das principais publicações, na boca de uma classe dominante combativa e na mente de milhões de pessoas, os revolucionários não devem recuar da ideia nem descartá-la como hipérbole. Precisamos engajar o debate diretamente e reformulá-lo a partir da perspectiva de um caminho popular viável. A guerra civil assusta as pessoas. Para muitos, evoca imagens de violência fratricida, morte em massa sem sentido e devastação total. Parte de nossa tarefa é transformar a ansiedade sobre uma guerra civil em convicção por uma revolução. Fazer isso é parte fundamental das nossas obrigações. Em vez de nos situarmos contra um conflito que pode ocorrer de qualquer maneira, temos que organizar um polo dentro dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Walz e Trump, obviamente, negociaram para chegar a um patamar inferior a esse cenário específico. As forças populares também não estavam organizadas o suficiente para levar essa situação a um desfecho. Ainda assim, embora tenham conseguido evitar o pior que imaginavam, tensões significativas entre a classe dominante persistem. Os revolucionários precisam rastreá-las estrategicamente e agir.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-160055" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/quadrilateral-and-the-circle-1915.jpgLarge-209x300.jpg" alt="" width="309" height="444" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/quadrilateral-and-the-circle-1915.jpgLarge-209x300.jpg 209w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/quadrilateral-and-the-circle-1915.jpgLarge-293x420.jpg 293w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/quadrilateral-and-the-circle-1915.jpgLarge.jpg 418w" sizes="auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A próxima eleição</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É significativo que a classe dominante narre sua desunião por meio da guerra civil, não apenas pelo conflito dramático que evoca, mas por sua ressonância histórica com o presente. As eleições são a principal maneira pela qual a classe dominante americana compartilha seu turno de governo. Em dois séculos e meio, a única vez que a democracia burguesa americana falhou em mediar o conflito de elites foi a Guerra Civil, na qual abolicionistas e africanos escravizados em greve transformaram com sucesso uma guerra pela União em uma revolução social pela emancipação. Pela primeira vez desde então, as eleições podem não ser mais uma força estabilizadora suficiente para a coalizão governante. A janela para a revolução está se abrindo novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Trump nunca concedeu a eleição de 2020. Nos últimos dias de seu primeiro mandato, ele tentou desesperadamente manter o poder, convencendo milhões de pessoas a duvidar da integridade das eleições dos EUA. Ele entrou com mais de sessenta processos judiciais, organizou eleitores falsos e instruiu aliados a forjar contagens de votos. Como esforço de última hora, 2.000 apoiadores de Trump invadiram o Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação. Apesar dessas tentativas sem precedentes de manter o poder, Trump falhou.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma teoria da conspiração fundamental dos negacionistas das eleições de 2020 é de que pessoas votaram ilegalmente. Por exemplo, Trump <a class="urlextern" title="https://kstp.com/kstp-news/top-news/no-truth-to-claims-trump-won-minnesota-3-times-or-even-once/" href="https://kstp.com/kstp-news/top-news/no-truth-to-claims-trump-won-minnesota-3-times-or-even-once/" rel="ugc nofollow">afirma</a> falsamente ter vencido em Minnesota em todas as suas três eleições, “se você contar os votos legais”. Cinco anos após o motim do Capitólio, ele enviou 2.000 agentes do ICE para as Cidades Gêmeas, tornando-a a maior operação de repressão à imigração já realizada. No mesmo dia em que Alex Pretti foi assassinado, a Procuradora-Geral Pam Bondi extorquiu Tim Walz, afirmando que o acesso ao cadastro eleitoral do estado seria uma pré-condição para a retirada dos agentes federais. Ao fazer isso, ela vinculou a suposta fraude somali (o pretexto para a Operação Metro Surge) às dúvidas sobre a integridade das eleições em Minnesota.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, Trump exigiu que 48 estados apresentassem seus cadastros eleitorais para “depuração” federal, na qual a administração eliminará eleitores que considerar inelegíveis. O governo federal <a class="urlextern" title="https://www.brennancenter.org/our-work/research-reports/tracker-justice-department-requests-voter-information" href="https://www.brennancenter.org/our-work/research-reports/tracker-justice-department-requests-voter-information" rel="ugc nofollow">jamais</a> fez isso antes. Algumas dezenas de estados se recusaram e estão sendo processados pelo Departamento de Justiça. Em agosto, Trump postou no Truth Social que “Os estados são meramente um &#8216;agente&#8217; do Governo Federal na contagem e tabulação dos votos. Eles devem fazer o que o Governo Federal, representado pelo Presidente dos Estados Unidos, lhes diz, PARA O BEM DO NOSSO PAÍS, para fazer.” Em fevereiro, o assessor de Trump, Steve Bannon, sugeriu que o ICE guardasse locais de votação para as eleições de meio de mandato de 2026. Em seguida, Trump assinou uma ordem executiva estabelecendo uma lista federal de eleitores elegíveis, a ser mantida pelo DHS.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-160053" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/composition-with-a-black-circle-1916.jpgLarge-216x300.jpg" alt="" width="316" height="440" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/composition-with-a-black-circle-1916.jpgLarge-216x300.jpg 216w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/composition-with-a-black-circle-1916.jpgLarge-302x420.jpg 302w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/composition-with-a-black-circle-1916.jpgLarge.jpg 431w" sizes="auto, (max-width: 316px) 100vw, 316px" />Essa manipulação eleitoral descarada, da qual o DHS é um executor, distingue a próxima eleição das de 2016, 2020 e 2024. Trump está desmantelando os guardrails que mal o impediram de reverter sua derrota eleitoral anterior. Pessoal do DOJ, FBI e DHS que investigaram Trump, processaram os invasores de 6 de janeiro ou confirmaram os resultados das eleições de 2020 foram substituídos. Todos as três dezenas de especialistas eleitorais da Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura foram demitidos. O novo Diretor de Segurança Eleitoral tentou ajudar Trump a reverter os resultados de 2020. O FBI desmantelou sua Equipe de Corrupção Pública e invadiu o escritório eleitoral do Condado de Fulton, GA, em busca de evidências de fraude eleitoral. Trump perdoou os réus de 6 de janeiro e agora está tentando criar um fundo federal para compensá-los. Ao contrário de 2020, ele está mais preparado para manter o poder se for derrotado. Ao contrário de 2016 e 2024, a eleição está perdendo qualquer aspecto remanescente de “livre e justa”. Especialmente se Trump buscasse um terceiro mandato — algo sobre o qual ele tem especulado repetidamente —, isso estaria totalmente fora dos limites da ordem e, portanto, seria um ultraje para a elite. No entanto, o establishment Democrata não tem plano; tem apenas uma fidelidade fútil às normas moribundas do liberalismo através das quais originalmente chegou ao poder.</p>
<p style="text-align: justify;">Se as eleições não são mais um vetor para equilibrar o conflito de elites, podemos imaginar um cenário em que a agitação popular em torno das eleições possa evoluir para uma situação revolucionária? Devemos ser capazes disso. A recente decisão da Suprema Corte que esvaziou a Lei dos Direitos de Voto foi usada para erradicar distritos de maioria negra em todo o Sul. Milhões de eleitores negros do Sul — alguns dos quais ainda carregam as cicatrizes deixadas pelos pastores-alemães durante o Movimento pelos Direitos Civis — estão indignados. Foram as suas campanhas armadas de registro de eleitores e a sua mobilização em massa que deram origem aos grupos revolucionários das décadas de 1960 e 1970, nos quais muitos de nós buscamos inspiração. De fato, daquele período até a Guerra Civil — e remontando à primeira Revolução Americana —, o <em>sufrágio</em> é um fio condutor da tradição revolucionária americana.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora a luta anti-ICE tenha sido o movimento mais combativo do segundo mandato de Trump, os protestos “No Kings” têm sido os maiores. Cada marcha sucessiva atraiu milhões de pessoas a mais que a anterior, culminando em 8 milhões de americanos em mais de 2.000 cidades. Os revolucionários precisarão unir essas duas lutas e organizar-se dentro do “No Kings” para transformar seu horizonte de integridade eleitoral em uma força inteiramente nova pelo comunismo. Podemos até nos inspirar no movimento original “No Kings” de 250 anos atrás, que afirmou corretamente que quando um governo se torna destrutivo para seu povo, é nosso dever aboli-lo e organizar um novo.</p>
<p style="text-align: justify;">Como um polo revolucionário na ordem liberal em desintegração, devemos oferecer ao movimento de massa mais do que um repertório tático combativo. A rebelião certamente será necessária, e devemos incentivá-la e participar. Mas, sem uma organização revolucionária pronta para inaugurar algo novo, os “motins eleitorais” serão apenas a face mais extrema do protesto, uma maneira mais militante de “fazer nossas vozes serem ouvidas”. Em vez disso, um poder dual, com a participação ativa de centenas de milhares, idealmente milhões, de pessoas deve estar pronto para assumir o controle onde as facções de elite em guerra falharem.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Traduzido de: </em><a class="urlextern" title="https://illwill.com/dual-power#fn1" href="https://illwill.com/dual-power#fn1" rel="ugc nofollow">https://illwill.com/dual-power#fn1</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[1]</strong> Como a rede de resposta rápida não era uma organização, mas uma forma memética, seu caráter político mudava entre os bairros. É verdade que em algumas áreas &#8211; especialmente nos subúrbios &#8211; os despachantes davam instruções, geralmente para deixar de lado ou permanecer observando. Dessa forma, é essencial que os militantes sejam os que compõem funções como a de despachante, que são altamente influentes no caráter das interações com os agentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[2]</strong> Apesar de suas limitações, o slogan foi, afinal, aquele sob o qual mais de 100.000 habitantes de Minnesota organizaram sua conspiração. Se esse slogan em particular era necessário para uma mobilização tão ampla, então talvez o que fosse necessário fosse a organização autoconsciente dos revolucionários para antecipar o limite do slogan e estar prontos para superá-lo com um novo princípio organizador, muito parecido com o que é sugerido em relação à greve de aluguéis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>[3]</strong> É claro, alguns <em>respondedores rápidos</em> estavam armados. Alex Pretti é um exemplo. Mas a questão da defesa armada revolucionária vai além de uma questão de propensão individual a portar armas e requer seu uso organizado.</p>
<p><em><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-160067 size-thumbnail" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/kazimir-malevich.jpgPortrait-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/kazimir-malevich.jpgPortrait-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/10/kazimir-malevich.jpgPortrait-355x350.jpg 355w" sizes="auto, (max-width: 70px) 100vw, 70px" /> As imagens que ilustram esse artigo são reproduções de obras de</em> Kasimir Malevitch (1879-1935).</p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<h3><span class="info-icon-circle-wrapper">  </span></h3>
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		<title>Entregadores organizam &#8220;breque dos apps&#8221; no Vietnã</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 15:42:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Greves]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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		<category><![CDATA[Vietnã]]></category>
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					<description><![CDATA[Entregadores da Grab, em Hanói, estão organizando uma paralisação para os dias 12 e 13 de setembro. Por Passa Palavra]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 align="justify">Por Passa Palavra</h3>
<p align="justify">Trabalhadores de aplicativo da Grab, no Vietnã, estão organizando uma paralisação para os dias 12 e 13 de setembro de 2026 na capital, Hanói, por aumento nos valores recebidos por viagem.</p>
<p align="justify"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-159804" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-300x181.jpg" alt="" width="411" height="248" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-300x181.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-1024x618.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-768x463.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-696x420.jpg 696w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-640x386.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016-681x411.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040016.jpg 1220w" sizes="auto, (max-width: 411px) 100vw, 411px" /></p>
<p align="justify">A Grab é a maior empresa do setor no país e uma das maiores do Sudeste Asiático. Operando no Vietnã ao lado de outras grandes empresas como Xanh SM, Be e Gojek, vende serviços de mototáxi, táxi, aluguel de carro, entrega de comida, e entregas de compra de supermercado e lojas de conveniência.</p>
<p align="justify">O movimento que organiza a luta em Hanói conta com doações voluntárias de dinheiro para garantir a paralisação e com a participação voluntária de apoiadores que ajudam na  organização de um local, e na preparação da distribuição de 300 marmitas já arrecadadas, que serão entregues para trabalhadores da Grab no dia 12.</p>
<p align="justify"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-159805" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-300x182.jpg" alt="" width="400" height="243" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-300x182.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-1024x623.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-768x467.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-691x420.jpg 691w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-640x389.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017-681x414.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040017.jpg 1220w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" /></p>
<p align="justify">Hoje, os trabalhadores de aplicativo da Grab são os mais organizados do setor em Hanói. O movimento conta com a divulgação pública de um número de telefone para contato e um perfil no Instagram (@hoathunguyn) que existe há dois anos. Nas outras grandes empresas do setor, Xanh SM, Be e Gojek, parece não haver o mesmo grau de organização política. Acredita-se que haverá alguma participação de trabalhadores das outras empresas nos dois dias de paralisação, porém em menor número.</p>
<p align="justify">Outra ação do movimento é a campanha, que também circula no Instagram, chamando os clientes da Grab a desinstalarem o aplicativo nos dias 12 e 13 como forma de apoiar a luta e pressionar a empresa por aumento nos valores pagos aos trabalhadores. Incentivando o boicote e a desinstalação dos aplicativos, a campanha aconselha a quem realmente precisar desses serviços nos dias 12 e 13 que busque trabalhadores que não estarão usando aplicativos.</p>
<p align="justify"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159806 size-large" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-1024x619.jpg" alt="" width="640" height="387" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-1024x619.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-300x181.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-768x465.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-694x420.jpg 694w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-640x387.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018-681x412.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/09/1000040018.jpg 1220w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
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		<title>A última declaração de Zoe Rogers do Palestine Action perante o júri</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Passa Palavra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 10:58:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Vocês podem achar estranho que o que está acontecendo na Palestina tenha passado completamente despercebido, podem ter notado certas palavras que foram censuradas, e que, até nossas declarações finais, a palavra genocídio não foi dita uma única vez. Por Leo Vinicius]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;"><strong>Por Leo Vinicius</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Em 6 de agosto de 2024, ativistas do <a class="urlextern" title="https://passapalavra.info/2025/07/156892/" href="https://passapalavra.info/2025/07/156892/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Palestine Action</a> entraram na fábrica da Elbit em Filton, na Inglaterra, e destruíram equipamentos da concreta máquina de genocídio, como um carregamento de quadricópteros usados para matar a população em Gaza. A Elbit Systems é a maior empresa bélica israelense, e possui uma subsidiária no Brasil, <a class="urlextern" title="https://www.ael.com.br/" href="https://www.ael.com.br/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">chamada AEL</a>, com sede em Porto Alegre.</p>
<p style="text-align: justify;">Seis ativistas foram presos no local. Outros ligados a essa ação foram presos em novembro de 2024 e junho de 2025, totalizando 24, que ficaram conhecidos como os Filton24. É o primeiro caso na história da Grã Bretanha em que o Estado tenta considera a destruição de propriedade como terrorismo. Alguns ficaram presos 18 meses antes do julgamento, em condições e violações de direitos que fizeram muitos deles entrarem em greve de fome.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159216" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk.jpg" alt="" width="1536" height="1024" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-630x420.jpg 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/palestine-action-uk-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1536px) 100vw, 1536px" />Em fevereiro de 2026 os seis primeiros ativistas foram julgados, e não foram condenados pelos jurados em nenhuma das acusações, sendo libertados. Dos 24, apenas um não foi solto. Porém, não satisfeito com o resultado, o Estado obrigou que eles fossem novamente julgados. Um novo julgamento com uma série de <a class="urlextern" title="https://thegrayzone.com/2026/04/12/uk-jail-palestine-action-terrorism-uk/" href="https://thegrayzone.com/2026/04/12/uk-jail-palestine-action-terrorism-uk/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">violações de direitos que a imprensa britânica foi proibida de divulgar</a>, como, por exemplo, os jurados não serem informados de que os réus estão sendo acusados de terrorismo e a imprensa britânica proibida de noticiar isso por ordem judicial.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se de uma de uma série de ações estatais para criminalizar e impedir ações e movimentos contra o genocídio e o apartheid na Palestina. A proscrição do Palestine Action como grupo terrorista, que levou milhares de britânicos a serem presos por terrorismo por se manifestarem contra essa proscrição expressando apoio verbal ao Palestine Action, foi uma dessas ações estatais. A tentativa atual pelo Estado e por grande parte da imprensa burguesa de proibir passeatas contra o genocídio cometido por Israel é outra. Acabar com julgamentos de júri para a maioria dos processos penais também está em pauta. Ora, as pessoas comuns que formam os júris normalmente compreendem as motivações dos ativistas e empatizam com seus objetivos. Por isso também no novo julgamento dos 6 de Filton foi proibido que os acusados se defendessem propriamente, explicando aos jurados suas motivações por trás da ação.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 5 de maio de 2026, saiu o resultado do novo julgamento. Charlotte Head, Samuel Corner, Leona Kamio e Fatema Rajwani foram considerados culpados por destruição de propriedade. Zoe Rogers e Jordan Devlin foram inocentados. Samuel Corner também foi condenado por lesão corporal grave contra um policial. No momento em que escrevo as penas ainda não foram proferidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Até mesmo nos seus discursos finais aos jurados, os ativistas foram <a class="urlextern" title="https://thegrayzone.com/2026/04/29/uk-palestine-action-defendants-terror/" href="https://thegrayzone.com/2026/04/29/uk-palestine-action-defendants-terror/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">proibidos pelo juiz de falar aos jurados sobre o princípio da equidade do júri</a>, isto é, o princípio de que os jurados podem absolver um réu a partir de suas consciências, mesmo que seja provado que ele fez algo ilegal.<img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-159217" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-scaled.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-300x169.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-1024x576.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-768x432.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-1536x864.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-2048x1152.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-747x420.jpg 747w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-640x360.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/5b88e320-5760-11f0-9ba9-9f966e2be36f-681x383.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, segue a <a class="urlextern" title="https://filtonactionists.com/zoes-closing-speech/" href="https://filtonactionists.com/zoes-closing-speech/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">última declaração de Zoe Rogers diante do júri</a> em 29 de abril de 2026:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Como vocês provavelmente já perceberam, decidi me representar neste julgamento. Não porque minha advogada estivesse fazendo um trabalho ruim ou algo do tipo &#8211; na verdade, nos tornamos amigas próximas &#8211; e estou sempre dizendo aos outros que tenho a melhor advogada. Sou muito grata por tudo o que ela fez por mim, neste julgamento e no anterior. Mas desta vez eu queria poder falar com vocês pessoalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante este julgamento, vocês ouviram algumas evidências muito importantes. Ouviram que existem fábricas em solo britânico produzindo armas para enviar a Israel. Ouviram que os drones que eles fabricam incluem quadricópteros Thor VTOL usados ​​para lançar granadas, drones que são anunciados como “testados em combate” contra palestinos. Ouviram que drones usam inteligência artificial para alvejar crianças, que drones de vigilância Magni X funcionam em conjunto com “drones assassinos” e que a Pesquisa &amp; Desenvolvimento realizada no Reino Unido é vital para as forças armadas israelenses. Vocês também já devem ter ouvido falar que a unidade de Filton foi inaugurada pelo embaixador israelense, que possui licenças de exportação para Israel e que a própria Elbit é a “espinha dorsal” das forças armadas israelenses.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês ouviram como tentamos todos os meios democráticos disponíveis, incluindo manifestações, arrecadação de fundos, acampamentos, petições, cartas para parlamentares, adesivos com informações da Anistia Internacional sobre o apartheid, vigílias, piquetes em fábricas de armas, e a lista continua. E como nada disso funcionou. Vocês ouviram como a ação direta é eficaz, como ela pôs fim ao apartheid durante o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, como ela está sendo usada hoje no Reino Unido para fechar fábricas de armas, quatro das quais foram fechadas permanentemente.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês ouviram que, depois de destruirmos esses drones, fomos presos por terrorismo &#8211; mantidos incomunicáveis ​​- e passamos 18 meses na prisão sem julgamento. Vocês ouviram que este é um novo julgamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de ouvir o depoimento de nós seis, vocês podem achar estranho que o que está acontecendo na Palestina tenha passado completamente despercebido, podem ter notado certas palavras que foram censuradas, e que, até nossas declarações finais, a palavra genocídio não foi dita uma única vez. Houve interrupções por parte da acusação, mudanças repentinas de assunto por parte dos nossos advogados &#8211; é quase como se tópicos inteiros de conversa tivessem sido proibidos. A acusação sabe muito bem que estamos certos ao afirmar que essa fábrica está fornecendo armas a Israel para serem usadas em Gaza. É por isso que eles estão optando por suprimir essa informação em vez de contestá-la. A acusação decidiu que a legalidade das ações de Israel é irrelevante neste julgamento. Porque eles sabem que vocês não poderiam, em sã consciência, nos considerar culpados de nada se tivessem a oportunidade de ouvir toda a verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Para nos considerar culpados de dano criminal, é preciso ter certeza. Vocês talvez reconheçam a expressão “além de qualquer dúvida razoável”, é a mesma coisa. E vou usar uma analogia para explicar isso, porque, ao contrário deste grupo, eu não tenho formação em Direito.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos imaginar que você e alguém que você ama foram passar férias juntos. E um dia vocês decidem saltar de paraquedas. Agora, você quer ter certeza de que esse paraquedas vai te segurar. Você não compraria um barato na Amazon, nem pegaria emprestado um de um amigo que estivesse mofando no galpão há tempos. Porque você quer saber tudo sobre esse paraquedas! Sua história, quem o fabricou, como foi usado, talvez até mesmo suas motivações? Porque você quer ter certeza de que, enquanto estiver caindo em direção ao chão, quando acionar o mecanismo, o paraquedas vai te segurar, porque se você não tiver certeza, bem, isso é um erro irreparável. E essa decisão não é diferente. É algo permanente, com consequências que mudam a vida, e o mais importante, não há como voltar atrás.</p>
<p style="text-align: justify;">A acusação precisa te convencer para que você possa condenar. Mas como ter certeza se você sabe que não ouviu toda a verdade?</p>
<p style="text-align: justify;">Sou uma pessoa comum, com amigos, família, uma vaga na universidade, um gato que amo, basicamente muita coisa a perder indo para a prisão. Mas vocês sabem que todos nós tínhamos a intenção de ser presos no dia 6 de agosto. Tínhamos a intenção de ir a julgamento. E não vou falar pelos outros aqui, mas a razão pela qual eu estava disposta e confiante o suficiente para permitir isso foi porque eu sabia que agora, 20 meses depois, eu estaria diante de 12 pessoas comuns como vocês. Não políticos, não especialistas em Direito, não advogados e juízes com crinas de cavalo de 400 anos na cabeça, mas um painel de iguais a mim. Vocês são o melhor contrapeso ao poder e à tirania dentro do sistema jurídico como ele existe hoje. É um privilégio ser julgado por vocês. E não digo isso para bajulá-los, mas porque, como você já deve ter ouvido, o direito ao julgamento por júri está ameaçado, com um projeto de lei tramitando na Câmara dos Comuns neste exato momento. Os júris como os conhecemos hoje podem não existir por muito mais tempo, justamente porque seus bolsos não podem ser subornados por pessoas ricas e poderosas. (E também porque os júris frequentemente se recusam a condenar nesses tipos de casos). E essa é uma posição de grande poder para vocês.</p>
<p style="text-align: justify;">Ninguém pode obrigá-los a condenar neste caso, nem mesmo o juiz. Aliás, o juiz está expressamente proibido de lhes dizer para condenar! Vocês, e somente vocês, podem decidir sobre seus veredictos. Mas não só podem nos absolver, como têm o DIREITO de nos absolver. Ninguém pode puni-los por sua decisão. Ninguém pode sequer lhes perguntar porquê.</p>
<p style="text-align: justify;">Quero que saibam, porém, que, seja qual for a sua decisão, não os culparei. Como poderia, se foram mantidos tão no escuro? Mas podem ter certeza de uma coisa. Estou orgulhosa, muito orgulhosa de ter participado disso. Estou orgulhosa de ter superado o meu medo e de ter agido, porque é claro que estava com medo, ninguém invade uma fábrica de armas israelense por diversão! E posso afirmar com absoluta certeza que essa foi a melhor coisa que já fiz, porque há uma grande probabilidade de que, graças às nossas ações naquela noite, vidas inocentes tenham sido salvas.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, jamais terei vergonha de ter sido julgada, de ter passado 18 meses na prisão e de poder enfrentar muitos mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês sabem que fomos tratados como terroristas durante todo esse processo. Uma assistente social que trabalha com vítimas de violência doméstica, duas professoras de jardim de infância, uma graduada de Oxford, uma artista e eu. Parece distópico, mas é verdade, assim como a proscrição do Palestine Action.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas desta vez, vocês são os que decidem. Ao contrário do que a promotoria e o governo querem que vocês sejam, vocês não são meros instrumentos de aprovação. Não caiam na armadilha deles.”</p>
<p style="text-align: justify;">
</blockquote>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A armadilha do desarmamento em Gaza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 14:38:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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					<description><![CDATA[ Os ataques contínuos de Israel e as restrições à ajuda humanitária transformaram o cessar-fogo em uma farsa. Agora, Israel condiciona a retirada do cessar-fogo à entrega total das armas do Hamas. Por Muhammad Shehada ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Muhammad Shehada</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Em um prédio de vários andares bombardeado no bairro de Tal Al-Hawa, na Cidade de Gaza, meu amigo Anas, sua esposa e sua filha de 3 anos estão abrigados em um apartamento no primeiro andar, sem portas nem janelas. A maioria das paredes desabou total ou parcialmente, assim como grande parte do teto da sala de estar. No centro do andar, há um buraco profundo aberto por uma bomba israelense de 900 kg que não explodiu.</p>
<p style="text-align: justify;">O prédio está crivado de balas. Os dois últimos andares foram repetidamente bombardeados e alvejados por tanques e drones israelenses, e o térreo foi quase completamente destruído. A escada não liga mais aos três andares superiores, deixando o prédio em risco de desabar a qualquer momento. Por enquanto, ele permanece de pé em meio a um mar de prédios totalmente arrasados.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há eletricidade, água encanada, esgoto ou banheiros em funcionamento. À noite, Anas dorme com um olho aberto para ficar de olho em ratos e camundongos que possam morder sua filha. Moscas, mosquitos e baratas também infestam o prédio, fazendo ninhos nas tubulações de esgoto destruídas e sob a vasta quantidade de entulho. Durante o dia, Anas e sua esposa passam o tempo procurando trabalho ou ajuda humanitária; seus sucessos são dolorosamente raros e mal dão para mantê-los vivos.</p>
<p style="text-align: justify;">O dia todo eles são atormentados pelo zumbido incessante de drones israelenses sobrevoando suas cabeças, <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/drones-grenades-gaza-chinese-autel/" href="https://www.972mag.com/drones-grenades-gaza-chinese-autel/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">prontos para atirar para matar</a>, bem como pelos sons de explosões, metralhadoras e demolições que ocorrem atrás da <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/gaza-yellow-line-expanding-israel/" href="https://www.972mag.com/gaza-yellow-line-expanding-israel/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">“Linha Amarela”</a> — a <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/gaza-yellow-line-expanding-israel/" href="https://www.972mag.com/gaza-yellow-line-expanding-israel/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">fronteira em expansão</a> que marca a ocupação direta de Israel de mais da metade do território de Gaza, que está sendo <a class="urlextern" title="https://www.aljazeera.com/news/2025/12/15/israel-demolishes-more-buildings-in-military-controlled-gaza-analysis" href="https://www.aljazeera.com/news/2025/12/15/israel-demolishes-more-buildings-in-military-controlled-gaza-analysis" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">sistematicamente arrasado</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é, na verdade, a vida de uma das famílias mais afortunadas de Gaza, pois pelo menos eles têm um teto sobre suas cabeças. Mais de seis meses após a assinatura do chamado “cessar-fogo”, a maioria dos palestinos na Faixa ainda vive em frágeis barracas de plástico que <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/photos-rainstorm-khan-younis-tents/" href="https://www.972mag.com/photos-rainstorm-khan-younis-tents/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">alagam quando chove</a>, retêm o calor sufocante quando o sol brilha forte demais e correm o risco de serem levadas por ventos moderados.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159163" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1.jpg" alt="Armadilha do desarmamento" width="2569" height="807" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1.jpg 2560w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-300x94.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-1024x322.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-768x241.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-1536x482.jpg 1536w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-2048x643.jpg 2048w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-1337x420.jpg 1337w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-640x201.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp1-681x214.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 2569px) 100vw, 2569px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Meus amigos, familiares e colegas no terreno têm se mostrado dispostos a suportar essa situação, contanto que acreditem que seja um sofrimento temporário no caminho para um futuro melhor. No entanto, eles estão cada vez mais internalizando a triste realidade de que <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/podcast-israel-emptied-half-of-gaza-whats-next/" href="https://www.972mag.com/podcast-israel-emptied-half-of-gaza-whats-next/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">não há fim à vista</a> para as condições deliberadamente insuportáveis ​​que Israel impôs a Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a guerra entre EUA e Israel contra o Irã consumindo a atenção da mídia global e a energia diplomática, e <a class="urlextern" title="https://www.reuters.com/world/middle-east/trumps-gaza-plan-hold-iran-war-pauses-disarmament-talks-sources-say-2026-03-09/" href="https://www.reuters.com/world/middle-east/trumps-gaza-plan-hold-iran-war-pauses-disarmament-talks-sources-say-2026-03-09/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">efetivamente paralisando</a> o “plano de paz para Gaza” do presidente Trump, o enclave sitiado foi praticamente removido da agenda mundial — despriorizado por governos ocidentais e regionais e raramente mencionado na grande mídia. Mas, nos bastidores, as negociações sobre o desarmamento do Hamas continuaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Tanto o governo israelense quanto o governo Trump têm apresentado consistentemente essa questão como o principal obstáculo para qualquer retirada israelense, obscurecendo o fato de que Israel mesmo não cumpriu seus principais compromissos sob o acordo. E, nas últimas semanas, o homem encarregado de supervisionar o processo de desarmamento fez novas exigências ao Hamas, alinhadas a Israel, que parecem ter sido elaboradas para serem impossíveis de serem aceitas, sabotando deliberadamente o cessar-fogo e permitindo que Israel continue seu genocídio sem impedimentos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: justify;">De promessas quebradas ao desarmamento total</h3>
<p style="text-align: justify;">Na primeira fase do cessar-fogo, o Hamas concordou em libertar todos os reféns israelenses restantes em troca da libertação dos prisioneiros palestinos, da retirada das forças israelenses para a Linha Amarela e do fim imediato de “todas as operações militares”.</p>
<p style="text-align: justify;">Após isso, Israel deveria facilitar a entrada em Gaza de uma Força Internacional de Estabilização (FIE) e do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), um mínimo de 600 caminhões de ajuda humanitária por dia e 200.000 tendas, juntamente com 60.000 moradias temporárias. A partir daí, as negociações para a segunda fase do cessar-fogo — que inclui novas retiradas israelenses e o desarmamento do Hamas — deveriam começar.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, seis meses depois, Israel ainda não cumpriu sua parte do acordo.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início do cessar-fogo, o exército israelense matou <a class="urlextern" title="https://www.msf.org/not-ceasefire-life-gaza-continues-be-suffocated-six-months#:~:text=As%20of%208%20April%202026%2C%20at%20least,ceasefire%20on%2010%20October%2C%20according%20to%20Gaza's" href="https://www.msf.org/not-ceasefire-life-gaza-continues-be-suffocated-six-months#:~:text=As%20of%208%20April%202026%2C%20at%20least,ceasefire%20on%2010%20October%2C%20according%20to%20Gaza's" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">mais de 750</a> palestinos; continuou a <a class="urlextern" title="https://www.haaretz.com/gaza/2026-03-19/ty-article/.premium/humanitarian-aid-trucks-entering-gaza-falls-80-percent-as-food-prices-surge/0000019d-0251-df92-a9df-ebd16eda0000" href="https://www.haaretz.com/gaza/2026-03-19/ty-article/.premium/humanitarian-aid-trucks-entering-gaza-falls-80-percent-as-food-prices-surge/0000019d-0251-df92-a9df-ebd16eda0000" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">restringir o fluxo</a> de ajuda humanitária; bombardeou Gaza por terra, ar e mar; impediu a entrada do CNAG; e recusou-se a permitir a entrada de moradias temporárias. E limitou até mesmo a entrada de tendas sob o pretexto ridículo de que o Hamas poderia reciclar a pequena quantidade de alumínio para produzir armas, apesar da própria inteligência israelense <a class="urlextern" title="https://www.mako.co.il/news-military/be11d799e08b8910/Article-2c24821e8a1da91026.htm" href="https://www.mako.co.il/news-military/be11d799e08b8910/Article-2c24821e8a1da91026.htm" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">demonstrar</a> que o Hamas não está se rearmando. (Israel também tem permitido a entrada de alimentos enlatados em Gaza, que o Hamas poderia igualmente reciclar para produzir armas, se quisesse).</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, em meio à fumaça da guerra com o Irã, Israel está propondo um truque simples: uma proposta maximalista para o desarmamento total e unilateral do Hamas e de todos os outros grupos armados em Gaza — sem garantias ou prazo para a retirada israelense, e sem a qual não haveria reconstrução no enclave. Agora, essa se tornou a exigência oficial do homem encarregado das negociações.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta foi entregue ao Hamas no Cairo, em meados de março, por Nickolay Mladenov, diretor-geral do Conselho de Paz do presidente Donald Trump e seu Alto Representante para Gaza. O Hamas conhece Mladenov há mais de uma década, desde sua atuação como Coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio entre 2015 e 2020, e se encontrava com ele regularmente durante suas visitas a Gaza para tentar reduzir as tensões com Israel. Desta vez, porém, os líderes do Hamas ficaram chocados com sua conduta.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hamas e outras facções palestinas (incluindo a Jihad Islâmica Palestina, a Frente Democrática para a Libertação da Palestina e a Frente Popular para a Libertação da Palestina) foram convidados para uma reunião em 14 de março com mediadores egípcios e catarianos sem serem informados da presença de Mladenov. Segundo um líder do Hamas presente na reunião, que falou sob condição de anonimato, eles só foram informados após chegarem à sala de reuniões.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159169 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2.jpeg" alt="Armadilha do desarmamento" width="1500" height="1250" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2.jpeg 1500w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-300x250.jpeg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-1024x853.jpeg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-768x640.jpeg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-504x420.jpeg 504w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-640x533.jpeg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/pp2-681x568.jpeg 681w" sizes="auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O líder do Hamas afirmou que Mladenov não se comportou da maneira que o grupo esperava, como diplomata da ONU. Falando com um tom condescendente, disse a fonte, ele apresentou um ultimato para que todas as facções palestinas em Gaza aceitassem o desarmamento total, tanto de armas pesadas quanto leves, sob pena de uma retomada da ofensiva israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele fez a proposta oralmente, em vez de por escrito, e exigiu uma resposta imediata. As facções palestinas pediram mais tempo para consultas internas, e ele concedeu uma semana. Mladenov, que preside o Conselho Nacional de Segurança da Faixa de Gaza (NCAG), deixou claro que não permitiria a entrada do órgão administrativo em Gaza até que as facções armadas palestinas concordassem com sua iniciativa.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta de Mladenov, cuja cópia (anotada por mediadores) foi analisada pela revista +972, reescreve completamente o plano de Trump. O cronograma da proposta condiciona a suspensão dos ataques israelenses a Gaza à aceitação, pelo Hamas e outras facções palestinas, do princípio do desarmamento total. Da mesma forma, Mladenov tornou a aceitação do desarmamento total um pré-requisito para a entrada em Gaza tanto das Forças Internacionais de Estabilização (FIE) quanto do NCAG, bem como de quaisquer instalações temporárias.</p>
<p style="text-align: justify;">O plano também estipula o desarmamento total de armas pesadas e leves, e o desmantelamento completo de túneis ou outras infraestruturas militantes nos 58% de Gaza atualmente controlados pelos militares israelenses, dentro de 60 dias. Exige que o Hamas e outras facções forneçam todas as informações sobre a localização de sua infraestrutura nessas áreas, tudo isso sem qualquer retirada israelense ou mobilização das FIE. Durante esses 60 dias, as facções palestinas também são obrigadas a cessar todas as atividades militares, incluindo desfiles.</p>
<p style="text-align: justify;">Do 30º ao 90º dia, a Faixa de Gaza Ocidental, atualmente controlada pelo Hamas, também seria “limpa” de todas as armas “pesadas”. As facções palestinas teriam que entregar todos os seus foguetes, fuzis e dispositivos explosivos ao NCAG e permitir a destruição completa de todos os túneis e infraestrutura militares — novamente, sem qualquer retirada israelense.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante as negociações que antecederam o cessar-fogo de outubro, mediadores americanos e árabes distinguiram entre “armas ofensivas”, que representam uma ameaça a Israel, como foguetes ou túneis que cruzam para o território israelense, e “armas defensivas”, como armas de fogo que poderiam ser usadas para repelir uma invasão israelense, mas não para atacar Israel de dentro da Faixa de Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta de Mladenov introduziu os termos “armas pesadas” e “armas pessoais”. Todas as armas “pesadas” — incluindo até mesmo AK-47 e Kalashnikovs — teriam que ser entregues até o 90º dia, enquanto o exército israelense ainda controla 58% de Gaza e poderia invadir grande parte do restante em minutos.</p>
<p style="text-align: justify;">Do dia 91 ao 250, as forças de segurança do NCAG registrariam e recolheriam todas as “armas pessoais”, e somente após uma comissão de investigação verificar que Gaza está completamente livre de quaisquer armas — um processo bastante complexo — Israel faria uma retirada limitada e “gradual” ao longo de um período indefinido até a “Linha Vermelha”, que ainda lhe manteria o controle de cerca de 38% de Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">A remoção de escombros e a reconstrução, segundo a proposta de Mladenov, só começariam no dia 251. A partir desse dia, Israel começaria a se retirar em direção a um “perímetro de segurança” que lhe manteria o controle de 20% de Gaza, incluindo grande parte das terras agrícolas do enclave. Israel permaneceria lá indefinidamente até que “Gaza esteja devidamente segura contra qualquer ressurgimento da ameaça terrorista”, uma frase indefinida que poderia incluir a “desradicalização” como pré-requisito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: justify;">Uma fórmula para o controle permanente</h3>
<p style="text-align: justify;">As facções palestinas ficaram indignadas com a proposta de Mladenov. Algumas disseram aos mediadores que preferiam não negociar com ele em futuras conversas, argumentando que ele estava “ultrapassando os limites” de seu papel como coordenador entre o NCAG e o Conselho de Paz, segundo uma fonte do Hamas. Em uma publicação no X, o alto funcionário do Hamas, Basem Naim, <a class="urlextern" title="https://x.com/DrNaimbasem/status/2036875311149674944" href="https://x.com/DrNaimbasem/status/2036875311149674944" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">descreveu Mladenov</a> como “mais realista que o rei” (referindo-se ao fato de ele ter adotado completamente a posição de Israel) e o acusou de “querer atingir seus próprios objetivos às custas do nosso povo e de seus direitos legítimos, para agradar aos americanos e israelenses”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159178 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54.png" alt="Armadilhas do desarmamento" width="781" height="643" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54.png 781w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-300x247.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-768x632.png 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-510x420.png 510w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-640x527.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-28-05-Picture6.jpg.webp-imagem-WEBP-1430-×-1177-pixels-Redimensionada-54-681x561.png 681w" sizes="auto, (max-width: 781px) 100vw, 781px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Dois líderes do Hamas, que falaram sob condição de anonimato, me disseram que consideram essa proposta “catastrófica” e uma manobra de Netanyahu para retomar a guerra ou manter Gaza sob impasse. Assim, após receber uma prorrogação do ultimato inicial de uma semana, o Hamas apresentou sua resposta a Mladenov em meados de abril: antes de qualquer passo em direção ao desarmamento, <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/gaza-ceasefire-netanyahu-sabotage-ncag/" href="https://www.972mag.com/gaza-ceasefire-netanyahu-sabotage-ncag/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Israel deve primeiro cumprir todas as suas obrigações</a> da primeira fase do acordo de cessar-fogo.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hamas e outras facções palestinas alegam que, se concordassem com o plano de Mladenov, simplesmente facilitariam o plano de Israel de completar seu genocídio. Incluir fuzis na primeira fase do desarmamento significa que as facções palestinas seriam incapazes de organizar qualquer insurgência ou resistência; como um líder do Hamas me disse: “Se Netanyahu mudar de ideia amanhã por causa das eleições [próximas] e decidir expulsar as Forças Internacionais de Estabilização e retomar Gaza, ele poderá fazê-lo em menos de 10 minutos”.</p>
<p style="text-align: justify;">As facções palestinas também acreditam que desarmar Gaza enquanto as forças israelenses ainda ocupam grandes partes da Faixa incentivaria ainda mais o movimento de colonos israelenses e o governo de extrema-direita a começar a construir assentamentos nas áreas controladas pelos militares. Colonos armados poderiam então invadir qualquer parte de Gaza e lançar pogroms, <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/topic/settler-pogroms/" href="https://www.972mag.com/topic/settler-pogroms/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">como fazem quase diariamente na Cisjordânia</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Igualmente preocupante para as facções palestinas é o fato de o plano de Mladenov conceder o monopólio da violência em Gaza ao NCAG, em vez da Autoridade Palestina (AP) ou da Organização pela Libertação da Palestina (OLP). Isso significa que as forças de segurança no terreno responderiam a Mladenov e Trump, e não a qualquer órgão palestino.</p>
<p style="text-align: justify;">O Reino Unido, o Egito e a Arábia Saudita <a class="urlextern" title="https://www.reuters.com/world/uk/britain-pushes-northern-ireland-model-disarming-gaza-2025-10-14/" href="https://www.reuters.com/world/uk/britain-pushes-northern-ireland-model-disarming-gaza-2025-10-14/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">têm pressionado</a> para que o modelo da Irlanda do Norte seja a base para o descomissionamento — em vez do desarmamento propriamente dito — em Gaza. Lá, o descomissionamento significava que o Exército Republicano Irlandês (IRA) e a Força Voluntária do Ulster (UVF) não precisavam se render ou se desarmar como pré-requisito para a paz; em vez disso, eles guardavam suas armas em depósitos, seguindo uma política rigorosa de não usá-las ou exibi-las. As armas, então, serviam como garantia de que o Acordo da Sexta-Feira Santa de 1998 seria cumprido.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, em 2001, o IRA suspendeu seu processo de desarmamento, alegando que o governo britânico havia descumprido a promessa de retirar as tropas da Irlanda do Norte. O IRA só se desarmou em 2005 e a UVF em 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa sequência foi, na verdade, fundamental para o sucesso do processo. Como enfatizou posteriormente o ex-presidente irlandês Bertie Ahern, que supervisionou o desarmamento do IRA, “o descomissionamento acabou sendo encarado não como uma condição prévia para a participação nas negociações, mas como um resultado necessário”.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hamas, assim como o IRA, considera seu armamento a única garantia da retirada israelense de Gaza. O grupo já <a class="urlextern" title="https://www.skynewsarabia.com/live-story/1659732/65089-%D8%AD%D9%85%D8%A7%D8%B3-%D9%85%D8%B3%D8%AA%D8%B9%D8%AF%D9%88%D9%86-%D9%84%D9%85%D9%86%D8%A7%D9%82%D8%B3%D8%A9-%D8%AA%D8%AC%D9%85%D9%8A%D8%AF-%D8%AA%D8%AE%D8%B2%D9%8A%D9%86-%D8%A7%D9%84%D8%B3%D9%84%D8%A7%D8%AD" href="https://www.skynewsarabia.com/live-story/1659732/65089-%D8%AD%D9%85%D8%A7%D8%B3-%D9%85%D8%B3%D8%AA%D8%B9%D8%AF%D9%88%D9%86-%D9%84%D9%85%D9%86%D8%A7%D9%82%D8%B3%D8%A9-%D8%AA%D8%AC%D9%85%D9%8A%D8%AF-%D8%AA%D8%AE%D8%B2%D9%8A%D9%86-%D8%A7%D9%84%D8%B3%D9%84%D8%A7%D8%AD" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">concordou</a> em guardar essas armas em depósitos e afirmou que as forças de segurança do NCAG podem atirar ou deter qualquer membro que use ou mesmo mostre uma arma em público. As armas permaneceriam guardadas por cinco a dez anos, ou mesmo indefinidamente, e seriam totalmente destruídas como resultado da paz, e não como condição prévia.</p>
<p style="text-align: justify;">O Hamas provavelmente tentaria reter o máximo possível de seu arsenal para preservar sua influência, coesão interna e posição regional. Contudo, sob crescente pressão dos estados árabes e em meio à profunda impopularidade em Gaza, o governo local quase certamente aceitaria um modelo de descomissionamento semelhante ao da Irlanda do Norte como forma de contornar as exigências maximalistas de Israel por rendição total.</p>
<p style="text-align: justify;">Netanyahu, porém, insiste que o desarmamento significa a entrega e destruição imediatas de <a class="urlextern" title="https://www.timesofisrael.com/liveblog_entry/netanyahu-says-hamas-must-surrender-all-its-rifles-for-trumps-peace-plan-to-advance/" href="https://www.timesofisrael.com/liveblog_entry/netanyahu-says-hamas-must-surrender-all-its-rifles-for-trumps-peace-plan-to-advance/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">60.000 armas de fogo leves</a> em Gaza.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159179 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-31-05-imagem-JPEG-443-×-570-pixels.png" alt="Armadilhas do desarmamento" width="443" height="570" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-31-05-imagem-JPEG-443-×-570-pixels.png 443w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-31-05-imagem-JPEG-443-×-570-pixels-233x300.png 233w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-31-05-imagem-JPEG-443-×-570-pixels-326x420.png 326w" sizes="auto, (max-width: 443px) 100vw, 443px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Os Emirados Árabes Unidos também têm pressionado pelo desarmamento total e completo de Gaza para garantir que o Hamas — que consideram um braço da Irmandade Muçulmana — não tenha chance de retomar ou permanecer no poder e para transformar o grupo em um exemplo de advertência para os defensores da resistência na região. Os emiratis também acreditam que isso representaria um golpe para o Eixo da Resistência do Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas essa exigência é cínica. Se o Hamas a rejeitar, terá que assumir a culpa pelo destino sombrio de Gaza. Mesmo que o grupo a aceite, o processo de recolhimento de todas as armas leves em Gaza é complexo e quase impossível de verificar.</p>
<p style="text-align: justify;">Diversas tribos e clãs estão armados, juntamente com várias facções menores e mais radicais que o Hamas. Além disso, durante o genocídio israelense, armas leves caíram nas mãos de criminosos, gangues ou indivíduos aleatórios em meio ao caos. Israel sempre pode alegar ter informações sobre uma célula armada remanescente ou sobre alguns AK-47 ainda não recolhidos, e usar isso como desculpa para manter sua ocupação de Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa situação, Mladenov desempenha três funções. Além de seu cargo como Alto Representante, ele é pesquisador visitante no Washington Institute for Near East Policy, um think tank pró-Israel <a class="urlextern" title="https://books.google.co.uk/books?id=ppQX6EcgZkcC&amp;pg=PA164&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false" href="https://books.google.co.uk/books?id=ppQX6EcgZkcC&amp;pg=PA164&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">apoiado pelo AIPAC</a> [organização de lobby israelense nos EUA]. Ele também é o diretor-geral da Academia Diplomática Anwar Gargash, nos Emirados Árabes Unidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Falando anonimamente, duas fontes próximas ao NCAG disseram ao +972 que Mladenov nomeou os comissários do NCAG como “contratados” da Academia Anwar Gargash, o que significa que eles recebem seus salários diretamente da instituição. Outra fonte próxima ao chefe do NCAG, Ali Shaath, afirmou que cada comissário recebe cerca de US$ 18.000 por mês como salário.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar desse salário generoso, esses comissários são essencialmente um governo no exílio que opera apenas no papel. Mais de 100 dias após a criação do NCAG, eles permanecem no escuro até mesmo sobre os mínimos detalhes, como a localização de seus escritórios ou onde morariam e dormiriam caso cruzassem para Gaza. Sua legitimidade e popularidade nas ruas estão se esgotando rapidamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, para os habitantes de Gaza, Israel e seus aliados transformaram o desarmamento em um pré-requisito para a sobrevivência, exigindo que eles entreguem sua única moeda de troca enquanto os tanques israelenses permanecem em seu território e seus drones sobrevoam a região. Este não é um caminho para a reconstrução; é uma armadilha disfarçada de linguagem diplomática, uma fórmula para a subjugação permanente, onde os palestinos precisam provar sua absoluta e verificável indefesa antes mesmo que Israel finja se retirar.</p>
<p style="text-align: justify;">O sofrimento de Gaza não é moeda de troca; é um crime. E enquanto o mundo não o reconhecer como tal — sem pré-condições, sem ressalvas e sem antes pedir às vítimas que entreguem a última coisa que impede seu extermínio — Anas e sua família, e milhares como eles, permanecerão exatamente onde estão: presos sob um céu aberto, aguardando uma justiça que sabe seu endereço, mas se recusa a bater à porta.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-159180 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels.png" alt="Armadilhas do desarmamento" width="700" height="537" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels.png 700w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-300x230.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-547x420.png 547w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-80x60.png 80w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-640x491.png 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot-2026-05-05-at-11-33-08-Shoreless-Sea-37.jpeg-imagem-JPEG-700-×-537-pixels-681x522.png 681w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>Muhammad Shehada é um escritor e analista político de Gaza, além de pesquisador visitante do Conselho Europeu de Relações Exteriores.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido de: </em><a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/gaza-disarmament-trap-israel-ceasefire/" href="https://www.972mag.com/gaza-disarmament-trap-israel-ceasefire/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/gaza-disarmament-trap-israel-ceasefire/</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>As artes que ilustram o texto são da autoria de Tayseer Barakat (1959-).</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Como o hipermilitarismo permeia o cotidiano em Israel</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/159092/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 20:05:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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					<description><![CDATA[ Do sagrado ao mundano, a iconografia militar permeia a esfera pública israelense — moldando nossa imaginação, nossos desejos e nossa identidade coletiva. Por Nissi Peli]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Nissi Peli</h3>
<p style="text-align: justify;">Em certo momento do ensino fundamental, uma fantasia bizarra se formou em minha mente: eu desejava morrer heroicamente como soldado de combate no exército israelense, ter minha foto pendurada nos corredores da escola como o primeiro soldado morto em combate e ser lembrado todos os anos no Dia da Lembrança.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando terminei o ensino médio, minha consciência política já começava a se formar. Mesmo assim, eu me apegava ao credo sionista liberal de que eu poderia ser um bom e moral soldado, e mudar o sistema por dentro. Quando fui convocado para o corpo blindado, logo percebi a impossibilidade disso e, depois de alguns meses, consegui uma dispensa médica.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, por alguns anos após deixar o exército, tive pesadelos recorrentes sobre ser recrutado novamente. Em um sonho particularmente vívido, quando tinha 20 anos e morava em Berlim, olhei pela janela e vi toda a minha turma do ensino fundamental e minha professora lá embaixo. Eles gritavam que minha dispensa havia sido cancelada e que eu tinha que voltar imediatamente com eles para me alistar novamente, porque a guerra havia começado.</p>
<p style="text-align: justify;">A sociedade israelense contemporânea é caracterizada pelo <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/topic/israeli-militarism/" href="https://www.972mag.com/topic/israeli-militarism/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">hipermilitarismo</a>. Essa forma de militarismo não é meramente uma filosofia política: é um estado de espírito que estrutura fundamentalmente o eu, moldando nossa imaginação, pensamentos, desejos, relacionamentos e senso de coletividade como israelenses. Quase tudo é percebido e compreendido em termos, valores e imagens militares, enquanto um estado permanente de emergência e guerra se torna a ordem natural.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa ideologia abrange todo o espectro israelense, desde o militarismo espiritual e teológico dos jovens das colinas e dos colonos religiosos até o militarismo secular e liberal que se destaca entre a burguesia israelense. Em praticamente qualquer fase da vida, os israelenses se veem e veem aqueles ao seu redor através de uma lente militar: como futuros soldados (como jovens pré-militares e, posteriormente, como potenciais reservistas), soldados da ativa ou ex-soldados.</p>
<figure id="attachment_159093" aria-describedby="caption-attachment-159093" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-159093 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1.jpg" alt="" width="1298" height="860" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1.jpg 1298w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-300x199.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-1024x678.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-768x509.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-634x420.jpg 634w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-640x424.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto1-681x451.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /><figcaption id="caption-attachment-159093" class="wp-caption-text">À esquerda: Um anúncio de 2018 do Hospital Materno-Infantil Lis, de Ichilov, apresentando a ilustração de um bebê saudando com uma boina do exército, acompanhada do texto: “Destinatário do Prêmio de Excelência do Presidente para o ano de 2038 (provavelmente nascerá em Lis)”. Esse prêmio, uma das mais prestigiosas honrarias militares de Israel, é concedido anualmente a 120 soldados das Forças de Defesa de Israel. (Captura de tela). À direita: Uma campanha de 2022 da organização sem fins lucrativos “Um Israelense de Verdade Não Evade”. A palavra Mishtamet (evasor do serviço militar) tem uma conotação pejorativa única em hebraico. O pôster da campanha mostra a mão de uma pessoa idosa marcada com uma tatuagem de Auschwitz, segurando uma placa de identificação militar, ao lado do texto: “Saiba de onde você veio e para onde você vai”. (Captura de tela)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Mesmo aqueles que não se alistam, ou que são dispensados ​​do serviço militar obrigatório mais tarde, são vistos em relação ao exército e tratados como párias pela maioria da sociedade israelense. Objetores de consciência enfrentam não apenas prisão, mas também <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/israeli-army-refusers-gaza-genocide/" href="https://www.972mag.com/israeli-army-refusers-gaza-genocide/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">hostilidade e incitação constantes</a>, enquanto políticos de todo o espectro ocasionalmente <a class="urlextern" title="https://www.timesofisrael.com/lapid-says-hell-push-for-revoking-ultra-orthodox-draft-dodgers-right-to-vote/" href="https://www.timesofisrael.com/lapid-says-hell-push-for-revoking-ultra-orthodox-draft-dodgers-right-to-vote/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">ameaçam</a> retirar os direitos civis daqueles que se recusam a “compartilhar o fardo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito já se falou sobre a <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/podcast-israel-militarism/" href="https://www.972mag.com/podcast-israel-militarism/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">sociologia do militarismo em Israel</a>: como oficiais militares de alta patente frequentemente se tornam políticos bem-sucedidos; como jornalistas recebem treinamento em unidades de mídia militar; como cafés, bares e trens estão lotados de soldados e civis com armaduras; e como o sistema educacional participa da doutrinação militarista e dos esforços de recrutamento do exército. O que muitas vezes passa despercebido, no entanto, é a maneira como <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/memorial-stickers-israel-soldiers-gaza-war/" href="https://www.972mag.com/memorial-stickers-israel-soldiers-gaza-war/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">o militarismo permeia o cotidiano em Israel</a> em suas formas mais banais — uma fenomenologia do cotidiano militarizado.</p>
<figure id="attachment_159094" aria-describedby="caption-attachment-159094" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-159094" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2.jpg" alt="" width="1298" height="767" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2.jpg 1298w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-300x177.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-1024x605.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-768x454.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-711x420.jpg 711w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-640x378.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto2-681x402.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /><figcaption id="caption-attachment-159094" class="wp-caption-text">À esquerda: Placa de sinalização em uma rodovia israelense com os dizeres: “Rodovia 16: o tráfego está fluindo. Juntos, venceremos!”, 25 de novembro de 2024 (Nissi Peli). À direita: Bandeiras exibindo insígnias de unidades do exército israelense instaladas pela prefeitura de Ramat Gan, 12 de novembro de 2024. (Nissi Peli).</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Parte disso se deve à mercantilização do militarismo em uma sociedade capitalista. Às vezes, ele é vendido diretamente: por exemplo, cursos que preparam jovens para ingresso em funções militares nas áreas de cibersegurança ou inteligência, ou treinamento de “condicionamento físico para combate” para unidades de elite. Um cartaz de recrutamento recente, direcionado a adolescentes que frequentam a praia dizia: “Se perguntarem, estou no mar com amigos. Acha que possui o fator MAR? Venha provar seu valor em um dos Gibushim da Marinha” — seminários de treinamento físico e mental de vários dias para unidades militares de elite.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, com mais frequência, o militarismo serve como plataforma para vender outros produtos. Inúmeros anúncios não apenas mostram soldados usando as mercadorias, mas também exploram a carga emocional do militarismo na sociedade israelense: o “heroísmo” e o “patriotismo” dos soldados que servem em combate, a nostalgia dos soldados que retornam para casa para suas famílias no fim de semana e até mesmo seu apelo sexual.</p>
<figure id="attachment_159095" aria-describedby="caption-attachment-159095" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-159095" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3.jpg" alt="" width="1298" height="831" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3.jpg 1298w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-300x192.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-1024x656.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-768x492.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-656x420.jpg 656w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-640x410.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto3-681x436.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /><figcaption id="caption-attachment-159095" class="wp-caption-text">À esquerda: Foto de perfil de um soldado israelense em um aplicativo de namoro. (Captura de tela). À direita: Um anúncio da empresa de limpeza “Cleaning Fighters”, apresentando soldados israelenses sentados em um cenário urbano devastado, provavelmente em Gaza, com o título: “Em breve, limpeza de sofás em Gaza.” (Captura de tela).</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Considere, por exemplo, um anúncio recente de uma empresa israelense de lubrificantes: para o Dia Internacional da Mulher, ela publicou uma série de imagens retratando mulheres soldados (entre elas, uma piloto de caça e uma soldado uniformizada usando a bandana vermelha da Rosie Rebitadeira), cada uma segurando um frasco de lubrificante, acompanhada da legenda: “Ei, gata, você é uma super-heroína”. Ou veja os inúmeros perfis (principalmente masculinos) em aplicativos de namoro que apresentam fotos em uniforme militar, às vezes tendo como pano de fundo a Gaza destruída. Em um desses perfis que encontrei recentemente, um atirador de elite da reserva é fotografado apontando seu rifle para fora da janela de uma casa destruída em Gaza ou no Líbano.</p>
<figure id="attachment_159096" aria-describedby="caption-attachment-159096" style="width: 1298px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-159096" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4.jpg" alt="" width="1298" height="661" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4.jpg 1298w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-300x153.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-1024x521.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-768x391.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-825x420.jpg 825w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-640x326.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/foto4-681x347.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /><figcaption id="caption-attachment-159096" class="wp-caption-text">Campanha publicitária online da empresa israelense de lubrificantes Noom. (Captura de tela).</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Nessa última Páscoa Judaica, os clientes dos supermercados israelenses podiam encontrar “Matzá do Heroísmo” e “Matzá dos Leões em Levantamento” (em referência ao nome que Israel deu à sua guerra de junho contra o Irã), com imagens de soldados, bombardeiros B-2 e aviões F-15 “a caminho de bombardear o Irã”. Em um café de Tel Aviv, encontra-se um profiterole com o nome de um soldado morto em combate, uma tendência recente em Israel de nomear alimentos e bebidas para “honrar” os falecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O hipermilitarismo deixa pouco espaço para algo além da guerra eterna. De fato, o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, admitiu isso em setembro, quando argumentou que Israel precisa se tornar uma “super-Esparta”, garantindo a autossuficiência econômica e expandindo a produção nacional de armamentos para lidar com o crescente “isolamento diplomático” do país.</p>
<p style="text-align: justify;">Somente desmantelando essa ideologia — especialmente o mito de que o militarismo sionista garante, ao invés de ameaçar, a segurança dos judeus — poderemos começar a caminhar rumo a um futuro diferente, mais justo e próspero tanto para judeus quanto para palestinos.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mais exemplos, visite a página do <a class="urlextern" title="https://www.instagram.com/militarized_realism/" href="https://www.instagram.com/militarized_realism/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc"><em>Realismo Militarizado</em> no Instagram</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Nissi Peli é escritor e ativist do New Profile &#8211; Movimento para a Desmilitarização da Sociedade Israelense.</em></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de: <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/israel-hypermilitarism-everyday-life/" href="https://www.972mag.com/israel-hypermilitarism-everyday-life/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/israel-hypermilitarism-everyday-life/</a></p>
</blockquote>
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		<title>Irã e Gaza são apenas o começo</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/04/158960/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 17:23:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
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					<description><![CDATA[ A identidade judaica e o nacionalismo judaico são as versões sionistas da ideologia nazista de “sangue e solo”. Por Chris Hedges]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Chris Hedges</h3>
<p style="text-align: justify;">O genocídio em Gaza é o começo. Bem-vindo à nova ordem mundial. A era da barbárie tecnologicamente avançada. Não existem regras para os fortes, apenas para os fracos. Oponha-se ao forte, recuse-se a curvar-se às suas exigências caprichosas e você receberá uma chuva de mísseis e bombas. Assistimos a essa loucura diariamente com a guerra contra o Irã, o bombardeio de saturação do sul do Líbano e o sofrimento em Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Órgãos internacionais como as Nações Unidas foram castrados, transformados em apêndices inúteis de outra época. A santidade dos direitos individuais, as fronteiras abertas e o direito internacional desapareceram. Os governantes mais psicopatas da história humana, aqueles que reduziram cidades a cinzas, que levaram populações aprisionadas a locais de execução e a terras desvastadas que ocuparam com valas e cadáveres em massa, voltaram com uma vingança, abrindo um vasto abismo moral.</p>
<p style="text-align: justify;">A lei, apesar de alguns esforços valentes de um punhado de juízes &#8212; que em breve serão expurgados &#8212;, internamente e em organismos internacionais como o Tribunal Internacional de Justiça, é desprezada e violada. Selvageria no exterior. Selvagem em casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Lucy Williamson, da BBC, relata que Israel está destruindo o sul do Líbano “usando Gaza como modelo &#8212; um plano para destruição usado novamente como um caminho para a paz”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 1 milhão de pessoas já foram deslocadas no Líbano &#8212; um quinto de toda a população de um país que já abriga o maior número mundial de refugiados per capita &#8212; em apenas algumas semanas. Some-se a isso 2 milhões de deslocados em Gaza e 3 milhões de deslocados no Irã. 6 milhões de pessoas ficaram desabrigadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por quatro décadas, o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem pressionado para que os EUA entrem em guerra com o Irã. As administrações anteriores, Republicanas e Democratas, recusaram, em grande parte por causa da oposição feroz dentro do Pentágono, que não via o Irã como uma ameaça existencial e não projetava um resultado positivo para os EUA ou seus aliados regionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Donald Trump, encorajado por sua equipe de negociação inepta de seu genro Jared Kushner e seu colega empresário imobiliário e parceiro de golfe Steve Witkoff, ambos fervorosos sionistas, mordeu a isca de Israel. O conselheiro de segurança nacional da Grã-Bretanha, Jonathan Powell, que participou das negociações finais entre os EUA e o Irã, considerou Kushner e Witkoff como “ativos israelenses”.</p>
<p style="text-align: justify;">Joseph Kent, que renunciou ao cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo para protestar contra a guerra, escreveu em sua carta de renúncia que “o Irã não representava ameaça iminente para nossa nação, e é claro que começamos essa guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano”.</p>
<p style="text-align: justify;">A lógica pública para a guerra contra o Irã desde que começou em 28 de fevereiro tem sido proteana. É para encerrar o programa nuclear do Irã? É para frustrar o programa de mísseis balísticos do Irã? É porque os EUA realizaram ataques preventivos contra o Irã, como disse Marco Rubio, para garantir a segurança dos ativos dos EUA uma vez que Israel decidiu atacar? É porque o governo iraniano realizou uma repressão letal, matando centenas de manifestantes antigoverno durante protestos de rua massivos? É mudança de regime? É uma tentativa de encerrar o chamado terrorismo patrocinado pelo Estado do Irã? Ou esses subterfúgios servem a outro propósito?</p>
<p style="text-align: justify;">Certamente, Israel e os EUA buscam mudança de regime. Mas aqui parece que os EUA e Israel divergem. Israel também aparentemente procura, como no Iraque, Síria, Líbia e Líbano, a desintegração física do Irã, a quebra do país em enclaves étnicos e religiosos em guerra, a transformação do Irã em um Estado falido.</p>
<p style="text-align: justify;">Os persas no Irã constituem cerca de 61% da população com vários grupos minoritários, que muitas vezes sofrem repressão estatal, representando os 39% restantes. Esses grupos étnicos incluem azerbaijanos, curdos, amantes, balochs, árabes e turcomanos, juntamente com minorias religiosas como sunitas, cristãos, bahá&#8217;ís, zoroastristas e judeus. A quebra do Irã em enclaves étnicos e religiosos antagônicos deixaria Israel como a potência dominante na região, dando-lhe a capacidade de, se não ocupar seus vizinhos diretamente, controlá-los e subjugá-los através de proxies, parte de um desejo de longa data de uma Grande Israel. Também tornaria possível que os Estados estrangeiros controlassem as reservas de gás iranianas, a segunda maior do mundo, e suas reservas de petróleo, 12% do total global.</p>
<p style="text-align: justify;">A cruzada de Israel contra os palestinos, os libaneses e agora os iranianos é justificada pelo extermínio de 6 milhões de judeus durante o Holocausto. Mas não passa despercebido no Sul Global, especialmente entre palestinos, que quase todos os estudiosos do Holocausto se recusaram a condenar o genocídio em Gaza. Nenhuma das instituições dedicadas a pesquisar e rememorar o Holocausto traçou os óbvios paralelos históricos ou criticou o massacre em massa.</p>
<p style="text-align: justify;">Estudiosos do Holocausto, com um punhado de exceções, expuseram seu verdadeiro propósito, que não é examinar o lado sombrio da natureza humana e a propensão assustadora que todos nós temos a cometer o mal, mas santificar os judeus como vítimas eternas e absolver o estado etnonacionalista de Israel de seus crimes de colonialismo de assentamento, apartheid e genocídio.</p>
<p style="text-align: justify;">O sequestro do Holocausto, o fracasso em defender as vítimas palestinas porque elas são palestinas, implodiu a autoridade moral dos estudos do Holocausto e dos memoriais do Holocausto. Eles foram expostos como veículos não para evitar o genocídio, mas para perpetrá-lo, não para explorar o passado, mas para manipular o presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer reconhecimento tépido de que o Holocausto pode não ser propriedade exclusiva de Israel e seus partidários sionistas é rapidamente encerrado. O Museu do Holocausto em Los Angeles excluiu, depois de uma reação, um post no Instagram que dizia: “NUNCA MAIS NÃO PODE APENAS SIGNIFICAR NUNCA MAIS PARA <abbr title="Operating System">OS</abbr> JUDEUS”. Nas mãos dos sionistas, “nunca mais” significa precisamente isso, nunca mais, <em>apenas</em> <em>para os judeus</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158963" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi.jpg" alt="" width="752" height="597" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi.jpg 752w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-300x238.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-529x420.jpg 529w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-640x508.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-681x541.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 752px) 100vw, 752px" />Aimé Césaire, em <em>Discurso sobre o Colonialismo</em>, escreve que Hitler parecia excepcionalmente cruel apenas porque presidia “a humilhação do homem branco”, aplicando à Europa os “procedimentos colonialistas que até então haviam sido reservados exclusivamente para os árabes da Argélia, as &#8216;coolies&#8217; da Índia e os negros da África”.</p>
<p style="text-align: justify;">A quase aniquilação da população aborígene da Tasmânia, o massacre alemão do Herero e Namaqua, o genocídio armênio, a fome de Bengala de 1943 &#8212; então o Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill se referiu aos hindus como “um povo animalesco com uma religião animalesca” &#8212; juntamente com o lançamento de bombas nucleares em alvos civis em Hiroshima e Nagasaki, ilustra algo fundamental sobre “a civilização ocidental”.</p>
<p style="text-align: justify;">O genocídio não é uma anomalia, é codificado no DNA da “civilização” ocidental.</p>
<p style="text-align: justify;">“Na América”, disse o poeta Langston Hughes, “não é preciso dizer aos negros o que é o fascismo em ação. Nós sabemos. Suas teorias da supremacia nórdica e da supressão econômica há muito tempo são realidades para nós”.</p>
<p style="text-align: justify;">Os nazistas, quando formularam as leis de Nuremberg, usaram como modelo as leis destinadas a oprimir os negros. A recusa dos Estados Unidos em conceder cidadania a nativos americanos e filipinos &#8212; embora vivessem nos EUA e nos territórios dos EUA &#8212; foi imitada pelos fascistas alemães que retiraram a cidadania dos judeus. As leis antimiscigenação americanas, que criminalizavam o casamento inter-racial, foram a influência para proibir casamentos entre judeus alemães e arianos. A jurisprudência americana classificou qualquer pessoa com um por cento da ascendência negra &#8212; a chamada “regra de uma gota” &#8212; como negra. Os nazistas, ironicamente mostrando mais flexibilidade, classificaram qualquer pessoa com três ou mais avós judeus como judeus.</p>
<p style="text-align: justify;">Os milhões de vítimas indígenas de projetos coloniais em países como México, China, Índia, Austrália, Congo e Vietnã, por essa razão, são surdas para as afirmações dos judeus de que sua vitimização é única. Eles também sofreram holocaustos, mas esses holocaustos permanecem minimizados ou não reconhecidos por seus perpetradores ocidentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Israel encarna o Estado etnonacionalista que nossos fascistas cristãos e a extrema-direita sonham em criar para si mesmos, que rejeita o pluralismo político e cultural, bem como as normas legais, diplomáticas e éticas. Israel é admirado pela extrema-direita porque virou as costas para o direito humanitário e usa força letal indiscriminada para “limpar” sua sociedade daqueles condenados como contaminadores humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi essa distorção do Holocausto como único que incomodou Primo Levi, preso em Auschwitz de 1944 a 1945 e que escreveu livros sobre a sobrevivência em Auschwitz. Levi foi um crítico feroz do Estado de apartheid de Israel e seu tratamento aos palestinos. Ele viu a Shoah [Holocausto] como “uma fonte inesgotável do mal” que “é perpetuada como ódio nos sobreviventes, e brota de mil maneiras, contra a própria vontade de todos, como uma sede de vingança, como colapso moral, como negação, como cansaço, como resignação”.</p>
<p style="text-align: justify;">Levi deplorou o maniqueísmo daqueles que “evitam nuances e complexidade”. Ele condenou aqueles que “reduzem o rio dos acontecimentos humanos a conflitos, e conflitos a duelos, nós e eles”. Ele alertou que a “rede de relações humanas dentro dos campos de concentração não era simples: não poderia ser reduzida a dois blocos, vítimas e perseguidores”. O inimigo, ele sabia, “estava do lado de fora, mas também dentro”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mordechai Chaim Rumkowski, conhecido como “Rei Chaim”, governou o gueto de Łódź na Polônia em nome dos ocupantes nazistas. O gueto tornou-se um campo de trabalho escravo que enriqueceu Rumkowski e seus senhores nazistas. Rumkowski deportou opositores para campos de extermínio. Estuprou e molestou meninas e mulheres. Exigiu obediência inquestionável. Incorporou o mal de seus opressores. Para Levi, ele foi um exemplo do que muitos de nós, em circunstâncias semelhantes, somos capazes de se tornar.</p>
<p style="text-align: justify;">“Estamos todos refletidos em Rumkowski, sua ambiguidade é nossa, é a nossa segunda natureza, nós híbridos moldados a partir de argila e espírito”, escreveu Levi <em>em Os Afogados e os Sobreviventes.</em> “Sua febre é nossa, a febre de nossa civilização ocidental que &#8216;desce no inferno com trombetas e tambores&#8217;, e seus adornos miseráveis são a imagem distorcida de nossos símbolos de prestígio social”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Como Rumkowski, nós também estamos tão deslumbrados com o poder e o prestígio a ponto de esquecer nossa fragilidade essencial”, continuou Levi. “De bom grado ou não chegamos a um acordo com o poder, esquecendo que estamos todos no gueto, que o gueto está murado, que fora do gueto reinam os senhores da morte, que espera próxima ao trem.”</p>
<p style="text-align: justify;">Levi entendeu que a linha entre a vítima e o vitimizador é fina. Todos nós podemos nos tornar carrascos dispostos. Não há nada intrinsecamente moral sobre ser judeu ou um sobrevivente do Holocausto. Levi, por essa razão, era <em>persona non grata</em> em Israel.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158964" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg" alt="" width="1079" height="720" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg 1079w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-629x420.jpg 629w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1079px) 100vw, 1079px" />Os sionistas encontram no Holocausto e no Estado judeu um senso de propósito e significado, bem como uma superioridade moral nauseante. Após a guerra de 1967, quando Israel tomou Gaza, a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, as Colinas de Golã da Síria e a Península do Sinai do Egito, Israel, como observou o sociólogo americano Nathan Glazer de forma aprovadora, tornou-se “a religião dos judeus americanos”. O Holocausto tornou-se o seu “capital moral”.</p>
<p style="text-align: justify;">“O sofrimento judaico é retratado como inefável, incomunicável e, no entanto, algo sempre a ser proclamado”, escreve o historiador europeu Charles S. Maier, em <em>The Unmasterable Past: History, Holocaust, and German National Identity</em>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">É intensamente privado, não para ser diluído, mas simultaneamente público para que a sociedade gentil confirme os crimes. Um sofrimento muito peculiar deve ser consagrado em locais públicos: museus do Holocausto, jardins de memória, locais de deportação, dedicados não como memoriais judeus, mas cívicos. Mas qual é o papel de um museu em um país, como os Estados Unidos, longe do local do Holocausto? É para reunir as pessoas que sofreram ou para instruir não-judeus? É suposto servir como um lembrete de que “pode acontecer aqui?” Ou é uma afirmação de que alguma consideração especial é merecida? Sob que circunstâncias uma tristeza privada pode servir simultaneamente como uma dor pública? E se o genocídio é certificado como uma tristeza pública, então não devemos aceitar as credenciais de outras tristezas particulares também? Um historiador americano de ascendência polonesa argumenta que, com a invasão alemã de 1939, os poloneses se tornaram os primeiros povos da Europa a experimentar o Holocausto e que os historiadores até agora “escolheram interpretar a tragédia em termos exclusivistas &#8212; ou seja, como o período mais trágico da história da Diáspora judaica”. Se os poloneses americanos reivindicam seu próprio “Holocausto esquecido”, que reconhecimento eles devem desfrutar? Os armênios e os cambojanos também têm o direito de financiar publicamente museus de holocausto? E precisamos de memoriais para adventistas do sétimo dia e homossexuais por sua perseguição nas mãos do Terceiro Reich?</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O sofrimento único confere um direito único.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer crime que Israel realize em nome de sua sobrevivência &#8212; seu “direito de existir” &#8212; é justificado em nome dessa singularidade. Não há limites. O mundo é preto e branco, uma batalha interminável contra o nazismo, que é proteano, dependendo de quem Israel visa. Desafiar essa sede de sangue é ser um antissemita, facilitando outro genocídio de judeus.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa fórmula simplista não serve apenas os interesses de Israel, mas também os interesses das potências coloniais que realizaram seus próprios genocídios, aqueles que eles também procuram obscurecer.</p>
<p style="text-align: justify;">A sacralização do Holocausto nazista oferece um <em>quid pro quo</em> bizarro. Armar e financiar o Estado de Israel, bloqueando resoluções e sanções da ONU que condenariam seus crimes e demonizar os palestinos e seus apoiadores se tornam prova de expiação e apoio aos judeus. Israel, em troca, absolve o Ocidente de sua indiferença à situação dos judeus durante o Holocausto, e a Alemanha por perpetrá-lo. A Alemanha usa essa aliança profana para separar o nazismo do resto da história alemã, incluindo o genocídio que os colonos alemães realizaram contra os Nama e Herero no sudoeste alemão da África, agora na Namíbia.</p>
<p style="text-align: justify;">“Tal magia”, escreve o israelense historiador e estudioso do genocídio, Raz Segal, “legitima o racismo contra os palestinos no exato momento em que Israel perpetra o genocídio contra eles. A ideia de singularidade do Holocausto reproduz-se assim em vez de desafiar o nacionalismo excludente e o colonialismo de assentamento que levaram ao Holocausto.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal, diretor do programa de Estudos do Holocausto e Genocídio da Universidade de Stockton, em Nova Jersey, escreveu um artigo sobre a guerra em Gaza em 13 de outubro de 2023, intitulado: “Um caso de genocídio”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa denúncia de um estudioso israelense do Holocausto, cujos familiares morreram no Holocausto, foi uma postura muito solitária.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal viu na exigência imediata do governo israelense que os palestinos evacuassem o norte de Gaza e a demonização dos palestinos por autoridades israelenses &#8212; o Ministro da Defesa disse que Israel estava “combatendo animais humanos” &#8212; o cheiro de genocídio.</p>
<p style="text-align: justify;">“Toda a ideia sobre prevenção e &#8216;nunca mais&#8217; é que &#8212; como ensinamos nossos alunos &#8212; há alertas vermelhos, e que uma vez que os notamos, devemos trabalhar para interromper o processo que pode se transformar em genocídio”, disse-me o professor Segal, “mesmo que ainda não seja genocida”.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Segal pagou pela sua honestidade. O convite para liderar o Centro de Estudos do Holocausto e Genocídio da Universidade de Minnesota, que não emitiu nenhuma condenação do genocídio, foi revogado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o professor Segal e eu testemunhamos na capital do estado em Trenton, em oposição à adoção do projeto de lei da Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA), que equipara as críticas ao Estado de Israel a antissemitismo, fomos vaiados por sionistas e nossos microfones foram cortados pelo presidente da comissão. Lá estávamos nós, argumentando que esse projeto de lei iria reduzir a liberdade de expressão enquanto ao mesmo tempo nos negavam a liberdade de expressão.</p>
<p style="text-align: justify;">O genocídio é a próxima etapa no que o antropólogo, Arjun Appadurai, chama de “uma vasta correção malthusiana mundial” que é “voltada para preparar o mundo para os vencedores da globalização, sem o ruído inconveniente de seus perdedores”.</p>
<p style="text-align: justify;">O financiamento e o armamento de Israel pelos Estados Unidos e pelas nações europeias, enquanto realiza o genocídio, implodiu efetivamente a ordem jurídica internacional pós-Segunda Guerra Mundial. Ela não tem mais credibilidade. O Ocidente não pode mais ensinar ninguém sobre democracia, direitos humanos ou as supostas virtudes da civilização ocidental. O ardil, que de alguma forma nós, como nação, promovemos a democracia, a igualdade e os direitos humanos, está terminado.</p>
<p style="text-align: justify;">“Ao mesmo tempo em que Gaza induz vertigem, um sentimento de caos e vazio, torna-se para inúmeras pessoas impotentes a condição essencial da consciência política e ética no século XXI &#8211; assim como a Primeira Guerra Mundial foi por uma geração no Ocidente”, escreve Pankaj Mishra.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhum de nós que reportou de Israel e Palestina, onde trabalhei como repórter por sete anos, previu esse genocídio. E, no entanto, estávamos cientes do impulso genocida que estava no coração do projeto sionista &#8212; o desejo de grandes segmentos da sociedade israelense de erradicar e expulsar todos os palestinos. Esse impulso genocida estava lá desde o início do sionismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Victor Klemperer, professor de linguística e filho de um rabino de Berlim que viveu sob o domínio nazista, observou em seu diário: “Para mim, os sionistas, que querem voltar para o estado judeu de 70 d.C. (destruição de Jerusalém por Tito), são tão ofensivos quanto os nazistas. Com sua sede de sangue, suas antigas “raízes culturais”, sua visão de mundo ora hipócrita, ora obtusa, eles são páreo para os nacional-socialistas”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158964" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg" alt="" width="1079" height="720" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina.jpg 1079w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-300x200.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-1024x683.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-768x512.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-629x420.jpg 629w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-640x427.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/Abed-Abdi-Massacre-at-Lidd-1981-from-the-series-Wa-Ma-Nasaina-681x454.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 1079px) 100vw, 1079px" />Cobri o rabino extremista Meir Kahane, que afirmava que a violência era uma virtude judaica, e a vingança, um mandamento divino. Quando eu estava baseado em Israel, ele foi impedido pelo governo israelense de se candidatar a cargos públicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Kahane foi assassinado em 5 de novembro de 1990, na cidade de Nova York. Seu partido, o Kach, foi declarado ilegal em Israel quatro anos depois, após Baruch Goldstein, um médico nascido no Brooklyn e membro do Kach, entrar na Mesquita de Ibrahimi, em Hebron, e abrir fogo contra os fiéis, matando 29 palestinos. Goldstein, vestido com seu uniforme de capitão do exército, foi dominado pelos fiéis e espancado até a morte. Fui enviado pelos meus editores em Nova York para entrevistar os sobreviventes. Quando receberam o material, insistiram para que eu fizesse mais entrevistas com colonos judeus que justificassem as queixas de Goldstein contra os palestinos, parte do jogo de equilíbrio, mas na verdade parte do esforço para obscurecer a verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">O Kach, após suas declarações de apoio ao massacre, foi declarado uma organização terrorista pelos Estados Unidos. Mas o kahanismo não morreu. Foi nutrido por extremistas judeus e colonizadores.</p>
<p style="text-align: justify;">A intolerância racial de Kahane e seus apelos à violência em massa contra os palestinos contaminaram segmentos cada vez maiores da sociedade israelense. Encontrou aceitação quase universal após os ataques de 7 de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;">Testemunhei essa intolerância em comícios políticos realizados por Netanyahu, que recebeu financiamento generoso de americanos de direita associados ao AIPAC, quando concorreu contra Yitzhak Rabin, que negociava um acordo de paz com os palestinos. Os apoiadores de Netanyahu entoavam slogans inspirados por Kahane, como “Morte aos árabes” e “Morte a Rabin”. Queimaram uma efígie de Rabin vestida com um uniforme nazista. Netanyahu marchou em frente a um funeral simulado para Rabin.</p>
<p style="text-align: justify;">Rabin foi assassinado por um fanático judeu em 4 de novembro de 1995.</p>
<p style="text-align: justify;">Netanyahu, que se tornou Primeiro-Ministro pela primeira vez em 1996, passou sua carreira política cultivando esses extremistas judeus, incluindo Itamar Ben-Gvir, que tinha um retrato de Goldstein na parede de sua sala de estar, Bezalel Smotrich, Avigdor Lieberman, Gideon Sa&#8217;ar e Naftali Bennett.</p>
<p style="text-align: justify;">O pai de Netanyahu, Benzion, que trabalhou como assistente do fundador do sionismo revisionista, Vladimir Jabotinsky, e foi chamado por Benito Mussolini de “um bom fascista”, foi um líder do Partido Herut, que defendia que Israel se apropriasse de todas as terras da Palestina histórica. Muitos dos membros do Partido Herut realizaram ataques terroristas durante a guerra de 1948 que estabeleceu o Estado de Israel. Albert Einstein, Hannah Arendt, Sidney Hook e outros intelectuais judeus descreveram o Partido Herut, em uma declaração publicada no New York Times, como um partido “muito semelhante, em sua organização, métodos, filosofia política e apelo social, aos partidos nazistas e fascistas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre houve uma vertente virulenta de fascismo judaico dentro do projeto sionista, espelhando a vertente do fascismo na sociedade americana. Infelizmente, para nós e para os palestinos, essas vertentes fascistas estão em ascensão.</p>
<p style="text-align: justify;">A decisão de obliterar Gaza tem sido, há muito tempo, o sonho dos sionistas de extrema-direita, herdeiros do movimento de Kahane. A identidade judaica e o nacionalismo judaico são as versões sionistas da ideologia nazista de “sangue e solo”. A supremacia judaica é santificada por Deus, assim como o massacre dos palestinos, que Netanyahu comparou aos amalequitas bíblicos, massacrados pelos israelitas. Europeus e euro-americanos nas colônias americanas usaram a mesma passagem bíblica para justificar o genocídio contra os nativos americanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os inimigos — geralmente muçulmanos — destinados à extinção são subumanos que personificam o mal. A violência e a ameaça de violência são as únicas formas de comunicação compreendidas por aqueles que estão fora do círculo mágico do nacionalismo judaico.</p>
<p style="text-align: justify;">A redenção messiânica ocorrerá assim que os palestinos forem expulsos. Extremistas judeus exigem a demolição da Mesquita de Al-Aqsa, um dos três locais mais sagrados para os muçulmanos, supostamente construída sobre as ruínas do Segundo Templo Judaico, destruído em 70 d.C. pelo exército romano. Esses extremistas defendem sua substituição por um “Terceiro” Templo Judaico, uma medida que incendiaria o mundo muçulmano. A Cisjordânia, que os fanáticos chamam de “Judeia e Samaria”, está sendo anexada por Israel. Israel, governado por leis religiosas impostas pelos partidos ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá, em breve espelhará a teocracia despótica do Irã.</p>
<p style="text-align: justify;">James Baldwin previu, de forma profética, essa regressão à nossa barbárie inata. Ele alertou que havia uma “terrível probabilidade” de que “as populações ocidentais, lutando para manter o que roubaram de seus cativos e incapazes de se olhar no espelho, precipitarão um caos em todo o mundo que, se não acabar com a vida neste planeta, provocará uma guerra racial como o mundo jamais viu, e pela qual gerações ainda por nascer amaldiçoarão nossos nomes para sempre”.</p>
<p style="text-align: justify;">A selvageria no Irã, no Líbano e em Gaza é a mesma selvageria que enfrentamos em casa. Aqueles que perpetram o genocídio, o massacre e a guerra não provocada contra o Irã são as mesmas pessoas que desmantelam nossas instituições democráticas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158962" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982.jpg" alt="" width="793" height="1080" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982.jpg 793w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-220x300.jpg 220w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-752x1024.jpg 752w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-768x1046.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-308x420.jpg 308w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-640x872.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/AbedAbdiSiegeofBeirut1982-681x927.jpg 681w" sizes="auto, (max-width: 793px) 100vw, 793px" />Os iranianos, libaneses e palestinos sabem que não há como apaziguar esses monstros. As elites globais não acreditam em nada. Não <em>sentem</em> nada. Não se pode confiar nelas. Eles exibem as características essenciais de todos os psicopatas — charme superficial, grandiosidade e presunção, necessidade de estímulo constante, propensão à mentira, ao engano, à manipulação e incapacidade de sentir remorso ou culpa. Desprezam, considerando fraquezas, as virtudes da empatia, da honestidade, da compaixão e do altruísmo. Vivem segundo o lema “Eu. Eu. Eu.”</p>
<p style="text-align: justify;">“O fato de milhões de pessoas compartilharem os mesmos vícios não os torna virtudes, o fato de compartilharem tantos erros não os torna verdades, e o fato de milhões de pessoas compartilharem as mesmas formas de patologia mental não as torna sãs”, escreveu Erich Fromm em “The Sane Society”.</p>
<p style="text-align: justify;">Testemunhamos o mal por quase três anos em Gaza. Observamos agora no Irã. Observamos no Líbano. Vemos esse mal sendo justificado ou mascarado por líderes políticos e pela mídia.</p>
<p style="text-align: justify;">O The New York Times, num gesto digno de Orwell, enviou um memorando interno instruindo repórteres e editores a evitarem os termos “campos de refugiados”, “território ocupado”, “limpeza étnica” e, claro, “genocídio” ao escreverem sobre Gaza.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqueles que nomeiam e denunciam esse mal, incluindo os estudantes heroicos que montaram acampamentos em campis universitários aqui e no exterior, são difamados, colocados em listas negras e expurgados. São presos e deportados. Um silêncio ensurdecedor se abate sobre nós, o silêncio de todos os Estados autoritários. Sabemos onde isso termina. Deixe de cumprir seu dever, deixe de apoiar a guerra contra o Irã, de se manifestar contra o crime de genocídio e veja sua licença de transmissão revogada, como propôs Brendan Carr, presidente da FCC (Comissão Federal de Comunicações) de Trump.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos inimigos. Eles não estão na Palestina. Eles não estão no Líbano. Eles não estão no Irã. Eles estão aqui. Entre nós. Eles ditam nossas vidas. Eles são traidores dos nossos ideais. Eles são traidores do nosso país. Eles vislumbram um mundo de escravos e senhores. Gaza é apenas o começo. Não existem mecanismos internos para a reforma. Podemos obstruir ou nos render.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas são as únicas opções que nos restam.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Chris Hedges é jornalista estadunidense, autor de vários livros, entre os quais, </em>American Fascists<em> e </em>Death of the Liberal Class<em>.</em></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Traduzido do original em: <a class="urlextern" title="https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning" href="https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://chrishedges.substack.com/p/iran-and-gaza-are-only-the-beginning</a></p>
</blockquote>
<p><em><img loading="lazy" decoding="async" class="size-thumbnail wp-image-158961 alignnone" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/04/abed_abdi_haifa-70x70.jpg" alt="" width="70" height="70" />As obras que ilustram o artigo são do artista palestino Abed Abdi (1942 &#8212;)</em></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>O Domo de Ferro está interceptando nossas chances de um futuro normal</title>
		<link>https://passapalavra.info/2026/03/158930/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 09:57:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
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					<description><![CDATA[Os sistemas de defesa antimíssil de Israel reduziram drasticamente o custo de entrar em guerra — e uma sociedade que não teme a guerra está condenada a conviver com ela para sempre. Por Guevara Bader]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Guevara Bader</h3>
<p style="text-align: justify;">Nas últimas décadas, a engenharia israelense produziu algo próximo da maravilha tecnológica definitiva: um sistema de defesa antimíssil multicamadas capaz de transformar projéteis em um espetáculo de fogos de artifício no céu noturno. Mas sob essa proteção, uma transformação discreta, porém consequente, se consolidou, sendo mais perigosa que os próprios mísseis: o Domo de Ferro eliminou o medo da guerra entre os israelenses.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma tecnologia projetada para preservar vidas fomentou uma sensação de imunidade quase total, transformando a catástrofe da guerra em uma perturbação tolerável, senão em um produto de consumo estéril — algo absorvido pela vida cotidiana com indiferença, em algum lugar entre o noticiário da noite e a entrega de comida.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o medo da guerra diminui, também diminui a motivação pública para pôr fim a ela. Nesse contexto, a segurança tecnológica não encurta as guerras, mas contribui para sustentá-las como uma condição permanente. Israel, na era do Domo de Ferro, não se apresenta mais como uma sociedade civil vibrante que também mantém um exército; em vez disso, orgulha-se de ser essencialmente uma enorme base militar em torno da qual a vida civil se organiza.</p>
<p style="text-align: justify;">Um raro momento de franqueza do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deu forma a essa transformação, quando ele alertou, em um discurso a autoridades financeiras em setembro passado, que Israel enfrentava um crescente isolamento internacional e precisaria se tornar uma “super-Esparta” economicamente autossuficiente. Mais tarde, ele minimizou a declaração, classificando-a como um “lapso de língua”, após as ações na bolsa de valores de Tel Aviv sofrerem uma queda. Mas, se de fato foi um lapso, foi revelador.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Netanyahu delineou é o híbrido político e cultural em que os israelenses vivem: o dinamismo liberal e criativo de Atenas fundido com a disciplina rígida e o militarismo de Esparta. Na versão rudimentar de 2026, Atenas cria o algoritmo e Esparta aperta o gatilho.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado é uma sociedade que funciona como um complexo militar fortificado, governado por processos democráticos nominais, onde a fronteira entre as esferas civil e militar se tornou completamente indistinta. A indústria israelense transformou-se em uma máquina bem azeitada de inovação militar, convertendo a guerra, antes um fracasso diplomático, em uma característica definidora da existência do Estado. Essa perda interna de dissuasão é o nosso desastre nacional, pois uma sociedade que não teme a guerra é uma sociedade condenada a conviver com ela para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A guerra como uma assinatura mensal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para entender a profundidade dessa distorção, é útil recorrer à linguagem que os israelenses usam para se descrever. Em Israel, não existem “cidadãos”, certamente não no sentido tedioso de participação democrática. Existe, em vez disso, uma “frente interna” — um termo que concebe o público como a formação passiva de retaguarda da força militar em combate. Sua função é absorver o impacto da situação e manter a compostura enquanto, simultaneamente, torce pelo exército que realiza operações no céu.</p>
<p style="text-align: justify;">Na prática, a “frente interna” transforma os cidadãos em unidades de apoio logístico, que devem “demonstrar resiliência”, um eufemismo para suportar o sofrimento sem reclamar, para não desviar o olhar fixo do atirador enquanto este realiza o próximo assassinato bem-sucedido.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse princípio organizador veio à tona com uma clareza incomum em junho passado. Após a primeira rodada de combates com o Irã, o analista militar do Haaretz, Amos Harel, apresentou ao público dados que comparavam as mortes israelenses com o número de mísseis que penetraram as defesas aéreas do país. A conclusão — uma morte para cada três mísseis que atingiram áreas povoadas — foi apresentada como prova de que “as baixas na população civil não foram tão catastróficas quanto se temia anteriormente”.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse cálculo, a morte é apenas um registro em um balancete. Um funeral não é visto como uma catástrofe, mas como um custo operacional aceitável, uma estatística fria que permite que o sistema continue funcionando. O preço é baixo o suficiente para que os tomadores de decisão simplesmente peguem uma caneta e perguntem, sem qualquer ironia: “Onde assinamos?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando as estatísticas permitem que as pessoas voltem a tomar seu café em Tel Aviv entre as idas a abrigos, a urgência de pôr fim ao ciclo começa a desaparecer. A guerra torna-se uma mensalidade, em vez de um risco existencial, sustentado enquanto o custo puder ser absorvido. Esse custo, é claro, é suportado de forma desproporcional pelos cidadãos palestinos de Israel, que, em comparação com os israelenses judeus, têm muito menos acesso a abrigos adequados e podem viver em áreas classificadas como “áreas abertas”, onde o Domo de Ferro está programado para permitir que mísseis caiam ou detonem interceptores acima deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa normalização se traduziu em um modelo econômico sem precedentes, no qual Israel passou de uma autopercepção de fortaleza sitiada para a de uma linha de produção de tecnologias de defesa, com cada conflito funcionando como uma forma de campo de testes contínuo. Cada interceptação gera dados; cada escalada aprimora o sistema.</p>
<p style="text-align: justify;">A “frente interna”, nesse sentido, funciona também como um vasto grupo de testadores beta, cujas interrupções são absorvidas pelos ciclos de pesquisa e desenvolvimento. O sucesso não se mede apenas em vidas poupadas, mas também em métricas de desempenho que impulsionam o valor das ações da indústria de defesa em exposições em Paris e Singapura.</p>
<p style="text-align: justify;">O mundo não está apenas observando com preocupação. Como clientes fiéis da Apple aguardando o próximo iPhone, é um consumidor observando quais tecnologias têm o melhor desempenho em “condições reais”. A própria guerra é a melhor campanha de marketing e, quando a economia nacional depende da superioridade militar global, a aspiração pela tranquilidade é percebida como sabotagem deliberada da linha de produção nacional.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um estado permanente de adiamento</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-158932" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-300x300.jpg" alt="" width="400" height="400" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-300x300.jpg 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-1024x1024.jpg 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-70x70.jpg 70w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-768x768.jpg 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-420x420.jpg 420w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-640x640.jpg 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1-681x681.jpg 681w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/3338-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px" />Esse desenvolvimento se consolidou gradualmente. Do sistema de defesa antimíssil Arrow, que entrou em operação em 2000, ao Domo de Ferro em 2011 e, posteriormente, ao Estilingue de David em 2017, cada inovação ampliou a sensação de proteção dos israelenses e, com ela, diminuiu a percepção da vulnerabilidade. Porque, quando o teto está hermeticamente fechado, não há necessidade de buscar um caminho político a seguir ou vislumbrar um futuro além do conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, estamos entrando na era dos sistemas a laser. O sistema Iron Beam, recentemente integrado à Força Aérea Israelense, pode interceptar mísseis com precisão, rapidez e “a um custo marginal insignificante”, vangloriou-se o Ministério da Defesa no final do ano passado.</p>
<p style="text-align: justify;">A fronteira entre realidade e representação se desfez ao longo do caminho. Em uma transmissão amplamente assistida, um comentarista militar sênior do Canal 12 analisou imagens de videogame como se fossem a documentação de um ataque americano ao Irã, acreditando ser a prova de um bombardeio contínuo.</p>
<p style="text-align: justify;">“Estas são imagens americanas, estamos apenas nos divertindo com elas”, disse ele, enquanto pixels digitais piscavam na tela. “O B-2 está atacando há dias… O que estamos vendo é toda a força do poder americano.” Mais perturbador do que sua identificação errônea das imagens foi a forma como isso ilustrou a transformação da guerra em uma forma de entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre tudo isso, preside uma liderança política que enfrenta pressões legais e diplomáticas. Netanyahu permanece em sua residência em Cesareia com uma intimação pendente para comparecer a Haia. O ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, também é procurado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Gaza, enquanto o presidente Isaac Herzog aparece em depoimentos apresentados à Corte Internacional de Justiça por sugerir que toda a população de Gaza é responsável pelos ataques de 7 de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse contexto, quando a liderança de Israel é perseguida pelos agentes do direito internacional, a guerra perpétua acarreta implicações que vão além da estratégia. Ela influencia os incentivos, vinculando a sobrevivência política ainda mais à continuidade da crise.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado final é um ciclo conceitual fechado. Tecnologias defensivas, como interceptores, protegem a população; a estabilidade da população sustenta a ordem política; e, juntas, reduzem a pressão para a resolução do próprio conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">A visão da “super-Esparta” condensa essa condição de ansiedade existencial em uma única solução de engenharia estéril, na qual garantir o presente com precisão crescente permite um adiamento indefinido da resolução no futuro. Com uma taxa de sucesso de 97%, o Domo de Ferro está interceptando qualquer chance que possamos ter de um futuro normal.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Guevara Bader é um cidadão palestino de Israel e atualmente cursa mestrado na Universidade Ben-Gurion.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Traduzido de: <a class="urlextern" title="https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/" href="https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.972mag.com/iron-dome-intercepting-normal-future/</a></p>
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		<title>Operários da indústria de armas italiana dizem não à guerra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 14:16:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Exército_e_guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Israel]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Palestina]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho_e_sindicatos]]></category>
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					<description><![CDATA[ Com base em um histórico de resistência à militarização, os trabalhadores da Leonardo estão se organizando contra a cumplicidade da empresa no genocídio em Gaza. Por Futura D’Aprile]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Futura D’Aprile</h3>
<p style="text-align: justify;">Quando Israel recomeçou os bombardeios a Gaza em outubro de 2023, ativistas da solidariedade à Palestina na Itália imediatamente fizeram a ligação com a empresa nacional de armamentos, a Leonardo, e lançaram uma campanha contra ela. A corporação é uma das maiores produtoras de armas do mundo e desempenha um papel importante na produção de componentes para os aviões F-35, usados ​​por Israel no genocídio em Gaza, além de trabalhar em conjunto com empresas israelenses de armamentos como a Elbit Systems.</p>
<p style="text-align: justify;">Instalações da Leonardo têm sido alvo de protestos, interrompendo a produção e aumentando a conscientização sobre o papel que a Itália e seu setor de defesa desempenham na destruição em curso. Crucialmente, a oposição também está crescendo dentro da empresa, com trabalhadores se manifestando contra a venda de armas para Israel e lutando para impedir que uma fábrica da Leonardo no sul do país seja convertida em produção militar.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Trabalhadores se posicionam</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Em outubro, um grupo de trabalhadores de uma unidade de produção da Leonardo em Grottaglie, no sul da Itália, publicou uma petição exigindo que a empresa e suas subsidiárias suspendessem todo o fornecimento de material bélico a Israel. A petição pedia o fim de todos os acordos comerciais e relações de investimento com instituições, startups, universidades e organizações de pesquisa israelenses envolvidas em operações militares contra a população palestina.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais de 23.000 pessoas assinaram a petição, que dizia: “A Itália repudia a guerra como instrumento de agressão contra a liberdade de outros povos e como meio de resolver disputas internacionais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de Roberto Cingolan, presidente da Leonardo, ter declarado em setembro que a empresa não havia autorizado novas exportações para Israel “desde o início do conflito”, a declaração dos trabalhadores afirmava que a empresa mantinha uma sólida cooperação comercial e militar com Israel e que as licenças de exportação aprovadas antes de outubro de 2023 nunca foram canceladas.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos peticionários de Grottaglie, que pediu para permanecer anônimo, afirma que essa declaração pública ajudou a abrir um diálogo com trabalhadores de outras fábricas da Leonardo: “Mais do que um aumento imediato na oposição explícita, o resultado mais importante foi trazer o assunto para o centro das discussões, fomentando momentos de debate e análise aprofundada.”</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns meses depois, um grupo de trabalhadores da Divisão de Helicópteros de Turim, no norte da Itália, redigiu um boletim sobre a cumplicidade da Leonardo no genocídio em Gaza, que foi distribuído entre seus colegas. A mobilização contra a empresa os inspirou a investigar as relações da Leonardo com seus parceiros estratégicos, particularmente com Israel. Eles estudaram as leis sobre exportações, importações e o trânsito de produtos de defesa na Itália.</p>
<p style="text-align: justify;">“Os relatos amenizados ou flagrantemente distorcidos oferecidos pela grande mídia sobre os eventos em Gaza estão se enraizando entre nossos colegas”, explica um dos trabalhadores de Turim. “Eles não compreendem a gravidade desses eventos, especialmente no que diz respeito aos usuários finais do produto de seu trabalho.”</p>
<p style="text-align: justify;">“Em relação a Israel, nunca tivemos conhecimento dos contratos assinados e das relações internacionais envolvidas.” Eles continuam explicando que, em parte devido a restrições de sigilo industrial, os trabalhadores não têm uma ideia clara de quem usará os equipamentos que produzem; a empresa usa nomes fictícios para os projetos e dá indicações vagas sobre para onde os equipamentos são enviados.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa falta de transparência deixou os trabalhadores profundamente despreparados diante da indignação pública contra a empresa para a qual trabalham.</p>
<p style="text-align: justify;">O que esses funcionários querem é reafirmar sua integridade, explica o trabalhador de Turim: “Fomos ensinados que é nosso dever denunciar irregularidades, desfalques e violações do código de ética em nosso local de trabalho. Existe algo mais repreensível do ponto de vista ético do que colaborar com um governo criminoso que viola abertamente o direito internacional e cujos crimes contra a humanidade são flagrantes e notórios?”</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158860" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png" alt="" width="678" height="455" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL.png 678w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-300x201.png 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-626x420.png 626w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-537x360.png 537w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/03/Leonardo_Students_SOCIAL-640x429.png 640w" sizes="auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px" />Não aos aviões de guerra</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores de Grottaglie também enfrentam outra luta, enquanto fazem campanha para impedir que sua fábrica se torne uma engrenagem ativa na máquina de guerra. A fábrica faz parte da Divisão de Aeronáutica do Grupo Leonardo e produz as seções da fuselagem da aeronave Boeing 787, empregando aproximadamente 1.200 pessoas diretamente e 300 em indústrias relacionadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 atingiu duramente a indústria aeronáutica, a produção despencou e a unidade corre o risco de fechar. Em julho de 2024, os sindicatos conseguiram evitar uma paralisação temporária, mas a produção ainda diminuiu. Para evitar o fechamento, a Leonardo quer redirecionar a produção para o setor militar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um documento compartilhado “offline” entre os trabalhadores, juntamente com a petição sobre ligações com a violência de Israel, os trabalhadores denunciam essa mudança de prioridades. Para os trabalhadores que assinaram a petição, a Leonardo está fazendo uma escolha política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O setor civil sempre foi mais estável e resiliente do que o militar, que tem encomendas mais limitadas e é muito mais influenciado por flutuações geopolíticas e decisões governamentais”, explica um dos peticionários, que pediu para permanecer anônimo. “A aviação civil, por outro lado, responde a uma demanda estrutural por mobilidade global, que estagnou durante a pandemia, mas agora retornou a níveis recordes, com previsão de crescimento ainda maior nas próximas décadas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os trabalhadores de Turim e Grottaglie, o objetivo tem sido promover o diálogo e a conscientização sobre a cumplicidade das empresas com a violência israelense, visando construir uma massa crítica de trabalhadores motivados e bem informados, capazes de se engajar e se mobilizar para mudar a empresa. Eles também buscaram apoio dos principais sindicatos, mas receberam uma resposta morna.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Turim, os sindicatos estão focados na renovação dos contratos metalúrgicos e não estão dando atenção à petição, enquanto em Grottaglie os sindicalistas criticaram abertamente a oposição dos trabalhadores à empresa, pois temem que isso coloque ainda mais em risco o futuro da unidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, os trabalhadores se organizaram fora dessas estruturas tradicionais, compartilhando suas petições com outras unidades de produção da Leonardo na Itália. E estão recebendo uma resposta positiva. A campanha também encontrou eco nos movimentos mais amplos de solidariedade à Palestina e pela paz.</p>
<h4 style="text-align: justify;"><strong>Aprendendo com o passado</strong></h4>
<p style="text-align: justify;">Os trabalhadores da Leonardo estão construindo sobre um legado de oposição dentro da indústria de defesa italiana. Na década de 1980, Elio Pagani, um funcionário da Aermacchi (agora Leonardo), documentou como a empresa forneceu aeronaves à Força Aérea Sul-Africana em janeiro de 1980, durante o apartheid, em violação ao embargo da ONU ratificado pela Itália em 1977. A denúncia de Pagani desencadeou um movimento popular que, em 1990, levou à aprovação pelo parlamento da primeira legislação italiana sobre controle de exportação e importação de armas: a Lei 185/90.</p>
<p style="text-align: justify;">Na década de 1980, a Valsella Meccanotecnica &#8211; empresa conhecida por vender minas antitanque ao Iraque durante a guerra com o Irã &#8211; foi abalada por 18 meses de greves. As trabalhadoras, lideradas por Franca Faita, finalmente venceram: a empresa perdeu importantes parceiros de produção e foi forçada a se dedicar à fabricação para o setor civil devido a uma moratória governamental de 1994 sobre a produção de minas terrestres. A empresa foi liquidada e, em 2005, fundiu-se com uma fabricante de caminhões.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, alguns fatores contextuais fizeram das décadas de 1980 e 1990 um contexto muito diferente para os trabalhadores rebeldes. O sentimento antiguerra na sociedade civil italiana era mais forte nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, e os sindicatos também eram mais independentes e mais antagônicos à política.</p>
<p style="text-align: justify;">“O que favoreceu essas iniciativas foi a presença de fortes movimentos de desarmamento e a existência de conselhos de fábrica abertos à discussão interna entre os trabalhadores e eleitos diretamente por eles”, explica Pagani.</p>
<p style="text-align: justify;">“Delegados, trabalhadores e conselhos de fábrica foram incentivados a questionar o verdadeiro significado do trabalho nas instalações militares e os efeitos das exportações de armamentos. Agora, estamos vivenciando mais de 30 anos de desertificação cultural que afetou tanto as pessoas &#8211; tornando-as mais individualistas &#8211; quanto os sindicatos, cuja atuação enfraqueceu o ímpeto dos trabalhadores.”</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, as conquistas das décadas de 1980 e 1990 foram fruto de muitos anos de trabalho, afirma Pagani. “Os trabalhadores da Leonardo em Grottaglie e Turim devem persistir e buscar apoio em outras unidades de produção da empresa e em outras empresas de defesa. Sua iniciativa deve estar ligada à luta contra a logística bélica travada por estivadores, trabalhadores aeroportuários, ferroviários e de terminais intermodais na Itália.”</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, à medida que os Estados continuam a aumentar os gastos militares em meio a novas e devastadoras guerras, os trabalhadores de fábricas de armamentos em todo o mundo fariam bem em seguir as táticas italianas para desmantelar a militarização a partir de dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a guerra sempre à espreita e os Estados aumentando os gastos militares, os trabalhadores do negócio de armas podem ter um papel fundamental a desempenhar, conforme o movimento global contra a militarização grita: Não em nosso nome.</p>
<p style="text-align: center;"><em>Traduzido do original que pode ser acessado aqui: <a class="urlextern" title="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" href="https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://newint.org/arms/2026/italian-arms-factory-workers-say-no-war</a></em></p>
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		<title>Mentiras que lhe dirão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Aníbal]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 09:23:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Extrema_direita]]></category>
		<category><![CDATA[Govs_nacionais_e_internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Nacionalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Outras_lutas]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Mas o espírito da história se move de maneiras estranhas. O que está morto nunca morre de verdade. E ouviremos, uma e outra vez, as mesmas mentiras... Por Phil A. Neel]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3>Por Phil A. Neel</h3>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><em>Traduzido do <a href="https://illwill.com/lies" target="_blank" rel="noopener">Inglês</a>.</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">A cidade glacial está sob cerco. Nos longos e frios invernos no coração do Meio-Oeste, o ar pode ficar tão frio que dói respirar. Mercenários mascarados, em veículos sem identificação, percorrem os bancos de neve, sequestrando pessoas nas ruas e levando-as para centros de detenção por períodos indeterminados. Cada um dos mercenários recebe dezenas de milhares em um “bônus de assinatura” (até 50 mil e 60 mil dólares em perdão de empréstimos estudantis), simplesmente para pegar em armas em nome do regime em batalha. Diante de uma crise econômica em câmera lenta, na qual um boom surreal do mercado de ações, apoiado pelo Estado, é acompanhado por uma estagflação persistente na economia cotidiana, o puxa-saquismo é uma das poucas indústrias que apresentam algum crescimento real. Enquanto as ruas congelam em Minneapolis, a notação do Standard &amp; Poor atinge níveis recordes. Enquanto isso, o crescimento do emprego no ano passado foi tão desanimador que, após a divulgação dos números, o regime agiu rapidamente para demitir o chefe do Departamento de Estatísticas do Trabalho e ameaçar os meios de comunicação que divulgavam os números. <strong>[1]</strong> Além do declínio no emprego, devido ao congelamento da imigração, a profundidade da crise é sinalizada pela queda contínua na Taxa de Participação na Força de Trabalho, que serviu como o maior obstáculo ao crescimento do emprego no primeiro semestre de 2025 – indicando que um montante cada vez maior de pessoas está abandonando completamente a força de trabalho, mas não são contabilizadas nas estatísticas de desemprego. <strong>[2] </strong>O cerco pode, assim, ser entendido como uma espécie de keynesianismo mercenário, destinado a compensar a falta de emprego nos novos setores de defesa movidos a IA, que têm sido o foco da política institucional mais ampla de pilhagem-e-reestruturação.</p>
<p style="text-align: justify;">Enviados de cidades distantes, eles algemam os detidos e os espancam quando mais nenhuma reação é possível. Disparam munições “não letais” com clara intenção de mutilar. Repetidas vezes, atropelam pessoas por veículos. Indivíduos que simplesmente estão voltando do trabalho para casa têm suas janelas quebradas e são arrastados para fora de seus veículos para serem espancados e detidos por horas, às vezes dias. Agora, eles estão atirando em pessoas com munição letal. Invadiram o estacionamento de uma escola de ensino fundamental. Tiraram uma mãe de seu carro, colocaram-na em uma van sem identificação e foram embora, deixando seu bebê em uma cadeirinha, com a porta aberta, em temperaturas negativas (felizmente, resgatado por pessoas da multidão). Lançaram gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral em um carro cheio de crianças, hospitalizando todas elas, incluindo um bebê de seis meses que não conseguia respirar. <strong>[3] </strong>Em represália à resposta da comunidade, eles começaram a invadir as casas de cidadãos também, muitas vezes errando os endereços. O prefeito diz que não há nada a ser feito. O governador convocou a Guarda Nacional – destacada não contra os mercenários, é claro, mas contra aqueles que protestam contra eles. As autoridades judiciais da nação não apenas se recusaram a abrir processos, mas, além disso, foram ordenadas a investigar as vítimas e seus familiares. Todas as noites, o mundo inteiro assiste a vídeos de corpos envoltos em sombras, movendo-se na escuridão gelada da cidade sitiada. Nas lives, as pessoas gritam e choram, os mercenários berram suas ameaças, disparam suas armas e, diante de uma multidão grande o suficiente, recuam. Os hotéis que os hospedam são pichados. Os carros que abandonam são saqueados. Em resposta, mais tropas são enviadas pelo presidente, um rei louco, num corpo em decomposição, berrando ordens incoerentes do seu palácio no pântano. O sol nasce e acordamos com o sabor amargo de novas atrocidades à nossa espera.</p>
<p style="text-align: justify;">Há cinco anos, a poucos quarteirões de onde Renee Good foi assassinada pelo covarde Jonathan Ross, um assassinato semelhante desencadeou a maior revolta popular em mais de uma geração. Logo depois, nos contaram uma série de mentiras sobre essa rebelião. Disseram-nos que era um “movimento social não violento”, mesmo com a imagem de uma delegacia de polícia em chamas piscando ao fundo. Disseram-nos que, embora houvesse alguma violência, ela havia sido iniciada por agitadores externos, talvez policiais, ou até mesmo nacionalistas brancos. Quem quer que fossem, eles não eram membros da “comunidade”, mas sim indivíduos apenas “querendo causar confusão”. Disseram-nos que o plano desde sempre foi processar o assassino, e que foi apenas uma coincidência que as acusações só foram feitas depois que quase todas as grandes cidades do país viram seus centros saqueados e incendiados. Disseram-nos para irmos para casa, que tudo tinha acabado. Disseram-nos que os distúrbios eram apenas a desculpa de que Trump precisava para declarar a lei marcial e cancelar as próximas eleições. Disseram-nos que, se eleito, Biden iria arrumar as coisas. Disseram-nos que as deportações iriam acabar e que as políticas de Trump seriam revertidas. As crianças seriam libertadas das jaulas. Disseram-nos que devíamos voltar ao mais do mesmo da política — que essa era a única maneira de “fazer as coisas acontecerem”. No conjunto, essas mentiras resultaram em uma única grande inverdade: a revolta nunca ocorreu e nunca poderá ocorrer novamente. <strong>[4]</strong> Mas o espírito da história se move de maneiras estranhas. O que está morto nunca morre de verdade. E ouviremos, uma e outra vez, as mesmas mentiras:</p>
<h3 style="text-align: justify;">“Se você está aqui legalmente, não precisa se preocupar…”</h3>
<p style="text-align: justify;">Essa é sempre a primeira mentira, que apenas os mais tresloucados ou os mais irracionais acreditam. Mesmo para os defensores ferrenhos do Estado, essa primeira mentira foi destruída no momento em que o tiro foi disparado. Por isso, ela foi reconfigurada: “se você não estiver obstruindo os agentes federais…”. E logo acrescentaram os adendos habituais: “por que você estava em um motim, para começar?” (dito às pessoas que moram no bairro); “por que você trouxe seus filhos para um protesto?” (para as famílias que buscavam os filhos na escola); “esses cidadãos têm ligações com grupos radicais de esquerda” (válido automaticamente para todos os que se opõem à agência). Eventualmente, a ladainha de mentiras proferidas por qualquer força tirânica tende a se normalizar em torno do guia de estilo das Forças de Defesa de Israel (IDF), refinado no solo bombardeado da Palestina, que há muito serve como laboratório para novos horrores. E, claro, como até uma rápida olhada na história demonstraria, os horrores nunca permanecem confinados à terra sagrada. Quando o bumerangue imperial retorna à mão que o lançou, o processo sempre começa com o chamado “elemento criminoso”. E então passa a ser os esquerdistas e os sindicalistas. E depois seus simpatizantes. E depois qualquer inimigo. Eventualmente, eles têm como alvo os inimigos inerentes da nação, figurados em termos de sangue e solo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158686 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_23__use_.webp" alt="Mentiras que irão te contar" width="1400" height="932" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_23__use_.webp 1400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_23__use_-300x200.webp 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_23__use_-1024x682.webp 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_23__use_-768x511.webp 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_23__use_-631x420.webp 631w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_23__use_-640x426.webp 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_23__use_-681x453.webp 681w" sizes="auto, (max-width: 1400px) 100vw, 1400px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo completamente alheios aos protestos, cidadãos americanos foram detidos em batidas policiais e tiveram a validade de suas certidões de nascimento negada. Indígenas americanos foram mantidos em cativeiro por dias — usados, em parte, como moeda de troca para forçar as lideranças tribais a abrir seus territórios à agência. Isso não é um exagero: na cidade sitiada, qualquer pessoa que não pareça suficientemente branca (e branca da maneira certa) deve portar sua prova de cidadania o tempo todo, sob pena de ser detida e sequestrada. Este é, quase palavra por palavra, o cenário que foi profetizado pelos “esquerdistas radicais” com o advento de agências como o Departamento de Segurança Interna (DHS) e o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), após a aprovação da Patriot Act por uma coalizão bipartidária durante a Guerra ao Terror. Foi nessa mesma época que a Agência de Segurança Nacional (NSA) ganhou novos e amplos poderes. A primeira operação interagências para combater “gangues transnacionais violentas” foi iniciada em 2005, sob o governo Bush, e antecipa grande parte da linguagem ainda usada hoje. Mas o novo estado de segurança foi um esforço conjunto. Na verdade, embora tenha sido iniciado durante um governo republicano, foram os democratas que transformaram essas agências em órgãos operacionais e expandiram amplamente seus poderes.</p>
<p style="text-align: justify;">Tanto o ICE quanto o DHS foram rapidamente expandidos sob Obama, que supervisionou o maior aumento nas deportações e de campos de deportação, construídos, em parte, por meio de um acordo de US$ 1 bilhão sem licitação com a empreiteira prisional privada Core Civic (na época, Corrections Corporation of America). <strong>[5]</strong> Na verdade, Jonathan Ross, o agente que assassinou Good, foi contratado pela agência no auge dessa onda de deportações da era Obama. Nos mesmos anos, houve uma expansão dos centros de dados da NSA, incluindo a cerimônia de inauguração do Centro de Dados da Iniciativa Nacional Abrangente de Segurança Cibernética em Utah, que é talvez o núcleo da infraestrutura moderna de vigilância em massa. <strong>[6]</strong> Da mesma forma, foi o governo Obama que assinou os primeiros acordos com a Palantir para rastrear crimes transfronteiriços, estabelecendo as bases para a colaboração de longa data da empresa com o ICE. <strong>[7]</strong> Hoje, a empresa foi contratada para construir um aplicativo “que preenche um mapa com alvos potenciais de deportação, traz um dossiê sobre cada pessoa e fornece uma ‘pontuação de confiança’ sobre o endereço atual da pessoa…”. <strong>[8]</strong> Esses foram os mesmos anos em que os apelos para “abolir o ICE” ganharam força, juntamente com os apelos para reverter os programas de vigilância da NSA e desmantelar a Segurança Interna. Não é preciso dizer que essas demandas foram rejeitadas tanto por democratas quanto por republicanos como sendo nada mais do que reclamações estridentes de radicais irrealistas renitentes. Agora, enfrentamos precisamente a “realidade” que nos foi prometida.</p>
<h3 style="text-align: justify;">“O assassino será processado…”</h3>
<p style="text-align: justify;">Essa mentira é o bote salva-vidas para os muitos milhões que ainda se agarram a algum resquício de fé em um estado de direito outrora flutuante que, segundo qualquer critério razoável, já submergiu até o fundo do mar escuro e revolto. Vão nos dizer para esperar, para deixar o sistema funcionar, como se a ordem cívica submersa fosse ressurgir. Na realidade, essa ordem sempre foi uma gentileza temporária, possibilitada apenas pelas águas calmas de uma ordem imperial bem estabelecida. Lançado na crise, a probidade do Estado é sempre sacrificada pela efervescência do puro poder subjacente. Aqueles que baseiam sua fé nessa probidade simplesmente não conseguem entender o novo mundo em que se encontram. O que estamos testemunhando, então, é o lento e constrangedor crepúsculo da ingenuidade política bem-educada que definiu toda uma geração de liberais. Os liberais são, em sua essência, uma espécie de adoradores da legalidade. Tire-lhes a legislação e os processos judiciais e você ficará com penitentes confusos, cegos pelos horrores sombrios vislumbrados brevemente por trás de sua fé destruída. No curto prazo, eles continuarão como antes, só que com mais fervor. Confrontados com evidências incontestáveis de sua realidade política, os liberais se agarrarão ainda mais fortemente às ruínas de sua civilidade desmoronada, entrando com ação judicial após ação judicial, escrevendo para os seus deputados, indo de porta em porta para defender candidatos medíocres nas eleições de meio de mandato, tais como fanáticos cheios de feridas se flagelando em penitência pela praga.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem demora, vimos uma série interminável de ações judiciais movidas contra quase todos os aspectos do programa trumpista. Em 20 de janeiro de 2026, havia um total de 253 processos ativos de contestação de ações do governo. Porém, mesmo quando obtêm decisões favoráveis, elas se mostram inexequíveis. Por um lado, com controle decisivo sobre a Suprema Corte, bem como sobre as nomeações federais em todas as agências relevantes, qualquer contestação legal pode ser, em última instância, anulada. A Suprema Corte já anulou as ordens de tribunais inferiores em 17 ocasiões.<strong> [9]</strong> Por outro lado, os poderes executivos podem ser mobilizados para simplesmente anular decisões judiciais por decreto, seja de forma direta (por meio da proliferação de indultos presidenciais, concedidos a licitantes nos bastidores, por exemplo) ou buscando os mesmos fins, por meio de canais diferentes. Por exemplo, quando a deportação de Kilmar Abrego Garcia foi considerada ilegal por um tribunal inferior (e, em um caso raro, a decisão foi mantida pela Suprema Corte), o governo federal procurou indiciá-lo por acusações espúrias, a fim de justificar tentativas subsequentes de deportação. No entanto, precisamente porque esses casos acabam por seguir seu curso nos tribunais e, de fato, geram um certo atrito administrativo, os liberais conseguem manter uma fé mágica de que podem, eventualmente, ter êxito.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158687 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_13__use_.webp" alt="Mentiras que irão te contar" width="1400" height="933" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_13__use_.webp 1400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_13__use_-300x200.webp 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_13__use_-1024x682.webp 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_13__use_-768x512.webp 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_13__use_-630x420.webp 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_13__use_-640x427.webp 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_13__use_-681x454.webp 681w" sizes="auto, (max-width: 1400px) 100vw, 1400px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso deixa pouca esperança para uma resposta judicial aos assassinatos de Renee Good e Alex Pretti. Pouco depois do assassinato de Good, Ross foi evacuado do local, que foi limpo sem registro de provas ou investigação. Da mesma forma, outras agências foram proibidas de proteger o local do assassinato de Pretti. O Departamento de Justiça não apresentou nenhuma acusação, tampouco as autoridades municipais ou estaduais. O regime tem afirmado que Ross e todos os seus outros mercenários têm imunidade total. Eles têm repetido mentiras descaradas sobre o assassinato de Pretti, imediatamente refutadas por inúmeros vídeos. Neste momento, como em qualquer assassinato cometido pela polícia, as denúncias só serão formalizadas em qualquer uma dessas mortes caso houver mobilizações em massa de escala e intensidade suficientes. Passeatas pacíficas, mesmo que enormes ou disfarçadas de “greve geral” (mas que não fecham nenhuma empresa de grande porte da cidade), não têm como alcançar esse objetivo. Neste momento, simplesmente não há nenhum mecanismo imaginável pelo qual passeatas de protesto a fim de ganhar atenção política possam encorajar alguém no poder a levar esses assuntos a julgamento. Ataques à propriedade inimiga, bloqueios totais e greves podem forçar tal resultado, à maneira dos distúrbios no caso de George Floyd, vários anos antes. Nesse caso, porém, mesmo um julgamento e uma condenação poderiam ser facilmente anulados por meio de um indulto presidencial e, se os casos de 6 de janeiro servirem de indício, tudo indica que o executivo iria atrás disso. Não se pode mais confiar que o Estado nem mesmo finja fazer justiça. Os liberais são deixados a chorar, chicoteando suas costas feridas em atos fúteis de penitência, na esperança de reconquistar a atenção de seu deus delinquente. Eventualmente, seus furúnculos estouram e a peste os leva, como aos demais.</p>
<h3 style="text-align: justify;">“O ICE não é bem-vindo aqui…”</h3>
<p style="text-align: justify;">Talvez isso seja verdade em algum sentido espiritual — na mente do político progressista convencido de que, no fundo do coração, o ICE não tem influência. No entanto, se você permite que atrocidades sejam cometidas na sua frente e não toma nenhuma medida substantiva para impedi-las, além de um discurso forte e talvez uma ou duas ações judiciais sem efeito, você não está, na verdade, cedendo também em espírito? Essa mentira se tornou um refrão comum entre os políticos locais. O prefeito disse isso. O governador também. E, apesar de claramente “não ser bem-vindo”, o ICE se sentiu bem à vontade. Os mercenários do ICE vagam pelas ruas. Arrombam as portas das pessoas, instruídos por seus superiores de que não precisam de um mandado assinado por um juiz. A ordem é claramente ilegal, mas isso parece não importar mais. <strong>[10]</strong> As únicas forças que minimamente se mobilizam contra essa invasão são pessoas comuns, que arriscam prisão, mutilação e morte para enfrentar os homens armados enviados para levar seus vizinhos para campos de prisioneiros. Redes robustas de defesa comunitária se espalham pela cidade congelada, enraizadas na infraestrutura criada justamente por essa incansável “extrema-esquerda” que tanto incomoda o regime. Por causa dessas redes, os mercenários raramente conseguem se mover sem serem rastreados, raramente param em algum lugar sem serem cercados e raramente tomam qualquer atitude sem serem filmados.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida, as redes de resposta comunitária desse tipo estão entre as formas mais importantes de organização de classe que os EUA viram nas últimas décadas. Conforme explicado por Adrian Wohlleben:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Com a construção de eixos de defesa, ou “centros”, combinados com outras práticas autônomas de rastreamento, perseguição e interrupção, a luta atual contra o ICE iniciou uma repolitização da inteligência infraestrutural, juntamente com uma inversão de sua orientação “cinegética” (de presa para predador). Esse fato, combinado com a notável tendência de restituir o político nos espaços da vida cotidiana, aponta para uma superação dos limites de 2020… <strong>[11]</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">No entanto, parece improvável que até mesmo essa inteligência infraestrutural distribuída e incorporada ao tecido urbano da vida cotidiana seja suficiente. Embora seja um primeiro passo necessário, o andamento da história muitas vezes ultrapassa nossos esforços. Para acompanhar, é necessário dar um salto para o desconhecido.</p>
<h3 style="text-align: justify;">“Vá lá e vote…”</h3>
<p style="text-align: justify;">Estamos diante de uma realidade sombria: a invasão está aqui, a santificada “resistência” da classe política nunca chegou e o poder bruto que governa o mundo está escancarado para todos. Os democratas já recusaram, em larga medida, os apelos para pressionar pela abolição do ICE e, em vez disso, defenderam sua fórmula desgastada de câmeras corporais e melhor treinamento. <strong>[12]</strong> Diante de tudo isso, como uma mentira tão simples pode persistir? Como alguém poderia estar legitimamente convencido de que votar, ainda mais nas eleições de meio de mandato, enfraqueceria o poder do regime? No entanto, mesmo para os ex-liberais desiludidos com sua fé nos canais legais, que agora perseguem o ICE em seus Honda Fit, soprando seus pequenos apitos e brandindo seus celulares como um escudo — e, apesar do disparate da imagem, legitimamente arriscando a morte para fazê-lo —, uma fé residual no sistema eleitoral permanecerá, mesmo depois que qualquer crença na ordem judicial tiver sido destruída. As eleições são, para os liberais, precisamente a maneira pela qual os erros sistêmicos são corrigidos. Elas oferecem um caminho de volta aos domínios legislativo e executivo, de onde o poder parece ser exercido. Assim, apoderar-se do legislativo em 2026 e, com sorte, o executivo em 2028, parece ser um meio razoável pelo qual o regime poderia ser deposto e seus erros, corrigidos. No entanto, mesmo para os liberais agora mobilizados, o medo paira no fundo da mente: e se isso for, afinal, uma mentira?</p>
<p style="text-align: justify;">A ilusão do “vá lá e vote” persiste, em parte, porque os EUA agora se transformaram totalmente no que Ernst Fraenkel, um advogado trabalhista que viveu a ascensão dos nazistas, chamou de “estado duplo”, no qual o regime é capaz de “manter uma economia capitalista governada por leis estáveis — e manter uma normalidade cotidiana para muitos de seus cidadãos — ao mesmo tempo em que estabelece um domínio de ilegalidade e violência estatal”, nas palavras do acadêmico Aziz Huq. Nessa modalidade de duas vias, um “Estado normativo”, marcado por um “sistema jurídico comum de regras, procedimentos e precedentes”, continua a operar, enquanto, paralelamente, um “Estado prerrogativo”, definido por “arbitrariedade ilimitada e violência sem controle por garantias legais”, se torna a norma em certas áreas geográficas ou na governança de grupos demográficos específicos. Para Fraenkel, essa zona “sem lei” não nega totalmente a zona legal, mas opera em conjunto com ela, mesmo que os “dois estados coabitem de forma incômoda e instável” porque “pessoas ou casos podem ser arrancados do estado normativo e jogados no estado prerrogativo” por um capricho político. Mas a tendência é clara: com o tempo, o ditatorial “estado prerrogativo distorceria e lentamente desmantelaria os procedimentos legais do estado normativo, deixando um domínio cada vez menor para a lei comum”. <strong>[13]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isso é possível, em parte, porque o poder social não opera principalmente por meio do Estado. Na sua raiz, o poder da elite sobre as massas populares é econômico. O Estado e toda a classe política que o dirige são, em última análise, uma emanação dessa forma mais fundamental de poder de classe, definida pelo controle sobre a riqueza social. Essa é a chave para compreender o comportamento aparentemente suicida do regime: o Estado nunca teve a intenção de servir como uma instituição representativa universal que defende os direitos do “povo” de forma abstrata. Ele sempre foi projetado para ser, em última análise, uma máquina para negociar entre segmentos da elite proprietária e defender seus interesses. Em certos períodos de prosperidade imperial, os interesses gerais da população estão vagamente alinhados com os da elite. Mas esses são pactos temporários. Embora Fraenkel, nascido e criado em uma dessas épocas, veja o Estado prerrogativo como uma exceção, esse está, na verdade, mais próximo da norma histórica. O mistério do comportamento bizarro do regime se dissipa quando o vemos como uma luta faccional entre os quadros existentes das elites — em outras palavras, como um mecanismo de poder e pilhagem, empregado por certas facções do capital contra a população em geral, e potencialmente em detrimento de outras facções — e uma tentativa frenética dessas elites, desafiadas por blocos ascendentes de capital em outros lugares, de definir um curso estratégico que permita que seu poder sobreviva em um futuro geopolítico incerto.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158688 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_34__cover.webp" alt="Mentiras que irão te contar " width="1400" height="933" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_34__cover.webp 1400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_34__cover-300x200.webp 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_34__cover-1024x682.webp 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_34__cover-768x512.webp 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_34__cover-630x420.webp 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_34__cover-640x427.webp 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_34__cover-681x454.webp 681w" sizes="auto, (max-width: 1400px) 100vw, 1400px" /></p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a tendência mais importante por trás do surgimento de um estado dual ditatorial seja esta: mesmo enquanto a inflação dizima os salários e os custos da energia disparam na economia cotidiana, o mercado de ações atingiu níveis sem precedentes. Como resultado, os quinze capitalistas mais ricos do país ganharam quase US$ 1 trilhão em riqueza ao longo de 2025 (de US$ 2,4 trilhões para US$ 3,2 trilhões), enquanto todos os 935 bilionários dos EUA juntos agora controlam o dobro da riqueza (US$ 8,1 trilhões) da metade mais pobre da população (170 milhões de pessoas). <strong>[14]</strong> Tampouco isso é uma exceção trumpista. É, ao contrário, parte de uma tendência que vem se consolidando desde a era Obama, no início da década de 2010 — que, por sua vez, reviveu uma tendência que começou no final da década de 1990 com a primeira bolha da internet, antes de ser interrompida por seu colapso — e que se acelerou em níveis sem precedentes, não sob Trump, mas sob Biden. No total, os 0,01% mais ricos dos americanos (cerca de 16 mil famílias de elite) controlam agora cerca de 12% da riqueza nacional, três vezes mais do que a mesma parcela da população controlava no auge da Era Dourada do século XIX. <strong>[15]</strong> Apesar dos contínuos alertas de que Trump está “destruindo a economia”, a realidade é que a economia está funcionando muito bem. Dada essa realidade sombria, não devemos imaginar que eleger democratas, em distritos eleitorais já grotescamente manipulados pelo gerrymandering, resultaria em um regime substancialmente diferente do atual.</p>
<h3 style="text-align: justify;">“Não dê a Trump um pretexto…”</h3>
<p style="text-align: justify;">Aqui chegamos ao cerne da questão. Uma vez que a ilusão da civilidade desmorona, revelando a força e a fraude do poder como tal, novas mentiras surgem para servir a funções clássicas de contra-insurgência. Seu objetivo é atenuar a resposta imediata ao Estado tirânico, auxiliá-lo em sua repressão expondo militantes e impedir qualquer preparação para o que está por vir. “Não dê a eles um pretexto”, “Não morda a isca”, “Não dê a eles o que querem” — tudo isso acompanhado de novas teorias da conspiração sobre tijolos pré-plantados e agentes provocadores. Como em 2020, essas mentiras giram em torno da alegação de que lutar contra o exército invasor de mercenários acabará por dar ao governo uma desculpa para invocar a Lei de Insurreição e impor a lei marcial. Essa mentira parece ter integridade porque o regime ameaçou repetidas vezes fazer exatamente isso. Mas logo qualquer traço de lógica evapora-se. O que seria um “pretexto” suficiente e por que um regime que não tem absolutamente nenhum escrúpulo em violar a constituição, falsificar provas e perseguir seus oponentes precisaria de tal desculpa? Por que simplesmente não inventar uma? Agentes federais invadiram uma cidade e estão atacando e assassinando civis ativamente — isso já é uma forma de lei marcial, só que não no papel. Mais importante ainda, o objetivo principal da lei marcial é impor a quietude. Recompensar preventivamente o regime com exatamente o que ele quer não evita tanto a lei marcial, mas a torna desnecessária. Se as pessoas continuarem a se recusar a ficar quietas e o regime acabar invocando os poderes normativos adequados para declarar a lei marcial, isso não será culpa de ninguém além do próprio regime, independentemente do que ele escolher como gatilho.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas também temos que perguntar se a lei marcial é, de fato, necessária. Como sugere o modelo de estado duplo de Fraenkel, não há um momento em que um governo eleito se torna repentinamente autoritário. Em vez disso, formas prerrogativas de poder coexistem com as normativas e expandem progressivamente seu domínio de influência ao longo do tempo. O cerco às Cidades Gêmeas é uma evidência clara de que tal processo está bem encaminhado. Manifestar-se pacificamente contra o poder prerrogativo não faz nada para impedir seu progresso. Portanto, nos deparamos com uma escolha: ou não fazer nada além de protestar e registrar o aumento da repressão lentamente nas sombras, ou resistir abertamente e, assim, forçar essa repressão a se revelar para que todos vejam. A primeira opção traz menos riscos imediatos. Ela pode ser justificada como uma pausa estratégica enquanto construímos nossas capacidades. Mas tal afirmação requer então apontar onde essas capacidades estão sendo construídas. Enquanto isso, resistir abertamente acarreta enormes riscos imediatos: prisões em massa, tortura e assassinatos seletivos de ativistas, além de abrir as portas para uma aplicação ainda mais ampla do poder prerrogativo contra uma parcela maior da população. A principal diferença entre as duas opções é que a resistência aberta pelo menos traz consigo a possibilidade de desencadear a mobilização em massa necessária para construir o poder popular e derrubar uma elite tirânica, enquanto a petição por meio de canais normativos restritos não traz essa possibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A história demonstra claramente que tentar esperar que a situação se agrave ainda mais, na esperança de que o estado normativo seja restaurado por meio da intervenção de seus adeptos remanescentes (neste caso, políticos democratas, certos republicanos de centro e tecnocratas do governo, como Jerome Powell), apenas fortalece as elites que se beneficiam da ordem prerrogativa. A questão é, portanto, dupla: primeiro, o que deve ser feito? Segundo, o que será feito conosco independentemente disso? É aqui que surge a questão da guerra civil. A política americana pode ser entendida como sempre existindo em um estado latente de guerra civil. Sob certas condições, essa latência então cai por terra e o espectro de uma guerra civil real torna-se amplamente visível. Já em 2020, esse “espectro sempre presente de uma segunda guerra civil, mais balcanizada” havia entrado na consciência pública. <strong>[16]</strong> A visão da guerra civil tende a acompanhar as mudanças no exercício do poder estatal, particularmente em resposta a revoltas emancipatórias. Conforme explicado por Idris Robinson:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">O funcionamento do Estado se dá, fundamentalmente, afastando a ameaça onipresente de guerra civil. O Estado, como tal, pode ser considerado como aquilo que bloqueia e inibe a guerra civil. O que é único neste país é a nossa tradição emancipatória singular, que está ligada à nossa compreensão da guerra civil. <strong>[17]</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, a reestruturação aparentemente suicida do Estado em duas vias é um meio padrão através do qual as revoltas populares e outros conflitos sociais incendiários são inibidos e a ordem existente, restaurada.</p>
<p style="text-align: justify;">No passado, os poderes prerrogativos foram invocados precisamente para afastar o espectro da guerra civil e da revolução. Desde a sua aprovação em 1807, a Lei da Insurreição foi invocada pelo menos 30 vezes por quinze presidentes, formal e informalmente. Da mesma forma, a lei marcial foi declarada pelo menos 68 vezes. Embora ambos tenham sido usados para conter ameaças da direita (particularmente durante a Reconstrução e o movimento pelos direitos civis do pós-guerra) ou conflitos violentos entre grupos de trabalhadores, os usos mais comuns da força militar federal têm sido, de longe, a repressão de revoltas de escravos, greves e outras revoltas. Uma das primeiras grandes mobilizações internas das forças armadas dos EUA foi realizada pelo genocida Andrew Jackson para reprimir a rebelião de escravos de Nat Turner, em 1831. Da mesma forma, a Lei de Insurreição foi invocada por Rutherford Hayes para encerrar a Grande Greve Ferroviária de 1877, por Warren Harding durante a Batalha de Blair Mountain, em 1921, — a maior revolta armada desde a Guerra Civil —, por Lyndon Johnson, em resposta aos distúrbios que se seguiram ao assassinato de Martin Luther King Jr., em 1968, e por George H.W. Bush, em resposta à revolta em Los Angeles, em 1992. <strong>[18]</strong> Em outras palavras, nem invocar a Lei de Insurreição nem declarar lei marcial sinaliza necessariamente uma guerra civil iminente, ou mesmo a suspensão do poder normativo.</p>
<h3 style="text-align: justify;">“Um agente provocador começou tudo…”</h3>
<p style="text-align: justify;">À medida que o cerco continua, as atrocidades se acumulam e os apelos e protestos dos políticos progressistas provam ser impotentes, algo vai acontecer. Mais e mais pessoas vão começar a destruir propriedades do ICE sempre que puderem. Cada vez mais pessoas verão a necessidade de fechar e destruir a infraestrutura econômica central através da qual o poder da elite opera. Por exemplo, o UnitedHealth Group, com sede nos subúrbios de Minneapolis, foi um dos principais doadores da campanha de Trump (mais de US$ 5 milhões, juntamente com Musk) e é um dos principais beneficiários das políticas do Projeto 2025 de Trump. <strong>[19]</strong> Da mesma forma, a corporação Target, também sediada nos subúrbios das Cidades Gêmeas — e conhecida por operar um dos maiores bancos de dados de reconhecimento facial do mundo, compartilhando esses dados com o governo — doou US$ 1 milhão para o fundo de posse de Trump e tem colaborado ativamente com as forças de ocupação. <strong>[20]</strong> À medida que a polícia e a Guarda Nacional entrarem em cena para apoiar o ICE, as pessoas se insurgirão. As greves se espalharão. Eventualmente, quando ficar claro que o ICE pode e vai matar você sem consequências, alguém revidará. É aí que surge a mentira final, dizendo-nos que a revolta em si não foi iniciada pela população, mas por “agitadores externos”, policiais à paisana ou até mesmo supremacistas brancos.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa mentira tem uma longa história, já bem documentada. <strong>[21]</strong> E, no entanto, a mentira persiste, perpetuada ativamente por ativistas que agem como informantes autoproclamados dentro de qualquer movimento em curso. Ao alegar que qualquer ação agressiva praticada contra o inimigo é cometida por agentes da polícia secreta, esses informantes, de fato, perseguem, vigiam e, às vezes, detêm manifestantes para entregá-los à polícia. Muitas vezes, a própria polícia incentiva esse mito, como durante a Rebelião de George Floyd, em 2020, quando se espalharam rumores de que a primeira janela havia sido quebrada por um policial à paisana ou um supremacista branco, e a polícia então divulgou uma declaração juramentada, fingindo tê-lo identificado como membro dos Hells Angels, para, pouco depois, abandonar discretamente tal alegação — nenhuma acusação foi apresentada, enquanto as evidências dos registros de prisão mostravam claramente que a maioria dos detidos nos distúrbios vinha das imediações. <strong>[22]</strong> Dois outros casos de 2020 mostram as consequências da disseminação de tais rumores.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro ocorreu em Seattle: depois que a polícia abandonou a delegacia leste da cidade, a área foi ocupada por manifestantes. Houve intensos debates sobre se a delegacia seria incendiada, como em Minneapolis. Muitos alegaram que qualquer tentativa de fazê-lo seria uma ação de um agente provocador. Então, em 12 de junho, um homem com roupa colorida decidiu tentar, empilhando detritos contra a lateral do prédio, ateando fogo e indo embora. Ativistas no local apagaram o fogo, enquanto outros perseguiram e filmaram o homem, alegando que ele era um agente provocador. Embora ele tenha escapado, esses ativistas-informantes postaram as imagens online e as divulgaram até que fossem compartilhadas com a polícia, que as usou para identificar Isaiah Thomas Willoughby como suspeito. Willoughby se declarou culpado por incêndio criminoso no ano seguinte e foi condenado a dois anos de prisão e mais alguns anos de liberdade condicional depois disso. Logo, foi revelado que Willoughby não era um agente provocador, mas sim o companheiro de casa enlutado de Manuel Ellis, um homem desarmado assassinado pela polícia na cidade vizinha de Tacoma, no início daquele ano. <strong>[23]</strong></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158689 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_20__use_.webp" alt="Mentiras que irão te contar " width="1400" height="933" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_20__use_.webp 1400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_20__use_-300x200.webp 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_20__use_-1024x682.webp 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_20__use_-768x512.webp 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_20__use_-630x420.webp 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_20__use_-640x427.webp 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_20__use_-681x454.webp 681w" sizes="auto, (max-width: 1400px) 100vw, 1400px" /></p>
<p style="text-align: justify;">O segundo caso ocorreu em Atlanta: depois que Rayshard Brooks foi morto pela polícia de Atlanta do lado de fora de um Wendy’s local, pessoas do bairro ocuparam o terreno e, posteriormente, incendiaram o prédio. Informantes-ativistas imediatamente alegaram que o incêndio criminoso foi um ato de um agente provocador e vasculharam a internet para encontrar vídeos de uma mulher branca supostamente ateando fogo, que foram então entregues à polícia. A mulher branca, porém, não era uma agente provocadora. Ela era, na verdade, a namorada de Rayshard Brooks e, por causa desses informantes, foi acusada e declarada culpada por incêndio criminoso. <strong>[24]</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isso não quer dizer que policiais à paisana ou informantes não participem dos protestos. Há evidências bem documentadas de que eles o fazem. Da mesma forma, agentes federais se infiltram em grupos ativistas, onde sugerem e ajudam a coordenar ações altamente ilegais como forma de armadilha — isso é algo absolutamente a se prestar atenção dentro de assembleias públicas e espaços fechados para planejamento e preparação. Mas isso não ocorre no meio de um protesto ativo. Como qualquer veterano das lutas políticas nos Estados Unidos pode dizer, os policiais à paisana colocados no meio dos protestos quase sempre têm a tarefa de gravar secretamente, comunicar-se com a polícia do outro lado e, em certos casos, deter participantes que se preparam para atirar objetos ou empunhar armas. Em outras palavras, os policiais à paisana desempenham praticamente a mesma função que os próprios ativistas informantes. O objetivo final do mito do agente provocador é, portanto, fazer com que os ativistas desempenhem o papel de contra-insurgentes.</p>
<h3 style="text-align: justify;">“Estamos em desvantagem…”</h3>
<p style="text-align: justify;">A mentira final afirma que, mesmo que tentássemos, não há como revidar. Essa é a desculpa já mobilizada pelo prefeito, que justificou não mobilizar a polícia para impedir ou investigar os mercenários com alegações de que o ICE superaria em número e armamento as forças policiais locais. <strong>[25]</strong> Da mesma forma, o governador sabe que chamar a Guarda Nacional contra uma agência federal seria um ato criminoso, resultando na federalização das tropas estaduais, o que, se resultar em divisões nas cadeias de comando, é convencionalmente visto como o caminho mais provável para confrontos entre as forças estaduais e federais e, portanto, o início de uma guerra civil — como é explicado em um artigo amplamente compartilhado que documenta simulações de potenciais conflitos civis, realizadas por acadêmicos da Universidade da Pensilvânia. [26] No entanto, todas essas considerações são incapazes de compreender dois fatos cruciais. Primeiro, elas aceitam a suposta oposição entre “democratas” e “republicanos” tal como essa se apresenta e, assim, superestimam a disposição dos políticos locais — muitos financiados por exatamente os mesmos interesses corporativos que Trump — de se comprometerem com qualquer coisa que se assemelhe remotamente a uma resistência significativa a uma invasão federal. Segundo, eles assumem que a resistência deve vir de dentro do próprio estado, talvez apoiada por instituições afiliadas, como sindicatos e organizações sem fins lucrativos. Ao fazer isso, eles ignoram completamente o papel de uma população mobilizada.</p>
<p style="text-align: justify;">A perspectiva de uma guerra civil real surge quando conflitos materiais estabelecidos entre as elites coincidem com a agitação popular, permitindo que esta última sirva de veículo para os primeiros. As guerras civis podem escalar para conflitos revolucionários quando sua dimensão popular é organizada independentemente dessas elites e assume um caráter partisan <strong>[*]</strong> — ou seja, que busca não apenas uma redistribuição de bens ou direitos dentro do sistema existente, mas a transformação social desse próprio sistema, em direção a fins emancipadores. No momento, os conflitos entre grupos de elite não são suficientes para incentivar qualquer rebelião liderada por políticos locais. É muito improvável que o conflito simulado entre as forças estaduais e federais realmente ocorra, a menos que seja desencadeado de fora, ou seja, pela agitação popular vinda de baixo. E é precisamente aí que as previsões existentes falham, recusando-se a levar em conta a perspectiva de um conflito mais geral, em toda a sociedade, com as forças de ocupação. A realidade que os políticos liberais estão tentando desesperadamente disfarçar é que o povo supera em número a força invasora, que o poder das elites econômicas por trás de Trump depende dos trabalhadores e que, mesmo que minimamente organizados, esses trabalhadores têm, portanto, a capacidade de derrotar a invasão por conta própria.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-158690 size-full" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_27__use_.webp" alt="Mentiras que irão te contar" width="1400" height="933" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_27__use_.webp 1400w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_27__use_-300x200.webp 300w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_27__use_-1024x682.webp 1024w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_27__use_-768x512.webp 768w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_27__use_-630x420.webp 630w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_27__use_-640x427.webp 640w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/Dave_Guttenfelder_27__use_-681x454.webp 681w" sizes="auto, (max-width: 1400px) 100vw, 1400px" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nota da tradução</strong></p>
<p style="text-align: justify;">[*] Para Phil A. Neel, partisan refere-se ao indivíduo ou grupo que participa ativamente nas lutas que emergem de conflitos de classe cotidianos e localizados. Trata-se, portanto, do projeto comunista que visa intervir diretamente nas lutas, e não teorizar o movimento de forma abstrata. Ver “Teoria do Partido” (disponível em <a href="https://antipoda.comrades.sbs/traducao/2025/09/21/teoriadopartido.html" target="_blank" rel="noopener">Antípoda</a> ).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas do autor</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1.Peter Hart, “Trump’s Attacks on Jobs Numbers Are Noise – And Still Dangerous”, Center for Economic and Policy Research, 23 de setembro de 2025 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">2. Leila Bengali, Ingrid Chen, Addie New-Schmidt e Nicolas Petrosky-Nadeau, “The Recent Slowdown in Labor Supply in Demand”, Federal Reserve Bank of San Francisco, 12 de janeiro de 2026. Figura 4.</p>
<p style="text-align: justify;">3. Kilat Fitzgerald, “North Minneapolis ICE shooting: Children hospitalized after flash bang, tear gas hits van”, Fox9 KMSP, 15 de janeiro de 2025 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">4. Identificando essa resposta desde o início, Idris Robinson afirmou a verdade: “De fato, uma revolta militante ocorreu em todo o país. A ala progressista da contra-insurgência visa negar e desarticular esse acontecimento.” (“How it Might Should be Done”, Ill Will, 16 de janeiro de 2020 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">5. Eric Levitz, “The Obama Administration’s $1 Billion Giveaway to the Private Prison Industry”, New York Magazine Intelligencer, 15 de agosto de 2016 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">6. Ingrid Burrington, “A Visit to the NSA’s Data Center in Utah”, The Atlantic, 19 de novembro de 2015. Disponível online aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">7. Palantir, “Sobre a Palantir”, Palantir, 21 de agosto de 2025 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">8. Joseph Cox, “‘ELITE’: The Palantir App ICE Uses to Find Neighborhoods to Raid”, 404 Media, 15 de janeiro de 2026 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">9. Lawfare, “Trump Administration Litigation Tracker”, Lawfare, 20 de janeiro de 2026 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">10. Luke Barr, “ICE memo allows agents to enter homes without judicial warrant: Whistleblower complaint”, ABC News, 22 de janeiro de 2026 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">11. Adrian Wohlleben, “Revolts Without Revolution”, Ill Will, 14 de novembro de 2025 (disponível online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">12. Mychal Denzel Smith, “‘Abolish ICE’ Is More Popular Than Ever. How Will Democrats Drop the Ball This Time?”, The Intercept, 18 de janeiro de 2026 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">13. Aziz Huq, “America is Watching the Rise of a Dual State”, The Atlantic, 23 de março de 2025 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">14. Sharon Zhang, “Top 15 US Billionaires Gained Nearly $1 Trillion in Wealth in Trump’s First Year”, Truthout, 7 de janeiro de 2026 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">15. Marcus Nunes, “The Great Reconcentration: Why America’s Ultra-Wealthy Now Control 12% of National Wealth”, Money Fetish, 20 de janeiro de 2026. Disponível online aqui. (O número citado por Nunes 2026 usa a metodologia estabelecida em: Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, “The Rise of Income and Wealth Inequality in America: Evidence from Distributional Macroeconomic Accounts”, Journal of Economic Perspectives, 34(4), outono de 2020 (disponível online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">16. Robinson, “How it Might Should be Done”.</p>
<p style="text-align: justify;">17. Robinson, “How it Might Should be Done”.</p>
<p style="text-align: justify;">18. Joseph Nunn, Elizabeth Goitein, “Guide to Invocations of the Insurrection Act”, Brennan Center for Justice, 25 de abril de 2022 (disponível online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">19. Ian Vandewalker, “Unprecedented Big Money Surge for Super PAC Tied to Trump”, Brennan Center for Justice, 5 de agosto de 2025. Disponível online aqui; People’s Action, “UnitedHealth Will Be a Top Beneficiary of Trump’s Project 2025”, People’s Action, 15 de outubro de 2024 (disponível online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">20. KPFA, “The Hidden Side of Target: Surveillance, Policing, and a Call for Scrutiny”, KPFA, 20 de fevereiro de 2025. Disponível online aqui; Mike Hughlett, “Target gave $1M to Trump inauguration fund, a first for the company”, The Minnesota Star Tribune, 29 de abril de 2025 (disponível online aqui); Louis Casiano, “Anti-ICE agitators occupy Minnesota Target store, demand retailer stop helping federal agents”, Fox News, 19 de janeiro de 2026 (disponível online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">21. Dave Zirin, “The Fiction of the ‘Outside Agitator”, The Nation, 3 de maio de 2024 (online aqui); Code Switch, “Unmasking the ‘Outside Agitator’”, NPR, 10 de junho de 2020 (online aqui); Glenn Houlihan, “The ‘Outside Agitator’ Is a Myth Used to Weaken Protest Movements”, In These Times, 3 de junho de 2020 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">22. Logan Anderson, “Who was Umbrella Man, who smashed windows before ‘first fire’ in 2020 Minneapolis protests?”, The Minnesota Star Tribune, 30 de maio de 2025 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">23. Mike Carter, “CHOP protester who pleaded guilty to arson was Manuel Ellis’ housemate, lawyer says”, The Seattle Times, 9 de junho de 2021 (online aqui); Procuradoria dos Estados Unidos, “Tacoma man sentenced to two years in prison for early morning fire in ‘CHOP’ zone”, United States Attorney’s Office Western District of Washington, 5 de outubro de 2021 (online aqui). 24. Para uma visão geral dos protestos em Atlanta, consulte: Anônimo, “At the Wendy’s: Armed Struggle at the End of the World”, Ill Will, 9 de novembro de 2020 (online aqui). Para saber mais sobre as consequências legais, consulte: Kate Brumback, “2 Plea Guilty in Fire at Atlanta Wendy’s During Protest After Rayshard Brooks Killing”, Claims Journal, 7 de dezembro de 2023 (disponível online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">25.Tim Miller e Anne Applebaum, “Anne Applebaum and Jacob Frey: Using Lies to Justify Violence”, The Bulwark, 9 de janeiro de 2026 (online aqui).</p>
<p style="text-align: justify;">26.Claire Finkelstein, “We ran high-level US civil war simulations. Minnesota is exactly how they start”, The Guardian, 21 de janeiro de 2026 (online aqui).</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Como os hackers estão revidando contra o ICE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enzo Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Feb 2026 22:47:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão_e_liberdades]]></category>
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					<description><![CDATA[Mesmo diante de uma forte presença policial interna com ampla capacidade de vigilância e tecnologias de ponta, ainda existem maneiras de nos defendermos da vigilância. Por Cooper Quintin]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Por Cooper Quintin</h3>
<p style="text-align: justify;">O ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) tem invadido cidades americanas, buscando, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.brennancenter.org/our-work/research-reports/ice-wants-go-after-dissenters-well-immigrants" href="https://www.brennancenter.org/our-work/research-reports/ice-wants-go-after-dissenters-well-immigrants" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">vigiando</a>, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.propublica.org/article/immigration-dhs-american-citizens-arrested-detained-against-will" href="https://www.propublica.org/article/immigration-dhs-american-citizens-arrested-detained-against-will" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">assediando</a>, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.opb.org/article/2025/12/06/vancouver-ice-alleged-crushing-legs/" href="https://www.opb.org/article/2025/12/06/vancouver-ice-alleged-crushing-legs/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">agredindo</a>, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://kstp.com/kstp-news/local-news/woman-says-she-was-detained-by-ice-in-minneapolis-for-being-a-citizen-observer/" href="https://kstp.com/kstp-news/local-news/woman-says-she-was-detained-by-ice-in-minneapolis-for-being-a-citizen-observer/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">detendo</a> e <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.amnesty.org/en/latest/news/2025/12/estados-unidos-nuevas-investigaciones-revelan-violaciones-de-derechos-humanos-en-los-centros-de-detencion-de-alligator-alcatraz-y-krome-en-florida/" href="https://www.amnesty.org/en/latest/news/2025/12/estados-unidos-nuevas-investigaciones-revelan-violaciones-de-derechos-humanos-en-los-centros-de-detencion-de-alligator-alcatraz-y-krome-en-florida/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">torturando</a> imigrantes indocumentados. Também tem <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.propublica.org/article/immigration-dhs-american-citizens-arrested-detained-against-will" href="https://www.propublica.org/article/immigration-dhs-american-citizens-arrested-detained-against-will" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">como alvo pessoas</a> com <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.opb.org/article/2025/10/30/tacoma-hillsboro-victor-cruz-ice-immigration-oregon-law-enforcement/" href="https://www.opb.org/article/2025/10/30/tacoma-hillsboro-victor-cruz-ice-immigration-oregon-law-enforcement/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">autorização de trabalho</a>, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://truthout.org/articles/ice-kidnapped-my-neighbor-in-broad-daylight-the-aftermath-left-me-reeling/" href="https://truthout.org/articles/ice-kidnapped-my-neighbor-in-broad-daylight-the-aftermath-left-me-reeling/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">solicitantes de asilo</a>, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.theguardian.com/us-news/2025/dec/15/ice-lawsuit-violent-assault" href="https://www.theguardian.com/us-news/2025/dec/15/ice-lawsuit-violent-assault" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">residentes permanentes</a> (portadores de “green card”), <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://sahanjournal.com/immigration/ice-arrest-cedar-riverside-minneapolis-somali-man/" href="https://sahanjournal.com/immigration/ice-arrest-cedar-riverside-minneapolis-somali-man/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">cidadãos naturalizados</a> e <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.houstonchronicle.com/opinion/outlook/article/i-m-citizen-ice-wrongfully-detained-me-21244415.php" href="https://www.houstonchronicle.com/opinion/outlook/article/i-m-citizen-ice-wrongfully-detained-me-21244415.php" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">até mesmo cidadãos por nascimento.</a> O ICE gastou <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=http://www.eff.org/deeplinks/2026/01/ice-going-surveillance-shopping-spree" href="http://www.eff.org/deeplinks/2026/01/ice-going-surveillance-shopping-spree" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">centenas de milhões de dólares em tecnologia de vigilância</a> para espionar qualquer pessoa — e potencialmente todos — nos Estados Unidos. Pode ser difícil imaginar como se defender contra uma força tão avassaladora. Mas alguns hackers criativos iniciaram projetos para realizar contra-vigilância contra o ICE e, com sorte, proteger suas comunidades por meio do uso inteligente da tecnologia.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos começar com a Flock, a empresa por trás de diversas tecnologias <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://sls.eff.org/technologies/automated-license-plate-readers-alprs" href="https://sls.eff.org/technologies/automated-license-plate-readers-alprs" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">de leitura automática de placas de veículos</a> (ALPR) e outras câmeras. Você pode se surpreender com a quantidade de câmeras da Flock em sua comunidade. Muitas prefeituras, grandes e pequenas, em todo o país, fecharam contratos com a Flock para que os leitores de placas rastreiem a movimentação de todos os carros em suas cidades. Embora esses contratos sejam firmados por departamentos de polícia locais, muitas vezes o ICE <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.404media.co/ice-taps-into-nationwide-ai-enabled-camera-network-data-shows/" href="https://www.404media.co/ice-taps-into-nationwide-ai-enabled-camera-network-data-shows/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">também obtém acesso às informações</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Devido à sua onipresença, as pessoas têm interesse em descobrir onde e quantas câmeras Flock existem em suas comunidades. Um projeto que pode ajudar com isso é o <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.hackster.io/news/colonel-panic-s-oui-spy-is-a-slick-bluetooth-low-energy-scanner-or-a-foxhunting-handset-c16927adad71" href="https://www.hackster.io/news/colonel-panic-s-oui-spy-is-a-slick-bluetooth-low-energy-scanner-or-a-foxhunting-handset-c16927adad71" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">OUI-SPY</a>, um pequeno dispositivo de hardware de código aberto. O OUI-SPY funciona com um chip barato compatível com Arduino, chamado ESP-32. Existem vários programas disponíveis para serem carregados no chip, como o “Flock You”, que permite detectar câmeras Flock, e o “Sky-Spy”, para detectar drones sobrevoando a área. Há também o “BLE Detect”, que detecta vários sinais Bluetooth, incluindo os da Axon, dos óculos Ray-Ban da Meta que <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://github.com/sh4d0wm45k/glass-detect/blob/main/glass-detect/glass-detect.ino" href="https://github.com/sh4d0wm45k/glass-detect/blob/main/glass-detect/glass-detect.ino" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">gravam você secretamente</a> e muito mais. Ele também possui um modo conhecido como “caça à raposa” para rastrear um dispositivo específico. Ativistas e pesquisadores podem usar essa ferramenta para mapear diferentes tecnologias e quantificar a disseminação da vigilância.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe também o <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://wigle.net/" href="https://wigle.net/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">aplicativo de código aberto Wigle</a>, projetado principalmente para mapear redes Wi-Fi, mas que também possui a capacidade de emitir um alerta sonoro quando um identificador específico de Wi-Fi ou Bluetooth é detectado. Isso significa que você pode configurá-lo para receber uma notificação quando detectar produtos da Flock, Axon ou outros dispositivos indesejados nas proximidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Um YouTuber criativo, Benn Jordan, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.youtube.com/watch?v%3DPp9MwZkHiMQ" href="https://www.youtube.com/watch?v%3DPp9MwZkHiMQ" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">descobriu uma maneira de enganar as câmeras Flock</a> para que não gravassem sua placa, simplesmente pintando um pequeno ruído visual sobre ela. Isso é inofensivo o suficiente para que qualquer pessoa ainda consiga ler a placa, mas impediu totalmente que os dispositivos Flock a reconhecessem como tal naquele momento. <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://codes.findlaw.com/ca/vehicle-code/veh-sect-5201/" href="https://codes.findlaw.com/ca/vehicle-code/veh-sect-5201/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Alguns estados americanos</a> proíbem motoristas de ocultar suas placas. Portanto, essa prática não é recomendada.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde, Jordan descobriu <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.youtube.com/watch?v%3DvU1-uiUlHTo" href="https://www.youtube.com/watch?v%3DvU1-uiUlHTo" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">centenas de câmeras Flock mal configuradas</a> que expunham sua interface de administrador sem senha na internet pública. Isso permitia que qualquer pessoa com conexão à internet visualizasse transmissões de vigilância ao vivo, baixasse 30 dias de vídeo, visualizasse registros e muito mais. As câmeras estavam apontadas para parques, trilhas públicas, cruzamentos movimentados e até mesmo um parquinho infantil. Isso representou uma enorme quebra de confiança pública e uma grande falha para uma empresa que alega trabalhar pela segurança pública.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-158677" src="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/logo-footer.png" alt="" width="557" height="752" srcset="https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/logo-footer.png 557w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/logo-footer-222x300.png 222w, https://passapalavra.info/wp-content/uploads/2026/02/logo-footer-311x420.png 311w" sizes="auto, (max-width: 557px) 100vw, 557px" />Também foram lançados diversos aplicativos para denúncia de avistamentos de agentes do ICE, incluindo aplicativos para relatar avistamentos de agentes do ICE em sua área, como <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://stopice.net" href="https://stopice.net" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Stop ICE Alerts</a>, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://iceout.org" href="https://iceout.org" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">ICEOUT.org</a> e ICE Block. O ICEBlock foi <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://9to5mac.com/2025/10/02/following-doj-pressure-apple-pulls-iceblock-from-the-app-store/" href="https://9to5mac.com/2025/10/02/following-doj-pressure-apple-pulls-iceblock-from-the-app-store/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">removido da lista de aplicativos da Apple a pedido da Procuradora-Geral Pam Bondi</a>, fato pelo qual <a class="urlextern" title="https://www-eff-org.translate.goog/cases/eff-v-doj-dhs-ice-tracking-apps?_x_tr_sl=auto&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;_x_tr_pto=wapp" href="https://www.eff.org/cases/eff-v-doj-dhs-ice-tracking-apps" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">estamos processando a empresa</a>. Há também o Eyes Up, um aplicativo para gravar e arquivar com segurança operações do ICE, <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://mashable.com/article/apple-removes-app-archiving-videos-of-ice" href="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://mashable.com/article/apple-removes-app-archiving-videos-of-ice" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">que foi retirado do ar pela Apple no início deste ano.</a></p>
<p style="text-align: justify;">Outro projeto interessante que documenta o ICE e cria um acervo de informações de código aberto é <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://wiki.icelist.is/index.php?title%3DMain_Page" href="https://wiki.icelist.is/index.php?title=Main_Page" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">o ICE List Wiki</a>, que contém informações sobre empresas que têm contratos com o ICE, incidentes e encontros com o ICE e veículos que o ICE utiliza.</p>
<p style="text-align: justify;">Pessoas sem conhecimento de programação também podem se envolver. <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.chicagotribune.com/2025/10/20/whistles-chicago-ice/" href="https://www.chicagotribune.com/2025/10/20/whistles-chicago-ice/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">Em Chicago, as pessoas usavam apitos para alertar seus vizinhos sobre a presença</a> de agentes do ICE ou que eles estão na área. Muitas pessoas imprimiram apitos em 3D, juntamente com folhetos de instruções, para distribuir em suas comunidades, permitindo uma distribuição mais ampla dos apitos e, consequentemente, alertas mais precoces para os vizinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos hackers começaram a oferecer treinamentos de segurança digital para suas comunidades ou a criar <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://activistchecklist.org/" href="https://activistchecklist.org/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">sites com dicas de segurança</a>, incluindo como <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.reclaimcontrol.tech/" href="https://www.reclaimcontrol.tech/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">proteger seus dados dos olhares atentos da indústria de vigilância</a>. Para alcançar um público mais amplo, instrutores até começaram a oferecer treinamentos sobre como defender suas comunidades e o que fazer em uma operação da imigração em <a class="urlextern" title="https://translate.google.com/website?sl=auto&amp;tl=pt&amp;hl=pt-BR&amp;client=webapp&amp;u=https://www.404media.co/ice-defense-training-on-fortnite-new-save-collective/" href="https://www.404media.co/ice-defense-training-on-fortnite-new-save-collective/" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">videogames, como Fortnite</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe também o projeto Rayhunter da EFF (Electronic Frontier Foundation) para detecção de simuladores de antenas de celular, sobre o qual <a class="urlextern" title="https://www-eff-org.translate.goog/deeplinks/2025/03/meet-rayhunter-new-open-source-tool-eff-detect-cellular-spying?_x_tr_sl=auto&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;_x_tr_pto=wapp" href="https://www.eff.org/deeplinks/2025/03/meet-rayhunter-new-open-source-tool-eff-detect-cellular-spying" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">já escrevemos bastante</a>. O Rayhunter funciona em um hotspot móvel barato e não exige conhecimento técnico aprofundado para ser usado.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante lembrar que não somos impotentes. Mesmo diante de uma forte presença policial interna com ampla capacidade de vigilância e tecnologias de ponta, ainda existem maneiras de nos defendermos da vigilância. Não podemos ceder ao niilismo e ao medo. Devemos continuar buscando pequenas formas de nos proteger e proteger nossas comunidades e, quando possível, revidar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>A EFF não tem qualquer vínculo com esses projetos (exceto o Rayhunter) e não os endossa. Não fazemos nenhuma declaração sobre a legalidade do uso de qualquer um desses projetos. Consulte um advogado para determinar os riscos envolvidos.</em></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>Tradução a partir do original que pode ser acessado aqui: <a class="urlextern" title="https://www.eff.org/deeplinks/2026/01/how-hackers-are-fighting-back-against-ice" href="https://www.eff.org/deeplinks/2026/01/how-hackers-are-fighting-back-against-ice" target="_blank" rel="nofollow noopener ugc">https://www.eff.org/deeplinks/2026/01/how-hackers-are-fighting-back-against-ice</a></em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">
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