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	Comentários sobre Passa Palavra	</title>
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	<description>Noticiar as lutas, apoiá-las, pensar sobre elas</description>
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		<title>
		Comentário sobre Qual posição tomar? por Mateus Alexandre Alves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/07/113838/#comment-1131841</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mateus Alexandre Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 17:59:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Caro Professor &quot;Não Fascista&quot;,

Para encerrar essa questão sobre a autoria, não vou me estender novamente sobre as extrapolações de interpretações. Como já esclareci, citei uma definição na qual realmente acredito e que conheço justamente porque escrevi um artigo de opinião utilizando-a, em que, como demonstrado, a referenciei de forma correta. Não há razão alguma para querer roubar a definição de outro autor, ainda mais porque em outra publicação já a havia referenciado. Tratando-se de uma seção de comentários em que você me perguntou o que acredito ser o fascismo, não julguei essa formalidade necessária. Essa insistência em desviar o debate para essa questão, mesmo eu tendo esclarecido, é desgastante.

Você também recorre a atribuições de significado irreais para tentar desqualificar a discussão que tento trazer. Em momento algum eu acusei os presentes nesta discussão de possuírem ilusões eleitorais. Apenas apontei algo real, o uso do termo &quot;fascismo&quot; como ferramenta de mobilização democrática e eleitoral de forma geral. Seria inclusive contraditório da minha parte fazer tal acusação, visto que foi o próprio Passa Palavra quem publicou o excelente texto do Rühle e ressaltei a sua importância. Da mesma forma, nunca afirmei que todo uso contemporâneo do conceito de fascismo seja vazio, até porque, se assim fosse, a própria definição contemporânea que eu utilizo também o seria.

Agora, voltando à discussão real, é preciso ter em mente que muitos fenômenos possuem características que se assemelham a outros sem se confundirem. O fascismo não é apenas integralista, ou apenas totalitário de forma isolada, ou apenas expansionista etc. Segundo a definição apresentada, ele é um fenômeno específico que manifesta todas essas características elencadas em conjunto. Essas características são partes que constituem um único fenômeno, e as formas como isso se manifesta varia em cada caso concreto. Seguindo a sua lógica, seria como se eu afirmasse que um morcego é &quot;um mamífero que possui asas&quot;, e você tentasse invalidar a minha resposta dizendo: &quot;não, pois a baleia também é um mamífero e vive no oceano&quot;. O fato de outros Estados também possuírem características, em alguns momentos históricos, que se assemelham a algumas particularidades do fascismo, não faz deles fascistas, pois lhes faltam as demais características que compõem o fenômeno, e essa maneira de manifestação faz com que o fenômeno tome uma forma especificamente fascista que você menciona e da qual traz exemplos concretos.

Em vez de recorrer a esse tipo de raciocínio, seria muito mais produtivo apontar que à definição que apresento faltariam elementos fundamentais constitutivos. Creio, inclusive, que você tentou levar a discussão para esse lado ao trazer exemplos concretos e destrinchar a questão. Contudo, aí esbarramos em uma outra questão: a diferença entre uma definição e uma conceituação. Eu apenas ofereci uma definição; você, por sua vez, está encaminhando o debate para uma conceituação (e ainda digo mais: os exemplos concretos que cita, me parece ser dsdobramento das características da minha definição). Atender a isso exigiria que eu me alongasse para explicar concretamente cada uma das características e isso, como sempre disse e agora repito, não é, nem nunca foi, o meu objetivo aqui. Felizmente, existe uma bibliografia muito vasta sobre o assunto para quem deseja esse aprofundamento e da qual concordo. A título de indicação, e ainda abordando o tema de usar esse termo para a mobilização a favor da democracia burguesa, recomendo a edição da Revista Enfrentamento dedicada ao tema, que pode ser lida neste link: https://redelp.net/index.php/renf/issue/view/79, bem como o &quot;Guia de Autoformação sobre os limites e a crítica revolucionária ao antifascismo – Gabriel Teles&quot; (aqui: https://criticadesapiedada.com.br/2020/06/02/guia-de-autoformacao-e-estudo-sobre-os-limites-e-a-critica-revolucionaria-ao-antifascismo-gabriel-teles/) e a série de três episódios do podcast do Crítica Desapiedada sobre fascismo e antifascismo, apresentada também por Gabriel Teles. O primeiro episódio pode ser ouvido neste link: https://open.spotify.com/episode/72yctnc41Vmep5aJFT1Ocu?si=xB4YQximTS67ByzyF-jrXQ. O Gabriel Teles mostra muito bem essa despolitização do termo fascismo e o consequente &quot;antifascismo&quot; no seu guia de autoformação, e é isso que gostaria de trazer aqui:

&quot;A ausência de criticidade reina absoluta e a adesão ao chamado “antifascismo” é feita de maneira quase generalizada por aqueles que não sabem o que é fascismo e muito menos o seu pior produto, o antifascismo. A crítica revolucionária ao antifascismo, essa concessão à sociedade capitalista, é efetuada desde a origem desse fenômeno. E aqui não devemos temer ao dizer a verdade: o antifascismo não apenas não contribui com a perspectiva revolucionária, como se subordina à hegemonia daqueles que querem reproduzir essa sociedade miserável, independentemente se de maneira democrática ou ditatorial. Nesse sentido, a pergunta de Bertolt Brecht é correta: Como pode alguém dizer a verdade sobre o fascismo, a menos que esteja disposto a falar contra o capitalismo, que o traz à tona? Não há dúvidas de que existam indivíduos bem-intencionados que se reivindicam antifascistas, seja por desconhecer a história do movimento operário e suas lutas, seja pela vontade de agir contra o (suposto) fascismo (mesmo que de maneira irrefletida e por desconhecimento das experiências passadas). É exatamente para esses indivíduos, além daqueles que querem se aprofundar sobre o tema, que lançamos esse guia de autoformação sobre os limites e a crítica revolucionária ao antifascismo. A nossa pretensão é desmistificar alguns elementos tanto sobre o fascismo quanto sobre o antifascismo e apontar os limites deste último numa perspectiva revolucionária&quot;.

Essa mesma linha de raciocínio vale para a sua crítica em relação ao nível supostamente abstrato da fórmula &quot;expressão política da burguesia em aliança com a burocracia&quot;. Primeiro, não é tão abstrato, porque nem todo movimento político é fruto de uma aliança da burguesia com a burocracia. E, em segundo lugar, para que essa aliança específica seja caracterizada como fascismo, ela precisa, obrigatoriamente, manifestar em conjunto todas as outras características elencadas na definição. Se não tiver os outros elementos, seria outra coisa, como você mesmo fala, e é isso que dá concreticidade à definição. Se você pegar características como sendo soltas e não parte da definição, aí sim é algo abstrato, mas não é em seu conjunto.

Quanto ao exemplo da ditadura militar brasileira, ainda que possamos debater suas particularidades e reconhecer realmente seus limites em relação ao totalitarismo e ao autoritarismo, então, eu poderia perfeitamente elencar outros casos. Basta observarmos o stalinismo, a China maoísta ou o Estado totalitário que existiu no Camboja. São exemplos históricos que buscam apenas ilustrar algo que parece não ter sido muito bem compreendido: o fascismo, para ser fascismo, deve manifestar todas aquelas características em conjunto, e não somente cada uma delas isoladamente.

Ainda no campo dos exemplos, sobre a Ação Integralista Brasileira ser classificada estritamente como uma organização fascista, noto primeiramente que a sua própria definição parece insuficiente para sustentar isso. Embora a Ação Integralista Brasileira possua diversos elementos semelhantes, ela não atende a todas as características que você mesmo apresentou, mesmo a sua definição sendo bastante abrangente. Por exemplo, você define o fascismo como um &quot;processo de reorganização contrarrevolucionária da ordem capitalista&quot;. Ora, não vivenciamos um período revolucionário no Brasil naquela época e a burguesia, portanto, não precisava de um &quot;processo de reorganização contrarrevolucionária&quot; para restabelecer essa &quot;ordem capitalista&quot;; logo, como falar em uma &quot;reorganização contrarrevolucionária&quot; neste caso específico?

Achei, também, curioso você citar os doutrinadores do integralismo afirmando que o movimento &quot;rejeita o imperialismo&quot; para tentar desvinculá-los do expansionismo. Se analisarmos o contexto histórico e social, percebemos que esse discurso era, na verdade, uma tentativa de defender uma autonomia do capitalismo brasileiro, buscando romper com a subordinação do país no capitalismo global. No nível do discurso político da época, seria impossível para eles afirmarem algo diferente sem acabar legitimando a dominação dos países de capitalismo imperialista, inclusive sobre o Brasil. Por isso, e acho que sua definição também se encaminha para isso, considero o integralismo brasileiro um protofascismo: um movimento com características fascistas latentes, mas que carecia das condições sociais para se desenvolver completamente como tal. Claro, levando em consideração as experiências históricas concretas que existiram, etc.

O que me leva a abordar a sua definição de fascismo, que não esclarece o que é fascismo, sendo bem confusa. Você começa definindo com a premissa de que se trata de um &quot;processo de reorganização contrarrevolucionária da ordem capitalista&quot; impulsionado por &quot;movimento de massas&quot;, o que pressupõe logicamente a existência prévia de uma conjuntura revolucionária concreta, ou de uma forte ameaça proletária, que exija tal restabelecimento da ordem, bem como uma grande adesão. A confusão começa quando você afirma que esse processo é impulsionado por &quot;movimentos de massas&quot; que combinam &quot;organizações radicais&quot; com &quot;instituições conservadoras&quot;: não fica claro se esses &quot;movimentos de massas&quot; são externas ou imanentes ao próprio fascismo, tampouco o que se entende exatamente por organizações &quot;radicais&quot;... seriam organizações de fato revolucionárias (como conselhos operários) ou o termo foi usado vagamente como sinônimo de &quot;extremismo&quot;? Da mesma forma, questiono como ocorre essa suposta combinação com as tais instituições conservadoras (que poderiam, me parece, abranger desde o aparato estatal até sindicatos e partidos políticos). Essa &quot;fluidez conceitual&quot; (para usar um eufemismo) transborda para a sua distinção entre fascismo como movimento e como regime. Ao definir o movimento pela articulação de partidos, milícias e sindicatos, não fica elucidado se essas ferramentas organizativas já nascem intrinsecamente fascistas ou se são instâncias prévias apenas instrumentalizadas pelo processo; e, ao caracterizar a fase de regime pelos &quot;compromissos&quot; firmados com as Forças Armadas, a Igreja, a burocracia e as frações do capital, sua definição acaba esbarrando na constatação genérica de que toda e qualquer tomada de poder institucional e não insurgente no capitalismo estabelece pactos idênticos com esses exatos mesmos setores. Portanto, ao empilhar características e dinâmicas de aliança sem explicar a essência que as unifica e as diferencia de outras formas corriqueiras de dominação e cooptação burguesa ou burocrática, a sua formulação deixa grandes lacunas sobre o que constitui, de fato, a especificidade do fascismo (parecendo um conjunto de organizações nacionalistas conservantistas que tem como objetivo ascender ao poder). No fim das contas, parece que essa definição carrega tantas características não esclarecidas que acaba desprovida de uma determinação fundamental e de verdadeira coerência teórica, confundindo ao invés de esclarecer.

Mas, como insisto desde o princípio, meu intuito aqui foi apenas resgatar um bom texto para refletirmos sobre a despolitização do termo fascismo. Isso nos leva de volta a Rühle. Temos a vantagem histórica de estar à frente do seu tempo. O que sugiro com a leitura do seu texto é justamente notarmos o quão terrível e específico foi aquele momento histórico, a forma como o fascismo foi derrotado e como essa derrota não foi suficiente para abolir o capitalismo, o que manteve vivas as raízes para o seu ressurgimento. Não estou dizendo que o fascismo ressurgirá sempre através da democracia, mas que é fundamental não nos limitarmos a defendê-la, pois ela é insuficiente. É preciso superar e abolir a base que dá sustentação tanto à democracia burguesa quanto à possibilidade do fascismo: o capitalismo (e a não percepção disso é o limite do antifascismo).

Você classificou isso como um palavreado revolucionário abstrato, argumentando que a democracia oferece as melhores condições de luta para o movimento revolucionário. Ora, concordo plenamente que a a democracia facilita a organização revolucionária se comparadas a um Estado fascista ou ditatorial. Quando afirmei que era &quot;relativamente fácil&quot;, estava comparando justamente com a extrema dificuldade de articulação sob uma ditadura. Contudo, a questão é que não estamos numa &quot;encruzilhada&quot; sendo forçados a escolher a democracia para nos salvar de outra coisa. Já estamos na democracia! E, por estarmos na democracia burguesa de um país capitalista subordinado, temos o dever, como revolucionários, de negá-la, aproveitando exatamente essas mesmas condições que ela nos oferece, e você mesmo apontou isso, para lutar radicalmente contra a nossa própria realidade, a democracia burguesa, o fascismo que tem condições de renascer mundialmente, e contra a sociedade capitalista em geral.

Se não aproveitarmos essas condições, já que estamos em uma democracia, e considerando que o fascismo (como você mesmo definiu) é uma forma de contrarrevolução para manter o capitalismo, acabaríamos presos em um ciclo infinito. Estaríamos sempre combatendo o fascismo em favor da democracia, sempre adiando o confronto real para defender as melhores condições de luta, em vez de lutarmos efetivamente contra a democracia burguesa, o fascismo e o próprio capitalismo, em conjunto. Como diria Paul Mattick, o fascismo é o último refúgio da burguesia. A propósito, sugiro outro texto de Mattick em que ele alerta: &quot;Levantar ou ajudar a levantar o slogan da democracia em um período de fascismo não significa a superação, mas o fortalecimento das ilusões democráticas&quot;. Se esse slogan é conservador nesta situação, qual o peso disso numa situação que já é democrática? Essa seria a reflexão que queria instigar aqui, e que, infelizmente, foi mal compreendida por você.

Por isso, não há nada de &quot;abstrato&quot; em querer aproveitar o melhor momento democrático para lutar de fato, em vez de se limitar a lutar pelas condições de luta. Há diversas formas e organizações para realizar essa luta de forma radical, há uma vasta discussão sobre organização revolucionária e formas de luta (inclusive, dos comunistas de conselhos); e, ainda acrescento, o próprio portal Passa Palavra pode assumir um papel importante nesse processo, o que mais uma vez mostra que não acusei ninguém daqui de nada.

Por mais que possamos discordar sobre a definição exata de fascismo, devemos notar, no entanto, que ambos o analisamos levando em consideração a luta de classes e o processo histórico. Essa convergência é o suficiente, a meu ver, para concordarmos no ponto que julgo ser o mais importante: a crítica à ilusão democrática de rotular o bolsonarismo como &quot;fascismo&quot;, reduzindo a ação &quot;antifascista&quot; a defender a democracia, ou, ainda pior, simplesmente ao utilitarismo de votar no Haddad e, posteriormente, no Lula. Diante da sua compreensível exigência por rigor em nossa discussão, é excelente perceber que, no fim, você não compartilha dessas ilusões. Como, felizmente, não pescamos essa ilusão e convergimos nessa crítica, já me dou por satisfeito com a nossa discussão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Professor &#8220;Não Fascista&#8221;,</p>
<p>Para encerrar essa questão sobre a autoria, não vou me estender novamente sobre as extrapolações de interpretações. Como já esclareci, citei uma definição na qual realmente acredito e que conheço justamente porque escrevi um artigo de opinião utilizando-a, em que, como demonstrado, a referenciei de forma correta. Não há razão alguma para querer roubar a definição de outro autor, ainda mais porque em outra publicação já a havia referenciado. Tratando-se de uma seção de comentários em que você me perguntou o que acredito ser o fascismo, não julguei essa formalidade necessária. Essa insistência em desviar o debate para essa questão, mesmo eu tendo esclarecido, é desgastante.</p>
<p>Você também recorre a atribuições de significado irreais para tentar desqualificar a discussão que tento trazer. Em momento algum eu acusei os presentes nesta discussão de possuírem ilusões eleitorais. Apenas apontei algo real, o uso do termo &#8220;fascismo&#8221; como ferramenta de mobilização democrática e eleitoral de forma geral. Seria inclusive contraditório da minha parte fazer tal acusação, visto que foi o próprio Passa Palavra quem publicou o excelente texto do Rühle e ressaltei a sua importância. Da mesma forma, nunca afirmei que todo uso contemporâneo do conceito de fascismo seja vazio, até porque, se assim fosse, a própria definição contemporânea que eu utilizo também o seria.</p>
<p>Agora, voltando à discussão real, é preciso ter em mente que muitos fenômenos possuem características que se assemelham a outros sem se confundirem. O fascismo não é apenas integralista, ou apenas totalitário de forma isolada, ou apenas expansionista etc. Segundo a definição apresentada, ele é um fenômeno específico que manifesta todas essas características elencadas em conjunto. Essas características são partes que constituem um único fenômeno, e as formas como isso se manifesta varia em cada caso concreto. Seguindo a sua lógica, seria como se eu afirmasse que um morcego é &#8220;um mamífero que possui asas&#8221;, e você tentasse invalidar a minha resposta dizendo: &#8220;não, pois a baleia também é um mamífero e vive no oceano&#8221;. O fato de outros Estados também possuírem características, em alguns momentos históricos, que se assemelham a algumas particularidades do fascismo, não faz deles fascistas, pois lhes faltam as demais características que compõem o fenômeno, e essa maneira de manifestação faz com que o fenômeno tome uma forma especificamente fascista que você menciona e da qual traz exemplos concretos.</p>
<p>Em vez de recorrer a esse tipo de raciocínio, seria muito mais produtivo apontar que à definição que apresento faltariam elementos fundamentais constitutivos. Creio, inclusive, que você tentou levar a discussão para esse lado ao trazer exemplos concretos e destrinchar a questão. Contudo, aí esbarramos em uma outra questão: a diferença entre uma definição e uma conceituação. Eu apenas ofereci uma definição; você, por sua vez, está encaminhando o debate para uma conceituação (e ainda digo mais: os exemplos concretos que cita, me parece ser dsdobramento das características da minha definição). Atender a isso exigiria que eu me alongasse para explicar concretamente cada uma das características e isso, como sempre disse e agora repito, não é, nem nunca foi, o meu objetivo aqui. Felizmente, existe uma bibliografia muito vasta sobre o assunto para quem deseja esse aprofundamento e da qual concordo. A título de indicação, e ainda abordando o tema de usar esse termo para a mobilização a favor da democracia burguesa, recomendo a edição da Revista Enfrentamento dedicada ao tema, que pode ser lida neste link: <a href="https://redelp.net/index.php/renf/issue/view/79" rel="nofollow ugc">https://redelp.net/index.php/renf/issue/view/79</a>, bem como o &#8220;Guia de Autoformação sobre os limites e a crítica revolucionária ao antifascismo – Gabriel Teles&#8221; (aqui: <a href="https://criticadesapiedada.com.br/2020/06/02/guia-de-autoformacao-e-estudo-sobre-os-limites-e-a-critica-revolucionaria-ao-antifascismo-gabriel-teles/" rel="nofollow ugc">https://criticadesapiedada.com.br/2020/06/02/guia-de-autoformacao-e-estudo-sobre-os-limites-e-a-critica-revolucionaria-ao-antifascismo-gabriel-teles/</a>) e a série de três episódios do podcast do Crítica Desapiedada sobre fascismo e antifascismo, apresentada também por Gabriel Teles. O primeiro episódio pode ser ouvido neste link: <a href="https://open.spotify.com/episode/72yctnc41Vmep5aJFT1Ocu?si=xB4YQximTS67ByzyF-jrXQ" rel="nofollow ugc">https://open.spotify.com/episode/72yctnc41Vmep5aJFT1Ocu?si=xB4YQximTS67ByzyF-jrXQ</a>. O Gabriel Teles mostra muito bem essa despolitização do termo fascismo e o consequente &#8220;antifascismo&#8221; no seu guia de autoformação, e é isso que gostaria de trazer aqui:</p>
<p>&#8220;A ausência de criticidade reina absoluta e a adesão ao chamado “antifascismo” é feita de maneira quase generalizada por aqueles que não sabem o que é fascismo e muito menos o seu pior produto, o antifascismo. A crítica revolucionária ao antifascismo, essa concessão à sociedade capitalista, é efetuada desde a origem desse fenômeno. E aqui não devemos temer ao dizer a verdade: o antifascismo não apenas não contribui com a perspectiva revolucionária, como se subordina à hegemonia daqueles que querem reproduzir essa sociedade miserável, independentemente se de maneira democrática ou ditatorial. Nesse sentido, a pergunta de Bertolt Brecht é correta: Como pode alguém dizer a verdade sobre o fascismo, a menos que esteja disposto a falar contra o capitalismo, que o traz à tona? Não há dúvidas de que existam indivíduos bem-intencionados que se reivindicam antifascistas, seja por desconhecer a história do movimento operário e suas lutas, seja pela vontade de agir contra o (suposto) fascismo (mesmo que de maneira irrefletida e por desconhecimento das experiências passadas). É exatamente para esses indivíduos, além daqueles que querem se aprofundar sobre o tema, que lançamos esse guia de autoformação sobre os limites e a crítica revolucionária ao antifascismo. A nossa pretensão é desmistificar alguns elementos tanto sobre o fascismo quanto sobre o antifascismo e apontar os limites deste último numa perspectiva revolucionária&#8221;.</p>
<p>Essa mesma linha de raciocínio vale para a sua crítica em relação ao nível supostamente abstrato da fórmula &#8220;expressão política da burguesia em aliança com a burocracia&#8221;. Primeiro, não é tão abstrato, porque nem todo movimento político é fruto de uma aliança da burguesia com a burocracia. E, em segundo lugar, para que essa aliança específica seja caracterizada como fascismo, ela precisa, obrigatoriamente, manifestar em conjunto todas as outras características elencadas na definição. Se não tiver os outros elementos, seria outra coisa, como você mesmo fala, e é isso que dá concreticidade à definição. Se você pegar características como sendo soltas e não parte da definição, aí sim é algo abstrato, mas não é em seu conjunto.</p>
<p>Quanto ao exemplo da ditadura militar brasileira, ainda que possamos debater suas particularidades e reconhecer realmente seus limites em relação ao totalitarismo e ao autoritarismo, então, eu poderia perfeitamente elencar outros casos. Basta observarmos o stalinismo, a China maoísta ou o Estado totalitário que existiu no Camboja. São exemplos históricos que buscam apenas ilustrar algo que parece não ter sido muito bem compreendido: o fascismo, para ser fascismo, deve manifestar todas aquelas características em conjunto, e não somente cada uma delas isoladamente.</p>
<p>Ainda no campo dos exemplos, sobre a Ação Integralista Brasileira ser classificada estritamente como uma organização fascista, noto primeiramente que a sua própria definição parece insuficiente para sustentar isso. Embora a Ação Integralista Brasileira possua diversos elementos semelhantes, ela não atende a todas as características que você mesmo apresentou, mesmo a sua definição sendo bastante abrangente. Por exemplo, você define o fascismo como um &#8220;processo de reorganização contrarrevolucionária da ordem capitalista&#8221;. Ora, não vivenciamos um período revolucionário no Brasil naquela época e a burguesia, portanto, não precisava de um &#8220;processo de reorganização contrarrevolucionária&#8221; para restabelecer essa &#8220;ordem capitalista&#8221;; logo, como falar em uma &#8220;reorganização contrarrevolucionária&#8221; neste caso específico?</p>
<p>Achei, também, curioso você citar os doutrinadores do integralismo afirmando que o movimento &#8220;rejeita o imperialismo&#8221; para tentar desvinculá-los do expansionismo. Se analisarmos o contexto histórico e social, percebemos que esse discurso era, na verdade, uma tentativa de defender uma autonomia do capitalismo brasileiro, buscando romper com a subordinação do país no capitalismo global. No nível do discurso político da época, seria impossível para eles afirmarem algo diferente sem acabar legitimando a dominação dos países de capitalismo imperialista, inclusive sobre o Brasil. Por isso, e acho que sua definição também se encaminha para isso, considero o integralismo brasileiro um protofascismo: um movimento com características fascistas latentes, mas que carecia das condições sociais para se desenvolver completamente como tal. Claro, levando em consideração as experiências históricas concretas que existiram, etc.</p>
<p>O que me leva a abordar a sua definição de fascismo, que não esclarece o que é fascismo, sendo bem confusa. Você começa definindo com a premissa de que se trata de um &#8220;processo de reorganização contrarrevolucionária da ordem capitalista&#8221; impulsionado por &#8220;movimento de massas&#8221;, o que pressupõe logicamente a existência prévia de uma conjuntura revolucionária concreta, ou de uma forte ameaça proletária, que exija tal restabelecimento da ordem, bem como uma grande adesão. A confusão começa quando você afirma que esse processo é impulsionado por &#8220;movimentos de massas&#8221; que combinam &#8220;organizações radicais&#8221; com &#8220;instituições conservadoras&#8221;: não fica claro se esses &#8220;movimentos de massas&#8221; são externas ou imanentes ao próprio fascismo, tampouco o que se entende exatamente por organizações &#8220;radicais&#8221;&#8230; seriam organizações de fato revolucionárias (como conselhos operários) ou o termo foi usado vagamente como sinônimo de &#8220;extremismo&#8221;? Da mesma forma, questiono como ocorre essa suposta combinação com as tais instituições conservadoras (que poderiam, me parece, abranger desde o aparato estatal até sindicatos e partidos políticos). Essa &#8220;fluidez conceitual&#8221; (para usar um eufemismo) transborda para a sua distinção entre fascismo como movimento e como regime. Ao definir o movimento pela articulação de partidos, milícias e sindicatos, não fica elucidado se essas ferramentas organizativas já nascem intrinsecamente fascistas ou se são instâncias prévias apenas instrumentalizadas pelo processo; e, ao caracterizar a fase de regime pelos &#8220;compromissos&#8221; firmados com as Forças Armadas, a Igreja, a burocracia e as frações do capital, sua definição acaba esbarrando na constatação genérica de que toda e qualquer tomada de poder institucional e não insurgente no capitalismo estabelece pactos idênticos com esses exatos mesmos setores. Portanto, ao empilhar características e dinâmicas de aliança sem explicar a essência que as unifica e as diferencia de outras formas corriqueiras de dominação e cooptação burguesa ou burocrática, a sua formulação deixa grandes lacunas sobre o que constitui, de fato, a especificidade do fascismo (parecendo um conjunto de organizações nacionalistas conservantistas que tem como objetivo ascender ao poder). No fim das contas, parece que essa definição carrega tantas características não esclarecidas que acaba desprovida de uma determinação fundamental e de verdadeira coerência teórica, confundindo ao invés de esclarecer.</p>
<p>Mas, como insisto desde o princípio, meu intuito aqui foi apenas resgatar um bom texto para refletirmos sobre a despolitização do termo fascismo. Isso nos leva de volta a Rühle. Temos a vantagem histórica de estar à frente do seu tempo. O que sugiro com a leitura do seu texto é justamente notarmos o quão terrível e específico foi aquele momento histórico, a forma como o fascismo foi derrotado e como essa derrota não foi suficiente para abolir o capitalismo, o que manteve vivas as raízes para o seu ressurgimento. Não estou dizendo que o fascismo ressurgirá sempre através da democracia, mas que é fundamental não nos limitarmos a defendê-la, pois ela é insuficiente. É preciso superar e abolir a base que dá sustentação tanto à democracia burguesa quanto à possibilidade do fascismo: o capitalismo (e a não percepção disso é o limite do antifascismo).</p>
<p>Você classificou isso como um palavreado revolucionário abstrato, argumentando que a democracia oferece as melhores condições de luta para o movimento revolucionário. Ora, concordo plenamente que a a democracia facilita a organização revolucionária se comparadas a um Estado fascista ou ditatorial. Quando afirmei que era &#8220;relativamente fácil&#8221;, estava comparando justamente com a extrema dificuldade de articulação sob uma ditadura. Contudo, a questão é que não estamos numa &#8220;encruzilhada&#8221; sendo forçados a escolher a democracia para nos salvar de outra coisa. Já estamos na democracia! E, por estarmos na democracia burguesa de um país capitalista subordinado, temos o dever, como revolucionários, de negá-la, aproveitando exatamente essas mesmas condições que ela nos oferece, e você mesmo apontou isso, para lutar radicalmente contra a nossa própria realidade, a democracia burguesa, o fascismo que tem condições de renascer mundialmente, e contra a sociedade capitalista em geral.</p>
<p>Se não aproveitarmos essas condições, já que estamos em uma democracia, e considerando que o fascismo (como você mesmo definiu) é uma forma de contrarrevolução para manter o capitalismo, acabaríamos presos em um ciclo infinito. Estaríamos sempre combatendo o fascismo em favor da democracia, sempre adiando o confronto real para defender as melhores condições de luta, em vez de lutarmos efetivamente contra a democracia burguesa, o fascismo e o próprio capitalismo, em conjunto. Como diria Paul Mattick, o fascismo é o último refúgio da burguesia. A propósito, sugiro outro texto de Mattick em que ele alerta: &#8220;Levantar ou ajudar a levantar o slogan da democracia em um período de fascismo não significa a superação, mas o fortalecimento das ilusões democráticas&#8221;. Se esse slogan é conservador nesta situação, qual o peso disso numa situação que já é democrática? Essa seria a reflexão que queria instigar aqui, e que, infelizmente, foi mal compreendida por você.</p>
<p>Por isso, não há nada de &#8220;abstrato&#8221; em querer aproveitar o melhor momento democrático para lutar de fato, em vez de se limitar a lutar pelas condições de luta. Há diversas formas e organizações para realizar essa luta de forma radical, há uma vasta discussão sobre organização revolucionária e formas de luta (inclusive, dos comunistas de conselhos); e, ainda acrescento, o próprio portal Passa Palavra pode assumir um papel importante nesse processo, o que mais uma vez mostra que não acusei ninguém daqui de nada.</p>
<p>Por mais que possamos discordar sobre a definição exata de fascismo, devemos notar, no entanto, que ambos o analisamos levando em consideração a luta de classes e o processo histórico. Essa convergência é o suficiente, a meu ver, para concordarmos no ponto que julgo ser o mais importante: a crítica à ilusão democrática de rotular o bolsonarismo como &#8220;fascismo&#8221;, reduzindo a ação &#8220;antifascista&#8221; a defender a democracia, ou, ainda pior, simplesmente ao utilitarismo de votar no Haddad e, posteriormente, no Lula. Diante da sua compreensível exigência por rigor em nossa discussão, é excelente perceber que, no fim, você não compartilha dessas ilusões. Como, felizmente, não pescamos essa ilusão e convergimos nessa crítica, já me dou por satisfeito com a nossa discussão.</p>
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		<title>
		Comentário sobre Cibernéticas Proletárias por Crítica		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/04/148276/#comment-1131591</link>

		<dc:creator><![CDATA[Crítica]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 22:13:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=148276#comment-1131591</guid>

					<description><![CDATA[Crítica a esse texto feito pelo Aníbal, do interrev:

Notes on a Critical Assessment of the Text: “Proletarian Cybernetics” by Grevo de Vergere

We find ambiguous passages in the text:
“The increasingly efficient production under capitalism—the entire rationality of the production process—pursues a goal that is, ultimately, irrational: the greatest possible valorization of invested capital.”
Why is it irrational, in a society dominated by capitalist relations and laws, to valorize capital?
“Machines are already robbing people of their means of subsistence.” Machines do not capture the surplus value of the proletariat; rather, capital does, using them as productive tools, for management, administration, research, maintenance… etc., as technically and socially employed components of fixed capital
“Tiqunn… To thwart the process of cybernetization, to overthrow the Empire, open panic is needed. […] In a state of panic, communities break away from the social body conceived as a totality and seek to escape from it. But since they remain physically and socially captive to it, they are forced to attack it.”
This is  simply    false;  it  cannot  be  substantiated  by  history. Panic  does not necessarily lead to  an organized attack  on the causes,  interests,    and  structures  that determine that  panic
He says.
“The historical example of the Soviet model, however, remained the classic caricature of the socialist economy: state centralization, economic planning, the maintenance of class society with the state bureaucracy assuming the role of the ruling class, etc., etc., etc. Real socialism, thus, is presented as a transitional period between capitalism and capitalism.”
Of course, it is  presented  that way  by Bolshevism, on a massive scale.  We know that.  But  the author  says nothing about  whether it is  true  or  false,  whether it is  a sham  or not. He does not say  whether he considers  such a transitional period  necessary, what it consists of,    what is needed  to  initiate it,  and what  prevents  it from being initiated.  And this is what the exploited and dominated class needs if it intends to realize socialism-communism, rather than getting bogged down in supporting left-wing bourgeois alternatives.
He thus presents his critique in an ambiguous manner: “However, the implementation of cyber-socialism seems to follow a ‘top-down’ approach, with an important role for the state as a transitional perspective, as if cyber-socialism were nothing more than a socialist ‘backbone’ that social democracy lacked [24]. The problem of implementation, in reality, precedes the question of scalability, but is also subordinate to it [25]. There is currently much discussion of “platform socialism,” or more specifically “platform cooperativism,” whose political perspective seems increasingly to seek for the state to adopt incentive policies for technology platforms based on cooperativism, in addition to the creation of public infrastructures for the regulation and oversight of labor [26]. Although these experiments may be interesting, we are not convinced of their potential for widespread adoption or for bringing about radical change, and they could have a more adverse effect than expected on those approaches that prioritize the state.”
Interesting?  For what purpose?
Could they have a more adverse effect than expected? Who and what is expecting this—because I certainly don’t expect any favorable effects from turning proletarians into bourgeois cooperativists…
Ahem
Then he goes a step further and rightly says: “Many anti-capitalists seem interested in overcoming capitalism without, however, getting involved in social struggles, even though it is these struggles that create the conditions for the transformation of the mode of production [27]. The development of technologies aimed at solving the problems of modern work seeks precisely the opposite: the end of conflicts—that is, the appeasement of class relations. Hence, social struggles do not seem interesting, as they offer no alternative models of management. We have seen various theorists and developers point to this or that sphere as a starting point—whether the creation of virtual cooperatives to oppose platform capitalism, or new “currencies,” etc.—without these being truly integrated into workers’ struggles—or into their most interesting and creative processes. In general, this “cybernetic mutualist” perspective creates a countercultural environment or an alternative market. That is why, instead of offering alternatives to work, we believe we must commit to perspectives that empower struggles and resistance against it.”
And    it also  dives into    obscure ramblings, such as: “what we will call ‘proletarian cybernetics’ differs from cybernetic socialism or platform socialism in that it is not mediated (or is not mediated to a greater extent) by a vision of the future, as an alternative to the economic system, but rather by the present and by workers’ relationship to forms of production that are already defined, implemented, and in operation. In other words, proletarian cybernetics present themselves more for what they are—fertile ground for contradictions—than for what they claim to be. These contradictory relationships, in turn, generate a dual movement in the formation of these cybernetics: one of a compositionist nature—the creation or adoption of new tools—and another of a decompositionist nature—the sabotage and exploitation of the systems’ vulnerabilities. This dual movement is shaped by one’s stance toward *Capital*: the compositional or decompositional character can be expressed both in opposition to and in support of it. In the compositional movement, the use of new tools (whether as intended by their developers or as a subversion of their original purposes) can serve to fill the gaps left by conventional work tools—thereby boosting productivity—and/or creating room for organization and conspiracy in the social struggle. On the other hand, as much as the de-compositionist movement may seem to stand in direct opposition to *Kapital* by resorting to deception and sabotage, this opposition is also a temporary factor, since, while at first the exploitation of vulnerabilities establishes a form of “advantage” over a given application, for example, it later becomes an indication of a flaw that is eventually identified and fixed, thereby increasing the system’s robustness and integrity.”
It fuels illusions that are presented as an expansion of possibilities, which does not clarify much: “WhatsApp groups themselves, Facebook pages and groups, YouTube channels, etc., can be considered from the perspective of the compositionist movement of proletarian cybernetics: today they are a fundamental part of both work and the resistance movements against it (some more so than others, of course). Recognizing this does not mean defending the perspective of the ‘struggle for the networks’ simply because it does not seem possible to us to contest the control of GAFAM [29]. However, understanding this “technological composition” in the workplace is of the utmost importance for visualizing the limits of conventional approaches and thinking about new forms.”
Instead of demonstrating what the use of networks among workers has produced in terms of conflict and the development of anti-capitalist struggles, the text states: “ “Likewise, the popularization of WhatsApp has led to the emergence of countless groups, with different objectives, that allow for continuous contact—especially in ‘joke groups’—with coworkers, forms that can serve as a proto-organizing element [31] for conflicts.” Can they serve this purpose? Do they serve it? Don’t they serve this purpose?... Don’t they serve    a great deal    in organizing   union, democratic,  and  interclassist  movements?  It doesn’t even consider the possibility. Zero criticism  at this level,   something  typical of the autonomist movement.
Then    he senses trouble    due to the practical evidence itself, and   says: “Social media cannot be the subject of dispute. They can certainly be used for certain purposes such as propaganda and agitation—and they already are—but their logic imposes limitations on the creative expressions of social struggles, which means these struggles almost always unfold in a constrained manner”… at the same time that he acknowledges that in certain cases the platform owners shut down accounts that influence certain movements.   The need for media owned by workers and revolutionaries remains, outside of these networks… whose ease of access serves, as an effective trap, to supplant the basic need to self-organize such media owned by workers and revolutionaries.
The author acknowledges something very obvious: “The socialist dream of collective, non-alienated labor—which once found its realization on the Internet and in free software communities—now reveals the perverse face of the precarious jobs that sustain the world’s largest digital systems.”
So what?
At the same time, he says, “While the internet has made possible forms of socialization such as free-software communities and torrents, ‘Kapital’ has responded with crowdsourcing, the fight against piracy—and later with legal streaming services.” However, even though they have been subverted and play a contradictory role, these forms of socialization continue to underpin modern digital infrastructure today, so it seems unfeasible to us to do without them. We need to reclaim and rethink their perspectives so that they once again serve collective interests and, in our opinion, revolutionary interests.” How? The phrase “it is necessary” serves… to reiterate that it is necessary… and so on. But the alternative is as follows: “We need to build dynamic communities of developers and find ways to involve workers who are not developers in the creation of new socializing tools and systems. We must seriously reflect on radical forms of resource allocation and reallocation[42].”
And once again, nothing about what has been accomplished and its consequences. Therefore, it fuels expectations and desires that oscillate between abstractions and ambiguities… with all that that implies.
Back to an answer that leaves us hanging: “If proletarian cybernetics can offer us new organizational possibilities, it is through their development that we can orient ourselves toward the creation of systems of conflict, of infrastructures of dissent. Commercial social media platforms have a great capacity to generalize abstractions, and it seems to us that rethinking networks implies starting from the opposite. It is by starting from the specificities of separation that we can, indeed, build platforms for integrating experiences of resistance.”
In other words, building networks that host content and experiences primarily from the activist petty bourgeoisie, from the populism of the New Left, and from the confusionist “movementism.” This ALREADY EXISTS in many places, and we must carry out a critical revolutionary assessment, not fuel the ambiguity surrounding it.
“The question that seems relevant to consider regarding this leap is to what extent the development of proletarian cybernetics could serve to create ‘shadow planning systems’ [46], providing the conditions for overcoming the capitalist mode of production. Would there be a possibility here of a shift toward cybernetic communism through the development of proletarian cybernetics, rather than having to wait for a red technocracy to implement a new system?”
I reply:  to  plan,  one must  possess  political, economic, social,  military,  and cultural power. This is not done in the shadows, but openly and collectively when there is a revolutionary dynamic; and making attempts in the shadows does not foster this dynamic but, on the contrary, widens the gap between the real movement and the four-guardists who possess… rhetoric and cybernetic resources that are no match for those of big capital.
The alternative does not lie in “proletarian cybernetics” waiting for a “little red technocracy,” but rather in the communist self-organization of the proletariat to carry out the world revolution and take the next steps. And so we return to something fundamental, which is not even mentioned in the text: proletarian control of production and consumption, the calculation of working time, and the need for this to be carried out as the GIC began to determine….]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Crítica a esse texto feito pelo Aníbal, do interrev:</p>
<p>Notes on a Critical Assessment of the Text: “Proletarian Cybernetics” by Grevo de Vergere</p>
<p>We find ambiguous passages in the text:<br />
“The increasingly efficient production under capitalism—the entire rationality of the production process—pursues a goal that is, ultimately, irrational: the greatest possible valorization of invested capital.”<br />
Why is it irrational, in a society dominated by capitalist relations and laws, to valorize capital?<br />
“Machines are already robbing people of their means of subsistence.” Machines do not capture the surplus value of the proletariat; rather, capital does, using them as productive tools, for management, administration, research, maintenance… etc., as technically and socially employed components of fixed capital<br />
“Tiqunn… To thwart the process of cybernetization, to overthrow the Empire, open panic is needed. […] In a state of panic, communities break away from the social body conceived as a totality and seek to escape from it. But since they remain physically and socially captive to it, they are forced to attack it.”<br />
This is  simply    false;  it  cannot  be  substantiated  by  history. Panic  does not necessarily lead to  an organized attack  on the causes,  interests,    and  structures  that determine that  panic<br />
He says.<br />
“The historical example of the Soviet model, however, remained the classic caricature of the socialist economy: state centralization, economic planning, the maintenance of class society with the state bureaucracy assuming the role of the ruling class, etc., etc., etc. Real socialism, thus, is presented as a transitional period between capitalism and capitalism.”<br />
Of course, it is  presented  that way  by Bolshevism, on a massive scale.  We know that.  But  the author  says nothing about  whether it is  true  or  false,  whether it is  a sham  or not. He does not say  whether he considers  such a transitional period  necessary, what it consists of,    what is needed  to  initiate it,  and what  prevents  it from being initiated.  And this is what the exploited and dominated class needs if it intends to realize socialism-communism, rather than getting bogged down in supporting left-wing bourgeois alternatives.<br />
He thus presents his critique in an ambiguous manner: “However, the implementation of cyber-socialism seems to follow a ‘top-down’ approach, with an important role for the state as a transitional perspective, as if cyber-socialism were nothing more than a socialist ‘backbone’ that social democracy lacked [24]. The problem of implementation, in reality, precedes the question of scalability, but is also subordinate to it [25]. There is currently much discussion of “platform socialism,” or more specifically “platform cooperativism,” whose political perspective seems increasingly to seek for the state to adopt incentive policies for technology platforms based on cooperativism, in addition to the creation of public infrastructures for the regulation and oversight of labor [26]. Although these experiments may be interesting, we are not convinced of their potential for widespread adoption or for bringing about radical change, and they could have a more adverse effect than expected on those approaches that prioritize the state.”<br />
Interesting?  For what purpose?<br />
Could they have a more adverse effect than expected? Who and what is expecting this—because I certainly don’t expect any favorable effects from turning proletarians into bourgeois cooperativists…<br />
Ahem<br />
Then he goes a step further and rightly says: “Many anti-capitalists seem interested in overcoming capitalism without, however, getting involved in social struggles, even though it is these struggles that create the conditions for the transformation of the mode of production [27]. The development of technologies aimed at solving the problems of modern work seeks precisely the opposite: the end of conflicts—that is, the appeasement of class relations. Hence, social struggles do not seem interesting, as they offer no alternative models of management. We have seen various theorists and developers point to this or that sphere as a starting point—whether the creation of virtual cooperatives to oppose platform capitalism, or new “currencies,” etc.—without these being truly integrated into workers’ struggles—or into their most interesting and creative processes. In general, this “cybernetic mutualist” perspective creates a countercultural environment or an alternative market. That is why, instead of offering alternatives to work, we believe we must commit to perspectives that empower struggles and resistance against it.”<br />
And    it also  dives into    obscure ramblings, such as: “what we will call ‘proletarian cybernetics’ differs from cybernetic socialism or platform socialism in that it is not mediated (or is not mediated to a greater extent) by a vision of the future, as an alternative to the economic system, but rather by the present and by workers’ relationship to forms of production that are already defined, implemented, and in operation. In other words, proletarian cybernetics present themselves more for what they are—fertile ground for contradictions—than for what they claim to be. These contradictory relationships, in turn, generate a dual movement in the formation of these cybernetics: one of a compositionist nature—the creation or adoption of new tools—and another of a decompositionist nature—the sabotage and exploitation of the systems’ vulnerabilities. This dual movement is shaped by one’s stance toward *Capital*: the compositional or decompositional character can be expressed both in opposition to and in support of it. In the compositional movement, the use of new tools (whether as intended by their developers or as a subversion of their original purposes) can serve to fill the gaps left by conventional work tools—thereby boosting productivity—and/or creating room for organization and conspiracy in the social struggle. On the other hand, as much as the de-compositionist movement may seem to stand in direct opposition to *Kapital* by resorting to deception and sabotage, this opposition is also a temporary factor, since, while at first the exploitation of vulnerabilities establishes a form of “advantage” over a given application, for example, it later becomes an indication of a flaw that is eventually identified and fixed, thereby increasing the system’s robustness and integrity.”<br />
It fuels illusions that are presented as an expansion of possibilities, which does not clarify much: “WhatsApp groups themselves, Facebook pages and groups, YouTube channels, etc., can be considered from the perspective of the compositionist movement of proletarian cybernetics: today they are a fundamental part of both work and the resistance movements against it (some more so than others, of course). Recognizing this does not mean defending the perspective of the ‘struggle for the networks’ simply because it does not seem possible to us to contest the control of GAFAM [29]. However, understanding this “technological composition” in the workplace is of the utmost importance for visualizing the limits of conventional approaches and thinking about new forms.”<br />
Instead of demonstrating what the use of networks among workers has produced in terms of conflict and the development of anti-capitalist struggles, the text states: “ “Likewise, the popularization of WhatsApp has led to the emergence of countless groups, with different objectives, that allow for continuous contact—especially in ‘joke groups’—with coworkers, forms that can serve as a proto-organizing element [31] for conflicts.” Can they serve this purpose? Do they serve it? Don’t they serve this purpose?&#8230; Don’t they serve    a great deal    in organizing   union, democratic,  and  interclassist  movements?  It doesn’t even consider the possibility. Zero criticism  at this level,   something  typical of the autonomist movement.<br />
Then    he senses trouble    due to the practical evidence itself, and   says: “Social media cannot be the subject of dispute. They can certainly be used for certain purposes such as propaganda and agitation—and they already are—but their logic imposes limitations on the creative expressions of social struggles, which means these struggles almost always unfold in a constrained manner”… at the same time that he acknowledges that in certain cases the platform owners shut down accounts that influence certain movements.   The need for media owned by workers and revolutionaries remains, outside of these networks… whose ease of access serves, as an effective trap, to supplant the basic need to self-organize such media owned by workers and revolutionaries.<br />
The author acknowledges something very obvious: “The socialist dream of collective, non-alienated labor—which once found its realization on the Internet and in free software communities—now reveals the perverse face of the precarious jobs that sustain the world’s largest digital systems.”<br />
So what?<br />
At the same time, he says, “While the internet has made possible forms of socialization such as free-software communities and torrents, ‘Kapital’ has responded with crowdsourcing, the fight against piracy—and later with legal streaming services.” However, even though they have been subverted and play a contradictory role, these forms of socialization continue to underpin modern digital infrastructure today, so it seems unfeasible to us to do without them. We need to reclaim and rethink their perspectives so that they once again serve collective interests and, in our opinion, revolutionary interests.” How? The phrase “it is necessary” serves… to reiterate that it is necessary… and so on. But the alternative is as follows: “We need to build dynamic communities of developers and find ways to involve workers who are not developers in the creation of new socializing tools and systems. We must seriously reflect on radical forms of resource allocation and reallocation[42].”<br />
And once again, nothing about what has been accomplished and its consequences. Therefore, it fuels expectations and desires that oscillate between abstractions and ambiguities… with all that that implies.<br />
Back to an answer that leaves us hanging: “If proletarian cybernetics can offer us new organizational possibilities, it is through their development that we can orient ourselves toward the creation of systems of conflict, of infrastructures of dissent. Commercial social media platforms have a great capacity to generalize abstractions, and it seems to us that rethinking networks implies starting from the opposite. It is by starting from the specificities of separation that we can, indeed, build platforms for integrating experiences of resistance.”<br />
In other words, building networks that host content and experiences primarily from the activist petty bourgeoisie, from the populism of the New Left, and from the confusionist “movementism.” This ALREADY EXISTS in many places, and we must carry out a critical revolutionary assessment, not fuel the ambiguity surrounding it.<br />
“The question that seems relevant to consider regarding this leap is to what extent the development of proletarian cybernetics could serve to create ‘shadow planning systems’ [46], providing the conditions for overcoming the capitalist mode of production. Would there be a possibility here of a shift toward cybernetic communism through the development of proletarian cybernetics, rather than having to wait for a red technocracy to implement a new system?”<br />
I reply:  to  plan,  one must  possess  political, economic, social,  military,  and cultural power. This is not done in the shadows, but openly and collectively when there is a revolutionary dynamic; and making attempts in the shadows does not foster this dynamic but, on the contrary, widens the gap between the real movement and the four-guardists who possess… rhetoric and cybernetic resources that are no match for those of big capital.<br />
The alternative does not lie in “proletarian cybernetics” waiting for a “little red technocracy,” but rather in the communist self-organization of the proletariat to carry out the world revolution and take the next steps. And so we return to something fundamental, which is not even mentioned in the text: proletarian control of production and consumption, the calculation of working time, and the need for this to be carried out as the GIC began to determine….</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário sobre Qual posição tomar? por Giancarlo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/07/113838/#comment-1131546</link>

		<dc:creator><![CDATA[Giancarlo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 16:53:45 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=113838#comment-1131546</guid>

					<description><![CDATA[Não fascista, a certa altura do teu comentário lembrei-me de uma explicação dada por um professor, há uns 25 anos atrás, quando uma colega de sala pediu-lhe que explicasse em poucas palavras, se possível, as principais diferenças entre a ditadura militar no Brasil e um regime totalitário. Ele pensou um tempinho e disse: &quot;A ditadura te proíbe de dizer certas coisas e o totalitarismo te obriga a dizer certas coisas&quot;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não fascista, a certa altura do teu comentário lembrei-me de uma explicação dada por um professor, há uns 25 anos atrás, quando uma colega de sala pediu-lhe que explicasse em poucas palavras, se possível, as principais diferenças entre a ditadura militar no Brasil e um regime totalitário. Ele pensou um tempinho e disse: &#8220;A ditadura te proíbe de dizer certas coisas e o totalitarismo te obriga a dizer certas coisas&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário sobre Qual posição tomar? por Não fascista		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/07/113838/#comment-1131504</link>

		<dc:creator><![CDATA[Não fascista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 12:39:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=113838#comment-1131504</guid>

					<description><![CDATA[Mateus,

Ninguém pediu ABNt, nota de rodapé, cidade da editora ou data de acesso. Bastava escrever “seguindo a definição de Nildo Viana”. A internet inventou o hiperlink há algumas décadas e parece estar preparada para isso. Curiosamente, o próprio Passa Palavra informa no rodapé que a reprodução é permitida desde que os autores sejam citados

Você confundiu atribuição de autoria com normalização bibliográfica para montar uma resposta engraçadinha sobre burocracia acadêmica. O artigo que apresentou confirma que conhecia perfeitamente a origem da definição. Portanto, a questão nunca foi patente, propriedade intelectual ou intenção criminosa. A ironia dizia respeito à reprodução quase literal da definição do mestre, apresentada mediante um solene &#039;eu acredito”. Agora a autoria foi reconhecida. Podemos passar ao problema real: a definição continua ruim...

Quanto às eleições, seus exemplos existem e a crítica à redução do antifascismo à reeleição de um governo é correta. Dizer que a vitória eleitoral de um candidato representa a derrota do fascismo confunde a derrota circunstancial de uma candidatura com a derrota de um fenômeno político e social. Dessa premissa não decorre que todo uso contemporâneo do conceito de fascismo seja vazio, nem que identificar tendências fascistas implique adesão ao reformismo. Seus exemplos demonstram que o PT instrumentaliza eleitoralmente o antifascismo. Não demonstram que o fascismo desapareceu ou que todo antifascismo conduz ao progressismo institucional.

Ninguém nesta discussão manifestou ilusões com governos ou eleições. Se seu alvo eram os dirigentes do PT, deveria ter dirigido a crítica a eles. Você preferiu encerrar o comentário falando em escolher a revolução no lugar de candidatos, como se estivesse corrigindo algum eleitor iludido presente aqui. O esclarecimento posterior muda o destinatário, não melhora o argumento.

Sobre “integralista”, eu não afirmei que a palavra fosse um sinônimo perfeito de “totalitário”. Afirmei que, na definição apresentada, ela praticamente repetia parte de seu conteúdo e não possuía capacidade de distinguir o fascismo de outras formas políticas. Sua resposta confirmou o problema. Se o Estado de bem-estar social também foi “integralista”, então o termo designa processos de integração presentes em regimes profundamente diferentes. Escola pública, seguridade social, serviço militar, cidadania eleitoral e políticas de massas também integram populações ao Estado. Nesse grau de generalidade, quase todo Estado moderno seria integralista.

A especificidade fascista está no conteúdo e na forma dessa integração: dissolução da autonomia de classe, enquadramento corporativo dos trabalhadores, nacionalização dos conflitos sociais, mobilização hierárquica e subordinação das organizações ao Estado e ao chefe. Dizer que o fascismo é integralista porque procura “integrar a população ao fascismo” é uma definição circular.

Você também confundiu duas questões distintas. Base social heterogênea é a composição de classes e grupos que participa da formação e da ascensão de um movimento. Integração estatal é um projeto de reorganização da sociedade. A pequena burguesia, os trabalhadores, os ex-combatentes, os proprietários rurais, os militares e as frações da burguesia não aparecem magicamente na definição porque foi acrescentado o adjetivo “integralista”. A palavra não explica quais grupos foram mobilizados, como foram mobilizados, quais conflitos mantinham entre si e como se relacionaram com as organizações fascistas.

O exemplo da ditadura militar brasileira como regime totalitário é ainda mais problemático. A literatura comparativa, de Juan Linz a Guillermo O’Donnell, classificou o regime brasileiro como autoritário ou burocrático-autoritário. Mesmo durante sua fase mais repressiva, ele manteve Congresso durante boa parte do período, oposição consentida no MDB, eleições controladas, tribunais, Igreja, associações profissionais, imprensa privada e espaços sociais que conservaram graus variáveis de autonomia. Houve cassações, tortura, censura, assassinatos e destruição de organizações oposicionistas de diversos lastros politicos. Ainda assim, não ocorreu a aniquilação de todas as organizações autônomas, critério que você mesmo apresentou.

O regime militar procurou restringir e despolitizar a sociedade, em vez de mobilizá-la permanentemente por meio de um partido único e de uma ideologia totalizante. Repressão intensa não transforma automaticamente uma ditadura autoritária em totalitarismo. Seu exemplo contradiz sua própria definição.
O enquadramento corporativo também não é consequência lógica do totalitarismo. O stalinismo destruiu organizações autônomas e costuma ser incluído entre os totalitarismos, sem integrar patrões e trabalhadores numa estrutura corporativa fascista. O corporativismo fascista possui uma função específica: suprimir a luta de classes mediante a organização hierárquica do capital e do trabalho como partes da nação. Colocar tudo dentro da palavra “totalitário” apenas esconde o mecanismo que deveria ser explicado.

Você pediu um movimento fascista que rejeitasse o expansionismo. O exemplo está no próprio Brasil: a Ação Integralista Brasileira. A historiografia a caracteriza amplamente como movimento fascista. Ao mesmo tempo, Miguel Reale, seu principal doutrinador jurídico, afirmou expressamente que “o Integralismo rejeita, portanto, o imperialismo”. Plínio Salgado também condenou a expansão sobre territórios alheios. Isso está documentado no estudo de Natália dos Reis Cruz sobre as contradições do discurso integralista.
A AIB não conquistou o Estado, porém seu desafio incluía explicitamente uma “organização fascista”. Eis a organização. Se você responder que a AIB não poderia ser fascista porque o Brasil não era imperialista, teremos um raciocínio circular: primeiro o expansionismo é transformado em condição necessária; depois todos os movimentos sem expansionismo são excluídos da categoria; finalmente, a ausência de casos é apresentada como prova da definição.
Você ainda juntou “autonomização da nação” e “expansão” como se fossem equivalentes. Não são. Defender soberania nacional não significa defender conquista territorial ou dominação imperial. Se “expansionismo” passar a significar apenas fortalecimento ou autonomia nacional, ele perderá qualquer precisão. Se conservar o sentido territorial e imperialista, a AIB constitui o contraexemplo solicitado.
Além disso, expansionismo e imperialismo nunca foram exclusividades fascistas. As democracias liberais britânica, francesa e norte-americana construíram impérios, ocuparam territórios e promoveram guerras. O expansionismo foi central em vários fascismos, especialmente na Itália, na Alemanha e no Japão. Ele não funciona como critério universal nem como elemento suficiente para distinguir o fascismo.

Você também deixou sem resposta a crítica principal à fórmula “expressão política da burguesia em aliança com a burocracia”. Em tal nível de abstração, ela poderia descrever várias formas políticas do capitalismo. Não explica por que, em determinadas conjunturas, certas frações da burguesia apoiaram os fascistas, outras resistiram, as organizações fascistas conquistaram autonomia relativa e as elites econômicas, militares, religiosas e burocráticas estabeleceram compromissos instáveis com os movimentos de massas. A relação entre fascismo e burguesia não foi a manifestação automática de uma vontade burguesa homogênea.

Quanto a Rühle, dizer que “estamos no amanhã” é uma coincidência de calendário, não uma análise histórica. O “amanhã” de Rühle possuía um conteúdo determinado: a democracia liberal estaria historicamente esgotada, o capitalismo privado seria substituído pelo capitalismo de Estado e o fascismo se tornaria sua forma política necessária. A história posterior não confirmou essa sequência. Depois de 1945, a intervenção estatal, o planejamento econômico parcial e o Estado de bem-estar (nos países do &quot;norte global&quot;) desenvolveram-se durante décadas sob democracias burguesas.
Agora você reformulou a frase de Rühle como se significasse apenas que a democracia pode oferecer condições para o surgimento do fascismo. Essa proposição é diferente daquela formulada no texto. Uma democracia burguesa pode, em determinadas crises, engendrar forças fascistas. Isso não significa que a democracia de hoje se transforme necessariamente no fascismo de amanhã.
O próprio Rühle afirma que princípios, programas e táticas possuem validade transitória e dependem de tempo, contexto e circunstâncias. Também reconhece que o totalitarismo constituía o inimigo mais perigoso do proletariado e que as liberdades existentes nas democracias permitiam aos trabalhadores realizar suas próprias lutas. Você escolheu uma frase, ignorou essas passagens e depois chamou o resultado de “reflexão crítica”.

A afirmação de que seria “relativamente fácil” lutar simultaneamente contra democracia burguesa e fascismo ilustra exatamente o caráter absstrato de sua posição. O problema começa quando se pergunta como realizar essa luta, com quais organizações, sob qual relação de forças e mediante quais práticas. Defender liberdades de greve, associação, imprensa e organização contra uma ofensiva fascista não exige qualquer ilusão na democracia burguesa. Exige compreender que essas liberdades são condições materiais da luta proletária.

Você pediu uma definição alternativa. Considero o fascismo um processo de reorganização contrarrevolucionária da ordem capitalista, impulsionado por movimentos de massas que capturam reivindicações, símbolos e formas organizativas provenientes de diferentes campos políticos, deslocam o conflito de classes para a unidade nacional e combinam organizações radicais com instituições conservadoras. Como movimento, articula partido, milícias, sindicatos e liderança carismática. Para se converter em regime, estabelece compromissos com forças armadas, Igrejas, burocracias estatais, elites tradicionais e frações do capital. Sua função histórica consiste em destruir a autonomia organizativa dos trabalhadores e reconstruir a coesão capitalista mediante repressão, mobilização, corporativismo e nacionalismo. Não tenho um autor de estimação para apresentar uma definição cristalina. Nesse caso, essas ideias são derivadas das reflexões de Poulantzas, Paxton, João Bernardo, Trotsky e outros que não consigo lembrar de cabeça nesse momento.

Essa definição distingue movimento, processo de ascensão e regime. Também permite explicar as diferenças entre os fascismos sem exigir que todos reproduzam integralmente o caso italiano ou alemão. Expansionismo, totalitarização e políticas de integração podem aparecer em graus e combinações diferentes. Eles precisam ser explicados historicamente, em vez de empilhados como adjetivos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mateus,</p>
<p>Ninguém pediu ABNt, nota de rodapé, cidade da editora ou data de acesso. Bastava escrever “seguindo a definição de Nildo Viana”. A internet inventou o hiperlink há algumas décadas e parece estar preparada para isso. Curiosamente, o próprio Passa Palavra informa no rodapé que a reprodução é permitida desde que os autores sejam citados</p>
<p>Você confundiu atribuição de autoria com normalização bibliográfica para montar uma resposta engraçadinha sobre burocracia acadêmica. O artigo que apresentou confirma que conhecia perfeitamente a origem da definição. Portanto, a questão nunca foi patente, propriedade intelectual ou intenção criminosa. A ironia dizia respeito à reprodução quase literal da definição do mestre, apresentada mediante um solene &#8216;eu acredito”. Agora a autoria foi reconhecida. Podemos passar ao problema real: a definição continua ruim&#8230;</p>
<p>Quanto às eleições, seus exemplos existem e a crítica à redução do antifascismo à reeleição de um governo é correta. Dizer que a vitória eleitoral de um candidato representa a derrota do fascismo confunde a derrota circunstancial de uma candidatura com a derrota de um fenômeno político e social. Dessa premissa não decorre que todo uso contemporâneo do conceito de fascismo seja vazio, nem que identificar tendências fascistas implique adesão ao reformismo. Seus exemplos demonstram que o PT instrumentaliza eleitoralmente o antifascismo. Não demonstram que o fascismo desapareceu ou que todo antifascismo conduz ao progressismo institucional.</p>
<p>Ninguém nesta discussão manifestou ilusões com governos ou eleições. Se seu alvo eram os dirigentes do PT, deveria ter dirigido a crítica a eles. Você preferiu encerrar o comentário falando em escolher a revolução no lugar de candidatos, como se estivesse corrigindo algum eleitor iludido presente aqui. O esclarecimento posterior muda o destinatário, não melhora o argumento.</p>
<p>Sobre “integralista”, eu não afirmei que a palavra fosse um sinônimo perfeito de “totalitário”. Afirmei que, na definição apresentada, ela praticamente repetia parte de seu conteúdo e não possuía capacidade de distinguir o fascismo de outras formas políticas. Sua resposta confirmou o problema. Se o Estado de bem-estar social também foi “integralista”, então o termo designa processos de integração presentes em regimes profundamente diferentes. Escola pública, seguridade social, serviço militar, cidadania eleitoral e políticas de massas também integram populações ao Estado. Nesse grau de generalidade, quase todo Estado moderno seria integralista.</p>
<p>A especificidade fascista está no conteúdo e na forma dessa integração: dissolução da autonomia de classe, enquadramento corporativo dos trabalhadores, nacionalização dos conflitos sociais, mobilização hierárquica e subordinação das organizações ao Estado e ao chefe. Dizer que o fascismo é integralista porque procura “integrar a população ao fascismo” é uma definição circular.</p>
<p>Você também confundiu duas questões distintas. Base social heterogênea é a composição de classes e grupos que participa da formação e da ascensão de um movimento. Integração estatal é um projeto de reorganização da sociedade. A pequena burguesia, os trabalhadores, os ex-combatentes, os proprietários rurais, os militares e as frações da burguesia não aparecem magicamente na definição porque foi acrescentado o adjetivo “integralista”. A palavra não explica quais grupos foram mobilizados, como foram mobilizados, quais conflitos mantinham entre si e como se relacionaram com as organizações fascistas.</p>
<p>O exemplo da ditadura militar brasileira como regime totalitário é ainda mais problemático. A literatura comparativa, de Juan Linz a Guillermo O’Donnell, classificou o regime brasileiro como autoritário ou burocrático-autoritário. Mesmo durante sua fase mais repressiva, ele manteve Congresso durante boa parte do período, oposição consentida no MDB, eleições controladas, tribunais, Igreja, associações profissionais, imprensa privada e espaços sociais que conservaram graus variáveis de autonomia. Houve cassações, tortura, censura, assassinatos e destruição de organizações oposicionistas de diversos lastros politicos. Ainda assim, não ocorreu a aniquilação de todas as organizações autônomas, critério que você mesmo apresentou.</p>
<p>O regime militar procurou restringir e despolitizar a sociedade, em vez de mobilizá-la permanentemente por meio de um partido único e de uma ideologia totalizante. Repressão intensa não transforma automaticamente uma ditadura autoritária em totalitarismo. Seu exemplo contradiz sua própria definição.<br />
O enquadramento corporativo também não é consequência lógica do totalitarismo. O stalinismo destruiu organizações autônomas e costuma ser incluído entre os totalitarismos, sem integrar patrões e trabalhadores numa estrutura corporativa fascista. O corporativismo fascista possui uma função específica: suprimir a luta de classes mediante a organização hierárquica do capital e do trabalho como partes da nação. Colocar tudo dentro da palavra “totalitário” apenas esconde o mecanismo que deveria ser explicado.</p>
<p>Você pediu um movimento fascista que rejeitasse o expansionismo. O exemplo está no próprio Brasil: a Ação Integralista Brasileira. A historiografia a caracteriza amplamente como movimento fascista. Ao mesmo tempo, Miguel Reale, seu principal doutrinador jurídico, afirmou expressamente que “o Integralismo rejeita, portanto, o imperialismo”. Plínio Salgado também condenou a expansão sobre territórios alheios. Isso está documentado no estudo de Natália dos Reis Cruz sobre as contradições do discurso integralista.<br />
A AIB não conquistou o Estado, porém seu desafio incluía explicitamente uma “organização fascista”. Eis a organização. Se você responder que a AIB não poderia ser fascista porque o Brasil não era imperialista, teremos um raciocínio circular: primeiro o expansionismo é transformado em condição necessária; depois todos os movimentos sem expansionismo são excluídos da categoria; finalmente, a ausência de casos é apresentada como prova da definição.<br />
Você ainda juntou “autonomização da nação” e “expansão” como se fossem equivalentes. Não são. Defender soberania nacional não significa defender conquista territorial ou dominação imperial. Se “expansionismo” passar a significar apenas fortalecimento ou autonomia nacional, ele perderá qualquer precisão. Se conservar o sentido territorial e imperialista, a AIB constitui o contraexemplo solicitado.<br />
Além disso, expansionismo e imperialismo nunca foram exclusividades fascistas. As democracias liberais britânica, francesa e norte-americana construíram impérios, ocuparam territórios e promoveram guerras. O expansionismo foi central em vários fascismos, especialmente na Itália, na Alemanha e no Japão. Ele não funciona como critério universal nem como elemento suficiente para distinguir o fascismo.</p>
<p>Você também deixou sem resposta a crítica principal à fórmula “expressão política da burguesia em aliança com a burocracia”. Em tal nível de abstração, ela poderia descrever várias formas políticas do capitalismo. Não explica por que, em determinadas conjunturas, certas frações da burguesia apoiaram os fascistas, outras resistiram, as organizações fascistas conquistaram autonomia relativa e as elites econômicas, militares, religiosas e burocráticas estabeleceram compromissos instáveis com os movimentos de massas. A relação entre fascismo e burguesia não foi a manifestação automática de uma vontade burguesa homogênea.</p>
<p>Quanto a Rühle, dizer que “estamos no amanhã” é uma coincidência de calendário, não uma análise histórica. O “amanhã” de Rühle possuía um conteúdo determinado: a democracia liberal estaria historicamente esgotada, o capitalismo privado seria substituído pelo capitalismo de Estado e o fascismo se tornaria sua forma política necessária. A história posterior não confirmou essa sequência. Depois de 1945, a intervenção estatal, o planejamento econômico parcial e o Estado de bem-estar (nos países do &#8220;norte global&#8221;) desenvolveram-se durante décadas sob democracias burguesas.<br />
Agora você reformulou a frase de Rühle como se significasse apenas que a democracia pode oferecer condições para o surgimento do fascismo. Essa proposição é diferente daquela formulada no texto. Uma democracia burguesa pode, em determinadas crises, engendrar forças fascistas. Isso não significa que a democracia de hoje se transforme necessariamente no fascismo de amanhã.<br />
O próprio Rühle afirma que princípios, programas e táticas possuem validade transitória e dependem de tempo, contexto e circunstâncias. Também reconhece que o totalitarismo constituía o inimigo mais perigoso do proletariado e que as liberdades existentes nas democracias permitiam aos trabalhadores realizar suas próprias lutas. Você escolheu uma frase, ignorou essas passagens e depois chamou o resultado de “reflexão crítica”.</p>
<p>A afirmação de que seria “relativamente fácil” lutar simultaneamente contra democracia burguesa e fascismo ilustra exatamente o caráter absstrato de sua posição. O problema começa quando se pergunta como realizar essa luta, com quais organizações, sob qual relação de forças e mediante quais práticas. Defender liberdades de greve, associação, imprensa e organização contra uma ofensiva fascista não exige qualquer ilusão na democracia burguesa. Exige compreender que essas liberdades são condições materiais da luta proletária.</p>
<p>Você pediu uma definição alternativa. Considero o fascismo um processo de reorganização contrarrevolucionária da ordem capitalista, impulsionado por movimentos de massas que capturam reivindicações, símbolos e formas organizativas provenientes de diferentes campos políticos, deslocam o conflito de classes para a unidade nacional e combinam organizações radicais com instituições conservadoras. Como movimento, articula partido, milícias, sindicatos e liderança carismática. Para se converter em regime, estabelece compromissos com forças armadas, Igrejas, burocracias estatais, elites tradicionais e frações do capital. Sua função histórica consiste em destruir a autonomia organizativa dos trabalhadores e reconstruir a coesão capitalista mediante repressão, mobilização, corporativismo e nacionalismo. Não tenho um autor de estimação para apresentar uma definição cristalina. Nesse caso, essas ideias são derivadas das reflexões de Poulantzas, Paxton, João Bernardo, Trotsky e outros que não consigo lembrar de cabeça nesse momento.</p>
<p>Essa definição distingue movimento, processo de ascensão e regime. Também permite explicar as diferenças entre os fascismos sem exigir que todos reproduzam integralmente o caso italiano ou alemão. Expansionismo, totalitarização e políticas de integração podem aparecer em graus e combinações diferentes. Eles precisam ser explicados historicamente, em vez de empilhados como adjetivos.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário sobre A seita por paula		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/12/150931/#comment-1131484</link>

		<dc:creator><![CDATA[paula]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 11:22:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://passapalavra.info/?p=150931#comment-1131484</guid>

					<description><![CDATA[Teams leader de customer relation Alfragide subiram por cunhas, TODOS falaram das situações graves mas a chefes encobriram e a responsável Lélia também. Envolvimentos com colaboradores, seguranças etc...e tudo na hora de trabalho... Depois dizem que nada disso é verdade é mais fácil acusar colaboradores]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Teams leader de customer relation Alfragide subiram por cunhas, TODOS falaram das situações graves mas a chefes encobriram e a responsável Lélia também. Envolvimentos com colaboradores, seguranças etc&#8230;e tudo na hora de trabalho&#8230; Depois dizem que nada disso é verdade é mais fácil acusar colaboradores</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário sobre A seita por carla		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2023/12/150931/#comment-1131473</link>

		<dc:creator><![CDATA[carla]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 10:44:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[IKEA: os colaboradores merecem respeito, não vigilância e medo

Na IKEA, existem colaboradores que denunciam situações que, a serem confirmadas, são de extrema gravidade: assédio, pressão psicológica, perseguição, discriminação de colaboradores sindicalizados, dificuldades ou impedimentos ao exercício da atividade sindical e vigilância sobre colaboradores.

Não estamos a falar de pequenos desacordos entre colaboradores e chefias. Quando alguém sente que está a ser perseguido por exercer os seus direitos, quando existem acusações ou denúncias dirigidas contra colaboradores e quando há a perceção de que os colaboradores estão a ser vigiados, estamos perante questões que merecem ser investigadas com toda a seriedade.

É igualmente preocupante quando colaboradores que procuram defender os seus direitos ou os direitos dos seus colegas passam a ser vistos como um problema.

O direito à organização sindical não pode ser encarado como uma ameaça. Um colaborador não pode ser prejudicado, pressionado ou perseguido por pertencer a um sindicato, por exercer atividade sindical ou por denunciar aquilo que considera injusto.

Também é necessário questionar qualquer prática que possa criar um ambiente de medo entre os colaboradores. Se existem sistemas ou pessoas utilizados para observar comportamentos dos colaboradores, recolher informação sobre eles ou incentivar denúncias contra colegas, é legítimo perguntar qual é a finalidade desses mecanismos e quais são as garantias dadas aos colaboradores. Ikea vigie e ikea vai ao trustpilot., redes sociais ameaçar para retirar o que se fala de verdade sobre o Ikea, que nega .

Uma empresa deve procurar resolver os problemas, e não silenciar quem os denuncia.

E perante acusações de assédio ou perseguição, a resposta não pode ser simplesmente negar que alguma coisa aconteceu. É preciso ouvir os colaboradores e mudar a direcao e chefias.

Não pode existir uma cultura em que a empresa esteja sempre certa e o colaborador esteja sempre errado.

Se um colaborador denuncia uma situação, não deve passar automaticamente de denunciante a acusado.

Se um colaborador pertence a um sindicato, não deve ser tratado como um problema.

Se um colaborador defende um colega, não deve ser perseguido por isso.

Se existem problemas dentro da empresa, devem ser enfrentados com transparência, diálogo e respeito pelos direitos de quem trabalha.

A IKEA fala frequentemente de valores, respeito e responsabilidade. Esses valores devem aplicar-se também quando um colaborador questiona uma decisão, denuncia uma situação, exerce atividade sindical ou simplesmente diz que alguma coisa está errada.

Uma empresa demonstra verdadeiramente o respeito pelos seus colaboradores não quando tudo corre bem, mas quando é confrontada com críticas, denúncias e colaboradores que exigem os seus direitos.

Por isso, as denúncias que existem devem ser levadas a serio. Não devem ser desvalorizadas.


Não devem ser escondidas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>IKEA: os colaboradores merecem respeito, não vigilância e medo</p>
<p>Na IKEA, existem colaboradores que denunciam situações que, a serem confirmadas, são de extrema gravidade: assédio, pressão psicológica, perseguição, discriminação de colaboradores sindicalizados, dificuldades ou impedimentos ao exercício da atividade sindical e vigilância sobre colaboradores.</p>
<p>Não estamos a falar de pequenos desacordos entre colaboradores e chefias. Quando alguém sente que está a ser perseguido por exercer os seus direitos, quando existem acusações ou denúncias dirigidas contra colaboradores e quando há a perceção de que os colaboradores estão a ser vigiados, estamos perante questões que merecem ser investigadas com toda a seriedade.</p>
<p>É igualmente preocupante quando colaboradores que procuram defender os seus direitos ou os direitos dos seus colegas passam a ser vistos como um problema.</p>
<p>O direito à organização sindical não pode ser encarado como uma ameaça. Um colaborador não pode ser prejudicado, pressionado ou perseguido por pertencer a um sindicato, por exercer atividade sindical ou por denunciar aquilo que considera injusto.</p>
<p>Também é necessário questionar qualquer prática que possa criar um ambiente de medo entre os colaboradores. Se existem sistemas ou pessoas utilizados para observar comportamentos dos colaboradores, recolher informação sobre eles ou incentivar denúncias contra colegas, é legítimo perguntar qual é a finalidade desses mecanismos e quais são as garantias dadas aos colaboradores. Ikea vigie e ikea vai ao trustpilot., redes sociais ameaçar para retirar o que se fala de verdade sobre o Ikea, que nega .</p>
<p>Uma empresa deve procurar resolver os problemas, e não silenciar quem os denuncia.</p>
<p>E perante acusações de assédio ou perseguição, a resposta não pode ser simplesmente negar que alguma coisa aconteceu. É preciso ouvir os colaboradores e mudar a direcao e chefias.</p>
<p>Não pode existir uma cultura em que a empresa esteja sempre certa e o colaborador esteja sempre errado.</p>
<p>Se um colaborador denuncia uma situação, não deve passar automaticamente de denunciante a acusado.</p>
<p>Se um colaborador pertence a um sindicato, não deve ser tratado como um problema.</p>
<p>Se um colaborador defende um colega, não deve ser perseguido por isso.</p>
<p>Se existem problemas dentro da empresa, devem ser enfrentados com transparência, diálogo e respeito pelos direitos de quem trabalha.</p>
<p>A IKEA fala frequentemente de valores, respeito e responsabilidade. Esses valores devem aplicar-se também quando um colaborador questiona uma decisão, denuncia uma situação, exerce atividade sindical ou simplesmente diz que alguma coisa está errada.</p>
<p>Uma empresa demonstra verdadeiramente o respeito pelos seus colaboradores não quando tudo corre bem, mas quando é confrontada com críticas, denúncias e colaboradores que exigem os seus direitos.</p>
<p>Por isso, as denúncias que existem devem ser levadas a serio. Não devem ser desvalorizadas.</p>
<p>Não devem ser escondidas.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário sobre Qual posição tomar? por Juliana Antunes		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/07/113838/#comment-1131161</link>

		<dc:creator><![CDATA[Juliana Antunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 15:21:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=113838#comment-1131161</guid>

					<description><![CDATA[Os outros autores que o Mateus cita: os pseudônimos do Nildo Viana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os outros autores que o Mateus cita: os pseudônimos do Nildo Viana.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário sobre Qual posição tomar? por Mateus Alexandre Alves		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/07/113838/#comment-1131098</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mateus Alexandre Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 12:03:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=113838#comment-1131098</guid>

					<description><![CDATA[Caro João Bernardo,

Peço desculpas se pareceu que eu o considerava algum pseudônimo daqui. Sua explicação, porém, não era necessária: embora discordemos em quase tudo, sempre admirei sua erudição, característica que, infelizmente, falta neste espaço. O que temos por aqui é a extrapolação nas interpretações, o julgamento de que o outro age de má-fé e a confusão retórica entre conceitos, o que é uma tristeza.

Sei que você discordaria de mim de uma maneira muito mais elegante. Talvez falasse da importância de uma definição de fascismo que carregue em si a inserção de interesses alheios aos do proletariado no próprio movimento operário, algo que ocorre sem a percepção deste último, por influência dos estratos mais baixos dos gestores. Ou falasse da importância da comparação histórica a fim de delimitar o que seria fascismo citando diversos fatos históricos, etc.

Ou, quem sabe, você trouxesse exemplos concretos ou autores que me fariam refletir, de fato. Teríamos, assim, um debate realmente produtivo e respeitoso, tornando desnecessário as ironias ou a necessidade de justificativas e esclarecimentos constantes que torna a discussão desgastante. Uma boa discussão está em falta hoje em dia, embora algumas almas resistam a isso.

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

Maria Eduarda,

Isso é uma impressão. Eu cito diversos autores, e um deles é o Nildo Viana. No entanto, não importa quantos autores eu cite, se eu citar o Nildo, as pessoas acabam apontando isso, o que fica algo mais marcante. Inclusive, por aqui, eu cito mais Marx (acompanho o Passapalavra desde 2015, mas estava sem acompanhar desde 2024, quando as discussões estavam sendo nada produtivas), mas toda vez que eu citava Marx alguém me chamava de dogmático, por exemplo, na época. A grande questão é: eu acredito que as obras de Marx e outras de Nildo devem ser divulgadas e acrescentam algo, de fato, para a discussão em alguns casos. E eu não vejo problemas nisso. O que acho interessante é que, por muitas vezes, as pessoas atacam mais o fato de eu ter citado tal pessoa do que discutir o conteúdo para a discussão, o que é algo curioso. Quando as discordâncias se manifestam no nível do conteúdo, a discussão é bem produtiva.

&lt;strong&gt;*** *** ***&lt;/strong&gt;

Maria Eduarda, 
Comente mais por aqui, e não deixe apenas entre seus amigos.

P.S.: Eu sou uma pessoa real e inclusive já escrevi com o Nildo: https://redelp.net/index.php/rd/article/view/1585
A mesma pessoa não pode estar duas vezes num mesmo artigo, hahaha!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João Bernardo,</p>
<p>Peço desculpas se pareceu que eu o considerava algum pseudônimo daqui. Sua explicação, porém, não era necessária: embora discordemos em quase tudo, sempre admirei sua erudição, característica que, infelizmente, falta neste espaço. O que temos por aqui é a extrapolação nas interpretações, o julgamento de que o outro age de má-fé e a confusão retórica entre conceitos, o que é uma tristeza.</p>
<p>Sei que você discordaria de mim de uma maneira muito mais elegante. Talvez falasse da importância de uma definição de fascismo que carregue em si a inserção de interesses alheios aos do proletariado no próprio movimento operário, algo que ocorre sem a percepção deste último, por influência dos estratos mais baixos dos gestores. Ou falasse da importância da comparação histórica a fim de delimitar o que seria fascismo citando diversos fatos históricos, etc.</p>
<p>Ou, quem sabe, você trouxesse exemplos concretos ou autores que me fariam refletir, de fato. Teríamos, assim, um debate realmente produtivo e respeitoso, tornando desnecessário as ironias ou a necessidade de justificativas e esclarecimentos constantes que torna a discussão desgastante. Uma boa discussão está em falta hoje em dia, embora algumas almas resistam a isso.</p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>Maria Eduarda,</p>
<p>Isso é uma impressão. Eu cito diversos autores, e um deles é o Nildo Viana. No entanto, não importa quantos autores eu cite, se eu citar o Nildo, as pessoas acabam apontando isso, o que fica algo mais marcante. Inclusive, por aqui, eu cito mais Marx (acompanho o Passapalavra desde 2015, mas estava sem acompanhar desde 2024, quando as discussões estavam sendo nada produtivas), mas toda vez que eu citava Marx alguém me chamava de dogmático, por exemplo, na época. A grande questão é: eu acredito que as obras de Marx e outras de Nildo devem ser divulgadas e acrescentam algo, de fato, para a discussão em alguns casos. E eu não vejo problemas nisso. O que acho interessante é que, por muitas vezes, as pessoas atacam mais o fato de eu ter citado tal pessoa do que discutir o conteúdo para a discussão, o que é algo curioso. Quando as discordâncias se manifestam no nível do conteúdo, a discussão é bem produtiva.</p>
<p><strong>*** *** ***</strong></p>
<p>Maria Eduarda,<br />
Comente mais por aqui, e não deixe apenas entre seus amigos.</p>
<p>P.S.: Eu sou uma pessoa real e inclusive já escrevi com o Nildo: <a href="https://redelp.net/index.php/rd/article/view/1585" rel="nofollow ugc">https://redelp.net/index.php/rd/article/view/1585</a><br />
A mesma pessoa não pode estar duas vezes num mesmo artigo, hahaha!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário sobre Qual posição tomar? por Maria Eduarda		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/07/113838/#comment-1131086</link>

		<dc:creator><![CDATA[Maria Eduarda]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 11:34:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=113838#comment-1131086</guid>

					<description><![CDATA[Ñ sou especialista em fascismo pra ficar dando pitaco aqui, mas tenho minhas duvidas sobre a ideia de fascismo serem apenas as experiencias italianas e alemãs, por execelência. O fascismo n poderia aprecer em países periféricos, do sul global, então?

Outra coisa: eu quase não comento aqui no PP, normalmente só leio e compartilho com meus amigos. Mas depois de olhar alguns comentários desse Mateus Alexandre, em algumas postagens aleatórias que li aqui no PP, sinceramente acho que ele é um pseudônimo do Nildo Viana. Não vejo muita outra lógica.
Ele aparece pouco e quando aparece é sempre texto do Nildo, definição do Nildo ou alguma ideia do Nildo. Até as palavras são praticamente as mesmas. Parece o próprio autor falando dele mesmo por outro nome. Fui olhar o texto que ele do Nildo mandou aqui e a forma de escrita é idêntica. Incrível
Também não vejo motivo para pseudônimo, já que aqui não parece ter nenhuma perseguição. Acho até uma coisa meio infantil. Se são duas pessoas diferentes mesmo, acho estranho que o Mateus nunca apareça com uma ideia que não seja do Nildo. Porque assim fica difícil acreditar que são duas pessoas diferentes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ñ sou especialista em fascismo pra ficar dando pitaco aqui, mas tenho minhas duvidas sobre a ideia de fascismo serem apenas as experiencias italianas e alemãs, por execelência. O fascismo n poderia aprecer em países periféricos, do sul global, então?</p>
<p>Outra coisa: eu quase não comento aqui no PP, normalmente só leio e compartilho com meus amigos. Mas depois de olhar alguns comentários desse Mateus Alexandre, em algumas postagens aleatórias que li aqui no PP, sinceramente acho que ele é um pseudônimo do Nildo Viana. Não vejo muita outra lógica.<br />
Ele aparece pouco e quando aparece é sempre texto do Nildo, definição do Nildo ou alguma ideia do Nildo. Até as palavras são praticamente as mesmas. Parece o próprio autor falando dele mesmo por outro nome. Fui olhar o texto que ele do Nildo mandou aqui e a forma de escrita é idêntica. Incrível<br />
Também não vejo motivo para pseudônimo, já que aqui não parece ter nenhuma perseguição. Acho até uma coisa meio infantil. Se são duas pessoas diferentes mesmo, acho estranho que o Mateus nunca apareça com uma ideia que não seja do Nildo. Porque assim fica difícil acreditar que são duas pessoas diferentes.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário sobre Qual posição tomar? por João Bernardo		</title>
		<link>https://passapalavra.info/2017/07/113838/#comment-1131031</link>

		<dc:creator><![CDATA[João Bernardo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 07:03:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://passapalavra.info/?p=113838#comment-1131031</guid>

					<description><![CDATA[Eu usei sempre pseudónimos na actividade política clandestina, muitos e variados. E usei nomes falsos nos documentos de identidade falsificados com que iludia as autoridades durante os anos de exílio. Tudo isso se tornou desnecessário depois de Abril de 1974. A partir de então nunca mais recorri a pseudónimos e assino com o meu nome o que escrevo e publico. Um texto que não estiver assinado com o meu nome, é porque não fui eu que o escrevi.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu usei sempre pseudónimos na actividade política clandestina, muitos e variados. E usei nomes falsos nos documentos de identidade falsificados com que iludia as autoridades durante os anos de exílio. Tudo isso se tornou desnecessário depois de Abril de 1974. A partir de então nunca mais recorri a pseudónimos e assino com o meu nome o que escrevo e publico. Um texto que não estiver assinado com o meu nome, é porque não fui eu que o escrevi.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
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